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João Pedro Stédile

20/03/2015

às 12:00 \ Política & Cia

BADERNA: Lula mandou — e os mercenários do MST estão entrando em ação

(Foto: Antonio Cruz/ABr)

Nova ofensiva: MST agora quer acesso livre ao crédito de bancos estatais (Foto: Antonio Cruz/ABr)

O MST recebe milhões de reais todos os anos do nosso dinheiro, mas é do comandante Lula que eles ouviram ordens de ir às ruas

Reportagem de Robson BoninHugo Marques publicada em edição impressa de VEJA

Nada como uma crise política para tirar o MST da letargia e colocá-lo de volta nas ruas como instrumento do projeto de poder do PT. Na semana passada, o movimento, adestrado pelos milhões de reais recebidos em verba pública nos governos Lula e Dilma, lançou sua chamada Jornada Nacional de Lutas.

Em pelo menos 22 estados, os sem-terra fecharam rodovias, atacaram praças de pedágio, invadiram fazendas, depredaram e saquearam empresas privadas e interditaram prédios públicos. Em Sergipe, três pessoas morreram em decorrência de um acidente provocado pelo bloqueio feito por militantes numa estrada.

Oficialmente, a nova ofensiva do MST é mais um passo na caminhada por distribuição de renda e igualdade social. Reivindica-se acesso livre ao crédito de bancos estatais, como se as torneiras dos cofres públicos estivessem fechadas para a entidade.

Não, não estão. Desde 2004, apenas quarenta cooperativas e assentamentos embolsaram 300 milhões de reais. Parte desse dinheiro, conforme investigação da Polícia Federal e de órgãos de controle, trilhou caminhos ainda desconhecidos.

Mais do que brigar por recursos, o MST saiu às ruas para demonstrar força, como parte de uma estratégia destinada a intimidar o Ministério Público, a Justiça e a oposição. Respondeu, assim, a uma convocação do ex-presidente Lula e de dirigentes petistas preocupados com a possibilidade de o escândalo do petrolão abreviar ou inviabilizar o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Há duas semanas, quando a discussão sobre a possibilidade de um processo de impeachment contra Dilma ganhava ares públicos, Lula avisou que o governo e o PT usariam os sem-terra como soldados. Os incidentes da semana passada serviram para lembrar o país do potencial de estrago representado pelo movimento. “Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele na rua”, discursou Lula durante um protesto – veja só - em “defesa” da Petrobras.

Um dos fundadores do MST, João Pedro Stedile mantém relações umbilicais com o petismo e os parceiros do partido na América Latina, inclusive a turma truculenta do bolivarianismo do século XXI.

BEM PAGO — João Pedro Stedile, o líder dos sem-terra, foi à Venezuela para pregar a violência no país vizinho e combinar ataques de seu grupo em território brasileiro (Foto: Reprodução/VEJA)

BEM PAGO — João Pedro Stedile, o líder dos sem-terra, foi à Venezuela para pregar a violência no país vizinho e combinar ataques de seu grupo em território brasileiro (Foto: Reprodução/VEJA)

Há dias, Stedile discursou como se fosse um chefe de Estado numa cerimônia em homenagem a Hugo Chávez, presidente da Venezuela morto em 2013. Lá como cá, o companheiro atuou como joguete dos poderosos. Primeiro, Stedile mandou um abraço do “companheiro Lula” aos simpatizantes do “comandante Maduro”, referindo-se a Nicolás Maduro, sucessor de Chávez na Venezuela e responsável por aprofundar a crise econômica e a repressão à oposição no país vizinho.

Dado o recado, Stedile criticou duramente os brasileiros que defendem o impeachment de Dilma. Ele usou, como de costume, a retórica bolorenta dos esquerdistas que pararam no tempo. “Por isso, neste momento, estão atacando vocês, estão atacando o povo argentino, com Cristina (Kirchner), e estão nos atacando no Brasil, falando de impeachment contra a presidente Dilma”, disse o dirigente do MST. “E nós temos de compreender que somos um só povo e que temos de derrotá-los de uma forma unida. É nas ruas que vamos derrotar o império e toda a burguesia.”

