Blogs e Colunistas

Venezuela

06/04/2014

às 16:30 \ Tema Livre

Gabriela Montero, a grande pianista venezuelana: “Em meu país, que vive sob uma ditadura,a a neutralidade é imoral”

Gabriela Montero,Pianista Venezuelana. ©Sheila Rock/EMI Data:12-12-2013

(Foto: Sheila Rock/EMI)

Entrevista concedida a Sérgio Martins, publicada em edição impressa de VEJA

 

“A NEUTRALIDADE É IMORAL”

A pianista venezuelana critica o autoritarismo e a violação de direitos humanos nos governos Chávez e Maduro – e ataca o silêncio conivente de colegas músicos sobre a situação do país

Gabriela Montero, de 43 anos, tem uma sólida carreira internacional como pianista, com portas abertas nas principais salas de concerto do mundo.

Há oito anos, desde que deixou a Venezuela por temor da instabilidade, ela mora em Los Angeles, nos Estados Unidos - mas vem acompanhando com indignação a escalada de violência em seu país natal.

É uma crítica eloquente do autoritarismo do governo de Nicolás Maduro, que desde fevereiro reprime brutalmente os protestos de rua. Nas redes sociais, a pianista posta notícias que recebe da Venezuela – e ataca a omissão de personalidades como o maestro Gustavo Dudamel diante dos crimes do governo.

Da Itália, onde cumpria uma agenda de recitais, Gabriela falou a VEJA sobre sua revolta diante da situação na Venezuela.

O que a levou a deixar a Venezuela?

Vivi em Caracas de 2003 a 2006. Fui testemunha direta do processo de deterioração sistemática pelo qual a Venezuela passou naqueles anos.

Percebi, por exemplo, quanto nossas liberdades foram tolhidas pouco a pouco. Participei ativamente dos protestos em 2004, contra o presidente Hugo Chávez. E, sendo mãe de duas meninas, decidi sair do país quando percebi que não era mais seguro viver lá.

Estou muito feliz por ter tomado essa decisão. Acredito que temos direito a viver em uma sociedade em que a vida humana é valorizada, não em uma sociedade que tem de se submeter a altas taxas de criminalidade e em que os alimentos e produtos básicos são escassos, apesar do influxo de capital na economia.

Acima de tudo, eu acredito na democracia, não no comunismo.

Hugo Chávez era um ditador, e Nicolás Maduro segue a mesma cartilha política de seu antecessor. Nos últimos quinze anos, a Venezuela tem passado por uma terrível provação. Mas acho que podemos superar este momento difícil graças à vontade do povo e à coragem dos estudantes que estão saindo às ruas para protestar. Só assim livraremos a Venezuela dessa cleptocracia violenta.

A senhora tem medo de retornar?

Sim, tenho. E não retornarei enquanto persistir a ditadura no país. Não me sinto segura em visitar a Venezuela e não quero correr riscos desnecessários, muito menos pôr minhas duas filhas em risco.

Em suas postagens nas redes sociais, a senhora tem noticiado o que está acontecendo na Venezuela, sempre com imagens fortes de pessoas que sofreram abuso do governo Maduro. Como obtém tanta informação?

Recebo centenas de mensagens e notícias todos os dias. A maior parte desse material vem do meu público, desesperado por mostrar o que acontece de fato na Venezuela – que atualmente vive sob forte censura. Minha página nas redes sociais é a única saída que essas pessoas encontraram, e por isso acabei me tornando uma fonte de informação para a comunidade internacional.

A senhora tem recebido notícias sobre tortura?

Sim. E são imagens e relatos tenebrosos.

No ano passado, durante um concerto em Curitiba, a senhora foi insultada aos gritos por um militante chavista quando tentou falar da situação política na Venezuela. Como foi esse episódio?

Foi uma prova de que muitas pessoas ainda ignoram que na Venezuela atualmente existe, sim, uma ditadura.

Antes de Maduro, Chávez gastou uma quantia obscena de dinheiro para angariar simpatizantes no mundo inteiro, tudo para criar a imagem de uma utopia socialista venezuelana. Mas as pessoas que ainda hoje ignoram o que está acontecendo no país ou são manipuladas ou são ingênuas – ou então recebem benefícios diretamente do governo.

Seria leviano da minha parte afirmar que o sujeito que me atacou no concerto de Curitiba foi plantado ali por alguém do governo Maduro. Tudo o que eu disser a respeito das motivações dele será apenas especulação.

Por mais que o ataque me tenha deixado perturbada, foi bonito receber o apoio da orquestra e do público presente naquela noite. Não foram poucos os que me ofereceram solidariedade após o concerto, o que me leva a acreditar que o mundo está acordando para o que realmente se passa na Venezuela.

A senhora criticou os dirigentes do Sistema, projeto venezuelano de inclusão social por meio do ensino de música, por não se terem posicionado contra a violência com que o governo Nicolás Maduro responde às manifestações de rua. Qual sua avaliação do projeto e da relação dele com o governo?

Não tenho dúvida de que há muito que admirar no trabalho iniciado há 39 anos pelo maestro José Abreu, idealizador do projeto.

O Sistema abrange cerca de 450 000 estudantes de música em todo o país. Mas, como acontece em todos os grandes empreendimentos, o projeto tem não apenas aspectos positivos, como também negativos.

Sei, por exemplo, quanto os pais e os estudantes do Sistema dedicam a vida à música. Seria um erro monumental cancelá-lo da noite para o dia. Eu não sei dizer quanto os estudantes do Sistema acreditam no chavismo. Com certeza, alguns são chavistas e outros, não.

