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Venezuela

20/03/2015

às 12:00 \ Política & Cia

BADERNA: Lula mandou — e os mercenários do MST estão entrando em ação

(Foto: Antonio Cruz/ABr)

Nova ofensiva: MST agora quer acesso livre ao crédito de bancos estatais (Foto: Antonio Cruz/ABr)

O MST recebe milhões de reais todos os anos do nosso dinheiro, mas é do comandante Lula que eles ouviram ordens de ir às ruas

Reportagem de Robson BoninHugo Marques publicada em edição impressa de VEJA

Nada como uma crise política para tirar o MST da letargia e colocá-lo de volta nas ruas como instrumento do projeto de poder do PT. Na semana passada, o movimento, adestrado pelos milhões de reais recebidos em verba pública nos governos Lula e Dilma, lançou sua chamada Jornada Nacional de Lutas.

Em pelo menos 22 estados, os sem-terra fecharam rodovias, atacaram praças de pedágio, invadiram fazendas, depredaram e saquearam empresas privadas e interditaram prédios públicos. Em Sergipe, três pessoas morreram em decorrência de um acidente provocado pelo bloqueio feito por militantes numa estrada.

Oficialmente, a nova ofensiva do MST é mais um passo na caminhada por distribuição de renda e igualdade social. Reivindica-se acesso livre ao crédito de bancos estatais, como se as torneiras dos cofres públicos estivessem fechadas para a entidade.

Não, não estão. Desde 2004, apenas quarenta cooperativas e assentamentos embolsaram 300 milhões de reais. Parte desse dinheiro, conforme investigação da Polícia Federal e de órgãos de controle, trilhou caminhos ainda desconhecidos.

Mais do que brigar por recursos, o MST saiu às ruas para demonstrar força, como parte de uma estratégia destinada a intimidar o Ministério Público, a Justiça e a oposição. Respondeu, assim, a uma convocação do ex-presidente Lula e de dirigentes petistas preocupados com a possibilidade de o escândalo do petrolão abreviar ou inviabilizar o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Há duas semanas, quando a discussão sobre a possibilidade de um processo de impeachment contra Dilma ganhava ares públicos, Lula avisou que o governo e o PT usariam os sem-terra como soldados. Os incidentes da semana passada serviram para lembrar o país do potencial de estrago representado pelo movimento. “Quero paz e democracia. Mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele na rua”, discursou Lula durante um protesto – veja só - em “defesa” da Petrobras.

Um dos fundadores do MST, João Pedro Stedile mantém relações umbilicais com o petismo e os parceiros do partido na América Latina, inclusive a turma truculenta do bolivarianismo do século XXI.

BEM PAGO — João Pedro Stedile, o líder dos sem-terra, foi à Venezuela para pregar a violência no país vizinho e combinar ataques de seu grupo em território brasileiro (Foto: Reprodução/VEJA)

BEM PAGO — João Pedro Stedile, o líder dos sem-terra, foi à Venezuela para pregar a violência no país vizinho e combinar ataques de seu grupo em território brasileiro (Foto: Reprodução/VEJA)

Há dias, Stedile discursou como se fosse um chefe de Estado numa cerimônia em homenagem a Hugo Chávez, presidente da Venezuela morto em 2013. Lá como cá, o companheiro atuou como joguete dos poderosos. Primeiro, Stedile mandou um abraço do “companheiro Lula” aos simpatizantes do “comandante Maduro”, referindo-se a Nicolás Maduro, sucessor de Chávez na Venezuela e responsável por aprofundar a crise econômica e a repressão à oposição no país vizinho.

Dado o recado, Stedile criticou duramente os brasileiros que defendem o impeachment de Dilma. Ele usou, como de costume, a retórica bolorenta dos esquerdistas que pararam no tempo. “Por isso, neste momento, estão atacando vocês, estão atacando o povo argentino, com Cristina (Kirchner), e estão nos atacando no Brasil, falando de impeachment contra a presidente Dilma”, disse o dirigente do MST. “E nós temos de compreender que somos um só povo e que temos de derrotá-los de uma forma unida. É nas ruas que vamos derrotar o império e toda a burguesia.”

O comandante, como se vê, está de prontidão para defender o Brasil e a América do Sul de uma conspiração internacional. Stedile nada mais é que um líder de uma tropa mercenária que ainda se aproveita da miséria e da ignorância. Além das verbas milionárias repassadas à entidade, ele desfila como um integrante informal do governo e tem acesso livre aos principais gabinetes da Esplanada dos Ministérios. Seus privilégios se estendem à seara dos pequenos favores pessoais.