O comandante, como se vê, está de prontidão para defender o Brasil e a América do Sul de uma conspiração internacional. Stedile nada mais é que um líder de uma tropa mercenária que ainda se aproveita da miséria e da ignorância. Além das verbas milionárias repassadas à entidade, ele desfila como um integrante informal do governo e tem acesso livre aos principais gabinetes da Esplanada dos Ministérios. Seus privilégios se estendem à seara dos pequenos favores pessoais.

Comandada até o ano passado pelo petista Gilberto Carvalho, outro amigo do peito do ex­-presidente Lula, a Secretaria-Geral da Presidência – responsável pela interlocução com os movimentos sociais – pagava até as diárias de viagem de Stedile nos seus deslocamentos pelo país. Tamanha generosidade tem preço. Foi por isso que o MST protestou na Praça dos Três Poderes contra a prisão da antiga cúpula do PT condenada no processo do mensalão. É por isso que agora se perfila para defender os companheiros que assaltaram a Petrobras, os mesmos que financiam a atuação do movimento e que também puseram milhares de trabalhadores no alçapão do desemprego.

Aliás, apoiando o MST está outra entidade adestrada com o dinheiro do contribuinte. Na sexta-feira passada, a CUT organizou um protesto no qual se equilibrou entre a cruz e a espada. Em respeito aos princípios norteadores de sua fundação e aos interesses de seus filiados, bradou contra o ajuste fiscal anunciado pelo governo. Em obediência a esse mesmo governo, que lubrifica seus cofres e dá poderes a seus dirigentes, defendeu a presidente Dilma Rousseff e o PT, alistando-se no exército que pode ser acionado, se necessário, contra um eventual processo de impeachment.

A parceria entre petistas e movimentos sociais tem sido bastante rentável para os dois lados. O MST é útil tanto para a defesa quanto para o ataque. No ano passado, o PT usou o movimento para garantir a vitória de Camilo Santana sobre o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, na disputa para o governo do Ceará.

Em agosto, dois meses antes da votação, um grupo de sem-terra invadiu uma fazenda do senador no interior de Goiás. As imagens do acampamento e das barracas de lona foram espalhadas pelos petistas no Ceará e viraram um trunfo eleitoral. Com elas, acusava-se Eunício, que até então liderava com folga as pesquisas, de manter trabalhadores da fazenda em condições análogas às de escravidão. O efeito foi devastador. O candidato petista venceu a eleição no segundo turno.

Adversário do PT, o senador Eunício Oliveira teve sua fazenda invadida pelo MST e sofreu acusações pesadas, o que lhe custou a eleição ao governo do Ceará. Agora aliado, bastou pedir ajuda ao Planalto (Foto: Diomicio Gomes/O Popular)

Adversário do PT, o senador Eunício Oliveira teve sua fazenda invadida pelo MST e sofreu acusações pesadas, o que lhe custou a eleição ao governo do Ceará. Agora aliado, bastou pedir ajuda ao Planalto (Foto: Diomicio Gomes/O Popular)

Há duas semanas, o senador e o vice-presidente Michel Temer trataram do assunto num jantar com Dilma. “Queria agradecer ao líder Eunício Oliveira, que deixou de viajar a Goiás para resolver o problema da invasão do MST na sua fazenda para atender ao meu pedido para estar aqui hoje”, disse Temer a Dilma, levando a conspirata à mesa. “Mas esse problema ainda não foi resolvido?”, reagiu a anfitriã.

Acossada pelo PMDB e disposta a reconquistar o partido, a presidente encarregou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de resolver o caso. A ordem para “resolver” foi repassada ao ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário. Já no dia seguinte, o governo negociou a saída do MST da fazenda do senador em troca da liberação de outra área de 60 hectares para as famílias invasoras.

A solução do impasse, que já se estendia por seis meses, não exigiu nem mesmo 24 horas. Faz sentido. O PT já não precisava mais de seus mercenários para conquistar o governo do Ceará.

16/03/2015

às 6:00 \ Disseram

Conflitos internos

“Tudo de que o Brasil não precisa é brasileiro contra brasileiro. É regar a discórdia.”

