Blogs e Colunistas

Petrobrás

25/04/2013

às 17:30 \ Política & Cia

Aécio apresentará projeto que acaba com a reeleição

Cobrança. Em discurso no Senado, Aécio atacou o PT e propôs ‘reestatizar a Petrobrás’ (Foto: André Dusek / AE)

Cobrança. Em discurso no Senado, Aécio atacou o PT e propôs ‘reestatizar a Petrobras’ (Foto: André Dusek / AE)

Reportagem de Débora Bergamasco e João Bosco Rabello, publicada na seção Política do jornal O Estado de São Paulo

AÉCIO APRESENTARÁ PROJETO QUE ACABA COM A REELEIÇÃO

Mineiro defende mandato de 5 anos que teria validade já a partir de 2014; ideia contraria tese de FHC, que aprovou dois mandatos

O senador e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG) está elaborando um projeto para propor no Senado que vai polemizar e alterar o atual cenário político: ele quer extinguir a possibilidade de reeleição presidencial, de governadores e prefeitos e ampliar de quatro para cinco anos os mandatos de todos os novos eleitos, aplicando, desde já, a regra que poderia afetar a si mesmo caso eleito.

Sua ideia é que, uma vez aprovada, a regra passe a valer já para os vencedores do pleito de 2014, impondo ajustes aos mandatos atuais de senadores e deputados, ampliando-os para forçar a coincidência nas eleições seguintes e fixando-os nos mesmos cinco anos estabelecidos para Presidente da República.

Aécio ainda matura o projeto, mas não esconde a convicção de que os quatro anos previstos na legislação vigente são insuficientes para uma gestão minimamente eficiente de um País ou Estado. A reeleição, por sua vez, condiciona a segunda metade do mandato à campanha eleitoral, submetendo o governo e, por extensão, a população, a uma gestão distanciada dos reais interesses do País. Ele chama de soluções bienais a falta de coincidência das eleições que considera nefasta para a administração pública. Com frequência, classifica de “loucura” eleições de dois em dois anos.

Aécio diz a seus pares estar ciente da dificuldade que seria emplacar um projeto desses no Congresso. Sabe o potencial de influência dos governadores, por exemplo, que têm planos de se manter o maior tempo possível no poder e do próprio governo Dilma Rousseff, que provavelmente exigiria postura contrária de sua bancada ao plano. Mas o mineiro tem seus motivos para entrar nessa batalha e acha que a proposta lhe dá cacife para campanha de 2014.

A seu favor, lembra que não é a primeira vez que defende o fim da reeleição e a mudança do tempo de mandato presidencial. Em 2007, deu entrevistas a favor dessa alteração, mas não tinha ainda força política para influenciar na condução desse processo. Na ocasião, não tinha a clareza que tem hoje sobre as chances de disputar a Presidência por seu partido. Seis anos depois, candidato do PSDB à sucessão presidencial e virtual comandante do partido – será eleito presidente nacional da legenda no dia 19 de maio – sente -se com o espaço necessário para liderar o movimento no PSDB e no Parlamento.

 

Desapego do cargo. Assim como a ex-ministra Marina Silva (sem partido), em segundo lugar nas últimas pesquisas de intenção de voto, o PSDB de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso identificou uma insatisfação do eleitorado com o perfil do político disposto a se manter no cargo a qualquer custo. Defender essa ideia publicamente passa a ideia do desapego, já que a regra se aplicaria a ele próprio. Ironia histórica é que revoga o modelo implantado pelo líder mais carismático de seu partido, e entusiasta de sua candidatura, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que aprovou emenda para viabilizar sua reeleição em 1997.

O gesto, no entanto, se insere na estratégia de remoçar o PSDB, sinalizando com a presença mais efetiva da nova geração do partido, à qual pretende associar sua imagem.

 

Economia

No plano econômico, o senador mineiro já busca a assessoria de novos economistas, com qualificação atestada por grandes expressões do setor. Dessa forma, procura se desvincular do rótulo conservador aplicado pelos governistas aos candidatos de oposição.

Também já prepara o discurso contra as acusações de “privatista” que tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a presidente Dilma Rousseff utilizaram sobre os tucanos nas últimas campanhas.

