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Venezuela

16/10/2014

às 18:04 \ Política & Cia

EMBAIXADOR RUBENS BARBOSA: O Brasil nunca foi tão desprestigiado no cenário internacional como é hoje

No cenário mundial, o Brasil se encontra como a sua bandeira na foto acima: isolado e praticamente fora da visão dos outros países (Foto: btgovtenforcement.com)

No cenário mundial, o Brasil se encontra como a sua bandeira na foto acima: isolado e praticamente fora da visão dos outros países (Foto: btgovtenforcement.com)

O BRASIL NOS PRÓXIMOS QUATRO ANOS

Artigo de Rubens Barbosa publicado no jornal O Estado de S. Paulo

(Rubens Barbosa, diplomata de carreira aposentado, ocupou, entre outros postos, os de embaixador do Brasil nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha)

No dia 26 a sociedade brasileira vai decidir o que deseja para o Brasil nos próximos quatro anos. Muito será discutido e escrito sobre o impacto que o resultado da eleição vai ter sobre a economia e sobre a melhoria da qualidade dos serviços na educação e na saúde. Alguns vão pensar na sustentabilidade e poucos se vão preocupar com o papel que o Brasil deveria desempenhar na cena regional e global.

O presidente da República é o comandante-chefe das Forças Armadas e o responsável pela voz do Brasil no cenário internacional. Ao tratar da reação de militares a pedido de desculpas pelas violências ocorridas durante o regime autoritário, escutamos a chefe de governo dizer que “quem não quiser pedir desculpas que não peça”. Uma surpreendente reação de quem se espera comando firme.

Quase ao mesmo tempo, perplexos, ouvimos em entrevista recente nas Nações Unidas, pela sua voz mais alta, que lamenta profundamente os bombardeios para conter um dos grupos terroristas mais violentos do mundo, deixando implícita, como alternativa, a negociação, como se isso fosse possível.

Nos últimos anos uma série de equívocos arranharam a credibilidade do Brasil e puseram em evidência, de forma negativa, a diplomacia como a expressão da projeção externa do país no mundo.

Os exemplos multiplicaram-se: a omissão do Brasil no conflito entre a Rússia e a Ucrânia e em relação à guerra civil na Síria; o desprezo pelas violações dos direitos humanos na região e em outros países, aos quais abrimos as portas do BNDES com empréstimos generosos que, em alguns casos, são depois perdoados com custo para o Tesouro Nacional; atuamos com baixo perfil, ao invés de apresentarmos uma liderança clara nas discussões sobre sustentabilidade e mudança de clima.

Em nosso entorno geográfico, assistimos ao prejuízo para o Brasil pelo imobilismo do Mercosul, que marginalizou nosso país da negociação de acordos comerciais e do acesso às cadeias produtivas. A perda de iniciativa no processo de integração regional colocou o Brasil como caudatário de uma agenda que não é a nossa.

A ausência de um pensamento estratégico na integração física na América do Sul impediu a abertura de corredores de exportação de produtos nacionais pelos portos do Pacífico para a China, nosso principal parceiro comercial. E viu-se o abandono das empresas exportadoras brasileiras pela ausência de uma defesa mais firme de nossos interesses nos mercados da Argentina e da Venezuela em nome de afinidades ideológicas.

Tratar temas internacionais complexos com a mesma ligeireza e o mesmo populismo com que são conduzidas as questões internas é receita fácil para criar problemas. A influência partidária, acima dos interesses nacionais, explica equívocos inexplicáveis, antiamericanismos ingênuos e minguados resultados.

O Itamaraty, marginalizado, perdeu o papel central de principal formulador e executor da política externa. Há 77 novos postos, a maioria no Caribe e na África, um crescimento de 50%. A rede no exterior, hoje com 227 postos, está superdimensionada e na sua totalidade, subutilizada; toda a rede de postos deve estar operando a mais ou menos 60% de sua capacidade de funcionamento.

A drástica redução de recursos financeiros, que em 2014 representam 0,16% do Orçamento-Geral da União, impede uma administração eficiente, com grave dano à ampliada representação externa do país; o aumento dos quadros diplomáticos criou problema de fluxo de promoções, gerando insatisfação. Diplomatas em todos os níveis estão desestimulados e exasperados pela falta de perspectiva para suas carreiras e para seu trabalho no Brasil e no exterior. Os mais jovens protestaram em carta ao ministro das Relações Exteriores contra anomalias no Itamaraty.

Agora se noticia, sem desmentido oficial, que o governo estuda modificar a legislação para permitir a nomeação de pessoas de fora da carreira, sem qualificação, para cargos em comissão do Ministério das Relações Exteriores, seguindo o exemplo da Venezuela.

