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rede de proteção social

04/01/2014

às 19:22 \ Política & Cia

Para a campanha eleitoral, governo quer reforçar a “imagem realizadora” de Dilma. Pergunta-se: realizadora do quê?

Dilma, com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (esq.) e o governador Anastasia (esq.) descerra a placa de inauguração do novo Mineirão -- obra feita por governos tucanos (Foto: Omar Freira / Imprensa MG)

Dilma, com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo (esq.) e o governador Anastasia (esq.) descerra a placa de inauguração do novo Mineirão: obra alheia, feita por governos tucanos (Foto: Omar Freira / Imprensa MG)

Publicado originalmente em 7 de outubro de 2013

campeões de audiência 02Parece até brincadeira. Preocupado com o impacto político da recém-anunciada aliança política entre o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com a ex-presidenciável de 20 milhões de votos em 2010, Marina Silva, o Palácio do Planalto pretende confrontar uma suposta imagem “sonhadora” da adversária Marina com o perfil de “realizadora” da presidente Dilma.

Excetuado o Bolsa Família, que foi consolidado por Lula a partir da “rede de proteção social” estabelecida no segundo mandato de FHC (1999-2003) e simplesmente tocado adiante por Dilma, e dando de barato — mesmo com dúvidas e questionamentos — que o programa “Minha Casa, Minha Vida” ande nos eixos, cabe perguntar quais são, exatamente, outras realizações da “gerentona” até agora.

* Será o crescimento ridículo da economia, com um Produto Interno Bruto que bateu nos 7,5% anuais no último ano do lulalato, caiu para 2,7% no primeiro ano da “gerentona”, desabou para 0,9% no ano passado e Deus sabe a quanto irá este ano?

* Será o descaso com a inflação, empurrada para debaixo do tapete por interferência de arrocho nos preços do petróleo e derivados e nas empresas de eletricidade — entre outras medidas intervencionistas — que, mesmo assim, não deixarão a taxa anual muito abaixo de preocupantes 6%, comprometendo uma enorme conquista da sociedade brasileira?

* Será o saldo pouco divulgado, mas decepcionante, próximo do desastroso, do chamado “Pacto de Aceleração do Desenvolvimento” (PAC), com obras atrasadíssimas, outras inacabadas e outras nem iniciadas?

* Será o pífio resultado das privatizações envergonhadas, que não atraem capital suficiente devido ao clima de insegurança jurídica criado por sucessivas mudanças de regras do jogo promovidas pelo governo?

* Será o descalabro na maior empresa do país, e uma das grandes do mundo, a estatal Petrobras?

* Será o estado triste, lamentável e prejudicial aos interesses nacionais em que se encontra a infraestrutura do país, sobretudo rodovias, ferrovias e portos — sem contar que não se consolidou 1 metro de hidrovias nem se desenvolveu a navegação de cabotagem como forma de baratear o insuportável “custo Brasil”?

Seria, a construção, interminável, da ferrovia Norte-Sul, uma das realizações de Dilma?

Seria, a construção, interminável, da ferrovia Norte-Sul, uma das realizações de Dilma?

* Será o desastre que é o sistema tributário brasileiro, um dos maiores entraves ao livre desenvolvimento da iniciativa privada, ao empreendedorismo e aos investimentos estrangeiros, e que a “gerentona” não moveu uma palha significativa para alterar, a despeito de ter uma supostamente imensa base de apoio no Congresso?

* Será a barafunda imoral que é nossa política e nossa legislação partidária e eleitoral, que a ilustre gerente alegou ao tomar posse ser uma de suas prioridades, e para a qual não dedicou um percentual mínimo de sua atenção e energia?

Poderia continuar com mais “serás”, mas mudo o foco deste post para fazer outras perguntas:

* Qual é a grande obra do governo Dilma?

