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dinheiro público

13/03/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Está tudo dominado: no Tribunal de Contas, cabrito toma conta da horta

(Foto: fitnessista.com)

Amigas e amigos do blog, certos textos não precisam de comentário algum. Falam por si, como este sobre o Tribunal de Contas da União, supostamente um dos guardiões do bom uso do dinheiro público.

Por Fábio Fabrini — O Estado de S.Paulo

O Tribunal de Contas da União (TCU) blindou seus ministros da divulgação de viagens feitas com verba pública. Decisões do plenário impedem o cidadão comum de saber para onde, e com qual justificativa, as autoridades emitiram passagens aéreas bancadas pelo contribuinte.

A justificativa é que informar deslocamentos pregressos, feitos nos dois últimos anos, pode trazer “risco à segurança” dos integrantes da corte.

A negativa foi dada em processos nos quais o Estadão pediu, via Lei de Acesso à Informação, detalhamento das despesas com voos para “representação do cargo”, ou seja, para cumprir compromissos supostamente institucionais, como palestras, solenidades, congressos e homenagens.

Por meio de uma resolução editada em 2009, os ministros do TCU asseguraram para si próprios, além de auditores, procuradores e subprocuradores do Ministério Público que atuam na corte, o direito aos bilhetes, concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a magistrados.

Segundo a norma de 2009, os integrantes do plenário teriam direito a gastar R$ 43,2 mil [por ano] em voos com essa finalidade. O valor da verba foi atualizado e corrigido pelo IPCA, e, hoje, os ministros podem gastar até R$ 53 mil com viagens.

Para demais autoridades, o montante, atualizado, pode ser de R$ 26,9 mil ou R$ 17,9 mil.

Os dados completos das viagens eram fornecidos pela Secretaria de Comunicação do tribunal até 2011, mas os ministros recuaram. Com a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, em maio do ano passado, passaram a negá-los.

Constrangimento

Os despachos em resposta ao Estado dos ministros Benjamin Zymler e Raimundo Carreiro não explicam como a integridade física dos ministros pode ser ameaçada com a divulgação de viagens pregressas.

Segundo fontes do tribunal, a negativa visa a evitar constrangimento, pois é comum as autoridades usarem a verba para viajar aos Estados de origem, nos fins de semana e feriados.

O TCU só abre agora a data e o valor dos voos, mas omite os destinos e as justificativas.

As tabelas enviadas ao Estado mostram que só a ministra Ana Arraes consumiu R$ 40 mil em 39 viagens em 2012. Aroldo Cedraz usou mais R$ 30 mil naquele ano e mais R$ 37 mil em 2011, em 48 deslocamentos. Por que e para onde foram é uma incógnita.

“Justificativa cínica”

Na prática, o tribunal tem sido, nesse aspecto, mais hermético que os órgãos que fiscaliza. No Executivo e no Legislativo federais, as mesmas informações estão disponíveis na internet, sem a necessidade de pedido por meio da Lei de Acesso à Informação.

Para Cláudio Weber Abramo, diretor executivo da organização Transparência Brasil, não há justificativa para omitir os dados. “É a posteriori. Como falar em risco meses depois de as viagens terem ocorrido? É uma justificativa cínica”, critica.

Segundo Abramo, a situação é “lamentável, mas esperada” num contexto em que cabe aos ministros julgar os pedidos de acesso às próprias despesas. No TCU, essas solicitações têm tratamento diferenciado, sendo apreciadas pela Presidência, e não pela Ouvidoria, com servidores de carreira. Há a possibilidade de apenas um recurso ao colegiado de ministros – no Executivo, são quatro. “Se eles podem decidir em causa própria, vão fazê-lo”, comenta Abramo.

Conforme o TCU, uma decisão sobre a divulgação das viagens será tomada no futuro, quando o tribunal classificar as informações que, em seu entendimento, podem “se revestir de sigilo”. Medida idêntica foi adotada na gestão de Carlos Ayres Britto na presidência do Supremo Tribunal Federal, que protelou por meses o atendimento aos pedidos, mas foi revogada.

As normas do TCU que tratam da Lei de Acesso à Informação, porém, não dão espaço para esse tipo de manobra.

Recurso

Na análise de recurso apresentado pelo Estado, a consultoria jurídica do TCU entendeu que a presidência do tribunal descumpriu a Lei de Acesso, pois não obedeceu aos prazos e tampouco apresentou os motivos da recusa. “A lei não prevê tal hipótese de dilação indeterminada de prazo na análise dos pedidos. (…) A análise em questão deveria ter sido realizada em sua completude”, diz o relatório.

O relator, Benjamin Zymler, votou para que o caso fosse reanalisado, mas foi vencido pelo ministro Carreiro, que apresentou voto contrário, seguido pela maioria. No plenário, só André Luís de Carvalho votou com Benjamin Zymler.

A abertura de outras despesas tem sido negada pelo tribunal, a exemplo dos reembolsos de despesas médicas. As agendas dos ministros não são divulgadas na internet, o que favorece a discreta atuação de lobistas nos gabinetes. Mesmo que não tenham tarja de sigilosos, os processos não podem ser consultados, exceto pelas partes. Só após o julgamento, os relatórios técnicos são apresentados ao público.

