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22/05/2013

às 20:18 \ Política & Cia

Dilma reconhece que foi “desumano e criminoso” o que o PT fez com os eleitores do Bolsa Família nas eleições de 2006 e 2010

Do blog de Augusto Nunes

A presidente reconhece que foi desumano e criminoso o que o PT fez com os eleitores do Bolsa Família em 2006 e 2010

Dilma Rousseff, quem diria, acertou uma: é mesmo “desumano”e “criminoso” assustar os brasileiros cadastrados no Bolsa Família com boatos inquietantes.

Segundo a própria presidente, portanto, foi desumano e criminoso o que fizeram nas eleições de 2006 e 2010 os militantes do PT e seus comparsas alugados.

Para prejudicar os candidatos oposicionistas Geraldo Alckmin e José Serra, espalharam que ambos, se fossem vitoriosos, extinguiriam sumariamente o maior programa oficial de compras de votos do mundo.

Quem fabrica dossiês infames a cada eleição deve achar que a difusão de falsidades é pecado venial.

Como se viu neste sábado, os fregueses do Bolsa Família acreditam em qualquer vigarice.

Essa é a notícia ruim.

A boa é que agora também acreditam que o governo Dilma é capaz de tudo.

 

22/05/2013

às 17:50 \ Política & Cia

Eleições de 2014: começam as pressões para que Eduardo Campos, do PSB, não se candidate a presidente

Eduardo Campos em visita a Santos, no litoral de São Paulo (Foto: Epitácio Pessoa / Estadão Conteúdo)

Eduardo Campos em visita a Santos, no litoral de São Paulo (Foto: Epitácio Pessoa / Estadão Conteúdo)

Talvez o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, chefão do PSB, tenha saído cedo demais para a batalha pela Presidência.

O fato é que suas tropas começam a desanimar. Vejam só o que está acontecendo:

1. Os seis governadores do PSB (dos Estados do Amapá, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Piauí e Pernambuco) dependem fortemente de dinheiro federal para tocar suas vidas, e estão preocupados com o fechamento de torneiras financeiras em Brasília no caso de Campos partir para a rota de colisão com as pretensões reeleitorais da presidente Dilma.

2. As minguadas bancadas parlamentares dos socialistas — 4 senadores de um total de 81, 27 deputados federais do total de 513, 70 deputados estaduais entre os 1.059 eleitos em todo o país — exibem os atuais números graças a coalizões feitas pelo partido, em diferentes Estados, ora com o PT, ora com o PSDB.

Se o Campos partir como candidato a presidente pelo PSB, haverá problemas nas coligações nos Estados e bancadas que já são pequenas tendem a encolher. Já há, portanto, pressão de parlamentares para que o governador adie suas pretensões.

Já há quem diga que o governador torce para que haja uma reviravolta no PT e que Lula, e não Dilma, seja candidato em 2014, porque contra o ex-presidento ele já declarou que não concorrerá jamais.

21/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

O senador Eduardo Suplicy, uma metamorfose ambulante, senador há 23 anos, quer ficar mais oito a partir de 2014

Suplicy: logo ele, o grande defensor da "democracia interna" e das primárias no PT, quer ser candidato só porque Lula garantiu? (Foto: Agência Senado)

Amigas e amigos do blog, nem vou discutir as incontáveis atitudes destrambelhadas do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ao longo dos anos mais recentes de sua carreira, a série de desconcertantes e patéticas cenas a que o público se acostumou desde que o senador, anos atrás, cismou de desafinar o Blowin` in the Wind de Bob Dylan do alto da tribuna do Senado.

Vou-me restringir a seu pleito, uma vez mais recolocado sobre a mesa, de de novo candidatar-se ao Senado para a única vaga em disputa em 2014 por São Paulo, da qual é atualmente o titular, pelo terceiro mandato de oito anos consecutivo. Suplicy quer mais oito, o que o faria chegar, caso eleito e tudo corresse bem, a 32 anos na mesma cadeira.

O senador tem, naturalmente, todo o direito de pleitear a candidatura. Ocorre, porém, que as realidades da vida envolvendo o PT levam o partido a querer composições na chapa que tentará apear do Palácio dos Bandeirantes o governador tucano Geraldo Alckmin. Para tanto, a vaga de candidato ao Senado na coligação que o PT vai liderar na corrida pelo cargo de governador é uma espécie de joia da coroa que o lulopetismo pretende oferecer em troca de mais minutos no horário eleitoral e mais apoio político a seu candidato ao Bandeirantes, ainda não escolhido.