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, ao criticar, na rádio Jovem Pan, o ex-presidente Lula, que, num ato realizado no Rio, sugeriu que João Pedro Stédile (MST) poderia colocar seu “exército” nas ruas contra as manifestações antigoverno anunciadas para o próximo dia 15

11/03/2015

às 0:00 \ Disseram

Em dois meses, nenhum benefício

“A presidente foi reeleita com toda legitimidade, o que falta a ela é que nestes dois meses eles ainda não anunciaram nenhuma medida concreta que beneficie o povo.”

João Pedro Stédile, líder do MST, que marcará presença, junto com outros militantes, em manifestações a favor do governo Dilma Rousseff e da Petrobras marcadas para o próximo dia 13

01/03/2015

às 20:00 \ Política & Cia

BRICKMANN: Quem quer o confronto sempre perde

(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

Em ato pela Petrobras, Lula pediu paz mas falou do “exército” de Stedile (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

ARMAI-VOS UNS AOS OUTROS

Notas da coluna de Carlos Brickmann publicadas em diversos jornais neste domingo

Carlos BrickmannNa lanchonete de um grande hospital, um ex-ministro petista é insultado a gritos e acaba tendo de se retirar. No Rio, onde se realizava um ato governista, um senhor de cabelos brancos, com camiseta pró-impeachment, é agredido a pontapés por manifestantes petistas. E os líderes partidários acirram as tensões.

Palavra de Lula: “Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas”. Frase perigosa – no dia 15, estão marcadas manifestações contra Dilma. Será levado para a política o clima das torcidas organizadas, que marcam brigas pela Internet?

Certas coisas ficaram claras com a declaração de Lula: o MST, como sempre disseram seus adversários, não é um movimento autônomo, mas tropa auxiliar do PT; e os sem-terra não são sem-terra, mas soldados do exército de João Pedro Stedile, comandante do MST, que pode ir às ruas a chamado de Lula. Tanto os radicais que agrediram verbalmente um ex-ministro (que sempre se comportou civilizadamente) quanto Lula, é este o futuro que desejam para o Brasil?

E vamos parar de besteiras, cavalheiros, a respeito da força de cada lado. Em 1964, havia Generais do Povo (um deles, o marechal Osvino Alves, era presidente da Petrobras), havia as Ligas Camponesas de Francisco Julião, havia os Grupos dos Onze de Leonel Brizola, havia os marinheiros amotinados, e era tudo fumaça. O governo caiu sem resistência. Perderam todos, de ambos os lados.

A hora é de calma. Ninguém deve ser Tiradentes com o pescoço dos outros. 

O ganha-perde

Dos três líderes civis do movimento vitorioso contra Jango, dois foram cassados, Lacerda e Adhemar, e um, Magalhães Pinto, que sonhava ser presidente, teve de contentar-se em ser chanceler (mais tarde, perderia até seu banco). O militar que iniciou a revolta, general Mourão Filho, foi encostado.

Do lado do governo, quem mais pedia luta não chegou a lutar: muitos foram exilados, inúmeros presos, muitos torturados, vários assassinados. O líder dos marinheiros amotinados, Cabo Anselmo, jogou dos dois lados. E nada ganhou de nenhum deles. Vive na clandestinidade, é malvisto, nem fortuna amealhou. 

Quem quer o confronto sempre perde. Vence quem não estava na briga. 

Mais longe, tão perto

Alguns dos movimentos de rua mais sanguinários, como os camisas pardas nazistas e os camisas negras fascistas, nasceram do recrutamento de marginais pagos. Depois reuniram oportunistas e prepotentes. Quem os comparar com esse pessoal que recebe 50 reais, sanduíche e tubaína, estará certo. Cuidado com eles.