Tampouco posso falar sobre as convicções de José Abreu ou dos integrantes da Orquestra Jovem Simon Bolívar. No entanto, acredito que nossas atitudes são mais significativas do que nossas palavras. Este é um momento em que silenciar ou se manter neutro para preservar os próprios interesses configura uma irresponsabilidade.

A música não pode estar acima do dever cívico ou da denúncia de um Estado que se tem provado criminoso. Os responsáveis pelo Sistema deveriam pensar no país como um todo, e não apenas em seu programa educacional. De que servirá o Sistema em uma nação que está deixando de existir como tal?

Os responsáveis pelo Sistema dizem que o programa já contava com ajuda governamental antes do período Chávez, e por isso seus beneficiários não podem recusar a participação em eventos oficiais. Essa justificativa faz algum sentido para a senhora?

Não. O legado de Chávez é muito diferente daquele deixado pelos presidentes anteriores. Nosso país passou por uma grande transformação, e para pior. Quem se associar a um governo tão desastroso terá de arcar com as responsabilidades. Não há como comparar a gestão de Chávez e a de Maduro às suas predecessoras. O governo de Maduro é um reinado de terror. Minha única esperança é que o Sistema e seus diretores abram os olhos para o mal que o silêncio deles diante das violações aos direitos humanos faz ao país.

Como o Sistema contribui para a imagem do governo chavista?

Quando os músicos, em suas apresentações, vestem agasalhos com uma versão estilizada da bandeira da Venezuela – a mesma indumentária usada pelos atuais governantes do país -, eles efetivamente manifestam apoio ao governo. Em seus concertos, costumava haver distribuição de panfletos de propaganda chavista. O sucesso do Sistema é usado para ofuscar os problemas que ocorrem atualmente na Venezuela. Já ouvi muitas pessoas dizerem que, se o Sistema é tão maravilhoso, então o governo que apoia o programa deve ser bom. É uma forma de propaganda muito inteligente – pouco importa se José Abreu reconhece isso ou não.

O maestro Gustavo Dudamel é a grande estrela internacional saída do Sistema. Ele tem sido muito criticado – pela senhora, inclusive – por sua conivência com o governo e, sobretudo, por ter regido um concerto em Caracas no dia em que três manifestantes foram assassinados na cidade. Dudamel respondeu que o Sistema não é político e que seus objetivos são a paz e o amor. Foi uma resposta satisfatória?

Não. A minha crítica a Gustavo Dudamel está no silêncio dele a respeito das cenas de brutalidade que têm sido constantes no país desde o início de fevereiro, quando se intensificaram os protestos. Se Dudamel estivesse tão preocupado com a paz e o amor, ele no mínimo teria de se dissociar de um governo tão violento e opressor. Não é o que fez até o momento. Mas ainda tenho esperança de que ele venha a se posicionar contra as constantes violações de direitos humanos que estão sendo infligidas ao povo venezuelano pelos seus governantes. As pessoas estão sofrendo. As pessoas estão morrendo. A música perde totalmente o sentido perante uma realidade tão brutal.

Na infância, a senhora chegou a participar de um concerto regido pelo maestro José Abreu, com músicos do Sistema, e depois ganhou uma bolsa para estudar nos Estados Unidos. O que mudou desde então?

Quando eu tinha 8 anos, participei de um concurso do governo venezuelano que dava direito a uma bolsa de estudos – e venci. Meu professor de piano tinha acabado de sair do país e meus pais, que eram de uma família simples da classe média, sacrificaram tudo o que tinham para bancar meus estudos nos Estados Unidos. Eu desejava desesperadamente ficar na Venezuela. Sonhava com o dia em que, adulta, estaria de volta ao meu país natal. Tentei fazer com que meu sonho se concretizasse, mas isso é praticamente impossível nos dias de hoje, em razão dos problemas de que falei. A Venezuela já foi tolerável. Não tínhamos a criminalidade com a qual convivemos hoje. Não tínhamos o ódio e a hostilidade com os quais convivemos diariamente. Hugo Chávez mudou o estado moral e psicológico do país.

Existe algum aspecto positivo do chavismo na vida venezuelana?

O único aspecto positivo do chavismo foi despertar a consciência social das classes média e alta. Eu acredito que nós, como país, não tínhamos tanta empatia pelo sofrimento e pelos problemas sociais como temos hoje. Estamos mais atentos para as necessidades da população de baixa renda, para o desejo de que seus anseios sejam ouvidos e respeitados. Creio assim que, quando e se houver uma transição para a democracia, os novos líderes políticos se mostrarão mais sensíveis a essas desigualdades e à insatisfação que causam – foram elas, afinal, as responsáveis diretas pela eleição de Hugo Chávez em 1998. O caso é que Chávez não buscou remediar as feridas do passado. Não trabalhou por uma sociedade mais homogênea, transparente e funcional. Pelo contrário, ele alimentou a dor e o ressentimento das classes menos favorecidas em relação às classes média e alta. A missão de um líder deveria ser a união, não a divisão. Hoje, porém, a Venezuela é uma nação dividida.

ExPatria, peça para piano e orquestra que a senhora compôs, é uma homenagem às vítimas de homicídio na Venezuela. Como as plateias ao redor do mundo têm recebido essa composição?

