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Na crise, financiar imóvel a longo prazo é alto risco

Por Da Redação
21 nov 2008, 19h58

Por Luiz de França

Quem pretende financiar a compra de um imóvel nos próximos seis meses deve pensar duas vezes antes de fechar qualquer negócio. Evitar financiamentos longos e aguardar por uma possível queda dos juros, como conseqüência da crise financeira que assola o mundo, são alguns dos conselhos dos especialistas ouvidos por VEJA.com.

Para o professor de Finanças Fábio Gallo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não é momento de contrair dívidas baseadas apenas no desejo de possuir um imóvel. É preciso refletir se a compra é de fato necessária. “Entrar agora em um endividamento de longo prazo significa pagar juros mais caros. O aconselhável é esperar um pouco mais”, avisa Gallo, que aposta em uma queda nos juros e no preço dos imóveis nos próximos seis meses.

Caso se decida pela compra, o pagamento à vista é a melhor opção. Caso não seja possível, o recomendável é não se comprometer com um financiamento que seja superior a 30% do valor do imóvel. “Quanto maior o valor em mãos para pagar à vista melhor”, ressalta o professor. “O importante é que as parcelas restantes não ultrapassem 15% da renda mensal, porque em caso de emergência fica mais fácil fazer cortes”, explica ele.

Imóvel popular – Ricardo José de Almeida, professor de Finanças do Ibmec São Paulo, concorda com a cautela, mas restringe as orientações aos eventuais compradores de imóveis de alto padrão. Para Almeida, o financiamento ainda é a saída em conta para os chamados imóveis populares, com valores de até 350.000 reais. A explicação estaria na vinculação do crédito com a poupança (6% mais taxa referencial) ou com FGTS (3% mais TR), limitando o juro máximo em 11% ao ano.

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Segundo o professor, a taxa “relativamente baixa” de juros e o prazo de até 330 meses para pagamento não devem afastar o comprador do imóvel popular. “O risco está na compra do imóvel na planta”, alerta. A dúvida sobre o nível do crédito imobiliário em três anos (prazo médio de entrega dos imóveis novos) pode pegar de surpresa esse tipo de comprador. Isso porque o que se paga na planta vai para a construtora: somente após o habite-se concedido pela prefeitura é que o financiamento do imóvel é liberado. “Se nesse período a recessão se agravar, haverá redução de emprego e conseqüentemente um menor recolhimento de FGTS e de poupança e uma restrição ao crédito, o que certamente irá encarecer esse financiamento”, explica Almeida.

Taxas embutidas – Um detalhe que precisa ser examinado com atenção na hora do financiamento são as taxas embutidas no contrato. Para João Bosco Brito da Luz, assessor da Associação de Mutuários de São Paulo e Adjacências (AMSPA), elas são a principal razão de encarecimento dos imóveis. “São taxas exorbitantes praticadas pelos bancos que chegam a aumentar em até 38% o valor final do financiamento”, critica. Entre as taxas estão o seguro obrigatório por morte e invalidez permanente, que variam conforme o banco e podem ficar mais caras dependendo da idade do tomador do empréstimo. “Muitas vezes as pessoas são pegas de surpresa com a cobrança dessas taxas e não conseguem arcar com o compromisso que assumiram.”

A Caixa Econômica Federal é o maior financiador do sistema imobiliário, com 70% do mercado e 2,3 milhões de mutuários. No terceiro trimestre deste ano, o índice de inadimplência estava ao redor de 1,8%. Apesar da crise mundial iniciada no mercado imobiliário americano, o banco estatal ainda não registrou retração nas contratações de empréstimos. A expectativa é atingir a meta de fechar 2008 com um orçamento de 22,2 bilhões de reais de empréstimos tomados. Para 2009, o banco também mantém a previsão de aumentar o volume em 20%.

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