27/02/2015

às 15:30 \ Política & Cia

ESTADÃO: “Os arreganhos de Lula e do agitador Stédile mostram que a tigrada está cada vez mais isolada – e feroz – na aventura em que se meteu de arruinar o Brasil”

Lula no ato da ABI: assustado com a possibilidade crescente do naufrágio de seu projeto de poder, ele parece disposto, em último recurso, a correr o risco de virar a mesa (Foto: Marcos de Paula/Estadão)

Lula no ato da ABI: assustado com a possibilidade crescente do naufrágio de seu projeto de poder, e de novo falando nas “elites” e em “eles, o ex-presidente parece disposto, em último recurso, a correr o risco de virar a mesa (Foto: Marcos de Paula/Estadão)

LULA ESTIMULA O CONFLITO SOCIAL

Editorial publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo

No desespero para salvar o PT de um desastre que a incompetência do governo de Dilma Rousseff torna a cada dia mais grave, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaça incendiar as ruas com “o exército do Stédile”, a massa de manobra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Lula acenou com essa ameaça em evento “em defesa da Petrobras” promovido na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, pelo braço sindical do PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Basta abrir as páginas dos jornais ou assistir ao noticiário da televisão para perceber que a radicalização política começa a levar a violência às ruas das principais cidades do País.

De um lado, militantes de organizações sindicais e movimentos sociais, quase sempre manipulados pelo PT, aliados a radicais de esquerda; do outro lado, sectários antigovernistas engajados na inoportuna campanha de impeachment da presidente da República. Esses grupos antagônicos se agrediram mutuamente diante da ABI, pouco antes do evento protagonizado por Lula.

Diante do sintoma claro de que o agravamento da crise política em que o País está mergulhado pode acender o rastilho da instabilidade social, o que se espera das lideranças políticas é que ajam com responsabilidade para evitar o pior.

Mas Lula, assustado com a possibilidade crescente do naufrágio de seu projeto de poder, parece disposto, em último recurso, a correr o risco de virar a mesa. Não há outra interpretação para sua atitude no evento.

Em seu discurso, o coordenador do MST, João Pedro Stédile, como de hábito botou lenha na fogueira: “Ganhamos as eleições nas urnas, mas nos derrotaram no Congresso e na mídia. Só temos uma forma de derrotá-los agora: é nas ruas”.

É o caso de perguntar o que Stédile quer dizer com “derrotá-los nas ruas”. Mas Lula parece saber a resposta. E aproveitou a deixa, ao falar no encerramento do ato: “Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua”. Uma declaração de guerra?

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25/02/2015

às 18:15 \ Política & Cia

PETROLÃO: Discurso de Lula, o Grande Impostor, em “ato em defesa” da Petrobras não foi apenas incendiário e irresponsável — foi também burro

Lula falando no ato "em defesa da Petrobras" no Rio: lá pelas tantas, no afã de criticar os adversários, desvalorizou seus próprios feitos (Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo)

Lula falando no ato “em defesa da Petrobras” no Rio: lá pelas tantas, no afã de criticar os adversários, desvalorizou seus próprios feitos (Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo)

O discurso de Lula, o Grande Impostor, pronunciado ontem à noite no ato de “defesa da Petrobras”, no Rio — devidamente em sala fechada, com platéia inteiramente favorável, escolhida a dedo –, não foi apenas incendiário e irresponsável.

Irresponsável ao citar como de alguém de quem se tem “saudades”, o carniceiro Saddam Hussein, falecido ditador do Iraque, durante cujo tempo “se vivia em paz”.

Incendiário quando, ao falar em “defesa da democracia” — quando estão entre eles, os lulopetistas, aqueles que a detestam e desprezam –, disse aquela que é até agora a frase do ano:

– Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas.

Stédile, como se sabe, é João Pedro Stédile, líder dos baderneiros do MST, que zombam da Constituição e das leis, miram-se na revolução cubana, pregam a violência, invadem propriedades e gostam tanto da democracia como os generais da Coreia do Norte.

Lula, portanto – aquele mesmo Lula que jactou-se de que iria “ensinar” a Fernando Henrique Cardoso como deveria se comportar um ex-presidente –, quer “paz e democracia” ameaçando colocar nas ruas um “exército” de baderneiros com apreço ZERO pela democracia.

Mas o discurso foi também burro, de uma burrice pétrea, siderúrgica, de ferro.