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15/10/2014

às 0:15 \ Política & Cia

TEMA DO DEBATE DA BAND — O PORTO QUE O BRASIL FINANCIOU EM CUBA: se é bom, por que é secreto?

FIDEL COM DILMA -- "Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca" (Foto: Alex Castro / AP)

FIDEL COM DILMA — “Cultivo una rosa bianca / en junio como enero / para el amigo sincero / que me da su mano franca” (Foto: Alex Castro / AP)

Reportagem de Duda Teixeira, publicada em edição impressa de VEJA

Post originalmente publicado a 4 de fevereiro de 2014

SE É BOM, POR QUE É SECRETO?

Nos detalhes do empréstimo do BNDES para um porto em Cuba, protegidos por sigilo, está a resposta para saber se foi mesmo um bom negócio ou a sobrevida para a ditadura

Em visita a Cuba na semana passada, a presidente Dilma Rousseff inaugurou o Porto de Mariel, reformado em sua maior parte com dinheiro brasileiro, participou de uma reunião de cúpula latino-americana e teve um encontro particular com Fidel Castro, que segue mandando no país mesmo tendo passado a bengala para o irmão Raúl.

Com a Venezuela reduzindo o envio de petróleo a aliados, o amparo brasileiro tornou-se essencial para a ditadura cubana. De Dilma, o enfraquecido Fidel ganhou suporte não apenas econômico como político. A presidente até ecoou a desculpa do “injusto embargo” dos americanos a Cuba, usada largamente pelos irmãos Castro para podar os direitos de sua população.

Na tentativa de justificarem ao público brasileiro o empréstimo de 682 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao porto dos gerontocratas, Dilma e seus subordinados apresentaram uma lista pronta de argumentos. Nenhum explica a razão da confidencialidade do acordo entre governos.

Uma das condições do empréstimo concedido pelo BNDES é que a ditadura só poderia gastá-lo na compra de bens e serviços brasileiros. Os capacetes de proteção, o cimento e até um carro Gol foram levados do Brasil. A maior parte das exportações foram serviços.

Os projetos de engenharia, por exemplo, foram traçados por escritórios brasileiros. Dos 233 milhões de dólares exportados para a ilha no ano passado para atender à obra, 201 milhões de dólares foram em serviços. O governo diz que 156.000 empregos foram gerados no Brasil.

Tudo muito bonito, não fosse o alto risco de calote. O Brasil aceitou conceder o empréstimo ancorado em garantia soberana, balizada pelos bancos centrais. Essa modalidade é segura quando há um mecanismo de compensação de exportações entre os países, o que não ocorre com Cuba.

O argumento do governo federal de que a modernização do porto caribenho ajudou a economia brasileira não se sustenta no campo do pensamento lógico. Se investir em uma ilha do Caribe submetida há mais de meio século a uma ditadura comunista tem efeito positivo na economia no Brasil, imagine, então, os ganhos se o dinheiro do contribuinte brasileiro tivesse sido investido diretamente na melhoria dos atulhados e obsoletos portos do Brasil.

É difícil para Brasília explicitar os motivos reais da generosidade na reforma do Porto de Mariel. O que a indigente economia cubana tem para exportar que justifica o investimento brasileiro? Nada. O Porto de Mariel ficou mundialmente conhecido em 1980 pela exportação em massa de… gente.

Em apenas duas semanas cerca de 125 000 cubanos escaparam da ditadura castrista, que, pressionada pela miséria, suspendeu a proibição de abandonar o país. O episódio ficou conhecido como o Êxodo de Mariel.

Na impossibilidade de justificar o empréstimo a Cuba, a saída para o governo brasileiro foi classificá-lo como “secreto”. Os detalhes do projeto, portanto, só poderão ser conhecidos em 2027, dois anos antes do prazo final para Cuba quitar a dívida. É estranho que os negócios do governo do PT com Cuba e também com Angola sejam fechados em segredo.

Nem o Congresso Nacional tem acesso aos termos dessas transações. Dessa forma, até que esse conteúdo seja exposto à luz do sol, os brasileiros têm todo o direito de desconfiar das intenções desses projetos. Têm todo o direito de achar, por exemplo, que o que o Brasil fez foi simplesmente uma doação aos irmãos Castro. Ou coisa pior. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

13/10/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Na trilha para ser candidato em 2018, Aloizio Mercadante se torna, para alguns de seus críticos, o “Maduro de Dilma” — referência à Venezuela

(Ilustração: Baptistão)

Mercadante: o Nicolás Maduro brasileiro (Ilustração: Baptistão)

O MADURO DE DILMA

Nota publicada na seção “Holofote” de edição impressa de VEJA

Muitos líderes do PT comungam com Lula um misto de desprezo e hostilidade a Aloizio Mercadante. Contrariados, assistiram à ascensão dele no atual governo, em que comandou os ministérios de Ciência e Tecnologia, Educação, chegando à Casa Civil.

