O teste de limites de Elon Musk na briga com Alexandre de Moraes
Bilionário mostra no Brasil insurgência que não teve em outros lugares, num ensaio que pode levá-lo a endurecer a postura também na Europa

A diferença da conduta do X em relação a determinações para remoção de conteúdo revela uma peculiaridade de Elon Musk: para ele, alguns países são mais soberanos do que outros. Enquanto desafia decisões judiciais no Brasil, o bilionário acata ordens na Índia e na Turquia – evidenciando que a bandeira de defensor da liberdade de expressão só tremula em certos ventos.
Uns dirão que os estadunidenses se acostumaram a fazer da América Latina um playground particular (donde vem a implicância com o Brasil especificamente). Outros cogitarão que Elon Musk se aproxima, do ponto de vista ideológico, do primeiro ministro indiano, Narendra Modi, e do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan – e por isso coopera com eles.
Outro caso exemplar da disparidade de postura de Elon Musk está na sua reação à conclusão da investigação da Comissão Europeia, no mês passado, que concluiu que o X viola a Lei de Serviços Digitais e engana o usuário intencionalmente. Não se viu, por parte dele, em protesto, até agora, o fechamento de qualquer representação da plataforma na Europa.
Elon Musk escolheu brigar com Alexandre de Moraes e com a soberania do Brasil em um teste de limites (parece gostar de ultrapassá-los, como já o fez, em outra seara, com os foguetes da Space X). Afinal, na cabeça dele, ao começar a queda de braço com uma nação subalterna do próprio quintal, estará melhor preparado para medir forças quando chegar do outro lado do Atlântico.
Pois bem.
Nesta sexta-feira, 30, um dia histórico, Musk aprendeu a dura lição de que, também no Brasil, existem regras. O X, ex-Twitter, está suspenso no Brasil, um país que não é o seu quintal.