O discurso foi burro até a última vogal quando o Grande Embusteiro, batendo de novo na imprensa — desta vez pela forma como vem cobrindo a Operação Lava Jato –, referiu-se a uma suposta “criminalização da ascensão de uma classe social neste país” e sentenciou:

– As pessoas subiram um degrau e isso incomoda a elite.

Não incomoda, não, Grande Embusteiro! Pode incomodar meia dúzia de “mulheres ricas” em reality shows de TV, mas a elite — os industriais, o grande comércio, os banqueiros — ficou FELIZ com a “subida de um degrau” das “pessoas”.

Por uma razão óbvia, gritante, escancarada, conhecida de todos: “subindo um degrau”, as pessoas passaram a consumir mais, a comprar mais, a desfrutar de mais lazer, a movimentar mais dinheiro, chegando até — graças a Deus — a poupar. Isso tudo sob os aplausos mais calorosos dos potentados da elite, que passam a ganhar mais dinheiro.

A “elite” representada, digamos, por donos de grandes supermercados, ficou “incomodada” porque passou a vender muito mais?

A “elite” personificada pelas grandes cadeias de roupas e calçados a preços acessíveis ficou “incomodada” porque seu movimento aumentou consideravelmente?

A “elite” com as vestimentas dos fabricantes de carros populares ou da rede de revendedores de veículos usados ficou “incomodada” porque viu incorporada aos consumidores uma nova classe social?

A “elite” travestida de indústria farmacêutica revelou-se “incomodada” porque milhões de pessoas mais passaram a ter acesso a medicamentos, sobretudo genéricos, como nunca antes?

CLARO QUE NÃO!

Essa “elite” só está furiosa e bufando agora, passado um mandato da presidente Dilma e iniciado o segundo, quando a incompetência, a roubalheira — veja-se o petrolão, vejam-se as obras superfaturadas –, a gastança descontrolada e o desgoverno levaram a inflação a recobrar fòlego, a economia parar de crescer e o fantasma do desemprego tornar a assombrar os brasileiros.

A “elite” está “incomodada” por ter um governo pífio, incompetente, mequetrefe, onde só se salva a equipe econômica, que só Deus sabe quanto tempo se aguentará em pé — uma vez que, passados 56 dias de gestão Dilma, não se viu uma só vez a presidente dizer em alto e bom som que a política de austeridade iniciada pelo ministro da Fazenda dispõe de seu total apoio.

Ao proferir a torrente de asneiras sobre como as “elites” não suportam a ascensão social de brasileiros, Lula desvaloriza seu próprio trabalho, do qual, em outras circunstâncias, tanto se vangloria — ao dizer que não sei quantos milhões de brasileiros saíram supostamente da pobreza, que não sei quantos milhões de brasileiros chegaram “à classe média”.

Trabalho esse, diga-se uma vez mais, a bem da verdade, iniciado com a “rede de proteção social” concebida no governo do presidente Fernando Henrique, com base em políticas que começaram a ser aplicadas, antes da chegada de FHC ao poder, pelo falecido prefeito de Campinas José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB), em seu segundo mandato (1993-1996), logo implantadas a partir de 1995 no Distrito Federal pelo então governador e hoje senador Cristovam Buarque (ex-PT, hoje PDT).

Esse aspecto do discurso, portanto, foi duplamente burro.

Quem tiver estômago para ouvir os disparates de Lula — que uma vez mais dividiu os brasileiros, ao acusar furiosamente a “eles” — podem apreciar o vídeo abaixo:

23/05/2014

às 14:00 \ Bytes de Memória

Histórias secretas de “Playboy” (2): uma militante do MST ia posar nua, e o mundo veio abaixo

Débora Rodrigues, na Capa da Revista Playboy, em outubro de 1997

Débora Rodrigues, a ex-militante sem terra estrela da capa de “Playboy” em outubro de 1997

Publicado originalmente a 24 de outubro de 2010

Campeões-de-audiência

 

 

 

 

 

(Os leitores não têm a menor obrigação de saber, mas a uma certa altura de minha longa carreira no chamado jornalismo hard – cuidando especialmente de temas políticos e relações internacionais – e no desempenho de cargos editorias executivos, coube-me ser diretor de Redação da revista Playboy, entre 1994 e 1999.