Escrevi ExPatria em homenagem às 19 336 vítimas de homicídio registradas em 2011. Mas, só no ano passado, esse número já saltou para cerca de 25 000. Trata-se de uma peça muito complexa e dolorosa, e o que espero é que o público, ao ouvi-la, consiga compreender a nossa dor. No ano passado, gravei a composição com a Orquestra Jovem das Américas, regida pelo maestro Carlos Miguel Prieto. Devemos lançar o disco nos próximos meses.

É verdade que a senhora tomou aulas com a pianista argentina Martha Argerich?

Não, Martha na verdade não dá aulas. Mas ela teve uma influência enorme na minha carreira como concertista. Martha mudou minha vida treze anos atrás, quando me escutou e passou a falar bem do meu jeito de tocar. Depois dos elogios dela, não faltaram convites para me apresentar. E até hoje não faltam.

A arte pode ser separada da política?

Na verdade, a arte não pode ser separada da vida. Não estou lutando pela política, e não estou falando pela política. A minha luta é pela defesa da moralidade e pelo respeito à humanidade. Eu faço oposição à brutalidade e à violação dos direitos humanos. E, como artista, não posso me dissociar do ambiente em que as pessoas vivem. Não importa que emprego você tem ou que tipo de vida leva, você deve ter empatia com a vida humana. O resto vem depois.

03/04/2014

às 14:00 \ Política & Cia

Manifestantes truculentos, que apoiam a truculência fascista na Venezuela, voltam a envergonhar os democratas brasileiros. Vejam no vídeo reportagem da TV Cultura

Perseguida e cassada na Venezuela por defender a democracia e denunciar violência e corrupção no governo de Nicolás Maduro, a ex-deputada Maria Corina Machado foi alvo de manifestantes trogloditas, que, inimigos da democracia, a chamavam de “golpista” e queriam impedir que ela falasse perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado.

A ironia da história é que a deputada foi, ela sim, vítima de um golpe para fazê-la calar-se. Detalhe: ela compareceu à comissão CONVIDADA por seu presidente, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), e pelo líder do PSDB, senador Aloysio Nunes Ferreira (SP).

Os manifestantes truculentos quiseram repetir a pouca vergonha ocorrida durante a visita da blogueira cubana Yoani Sánchez no início do ano passado.

22/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Fernão Mesquita: Por que o Brasil encontra-se hoje na inédita situação do país que sofreu um golpe de Estado mas ainda não percebeu

Petrobras paga o equivalente a 277,64 vezes o valor de Pasadena, e Dilma, que na época era presidente do conselho de administração e assinou o contrato, vem a público declarar que “foi mal informada sobre a operação” (Foto: Estadão Conteúdo)

A Petrobras paga o equivalente a 277,64 vezes o valor da refinaria de Pasadena, e Dilma, que na época era presidente do conselho de administração e assinou o contrato, vem a público declarar que “foi mal informada sobre a operação” (Foto: Estadão Conteúdo)

Artigo publicado no blog Vespeiro

GOLPE COM ANESTESIA

Em 11 de julho de 2012 O Estado de S. Paulo publicou a primeira e quase única matéria que saiu na “grande” imprensa brasileira até a quarta-feira, dia 19, sobre o verdadeiro assalto praticado contra a “nossa” Petrobras envolvendo uma refinaria obsoleta em Pasadena, Texas, que nos foi empurrada goela abaixo daquela forma risonha e franca habitual entre os que têm a certeza da impunidade.

Naquela ocasião, já lá vão 20 meses, o destaque dado à matéria foi inteiramente desproporcional ao escândalo que ela relatava e que envolvia diretamente ninguém menos que a atual presidente da Republica, Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobras quando a falcatrua foi aprovada.

Veja bem, o resumo do caso é o seguinte:

Em 2005 a família Frére, da Bélgica, compra a refinaria de Pasadena por US$ 42,5 milhões. Era uma refinaria pequena que estava desativada e que não tinha condições técnicas de processar o petróleo pesado produzido no Brasil.

Em 2006, ela vende à Petrobras 50% do que comprou por US$ 360 milhões, ou seja, 8,47 vezes mais do que pagou pela refinaria inteira ou 17 vezes mais que o que pagou por 100% de suas ações. O agente direto dessa transação, Alberto Feilhaber, é um desses patriotas que pululam neste governo. Tinha 20 anos de Petrobras em seu currículo mas, àquela altura estava empregado da Astra, a empresa dos tais belgas.

Mas essa primeira mordida não foi bastante. Segundo informou na quarta-feira O Estado de S. Paulo com 20 meses de atraso em relação à sua primeira matéria, a Petrobras se comprometeu por contrato a comprar o restante das ações ao fim de um certo prazo acrescidas de um lucro anual de 6,9%.

Em 2012, ao fim de uma batalha judicial, a Petrobras paga aos felizardos belgas mais 820 milhões e quinhentos mil dólares pelos 50% restantes, perfazendo 1 bilhão e 180 milhões de dólares pelo “mico” inteiro, o equivalente a 277,64 vezes o que eles tinham pago pela empresa, o que obviamente não quer dizer que eles embolsaram sozinhos toda essa multiplicação.

José Dirceu; Antonio Palocci; Dilma Rousseff; Sérgio Gabrielli e Graça Foster: imagine a festa (Fotos: Marcello Casal Jr / ABr :: Gustavo Miranda / Agência O Globo :: Marcus Boeira :: AFP)

José Dirceu; Antonio Palocci; Dilma Rousseff; Sérgio Gabrielli e Graça Foster: imagine a festa (Fotos: Marcello Casal Jr / ABr :: Gustavo Miranda / Agência O Globo :: Marcus Boeira :: AFP)

No meio do caminho, desde 2008 quando entrou em litígio nos EUA contra seus sócios belgas, a Petrobras contrata um escritório de advocacia ligado aos próprios signatários da falcatrua para defendê-los naquele país pela bagatela 7 milhões e novecentos mil dólares…

E quem foi o arquiteto de toda essa operação transcorrida em pleno ano eleitoral?