Comandada até o ano passado pelo petista Gilberto Carvalho, outro amigo do peito do ex­-presidente Lula, a Secretaria-Geral da Presidência – responsável pela interlocução com os movimentos sociais – pagava até as diárias de viagem de Stedile nos seus deslocamentos pelo país. Tamanha generosidade tem preço. Foi por isso que o MST protestou na Praça dos Três Poderes contra a prisão da antiga cúpula do PT condenada no processo do mensalão. É por isso que agora se perfila para defender os companheiros que assaltaram a Petrobras, os mesmos que financiam a atuação do movimento e que também puseram milhares de trabalhadores no alçapão do desemprego.

Aliás, apoiando o MST está outra entidade adestrada com o dinheiro do contribuinte. Na sexta-feira passada, a CUT organizou um protesto no qual se equilibrou entre a cruz e a espada. Em respeito aos princípios norteadores de sua fundação e aos interesses de seus filiados, bradou contra o ajuste fiscal anunciado pelo governo. Em obediência a esse mesmo governo, que lubrifica seus cofres e dá poderes a seus dirigentes, defendeu a presidente Dilma Rousseff e o PT, alistando-se no exército que pode ser acionado, se necessário, contra um eventual processo de impeachment.

A parceria entre petistas e movimentos sociais tem sido bastante rentável para os dois lados. O MST é útil tanto para a defesa quanto para o ataque. No ano passado, o PT usou o movimento para garantir a vitória de Camilo Santana sobre o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, na disputa para o governo do Ceará.

Em agosto, dois meses antes da votação, um grupo de sem-terra invadiu uma fazenda do senador no interior de Goiás. As imagens do acampamento e das barracas de lona foram espalhadas pelos petistas no Ceará e viraram um trunfo eleitoral. Com elas, acusava-se Eunício, que até então liderava com folga as pesquisas, de manter trabalhadores da fazenda em condições análogas às de escravidão. O efeito foi devastador. O candidato petista venceu a eleição no segundo turno.

Adversário do PT, o senador Eunício Oliveira teve sua fazenda invadida pelo MST e sofreu acusações pesadas, o que lhe custou a eleição ao governo do Ceará. Agora aliado, bastou pedir ajuda ao Planalto (Foto: Diomicio Gomes/O Popular)

Adversário do PT, o senador Eunício Oliveira teve sua fazenda invadida pelo MST e sofreu acusações pesadas, o que lhe custou a eleição ao governo do Ceará. Agora aliado, bastou pedir ajuda ao Planalto (Foto: Diomicio Gomes/O Popular)

Há duas semanas, o senador e o vice-presidente Michel Temer trataram do assunto num jantar com Dilma. “Queria agradecer ao líder Eunício Oliveira, que deixou de viajar a Goiás para resolver o problema da invasão do MST na sua fazenda para atender ao meu pedido para estar aqui hoje”, disse Temer a Dilma, levando a conspirata à mesa. “Mas esse problema ainda não foi resolvido?”, reagiu a anfitriã.

Acossada pelo PMDB e disposta a reconquistar o partido, a presidente encarregou o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de resolver o caso. A ordem para “resolver” foi repassada ao ministro Patrus Ananias, do Desenvolvimento Agrário. Já no dia seguinte, o governo negociou a saída do MST da fazenda do senador em troca da liberação de outra área de 60 hectares para as famílias invasoras.

A solução do impasse, que já se estendia por seis meses, não exigiu nem mesmo 24 horas. Faz sentido. O PT já não precisava mais de seus mercenários para conquistar o governo do Ceará.

14/03/2015

às 0:00 \ Disseram

Um jovem de Chicago

“Tenho a esperança de que Obama receba uma luz que o transforme de volta naquele jovem de Chicago.”

Nicolás Maduro, presidente venezuelano, sobre Barack Obama, que tomou decidiu considerar a Venezuela uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos

07/03/2015

às 14:00 \ Política & Cia

VÍDEO: O discurso de Aécio criticando a posição “silenciosa e conivente” do governo lulopetista diante das violações dos direitos humanos na Venezuela

05/03/2015

às 12:00 \ Disseram

Venezuela: siga as regras ou saia

“A Venezuela é membro da OEA. Eu mesmo assinei a Carta Democrática com o ex-presidente Hugo Chávez. O que pedimos é que a Venezuela ou se retire da Organização ou se submeta às normas.”