Para Cláudio Weber Abramo, a pressão da opinião pública é que poderia mudar a situação e favorecer a abertura dos dados: “(Os ministros) só reagem com a faca no pescoço”.

Sem dar respostas ao jornal

O Tribunal de Contas da União informou, em nota, que trabalha para, “o mais breve possível”, classificar as suas informações e, assim, divulgá-las “nos limites da lei”.

A corte não respondeu a nenhum dos oito questionamentos do Estado, enviados na quinta-feira. “Com o advento da Lei de Acesso, ao mesmo tempo em que se passou a permitir a qualquer cidadão pleitear informações aos órgãos públicos, também exigiu-se que determinados dados fossem resguardados”, justificou o tribunal.

05/02/2013

às 15:44 \ Política & Cia

J.R. Guzzo: O PT que ajudou a eleger “Henriquinho” na Câmara é hoje apenas o partido do homem-cueca, dos bebês de Rosemary e do bode “Galeguinho”

"Não há rigorosamente mais nada de útil que possa ser dito a respeito do deputado federal Henrique Alves" (Foto: Agência Câmara)

"Não há rigorosamente mais nada de útil que possa ser dito a respeito do deputado federal Henrique Alves" (Foto: Agência Câmara)

Artigo publicado na edição de VEJA que está nas bancas

UM CASO PERDIDO

Não há rigorosamente mais nada de útil que possa ser dito a respeito do deputado federal Henrique Alves, candidato – e vencedor – oficial do governo e do PT à presidência da Câmara dos Deputados.

Em pleno ano de 2013 da era cristã, Alves foi considerado pelas forças que mandam hoje no país como o homem ideal para dirigir um dos três poderes da República – justo ele, “Henriquinho”, que em onze mandatos e 42 anos de casa construiu uma biografia impecável como agente de tudo o que existe de mais atrasado na política brasileira.

O deputado, em si mesmo, vale por um gênero inteiro: o dos profissionais que se mantêm nos galhos mais altos da vida pública, geração após geração, servindo-se da pobreza, da ignorância e dos vícios sociais que envenenam o Brasil desde os tempos do imperador.

Uma miserável embrulhada com dinheiro público

Nas vésperas da eleição, coerente com seus hábitos de vida, estava outra vez metido em confusão – agora, numa miserável embrulhada com dinheiro público, seu principal assessor e uma empreiteira de obras, que ficará na crônica como o caso do bode “Galeguinho”. Chega? Chega.

Não há mais nada a dizer, realmente, sobre esse novo gigante da classe trabalhadora. Em compensação, há muito a dizer sobre o PT. O partido fundado pelo ex-presidente Lula foi uma nova força na política brasileira de trinta anos atrás. Talvez houvesse aí, pela primeira vez, um alerta para os aproveitadores, demagogos e senhores de engenho, rurais ou urbanos, que sempre exploraram o Brasil como um negócio pessoal e jamais admitem mudança alguma para melhor.

A esperança durou pouco. Começou a se desmanchar quando o PT ganhou suas primeiras prefeituras e descobriu algo chamado Erário. Vinte anos depois, quando o partido chegou enfim à Presidência da República, já tinha ido tudo para o diabo.

O objetivo dos petistas era amansar os inimigos. O resultado é que ficaram iguais a eles

Antes mesmo de tomar posse em 2003 o presidente operário e sua tropa casaram no civil e no religioso com o tipo de gente que mais combatiam. O objetivo seria amansar os inimigos. O resultado prático é que acabaram ficando iguais a eles. Os petistas mais espertos, e são muitos, descobriram com grande rapidez as oportunidades pessoais oferecidas pelo Brasil velho que prometiam mudar. Desde então, não pararam mais de caçar empregos e vantagens para si próprios e seus familiares.

Gente com mais ambição farejou logo a grande mina dos conselhos de estatais e fundos de pensão controlados pelo governo – rolam bilhões aí. Aprenderam a traficar com licenças para emissoras de rádio e TV, montar ONGs que recebem dinheiro do Tesouro e fechar excelentes negócios no mercado de “prestação de serviços”; é todo um mundo de empresas que pertencem a esposas ou maridos, ex-esposas ou ex-maridos, amigos dos amigos e por aí afora, empenhadas dia e noite em vender alguma coisa para o governo.

Rivais na eleição de 1989, o senador Fernando Collor (PTB-AL) e o presidente Lula se abraçam em evento em Alagoas (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

O PT de Lula está 100% ao lado de "Henriquinho", de Fernando Collor e de Paulo Maluf (Foto: Ailton Cruz / Gazeta de Alagoas)

A mistura entre negócios privados e canetas públicas tornou-se procedimento-padrão. Um filho do próprio Lula recebeu 5 milhões de reais de uma empresa interessada em realizar negócios que dependiam da assinatura de seu pai, em troca de ações na sua companhia de videogames – que jamais mostrou resultado algum capaz de justificar um investimento desse tamanho. (As últimas notícias dizem que está à beira da falência, devendo mais de 6 milhões de reais na praça.)

Hoje o PT é apenas o partido do homem-cueca, dos bebês de Rosemary e do bode “Galeguinho”. Virou o beneficiário número 1 das doações feitas pelas empreiteiras de obras.

