Blogs e Colunistas

21/02/2011

às 19:12 \ Tema Livre

Errei ao dizer que a Justiça brasileira censurou matérias no Google. Veja o que realmente aconteceu

Amigos do blog, errei e vou tentar corrigir o erro.

Explico: dias atrás publiquei post, com base em reportagem do Estadão — que deveria ter mencionado mas não fiz porque a maior parte do texto era comentário, opinião do colunista — fazendo alusão ao fato de que o Brasil seria recordista de notícias censuradas no Google. Publiquei ainda que o site de busca teria sido obrigado a tirar do ar 398 textos, em grande parte jornalísticos, por decisão judicial. Tudo com base em relatório do Committe to Protect Journalists (Comitê de Proteção aos Jornalistas), entidade independente com sede em Nova York.

Aí critiquei o Judiciário por ser — como ainda acho que é — a única fonte de censura à imprensa existente no Brasil.

Ocorre, porém, que nenhum dos textos retirados do ar pelo Google tinha conteúdo jornalístico. E quem me alertou para isso foi o leitor Fernando Marés de Souza, titular do blog Roteiro de Cinema News, a quem agradeço, a despeito da dureza com que trata a grande mídia, da qual faço parte porque meu modesto espaço, afinal, é abrigado pelo site de VEJA.

O post permaneceu pouco tempo no ar porque o autor da reportagem do Estadão, o excelente jornalista Gabriel Manzano, teve a correção e a ética de me telefonar para alertar que sua reportagem era imprecisa e que ele iria corrigi-la na edição do dia seguinte.

Como providência inicial, antes de qualquer outra, retirei o post do ar. Estava ainda tentando explicitar o conteúdo do relatório do Comitê para a Proteção de Jornalistas, mas o post de Fernando Marés de Souza é absolutamente esclarecedor. Publico um trecho:

“A informação reportada é supostamente baseada em relatório elaborado pelo argentino Carlos Lauría, do Committee to Protect Journalists — que não fala em 398 “matérias jornalísticas”, e sim “conteúdos online” — informação que por sua vez é baseada em relatório público do próprio Google, já conhecido pela blogosfera brasileira há algum tempo, e que pode ser facilmente acessado e “linkado” por esta URL“.

A esta altura, a nota do Fernando Marés de Souza reproduz o screenshot do relatório e acrescenta:

“Segundo os dados publicados pelo Google nenhuma ‘notícia”’ou ‘matéria jornalística’ foi censurada ou retirada do site (Google News = 0), o número expressivo de 398 pedidos de remoção de conteúdo dos servidores Google é formado por páginas do Orkut (99 pedidos de remoção por ordens judiciais e 220 extrajudiciais, num total de 319), vídeos do Youtube (47 pedidos no total), fotos do Picasa (1 pedido), etc.

Os pedidos de remoções são baseadas na legislação brasileira de direito de propriedade intelectual, de privacidade, de personalidade, ou outros conteúdos ilegais como pornografia infantil. Nada tem a ver com censura, como bradam os jornalistas desinformados.”

Leia a íntegra do post de Fernando Marés de Souza.

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9 Comentários

  1. Tito

    -

    25/02/2011 às 10:43

    Parabéns aos jornalistas sérios.
    Como seria legal se a Mirian Leitão e a Folha de São Paulo demonstrassem o mesmo comportamento a respeito das mentiras sobre o Código Florestal!

  2. Ianny M. de Souza

    -

    24/02/2011 às 13:58

    Caro Sr. Ricardo,

    Como faço para entrar em contato com o senhor via e-mail? Ou por meio de carta à revista, enderaçada aos seus cuidados?

    É a respeito de um assunto que eu gostaria de sugerir como tema de discussão no blog.

    Obrigado.

    Se você quiser, Ianny, pode sugerir como comentário mesmo. E, se desejar,eu não publico, mas registro o recebimento da mensagem. Outros leitores têm feito o mesmo.