 

Petrobrás

Nas eleições passadas, o PSDB teve dificuldade para administrar o tema e os próprios tucanos reconhecem que a estratégia dos adversários funcionou bem, especialmente na campanha de 2006, na disputa de Lula contra Geraldo Alckmin. Agora, Aécio vai adotar o discurso de que quer “reestatizar a Petrobrás”, usando o mote para criticar o suposto aparelhamento da empresa e o suposto uso de seus recursos para fins que seriam prejudiciais à boa gestão da empresa.

23/04/2013

às 15:00 \ Política & Cia

NOTÍCIAS DA PETROSSAURO: Autossuficiência? Aquela que Lula jurou há 7 anos termos atingido? Que tal em 2020?

Editorial publicado na seção de Opinião do jornal O Estado de S. Paulo

Sete anos depois de o ex-presidente Lula ter anunciado com estardalhaço a autossuficiência do Brasil em petróleo, o país precisa importar combustível para suprir a demanda interna.

Por causa da gestão que o governo do PT impôs à Petrobrás, a autossuficiência durou pouco e sua reconquista demorará. Como admite a empresa, ela só será novamente alcançada em 2020, em termos plenos (incluindo derivados).

Como outros grandes atos do governo petista, a autossuficiência anunciada por Lula – com as mãos sujas de óleo, imitando o gesto com que, décadas antes, Getúlio Vargas comemorara a descoberta do primeiro poço da Petrobras – no dia 21 de abril de 2006, na inauguração da Plataforma P-50, a 120 quilômetros do litoral fluminense, foi tema de intensa campanha publicitária.

“Quando a Petrobras foi criada, muitos não acreditavam que fosse viável”, disse, em comunicado, o então presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli. “O fato é que, 53 anos depois, ela conquistou a autossuficiência para o Brasil.”

Como a conquista foi “desconquistada”

Mas a administração que afirmou ter “conquistado” essa condição foi responsável também por “desconquistá-la”, pois não conseguiu fazer a produção crescer em ritmo igual ou superior ao do aumento da demanda interna por combustíveis derivados de petróleo.

Em 2012, a produção média da Petrobras foi de 1,98 milhão de barris/dia, mas o consumo total alcançou 2,06 milhões de barris/dia de derivados, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O consumo continua a subir, mas a Petrobras continua a produzir menos. Em janeiro, a produção atingiu 1,96 milhão de barris/dia, menos do que a média de 2012, e, em fevereiro, caiu para 1,92 milhão de barris/dia.

A falta de manutenção adequada dos poços fez a produção cair mais depressa. A necessidade de reparos de maior porte, porque a manutenção não foi feita adequadamente, tem implicado a paralisação das operações por períodos mais longos, o que também contribui para fazer cair a produção global da empresa.

Do lado do refino, o que se constata é que, por terem sido definidos de acordo com critérios políticos e não técnicos, alguns projetos não saíram do papel e outros andam muito devagar, e a um custo muito maior do que o orçado inicialmente.

A refinaria orçada em 2,3 bilhões de dólares — mas que custará 18 bilhões

A construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, é uma espécie de síntese da política da Petrobras na área de refino durante a gestão Lula. Para agradar ao então presidente bolivariano da Venezuela, Hugo Chávez, seu aliado político, o ex-presidente brasileiro colocou a estatal venezuelana PDVSA como sócia (com 40% de participação) da Refinaria Abreu e Lima.

A sócia não investiu nenhum tostão na obra, que está muito atrasada e cujo custo, inicialmente orçado em 2,3 bilhões de dólares, não ficará em menos de 18 bilhões de dólares.

A estagnação da capacidade de refino, por causa do atraso na construção de refinarias, força a Petrobras a importar derivados em quantidades crescentes, para atender à demanda interna. Com a produção do petróleo em queda e sem aumentar a capacidade de refino, a empresa quadruplicou seu déficit comercial no primeiro trimestre do ano, em relação aos três primeiros meses de 2012.

O déficit comercial só no primeiro trimestre: 7,4 bilhões de dólares

De janeiro a março, a Petrobrás aumentou suas importações em 40,2%, mas suas exportações diminuíram 50,3%. O resultado foi um déficit comercial acumulado de 7,4 bilhões de dólares.

A produção, reconhece a presidente da empresa, Graça Foster, só voltará a aumentar a partir de 2014. É possível que, no próximo ano, a produção de petróleo seja igual ou ligeiramente superior, em volume, ao consumo interno de derivados. No entanto, como a capacidade de refino não será aumentada, o país continuará importando derivados.