Um certo senhor Nestor Cerveró, nomeado Diretor Internacional da Petrobras, segundo consta por ninguém menos que José Dirceu, o mais VIP entre os hospedes da ala VIP da Penitenciária da Papuda que ele divide com metade da diretoria do Partido dos Trabalhadores que ainda nos governa, depois que ele já tinha sido apeado da Casa Civil da Presidência da Republica de Lula por causa do Mensalão.

Este senhor Cerveró continuava até hoje na Petrobras como Diretor Financeiro da BR-Distribuidora, imaginem vocês que festa!

As demais figuras de proa envolvidas na operação não estão mais lá.

Dilma Rousseff, a presidente do Conselho de Administração que assinou o negócio proposto pelo preposto de Dirceu, virou presidente da Republica e publica nota oficial no Estado para dizer, candidamente, que “foi mal informada sobre a operação” que aprovou (e certamente continua sendo, posto que o “omisso” mor continua onde estava). Vale a pena ler aqui esta ode à cara-de-pau.

Sérgio Gabrielli, então diretor da Petrobras, é hoje Secretário de Planejamento do governo da Bahia chefiado por Jaques Wagner, que pretende suceder no governo daquele estado, e que na época também fazia parte do Conselho da Petrobras e também assinou o esbulho. Andam juntos desde sempre, esses dois.

Outro figurão cuja assinatura consta desse contrato-confissão é o hoje “consultor de empresas” e então ministro da Fazenda e membro do Conselho da Petrobras, Antônio Palocci.

O arquiteto da história é Nestor Cerveró, que continua na Petrobras como diretor financeiro (Foto: Agência Petrobras)

“O arquiteto dessa obra ocorrida em pleno anoa eleitoral é Nestor Cerveró, que continua na Petrobras como diretor financeiro” (Foto: Agência Petrobras)

Apesar de todos esses elementos já estarem presentes desde a primeira matéria, ela saiu, como disse, perdida numa das páginas internas do jornal.

Dez dias depois, a 21 de julho, o mesmo jornal publica uma matéria assinada pelos mesmos repórteres que assinavam a primeira para, sem mencionar o caso Pasadena uma única vez, contar ao distinto público que dona Graça Foster, que substituiu Gabrielli na presidência da Petrobras, estava “passando um pente fino” em todos os contratos da estatal, além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente, com quem, entretanto, seguia mantendo as melhores relações: “A gente é amigo… A diferença é que você é menino e eu sou menina”.

Não é um amor?

Sobre Pasadena, porém, ela nada mais disse nem lhe foi perguntado.

O resto da grande imprensa brasileira, com exceção da VEJA, praticamente ignorou o assunto.

Seguiu publicando, aqui e ali, os dossiês regulamentares a que figuras nunca nomeadas lhe “dão acesso”, tais como, entre outros, o caso Alstom, velho de 31 anos e envolvendo, entre outras figuras menores do partido, um grande número de membros já falecidos do PSDB, que nesse meio tempo mereceu dúzias das manchetes que todos negaram ao caso da multiplicação por 277 vezes do preço de um bem que não nos serve para nada numa transação aprovada pela atual presidente da Republica candidata à reeleição em pessoa.

Nesse meio tempo, ainda, a Petrobras, por essas razões e por outras ainda piores, teve seu valor de mercado reduzido em 43% (desde 2010), algo equivalente a R$ 165 bilhões de prejuízo para seus acionistas ao redor do mundo, os mesmos de cujo dinheiro depende a reforma da infraestrutura brasileira que, nestes 12 anos à frente do destino da Nação, o PT permitiu que se transformasse em sucata depois de dissipar na compra de votos e na contratação de “companheiros” todo o dinheiro que poderia tê-la resgatado e modernizado minimamente.

(PARA TERMINAR DE LER, CLIQUE AQUI)

19/03/2014

às 19:45 \ Política & Cia

VENEZUELA: A jovem deputada da oposição chama Maduro pela palavra certa — ditador

Deputada oposicionista, María Corina Machado participa de protestos em Caracas

A deputada oposicionista María Corina Machado participa de um protesto em Caracas: coragem de chamar as coisas pelo nome certo

Post do leitor e amigo do blog Moacir 1

Post do LeitorNa Venezuela jovens e velhos, estudantes e trabalhadores continuam defendendo suas barricadas nas cidades venezuelanas e multidões tomam as ruas de Caracas. Entre as bandeiras agitadas a gente consegue ver enormes bonecos .

Alguns dos quais muuuuito parecidos com o “comandante” Maduro.

E de repente nos deparamos com uma mulher franzina, de aspecto jovem em seus 40 anos. A corajosa deputada oposicionista Maria Corina Machado.

Ela faz um discurso emocionado, para lembrar aos que ali estão que manifestação pacífica é um direito de todos.

Que as guarimbas (como são chamados os agitadores infiltrados que incitam a violência em meio aos protestos) não estão sendo estimuladas por nenhum líder opositor.

Não tem medo de chamar Maduro do que ele é: DITADOR!