Mais contrariados ainda, receberam agora a notícia de que Mercadante assume a coordenação da campanha de Dilma no segundo turno.

Na língua ferina dos petistas, o ministro deixou de ser o “Dilmo da Dilma” para se tornar “o nosso Maduro”, numa referência a Nicolás Maduro, que assumiu o poder na Venezuela depois de atuar como braço-direito de Hugo Chávez.

Segundo o fogo amigo, Mercadante trabalha para ser o candidato do PT a presidente em 2018. O bigode se parece muito com o de Maduro, mas o Brasil não é a Venezuela — ainda.

09/10/2014

às 0:00 \ Disseram

Rumo a Cuba

“Se Dilma conseguir a reeleição, não fugiremos de uma ida para Cuba sem escala na Venezuela.”

Jair Bolsonaro, deputado federal mais votado no Rio de Janeiro, ao afirmar que seu voto no segundo turno das eleições vai contra a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT)

20/09/2014

às 18:00 \ Política & Cia

MARCOS FAVA NEVES: O conto da fazenda experimental bolivariana

(Foto: mmg.com.au)

Dentro da Fazenda Experimental Bolivariana, viveriam todos os adeptos do comunismo e os inimigos da agroindústria (Foto: mmg.com.au)

Por Marcos Fava Neves, professor titular de planejamento estratégico e cadeias alimentares da FEA-RP/USP

Este conto teve uma inspiração interessante. Passando pelos canais da TV num sábado à tarde para achar algo que captasse minha atenção, eis que encontrei para rever, o filme A Praia, que tem Leonardo Di Caprio como ator principal.

Para quem não viu, o filme relata as experiências de uma comunidade sonhadora de um novo mundo, que vai para uma praia deserta na Tailândia, e tenta se organizar coletivamente. O filme tem um cenário maravilhoso, e uma interpretação soberba deste ator. Vale, sem dúvida assistir. Mas o que teria a ver este filme com nosso conto, nossa ideia?

Ao perceber no Brasil um crescente movimento ideológico contra a empresa, contra o lucro, da demonização do empresário, pois hoje quem quer produzir é quase que um criminoso ambiental, trabalhista, social e assim por diante, depois de escutar tanta bobagem destes micropartidos na propaganda eleitoral gratuita e também estar cansado de gente alienada, pendurada e que só reclama, vendo “A Praia”, tive uma ideia que pode até ser interessante.

A ideia seria a de criarmos, nos mesmos moldes do filme A Praia, uma fazenda experimental, servindo a diversos propósitos secundários, elencados ao final deste texto, mas com o propósito principal de mostrar a importância da agricultura e do trabalho no dia a dia de todas as pessoas, pois até que algo futurista aconteça, nossos organismos são “movidos à alimentos”.

Uma área abençoada em termos de solos, incidência de sol, regime hídrico, seria escolhida em fronteiras do Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, enfim, numa destas bênçãos divinas recebidas pelos moradores do Brasil. Cercaríamos e colocaríamos em marcha o projeto.

Mas quem iria para a Fazenda? Para lá seriam levados para um estágio as pessoas críticas à agricultura, ao produtor rural, ao agronegócio e as que têm visão deturpada ou parcial sobre o setor.

Iriam desde os que pregam a socialização dos meios de produção, os que são ideologicamente contra a empresa, contra o lucro, contra a ordem e o progresso, os radicais de diversos setores, os invasores (ou “ocupadores”), os anti-produção, os que desejam transformar o Brasil numa mega-aldeia, ativistas, representantes de algumas ONG’s confinados no sempre refrigerado ambiente Brasília/cidades internacionais, filósofos de gabinete, alguns artistas globais do eixo Ipanema, Leblon, Butantã, Pompéia, que pensam que seu baby beef nasceu na cozinha do restaurante da Vieira Souto e seu chopinho foi gerado dentro da chopeira dos maravilhosos bares da Ataulfo de Paiva ou dos arredores de Pompéia.

Levaríamos também gente que acredita nos modelos da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, entre outros. Selecionaríamos parte dos 61 milhões de brasileiros em idade de trabalho, mas que não trabalham, não procuram trabalho e não estudam, entre eles os dependentes de bolsas governamentais que tem habilidade, capacidade e ofertas de trabalho e os usuários do auxílio desemprego que forçaram suas demissões.