O cardindato petista gostaria de oferecer a vaga a figuras como o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) ou o deputado Celso Russomano (PRB), o Menino Malufinho, que concorreu à Prefeitura no ano passado e liderou as intenções de voto durante bom tempo — mas, no final, não conseguiu chegar ao segundo turno.

Suplicy reage a isso, o que é normal e esperado. A forma de reagir, porém, é que se pode contestar. O senador guarda cópia de carta pessoal que enviou a Lula a respeito do problema — Lula, sempre ele, o sumo sacerdote que resolve tudo no PT em qualquer parte “deztepaiz” — e jura ter obtido a “garantia” de Lula de que o lugar de candidato é seu.

Ora, que raio de “democracia interna” é essa do PT, em que Lula, como um deus, garante isso ou aquilo a torto e a direito?

Sim, sei perfeitamente que no PT as coisas são assim e que a democracia direta foi para a cucuia há muito tempo.

Mas, de todos os lulopetistas de escola, Suplicy é o menos indicado para exibir garantias de Lula como forma de obter uma candidatura.

Ele foi, ao longo de décadas, o maior defensor dentro do PT de eleições primárias, ou seu equivalente, para a escolha de candidatos.

Tanto fez, e tanto reclamou, que conseguiu, ele próprio, disputar COM LULA o direito a ser candidato à Presidência em 2002, lembram-se?

Foram realizadas as eleições internas, Lula levou 80% dos votos, mas Suplicy exerceu seu direito democrático de concorrer.

Agora, ele, Suplicy, esquece completamente esse critério e exibe promessas de Lula como sinal de seu direito supostamente adquirido?

O senador é, efetivamente, uma metamorfose ambulante. E, com essa qualificação, estou sendo até generoso com Sua Excelência.

18/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Vamos cobrar a bufunfa afanada

Cana nos mensaleiros! E que devolvam a bufunfa afanada!!! (Imagem: Besta Fubana)

Cana nos mensaleiros! E que devolvam a bufunfa afanada!!! (Imagem: Besta Fubana)

Por Neil também quero o meu Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

VAMOS COBRAR A BUFUNFA AFANADA

Cadê a bufunfa que estava aqui ? O PT comeu. Não é pouca porcaria: a denúncia do Procurador Geral da República estimou em humildes 135 milhões de reais, dinheiro meu, teu, dele, nosso, vosso, deles, a bufunfa afanada pela Quadrilha Mensaleira. (Groja).

Marcos Valério, que conhece a capacidade cúbica e a velocidade de transmissão da grana no valérioduto, falou em 350 milhões de reais, algo como 175 milhões de dólares. (Troco).

Só Belo Monte já deu um belo monte de grana; orçada em 15 Bi, custou até agora 30 Bi, 15 Bi água abaixo(Mixaria).

Na compra da aprovação da Medida dos Port(c)os, a Madama JÁ encheu as carteiras da Base Alugada com mais Um Biliãozinho. E ainda vem mais. (Pixulé).

Somada, se possível, a bufunfa sumida para o ladrão nestes 12 anos, chuto que vai dar mais do que o Pibinho de 0,9%. Felipão me convocou pra chutar pênaltis.

Os bufunfeiros querem melar o julgamento do STF, que condenou e sentenciou até o Chefe da Quadrilha e Capitão do Time a punições que os levará a ver o sol nascer quadrado.

Assistimos ao vivo o Maior Espetáculo da (Nossa) Terra, o Julgamento dos Mensaleiros corruptores e corruptos ativos e passivos, que condenou e sentenciou quase toda cambada.

Quase toda porque, oi um zum zum zum ficou faltando um, agora na mira do Procurador Geral da República depois que Marcos Valério, que tudo viu e tudo sabe, resolveu abrir a torneira.

Os votos intermináveis e suspeitos de melação do Melandowski, exigiram doses mais elevadas de café com pipoca, drogas sabidamente aditivas e proibidas, que me foram apresentadas pela traficanta afradescendenta Tia Nastácia, quando eu era indefesa criança de uns cinco anos, sujeita às ações deletérias e não republicanas de adultos mal intencionados, a me oferecer as primeiras doses.

