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Tráfico financiou campanhas em Rondônia, diz polícia

Cinco deputados estaduais e três vereadores são investigados por suspeita de envolvimento com o esquema criminoso no estado

Por Da Redação
4 jul 2013, 17h09

Uma operação da Polícia Civil de Rondônia revelou a existência de um esquema de financiamento de campanhas políticas por traficantes. Em troca, os traficantes eram nomeados para cargos fantasmas em gabinetes de deputados e vereadores, além de se beneficiarem de verba desviada por meio de emendas parlamentares. Nesta quinta-feira, a polícia prendeu três vereadores acusados de participação no esquema e Roberto Rivelino Guedes, o filho do presidente da Assembleia Legislativa, Hermínio Coelho (PSD). Ao todo, a Justiça expediu 64 mandados de prisão. Oito parlamentares de Rondônia – quatro vereadores e cinco deputados – são investigados por suspeita de participação no esquema.

Leia também: Na cadeia, Donadon é notificado de processo de cassação A polícia afirma que o esquema é liderado pela dupla Alberto Ferreira Siqueira, o “Beto Baba”, e Fernando Braga Serrão, o “Fernando da Gata”. Os dois traficantes tiveram a prisão decretada. Segundo a polícia, Siqueira é funcionário do gabinete do deputado estadual Adriano Boiadeiro (PRP). Já Serrão foi preso nesta manhã em Natal (RN).

Escândalos viraram rotina na Assembleia de Rondônia

A Assembleia Legislativa de Rondônia já foi palco de diversos escândalos nas últimas décadas. Desde os anos 90, pelo menos três presidentes ou ex-presidentes da Casa foram presos por suspeita de corrupção. Entre eles estão Marcos Donadon (ex-PMDB) – irmão do deputado federal Natan Donadon -, que está preso. Entre 1995 e 1998, ele operou um esquema que desviou 58 milhões de reais da Casa, em valores corrigidos.

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Em 2005, novo escândalo: sete deputados foram flagrados por câmeras pedindo propina de 50 000 reais cada para o então governador Ivo Cassol (PP). As imagens revoltaram a população, que depredou o prédio da Assembleia.

Em 2006, foi a vez do então presidente Carlão de Oliveira, à época filiado ao PSL, ser preso. Investigação da PF mostrou que ele empregava mais de 700 pessoas em seu gabinete. Em 2011, o presidente Valter Araújo (PTB) e um terço dos deputados da Casa foram presos.

As investigações começaram há um ano e meio, durante diligências rotineiras contra o tráfico de drogas. De acordo com a polícia, o foco da investigação mudou quando uma testemunha relatou que traficantes tinham “diversificado” as atividades da quadrilha contando com a influência de políticos de Rondônia. Ao todo, os esquemas combinados de tráfico e estelionato movimentaram 33 milhões de reais no estado. Entre os bens do grupo estão duzentos carros, 25 imóveis e trinta empresas. Assembleia – Suspeito de participação, o presidente da Assembleia, Hermínio Coelho, teve, junto com outros quatro deputados – entre eles Boiadero -, a função parlamentar suspensa por quinze dias por determinação da Justiça. Todos também foram proibidos de entrar na sede da Assembleia nesse período. Nesta quinta, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nos gabinetes e nas residências de Coelho, Boiadero, e dos outros deputados suspeitos – Cláudio Carvalho (PT), Jean Oliveira (PSDB) e Ana da Oito (PT do B). Os vereadores presos são Jair Montes (PTC), Eduardo Rodrigues (PV) e Marcelo Reis (PV) – este último é também apresentador de um programa policial na TV e foi o parlamentar mais votado na eleição de 2012. Traficante – Entre os traficantes suspeitos de participação no esquema, segundo a polícia, está Michel Alves das Chagas, conhecido como “Chimalé”. Velho conhecido da polícia de Rondônia, ele foi um dos líderes do massacre da Casa de Detenção José Mario Alves, o Presídio Urso Branco, em 2002. Foi uma das maiores chacinas da história do sistema prisional brasileiro: 27 presos foram mortos por outros detentos. Pelos crimes, ele foi condenado a 486 anos de prisão. De acordo com a polícia, mesmo preso, o traficante tinha contato frequente por meio de telefone com os líderes do esquema. Defesa – Em nota, a Assembleia disse que pretende cooperar com as investigações, mas classificou a ação policial como “excessiva”. A Câmara Municipal de Porto Velho afirmou, também em nota, que “vai aguardar o desenrolar das investigações” para adotar medidas em relação aos vereadores investigados.

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