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João Pedro Stédile

23/05/2014

às 14:00 \ Bytes de Memória

Histórias secretas de “Playboy” (2): uma militante do MST ia posar nua, e o mundo veio abaixo

Débora Rodrigues, na Capa da Revista Playboy, em outubro de 1997

Débora Rodrigues, a ex-militante sem terra estrela da capa de “Playboy” em outubro de 1997

Publicado originalmente a 24 de outubro de 2010

Campeões-de-audiência

 

 

 

 

 

(Os leitores não têm a menor obrigação de saber, mas a uma certa altura de minha longa carreira no chamado jornalismo hard – cuidando especialmente de temas políticos e relações internacionais – e no desempenho de cargos editorias executivos, coube-me ser diretor de Redação da revista Playboy, entre 1994 e 1999.

Um período muito rico, que, felizmente, deu resultados muito positivos para a Editora Abril e rendeu muitas histórias que nunca contei. E que agora, no blog, estou contando, como já fiz antes. Se quiser conferir a história anterior, leia aqui).

Em 22 anos de história de Playboy até então, nunca tínhamos vivido nada parecido – mesmo agora, aos 35 anos de idade, a revista não viu o fenômeno se repetir. O fato é que de alguma forma vazou, dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a informação, verdadeira, de que uma de suas militantes, Débora Cristina Rodrigues, havia assinado contrato para posar nua para a revista.

A imprensa, como sempre, ficou sabendo. E seu súbito, avassalador interesse por Débora transformou a bela sem-terra num caso espetacular do que os americanos chamam de instant celebrity — alguém que passa, em questão de dias, do absoluto anonimato para a condição de celebridade.

Foi uma loucura midiática – não estou exagerando. Parecia que o mundo vinha abaixo. Reportagens pipocaram não apenas em jornais e revistas das maiores capitais, como O Globo e a Folha de S. Paulo, a Istoé e o Jornal da Tarde, ou os belo-horizontinos Diário da Tarde e Hoje em Dia, ou, ainda, o Correio Braziliense, do Distrito Federal. A coisa se espraiou por dezenas de jornais regionais do país, do Rio Grande do Sul a Pernambuco, do Paraná à Bahia.

Eu a descobri lendo jornal na praia

Playboy tinha sob contrato, na época, uma assessoria de imprensa encarregada principalmente de divulgar a revista para a mídia do interior do país, além de providenciar clippings – coleções de recortes de jornais e revistas e gravações de programas de rádio e TV em que a se mencionasse Playboy. Tenho até hoje, nos arquivos de meu escritório, a montanha de material sobre Débora.

Os programas de fofocas nas redes de TV não falavam de outra coisa. Celebridades, como a socialite Thereza Collor ou a atriz Danielle Winits, palpitavam. Num programa de rádio em São Paulo, a hoje senadora Marta Suplicy (PT-SP), que ainda comentava profissionalmente assuntos de sexo e relacionamento, mesmo sem saber nada de concreto do caso espinafrou a revista e a mim, pessoalmente, por “explorar” uma militante dos “movimentos sociais”.

Thereza Collor: para ela o ensaio não combinava bem com uma militante

Até um deputado do PT, o bigodudo Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), acabou entrando na história, para “defender os direitos” de Débora.

Eu não imaginava, juro que não, que tudo aquilo fosse ocorrer quando, lendo sossegadamente ao sol o Estadão de domingo ao lado de minha mulher no refúgio litorâneo onde recuperava as energias com a família, na escondida minipraia de Sorocotuba, no Guarujá, a 90 quilômetros de nosso apartamento em São Paulo, dei com uma reportagem sobre José Rainha Júnior, o líder dos sem-terra no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do estado.

Num canto da foto em preto e branco de Rainha com um grupo, aparecia uma bela mulher, de calças jeans, rabo-de-cavalo, um boné do MST e grandes brincos tipo argola. Era Débora, e resolvi na hora que iria colocá-la nas páginas de Playboy. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/02/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Lindbergh imita até a voz de Lula em discurso radical de esquerda no Rio de Janeiro

Lindbergh Farias no Encontro Estadual do PT no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Lindbergh Farias no Encontro Estadual do PT no Rio de Janeiro: em 2010, linguagem moderada e 1 milhão de doações de empreiteiras. Agora, discurso radical — e críticas Dàs empreiteiras (Foto: PT-RJ)

