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A maldição dos discos natalinos

Neste fim de ano, Justin Bieber e Michael Bublé dominam as paradas de sucesso nos Estados Unidos com canções que ninguém mais aguenta ouvir. Nem mesmo o Papai Noel

Por Mariana Zylberkan 24 dez 2011, 06h33

Nem o famigerado espírito natalino é capaz de aplacar uma verdadeira maldição que toma conta da indústria fonográfica todos os anos, sempre nas semanas que antecedem o Natal. É nessa época que cantores do mundo decidem brindar os fãs com canções que exaltam, em suas letras, sentimentos de fraternidade e união, mas suas intermináveis repetições ao longo dos anos produzem exatamente o efeito contrário e tiram a paciência auditiva de qualquer um.

Neste ano, Justin Bieber , com o disco Under The Mistletoe, e o álbum Christmas do canadense Michael Bublé lideram as paradas de sucesso nos Estados Unidos. Ambas produções reúnem o pior do Natal, músicas que perderam o posto de clássicos após sofrerem um acúmulo de arranjos equivocados, cheios de sons de guizos e outros recursos musicais enjoativos. Bublé lidera a lista dos 200 discos mais bem cotados pela Billboard há quatro semanas, enquanto Bieber aparece logo atrás, em terceiro lugar desde o lançamento, no início de novembro.

Justin Bieber nasceu no ano em que Mariah Carey lançava o hit responsável por alça-la ao posto de rainha dos discos natalinos. A música All I Want For Christmas Is You, composta em 1994, inclusive, é uma das faixas do disco natalino de Bieber, que forma dueto com Mariah interpretá-la.

O clipe de All I Want For Christmas Is You, aliás, exalta o clima família inerente à época do ano e mostra Mariah Carey vestida de Mamãe Noel sexy em clima de paquera com o adolescente de 17 anos. A parceria deu certo e Under The Mistletoe vendeu 210 mil cópias apenas na primeira semana de lançamento.

O disco natalino de Bublé também vai bem e ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas em três meses desde o lançamento. O carro-chefe do projeto é a versão de Santa Claus Is Coming To Town, que reproduz o estilo “velha guarda” dos discos natalinos com pegada orquestral, cheio de sons de trompete e outros metais.

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Fora da lista da Billboard mas também resultado da mistura temas natalinos e cantores pop está o disco A Very Gaga Holiday da tresloucada Lady Gaga. Com apenas quatro faixas, o lançamento ainda não chegou ao Brasil e nos Estados Unidos é comercializado com status de item de colecionador. Tem que ser mesmo fã de carteirinha para ouvir a licença poética de Lady Gaga para White Christmas. Ela criou o verso “I’m Dreaming Of a White Snow Man, With a Carrot Nose and Charcoal Eyes” ou “Eu sonho com um boneco de neve, com nariz de cenoura e olhos de carvão”, na tradução livre para o português.

A maldição dos discos natalinos também atingiu a carreira de grandes nomes da música americana. John Lennon, por exemplo, teve a canção Happy Xmas (War Is Over), composta originalmente por ele e Yoko Ono, em 1969, como um protesto contra a Guerra no Vietnã, transformada num hit natalino, regravado por anos a fio.

A música que nasceu com propósito humanitário se transformou em pesadelo musical na versão abrasileirada de Simone. Então É Natal é sinônimo de música chata e, nem assim, caiu no ostracismo. A faixa pertence ao disco 25 de Dezembro, lançado em 1995, que vendeu 1,2 milhão de cópias desde então.

Um dos primeiros discos lançados por Elvis Presley foi Elvis Christmas Album em que seu vozeirão serviu à interpretação de I’ll Be Home For Christmas, Silent Night, White Christmas e Santa Claus Is Back To Town. Apesar de interpretar canções já batidas, mesmo para a década de 50, Elvis consegue manter sua personalidade musical e evita cair na tentação de se apoiar na fácil aceitação do público frente aos clássicos natalinos.

Ella Fitzgerald também lançou em 1967 uma das exceções de bons discos natalinos. O Ella Fitzgerald’s Christmas reúne as mesmas canções de praxe que ganham brilho ao serem interpretadas através do estilo único da rainha do jazz.

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