* Além de dar o pontapé inicial em estádios de futebol para a Copa de 2014, como fez, entre outras várias cidades, em Belo Horizontes — num novo Mineirão de reforma planejada no governo do tucano Aécio Neves e concluído no governo do também tucano Antonio Anastasia, que grande obra de interesse geral do país a presidente inaugurou?

* Quem sabe como anda a construção, interminável, da ferrovia Norte-Sul?

* Quem sabe o que é feito da ferrovia Transnordestina?

* Quem ainda acredita que um dia existirá um trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro?

* Qual foi a grande rodovia ou duplicação de rodovia cuja fita inaugural haja sido cortada por Dilma?

* Que novas hidrelétricas fez seu governo?

* Quantas regiões do Nordeste as caudalosas águas do rio São Francisco estão banhando, com a transposição que não acaba nunca?

* Quando é que termina a construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, com prazos estourados e um calote fenomenal aplicado pelo infeliz sócio escolhido por Lula para o empreendimento — o governo chavista da Venezuela?

Para finalizar, uma ironia: nem em seu próprio terreno ideológico a presidente apresenta resultados de “grande gerente”: na primeira página do Estadão de hoje, a mesma que traz em manchete a estratégia de apresentar a presidente como “realizadora”, aparece nota informando que Dilma não assinou um único decreto de desapropriação de terras para reforma agrária em 2013.

Quando é que termina a construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco? (Foto: Hélia Scheppa / JC Imagem)

Quando é que termina a construção da refinaria Abreu Lima, em Pernambuco — para a qual o governo levou um memorável calote dos sócios e “amigos” chavistas da Venezuela? (Foto: Hélia Scheppa / JC Imagem)

Segundo o jornalista Roldão Arruda, este ano caminha para ser o pior em distribuição de áreas desde 1985. “Dilma pode ficar atrás até de Fernando Collor”, diz a chamada de primeira página do jornal, “o presidente que menos se interessou pelo tema em 28 anos, com quatro decretos [de desapropriação assinados]. Fernando Henrique lidera com 845 decretos em 1998″.

“Realizadora”?

24/04/2013

às 12:00 \ Política & Cia

A oposição — que muitos chamam de “oposicinha” — quer fazer oposição? Que tal lembrar certos fatos que o lulopetismo esconde, envergonhado?

Dirceu, na época em que era braço direito do então presidento Lula: a memória do PT é muito seletiva. Cabe à oposição, se quer mesmo fazer oposição, começar apor lembrá-las (Foto: veja.abril.com.br)

Post publicado originalmente às 16 hortas de 23 de abril de 2013

Ao exigir no Congresso que o governo envie à Justiça os resultados do inquérito administrativo que apurou as bandalheiras de que é acusada Rosemary Noronha, a “Rose”, amigona do ex-presidento Lula que fez do gabinete da Presidência em São Paulo uma central de tráfico de influências, a oposição começa a parecer que quer mesmo fazer oposição.

Neste caso específico, ficou faltando o maior partido da oposição, o PSDB, mas, de qualquer forma, o presidenciável Aécio Neves vem aumentando o tom de críticas ao governo lulopetista desde que, em fevereiro, criticou o que considerou os 13 principais fracassos do governo.

Mas ainda é pouco para uma oposição de verdade.

Como modesta contribuição ao banco de ideias da oposição, este blog sugere que a oposição, para deixar de ser “oposicinha”, comece por refrescar a memória coletiva brasileira, que é curta — enquanto a de boa parte dos lulo-petistas extremamente seletiva –, lembrando aos cidadãos que Lula e sua turma, ALÉM DO ESCÂNDALO TENEBROSO DO MENSALÃO, entre outros episódios que mencionarei futuramente…

*… foram contra a eleição de Tancredo Neves como presidente da República em 1985, ato que encerraria a ditadura militar, dando lugar a um regime civil que restauraria as liberdades públicas e a democracia.