Reportagem de Thiago Prado, do Rio de Janeiro, publicado no site de VEJA

LINDBERGH IMITA ATÉ A VOZ DE LULA EM DISCURSO RADICAL DE ESQUERDA NO RIO DE JANEIRO

Lançamento da pré-candidatura ao governo do Estado teve presença de João Pedro Stédile, do MST, ataques às empreiteiras e à Rede Globo. No final, senador trocou de camisa, para alegria das fãs do ‘Lindinho’

Discurso contra as empreiteiras, ataques à Rede Globo. Defesa da Baixada Fluminense em detrimento dos investimentos na Barra da Tijuca. Críticas duras ao PMDB, até outro dia aliado do PT no governo do Rio de Janeiro. Em resumo, uma tarde como a militância gosta, no evento programado para o PT lançar a pré-candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio, no último sábado.

Figura central do encontro, o senador reservou para os correligionários um ‘agrado’ especial, que indica os caminhos da campanha ao Palácio Guanabara: com um misto de sons guturais e sílabas alongadas, Lindbergh passou a imitar a voz do ex-presidente Lula. Um pouco forçado, é verdade, mas ajudado também pelo que resta de seu sotaque nordestino da Paraíba, onde nasceu.

Faz parte do teatro petista descer a borduna na iniciativa privada quando convém. O Lindbergh de sábado, no Salgueiro, na Zona Norte do Rio, em nada lembrava o que assumiu em 2013 a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado com um discurso moderado e de conciliação. “Oito bilhões e meio no metrô de Ipanema para a Barra da Tijuca. É uma obra daquelas que tem que furar uma rocha do tamanho do mundo. Trouxeram o Tatuzão, compraram por 100 milhões. É obra que empreiteira gosta”, discursou, para delírio da plateia de cerca de 4.000 pessoas.

Não é preciso ser experiente em campanhas eleitorais para saber que dificilmente um candidato a cargos majoritários caminha sem a colaboração de empreiteiras. E o próprio Lindbergh, na campanha de 2010, teve apoio para chegar ao Senado. Só a Camargo Correa contribuiu com 1 milhão de reais, segundo a prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral.

Lindbergh engrossou a voz em vários momentos do pequeno comício montado. Sempre focando em críticas ao governo Cabral, que teve até o mês passado como secretários os deputados estaduais petistas Carlos Minc e Zaqueu Teixeira.

PMDB ameaça apoiar Aécio

Virou alvo até o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, que afirmou ao jornal O Globo de sábado que o partido apoiaria Aécio Neves no Rio caso o PT não retirasse a candidatura de Lindbergh. “Que ele cuide das fazendas dele”, berrou para a militância, em referência às fazendas de gado mantidas por Picciani. Detalhe: em 2010, quando tudo eram flores na aliança PT e PMDB, o peemedebista também aparece como contribuinte de 27.000 reais na campanha de Lindbergh ao Senado.

“Nós temos que fazer no Rio o que Lula e Dilma fizeram no país. Olhar para o povo trabalhador, olhar pelos mais pobres”, disse. “Existem dois Rios. Um do cartão postal e outro real, do trabalhador”, afirmou, durante o evento, usando duas de suas frases preferidas no período de pré-campanha.

Quem discursou antes também entrou na onda de buscar o aplauso da ‘galera’. “Estamos cansados de bundões e Pezões na política”, disse o líder sem-terra João Pedro Stédile, em referência a Luiz Fernando Pezão, candidato de Cabral à sua sucessão. Rui Falcão, presidente do PT, foi além e fez mais uma vez o batido discurso de ataque ao que chamou de “monopólio” das Organizações Globo.

“Lindinho” e suas tietes

Terminado o evento, Lindbergh desceu do palanque para fazer o que mais adora. Receber abraços e beijos de militantes – mais parecidas com um exército de fãs de um artista pop.

Acompanhado da mulher e do filho e visivelmente feliz com a oportunidade, Lindbergh talvez não tenha percebido que ficou sem camisa na frente de várias repórteres mulheres no evento. Um assessor lhe entregou uma nova para substituir a usada – e bastante suada – no discurso de cerca de 30 minutos.

Pode ser descuido, ou pode ser estratégia: o público feminino que o apelidou de “Lindinho” gostou do que viu.

 

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Eduardo Campos quer palanque único no Rio

07/10/2010

às 17:58 \ Política & Cia

Oooops! Errei sobre João Pedro Stedile. O irmão dele é que foi eleito deputado federal

Dois amigos e leitores atentos do blog, como João Francisco Anagnostopoulos e André (que não incluiu o sobrenome), me alertaram sobre o post que coloquei hoje no ar, e retirei logo em seguida, dando conta da eleição do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, como deputado federal pelo Rio Grande do Sul.

Outra amiga do blog, Dulce Toledo, chegou a comentar o post.

Na verdade, o eleito é um irmão mais novo do Stedile do MST, José Luiz Stédile (ele escreve o sobrenome com acento), que já milita na política formal há um bom tempo e é filiado ao PSB (e não ao PT, ao qual o MST foi durante muito tempo umbilicalmente ligado).

Ex-metalúrgico, com curso universitário de Administração, Stédile foi por dois mandatos prefeito de Cachoeirinha, cidade de 110 mil habitantes na Grande Porto Alegre.

Ou seja, o irmão do grande incentivador de invasões de terras, o arquiinimigo do capitalismo e do “sistema” joga a regra do jogo, diferentemente do líder do MST, entidade que até hoje não se tornou pessoa jurídica para escapar de processos na Justiça pelos abusos que comete.

NA COLIGAÇÃO TINHA ATÉ O PARTIDO DE ENÉAS – Curiosamente, o irmão de Stedile elegeu-se deputado por uma coligação estranhíssima, que incluiu, muito bem, o PSB e o PC do B, mas também o PR que, como se sabe, é um resultado de dois partidos de direita: o extinto PL e o Prona, sigla protofascista do falecido Doutor Enéas.

Stedile teve uma votação muito minguada para os patamares do Rio Grande do Sul, onde deputado federal dificilmente se elege com menos de 100 mil votos: obteve apenas 41.401.

Vai para a Câmara dos Deputados graças à votação espetacular obtida pela deputada Manuela D’Ávila, do PC do B, a “patricinha do PC do B”, uma recordistas da última eleição, com sonoros 482.590 votos.

15/09/2010

às 22:03 \ Política & Cia

Exclusivo: Benicio Del Toro visita escola de formação de quadros do MST

Um dos maiores astros de Hollywood, Benicio Del Toro (protagonista de filme como Che, Coisas que Perdemos pelo Caminho, O Lobisomem e 21 Gramas) passou toda a tarde de hoje na Escola Nacional Florestan Fernandes, centro de “formação de quadros” do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Guararema, município a 75 quilômetros de São Paulo.

Del Toro, que está em rápida visita ao Brasil, manifestou desejo de conhecer o MST e suas ações, e foi ciceroneado pelo líder do movimento, João Pedro Stédile (com ele na foto). Grandão – entre 1,90 e 2 metros –, tímido e monossilábico, mas simpático e interessado, Del Toro, que é porto-riquenho, se comunicava com as pessoas em portunhol, e percorreu instalações da escola, espalhada por vários edifícios.

RESPONDENDO A PERGUNTAS — A certa altura, diante de uma centena de alunos – na maioria filhos de assentados mas vários deles de países hispano-americanos –, pediram que ele dissesse algumas palavras. “Prefiro responder a perguntas”, disse o ator. A maior parte centrou-se no filme Che, sobre o guerrilheiro cubano-argentino morto na Bolívia, em 1967. Um rapaz indagou a Del toro o que Ernesto Che Guevara significava para ele. O ator pensou um pouco e respondeu de forma pouco bombástica:

– Um povo que não sabe ler e escrever vai sempre ser explorado por alguém.

Outra pergunta:

– Atores de Hollywood como você, Danny Glover e Sean Penn são conhecidos por suas preocupações e compromissos sociais. Você tinha isso antes do filme Che?

A resposta veio em uma só palavra:

– Não.

COMIDA BRASILEIRA — O astro de Sin City, a Cidade do Pecado, interessou-se pela estação de tratamento de água do conjunto de edifícios, e recebeu a explicação de que, graças a um sistema idealizado pela Unicamp, toda a água utilizada é reprocessada e purificada sem a utilização de produtos químicos. Da mesma forma, soube que não se utilizou cimento nas paredes dos edifícios.

De volta a São Paulo, propuseram ao ator um jantar no respeitadíssimo restaurante italiano Jardim de Napoli. Ele preferiu comida brasileira e jantou no Bar des Arts, no bairro de Higienópolis.

 

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