O PT ficará marcado para sempre pela concordata moral do mensalão

Em todos os escândalos de corrupção dos últimos dez anos, assumiu automaticamente a defesa dos acusados. Está 100% ao lado de “Henriquinho”, Fernando Collor e Paulo Maluf.

Ficará marcado para sempre pela concordata moral do mensalão, que se tornou um ponto central na biografia de Lula e despedaçou a reputação de José Genoino, um dos últimos símbolos do PT que existiu um dia – e que hoje é deputado com uma sentença de prisão nas costas.

Ninguém falou mais claro sobre esse mergulho na decadência do que o ex-governador gaúcho e petista de raiz Olívio Dutra. “Eu acho que tu deverias pensar na tua biografia, na trajetória que tens dentro do partido”, recomendou ele a Genoino. “Eu acho que tu deverias renunciar”.

Nada que a “direita” disse, em anos de ataque ao PT, foi tão arrasador. O que se ouviu, aí, foi a voz da consciência.

O PT valeu enquanto foi jovem, hoje é um caso perdido. Como nos mostra o personagem Chance Wayne, de Tennessee Williams, em geral não vale a pena fazer viagens para reencontrar o doce pássaro da juventude. É pouco provável que esteja onde o procuramos – e talvez seja melhor não encontrar o que sobrou dele.

01/11/2012

às 16:00 \ Política & Cia

Sardenberg: De como os bancos e outros órgãos oficiais não fazem propaganda de produtos — mas do governo. E com nosso dinheiro

"A propaganda dos bancos federais, assim como da Petrobrás, outras estatais e de ministérios, não oferece propriamente um produto.  Seu principal propósito é passar uma imagem positiva do país e, sobretudo, das ações do governo"

"A propaganda dos bancos federais, assim como da Petrobrás, outras estatais e de ministérios, não oferece propriamente um produto. Seu principal propósito é passar uma imagem positiva do país e, sobretudo, das ações do governo"

Artigo publicado hoje no jornal O Globo

 

ENGANA QUE A GENTE PAGA

Coisa de 200 anos atrás, jornalistas do Times de Londres já utilizavam um critério original para saber o que deviam ou não apurar e publicar. “Notícia, diziam, é tudo aquilo que alguém não quer ver publicado; o resto é propaganda”.

Desse ponto de vista, tudo que o governo fala, em qualquer país, deve ser entendido como propaganda e marketing. Claro, não é mesmo? Os governantes só falam aquilo que gostariam de ver publicado com o devido destaque.

No Brasil de hoje, isso faz muito sentido. Os governos, em todos os níveis, carregam na propaganda, em volume e conteúdo. Reparem, por exemplo, nos anúncios do Banco do Brasil e da Caixa.

Tem financiamento barato para todo mundo, quem toma empréstimo está felicíssimo porque comprou seu carro ou abriu seu negócio, todos prosperam e por isso riem o tempo todo. Um espetáculo: não tem inadimplência, os juros são baratíssimos. Parece que só os mais bobos, ou desconfiados, não correm lá para pegar dinheiro fácil.

"Tem financiamento barato para todo mundo, quem toma empréstimo está felicíssimo porque comprou seu carro ou abriu seu negócio, todos prosperam e por isso riem o tempo todo. Um espetáculo: não tem inadimplência, os juros são baratíssimos. Parece que só os mais bobos, ou desconfiados, não correm lá para pegar dinheiro fácil"

"(No Banco do Brasil e na Caixa a propaganda passa a ideia de que) tem financiamento barato para todo mundo, quem toma empréstimo está felicíssimo porque comprou seu carro ou abriu seu negócio, todos prosperam e por isso riem o tempo todo. Um espetáculo: não tem inadimplência, os juros são baratíssimos. Parece que só os mais bobos, ou desconfiados, não correm lá para pegar dinheiro fácil"

Pode-se dizer que aqueles bancos estão no mercado, disputando clientes com as outras instituições. Mas não é bem assim. A propaganda dos bancos federais, assim como da Petrobrás, outras estatais e de ministérios, não oferece propriamente um produto. Seu principal propósito é passar uma imagem positiva do país e, sobretudo, das ações do governo.

Regra do jogo, pode-se argumentar. Trata-se de propaganda paga, o governo, como qualquer outro anunciante, diz o que quer e ninguém é obrigado a acreditar.

Sabemos que não é bem assim. Nem precisa argumentar muito. É intuitivo. Trata-se de dinheiro público, mesmo no caso dos bancos comerciais, como BB e Caixa.

Eles não funcionam como os privados. Recebem dinheiro do governo, já foram resgatados com injeções de capital público mais de uma vez e todo mundo sabe que não vão quebrar porque o governo, ou seja, o contribuinte, estará lá para cobrir eventuais buracos.

Necessariamente, portanto, deveriam agir de modo diferente, como instituições públicas, e estas, como todo governo, têm — deveriam ter — compromisso com a informação correta. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

28/09/2012

às 14:03 \ Política & Cia

MENSALÃO: Os brasileiros de bem e a imprensa livre estão com a alma lavada. O Supremo, com maioria de ministros designados por governos petistas, acaba com a farsa e mostra que, SIM, houve compra de votos para apoiar Lula

Metáfora: um arco-íris envolve o edifício do Supremo Tribunal, em Brasília, na foto feliz de Carlos Humberto (Foto: STF)

Amigas e amigos do blog, acabou a festa.

Acabou a palhaçada.

Acabou a farsa.

O Supremo Tribunal Federal ontem viveu um dia histórico quando, pelo voto de ministros ou por apartes e comentários a votos de colegas, e ainda sem que todos os ministros hajam terminado seus votos, deixou claro, por maioria de 6 dos 11 ministros, que, SIM, existiu o mensalão, que o mensalão foi alimentado por dinheiro público e, principalmente, que se tratava de um ESQUEMA DE COMPRA DE VOTOS NA CÂMARA DOS DEPUTADOS.

Na sessão de ontem, coube ao ministro Luiz Fux, um dos dois integrantes do Supremo indicados pela presidente Dilma, reiterar pelo menos dez vezes, com todas as letras, que foi disso que se tratou.

As pessoas de bem “deztepaiz” estão de alma lavada por verem ser revelado à plena luz do dia — e, felizmente, se esboroar de vez — um esquema corrupto e totalitário cujo intento sinistro era fazer o Executivo, por meios escusos, ilegais e sórdidos, ser dono do Legislativo, acabando com o equilíbrio entre os poderes e instituindo uma espécie de “bolivarianismo” enviezado no Brasil.

A imprensa livre, objeto de insultos, ofensas, injúrias, mentiras — como a de ser supostamente “golpista” – e todo tipo de lama arremessada por adeptos do lulo-petismo, até por setores minoritários da própria mídia, aí incluídos os que publicam opinião em troca de soldo, está de alma lavada — por ter, desde o começo, baseada em fatos concretíssimos, apontado que o mensalão era exatamente isso que o Supremo acaba de deixar claro que era.

Colunistas livres e sem amarras com o poder ou com quem quer que seja, como tenho o orgulho de me considerar, estão de alma lavada, depois de serem criticados, insultados, enxovalhados e xingados por fanáticos ou malandros, inconformados com o primado da lei e com a reafirmação da independência e da correção de instituições como o Ministério Público e a mais importante corte de Justiça.

Ministro Luiz Fux: em pelo menos dez passagens de suas intervenções de ontem, a inequívoca constatação de que o mensalão foi um esquema de compra de apoio parlamentar (Foto: José Cruz / Agência Brasil)

A decisão, cujo pleno desfecho ainda está por ocorrer, espalhará seus efeitos benéficos, reavivando a crença, até agora enormemente fragilizada, dos brasileiros nos mecanismos criados pela Constituição.

Aquele que seria o grande beneficiário da bandalheira toda — o “deus” de Marta Suplicy e do lulalato –, aquele que prometera destruir a “farsa” do mensalão, e que enfiou a viola no saco, agora esbraveja, reclamando que a suposta “compra de votos” durante o governo FHC não foi investigada.

Cala, descaradamente, sobre a condenação frontal e inequívoca que seu pessoal — os companheiros de sempre, e os companheiros que passaram a sê-lo mediante gorda e suja mesada — recebe da mais alta corte de Justiça.

Ignora, descaradamente, a Constituição, ao reclamar do procurador-geral da República durante a maior parte do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Brindeiro, chamando-o de ”procurador-geral da República no tempo deles” e classificando-o de “engavetador” — com isso ofendendo gravemente a todo o Ministério Público, por considerar, implicitamente, que o governo FHC “mandava” no MP, instituição independente.

É a gritaria do desespero, é a gritaria dos sem-razão, é a gritaria de quem pediu desculpas ao país sem nunca explicar os motivos, é a gritaria espalhafatosa de quem se disse “traído” sem jamais identificar os traidores.

Lula esbravejando em ato em favor de Fernando Haddad em São Paulo: é a gritaria do desespero (Foto: J. F. Diorio / AE)

Lula esbravejando em ato em favor de Fernando Haddad em São Paulo: é a gritaria do desespero (Foto: J. F. Diorio / AE)

O comportamento de Lula indica o que já está ocorrendo, e já está sendo captado pelos governos estrangeiros e pela imprensa internacional: seu inexorável e inevitável declínio.

MAS ATENÇÃO: há ainda muito a fazer, tanto no julgamento do mensalão quanto na recuperação moral da vida pública do país.

Não acho que o Brasil já tenha sido “passado a limpo”, nem nada parecido.

Mas celebro o fim de uma farsa — a farsa segundo a qual o mensalão era uma farsa.

Já está definitivamente inscrito na História: houve um esquema para COMPRAR, com DINHEIRO PÚBLICO, apoio para o governo Lula dominar completamente o Congresso.

15/09/2012

às 8:12 \ Política & Cia

MENSALÃO / EXCLUSIVO — Marcos Valério, em VEJA, envolve Lula diretamente no escândalo

O CHEFE -- Segredos guardados por Marcos Valério colocam Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil (2003-2011), no centro do esquema corrupto do mensalão (Foto: Leandro Martins / Futura Press)

Do site de VEJA

Dos 37 réus do mensalão, o empresário Marcos Valério é o único que não tem um átimo de dúvida sobre o seu futuro.

Na semana passada, o publicitário foi condenado por lavagem de dinheiro, crime que acarreta pena mínima de três anos de prisão.

Valério pode receber pena de 100 anos de cadeia

Computadas punições pelos crimes de corrupção ativa e peculato, já decididas, mais evasão de divisas e formação de quadrilha, ainda por julgar, a sentença de Marcos Valério pode passar de 100 anos de reclusão.

Com todas as atenuantes da lei penal brasileira, não é totalmente improvável que ele termine seus dias na cadeia.

A CAPA -- A capa de VEJA que está indo hoje para bancas e assinantes: Lula não apenas sabia de tudo, mas até recebia empresários para combinar doações clandestinas

Apontado como responsável pela engenharia financeira que possibilitou ao PT montar o maior esquema de corrupção da história, Valério enfrenta um dilema. Nos últimos dias, ele confidenciou a pessoas próximas detalhes do pacto que havia firmado com o partido.

Até agora, silêncio em troca de garantias

Para proteger os figurões, conta que assumiu a responsabilidade por crimes que não praticou sozinho e manteve em segredo histórias comprometedoras que testemunhou quando era o “predileto” do poder. Em troca do silêncio, recebeu garantias. Primeiro, de impunidade. Depois, quando o esquema teve suas entranhas expostas pela Procuradoria-Geral da República, de penas mais brandas.

Valério guarda segredos tão estarrecedores sobre o mensalão que ele não consegue mais guardar só para si – mesmo que agora, desiludido com a falsa promessa de ajuda dos poderosos a quem ajudou, tenha um crescente temor de que eles possam se vingar dele de forma ainda mais cruel.

Feita com base em revelações de parentes, amigos e associados, a reportagem de capa de VEJA desta semana reabre de forma incontornável a questão da participação do ex-presidente Lula no mensalão.

“Lula era o chefe”, vem repetindo Valério com mais frequência e amargura agora que já foi condenado pelo STF.

Assinada pelo editor Rodrigo Rangel, da sucursal de Brasília, a reportagem tem cinco capítulos – e o primeiro deles pode ser lido abaixo:

“O caixa do PT foi de 350 milhões de reais”

NO INFERNO - O empresário Marcos Valério, na porta da escola do filho, em Belo Horizonte, na última quarta-feira: revelações sobre o escândalo (Foto: Cristiano Mariz)

A acusação do Ministério Público Federal sustenta que o mensalão foi abastecido com 55 milhões de reais tomados por empréstimo por Marcos Valério junto aos bancos Rural e BMG, que se somaram a 74 milhões desviados da Visanet, fundo abastecido com dinheiro público e controlado pelo Banco do Brasil.

Segundo Marcos Valério, esse valor é subestimado. Ele conta que o caixa real do mensalão era o triplo do descoberto pela polícia e denunciado pelo MP. Valério diz que pelas arcas do esquema passaram pelo menos 350 milhões de reais. “Da SMP&B vão achar só os 55 milhões, mas o caixa era muito maior. O caixa do PT foi de 350 milhões de reais, com dinheiro de outras empresas que nada tinham a ver com a SMP&B nem com a DNA”, afirma o empresário.

Lula se envolveu pessoalmente na coleta de dinheiro clandestino e se reunia com empresários

Esse caixa paralelo, conta ele, era abastecido com dinheiro oriundo de operações tão heterodoxas quanto os empréstimos fictícios tomados por suas empresas para pagar políticos aliados do PT. Havia doações diretas diante da perspectiva de obter facilidades no governo. “Muitas empresas davam via empréstimos, outras não.” O fiador dessas operações, garante Valério, era o próprio presidente da República.

Lula teria se empenhado pessoalmente na coleta de dinheiro para a engrenagem clandestina, cujos contribuintes tinham algum interesse no governo federal. Tudo corria por fora, sem registros formais, sem deixar nenhum rastro.

Muitos empresários, relata Marcos Valério, se reuniam com o presidente, combinavam a contribuição e em seguida despejavam dinheiro no cofre secreto petista.

O controle dessa contabilidade cabia ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, que é réu no processo do mensalão e começa a ser julgado nos próximos dias pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Delúbio definia que políticos deveriam receber os pagamentos, com o aval de Dirceu

O papel de Delúbio era, além de ajudar na administração da captação, definir o nome dos políticos que deveriam receber os pagamentos determinados pela cúpula do PT, com o aval do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, acusado no processo como o chefe da quadrilha do mensalão: “Dirceu era o braço direito do Lula, um braço que comandava”.

Valério diz que, graças a sua proximidade com a cúpula petista no auge do esquema, em 2003 e 2004, teve acesso à contabilidade real. Ele conta que a entrada e a saída de recursos foram registradas minuciosamente em um livro guardado a sete chaves por Delúbio. Pelo seu relato, o restante do dinheiro desse fundão teve destino semelhante ao dos 55 milhões de reais obtidos por meio dos empréstimos fraudulentos tomados pela DNA e pela SMP&B.

Foram usados para remunerar correligionários e aliados. Os valores calculados por Valério delineiam um caixa clandestino sem paralelo na política. Ele fala em valores dez vezes maiores que a arrecadação declarada da campanha de Lula nas eleições presidenciais de 2002.

 

ALGUMAS FRASES FATAIS DE VALÉRIO QUE VOCÊ PODERÁ LER EM “VEJA”:

“Dirceu era o braço direito do Lula, um braço que comandava”.

“Do Zé [Dirceu] ao Lula era só descer a escada [do 4º para o 3º andar do Palácio do Planalto]. Isso se faz sem marcar. Ele dizia vamos lá embaixo, vamos!”.

“O Delúbio [Soares, tesoureiro do PT e do dinheiro clandestino] dormia no [Palácio da Alvorada, residência oficial dos presidentes da República]. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com Lula à noite. Alguma vez isso ficou registrado lá dentro? Quando você quer encontrar [alguém no Alvorada], você encontra, e sem registro.”

“Você acha que chegou lá o Marcos Valério com duas agências quebradas e pediu: ‘Me empresta aí 30 milhões de reais pra eu dar pro PT’? O que um dono de banco ia responder?”

O Zé Augusto [José Augusto Dumont, então presidente do Banco Rural], que não era bobo, falou assim: ‘Pra você eu não empresto’. Eu respondi: ‘Vai lá e conversa com o Delúbio’ ”. (…)  “Se você é um banqueiro, você nega um pedido do presidente da República?”

“Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos”.

[Integrantesda cúpula do PT e do governo Lula] Prometeram não exatamente absolver, mas diziam: ‘Vamos segurar, vamos isso, vamos aquilo’… Amenizar”.

02/09/2012

às 19:28 \ Política & Cia

Carlos Brickmann sobre o MENSALÃO: Leia e se irrite

João Paulo Cunha (Foto: Radiobras / Vivamais)

Para João Paulo Cunha, perda de dinheiro e afastamento da vida pública é pena pior que cadeia (Foto: Radiobras / Vivamais)

LEIA E SE IRRITE

João Paulo Cunha foi condenado, na forma da lei. Até aí, nada a reclamar. Mas há um ponto que, estando embora na lei, deveria ser discutido: por que a punição deve ser a cadeia? Gente desse tipo não oferece risco de violência; ele não irá colocar ninguém na mira de uma arma.

Ele pode ser deixado em liberdade (ao contrário daquele trombadinha, coitadinho, que roubou muito menos e foi preso – mas que, solto, ameaçaria a vida de outras pessoas).

Deve ser punido, claro; mas é bobagem colocá-lo na cadeia, onde ocupará uma vaga necessária para conter criminosos violentos e nos forçará a gastar dinheiro público – escasso – para vigiá-lo, alimentá-lo, protegê-lo de outros prisioneiros indignados com o comportamento que o levou a ser seu novo colega. E, na cadeia, ele também poderá ensinar aos presos mais coisas ruins que eventualmente ainda não saibam.

Pessoas como João Paulo Cunha sentem muito mais dois outros tipos de pena: primeiro, o afastamento da vida pública, do poder, da vida nos palácios, dos puxa-sacos que correm para abrir-lhe as portas e os chamam de Vossa Excelência; segundo, a devolução do dinheiro desviado, acrescido de multas pesadas e efetivamente cobradas.

Há gente para quem dinheiro é mais importante que tudo, inclusive a liberdade. Que o condenado seja punido exemplarmente, então, da maneira que lhe é mais dolorosa, permitindo que o país seja ressarcido dos prejuízos que teve não apenas com os desvios, mas também com o custo das investigações e processos.

É melhor do que gastar ainda mais verba pública com ele.

 

Irrite-se mais

Devemos agradecer a João Paulo Cunha, Valdemar da Costa Neto (à esq.) e Pedro Henry (Foto: à dir)

Devemos agradecer a João Paulo Cunha, Valdemar da Costa Neto (à esq.) e Pedro Henry (Foto: à dir): não fossem eles, não teríamos o julgamento no STF

E não podemos, em hipótese alguma, deixar de agradecer a João Paulo Cunha o serviço que prestou ao país. Caso João Paulo e outros dois réus do Mensalão, os deputados Pedro Henry e Valdemar Costa Neto, não tivessem insistido em se candidatar, mesmo já estando envolvidos no caso, o Mensalão não teria ido diretamente ao Supremo.

Os casos seriam julgados em primeira instância, sem que o agrupamento dos processos permitisse uma visão de conjunto; e, com amplas possibilidades de recurso a tribunais superiores, a demora na conclusão dos julgamentos seria muito maior, permitindo que quase tudo prescrevesse e o Mensalão enfim se transformasse, como previa a imortal frase de Delúbio Soares (aquele a quem Lula chamava de “nosso Delúbio”), em piada de salão.

31/07/2012

às 20:01 \ Política & Cia

Mensalão: reveja o vídeo INESQUECÍVEL e INDISPENSÁVEL. Se o mensalão não existiu, do que, afinal, Lula pediu desculpas?

Dirceu, qualificado como "chefe da quadrilha" do mensalão pelo Ministério Público, com Lula: o ex-presidente jurou que "desmontaria" a "farsa" do mensalão (Foto: veja.abril.com.br)

O ex-presidente Lula jurou que iria “desmontar” a “farsa” do mensalão, e bem que tentou — com palavras vãs, atacando “as elites”, falando mal da oposição e por aí vai, sem aportar um milésimo de qualquer fato em abono a sua tese.

Um coro de petistas, desde então, a começar por seu presidente, Rui Falcão, passou a qualificar de “farsa” o escândalo da compra de votos em troca de apoio ao governo Lula que provocou uma brutal crise política em 2005, levou à demissão e posterior cassação do mandato de deputado de seu chefe da Casa Civil, José Dirceu, e resultou num processo criminal a dois dias de começar finalmente a ser julgado no Supremo Tribunal Federal, no qual o procurador-geral da República acusa Dirceu de comandar uma “quadrilha”.

Lula denomina “farsa” o que a Polícia Federal — se depender das loas de muitos petistas, a melhor polícia do planeta –, DURANTE O LULALATO, investigou e concluiu ter havido CRIME, uso de dinheiro público e uma série enorme de bandalheiras. (Leia sobre a Polícia Federal e o mensalão).

Seria ”farsa”, segundo Lula e seus acólitos, o que apurou a própria Polícia Federal — e que VEJA já havia, em muitos casos, adiantado em 2011 — sobre a montanha de dinheiro sem explicação comprovadamente distribuído a figurões petistas, das operações bancárias espertíssimas, dos empréstimos fajutos — e por aí vai.

Mudar e, se possível, apagar a História

É claro o ex-presidente invariavelmente deixou de lado um interessante vídeo, com trecho do discurso dele próprio, dirigido à nação pela TV em pleno fragor do escândalo.

Tentando, como em tantas ocasiões fizeram o PT e seus dirigentes, mudar e, se possível, apagar a História, o comandante-chefe do PT finge que não houve seu famoso discurso transmitido da Granja do Torto pela TV a 12 de agosto de 2005, em que, constrangido, pálido, apalermado, abatido, parecendo não saber para onde dirigir o olhar, levemente trêmulo, o então presidente da República declarou perante a o país que fora “traído” e mencionou “desculpas”.

Nesse discurso, feito antes de uma reunião ministerial, Lula não explicou quem o traiu — nunca explicou, aliás, e com o tempo foi ficando cada vez mais desmemoriado.

A alegação da traição, porém, permaneceu, insiste em permanecer, e continua latejando.

Lula também jamais esclareceu o porquê, afinal de contas, do pedido de desculpas aos brasileiros.

Se não houve o mensalão, por que diabo as perguntas?

Reconhecimento explícito de que o mensalão existiu e constituiu um agravo

Se Lula fez o discurso da traição durante o fervilhar do escândalo, é claro que se destinava a, de alguma forma, apresentar uma explicação ao país sobre a espantosa sucessão de bandalheiras que a cada dia vinham à tona — uma explicação miserável, frouxa, gaguejante, canhestra, reticente e vazia, mas uma explicação.

Se Lula proferiu o discurso e denunciou a traição, ocorreu naquele momento um explícito reconhecimento de que o mensalão não apenas existiu, mas teria propiciado um seríssimo agravo ao presidente da República.

Como, depois disso, sem mais nem porquê, de repente não existiram a montanha de dinheiro, a CPI no Congresso, os depoimentos no Supremo e, sobretudo, o discurso?

Tudo isso teria sido uma “farsa” e uma tentativa de “truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito”, como a esquecidíssima divindade do lulalato definiria, mais de uma vez, a bandalheira?

E, além de tudo mais, como fica a tão elogiada Polícia Federal e sua atuação durante o lulalato?

Bem, muito melhor do que o teor do post é simplesmente relembrar o discurso.

É curtinho — mas altamente revelador. Veja só:

16/07/2012

às 17:00 \ Política & Cia

Será que o Brasil tem jeito? Vejam só…

A presidente recebe os medalhistas brasileiros dos Jogos Mundiais Militares, em julho de 2011 (Foto: Agência Brasil)

Parece que nada escapa da bandalheira “neste país”.

Se faltava, não falta mais: descoberto superfaturamento até nos Jogos Mundiais Militares, realizados no Rio de Janeiro em julho do ano passado.

Se bobear, haverá roubalheira até em Congresso Eucarístico, caso haja dinheiro público envolvido.

07/06/2012

às 16:30 \ Política & Cia

J.R. Guzzo: O absurdo e o conto do vigário da “publicidade oficial”

(Publicado na edição de VEJA que está nas bancas)

NÓS E OS OUTROS

J. R. Guzzo

J. R. Guzzo

“Só no Brasil” — eis aí três palavras que todo brasileiro costuma ouvir, 365 dias por ano, a respeito de coisas que só acontecem por aqui, geralmente muito ruins, e que são desconhecidas no resto do mundo.

Em geral começam como uma discreta trapaça no uso do dinheiro público, depois se transformam num hábito nacional e, no fim, acabam virando um maciço conto do vigário aplicado o tempo todo pelos governos — que, como viciados em drogas, não conseguem mais viver sem ele. É o que acontece, entre tantos outros pecados exóticos, com a “publicidade oficial”.

Qualquer cidadão sabe muito bem do que se trata — são esses anúncios que governantes de todos os níveis, da alta administração federal a remotas prefeituras do interior, pagam (com dinheiro do orçamento, é claro) para publicar em jornais e revistas, no rádio e na televisão. Dizem, ali, quanto são bondosos, eficazes e trabalhadores — e mostram as obras de seus governos, reais ou imaginárias, como se estivessem fazendo um imenso favor à população que pagou por elas.

Publicidade que trata o contribuinte como um bobo alegre

A maioria dessa publicidade, para não dizer toda, trata o contribuinte como um perfeito bobo alegre, pronto a acreditar em qualquer coisa que lhe dizem.

Ainda recentemente, em São Paulo, o cidadão podia ver na TV, pago com o seu dinheiro, um anúncio do governo do Estado que começava com a imagem de uma vaca, filmada de ré; a câmera se deslocava, então, para mostrar o que deveria ser uma rija lavradora, entregue à sua labuta de tirar, às 5 da manhã, o leite nosso de todo dia.

Mas o que aparece é uma graça de garota, com umas botas de cano alto que poderiam ter saído de uma loja Hermès, jeans de grife e sob a luz do meio-dia, com as mãos a distância segurando as tetas do bicho. Ela diz, aí, que sua grande alegria na vida é saber que o leite tirado com o seu trabalho é distribuído pelo governo para crianças pobres etc.

A única coisa real, no anúncio todo, é a vaca.

Neste assunto, todos fazem, e ninguém critica ninguém: delitos coletivos nunca recebem condenação

Não há inocente aqui; todos os políticos, sem nenhuma exceção, fazem o mesmo quando estão no governo.

Nesse assunto, ninguém critica ninguém, no conforto geral de saber que delitos coletivos nunca são realmente condenados. É assim que permanece viva, cada vez mais, a publicidade oficial — uma aberração só vista no Brasil.

Dá para imaginar o governo da Itália, por exemplo, gastando fortunas na mídia para dizer “Itália — um país para todos”?

Ou algo assim: “Prefeitura de Londres — antes não tinha, agora tem”? Não dá.

O funcionário que sugerisse uma coisa dessas seria provavelmente encaminhado a uma instituição psiquiátrica.

Nos outros países não tem propaganda oficial, no Brasil tem (Foto: Reprodução)

LÁ NÃO TEM -- Já imaginaram um cartaz semelhante, em inglês, é claro, em Londres? O funcionário que sugerisse tal coisa seria encaminhado a uma instituição psiquiátrica

Neste momento, com a campanha eleitoral, a coisa pega fogo. No ano passado, só o governo federal gastou mais de 3 bilhões de reais em “comunicação”, entre publicidade e patrocínios. Juntando a isso estados e prefeituras, o volume de gastos entra em mares nunca dantes navegados.

Os políticos alegam que é pouco, diante do total de quase 90 bilhões aplicados no mercado publicitário brasileiro em 2011. Pode ser, mas o dinheiro não é deles — é do cidadão, e está sendo jogado no lixo para pagar os elogios que fazem a si próprios.

A imprensa de verdade vive do apoio de seu público e dos anúncios privados que ele atrai, e não de verbas publicitárias do governo

Sua desculpa é que os governantes têm o dever de “informar a população” e “prestar contas” de como estão aplicando o orçamento.

É uma piada. Não informam coisa nenhuma, e, na hora de prestar contas de verdade, fazem justamente o contrário: desligam a chave geral para deixar tudo o mais escuro possível.

Os órgãos de comunicação, sem dúvida, se beneficiam da publicidade oficial; nenhum deles é uma santa casa de misericórdia, e todos têm de pagar suas despesas. Mas a imprensa de verdade vive do apoio do seu público e dos anúncios privados que ele atrai, e não de verbas publicitárias do governo. Seu único mandamento, nessa história toda, é manter a própria independência. E os que não mantiverem? Problema deles.

Veículos que, em troca de anúncios, só publicam o que interessa ao governo, e escondem tudo o que não interessa, têm de resolver isso com os seus leitores, ouvintes e espectadores; se eles desconfiarem que estão sendo enganados, podem ir embora. O certo, no fim de todas as contas, é que o governo não deveria pagar um único tostão para a mídia publicar sua propaganda.

Neste momento, com a campanha eleitoral, a coisa pega fogo

Neste momento, com a campanha eleitoral, a coisa pega fogo

Eis aí mais uma coisa que nos separa, por exemplo, de um país como a Alemanha, onde publicidade oficial não existe. É que a Alemanha, coitada, é apenas a Alemanha.

Já o Brasil é o Brasil — aqui há dinheiro de sobra para o governo jogar pela janela. Somos um país onde a população é riquíssima.

27/04/2012

às 17:30 \ Política & Cia

Se você ainda não viu na internet, veja agora o que circula: o Brasil como terra da roubalheira

Amigos, o “mapa” abaixo, com o nome dos Estados brasileiros e da capital da República modificados em forma de trocadilho, é uma das tantas — seguramente milhares — de manifestações de protesto e de indignação que circulam na internet diante da desfaçatez com que, impunemente, se mete a mão no dinheiro público no Brasil.

É bem possível, é quase certo, que muitos leitores já o tenham recebido por e-mail.

Registro aqui para os que ainda não receberam.

A criação anônima tem humor, mas é um humor amargo, de desalento, de quem não acredita em mais nada.

mapa-roubalheira

O mapa da roubalheira: a indignação em forma de humor -- e de desalento

 

 

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