A autossuficiência de fato, incluindo petróleo bruto e derivados, só será alcançada em 2020, quando, de acordo com seu planejamento estratégico, a Petrobrás estará produzindo 4,2 milhões de barris de petróleo por dia, terá capacidade de refino de 3,6 milhões de barris/dia e o consumo interno será de 3,4 milhões de barris/dia.

20/04/2013

às 13:01 \ Disseram

Graça Foster: “Acho lindo engarrafamento”

“Acho lindo engarrafamento”

Graça Foster, presidente da Petrobras, fazendo graça sobre o fato de que o aumento da frota de veículos leva ao crescimento da demanda por combustíveis — sendo que a Petrobras anda importando combustível

19/04/2013

às 16:00 \ Política & Cia

Notícias da Petrossauro

Por André Magnabosco, do jornal O Estado de S. Paulo

O déficit comercial da Petrobras quadruplicou no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 7,396 bilhões de dólares (14,8 bilhões de reais, no câmbio de ontem).

O número é resultado direto do aumento das importações de derivados, já que, com a produção estagnada, a estatal não tem conseguido suprir o aumento da demanda doméstica.

(CLIQUE AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

10/04/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Uma CPI sobre a Petrobras — cujo objetivo principal, porém, não é descobrir isto ou aquilo, mas pressionar o governo

Dilma Rousseff, Michel Temer e Ideli Salvatti trabalhando juntos para impedir a CPI da Petrobras na Câmara (Foto: José Cruz / ABr)

Dilma Rousseff, Michel Temer e Ideli Salvatti trabalhando juntos para impedir a CPI da Petrobras na Câmara (Foto: José Cruz / ABr)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

A COMISSÃO DA CHANTAGEM

Dilma Rousseff chamou a seu gabinete o vice Michel Temer e a ministra Ideli Salvatti e ordenou que trabalhem para impedir a abertura de uma CPI da Petrobras na Câmara.

A tentativa de criação da comissão é obra de dois grupos do PMDB.

A ala baiana, comandada por Lúcio Vieira Lima, vê uma oportunidade de fustigar o ex-presidente da empresa Sérgio Gabrielli, provável candidato do PT ao governo da Bahia.

Já o líder do partido, Eduardo Cunha, quer usar a CPI para obter mais cargos, como a secretaria executiva do Ministério da Agricultura e uma diretoria da Fundação Nacional da Saúde.

Dilma avalia que a CPI deve ser neutralizada na origem, para evitar que outros partidos aliados também a usem para fazer pressões junto ao governo.

09/04/2013

às 14:40 \ Política & Cia

A ruína do porto de Eike Batista

As obras de reparação do Porto de Açu já estão sendo feitas, mas ainda não há solução para evitar o fundo do poço nas finanças de Eike Batista (Foto: MMX / Divulgação)

As obras de reparação do Porto de Açu já estão sendo feitas, mas ainda não há solução para evitar o fundo do poço nas finanças de Eike Batista (Foto: MMX)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

A RUÍNA DO PORTO DE EIKE

Eike Batista fez uma peregrinação por Brasília e São Paulo na semana passada em busca de saídas para o Porto do Açu, em Campos, no Rio de Janeiro.

No Palácio do Planalto, pediu ajuda para viabilizar o negócio. Sugeriu que o BNDES o auxiliasse financeiramente ou que a Petrobras se comprometesse a usar o terminal. Ouviu um duplo não.

Em São Paulo, tentou sem sucesso aportes dos principais bancos. Os problemas do porto de Eike não são apenas econômicos.

O estaqueamento do estaleiro, que não teve estudo do solo, começou a ruir. Obras de emergência estão sendo feitas para evitar que o porto afunde.

Mas para as finanças de Eike ainda não há solução para evitar o fundo do poço.

07/04/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

Fazendo tudo diferente do Brasil, o México está pronto para decolar

MONTAGEM -- Fábrica de fuselagem traseira de aeronaves da canadense Bombardier em Querétaro, no interior do México: boas estradas, aeroportos e profissionais de sobra (Foto: Alexandre Schneider)

MONTAGEM -- Fábrica de fuselagem traseira de aeronaves da canadense Bombardier em Querétaro, no interior do México: boas estradas, aeroportos e profissionais de sobra (Foto: Alexandre Schneider)

Reportagem de Tatiana Gianini, da Cidade do México, publicada em edição impressa de VEJA

O MÉXICO PRONTO PARA DECOLAR
O país conseguiu reverter a perda de investimentos para a China afastando-se do estatismo e do protecionismo

Em meio à terra vermelha e aos arbustos do semiárido mexicano, enormes galpões de três andares se espalham pela periferia do município de Querétaro, 200 quilômetros ao norte da capital, a Cidade do México. Os prédios pertencem a 32 companhias, entre fabricantes de aeronaves, de motores, prestadoras de serviços e empresas de manutenção.