Tancredo Neves discursa já como presidente eleito para restaurar a democracia no Brasil, em 1985: o PT não apoiou sua eleição (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Os então deputados petistas que votaram em Tancredo – Ayrton Soares (SP), Bete Mendes (SP) e José Eudes (RJ) — foram expulsos do partido.

*… não participaram da solenidade de homologação da nova Constituição democrática, a 5 de outubro de 1988, e deixaram claras suas “ressalvas” ao texto aprovado por todos os deputados e senadores de todos os partidos.

Os petistas assinam a nova Constituição, porque era uma formalidade inescapável, mas o próprio Lula, então deputado constituinte, pronunciou um longo discurso 12 dias antes da promulgação, a 23 de setembro de 1988, dizendo, com todas as letras: “O partido [PT] vota contra o texto, e amanhã, por decisão do nosso Diretório – decisão majoritária – assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nessa Constituinte”.

* … defenderam em 1989 o calote da dívida externa brasileira, com Lula candidato à Presidência – seria derrotado no segundo turno por Fernando Color –, medida que levaria o Brasil à bancarrota e à desegraça, faria secar os investimentos externos por tempo indeterminado e transformaria o país em pária internacional.

* … recusaram-se num momento de gravíssima crise institucional, no final de 1992, a colaborar com o vice Itamar Franco, que assumiu em definitivo a Presidência com o afastamento de Fernando Collor e, no Planalto, tentou fazer um governo de grande acordo nacional — que o PT não quis — para tirar o país do caos econômico e da derrocada moral a que o levara seu antecessor.

A ex-prefeita petista de São Paulo Luiza Erundina, uma exceção, cometeu o “crime” de cooperar com o presidente Itamar como ministra da Administração e viu-se obrigada a deixar o PT.

* … combateram radicalmente, sem tréguas, o Plano Real, classificando como “eleitoreiro” o mais bem sucedido programa de estabilização da moeda da história econômica do país, concebido por equipe reunida pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e bancado pelo presidente Itamar.

O então ministro da Fazenda Rubens Ricupero e o Presidente Itamar Franco com as primeiras cédulas do Real, em 1994: o plano que estabilizou a economia foi ferozmente combatido pelos petistas -- cujos governos, depois, tanto se beneficiaram dele (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Sem o Plano Real, como se sabe, os proclamados êxitos econômicos do lulalato não existiriam.

* … se opuseram ferozmente a todas as privatizações que, durante os dois mandatos de FHC (1995-2003), dinamizaram e modernizaram a economia do país, aumentaram a arrecadação de impostos, diminuíram o peso do Estado, melhoraram a competitividade do Brasil no mercado internacional e tornaram o país terreno fértil para investimentos estrangeiros.

A oposição do lulo-petismo, que não esteve alheio à participação em atos de hostilidade e mesmo da agressão física a empresários e autoridades durante leilões na Bolsa de Valores, incluiu a da telefonia, que permitiu entre outros resultados que o país pulasse em menos de duas décadas de 800 mil celulares para os mais de 200 milhões que tem hoje.

* … manifestaram-se em 1999 inteiramente contra a adoção de um dos três pilares da estabilidade do país – a política de câmbio flutuante.

No mesmo ano, declararam-se contrário ao segundo deles, a política de metas de inflação.

No ano seguinte, combateram e votaram contra o terceiro pilar do tripé que, ironicamente, propiciaria um governo extremamente favorável ao próprio Lula – a Lei de Responsabilidade Fiscal .

Uma vez no poder, os três pilares — elogiados por integrantes da equipe econômica petista — serviram para Lula, beneficiado pelos preços internacionais dos principais produtos de exportação do país, deitar e rolar.

* … foram raivosamente contrários ao Proer, o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional, instituído por FHC para impedir a implosão do sistema bancário do país e o caos econômico que desencadearia — para, depois, quando veio a grande crise financeira internacional de 2008, Lula se vangloriar do vigor dos bancos brasileiros.