Andrés Pastrana, ex-presidente colombiano, referindo-se à Carta Democrática Interamericana assinada pela Organização de Estados Americanos; Pastrana critica o fato de o governo de Nicolás Maduro manter presos membros da oposição

01/03/2015

às 19:00 \ Vasto Mundo

Anti-EUA, anti-imigrante, anti-União Europeia, estatizante: esta mulher pode ser presidente da França

(Foto: Joel Sajet/AFP)

De olho na candidatura em 2017, Marine Le Pen prega o nacionalismo de forma radical (Foto: Joel Sajet/AFP)

UNIDOS PELO NACIONALISMO

A aversão ao liberalismo e o antiamericanismo da mulher que pode se tornar a próxima presidente da França são a prova de que a direita e a esquerda se encontram nos extremos

Entrevista a Nathalia Watkins, de Estrasburgo, publicada em edição impressa de VEJA

Marion Anne Le Pen, chamada de Marine, é a favorita nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2017 na França, com 30% das intenções de voto. Advogada de 46 anos, ela comanda o partido Frente Nacional (FN), fundado por seu pai, Jean-Marie, em 1972. Marine despacha três dias por mês em seu escritório no Parlamento Europeu, do qual é deputada, em Estrasburgo, na França.

Na entrevista a VEJA, interrompida por baforadas em um cigarro eletrônico, ela se mostrou fortemente estatizante, antiamericana, protecionista e nacionalista. Embora situe no espectro de oposição à FN os políticos de esquerda (entre os quais os chavistas venezuelanos e os gregos do Syriza), ela não consegue esconder sua admiração por eles.

Podemos chamá-la de líder da extrema direita francesa?

A Frente Nacional não é um partido de extrema direita. Somos uma organização patriota, que preza o Estado-nação, o nacionalismo econômico, a independência diplomática em relação aos Estados Unidos e defende uma imigração controlada.

Na França, a direita e a esquerda desenvolveram uma mesma e frouxa política. São responsáveis pelos mesmos números elevados de imigração. Por isso, a divisão entre esquerda e direita aqui não existe. É uma miragem. A verdadeira separação é aquela entre os que defendem a nação, como nós, e os que, em benefício do comércio global, advogam o desaparecimento das nações, a abolição das fronteiras e o fim das identidades nacionais.

O atentado à redação do Charlie Hebdo, em Paris, fortaleceu o seu movimento?

Os atentados não tiveram vencedores. Só perdedores. O certo é que nós fomos os únicos que há muito tempo advertimos que tudo o que estava sendo feito no país só aumentava o poder do fundamentalismo islâmico e punha em risco nossa segurança interna.

A senhora é favorita nas pesquisas de intenção de voto para o pleito de 2017. Qual seria sua primeira medida como presidente da França?

Devolver aos franceses seus direitos, sua soberania. Hoje, com a União Europeia (UE), nossos direitos foram retirados. Não controlamos nossas fronteiras. Nosso orçamento e nossas leis são inferiores àqueles impostos pelos tecnocratas europeus. Quero o poder para devolvê-lo ao povo. Para isso, pretendo organizar um referendo sobre a saída da UE, que é um modelo totalitário.

Que dados justificariam a saída da França da UE?

Um dos continentes mais ricos do mundo está falido. Isso começou com o euro. O desemprego e a pobreza explodiram. Nossas economias estão em crise. As políticas de austeridade criaram um sofrimento imenso. Hoje a UE é sinônimo de guerra. O conflito na Ucrânia, as disputas em Kosovo, a luta econômica que coloca os povos uns contra os outros e elimina direitos sociais. Isso criou o que chamo de “dumping social”, que agora se torna também ambiental e monetário.

O que é exatamente o “dumping social”?

É a eliminação dos direitos sociais locais que exacerba a concorrência entre os trabalhadores, produzindo um efeito do qual apenas algumas multinacionais se aproveitam.

Não foi justamente o fim dos nacionalismos e do protecionismo econômico, dois pilares da UE, que garantiu tantas décadas de paz na Europa?

Isso é uma grande mentira. Foi a paz que permitiu a construção da UE, e não o contrário.

Então o que produziu a paz, em sua opinião?

Foram a vontade das nações e o aprendizado com os erros das guerras do passado que evitaram novos conflitos. Na Ucrânia, o que está acontecendo hoje é resultado da influência americana. Para defenderem seus interesses, os Estados Unidos mostrara­m-se dispostos a lançar uma guerra no seio da Europa depois de terem feito o mesmo por todo o Oriente Médio.

O que a senhora acha da coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, para combater o Estado Islâmico (Isis)?

