01/09/2011
às 19:30 \ Vasto MundoSebastián Piñera: conheça o presidente do Chile contra o qual estudantes e outros setores protestam
Com as manifestações de protesto iniciadas há várias semanas por estudantes por mudanças no sistema educacional do Chile, logo transformadas em protestos genéricos contra o governo e secundadas por outros segmentos sociais, entrou novamente em grande evidência o presidente chileno, Sebastián Piñera, um liberal eleito no ano passado por maioria absoluta num segundo turno que disputou contra o respeitado ex-presidente Eduardo Frei, apoiado pela coligação de centro-esquerda Concertación, que há 20 anos governava o Chile.
Piñera, empresário bem sucedido e bilionário, que, a despeito de situar-se à direita no espectro político, se opôs à ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), já havia atraído atenções fora das fronteiras do Chile pela rapidez com que seu governo reconstruiu o país após a sucessão de terremotos que coincidiu com sua posse. Mais tarde, em outubro, acompanhou pessoalmente o dramático resgate de 33 trabalhadores presos há 69 dias por um deslizamento em uma mina de cobre no Deserto de Atacama, no norte do país.
Com os atuais acontecimentos no Chile, achei proveitoso para os leitores do blog conhecerem o presidente, por meio de trechos da entrevista que concedeu à jornalista Mariana Pereira de Almeida, publicada originalmente em VEJA a 10 de novembro do ano passado.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
“Alternância de poder é vital”
O presidente do Chile fala do simbolismo da operação do resgate dos 33 mineiros de San José, dos pilares da economia e da democracia chilenas
Presidente do Chile há 8 meses, Sebastián Piñera já passou por testes que outros governantes jamais enfrentaram. Às vésperas de sua posse, o Chile foi atingido por um dos 5 terremotos mais fortes já registrados e viu uma fração considerável da infraestrutura do país ser arrasada. Logo depois, veio a comoção nacional com o aprisionamento de 33 mineiros em San José, no Deserto do Atacama.
A administração Piñera respondeu com rapidez e eficiência aos desastres. A impecável operação de salvamento dos mineiros, em especial, entrou para a história como um feito de rara e positiva repercussão interna e externa, levando a aprovação popular do presidente a confortáveis 63%.
Professor universitário convertido em empreendedor, Piñera tornou-se um dos homens mais ricos do Chile, com participações acionárias na emissora de televisão Chilevisión, na empresa aérea Lan e na popular equipe de futebol Colo Colo. Com fortuna na casa do bilhão de dólares, ele vendeu ou está vendendo suas ações de empresas, para evitar conflitos com o cargo que ocupa. Piñera falou a VEJA no Palácio de la Moneda, sede da Presidência, em Santiago.
O senhor temeu pelo pior em algum momento, na operação de salvamento dos mineiros?
A maior tensão foi antes do resgate, durante os 17 dias em que os buscávamos às cegas. Eu fui a Copiapó [norte do Chile] e me reuni com os familiares. Os parentes estavam aterrorizados. Assumi o compromisso de que buscaríamos os mineiros como se fossem nossos filhos. Quando se trata de um filho, a gente vai até o fim do mundo para buscá-lo. Isso criou uma aliança de alma e de coração entre os familiares e o governo. O momento do resgate em si foi de muita paz e alegria, porque era o fim de 69 dias de angústia e incerteza.
Normalmente, num acidente desse tipo, o resgate não é prioridade de governo. Por que foi diferente nesse caso?
Quando o acidente ocorreu, muitos assessores recomendaram que mantivéssemos distância do assunto. Acreditavam que a história terminaria com 33 cruzes na montanha e, portanto, não era bom estar vinculado à tragédia. Por alguma razão inexplicável, assim como as famílias dos mineiros, sempre tive uma profunda convicção de que eles estavam vivos. Cada vez que eu ia à mina com minha mulher, voltava mais convencido de que seria possível salvá-los. Visto que a empresa dona da mina era incapaz de assumir o desafio do resgate, era o governo ou não era ninguém. O resgate foi uma mensagem a todos os chilenos de que não vamos deixar ninguém para trás.
(…)
Estrear com 2 desastres nacionais, o terremoto e o soterramento dos mineiros, poderia ter aniquilidado sua Presidência, não?
Fomos atingidos por um dos 5 piores terremotos da história da humanidade e depois sacudidos por maremotos. Esses abalos nos custaram mais de 700 vidas. Ainda há dezenas de chilenos desaparecidos. O terremoto provocou uma destruição material gigantesca, com custo estimado em 30 bilhões de dólares, 18% de nosso Produto Interno Bruto. Mas o Chile não está de joelhos. Ao contrário. Apesar do terremoto e dos maremotos, nós nos comprometemos ainda mais com um programa de governo que tem objetivos claros: deixar para trás o subdesenvolvimento e a pobreza.
Tags: América Latina, capital humano, Chile, Chilevisión, Colo Colo, corrupção, Cuba, democracia, Dilma Rousseff, economia, empreendedor, esquerda, imprensa livre, indigenismo, José Serra, Laurence Golborne, liberdade de expressão, Lula, maremoto, Mario Vargas Llosa, mineiros de Copiapó, nacionalismo, Palácio de la Moneda, relações entre Brasil e Chile, Sebastián Piñera, terremoto, totalitarismo

































Greve afeta nove linhas de ônibus na Zona Oeste de SP
Analistas dizem ao BC que inflação verdadeira supera 6%
SP quer informar velocidade dos ônibus no Google
Governo usará créditos de Itaipu para cumprir meta fiscal
Neymar, no limite, lamenta ser apontado como mau caráter
