Um período muito rico, que, felizmente, deu resultados muito positivos para a Editora Abril e rendeu muitas histórias que nunca contei. E que agora, no blog, estou contando, como já fiz antes. Se quiser conferir a história anterior, leia aqui).

Em 22 anos de história de Playboy até então, nunca tínhamos vivido nada parecido – mesmo agora, aos 35 anos de idade, a revista não viu o fenômeno se repetir. O fato é que de alguma forma vazou, dentro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a informação, verdadeira, de que uma de suas militantes, Débora Cristina Rodrigues, havia assinado contrato para posar nua para a revista.

A imprensa, como sempre, ficou sabendo. E seu súbito, avassalador interesse por Débora transformou a bela sem-terra num caso espetacular do que os americanos chamam de instant celebrity — alguém que passa, em questão de dias, do absoluto anonimato para a condição de celebridade.

Foi uma loucura midiática – não estou exagerando. Parecia que o mundo vinha abaixo. Reportagens pipocaram não apenas em jornais e revistas das maiores capitais, como O Globo e a Folha de S. Paulo, a Istoé e o Jornal da Tarde, ou os belo-horizontinos Diário da Tarde e Hoje em Dia, ou, ainda, o Correio Braziliense, do Distrito Federal. A coisa se espraiou por dezenas de jornais regionais do país, do Rio Grande do Sul a Pernambuco, do Paraná à Bahia.

Eu a descobri lendo jornal na praia

Playboy tinha sob contrato, na época, uma assessoria de imprensa encarregada principalmente de divulgar a revista para a mídia do interior do país, além de providenciar clippings – coleções de recortes de jornais e revistas e gravações de programas de rádio e TV em que a se mencionasse Playboy. Tenho até hoje, nos arquivos de meu escritório, a montanha de material sobre Débora.

Os programas de fofocas nas redes de TV não falavam de outra coisa. Celebridades, como a socialite Thereza Collor ou a atriz Danielle Winits, palpitavam. Num programa de rádio em São Paulo, a hoje senadora Marta Suplicy (PT-SP), que ainda comentava profissionalmente assuntos de sexo e relacionamento, mesmo sem saber nada de concreto do caso espinafrou a revista e a mim, pessoalmente, por “explorar” uma militante dos “movimentos sociais”.

Thereza Collor: para ela o ensaio não combinava bem com uma militante

Até um deputado do PT, o bigodudo Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), acabou entrando na história, para “defender os direitos” de Débora.

Eu não imaginava, juro que não, que tudo aquilo fosse ocorrer quando, lendo sossegadamente ao sol o Estadão de domingo ao lado de minha mulher no refúgio litorâneo onde recuperava as energias com a família, na escondida minipraia de Sorocotuba, no Guarujá, a 90 quilômetros de nosso apartamento em São Paulo, dei com uma reportagem sobre José Rainha Júnior, o líder dos sem-terra no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do estado.

Num canto da foto em preto e branco de Rainha com um grupo, aparecia uma bela mulher, de calças jeans, rabo-de-cavalo, um boné do MST e grandes brincos tipo argola. Era Débora, e resolvi na hora que iria colocá-la nas páginas de Playboy. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/02/2014

às 20:00 \ Política & Cia

Lindbergh imita até a voz de Lula em discurso radical de esquerda no Rio de Janeiro

Lindbergh Farias no Encontro Estadual do PT no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

Lindbergh Farias no Encontro Estadual do PT no Rio de Janeiro: em 2010, linguagem moderada e 1 milhão de doações de empreiteiras. Agora, discurso radical — e críticas Dàs empreiteiras (Foto: PT-RJ)

Reportagem de Thiago Prado, do Rio de Janeiro, publicado no site de VEJA

LINDBERGH IMITA ATÉ A VOZ DE LULA EM DISCURSO RADICAL DE ESQUERDA NO RIO DE JANEIRO

Lançamento da pré-candidatura ao governo do Estado teve presença de João Pedro Stédile, do MST, ataques às empreiteiras e à Rede Globo. No final, senador trocou de camisa, para alegria das fãs do ‘Lindinho’

Discurso contra as empreiteiras, ataques à Rede Globo. Defesa da Baixada Fluminense em detrimento dos investimentos na Barra da Tijuca. Críticas duras ao PMDB, até outro dia aliado do PT no governo do Rio de Janeiro. Em resumo, uma tarde como a militância gosta, no evento programado para o PT lançar a pré-candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio, no último sábado.