Ou seja, a geração “nem-nem” também iria, os jovenzinhos ativistas ainda pendurados nas bolsas paternas e os outros não tão jovens, em idade de trabalho, mas que esticam até os 30, 40 anos sua permanência na universidade pública, normalmente em cursos sem demanda.

Para poupar um esforço inicial dos habitantes desta fazenda, já entregaríamos a área com todo o cipoal de licenças e burocracia necessárias para se trabalhar e produzir. Teríamos uma infra-estrutura coletiva de hospedagem na fazenda, com bons banheiros, porém, todos coletivos. Haveria telefones coletivos e uma sala de informática coletiva, com os softwares de domínio social. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

03/09/2014

às 6:00 \ Disseram

Chávez nosso que estais no céu

“Quando nos perguntamos que valores devemos formar e quando nos perguntamos onde devemos formar esses valores, há apenas uma resposta: devemos nos formar nos valores de Chávez, no combate diário na rua, criando, construindo revolução, fazendo revolução.”

Nicolás Maduro, presidente venezuelano, ao final da “I Oficina de Projeto do Sistema de Formação do Partido Socialista”, evento no qual foi criada uma versão da oração “Pai Nosso” para falar de Hugo Chávez

22/08/2014

às 6:00 \ Disseram

Os enormes benefícios do sistema biométrico venezuelano

“Com o sistema biométrico funcionando, com todos os caixas abertos em todos os supermercados, o povo perceberá em pouco tempo a diminuição das filas, o melhor abastecimento e melhor distribuição dos alimentos, enquanto aumentamos a base produtiva nacional.”

Andrés Eloy Méndez, deputado venezuelano que recentemente assumiu o cargo de Superintendente Nacional para a Defesa dos Direitos Socioeconômicos, ao tentar justificar o sistema que restringe a compra de alimentos e produtos em supermercados; ao ser instalado um “sistema biométrico”, uma pessoa não poderá comprar um produto duas vezes na mesma semana

21/08/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: Não faltava mais nada. Agora, governo bolivariano instalará controles eletrônicos para impedir as pessoas de… comprar!

Retrato da Venezuela hoje: filas enormes de consumidores que esperam encontrar produtos básicos em supermercado da capital, Caracas (Diego Braga Norte/Veja.com/VEJA)

Retrato perfeito da Venezuela bolivariana: filas enormes de consumidores que esperam encontrar produtos básicos em supermercado da capital, Caracas — e raramente encontram. O mercado negro dispara (Diego Braga Norte/Veja.com/VEJA)

Governo quer impedir que pessoas comprem o mesmo produto duas vezes na mesma semana. Medida desastrada é paliativa e pune a população

Do site de VEJA

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou na noite desta quarta-feira a instalação de um mecanismo de “controle biométrico” para limitar as compras de produtos e alimentos nos supermercados e mercados públicos e privados do país. “A ordem já está dada, através da superintendência de preços, para que se crie um sistema biométrico em todos os estabelecimentos e redes distribuidoras e comerciais da República”, disse Maduro durante mensagem em rede nacional de rádio e TV.

A regulação do consumo nas redes públicas já vinha sendo aplicada sistematicamente na Venezuela desde o início do ano, mas é a primeira vez que o governo Maduro interfere nas redes privadas de supermercados do país. Em 2010, o então presidente Hugo Chávez desapropriou as lojas da cadeia de supermercados Exito, do grupo francês Casino.

Mercado negro é alternativa para supermercados estatais vazios

Com a escassez crônica, o mercado negro – mantido por pessoas que estocam produtos básicos para revendê-los – na Venezuela é uma alternativa aos supermercados estatais vazios, porém limitar o consumo não é uma medida que ataca a origem do problema: a péssima gestão econômica do país.

Há ainda outra questão problemática na medida anunciada por Maduro, pois limitar o consumo em redes privadas é um ato ilegal, que interfere na administração e nos possíveis lucros das empresas. A medida desastrada ainda penaliza justamente a parte mais afetada pela escassez, a população.

Inflação já passa dos 60% ao ano

O mecanismo utilizará leitores óticos de impressões digitais para reconhecer cada comprador de produtos básicos. Segundo Maduro, “o sistema biométrico será perfeito” e servirá para evitar o que chamou de “fraude” envolvendo milhões de litros de gasolina e toneladas de alimentos subsidiados pelo governo, no momento em que a Venezuela enfrenta a falta de diversos produtos básicos e uma inflação anual que supera os 60%.