Em seus discursos, María Corina pede aos hermanos…

* que não deixem de ir para a rua pedir justiça para os assassinos de 28 venezuelanos;

* clamem pela liberdade para os mais de 400 presos políticos e para a imprensa;

* que não desistam de dar um “basta” à violenta repressão do regime;

* que insistam no apoio internacional contra todos os crimes que vêm sendo sistematicamente cometidos contra os direitos humanos pelo chavismo.

E exige, ainda, solução para os verdadeiros problemas da Venezuela: os terríveis indicadores de criminalidade, a inflação, a loucura cambial, a desindustrialização, o desabastecimento, a intromissão de Cuba nos assuntos do país.

María Corina luta como uma gigante, pela liberdade e pels direitos humanos

María Corina: “lá está ela, de jeans, pequenina, lutando feito um gigante”

Aquela jovem senhora, pela qualidade de seu discurso, poderia estar vivendo tranquilamente em qualquer lugar civilizado do vasto mundo.

Mas lá está ela, de jeans, pequenina, lutando feito um gigante.

A multidão avança quando termina o discurso:

Milhares tomas as ruas em protesto

Milhares tomas as ruas em protesto

e os democratas venezuelanos saem dali esperançosos:

venezuela-manifestacao

Até algum blog da vida noticiar que María Corina, ao tentar embarcar em um voo doméstico no aeroporto de Caracas, foi agredida por um grupo de chavistas enfurecidos que, não contentes,  tentaram invadir e depredar o aeroporto, como mostra o vídeo:

Diante disso, nos resta a pergunta:

Como é que as coisas chegaram a esse ponto na Venezuela?

LEIAM TAMBÉM:

O que está por trás do tímido tratamento do governo do Brasil aos protestos na Venezuela?

Post do Leitor com VÍDEOS: O mito da saúde em Cuba e os médicos cubanos submetidos a regime análogo ao de escravo no Brasil

VENEZUELA: Em vídeo, misses se unem para pedir paz

VENEZUELA: A NOTA DO PT SOBRE O QUE OCORRE NO PAÍS É ASQUEROSA. E mostra nas mãos de quem nós, brasileiros, estamos

Nas ruas da Venezuela, cenas de guerra civil

19/03/2014

às 14:00 \ Política & Cia

VÍDEO: Em discurso na Venezuela, Rui Falcão elogia os regimes “bolivarianos” e diz falar em nome “do povo brasileiro”

"Tenham a certeza da solidariedade do Partido dos Trabalhadores e DO POVO BRASILEIRO para defender a revolução bolivariana na Venezuela" - Rui Falcão, em visita a Caracas (Foto: Reprodução)

“Tenham a certeza da solidariedade do Partido dos Trabalhadores e DO POVO BRASILEIRO para defender a revolução bolivariana na Venezuela” – Rui Falcão, em visita a Caracas (Foto: Reprodução)

O deputado estadual e presidente do PT, ex-jornalista Rui Falcão, que já demonstrou apoio à repressão chavista às manifestações de protesto contra o governo Nicolás Maduro na Venezuela, esteve em Caracas para participar de solenidades referentes ao aniversário de um ano da morte do caudilho Hugo Chávez.

Em um discurso em um quartel, que começou com meia dúzia de palavras em portunhol, Falcão comparou a “ameaça do império” que julga existir contra a Venezuela à “ameaça do império” que instalou a ditadura no Brasil há 50 anos.

Falando “em nome de dois milhões de militantes do partido dos trabalhadores”, Falcão lançou diatribes contra “a elite”, contra as “ameaças do império”, contra a “imprensa manipuladora” e, supostamente “em nome do povo brasileiro”, declarou “trazer solidariedade ao povo venezuelano, ao governo constitucional e legítimo do presidente Nicolás Maduro, que enfrenta com coragem as tentativas golpistas – não apenas do império, mas da elite local – que tem sido despida de privilégios históricos, que o comandante Chávez começou a tirar”.

Rui Falcão defendeu a “democracia bolivariana” para os países latino-americanos, ressaltando a eleição de Michelle Bachelet no Chile — certamente, para quem tem conhecimento dos fatos, alguém que não é farinha do mesmo saco — e de Salvador Sánchez Cerén, em El Salvador, além de ter expressado sua certeza na reeleição de Dilma no Brasil.

O discurso ocorreu no dia 14 passado, mas merece ser apreciado como exemplo do que pensa a elite dirigente do lulopetismo.

07/03/2014

às 14:00 \ Política & Cia

O que está por trás do tímido tratamento do governo do Brasil aos protestos na Venezuela?

CONTRA O POVO -- uma integrante da Guardia del Pueblo, uma das milícias chavistas, espanca uma moradora em protesto em Valência, na Venezuela (Foto: Wilfredo Hernández / Diario El Carabobeño)

Uma integrante da Guardia del Pueblo, uma das milícias chavistas, espanca uma moradora em protesto na cidade venezuelana de Valencia (Foto: Wilfredo Hernández / Diario El Carabobeño)

Artido de Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Wilson Center, de Washington

Paulo Sotero (Foto: wilsoncenter.org)

Paulo Sotero (Foto: wilsoncenter.org)

O contraste entre a atitude crítica do Ministério de Relações Exteriores do Brasil à repressão aos protestos em Kiev, na Ucrânia, e a cuidadosa reação à disseminação das manifestações antigovernamentais na Venezuela mereceu destaque em comentários publicados na imprensa brasileira nos últimos dias, críticos à tímida política externa da presidente Dilma Rousseff, em contraste com a ativa diplomacia da administração Lula.