Figura central do encontro, o senador reservou para os correligionários um ‘agrado’ especial, que indica os caminhos da campanha ao Palácio Guanabara: com um misto de sons guturais e sílabas alongadas, Lindbergh passou a imitar a voz do ex-presidente Lula. Um pouco forçado, é verdade, mas ajudado também pelo que resta de seu sotaque nordestino da Paraíba, onde nasceu.

Faz parte do teatro petista descer a borduna na iniciativa privada quando convém. O Lindbergh de sábado, no Salgueiro, na Zona Norte do Rio, em nada lembrava o que assumiu em 2013 a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado com um discurso moderado e de conciliação. “Oito bilhões e meio no metrô de Ipanema para a Barra da Tijuca. É uma obra daquelas que tem que furar uma rocha do tamanho do mundo. Trouxeram o Tatuzão, compraram por 100 milhões. É obra que empreiteira gosta”, discursou, para delírio da plateia de cerca de 4.000 pessoas.

Não é preciso ser experiente em campanhas eleitorais para saber que dificilmente um candidato a cargos majoritários caminha sem a colaboração de empreiteiras. E o próprio Lindbergh, na campanha de 2010, teve apoio para chegar ao Senado. Só a Camargo Correa contribuiu com 1 milhão de reais, segundo a prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral.

Lindbergh engrossou a voz em vários momentos do pequeno comício montado. Sempre focando em críticas ao governo Cabral, que teve até o mês passado como secretários os deputados estaduais petistas Carlos Minc e Zaqueu Teixeira.

PMDB ameaça apoiar Aécio

Virou alvo até o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, que afirmou ao jornal O Globo de sábado que o partido apoiaria Aécio Neves no Rio caso o PT não retirasse a candidatura de Lindbergh. “Que ele cuide das fazendas dele”, berrou para a militância, em referência às fazendas de gado mantidas por Picciani. Detalhe: em 2010, quando tudo eram flores na aliança PT e PMDB, o peemedebista também aparece como contribuinte de 27.000 reais na campanha de Lindbergh ao Senado.

“Nós temos que fazer no Rio o que Lula e Dilma fizeram no país. Olhar para o povo trabalhador, olhar pelos mais pobres”, disse. “Existem dois Rios. Um do cartão postal e outro real, do trabalhador”, afirmou, durante o evento, usando duas de suas frases preferidas no período de pré-campanha.

Quem discursou antes também entrou na onda de buscar o aplauso da ‘galera’. “Estamos cansados de bundões e Pezões na política”, disse o líder sem-terra João Pedro Stédile, em referência a Luiz Fernando Pezão, candidato de Cabral à sua sucessão. Rui Falcão, presidente do PT, foi além e fez mais uma vez o batido discurso de ataque ao que chamou de “monopólio” das Organizações Globo.

“Lindinho” e suas tietes

Terminado o evento, Lindbergh desceu do palanque para fazer o que mais adora. Receber abraços e beijos de militantes – mais parecidas com um exército de fãs de um artista pop.

Acompanhado da mulher e do filho e visivelmente feliz com a oportunidade, Lindbergh talvez não tenha percebido que ficou sem camisa na frente de várias repórteres mulheres no evento. Um assessor lhe entregou uma nova para substituir a usada – e bastante suada – no discurso de cerca de 30 minutos.

Pode ser descuido, ou pode ser estratégia: o público feminino que o apelidou de “Lindinho” gostou do que viu.

 

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07/10/2010

às 17:58 \ Política & Cia

Oooops! Errei sobre João Pedro Stedile. O irmão dele é que foi eleito deputado federal

Dois amigos e leitores atentos do blog, como João Francisco Anagnostopoulos e André (que não incluiu o sobrenome), me alertaram sobre o post que coloquei hoje no ar, e retirei logo em seguida, dando conta da eleição do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, como deputado federal pelo Rio Grande do Sul.