A França está indo atrás dos americanos, que estão deslegitimados naquela parte do mundo. Eles são responsáveis pelo desequilíbrio da região, pela ascensão do Isis e do fundamentalismo islâmico. Quero a França com uma diplomacia independente. Antes, tínhamos reputação e influência. Isso foi perdido. Estamos submissos à diplomacia americana. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

28/02/2015

às 12:00 \ Disseram

Posições medíocres

“Não dá para dialogar com um governo que reage com balas e bombas. As posições da chancelaria brasileira foram medíocres.”

Senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), sobre a situação de conflito na Venezuela, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo; Ferraço fez um requerimento para criar uma comissão de senadores para ir ao país fazer um reconhecimento

26/02/2015

às 18:00 \ Disseram

Golpe de Estado e a defesa democrática

“O problema que pode ocorrer na Venezuela é que podemos nos ver diante de um golpe de Estado de militares de esquerda, e com isso a defesa democrática vai para o c*ralho. Seria um erro gravíssimo deixar a Constituição.”

José Mujica, presidente uruguaio, em entrevista ao jornal El País sobre a situação de crise na Venezuela e no governo de Nicolás Maduro

25/02/2015

às 14:00 \ Vasto Mundo

Post do leitor: o Brasil decente que defendemos não se calará diante dos abusos ditatoriais do governo da Venezuela

(Foto: Alejandro Cegarra/AP)

Em Caracas, manifestantes exigem a libertação arbitrária do prefeito Antonio Ledezma (Foto: Alejandro Cegarra/AP)

Post do leitor e amigo do blog Moacir 1

Post do LeitorA julgar pela reação vergonhosamente tímida dos líderes, dos governos, das organizações regionais da América Latina — como a OEA e a Unasul — sobre a prisão arbitrária do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, é difícil não concluir que todos eles se tornaram uma organização de proteção para regimes repressivos.

Em vez de solicitar a libertação incondicional de Ledezma, bem como a do líder da oposição Leopoldo Lopez e outros presos políticos que, segundo a Organização das Nações Unidas, têm sido vítimas de detenções arbitrárias, as maiores organizações regionais e os líderes líderes latino-americanos têm, em grande parte, feito cara de paisagem e olhado para o outro lado.

De que servem essas organizações regionais se não levantam um dedo para fazer valer as suas próprias Cartas e os princípios que as justificam, exigindo o respeito e defesa da democracia?

Como se justifica a ausência de uma resposta forte do Brasil, o maior país da região, cuja MandatáriA posa nas fotos como líder de uma democracia moderna?

Como é possível acreditar – como a senhora presidentA – ser um “assunto interno” da Venezuela o fato de que qualquer liderança oposicionista que se fortaleça por lá seja simplesmente aprisionada, sem ordem judicial?

Como podemos engolir calados que o presidente do partido da presidentA, o petista Rui Falcão, em nome do “povo brasileiro”, embora sem nenhuma procuração, vá a Caracas na maior cara-de-pau para garantir apoio aos chavistas? Se os assuntos da Venezuela são só da conta dos proto-ditadores, por que Luizinácio Lula da Silva pediu votos para eleger o “presidente” herdeiro Nicolás Maduro nas últimas eleições presidenciais?

Como pode uma presidentA que se autodenomina “Coração Valente”, que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira e que por ela foi torturada, se calar covardemente diante de um regime cada vez mais liberticida?

Será que a PresidentA não se envergonha de ser cúmplice de todas as violações dos direitos humanos que vêm sendo cometidas diuturnamente pelo seu cumpanheiro bolivariano? Será que DilmA imagina que a sociedade brasileira – a exemplo dela e dos membros do seu partido corrompido – é formada por zumbis morais e por mentecaptos incapazes de sentir empatia ou de abstrair que os direitos humanos são universais e não uma mera questão “interna” da Venezuela?

Será que a política externa da senhora Dilma Rou$$eff – como escrevem seu nome nos blogs os revoltados cidadãos venezuelanos – desconhece que, desde 1988, a Constituição DESTE PAÍS, no seu artigo 4, passou a prever a defesa da democracia, dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos e da paz?

Se for este o caso, é preciso que a PresidentA seja chamada à razão. Sugiro que alguém – pelamordedeus! – no nosso ruborizado Itamaraty, S-O-L-E-T-R-E para a MandatáriA o Compromisso de Santiago com a Democracia de 1991, a Declaração de Quito de 1995, a Declaração a Respeito da Manutenção da Democracia de 1997, o Compromisso Democrático de Cartagena de 2000, o Protocolo de Ushuaia do Mercosul de 1998, a Carta Democrática Interamericana de 2001, a Declaração de São José de 2002, todas elas assinadas por ESTE PAÍS, compromissado com a ordem democrática e, portanto, prevendo reuniões de emergência entre Estados membros no caso de haver interrupção dela.

(Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

“Chega de presos políticos deste regime”, pede um manifestante (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Saiba a nossa leviana presidentA que décadas atrás, quando um país latino-americano descaradamente violava as liberdades democráticas, como a Venezuela está fazendo agora, os mais importantes líderes democráticos da região condenavam tais eventos, e pediam reuniões extraordinárias da Organização dos Estados Americanos para pressionar por ações de correção de rumo. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

24/02/2015

às 21:01 \ Política & Cia

AÉCIO NEVES: Omissão do governo Dilma diante de violações de direitos humanos na Venezuela é “inaceitável e vergonhosa”

Tendo ao lado o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o ex-presidenciável Aécio Neves critica a omissão do governo Dilma diante da barbárie em curso na Venezuela (Foto: George Gianni/PSDB)

Tendo ao lado o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o ex-presidenciável Aécio Neves critica a omissão do governo Dilma diante da barbárie em curso na Venezuela (Foto: George Gianni/PSDB)

Da assessoria de imprensa do PSDB

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), qualificou como “inaceitável e vergonhosa” a postura do governo Dilma Rousseff diante dos últimos episódios de autoritarismo na Venezuela, como a prisão do prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma.

O tucano afirmou que espera do Senado um posicionamento contrário às ações do governo de Nicolás Maduro, e sugeriu a criação de uma comissão de parlamentares para apurar as graves ocorrências no país vizinho. Aécio falou sobre o tema durante pronunciamento nesta terça-feira (24) no Senado, em Brasília.

“A presidente Dilma não pode esconder-se, sob o princípio de não interferência nos assuntos internos de outro país, para deixar de agir”, apontou o presidente do PSDB.

Na avaliação de Aécio, a omissão do Brasil pode deixar o país como um cúmplice da escalada de autoritarismo registrada no país. “Não será de se estranhar se, em breve, ocorrer um banho de sangue na Venezuela, perpetrado pelo Estado contra seus cidadãos. A omissão brasileira nos tornará cúmplices dessa tragédia anunciada”, afirmou.

Aécio lembrou que o Protocolo de Ushuaia, assinado pelos países integrantes do Mercosul, exige dos membros do bloco uma manifestação de repúdio às ações antidemocráticas.

O senador destacou que o PSDB foi contrário à entrada da Venezuela no Mercosul, em 2009, por identificar já naquela ocasião violações aos direitos humanos por parte do regime de Hugo Chávez.

E acrescentou que a manifestação atual do PSDB de repúdio às ocorrências na Venezuela “não são de solidariedade à oposição, a este ou àquele partido, e sim àquilo que a nós é mais caro – as liberdades democráticas”.

Ação do parlamento

Aécio disse que a omissão do governo Dilma deve ser respondida pelos senadores brasileiros com um posicionamento firme de contestação às ações de Nicolás Maduro.

“Já que o governo federal, mesmo instado por organismos internacionais, não tem até aqui se manifestado, é o momento de essa Casa, a casa da Federação brasileira, se manifestar de forma altiva, de forma clara, cobrando das autoridades venezuelanas o respeito aos princípios mais elementares da democracia”, disse.

Escalada do autoritarismo

Em seu pronunciamento, Aécio destacou que o prefeito Ledezma foi preso sem ordem judicial e lembrou outros episódios que, na sua avaliação, configuram a escalada do autoritarismo em curso na Venezuela.

“As principais lideranças políticas da oposição têm sido sistematicamente perseguidas, impedidas de exercerem mandatos políticos, encarceradas e agredidas, de toda sorte, pelo aparato de estado oficial e extraoficial”, afirmou Aécio.

Entre os casos lembrados pelo presidente do PSDB, estão a detenção do líder oposicionista Leopoldo López, preso desde fevereiro do ano passado, e a perseguição sofrida pela deputada Maria Corina Machado.

Segundo Aécio, o governo de Nicolás Maduro utiliza o autoritarismo como mecanismo para encobrir as falhas de sua gestão.

“Incapaz de lidar com os graves problemas do dia-a-dia da gestão governamental, o presidente Maduro cria falsas tramas e golpes contra seu governo, tenta calar a oposição, cerceá-la e criminalizá-la, em escalada rumo a uma ditadura, cada vez mais sem disfarces”, afirmou.

24/02/2015

às 6:00 \ Disseram

Quem teme quem?

“Não tenho medo do regime. É o regime que teme seu povo e, por isso, tenta calar a todos com a censura.”

María Corina Machado, deputada venezuelana e uma das principais figuras de oposição ao governo chavista de Nicolás Maduro, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo

 

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