“A situação na Venezuela é diferente da da Ucrânia”, disse Dilma, defendendo a postura de seu governo. Ela ressaltou que a Venezuela alcançou importantes ganhos sociais para os setores mais pobres da população sob um regime democrático e que esses ganhos deveriam ser preservados. Referindo-se aos protestos, a presidente brasileira acrescentou que “o Brasil apoia a liberdade de expressão”, enfatizando que “nós acreditamos, sob em qualquer circunstância, que o diálogo, o consenso e a construção da democracia são melhores do que qualquer tipo de ruptura institucional”.

A maioria dos observadores no Brasil, incluindo os que se opõem à atitude de acomodação em relação aos governos bolivarianos da América do Sul, concorda ser improvável que o conflito na Venezuela conduza a uma situação similar à crise ucraniana, resultante de uma mudança de governo.

Mesmo críticos do chavismo consideram ingênua, perigosa e potencialmente contraproducente a estratégia do líder oposicionista venezuelano Leopoldo López de forçar um enfrentamento com o presidente Nicolás Maduro. “Se tivesse êxito, provavelmente levaria a uma intervenção militar e a menos — e não mais — democracia na Venezuela”, diz um analista que acompanha de perto os acontecimentos em Caracas e não tem simpatia nem por Maduro nem por Dilma.

Este analista, refletindo um ponto de vista amplamente compartilhado no Brasil, acha que o encaminhamento mais equilibrado do governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles — que perdeu por muito pouco a eleição presidencial para Maduro no ano passado — é preferível.

Com a economia da Venezuela se deteriorando rapidamente e divisões surgindo no campo chavista, Capriles aposta em uma eleição do tipo recall — quando o eleitorado pode destituir, pelo voto, o eleito, devido a seu desempenho –, que, segundo a Constituição do país, pode ocorrer a partir da metade do mandato de seis anos de Maduro. Tal forma institucional de mudança de regime em Caracas obteria amplo apoio na região.

Como no passado, as inclinações bolivarianas do PT, a estabilidade regional e a proteção dos consideráveis interesses comerciais do Brasil na Venezuela permanecem sendo o móvel dos cálculos de Brasília com vistas à agitação na vizinha República bolivariana. Obviamente, a capacidade do Brasil para a liderança regional, que não tem estado muito em evidência nos últimos tempos, será severamente testada se o presidente Nicolás Maduro fracassar em controlar a situação sem o recurso a violações dos direitos civis, tática que já está causando divisões no campo chavista.

Dilma Rousseff poderia encontrar rumo e inspiração em ações de seus dois antecessores imediatos.

Em 2002, durante seu último ano no poder, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso denunciou uma tentativa de golpe de Estado contra o então presidente Hugo Chávez como sendo uma violação da Carta democrática do continente adotada no ano anterior.

No início de 2003, o recém-empossado presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou a criação de um “Grupo de Amigos” da Venezuela, que ajudou a estabilizar a situação. Em 2008, Lula atuou decisivamente para ajudar a abafar uma crise doméstica na Bolívia, deixando em segundo plano uma estratégia de confrontação apoiada por Hugo Chávez.

GESTO DE APOIO -- Em frente ao Palácio Miraflores, Nicolás Maduro usa capacete para agradar às milícias de motoqueiros chavistas que atacam civis (Foto: Zurimar Campos / EFE)

Em frente ao Palácio Miraflores, sede do governo, o presidente Nicolás Maduro usa capacete para agradar às milícias de motoqueiros chavistas que atacam manifestantes (Foto: Zurimar Campos / EFE)

A atual crise venezuelana parece tornar necessário que o Brasil articule uma resposta coletiva por meio da Unasul (a União de Nações Sul-Americanas). A entidade tem emitido declarações instando os venezuelanos a buscar soluções para suas tensões internas que preservem a ordem constitucional. Uma ação coletiva, porém, não parece iminente. Dentro do governo brasileiro têm surgido opiniões divergentes em relação à natureza da crise venezuelana e sobre como abordá-la.

A simpatia de parte da esquerda pelo governo de Maduro não é amplamente compartilhada pela sociedade brasileira. No dia 19 de fevereiro passado, o jornal Folha de S. Paulo informou que um comunicado do Mercosul — o Mercado Comum do Sul — divulgado dias antes descrevendo os protestos como “ações criminosas praticadas por grupos violentos empenhados em espalhar a intolerância” causou consternação no Itamaraty, onde foi visto como pouco equilibrado e não apto a ajudar na solução da crise.

De acordo com o chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo, a nota do Mercosul foi mal interpretada. “Repudiamos todos os tipos de violência e intolerância, independentemente de sua origem”, disse ele em uma entrevista. “Somos favoráveis ao diálogo com a oposição na Venezuela”. Um fator interno chave nos cálculos de Dilma Rousseff que a crise na Venezuela vem revelando é a impopularidade, entre os brasileiros, dos governos bolivarianos em geral e do chavismo em particular.