O principal guru econômico do lulalato, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, foi dos poutos lulopetistas que teve a dignidade de reconhecer a enorme valia do Proer. Lula só falou mal e, depois, faturou.

* … inventaram e propagaram uma campanha de teor golpista e antidemocrática, o “Fora FHC”, tão logo o presidente iniciou em 1999 o segundo mandato, para o qual, derrotando Lula, foi eleito por MAIORIA ABSOLUTA dos eleitores brasileiros, e no PRIMEIRO TURNO.

* combateram e criticaram, a partir de 2001, várias medidas da chamada “rede de proteção social” estabelecida pelo governo FHC, como o Bolsa Escola, o vale-alimentação, o vale-gás, o auxílio a mulheres grávidas que fizessem todos os exames do prénatal e o auxílio a famílias que evitassem o trabalho infantil de seus integrantes.

Os distintos programas que Lula e seus seguidores, na oposição, consideravam “esmola” e parte de uma suposta ação eleitoreira viriam a ser unificados durante o lulalato e transformados em sua principal vitrine: o Bolsa Família — utilizado, como todos sabemos como O instrumento eleitoreiro por excelência.

É evidente que muita gente, no Brasil, se lembra disso — mas muitíssimos se esqueceram, e muitos eleitores jovens mal souberam ou jamais se inteiraram desses fatos.

Então, para um começo de conversa, a oposição poderia lembrar uma vez por semana, em discursos ou entrevistas, essas verdades da vida que o lulopetismo escondeu, envergonhado.

Já seria um começo.

27/10/2012

às 20:10 \ Política & Cia

ELEIÇÕES: em São Paulo não se trata apenas de escolher um prefeito — é preciso brecar um projeto hegemônico do PT que ameaça a democracia

Serra e Haddad: o voto contra o PT é contra um projeto hegemônico que ameaça a democracia no Brasil (Fotos: veja.abril.com.br)

Post publicado originalmente a 16 de outubro de 2012

No próximo dia 28, em São Paulo, a maior e mais importante cidade do Brasil, não estará sendo apenas eleito um novo prefeito, escolhido entre José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT).

Estará em jogo, mais que isso, decidir se o PT prosseguirá, ou não, com seu projeto hegemônico, de “cristinakirchnerização” da vida pública brasileira, de ocupar com seus quadros todos os espaços possíveis, de tornar difícil, se conseguir, a vida da imprensa livre, de permanecer no poder custe o que custar, mesmo depois do mensalão.

Estará em jogo, em última instância, uma fatia importante da democracia brasileira.

O tucano José Serra, então, é um novo Messias? É o melhor candidato da história da República? É um super-herói sem máculas que barrará o avanço dos malvados vilões da fita?

O petista Fernando Haddad, por sua vez, seria o demônio personificado? Um troglodita político que esmagará a porretadas as liberdades públicas, de seu gabinete no Viaduto do Chá?

Nada disso, é claro.

Serra tem qualidades que o ódio de seus inimigos não reconhece: enorme experiência, um saldo muito positivo como secretário do Planejamento do governador Franco Montoro (1983-1987), como um dos deputados mais ativos da Constituinte, um senador profícuo, um ministro da Saúde que marcou época, um prefeito efêmero, mas eficaz, da cidade de São Paulo, um excelente governador do Estado durante três anos e meio.

Tem defeitos? Deus sabe que sim: é excessivamente centralizador, não ouve quase ninguém, deveria ser menos arrogante e ter mais respeito pelos adversários (e, às vezes, pelos próprios aliados), ostenta um péssimo humor que não ajuda em nada suas tarefas.

Pesam contra ele acusações? Sim, pesam, a começar pela tal história do tal Paulo Preto. Mas não custa lembrar que o PT está há dez anos no poder, há dez anos tem o Ministério da Justiça, há dez anos manda na Polícia Federal. Se trabalharmos com fatos, a pergunta é obrigatória: onde estão as investigações, ou sequer os indícios de qualquer irregularidade?

