Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Baz Luhrmann dá brilho ao hip-hop em ‘The Get Down’

Com orçamento mais caro da Netflix, série investiga o nascimento do movimento musical sob a ótica do diretor de ‘Moulin Rouge’

Por Raquel Carneiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
12 ago 2016, 09h41

Em sua carreira de pouco mais de vinte anos, Baz Luhrmann soma apenas cinco longas-metragens. O número modesto foi suficiente para deixar a sua marca purpurinada no cinema, com títulos como Romeu + Julieta (1996), Moulin Rouge: Amor em Vermelho (2001) e, o mais recente, O Grande Gatsby (2013). Agora, o cineasta australiano colocou com cuidado a mão no potinho de glitter para contar a pouco conhecida história do movimento que daria origem ao bilionário mercado do hip-hop.

The Get Down chega ao catálogo da Netflix nesta sexta-feira envolta em muita expectativa e notícias de um bastidor conturbado. Tanto que apenas seis episódios da primeira temporada foram lançados para cumprir a promessa da data de estreia — outros seis ficaram para um dia ainda indefinido de 2017. Mudança de showrunner, roteiro reescrito e atrasos de produção levaram Luhrmann a sair do cargo de “tio da série” para trabalhar duro e supervisionar tudo de perto. No total, os erros e acertos custaram 120 milhões de dólares, tornando a atração a mais cara já feita pela Netflix.

LEIA TAMBÉM:
Baz Luhrmann pode dirigir cinebiografia de Elvis Presley
Netflix anuncia série musical do diretor de ‘Moulin Rouge’

O resultado é no mínimo interessante, em partes, inovador — em outras, caótico. O estilo Luhrmann é visto com parcimônia, exceto no primeiro episódio de 90 minutos dirigido por ele, o mais estilizado. Para quem espera um Moulin Rouge do rap, melhor diminuir as expectativas. A obra no máximo flerta com o charme urbano de Romeu + Julieta e lembra algum clipe cult de Beyoncé. A cantoria é reservada a momentos de brincadeiras entre adolescentes, em festas, no palco de uma igreja e quando o protagonista, Ezekiel (Justice Smith), recita poemas com sua bela voz cadenciada.

O rapaz vive no bairro do Bronx, Nova York, em 1977, e escreve rimas sobre sua realidade, com dramas que vão da dor da perda dos pais, ambos baleados, até sua grande paixão por Mylene (Herizen Guardiola), uma jovem cantora filha de um pastor (Giancarlo Esposito). Ela, por sua vez, sonha em sair dos palcos religiosos para dominar as pistas de disco music, o ritmo da época.

Apelidado de “Books” pelos amigos, Ezekiel sai do casulo quando conhece o grafiteiro Shaolin Fantastic (Shameik Moore) e o DJ Grandmaster Flash (Mamoudou Athie), que lhe apresentam o universo das festas apelidadas de “Get Down”, onde a discoteca e o rap começam a se fundir para criar algo novo. Pela falta de acesso a instrumentos e por tentar representar um cotidiano com pouco apelo para as gravadoras, os jovens criam uma nova forma de arte com limitações mas também com liberdade, mixando diferentes sons de álbuns existentes e cantando versos soltos por cima. A amizade do grupo e a busca por vidas novas, que só seriam possíveis com a música, é o que conduz a primeira parte da atração.

Continua após a publicidade

https://www.youtube.com/watch?v=NaxfH5v8YR0

Entre as inovações da série, está a escolha do elenco, composto majoritariamente por rostos pouco conhecidos, divididos entre negros e latinos, um feito em tempos de discussões sobre a falta de diversidade na TV e no cinema americanos. A trilha é assinada pelo rapper Nas, que consegue emocionar ou divertir, dependendo do momento.  Por trás da atração, também está o verdadeiro Grandmaster Flash, retratado no programa como um mentor do novo grupo, função que ele também exerce nos bastidores.

Enquanto a produção musical e os bons atores esbanjam ritmo, o roteiro e a direção deixam a desejar. O episódio piloto sofre com longos momentos de tédio e não empolga o espectador a permanecer na jornada da história. O capítulo seguinte ganha um clima mais direto, mas ainda pena para sustentar a trama, que só engrena com a boa edição do terceiro episódio. As mazelas da época e a violência constante do bairro são pinceladas pelo cineasta, que prefere dar verniz à formação musical do grupo e à sua criatividade. Sorte do hip-hop, elemento da série que se beneficia do raio purpurinado de Baz Luhrmann.

Continua após a publicidade

https://www.youtube.com/watch?v=GceAJPNTBHY

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.