O complexo ganhou envergadura a partir de 2006, com a aterrissagem da canadense Bombardier, concorrente mundial da brasileira Embraer. Nessa região central do México, são produzidas as fuselagens traseiras dos jatos Global 5 000 e Global 6 000, que depois seguem para a linha de produção no Canadá.

Em outras cidades, existem duas centenas de empresas do setor aeroespacial, que estão entre as principais razões por trás do crescimento de quase 4% registrado pela economia nacional em 2012 – mais que o quádruplo do brasileiro.

Depois de perder durante anos para a China os investimentos de empresas globais, o México tornou-se uma opção vantajosa com o aumento dos salários no país asiático, atualmente apenas 20% mais baixos. Além disso, com outros governos latino-americanos aplicando políticas improvisadas, protecionistas e estatizantes, o país voltou a apimentar o paladar dos investidores.

RECUO -- Fronteira com os Estados Unidos, em Tijuana: a emigração diminuiu (Foto: Gilberto Tadday)

RECUO -- Fronteira com os Estados Unidos, em Tijuana: a emigração diminuiu (Foto: Gilberto Tadday)

“Os mexicanos apostaram no longo prazo, enquanto o Brasil está tentando programas de alívio fiscal e de curta duração para estimular a economia”, diz a americana Lisa Schineller, diretora da agência de análise de risco Standard & Poor’s. “Essa volatilidade dos brasileiros tem um peso grande nas decisões dos investidores”, diz Lisa.

A sina mexicana começou a mudar com a assinatura do Nafta, o tratado de livre-comércio com os Estados Unidos e o Canadá, em 1994. De imediato, o país sofreu para adaptar a sua economia fechada e dominada por monopólios estatais ao cenário de maior concorrência. A sorte também não ajudou.

Em 1995, a crise conhecida como “efeito tequila”, que levou o peso a se desvalorizar 50%, fez o PIB cair 6,2%. Seis anos depois, o ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, arrefeceu a economia americana e, por extensão, a mexicana.

Também em 2001, a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC) e passou a competir ainda mais fortemente com o México. Naquele período, a maior parte dos investimentos na América Latina se concentrava no Brasil, que atraía por ser um exportador de commodities para a Ásia.

A crise financeira de 2008 e 2009 afetou mais o México que o Brasil. Da mesma maneira, a recuperação por lá também foi mais intensa e, em 2010, ambos voltavam a crescer.

FELIZ EM CASA -- A estudante mexicana de desenho industrial Alejandra Rion, de 20 anos (à dir. na frente), com as amigas de curso na Universidade Iberoamericana, na Cidade do México. A nova geração não pensa em cruzar a fronteira em busca de trabalho nos Estados Unidos. Animadas com a expansão da indústria nacional, elas querem trabalhar em solo mexicano. A demanda pelo curso de design aumentou 30% nos últimos dois anos. Alejandra interessou-se pela versatilidade da profissão. "É uma carreira que nos permite atuar numa infinidade de setores da economia, e tem muitas ofertas de emprego", diz (Foto: Alexandre Schneider)

FELIZ EM CASA -- A estudante mexicana de desenho industrial Alejandra Rion, de 20 anos (à dir. na frente), com as amigas de curso na Universidade Iberoamericana, na Cidade do México. A nova geração não pensa em cruzar a fronteira em busca de trabalho nos Estados Unidos. Animadas com a expansão da indústria nacional, elas querem trabalhar em solo mexicano. A demanda pelo curso de design aumentou 30% nos últimos dois anos. Alejandra interessou-se pela versatilidade da profissão. "É uma carreira que nos permite atuar numa infinidade de setores da economia, e tem muitas ofertas de emprego", diz (Foto: Alexandre Schneider)

As duas nações então seguiram caminhos opostos. O Brasil tomou medidas estatizantes, que espantaram os investidores. Elevou os impostos sobre transações financeiras, forçou concessionárias de eletricidade a reduzir os lucros e sobretaxou os veículos importados.