Haddad é um quadro novo, relativamente jovem (além de não aparentar seus 49 anos) e promissor do PT. Professor da USP, bacharel, mestre e doutor e, diferentemente da maioria dos graduados petistas trabalhou, sim, na iniciativa privada, e ainda mais no setor financeiro. Já está na vida pública há 11 anos, com passagem pela área de economia e planejamento tanto na Prefeitura de São Paulo como trabalhando com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Seus sete anos como ministro da Educação do lulalato e de Dilma foram um período de altos e baixos, e o saldo, a despeito de seus esforços, não passou de medíocre e controvertido.

O problema não está em Haddad, cujas qualidades incluem a afabilidade pessoal e o bom trato com assessores e subordinados.

Lula leva Haddad a tiracolo para a fato antes inimaginável: mendigando minutos na TV de Maluf na casa de Maluf (Foto: Folhapress)

O problema é o projeto de que Haddad – por força do dedazo de Lula, que o empurrou como candidato goela abaixo do PT paulistano — faz parte. Haddad, que Lula levou pela mão no humilhante e outrora absolutamente inimaginável peregrinação até a casa de Paulo Maluf, quando vendeu mais uma parte da alma do PT em troca e menos de 2 minutos de tempo na TV.

O projeto de Lula, que é também…

* o projeto de comprar o Congresso com dinheiro sujo, e subordiná-lo ao Executivo,

* o projeto de José Dirceu, do “bater neles nas urnas e nas ruas”,

* o projeto de que cooptou quase todo o leque partidário à custa de cargos, vantagens e tudo o que antes se criticava da “velha política” brasileira no afã de alcançar, dispor de e manter o poder até onde a vista alcança,

* o projeto de um “núcleo duro” que, com raríssimas exceções, nunca escondeu seu desprezo pela “democracia burguesa”,

* o projeto de Rui Falcão, aquele que, embora membro dela desde sempre, denuncia “a elite” e ofende o Supremo Tribunal Federal ao incluí-lo entre a oposição “conservadora, suja e reacionária”,

* o projeto da turma de Franklin Martins, que ressurge dentro do PT querendo o “controle social” da imprensa, sinônimo de calar a imprensa livre,

* o projeto dos que consideram as consideram as condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal a mensaleiros e ladravazes como um “golpe” da oposição –coitadinha dela — e da imprensa, um improvável e espantoso golpe contra um EX-presidente, não aceitando as regras mais elementares da democracia e do Estado de Direito,

* o projeto de quem, propositalmente, martela nos ouvidos da opinião pública que quem se opõe aos desígnios do PT “é contra o Brasil” — como fazia a ditadura militar com o “ame-o ou deixe-o”,

* o projeto de quem esvaziou, desmoralizou e politizou as agências reguladoras — criadas para serem entes de Estado, e não de governo, com padrão e ação técnicos –, distribuindo-as como moeda de troca entre partidos,

* o projeto de quem inchou com milhares de militantes partidários os quadros da administração pública,

* o projeto de quem distribuiu cargos gordíssimos e bem remunerados em conselhos de estatais e de fundos de pensão de funcionários de estatais a sindicalistas “companheiros” — não pela competência, mas pela afinidade ideológica,

* o projeto de quem prestou, e em menor grau ainda continua prestando, seguidas homenagens a regimes párias como o de Cuba e o do Irã, e estende tapete vermelho a demagogos autoritários como Hugo Chávez ou governantes que pisam nos interesses brasileiros, como Evo Morales,

* o projeto de quem tratou os narco-terroristas das chamadas “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, as Farc, como grupo político no cenário colombiano, e não como os bandidos, sequestradores e assassinos que são, tendo por eles mais consideração do que com os governos democráticos, mas “de direita”, de Bogotá,

* o projeto de quem envergonhou o Brasil se abstendo de condenar, na ONU, regimes que pisoteiam os direitos humanos, concedendo prioridade em desferir caneladas em aliados ocidentais, a começar pelos Estados Unidos,

* o projeto de quem, qual república de bananas, abriu generosamente os braços ao terrorista e assassino Cesare Battisti, concedendo-lhe o status de refugiado político e ferindo os brios de uma democracia exemplar como a Itália, país amigo e terra dos ancestrais de mais de 30 milhões de brasileiros,

* o projeto de quem, na oposição, por décadas se opôs sistematicamente, por razões ideológicas, a medidas que beneficiavam o Brasil, de tal forma que nada que a atual oposição faça possa nem de longe lembrar o comportamento deletério e derrotista manifestado por Lula e o lulo-petismo ao longo de sucessivos governos,

* o projeto a que resiste, como uma rocha, há 18 anos, o eleitorado do Estado de São Paulo, acompanhado há menos tempo pelos eleitores Minas Gerais e, aqui e ali, pelo de Estados como o Paraná, o Pará e Goiás, razão pela qual a conquista da cidade de São Paulo é vista como um passo importante para “descontruir” a administração tucana do Estado e tentar abocanhá-lo em 2014.

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Tancredo discursa já como presidente eleito para restaurar a democracia, em 1985: o PT não apoiou sua eleição (Foto: Dedoc / Editora Abril)

Quase todo mundo sabe, mas, como nossa memória é curta, e a memória de boa parte dos lulo-petistas extremamente seletiva, vale lembrar que Lula e sua turma, entre outros episódios que vou deixar de lado…

*… foram contra a eleição de Tancredo Neves como presidente da República em 1985, ato que encerraria a ditadura militar, dando lugar a um regime civil que restauraria as liberdades públicas e a democracia. Os então deputados petistas que votaram em Tancredo – Ayrton Soares (SP), Bete Mendes (SP) e José Eudes (RJ) — foram expulsos do partido.

 

*… não participaram da solenidade de homologação da nova Constituição democrática, a 5 de outubro de 1988, e deixaram claras suas “ressalvas” ao texto aprovado por todos os deputados e senadores de todos os partidos.

Os petistas assinam a nova Constituição, porque era uma formalidade inescapável, mas o próprio Lula, então deputado constituinte, pronunciou um longo discurso 12 dias antes da promulgação, a 23 de setembro de 1988, dizendo, com todas as letras: “O partido [PT] vota contra o texto, e amanhã, por decisão do nosso Diretório – decisão majoritária – assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nessa Constituinte”.

* … defenderam em 1989 o calote da dívida externa brasileira, com Lula candidato à Presidência – seria derrotado no segundo turno por Fernando Color –, medida que levaria o Brasil à bancarrota e à desegraça, faria secar os investimentos externos por tempo indeterminado e transformaria o país em pária internacional.

* … recusaram-se num momento de gravíssima crise institucional, no final de 1992, a colaborar com o vice Itamar Franco, que assumiu em definitivo a Presidência com o afastamento de Fernando Collor e, no Planalto, tentou fazer um governo de grande acordo nacional para tirar o país do caos econômico e da derrocada moral a que o levara seu antecessor. A ex-prefeita petista de São Paulo Luiza Erundina, uma exceção, cometeu o “crime” de cooperar com o presidente Itamar como ministra da Administração e viu-se obrigada a deixar o PT.

O então ministro da Fazenda Rubens Ricupero e o presidente Itamar Franco com as primeiras cédulas do Real, em 1994: o plano que estabilizou a economia foi ferozmente combatido pelos petistas -- cujos governos, depois, tanto se beneficiaram dele (Foto: Dedoc / Editora Abril)

* … combateram sem tréguas o Plano Real, classificando como “eleitoreiro” o mais bem sucedido programa de estabilização da moeda da história econômica do país, concebido por equipe reunida pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, e bancado pelo presidente Itamar. Sem ele, como se sabe, os proclamados êxitos econômicos do lulalato não existiriam.

 * … se opuseram ferozmente a todas as privatizações que, durante os dois mandatos de FHC (1995-2003), dinamizaram e modernizaram a economia do país, aumentaram a arrecadação de impostos, diminuíram o peso do Estado, melhoraram a competitividade do Brasil no mercado internacional e tornaram o país terreno fértil para investimentos estrangeiros.

A oposição do lulo-petismo, que não esteve alheio à participação em atos de hostilidade e mesmo da agressão física a empresários e autoridades durante leilões na Bolsa de Valores, incluiu a da telefonia, que permitiu entre outros resultados que o país pulasse em menos de duas décadas de 800 mil celulares para os mais de 200 milhões que tem hoje.

* … manifestaram-se em 1999 inteiramente contra a adoção de um dos três pilares da estabilidade do país – a política de câmbio flutuante. No mesmo ano, declararam-se contrário ao segundo deles, a política de metas de inflação. No ano seguinte, combateram e votaram contra o terceiro pilar do tripé que, ironicamente, propiciaria um governo extremamente favorável ao próprio Lula – a Lei de Responsabilidade Fiscal .

* … inventaram e propagaram uma campanha de teor golpista e antidemocrática, o “Fora FHC”, tão logo o presidente iniciou em 1999 o segundo mandato, para o qual, derrotando Lula, foi eleito por MAIORIA ABSOLUTA dos eleitores brasileiros, e no PRIMEIRO TURNO.

* combateram e criticaram, a partir de 2001, várias medidas da chamada “rede de proteção social” estabelecida pelo governo FHC, como o Bolsa Escola, o vale-alimentação, o vale-gás, o auxílio a mulheres grávidas que fizessem todos os exames do prénatal e o auxílio a famílias que evitassem o trabalho infantil de seus integrantes. Os distintos programas que Lula e seus seguidores, na oposição, consideravam “esmola” e parte de uma suposta ação eleitoreira viriam a ser unificados durante o lulalato e transformados em sua principal vitrine: o Bolsa Família — utilizado, como todos sabemos como O instrumento eleitoreiro por excelência.

Por tudo isso, e por mais que se poderia relacionar aqui, o voto CONTRA o PT em São Paulo se impõe — para impedir que um projeto hegemônico que, misturando belas palavras e sorrisos com ameaças, pretende moldar a democracia brasileira a seus desígnios.

01/03/2012

às 19:15 \ Política & Cia

O comunista Netinho, em entrevista, adota posições que antes o lulo-petismo demonizava como “neoliberais” — e passa por uma saia justa

Netinho durante a campanha eleitoral de 2010: abraçando ideias que criticava, e enfrentando uma saia justa (Foto: VEJA)

Aos poucos eles vão chegando lá.

Passaram anos maldizendo os governos Itamar Franco-FHC para, depois, abraçarem sua política econômica, ampliarem como invenção sua a rede de proteção social de FHC — rebatizada de Bolsa Família — e, finalmente, adotar linhas de ação que demonizavam, como a concessão de serviços à iniciativa privada.

Refiro-me ao pessoal do lulo-petismo, claro.

Hoje, quinta-feira, dia 1º de março, foi a vez de Netinho de Paula, pagodeiro, apresentador de TV, vereador pelo PC do B, candidato do lulalato ao Senado em 2010, derrotado mas com votação significativa — mais de 8 milhões de votos — e pré-candidato a prefeito de São Paulo.

Em entrevista à Rádio CBN, Netinho disse ser favorável a iniciativas que até há pouco sua turma classificava, com desprezo, de “neoliberais”, como a concessão de serviços de saúde a organizações sociais (entidades não públicas sem objetivo de lucro), o ultrapolêmico pedágio urbano — ferozmente criticado pela esquerda quando aplicado em outros países — e a concessão de rodovias à iniciativa privada.

Ótimo. Que um comunista do B tenha chegado a essas posturas mostra progresso.

A saia justa ficou por conta de pergunta feita na lata pelo jornalista Juca Kfouri:

– Netinho, diga lá: comunista pode bater em mulher?

Referia-se ao episódio policial ocorrido em 2005, quando, em briga com a então esposa, a decoradora Sandra Mendes de Figueiredo Crunfl, Netinho agrediu-a fisicamente, indo o caso parar na Justiça Criminal.

(Leia a respeito deste e de outro caso na coluna de Augusto Nunes).

Netinho, depois de hesitar e de lamentar o fato de Juca ter feito a pergunta, afirmou que se arrepende do que ocorreu, que já havia pedido desculpas em público e até para o público e que, “graças ao PC do B”, aprendeu a respeitar e a defender os direitos das mulheres.

02/06/2011

às 19:10 \ Política & Cia

Em elogio próximo à vassalagem, Dilma diz que Lula foi o “único” presidente que se preocupou com a pobreza

Num elogio ao ex-presidente Lula que atinge as proximidades da vassalagem, a presidente Dilma Rousseff disse que a pobreza “nunca foi olhada como deveria” pelos governantes que a antecederam, exceto por Lula, que, segundo ela, foi o “único” preocupado com a questão da miséria no país.

(Dicionário Caudas Aulete, item 5 do verbete “vassalagem”: “5. Fig. Estado de subordinação, de submissão a outrem; SUBMISSÃO; SUJEIÇÃO: “Tinha um atitude de vassalagem para com o chefe.”)

A presidente soltou a pérola durante anúncio do programa “Brasil Sem Miséria”, que pretende investir 20 bilhões de reais por ano.

Quer dizer, desde a proclamação da República, há 122 anos, o grão-vizir do lulalato é a única e exclusiva estrela a cintilar no céu das preocupações sociais.

Dilma, porém, se esqueceu de muita coisa.

A rede de proteção social de FHC

Para ficar no exemplo mais recente, a presidente não tem o direito de ignorar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), ao mesmo tempo em que atacou a inflação e instituiu o tripé macroeconômico em que se apoiou o lulalato para surfar na prosperidade — metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal –, foi quem instituiu o que chamou de “rede de proteção social”.

Programas como o Bolsa-Educação, o Bolsa-Saúde, o combate ao trabalho infantil mediante recompensas materiais à família das crianças etc. Tudo com contrapartida de cidadania: o objetivo não era apenas de melhorar o rendimento de famílias pobres, mas induzi-las a manter os filhos na escola, fazer com que as gestantes realizassem os exames pré-natais necessários, que os pais vacinassem os filhos — e por aí vai.

Volta o “nunca antes”, embora sem a voz roufenha

Lula juntou injetou mais dinheiro nos programas e juntou tudo no Bolsa-Família, enquanto o controle do cumprimento das contrapartidas de cidadania, antes descentralizado e a cargo de quem entendia do assunto, em coordenação com Estados e municípios — temas de educação com o Ministério da Educação, de saúde com o respectivo Ministérioi, de trabalho infantil com o Ministério do Trabalho e assim por diante –ficou centralizado no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Isso provocou meses de tumulto e de descontrole no atingimento dos objetivos de cidadania, embora, inegavelmente, 8 anos de pesados investimentos no Bolsa Família, apesar das muitíssimas denúncias de fraude no recebimento do dinheiro, hajam trazido uma substancial melhoria de vida a milhões de brasileiros.

A presidente, porém, não precisa exagerar. Não é necessário nem desejável que volte ao “nunca antes neste país”, desta feita sem voz roufenha.

Nem o “pai dos pobres” foi lembrado

Até Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”, introdutor de vasta legislação social no Brasil e a quem Lula, como sindicalista, atacava, e ao qual, como político, passou a admirar, a presidente deixou de lado.

Calma, presidente Dilma.

(Leia a íntegra da reportagem sobre o lançamento do novo programa e mais sobre o discurso de Dilma na Agência Brasil).

 

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