Me fizerem comer bife de fígado e tomar chá de alho pra combater pequenas gripes; o perfume quando destapava a chaleira derrubava nosso gato do telhado.

Desculpe meus parágrafos quilométricos, não sou nenhum Hemingway, ganhador do Prêmio Nobel com “O Velho e o Mar”, genial e magrelo livrinho de umas 90 páginas, com frases eletrizantes de 5 ou 6 palavras give or take, todas com as vogais e tudo. Blz.

A pipoca e o café apareciam dissimulados nas linhas e entrelinhas de livros disfarçados de literatura infantil, abrindo caminho para outra droga mais pesada: o Pó de Pirilimpimpim, que me proporcionava viagens mais alucinantes do que o LSD (Foto: leds-magazine.fr)

A pipoca e o café apareciam dissimulados nas linhas e entrelinhas de livros disfarçados de literatura infantil, abrindo caminho para outra droga mais pesada: o Pó de Pirilimpimpim, que me proporcionava viagens mais alucinantes do que o LSD (Foto: leds-magazine.fr)

Acho que Hemingway enfiou uma calibre 12 na boca e puxou o gatilho, não sem antes irrigá-la com generosas doses de “Jake Daniels”, seu néctar predileto. É um dos meus deuses tortos prediletos; o outro é Nelson Rodrigues. Quando anteviu que a palavra “acho” seria escrita “axo”,pediu demissão e se mandou.

Na Novilígua, “acho” é uma das poucas a manter as vogais mas trocou o “ch” pelo “x”, em mais outra Reforma Ortográfica. Quem já sabe qual palavra tem acento ou tracinho no meio, levanta a mão.

A pipoca e o café apareciam dissimulados nas linhas e entrelinhas de livros disfarçados de literatura infantil, abrindo caminho para outra droga mais pesada: o Pó de Pirilimpimpim, que me proporcionava viagens mais alucinantes do que o LSD do Professor Doutor (Harvard) Timothy “Tim” O´Leary.

Por justiça, não esqueçamos “Lucy in the Sky with Diamonds”, “Strawberry Fields Forever” e “Hey Jude” ao citarmos o LSD. Macca e John viajavam adoidado(s); capitalizaram milhões de milhas que Macca usa até hoje.

Jagger e Richards estariam chapados de Pirilimpimpim quando viram que “She´s like a Rainbow” (1972); quem não ouviu, perdeu alguns anos de uma juventude da mais pura “turn on, tune in, drop out”, plena de estonteantes cores lisérgicas

Nosso indigitado traficante, conhecido pelo vulgo de Monteiro Lobato, Chefe da Tia Nastácia, mais perigoso do que o Alemão, do Complexo do mesmo nome, tão complexo que nem Freud explica, como os que fingiu explicar—a herança maldita recebida por Édipo e Electra, legada por seus amantíssimos Mãe e Pai Jocasta e Laio. E põe amantíssimos nisso.

Sob o Primeiro Reinado de Lula o Único, seu Grão Vizir e Poste, Brimo Haddad, tentou pegar Lobato colocando-o na lista afradescendenta pra proteger a pureza das jovens almas; sem chance.

Professores, escritores, intelectuais, leitores que sabem ler e entendem o que leem, viciados, uniram-se em grupos de Maquis, Partisans e demais integrantes de La Resistance, para nos defender das sombras.

Como o beija-flor da lenda urbana do incêndio na floresta, jogo minha gotinha d´água minúscula, mas faço a minha parte. Transmiti o vício aos meus filhos; espero que o transmitam aos meus netos.

Finalmente, voltemos aos inicialmente. O Julgamento e seus resultados foram grandes vitórias na Copa da Decência; o Caneco é nosso.

Tirante a Camarilha dos Quatro e um voto histriônico do Marco Aurélio Mella, em que propunha melar as penas de cana fechada para Dirceu O Inocente Injustiçado e João Paulo Cinquenta Conto Cunha, os votos do Joaquinzão Maravilha e do Celso Mello foram considerados marcos da refundação do País.