Outra amiga do blog, Dulce Toledo, chegou a comentar o post.

Na verdade, o eleito é um irmão mais novo do Stedile do MST, José Luiz Stédile (ele escreve o sobrenome com acento), que já milita na política formal há um bom tempo e é filiado ao PSB (e não ao PT, ao qual o MST foi durante muito tempo umbilicalmente ligado).

Ex-metalúrgico, com curso universitário de Administração, Stédile foi por dois mandatos prefeito de Cachoeirinha, cidade de 110 mil habitantes na Grande Porto Alegre.

Ou seja, o irmão do grande incentivador de invasões de terras, o arquiinimigo do capitalismo e do “sistema” joga a regra do jogo, diferentemente do líder do MST, entidade que até hoje não se tornou pessoa jurídica para escapar de processos na Justiça pelos abusos que comete.

NA COLIGAÇÃO TINHA ATÉ O PARTIDO DE ENÉAS – Curiosamente, o irmão de Stedile elegeu-se deputado por uma coligação estranhíssima, que incluiu, muito bem, o PSB e o PC do B, mas também o PR que, como se sabe, é um resultado de dois partidos de direita: o extinto PL e o Prona, sigla protofascista do falecido Doutor Enéas.

Stedile teve uma votação muito minguada para os patamares do Rio Grande do Sul, onde deputado federal dificilmente se elege com menos de 100 mil votos: obteve apenas 41.401.

Vai para a Câmara dos Deputados graças à votação espetacular obtida pela deputada Manuela D’Ávila, do PC do B, a “patricinha do PC do B”, uma recordistas da última eleição, com sonoros 482.590 votos.

15/09/2010

às 22:03 \ Política & Cia

Exclusivo: Benicio Del Toro visita escola de formação de quadros do MST

Um dos maiores astros de Hollywood, Benicio Del Toro (protagonista de filme como Che, Coisas que Perdemos pelo Caminho, O Lobisomem e 21 Gramas) passou toda a tarde de hoje na Escola Nacional Florestan Fernandes, centro de “formação de quadros” do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Guararema, município a 75 quilômetros de São Paulo.

Del Toro, que está em rápida visita ao Brasil, manifestou desejo de conhecer o MST e suas ações, e foi ciceroneado pelo líder do movimento, João Pedro Stédile (com ele na foto). Grandão – entre 1,90 e 2 metros –, tímido e monossilábico, mas simpático e interessado, Del Toro, que é porto-riquenho, se comunicava com as pessoas em portunhol, e percorreu instalações da escola, espalhada por vários edifícios.

RESPONDENDO A PERGUNTAS — A certa altura, diante de uma centena de alunos – na maioria filhos de assentados mas vários deles de países hispano-americanos –, pediram que ele dissesse algumas palavras. “Prefiro responder a perguntas”, disse o ator. A maior parte centrou-se no filme Che, sobre o guerrilheiro cubano-argentino morto na Bolívia, em 1967. Um rapaz indagou a Del toro o que Ernesto Che Guevara significava para ele. O ator pensou um pouco e respondeu de forma pouco bombástica:

– Um povo que não sabe ler e escrever vai sempre ser explorado por alguém.

Outra pergunta:

– Atores de Hollywood como você, Danny Glover e Sean Penn são conhecidos por suas preocupações e compromissos sociais. Você tinha isso antes do filme Che?

A resposta veio em uma só palavra:

– Não.

COMIDA BRASILEIRA — O astro de Sin City, a Cidade do Pecado, interessou-se pela estação de tratamento de água do conjunto de edifícios, e recebeu a explicação de que, graças a um sistema idealizado pela Unicamp, toda a água utilizada é reprocessada e purificada sem a utilização de produtos químicos. Da mesma forma, soube que não se utilizou cimento nas paredes dos edifícios.

De volta a São Paulo, propuseram ao ator um jantar no respeitadíssimo restaurante italiano Jardim de Napoli. Ele preferiu comida brasileira e jantou no Bar des Arts, no bairro de Higienópolis.

 

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