 

LEIAM TAMBÉM:

VENEZUELA: Em vídeo, misses se unem para pedir paz

VENEZUELA: A NOTA DO PT SOBRE O QUE OCORRE NO PAÍS É ASQUEROSA. E mostra nas mãos de quem nós, brasileiros, estamos

Nas ruas da Venezuela, cenas de guerra civil

VÍDEO SOBRE A BADERNA NA VENEZUELA: a própria Guarda Nacional do regime depreda veículos particulares

VENEZUELA e um lembrete a Maduro: atirar no povo levou à queda de alguém muito mais poderoso, o xá do Irã, após 37 anos de reinar absoluto

VENEZUELA: Manifestantes acusam mascarados baderneiros de estarem a serviço do chavismo

A declaração de apoio a Maduro informa: o Mercosul começou a agir na clandestinidade e está com cara de organização criminosa

25/02/2014

às 14:00 \ Política & Cia

O cidadão Maradona, cada vez melhor como ex-jogador de futebol, fala em Chávez no céu e diz que oposição ao chavismo lhe dá “asco”

Hugo Chávez no céu

No momento em que os principais países do mundo estão preocupados com a enorme repressão do governo “bolivariano” da Venezuela às manifestações de protesto em curso no país, com mortos e feridos, ele ataca de novo: o velho rebelde Diego Armando Maradona, agora “um soldado” do regime do falecido coronel Hugo Chávez.

Não bastou que Maradona escolhesse esse período tumultuado na vida da Venezuela para assinar contrato como comentarista da rede “bolivariana” de televisão Telesur — mantida basicamente pelo dinheiro público venezuelano — durante a Copa do Mundo do Brasil.

O grande craque do passado, que tem entre suas inúmeras tatuagens uma de Che Guevara e que resolveu se tratar mais de uma vez em Cuba dos graves problemas de saúde que teve por adição a drogas, resolveu também fazer uma declaração de amor ao regime de Chávez e do sucessor, Nicolás Maduro, e pesadas críticas à oposição, que, disse, lhe dá “asco”.

Não escapou nem uma referência a Chávez “no céu”.

Maradona ao assinar contrato com a Telesur: comentarista, "bolivariano" e um "soldado" da Venezuela (Foto: victorhugomorales.com.ar)

Maradona ao assinar contrato com a Telesur: comentarista, “bolivariano” e um “soldado” da Venezuela (Foto: victorhugomorales.com.ar)

Vejam só as declarações do craque feitas ao site do jornalista uruguaio estabelecido na Argentina Victor Hugo Morales:

– Estamos vendo todas as mentiras que os imperialistas estão dizendo e criando [sobre a crise na Venezuela] (…) e eu estou disposto a ser um soldado da Venezuela para o que quiserem, porque a verdade é que esses senhores [da oposição] — se é que se pode dizer que são senhores — já dão asco. Por isso, creio na Venezuela, viva Chávez, viva Maduro, viva a Venezuela e… aguentem firme, aguentem porque Venezuela, Maduro e Chávez no céu nos estão acompanhando. (…) Eu me sinto muito orgulhoso de defender uma pátria bolivariana como o comandante Chávez queria.

Um homem é também produto das escolhas que faz.

Por isso é que, há muitos anos, Maradona continua, para mim, sendo apenas o extraordinário jogador de futebol que foi um dia.

24/02/2014

às 15:00 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: Em vídeo, misses se unem para pedir paz

Génesis Carmona é socorrida após ser baleada em protesto (Foto: Reprodução)

Génesis Carmona é socorrida após ser baleada em protesto: ela não resistiria aos ferimentos recebidos na cabeça (Foto: Reprodução)

Publicado no site de VEJA

EM VÍDEO, MISSES VENEZUELANAS SE UNEM PARA PEDIR PAZ

Os assassinatos de Genésis Carmona, nesta semana, e de Mónica Mootz, em janeiro, desencadearem um protesto por parte das rainhas da beleza do país

A morte da jovem venezuelana Genésis Carmona, alvejada na cabeça durante uma manifestação contra o governo do presidente Nicolás Maduro, desencadeou um movimento de revolta entre as rainhas da beleza do país.

O assassinato de Genésis, de 17 anos, Miss Turismo de Carabobo, chocou o país. Em janeiro, a ex-miss Venezuela, Mónica Spears Mootz, e o seu marido foram mortos em uma tentativa de assalto no mês de janeiro. Frente aos altos índices de criminalidade nas ruas, as ex-misses venezuelanas lançaram nesta sexta-feira um vídeo em que clamam por paz.

O movimento, intitulado ‘Misses4peace’ (Misses Pela Paz, na tradução literal), reúne importantes nomes da história do concurso no país, como Barbara Palacios, eleita Miss Universo em 1986. O vídeo de mais de sete minutos mostra as belas venezuelanas segurando placas com dizeres contrários à violência que se instaurou nas ruas.

As misses também defendem slogans utilizados pelos manifestantes contrários a Maduro, como Pray For Venezuela (Rezem Pela Venezuela) e SOS Venezuela (A Venezuela Pede Socorro).

Ex-Miss Venezuela Monica Spears durante concurso Miss Universo de 2005, em Bangcoc, na Tailândia (Foto: Adrees Latif / Reuters)

A ex-Miss Venezuela Monica Spears durante o concurso Miss Universo de 2005, em Bangcoc, na Tailândia: assassinada durante um assalto (Foto: Adrees Latif / Reuters)

“Não se trata de uma iniciativa política, mas exigimos a paz em nossa amada Venezuela, que hoje chora a recente e violenta morte de duas das nossas rainhas”, diz o comunicado emitido pelas misses e publicado pelo jornal El Universal.

“A Venezuela, antes conhecida como o país das mulheres mais belas do mundo e com maior quantidade de títulos internacionais, incluindo sete Miss Universo, seis Miss Mundo, seis Miss Internacional e dois Miss Earth, agora encabeça a lista dos países mais violentos do planeta”, acrescentaram as misses.

Segundo dados da ONG Observatório Venezuelano da Violência, o país registrou 24.763 mortes violentas em 2013. Além de Carmona, outras quatro pessoas foram mortas nos protestos convocados contra Maduro.