    Se preferir carta, pode mandar a meus cuidados, no seguinte endereço:

    Redação do site de VEJA

    Editora Abril

    Avenida das Nações Unidas, 7221, 19º andar
    CEP 05425-902
    São Paulo, SP

    Um abração

  3. Anyelle

    -

    23/02/2011 às 4:44

    Cara Anyelle, comentários que na verdade são crônicas pessoais como o seu caberiam melhor em determinadas revistas, mas não aqui no blog.

    Lamento, mas não vou publicar, tá?

    Não fique brava comigo…

    Abraços

  4. Norma Nascimento

    -

    22/02/2011 às 18:44

    Parabéns, Ricardo. Nem tudo está perdido na velha mídia. Parabéns, Fernando, ai de nós se não fossem os blogs independentes. Só nos restaria o Isordil.

    Obrigado, cara Norma. Abraços

  5. Esron Vieira

    -

    21/02/2011 às 23:48

    Muito bom; são poucos os profissionais (em qualquer atividade),que adimitem um errinho publicamente durante o exercício do ofício.
    Os que não adimitem, talvez ajam tal qual como ditadores, que nunca se vergam, temendo fraquesa.
    Afinal, somos todos imperfeitos passiveis de erros. O feio é não ter a coragem de adimitir.

    Obrigado, caro Esron. Mas fiz apenas minha obrigação ética como jornalista.
    Abraços

  6. Fernando Marés de Souza

    -

    21/02/2011 às 22:35

    Opa, qualquer hora escrevo sim,

    Legal. Claro que você tem seu próprio e movimentado blog, mas para mim será um prazer tê-lo aqui.
    Abração

  7. Fernando Marés de Souza

    -

    21/02/2011 às 21:47

    Parabéns Setti,
    Um exemplo de dignidade jornalística.
    Mas eu não trato com “dureza” a grande mídia, é a grande mídia que trata com “moleza” os fatos. Como dizia , C. P. Scott: “Comentários são livres, mas os fatos são sagrados”. Atualizei meu post com sua correção.
    Abraços,
    Fernando

    Obrigado, caro Fernando. Não é mais do que a obrigação de quem tem esse “munus” público, como diriam meus professores de Direito na Universidade de Brasília.

    Na linha do C. P. Scott, frequentemente os fatos recusam-se a sustentar certas teses, não é mesmo?

    Olha, Fernando, eu teria muito gosto se você quisesse escrever um post para o meu blog, sobre qualquer assunto de sua preferência — inclusive a mídia –, esteja ou não de acordo com minhas ideias.

    Inventei algo que se chama “Post do Leitor” e ficaria contente se você aceitasse redigir um deles, quando lhe parecer mais conveniente.

    Um abração e, de novo, muito obrigado.

  8. Lilian

    -

    21/02/2011 às 20:15

    Setti,
    Nós temos Leis em vigor de 1940.
    Eu vou confiar em que está atualizado; matéria jornalistica, opinião pessoal, denúncia contra corruptos, o jornal Estadão há 570 dias sob censura, existe censura? SIM! É um fato!
    “Alienado político” ou “analfabeto político” é uma “praga” inserida na sociedade, existe medida preventiva? Sim, educação!
    Quem deve atualizar-se é a Justiça!

  9. Orlando Tambosi

    -

    21/02/2011 às 20:14

    Caro Setti, acho que não é bem assim. Tive um post censurado, no ano passado, por criticar uma pseudociência promovida nas universidades pelas “Guardiãs do Círculo Feminino”, grupo enraizado em Belo Horizonte.

    Pseudocientistas não gostam de críticas e a Justiça brasileira, cá entre nós, não tem dado mostras de prezar o direito de informação.

    Respeito a instituição, mas acho que tem sido afoita no tolhimento da liberdade de imprensa.

    Concordo com você em que a Justiça censura, sim. O que não houve foi censura judicial a textos jronalísticos em material do Google, como explico no post.

    Abraços


 

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