Mas somos insaciáveis. Não satisfeitos com o xadrez que Dirceu O Inocente Injustiçado está no limiar de habitar, afirmando que foi “condenado por um Julgamento de Exceção” (e foi; a exceção é o Cara), nós e as redes sociais (a oposicinha se esconde debaixo da cama) exigimos dos Quadrilheiros a devolução da bufunfa afanada.

Por que lembro tudo isso que todo mundo já sabe? Porque esquecer milhões de $$$ jamais,

Cana nos mensaleiros.

18/05/2013

às 17:00 \ Política & Cia

J. R. Guzzo: Carta ao senador Renan Calheiros

Senador, esqueça o passado e pense no futuro (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

Guzzo faz uma sugestão ao presidente do Senado, que vocês lerão abaixo, e profetiza, caso ele a aceite: ""No dia seguinte V. Exa. se verá promovido nos meios de comunicação e na opinião pública a herói da democracia" (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)

Artigo publicado em edição impressa de VEJA

PREZADO SENADOR

É possível que muitos leitores de VEJA, pelo que se pode concluir da correspondência que mandam regularmente para a revista, gostassem de enviar ao senador Renan Calheiros a carta escrita abaixo.

Tristemente, não têm meios para isso. Poderiam até escrever algo muito parecido, mas jamais receberiam resposta alguma; também não dispõem de uma página imprensa para tornar público o que gostariam de dizer eles a voz que não podem expressar.

Exmo. Sr.

José Renan Vasconcelos Calheiros

Presidente do Senado Federal. Brasília. DF

Prezado senador,

V. Exa., como presidente do Senado Federal, é talvez o único político num posto desse nível, em todo o mundo, que recebeu da população de seu próprio país um documento assinado por 1.6 milhão de cidadãos pedindo que renuncie ao cargo que ocupa no momento.

Mais raro ainda, já seria a segunda vez no curto espaço de seis anos, que teria de passar pela mesma desventura: na primeira, em 2007, renunciou à presidência do Senado para não ser cassado, perder o mandato e ficar sem os seus direitos políticos por oito anos.

No mês de maio daquele ano, a revista VEJA revelou que uma empreiteira de obras públicas a construtora Mendes Júnior, pagava 12.000 reais por mês à srta. Mônica Veloso com quem V. Exa. teve uma relação sentimental e uma filha, e da qual havia se separado.

Na ocasião, V. Exa. garantiu que o dinheiro era seu e que a empreiteira apenas o repassava à srta. Veloso.

Naturalmente, prezado senador, ninguém entendeu nada: por que raios uma construtora de obras públicas estaria pagando despesas pessoais do presidente do Senado Federal?

Seguiu-se como muitos ainda se lembram, uma série de investigações que o foram levando, como se dizia antigamente de Anãs para Caifás – ou seja, do ruim para o pior. Ao fim, V. Exa. viu-se atolado por acusações de ter emissoras de rádio em nome de laranjas, emitir notas frias atestando a venda de bois imaginários, favorecer, em troca de remuneração, uma cervejaria em Alagoas etc.

Recebeu seis denúncias formais no Senado, e teve de renunciar à presidência, no fim de 2007, para escapar à cassação do seu mandato, num acordo de cavalheiros com seus colegas de casa. Hoje está de volta ao cargo que teve de abandonar no desespero.

Mas o objetivo desta carta não é falar do passado – o que V. Exa. fez já está feito, e não pode mais ser desfeito. O seu futuro, porém, depende exclusivamente do senhor mesmo. Se tomar determinadas decisões, apagará tudo o que ficou para trás e trocará por uma biografia brilhante o que hoje é uma folha corrida.

Se continuar na toada de sempre, acabará a vida apenas como Renan Calheiros. O caminho para ganhar a redenção é simples – mas como diz o provérbio chinês todas as grandes obras que existem sob o céu começam com coisas simples.

Bastaria que V. Exa. com o plenário lotado e se possível, em rede nacional de televisão, fizesse um discurso mais ou menos assim: “Jamais, enquanto eu for presidente deste Senado, assinarei o projeto de lei aprovado em abril na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados autorizando o Congresso, na prática, a derrubar decisões do Supremo Tribunal Federal. Depois que deixar meu posto atual, lutarei todos os dias da minha vida contra esse projeto e qualquer coisa parecida com ele. Isso não é um discurso. É o anúncio de um fato que vai acontecer”.

No dia seguinte V. Exa. se verá promovido nos meios de comunicação e na opinião pública a herói da democracia.

Isso não vai lhe custar prejuízo nenhum nos seus interesses pessoais. O tal projeto é apenas uma aberração vinda do PT – prevê, por exemplo, que, se o Congresso discordar de uma decisão constitucional do STF poderá convocar um “plebiscito” para resolver a parada, que serão necessários os votos de nove ministros num total de onze para julgar que uma lei é inconstitucional ou que caberá ao Congresso aceitar ou não votos do tribunal que obrigam todos os juízes a obedecer a sua orientação.

V. Exa. ficará com a glória de ter matado a cobra antes que ela pudesse morder. Poderia fazer exatamente o mesmo discurso quanto às tentativas de submeter a mídia a “controles sociais” e a outros truques destinados a recriar a censura.

Já pensou? V. Exa. seria transformado automaticamente e a custo zero, no grande campeão da liberdade de imprensa no Brasil. Poderia, enfim, liderar qualquer causa em prol da decência. Oportunidades para isso como se vê, não faltam.

13/05/2013

às 16:00 \ Política & Cia

Noblat: Dilma já está fazendo o diabo para se reeleger

FAZENDO O DIABO!

Por Ricardo Noblat

Se é possível você se opor ao PT durante toda a sua carreira política, tornar-se vice-governador de São Paulo na chapa do governador eleito pelo PSDB, para depois, às vésperas de novas eleições, passar para o lado do PT em troca de um ministério criado de última hora para abrigá-lo, tudo o que se faça no seu ramo de atuação daqui para frente deverá ser visto como algo natural. Absolutamente natural.

Afif Domingos acumula desde a semana passada as funções de vice-governador de São Paulo com as de ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

Servirá ao mesmo tempo a dois governos comandados por partidos que são ferozes desafetos.

Para não ser forçado a assumir o governo de São Paulo caso Geraldo Alckmin viaje ao exterior, Afif será obrigado também a deixar o país. A não ser que assuma. Por hora, hesita. Pensará melhor a respeito.

Por que Afif não renuncia ao cargo de vice-governador?

Resposta dele: porque nada o obriga a isso.

A vergonha deveria obrigá-lo, mas Afif não a leva em consideração.

Seguirá desfrutando das vantagens e benefícios que lhe oferece o cargo de vice-governador? Ou abrirá mão deles em favor das vantagens e benefícios que lhe garantirá o cargo de ministro?

Faça política há muito tempo e você verá que ela e vergonha são incompatíveis!

Como vice-governador, Afif tem acesso a informações sigilosas sobre São Paulo, o mais rico e poderoso Estado do país e jóia da coroa da oposição.

Quem garante que não as compartilhará com Dilma Rousseff, sua nova patroa? Afinal, ela é a presidente da República. Deve ser uma pessoa bem informada. Estão em jogo os superiores interesses do país!

Lula foi duramente criticado por ter inventado ministérios e cargos só para distribui-los com aliados de ocasião. Afirma-se que nenhum presidente loteou mais seu governo do que Lula.

Com licença: e Dilma? O que a diferencia de Lula em tal quesito?

No seu primeiro ano de governo, Dilma afastou ministros e partidos suspeitos de corrupção. Para se reeleger, carinhosamente chamou-os de volta. E eles voltaram, felizes.

Sem fazer alarde, Dilma dedica-se nos últimos meses a tapar todas as frestas por onde possa entrar oxigênio suficiente para fortalecer seus eventuais adversários nas eleições do próximo ano. Ou pelo menos para mantê-los vivos.

O PSD de Afif poderá vir a apoiá-la presenteando-a com seu tempo de propaganda no rádio e na tv? Solta logo um ministério para adoçar a boca dele.

(CLIQUE AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

12/05/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: Todos juntos, nas vastas tetas do governo federal — e o ex-oposicionista Afif chegou lá

Collor, Afif, Lula e Maluf, tudo junto e misturado (Fotos: Ag. Senado :: Paulo Giandalia / Estadão Conteúdo :: Ricardo Stucker :: Acervo)

Collor, Afif, Lula e Maluf, tudo junto e misturado (Fotos: Ag. Senado :: Paulo Giandalia / Estadão Conteúdo :: Ricardo Stucker :: Acervo)

Por Carlos Brickmann

TODOS JUNTOS, ELE CHEGOU LÁ

Em sua excelente propaganda eleitoral, em 1989, Guilherme Afif Domingos prometia aos eleitores: “Juntos chegaremos lá”.

Demorou, mas metade da promessa foi cumprida: ele chegou lá. Talvez a promessa inteira se tenha realizado, dependendo de como for interpretada.

Juntos, nas fartas tetas do governo federal, estão muitos dos protagonistas daquela campanha: os candidatos Collor, Afif, Lula e Maluf, o então presidente Sarney, o PDT de Brizola, o PMDB de Ulysses, parte do PFL de Aureliano, ex-adversários inconciliáveis, hoje unidos.

O poder, o poder! Como o poder transforma ódios eternos em ternura!

E como é que Guilherme Afif transformou sua opinião sobre Dilma, Lula e o PT a ponto de servi-los como ministro?

Explica o próprio Afif que é servidor de governo, não de partido. Como servidor de governo, quer ocupar o máximo de espaço. Ministro de Dilma, vice-governador de São Paulo, tudo ao mesmo tempo.

E se o governador Alckmin se licenciar, ele assume?

Depende: num dia, disse que não, que bastaria Alckmin avisá-lo antes para que saísse do país e o presidente da Assembleia ocupasse o cargo; no outro dia, disse que poderia ser exonerado do Ministério, assumir o governo e, terminada a licença do titular, voltar a Brasília e ser nomeado de novo.

Sua agenda pessoal passa a comandar o país.

Triste – porque Afif tem preparo, competência e – até agora – coerência.

Triste – porque agora diz que suas críticas a Dilma eram “retórica de campanha”.

Ou seja, o que ele diz não se escreve. Aliás, não se escreve sequer o que ele escreve.

Oi ele aí tra veiz

João Paulo Cunha, mensaleiro condenado, participa de programa de TV do PT (Foto: Antonio Cruz / ABr)

João Paulo Cunha, mensaleiro condenado, participa de programa de TV do PT (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Não, caro leitor, não é nenhum engano: quem apareceu na propaganda do PT, na televisão, foi mesmo o deputado João Paulo Cunha, condenado no Mensalão.

Depois se queixam

Os irmãos Cravinhos, condenados por assassinar a pauladas o pai e a mãe de Suzanne Richtofen, foram autorizados a passar o Dia das Mães em liberdade.

04/05/2013

às 13:16 \ Disseram

Padre Marcelo Rossi: “Se olhar os que estão no governo, a maioria surgiu da CEB.”

“Se olhar os que estão no governo, a maioria surgiu da CEB.”

Padre Marcelo Rossi, criticando a proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de atrair novos fiéis com a retomada das Comunidades Eclesiais de Base (CEB), cujos integrantes participaram da fundação do PT e do MST

02/05/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Igreja evangélica quer Lula como lobista na África

Pastor Valdemiro Santiago, a procura de uma ajuda lá de cima (Foto: Divulgação)

Pastor Valdemiro Santiago, a procura de uma ajuda lá de cima (Foto: Divulgação)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

 LOBISTA DOS EVANGÉLICOS

Não são apenas as grandes empreiteiras brasileiras que pedem ajuda ao ex-presidente Lula para seus negócios no exterior.

O pastor Valdemiro Santiago, líder e fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, tem procurado dirigentes do PT e ministros do governo anterior para solicitar uma audiência com Lula.

Ele quer auxílio para derrubar a proibição da atuação de sua igreja em países africanos, entre eles Angola e Moçambique.

Em troca, oferece até o apoio eleitoral a Dilma Rousseff – que não tem grande simpatia dos maiores líderes evangélicos.

Lula, que ainda não respondeu ao pedido de Valdemiro, tem viagem prevista para a África no fim de junho.

01/05/2013

às 20:10 \ Política & Cia

Dora Kramer: O PMDB dá sinais de que pretende deixar o PT sozinho em mais uma de suas maluquices — agora, o ataque frontal ao Supremo Tribunal

 

No aniversário dos 46 anos do PMDB, Paes de Andrade, Eduardo Paes e Romero Jucá (de costas, no sentido horário), Eduardo Braga, Henrique Eduardo Alves, Renan Calheiros, Valdir Raupp, Sérgio Cabral, Michel Temer (em pé) e Rose de Freitas (Foto: PMDB)

O PMDB se afasta estrategicamente das maluquices do PT. Na foto, aniversário dos 46 anos do partido. Na foto, entre outros, o vice Michel Temer (em pé), o governador Sérgio Cabral (à direita de Temer para quem olha para a foto) e, na mesma ordem, os senadores Valdir Raupp, Renan Calheiros e Eduardo Braga (Foto: PMDB)

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo

ALÍVIO TEMPORÁRIO

Seria de se comemorar não fosse apenas efêmero o efeito que a troca de amabilidades formais tem sobre os constantes atritos entre os Poderes Judiciário e Legislativo. A cortesia põe água na fervura, mas não apaga o incêndio.

Propicia uma sensação de alívio, é verdade. Dá uma reconfortante impressão de civilidade, faz com que acreditemos na resolução dos conflitos por meio do entendimento. A trégua, porém, é temporária: não resiste ao imperativo da realidade, não cura a doença infantil do imobilismo do Congresso frente ao amadurecimento da consciência ativista do Judiciário.

E pelo que se viu do desempenho de petistas na Câmara enquanto os presidentes das duas casas do Congresso procuravam o ministro Gilmar Mendes a fim de apaziguar os ânimos com o Supremo Tribunal Federal, considere-se como forte obstáculo a disposição do PT para a guerra.

Não foi um obscuro Nazareno, mas o ex-presidente da Câmara Marco Maia, representante do partido por dois anos no posto, quem defendeu a emenda que submete decisões do STF ao crivo do Legislativo e ainda propôs outra criando novas limitações à Corte.

Não foi um deputado de menor expressão, mas Fernando Ferro – líder do PT por duas vezes – quem chamou o ministro Gilmar Mendes de “capitão do mato” por ter atendido em caráter liminar o pedido do senador Rodrigo Rollemberg para suspensão da votação em caráter de urgência do projeto que veda a novos partidos partilha do Fundo Partidário e do horário eleitoral na proporção das bancadas congressuais.

Essas e outras violências verbais e conceituais dão a medida do inconformismo do PT com o preceito republicano do equilíbrio e da independência entre os poderes. Note-se, portanto, que a coisa não vai se resolver com panos quentes.

A questão é mais profunda: o PT está com raiva do Supremo, assim como tem raiva da imprensa que não lhe presta reverência, assim como está com raiva de Eduardo Campos porque procura caminho de crescimento político para seu partido fora da área de influência governo-petista, assim como teria raiva do Parlamento caso não tivesse cooptado a maioria mediante métodos relatados pelo STF, assim como tem raiva de qualquer pessoa, grupo ou instituição que não se curve aos seus interesses.

Levando em consideração que o PT é o partido no poder, conta com uma presidente e um ex-presidente com altos índices de popularidade, tudo que diga ou faça tem peso e importância. Logo, a encrenca é de boa monta.

A boa notícia, ora vejam só os senhores e as senhoras, vem do PMDB. Assim como agiram por ocasião da CPI do Cachoeira ao recusar sociedade ao PT na sanha de vingança contra a revista VEJA e o procurador-geral da República, os pemedebistas agora mantêm prudente distância dessa ofensiva.

Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves – ambos do PMDB, respectivamente presidentes do Senado e da Câmara – tomaram a iniciativa de abrir conversações com o STF sobre a ideia de subtração de prerrogativas e a liminar que suspendeu a votação, diga-se, por solicitação de um senador representando diversos parlamentares.

O PMDB pode até não ter outras qualidades, mas tem experiência e juízo suficientes para saber tirar vantagem de determinadas distâncias. A intenção óbvia é deixar o PT isolado em mais uma de suas maluquices, cujos efeitos quase sempre se voltam contra o partido.

Mas, como dito acima, o problema não é simples nem de fácil solução. Ao contrário de alguns desatinos que cometia quando era oposição e não tinham maiores consequências, o PT é governo, usa sem cerimônia os instrumentos à disposição, não guarda respeito à coerência nem desiste com facilidade. Isso faz perniciosa diferença.

 

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