[O índice de assassinatos no país é de 39 por cada 100 mil habitantes por ano, quase o dobro do índice brasileiro, que supera os 23, e o quádruplo do verificado no Estado de Santa Catarina.]

 

LEIAM TAMBÉM:

VENEZUELA: A NOTA DO PT SOBRE O QUE OCORRE NO PAÍS É ASQUEROSA. E mostra nas mãos de quem nós, brasileiros, estamos

Nas ruas da Venezuela, cenas de guerra civil

VÍDEO SOBRE A BADERNA NA VENEZUELA: a própria Guarda Nacional do regime depreda veículos particulares

VENEZUELA e um lembrete a Maduro: atirar no povo levou à queda de alguém muito mais poderoso, o xá do Irã, após 37 anos de reinar absoluto

VENEZUELA: Manifestantes acusam mascarados baderneiros de estarem a serviço do chavismo

A declaração de apoio a Maduro informa: o Mercosul começou a agir na clandestinidade e está com cara de organização criminosa

21/02/2014

às 14:41 \ Política & Cia

VENEZUELA: A NOTA DO PT SOBRE O QUE OCORRE NO PAÍS É ASQUEROSA. E mostra nas mãos de quem nós, brasileiros, estamos

Em nota, Rui Falcão, do PT, lamenta mortes, genericamente, e sua PRINCIPAL preocupação é a com a estabilidade do que esse partido estalinista brasileiro chama de "ordem democrática na Venezuela" (Foto: Struckert)

Em nota, Rui Falcão, do PT, lamenta genericamente “mortes”, mas sua PRINCIPAL preocupação é a com a estabilidade do que o estalinismo brasiliero chama de “ordem democrática na Venezuela”. Na foto, Facão, feliz, posa ao lado do tiranete Nicolás Maduro (Foto: Struckert)

A nota distribuída pela direção nacional do PT a respeito dos gravíssimos fatos em curso na Venezuela é não menos que asquerosa.

Tudo o que ocorre no país, em suma, é culpa única e exclusivamente “da oposição” – a feroz repressão oficial a manifestações de protesto, os bandidos fascistas a serviço do regime que atiram a esmo pelas ruas, os apagões seletivos de energia elétrica em diferentes regiões do país com o objetivo tirar do ar a internet, que é cada vez mais o único veículo para mostrar a verdade, as invasões ilegais de residências pela polícia, a depredação de patrimônio privado (documentada) por agentes da “Guarda Nacional Bolivariana”.

A nota lamenta mortes, genericamente, e sua PRINCIPAL preocupação é a com a estabilidade do que esse partido estalinista brasileiro chama de “ordem democrática na Venezuela”.

Não há uma linha sequer, uma frase, uma só palavra que indique haver qualquer responsabilidade do regime truculento de Nicolás Maduro na atual situação.

Com o devido pedido de respeito aos leitores pela grosseria da afirmação, a nota do PT dá vontade de vomitar.

E mostra nas mãos de quem, infelizmente, estamos.

Leiam e comentem essa peça indigna e infame, que leva como primeira assinatura a do ex-jornalista e presidente do PT Rui Falcão:

Nota do PT acerca da Venezuela 

O Partido dos Trabalhadores (PT), diante dos graves fatos que vêm ocorrendo na República Bolivariana da Venezuela, torna público o que segue:

1. Condenamos os fatos e ações com vistas a desestabilizar a ordem democrática na Venezuela; rechaçamos ainda as ações criminosas de grupos violentos como instrumentos de luta política, bem como as ações midiáticas que ameaçam a democracia, suas instituições e a vontade popular expressa através do voto.

Lembramos que esta não é a primeira vez que a oposição se manifesta desta forma, o que torna ainda mais graves esses fatos.

2. Nos somamos à rede de solidariedade mundial para informar e mobilizar os povos do mundo em defesa da institucionalidade democrática na Venezuela, fortalecer a unidade e a integração de nossos povos.

3. Nos solidarizamos aos familiares das vítimas fatais fruto dos graves distúrbios provocados, certos de que o Governo Venezuelano está empenhado na manutenção da paz e das plenas garantias a todos e todas cidadãos e cidadãs venezuelanas.

São Paulo, 18 de fevereiro de 2014.

Rui Falcão

Presidente Nacional do PT

Mônica Valente

Secretária de Relações Internacionais do PT

21/02/2014

às 14:00 \ Vasto Mundo

VENEZUELA: O nosso gênio da raça falou maravilhas de Maduro durante a campanha eleitoral lá, em 2013. Vejam um exemplo

Nicolás Maduro, o presidente cambaleante da Venezuela, ora enfrentando manifestações de protesto em todo o país, que vem reprimindo com crescente truculência, é alguém muito caro ao ex-presidente Lula.

Durante a campanha eleitoral do ano passado — para uma eleição que Maduro venceu em condições discutíveis, por mínimo percentual de votos –, o gênio da raça brasileira gravou vídeo em apoio ao sucessor do tiranete Hugo Chávez dizendo, entre outras maravilhas, que ele, como integrante do governo Chávez, “se destacou brilhantemente na luta para projetar a Venezuela no mundo e na construção de uma América Latina mais democrática e solidária”.

Quer dizer que tudo isso que está ocorrendo na Venezuela, onde falta até farinha de trigo para a fabricação de hóstia nas igrejas, a polícia depreda propriedades dos cidadãos, invade residências sem ordem judicial e atira nas pessoas, é a continuidade da construção de uma “América Latina mais democrática e solidária”?


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados