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16/07/2012

às 19:30 \ Vasto Mundo

A Bolívia de Evo Morales se transforma na república da cocaína

DECEPÇÃO Protesto em La Paz contra a estrada conhecida como "transcocalera", há duas semanas (Foto: Enrique Castro / Mendivil / Reuters)

DECEPÇÃO -- Protesto há duas semanas em La Paz contra a estrada conhecida como "Transcocalera" (Foto: Enrique Castro / Mendivil / Reuters)

 

(Reportagem de Duda Teixeira, publicada na edição impressa de VEJA

 

Bolívia

A república da cocaína

 

Um relatório policial revela o encontro de um traficante brasileiro com o número 2 do governo boliviano

O presidente da Bolívia, Evo Morales, orgulha-se de ser um incentivador das plantações de coca, a matéria-prima de mais da metade da cocaína e do crack consumidos no Brasil, sob o argumento de que as folhas servem para produzir chás e remédios tradicionais. Apenas um terço da coca plantada em seu país, contudo, atende a essa demanda inofensiva, segundo estimativa das Nações Unidas. O restante abastece o narcotráfico e, como consequência, contribui para corroer a vida de quase 1 milhão de brasileiros e de suas famílias.

Agora, surgem evidências de que a cumplicidade do governo boliviano com o narcotráfico vai além da simples defesa dos cocaleros, os plantadores de coca. VEJA teve acesso a relatórios produzidos por uma unidade de inteligência da polícia boliviana que revelam, entre outros fatos, uma conexão direta entre o homem de confiança de Evo Morales, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, e um traficante brasileiro que atualmente cumpre pena na penitenciária federal de segurança máxima em Catanduvas, no Paraná.

Um dos documentos, intitulado Apreensão de Fugitivo Internacional e assinado com o codinome Carlos, descreve como os agentes bolivianos identificaram a casa do brasileiro Maximiliano Dorado Munhoz Filho, em 2010. Max, como é chamado, e sua gangue possuíam fazendas em Guajará-Mirim e em outras oito cidades de Rondônia, onde recolhiam a droga arremessada por aviões bolivianos.

Por mês, o bando de Max interceptava 500 quilos de cocaína, que depois eram levados para São Paulo e Rio de Janeiro. O traficante fugira da cadeia de Urso Branco, em Rondônia, em 2001, e suspeitava-se que estivesse escondido na Bolívia. De fato, ele mantinha um imóvel na Rua Chiribital, esquina com Pachiuba, em um bairro nobre de Santa Cruz de la Sierra.

No dia 18 de novembro de 2010, às 2 da tarde, os policiais que vigiavam o imóvel presenciaram uma cena bombástica. Quintana, hoje o segundo homem mais poderoso da República, apareceu na companhia de Jéssica Jordan, de 28 anos, famosa no país por ter sido eleita miss Bolívia apenas quatro anos antes. Ambos tinham, então, cargos de confiança em órgãos estatais.

Jessica Jordan: de Miss Bolívia para alta funcionária do governo e, agora, sob suspeita de colaborar com traficantes (Foto: telegraph.co.uk)

Quintana era diretor da Agência para o Desenvolvimento das Macrorregiões e Zonas Fronteiriças. Jéssica, cinco meses antes, fora indicada pelo vice-presidente Álvaro García Linera para o posto de diretora regional de Desenvolvimento no Estado de Beni, departamento que faz fronteira com Rondônia e por onde entra no Brasil boa parte da droga boliviana. Quintana e Jéssica entraram na casa de Max de mãos vazias e saíram de lá vinte minutos depois com duas maletas 007. Não se sabe o que havia nelas. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

20/04/2012

às 19:15 \ Vasto Mundo

Vídeo para comover (e fazer pensar): crianças mostram a bagunça, a corrupção e a desesperança no México e exigem mudanças

A garotinha, no final do vídeo: o México "tocou no fundo do poço"

O México terá eleições presidenciais no dia 1º de maio próximo. Depois de 70 anos de virtual ditadura do Partido Revolucionário Institucional (PRI), seguiram-se 12 anos de governo do conservador/liberal Partido de Ação Nacional (PAN), que chegou ao poder com acenos de profundas reformas na política e na economia do país.

Mas a falta de maioria no Congresso e a dificuldade de negociar acordos por dois presidentes sucessivos levou o grande país à situação em que se encontra: em virtual guerra civil como consequência da luta inglória contra os poderosos cartéis do tráfico de drogas — mais de 100 mil homens, da polícia e das Forças Armadas, estão mobilizados –, com um saldo pavoroso de 40 mil mortos e áreas inteiras de grandes Estados controladas pelo crime, mudanças na economia e na estrutura política estancadas no Congresso, reservas de petróleo, a grande riqueza nacional, em queda vertiginosa e o doloroso problema da imigração clandestina para os Estados Unidos sem solução.

Para protestar contra esse estado de coisas e chacoalhar a opinião pública, surgiu nas redes sociais o movimento Nuestro México del Futuro , que, compilando opiniões de centenas de milhares de cidadãos, formulou um documento — em forma de livro — com reivindicações de mudanças profundas e entregou-o aos quatro candidatos à Presidência.

A ONG também colocou no YouTube um vídeo em que crianças fazem o papel de adultos protagonizando um dia no México de hoje — com assaltos, sequestros, corrupção policial e outros males.

No final, uma menininha questiona os candidatos à Presidência sobre se querem apenas “a cadeira” de presidente ou se vão mudar o futuro — porque o México “tocou no fundo do poço” e o tempo de transformação se esgota.

Os garotos e o próprio movimento se tornaram conhecidos como “Crianças Incômodas”.

Será que um vídeo assim só caberia mesmo no México? Ou se aplicaria a, digamos, outros países?

 

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