O sistema visa a impedir que uma pessoa compre o mesmo produto duas vezes na mesma semana, em qualquer supermercado das redes governamentais e privadas da Venezuela. Vários funcionários do governo Maduro indicaram que no prazo de 90 dias haverá um “programa piloto” para iniciar a venda controlada de produtos básicos no país “de maneira ordenada e justa”.

Maduro também anunciou “um sistema de referência” que processará a informação de tudo o que for distribuído e armazenado “para todos os produtos e insumos que movem a economia do país”. O presidente ordenou ainda o “confisco, de maneira imediata, de todos os elementos” utilizados para contrabando, incluindo galpões e veículos, que serão revertidos para os programas estatais de alimentos.

Maduro convocou as forças militares e policiais para deter todos os envolvidos em desvios e contrabando.

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Racionamento: os consumidores são fichados e recebem senhas para comprar na rede estatal

O sistema de controle de compras é a mais nova tentativa paliativa de Maduro para combater a escassez causada pela ingerência econômica de seu próprio governo. Desde março, as compras na rede estatal de supermercados – com preços subsidiados – são possíveis apenas dois dias por semana e com limite de produtos por consumidor.

Os venezuelanos interessados são fichados e recebem senhas, que funcionam em sistema de rodízio. Nas segundas-feiras podem comprar aqueles com as senhas terminadas em 1 e 2, 3 e 4; às terças e  quartas-feiras são os dias para os finais 5 e 6, 7 e 8. As quintas e sextas-feiras são reservadas aos consumidores com senhas que terminam em 9 e 0.

Violência: 65 mortos por dia

A Venezuela atravessou uma violenta onda de protestos entre fevereiro e final de maio devido à inflação, à falta de produtos básicos – como papel higiênico, açúcar, farinha ou leite – e à altíssima violência e criminalidade, que provocam em média 65 mortes por dia no país.

Os protestos foram repreendidos e resultaram na morte de mais de 40 pessoas, além de mais de 700 feridos.

29/07/2014

às 12:00 \ Disseram

Onde a democracia não existe

“Estou preso por haver denunciado o Estado venezuelano como corrupto, ineficiente, repressor e antidemocrático. Estou preso por haver denunciado em viva voz que na Venezuela não há democracia.”

Leopoldo López, opositor de Nicolás Maduro, em carta aberta; ele foi encarcerado pelo governo em fevereiro

24/07/2014

às 18:10 \ Política & Cia

De onde menos se espera, de repente vem uma boa notícia: os bolivarianos estariam em queda na América Latina — diz um deles

(Fotos: Jorge Silva/Reuters :: Juan Karita/AP :: AFP :: Adalberto Roque/AFP/Getty Images)

Chávez, Evo, Correa e Raúl: segundo o presidente do Equador, “ciclo progressista” pode estar chegando ao fim. Afinal, uma boa notícia vinda desses países… (Fotos: Jorge Silva/Reuters :: Juan Karita/AP :: AFP :: Adalberto Roque/AFP/Getty Images)

Está no resumo publicado no jornal Folha de S. Paulo para a entrevista feita pela jornalista Monica Bergamo com o presidente “bolivariano” do Equador, Rafael Correa, o inimigo 1 da imprensa livre em seu país:

“A retomada coservadora na América Latina, com a articulação das direitas internacional e dos países da região, ameaça colocar fim ao ciclo progressista iniciado quando Chávez chegou ao poder na Venezuela, afirma Rafael Correa, presidente do Equador”.

Eta ameaça boa! Que ela se cumpra. Embora o regime “progressista” da famélica Cuba, mantida a ferro e fogo pela ditadura dos irmãos Castro, ainda deva resistir por mais tempo do que os demais.

Por falar em “retomada conservadora”, o governo “conservador” e “direitista” do presidente Juan Manuel Santos, recentemente reeleito para um segundo mandato, pilota um céu de brigadeiro — apesar de enfrentar a narcoguerrilha das chamadas “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (Farc), com pelo menos 12 mil homens em armas.

Com guerra e tudo, a Colômbia do nada bolivariano presidente Santos terá este ano, segundo o FMI, a menor inflação da América Latina (1,9% ao ano), enquanto, por comparação próxima de nós, a do Brasil explode o teto da meta de 6,5%, apesar das inúmeras tentativas do governo de mascará-la com arrocho de preços na área de energia e outras mumunhas.

O PIB terá crescimento perto de 5% (no Brasil de Dilma, se tudo correr bem, chegaremos a esquálidos 1,8%), a indústria deve passar de 6% (a nossa anda em crescimento negativo) e o tamanho da economia ultrapassou o da Argentina, tornando-se a segunda maior da América do Sul.

 

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