O governo mexicano, por outro lado, continuou abrindo a economia, com a aprovação dos empresários e do Poder Legislativo. Apenas um dia após tomar posse como presidente, em dezembro do ano passado, Enrique Peña Nieto conseguiu que os três principais partidos do país, o velho PRI, o católico PAN e o esquerdista PRD, assinassem um acordo para aprovar reformas essenciais, o denominado Pacto pelo México.

Entre os 95 compromissos, estão o aumento da competitividade, o desmembramento dos monopólios e o fim da política de subsídios. Aos olhos dos mexicanos, os subsídios governamentais, como o que barateia o preço da gasolina, utilizam o dinheiro de todos os contribuintes para beneficiar a fatia mais rica da população, aquela que tem carro.

Enquanto o Brasil está amarrado pelo Mercosul e passa por apuros constantes com seu principal parceiro comercial na região, a Argentina, o México tem tratados de livre-comércio com 44 países. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

30/03/2013

às 16:00 \ Política & Cia

José Nêumanne: Eleição já, para não ter de trabalhar

Dilma, Cid Gomes e Eduardo Campos - e as eleições, só em 2014 (Foto: AE)

Dilma, Cid Gomes e Eduardo Campos - e as eleições, só em 2014 (Foto: AE)

Artigo publicado no jornal O Estado de S.Paulo

ELEIÇÃO JÁ, PARA NÃO TER DE TRABALHAR

Todas as estradas que levam aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) estão bloqueadas por filas de caminhões carregados com a supersafra de 38 milhões de toneladas de soja esperando para descarregar o produto em terminais portuários incapacitados para embarcar tanto grão.

A China, a maior compradora do mundo, está desistindo, à medida que o tempo passa, do que adquiriu e, por causa disso, o minério de ferro não foi ultrapassado pela leguminosa como o maior produto de exportação da nossa Pátria amada, idolatrada, salve, salve!

Enquanto tudo isso ocorre, a presidente Dilma Rousseff põe Antônio Andrade, peemedebista mineiro, no lugar de Mendes Júnior, peemedebista gaúcho, no Ministério da Agricultura. Mas não por causa do apagão da logística ou pelo colapso da infraestrutura, e sim porque trata de acomodar mais partidos em seu superpalanque da eleição de 2014.

A soja tinha de ser entregue faz tempo, mas a maior responsável pela operação desastrosa dos nossos portos só pensa no que vai ter de enfrentar em outubro do ano que vem – daqui a um ano e sete meses. Pode? Pois é! Diante da expectativa de os paulistanos não conseguirem passar o feriado da Páscoa no litoral ao pé da Serra do Mar porque a rodovia Piaçaguera-Guarujá está intransitável, não há um líder oposicionista empenhado em entender, explicar, traduzir e criticar o absurdo.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) não foi solidarizar-se com os caminhoneiros paralisados, mas gastou todo o seu tempo e seu latim para apagar o fogo ateado com as manifestações de apreço de José Serra (PSDB-SP) pelo adversário Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Assim como o governo, a oposição só pensa naquilo para depois da Copa.

Os meios de comunicação não ficam atrás. Apesar de noticiarem o absurdo de uma burocracia que culpa o excesso de produtos a exportar, e não o descalabro dos portos mal administrados e das estradas esburacadas, dão destaque mesmo às potencialidades (se é que há alguma) da Rede de Marina Silva. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

29/03/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Vejam como Lula fez papel de lobista em prol dos interesses de Eike Batista

PARECIA PROMISSO -- Eike, Lula e o lobista Pires Neto deixam o Açu no jato do empresário: ali, eles selaram o plano para tomar das mãos dos capixabas o estaleiro Jurong (Foto: FOTOS CARLOS GREVI/AGêNCIA URURAU/AGIENCIA O GLOBO)

PARECIA PROMISSOR -- Eike, Lula e o lobista Pires Neto deixam o Açu no jato do empresário: ali, eles selaram o plano para tomar das mãos dos capixabas o estaleiro Jurong (Foto: Carlos Grevi /Ag. Ururau/Ag. O Globo)

Reportagem de Malu Gaspar e Daniel Pereira, publicada em edição impressa de VEJA

QUASE DEU CERTO

Com a ajuda do “homem do partido” no grupo EBX, o ex-presidente Lula recrutou ministros para salvar os negócios de Eike Batista. Só faltou combinar com o adversário

A foto acima, tirada em 24 de janeiro, mostra o ato final de um encontro de negócios para lá de promissor. Depois de passarem a manhã inspecionando as obras do Porto do Açu, empreendimento de Eike Batista no litoral norte fluminense, o ex-presidente Lula e o bilionário engataram um papo animado, do qual também participou o diretor de relações institucionais do grupo EBX, Amaury Pires Neto.

A bordo de um ônibus, Lula fez um entusiasmado discurso sobre o que viu. A seu lado, o diretor Pires Neto saboreava um momento de glória. Contratado por Eike em setembro de 2012, ele havia sido defenestrado um ano antes do Fundo de Marinha Mercante, aonde chegou pelas mãos do deputado mensaleiro Valdemar Costa Neto, do PR, em meio a um escândalo que atingiu o Ministério dos Transportes.

Detalhe de Lula, Eike e o lobista, no aeroporto (Foto: Carlos Grevi / Ag. Ururau / Ag. O Globo)

Detalhe de Lula, Eike e o lobista, no aeroporto (Foto: Carlos Grevi / Agência Ururau / Agência O Globo)

Mesmo assim, apregoava ser um homem “do partido” — nesse caso, o PT, e não o PR. Foi Pires Neto quem cunhou, no império X de Eike, o hábito de se referir a Lula pelo codinome “instituto” — pelo fato de serem frequentes os encontros da turma no Instituto Lula, em São Paulo.

O “instituto” deu o tom de otimismo à conversa, e saíram todos dali certos de que o Açu teria novo inquilino: o estaleiro que a Jurong Shipyard, uma das grandes companhias de construção naval do mundo, controlada pelo governo de Singapura, está erguendo no Espírito Santo.

A transferência do investimento de 500 milhões de reais para o Açu era parte de um plano arquitetado semanas antes por Eike, Lula e o governador Sérgio Cabral (PMDB), amigo de ambos, num almoço na sede do grupo X, no centro do Rio.

À mesa, em vez do habitual tom confiante e da pose de empresário de sucesso, Eike clamou por socorro. Sem a ajuda do governo, dizia, teria de abandonar investimentos e enfrentar a quebra de algumas empresas. Ele se queixou ainda de a Petrobras ter cancelado, em novembro, a contratação de cinco sondas da OSX e de um parceiro grego.

E expôs seu plano, enfatizando que seria providencial a associação com a Jurong. Resolveria o impasse criado pela debandada de clientes do Açu e ainda passaria adiante o estaleiro da OSX, que está longe de ficar pronto e já custou bem mais do que o previsto. A Petrobras, por sua vez, poderia compensá-lo contratando duas sondas que a petroleira OGX já encomendou no exterior, mas que ficarão ociosas, dada a pouca quantidade de óleo nos reservatórios.

Com a ligeireza de quem acha muito natural que o Estado sirva aos interesses do PT e aos seus próprios, Lula desencadeou uma operação de governo para ajudar o amigo. Usando chapéu de ex-presidente, comportou-se como lobista — algo que já vinha fazendo em viagens
pelo mundo a soldo de empreiteiras, como revelou a Folha de S.Paulo na semana passada.

Só faltou combinar com os capixabas, que não gostaram nada da ideia de ficar a ver navios.  » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

26/03/2013

às 14:45 \ Política & Cia

Prefeitos querem aumentar imposto sobre a gasolina para segurar passagens de ônibus

Primeiro ato de Fortunati pode ser um tiro n'água (Foto: Jefferson Bernardes)

Primeiro ato de Fortunati como presidente da Frente Nacional de Prefeitos deve esbarrar em "não" da presidente Dilma (Foto: Jefferson Bernardes)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

A BOMBA E A CATRACA
Os prefeitos de capitais vão propor a Dilma Rousseff aumentar a Cide — um dos tributos que incidem sobre a gasolina — para, com a arrecadação extra, subsidiar a tarifa de ônibus.

Eles calculam que cada 10 centavos a mais na Cide permitirão diminuir 15 centavos da passagem. A medida, segundo os prefeitos, também reduziria a inflação.

Deverão dar com a cara na porta, já que Dilma prefere cortar a Cide para segurar a inflação e dar folga ao caixa da Petrobras.

A proposta será o primeiro ato de José Fortunati (Porto Alegre), do PDT, como presidente da Frente Nacional de Prefeitos, com Fernando Haddad (São Paulo), do PT, como vice.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados