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condições salariais

08/02/2012

às 13:57 \ Política & Cia

Greve ilegal de PMs acaba sendo teste decisivo para Dilma: sua firmeza é para valer ou é uma lenda urbana?

Um dos líderes da greve de PMs na Bahia, Marcos Prisco, diante da Assembleia Legislativa passar a mão na cabeça de rebelados é semente de novas rebeliões (Foto: Lúcio Távora / Agência A Tarde)

Amigos, no Brasil tudo acaba em samba, ou em pizza.

Greves e insubordinações várias ao longo da nossa história recente terminaram com as poucas punições havidas sendo anuladas e os punidos anistiados.

Por demagogia, para passar a mão na cabeça de corporações numerosas que dão votos, os governos — estaduais e o federal, com diferentes presidentes — acabam deixando tudo pra lá.

Foi o que ocorreu, por exemplo, com a sedição dos bombeiros do Rio, quando 2 mil homens da corporação invadiram e ocuparam, no começo de junho, o quartel do comando-geral, na Praça da República. O BOPE, batalhão de elite da PM, acabaria invadindo o quartel e prendendo  429 bombeiros e dois PMs, que foram processados conforme a lei.

Dilma, com anistia, livrou a cara de rebelados no ano passado

Passada a crise, lá foi correndo o Congresso, por iniciativa de vários senadores, aprovar projeto de lei de anistia, que a presidente Dilma não hesitou em sancionar, livrando a cara de todo mundo. O governador Sérgio Cabral (PMDB), que demonstrara firmeza no início do movimento, com o envio do BOPE, também afrouxou e assinou, previamente a Dilma, uma anistia administrativa que livrou todos os rebelados das punições da corporação e, também, de seu julgamento pela Justiça Militar por sedição.

Não bastasse aliviar a barra dos bombeiros rebelados do Rio, a lei do Congresso à qual Dilma conferiu seu OK passou a borracha na ficha de envolvidos em movimentos ilegais de 13 Estados e do Distrito Federal.

Vida de PMs e bombeiros precisa urgentemente melhorar — mas sem baderna

Como tenho sempre escrito no blog, PMs e bombeiros precisam ver melhoradas suas condições salariais, de trabalho, equipamento e treinamento (e também de desempenho). Muitos ganham mal, vivem mal, trabalham demais, não são devidamente protegidos por trajes e viaturas, utilizam armas obsoletas, não recebem cursos para progredir na carreira, são expostos a perigos nas comunidades em que vivem e são chantageados por bandidos que ameaçam a integridade de suas famílias.

Faço essa ressalva para mostrar que, como jornalista, entendo perfeitamente o drama que vive a maioria dos PMs e bombeiros do pais e apoio decididamente políticas públicas que transformem essa realidade e melhorem a segurança pública da população.

Greve de corporação armada deve ser combatida com energia, inclusive com a força do Exército

Como também escrevi e tornei a escrever, porém, greve de corporação armada, como a da Bahia, é intolerável e deve ser combatida com a energia que se fizer necessária — inclusive com a força. Para isso estão, como prevê a Constituição, as Forças Armadas.

Por isso, as sucessivas anistias de sediciosos e a falta de firmeza na repressão a movimentos ilegais, que deixam a população desprotegida, são um péssimo exemplo — e um estímulo, uma semente para que outras rebeliões pipoquem país afora.

Dilma deve cobrar do governador da Bahia que não ceda aos grevistas e, em caso de impasse insolúvel, precisa mostrar que a Constituição e a ordem pública são valores supremos para uma sociedade civilizada. Precisa, se for o caso, não hesitar em fazer o Exército — que já aumentou seu efetivo em Salvador de 1.000 para 1.300 homens — atuar.

A greve é um teste decisivo para vermos se a famosa “gerente” exigente e rigorosa existe ou é uma lenda urbana.

 

 

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