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Petistas são hostilizados em protesto em São Paulo

Militantes do PT foram expulsos da Paulista, e suas bandeiras, queimadas

Por Aretha Yarak e Jean-Philip Struck 21 jun 2013, 00h29

A tentativa do PT paulistano de capitalizar a onda de protestos que tomou as ruas de São Paulo acabou com um vexame. Cerca de oitenta petistas compareceram ao sétimo protesto na capital. Nenhum deles ficou até o fim. Desde o início o grupo foi sistematicamente hostilizado, ofendido e agredido por manifestantes que se diziam apartidários. Aos gritos de “sem partido!”, “sem bandeira!”, e “oportunistas”, eles tentavam forçar os petistas e, posteriormente, militantes de outros partidos, a recolher suas bandeiras e baixar o tom partidário na manifestação.

A maioria dos petistas afirmava estar ali como militantes, mas na realidade atendia a uma convocação do presidente da sigla, o deputado Rui Falcão. O início foi cauteloso. A concentração do PT ocorreu a uma distância de duas quadras da aglomeração principal da Praça do Ciclista, distante dos organizadores do Movimento Passe Livre, dos manifestantes apartidários e até de outros partidos. Alfredo Santos, secretário nacional da juventude da CUT, sindicato ligado ao PT, um dos orientadores, tentava parecer confiante antes da passeata. “Nunca tivemos um conflito com o povo, só com a polícia e o estado”, disse aos jornalistas presentes.

Mas assim que o grupo pisou na Avenida Paulista para seguir os outros partidos e a passeata, mal conseguiu andar. Logo de cara, uma militante levou um tapa na cara. Outras centenas de pessoas passaram a ofender sistematicamente os petistas. Muitos gritavam a poucos centímetros do rosto dos militantes. O empurra-empurra imperou desde o início. Manifestantes que diziam ser apartidários, pessoas que pareciam de classe média, jovens que entoavam slogans nacionalistas e, em pequeno número, skinheads, formavam a ponta de lança da perseguição ao PT.

Ao longo do trajeto, alguns petistas chegaram a ser ameaçados por pessoas que portavam tacos de beisebol e de hóquei. A ameaça era mais visual e verbal ao longo do trajeto. Mas depois da marcha percorrer 1,5 quilômetro, as reações se tornaram mais agressivas. Junto com militantes de outros partidos, os petistas foram cercados por outros manifestantes juntos às grades de dois edifícios.

Ali, suas bandeiras começaram a ser arrancadas. Algumas foram queimadas. Rojões foram lançados contras os militantes. Após o lançamento do primeiro rojão, a pancadaria começou. Militantes foram agredidos. Alguns revidaram. Em vão. Sobrou até para o PSTU, PCO, PSOL e outros partidos que estavam próximos dos petistas. A polícia apenas observou. A briga acabou sendo concentrada. A maior parte das 100.000 pessoas na avenida não percebeu nada.

Em poucos minutos, não havia mais nenhuma bandeira do PT ou de qualquer outro partido na Paulista. Apenas bandeiras do Brasil.

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