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Barcelona

12/05/2013

às 14:00 \ Tema Livre

FUTEBOL – Os “Galáticos” do Real Madrid, dez anos – e alguns quilos – depois

Real-Madrid-Galáticos

As capas das edições de junho de 2003 e junho de 2013 da revista Four Four Two: Zidane, Figo, Ronaldo e Roberto Carlos; Beckham, o outro autêntico "Galático", não aparece porque foi anunciado em julho de 2003 (Imagem: reprodução capa Four Four Two)

Depois deles, o mundo do futebol nunca mais seria o mesmo.

Sim, estamos falando dos “Galáticos” do Real Madrid, o grupo de craques de diferentes nacionalidades que vestiu a camisa do clube merengue por três temporadas na década passada.

O termo foi cunhado por jornalistas espanhóis em 2000, quando começou o primeiro mandato do presidente Florentino Pérez – atualmente no posto -, mas ganhou seu pleno significado em julho de 2003, quando foi anunciada a contratação do meio-campista David Beckham junto ao Manchester United.

Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham – e mais Roberto Carlos, Raúl, Robinho, Owen…

Ao lado do português Luís Figo (trazido do arquirrival Barcelona em 2000 em ultra-polêmica transação), o francês Zinédine Zidane (procedente da Juventus em 2001) e o brasileiro Ronaldo (Inter de Milão, 2002), Beckham comporia a espinha dorsal deste combo de jogadores “de outro planeta”, badalados e caríssimos.

Real-Madrid-2004-2005

Foto do Real Madrid durante a temporada 2004-2005: Em pé estão Casillas, Helguera, Ronaldo, Figo, Zidane e Walter Samuel; sentados vemos Michel Salgado, Roberto Carlos, Raúl, Beckham e Guti (Foto: Real Madrid)

Por seu enorme status, estrelas então já presentes no elenco do Real Madrid, como o goleiro Iker Casillas e o centroavante Raúl González, ambos espanhóis, e o nosso Roberto Carlos, também receberiam a mesma alcunha; outros talentos de renome internacional fisgados após a chegada de Beckham, como seu conterrâneo Michael Owen e o ex-santista Robinho, também.

Na oportunidade de sua vida, Vanderlei Luxemburgo comandou –  sem sucesso – esta constelação na temporada 2004-2005.

A mesma capa, uma década depois

Dez anos após publicar capa sobre os “galáticos” em sua edição de junho – com Roberto no lugar de Beckham, que só seria anunciado no mês seguinte – a revista britânica especializada em futebol Four Four Two revisitou o assunto em matéria de 20 páginas, “reunindo” os mesmos astros em fotografias atuais.

As aspas se explicam: diante de agendas tão concorridas como as de Zizou, Figo e os dois brasileiros, é bem mais prático utilizar os programas de edição de imagem para perfilá-los lado a lado do que tentar efetivamente marcar um encontro entre todos.

Mesmo assim, o resultado é bastante simpático, e denota a passagem do tempo para os quatro ex-madridistas, todos atualmente aposentados. O aumento de peso mais notável foi o de Ronaldo, como era de se esperar, mas os outros três tampouco são mais os mesmos garotos de antes.

Fracasso em campo

O futebol, como diria o velho chavão, é mesmo uma caixinha de surpresas. Em uma prova de que – novamente recorrendo a um velho clichê – dinheiro não traz necessariamente felicidade, nem a presença dos “galáticos” evitou que o período 2003-2006 coincidisse com uma seca total de títulos ao Real Madrid, chegando ao ponto final com a saída de Florentino.

O que serviu, obviamente, de inesgotável fonte de críticas e zombarias de adversários, principalmente de torcedores do Barcelona, tão orgulhoso por formar seus astros em casa (mesmo torrando anualmente quantidades faraônicas para “compor o seu elenco”).

Recordes de gastos

Florentino-Pérez

Florentino Pérez, presidente do Real Madrid entre 2000 e 2006, e desde 2009 (Foto: florentinoperez.com)

Sendo assim, a existência dos “Galáticos” mudou o mundo de futebol, como digo no começo do texto, não “na bola”, como o Santos de Pelé, a Holanda de Cruyff ou o Barça de Messi, mas sim em outros âmbitos.

O estrondoso potencial midiático dos popstars dos gramados, que começara a ser explorado no decênio anterior, consolidou-se de vez (“éramos como os Beatles”, diz Figo à nova reportagem); e o mercado europeu se inflacionaria de maneira quase irreversível.

Nas duas gestões de Florentino Pérez, o Real Madrid bateria três vezes o recorde de transações mais caras do mundo: Figo (60 milhões de euros), superado por Zidane (73 milhões de euros), por fim deixado para trás por Cristiano Ronaldo (94 milhões em 2009, até hoje imbatível). Kaká, hoje praticamente insignificante no elenco, veio com o português por “apenas” 65 milhões.

 

01/05/2013

às 19:24 \ Tema Livre

COPA DOS CAMPEÕES: final só de alemães pode ser início de nova era no futebol

O timaço do Bayern de Munique comemora o primeiro gol, de Robben, nos 3 x 0 de hoje contra o Barça: novos horizontes para o futebol alemão (Foto: Mike Hewitt / Getty Images)

Foi surpreendente e espetacular a massacrante derrota de 7 x 0 imposta pelo Bayern de Munique contra o Barcelona — até agora o melhor time do mundo, disparado — nas duas partidas pela semifinais da Liga dos Campeões da Europa, o mais importante campeonato de times que existe.

Hoje, como se sabe, foi 3 x 0, com direito a olé, na própria casa sagrada do adversário, o Camp Nou, com um Barça atarantado em campo e os alemães jogando com rapidez, força, inteligência e habilidade.

Houve também as esplêndidas atuações do Borussia Dortmund contra o timaço do Real Madrid na mesma etapa da competição provoca — de modo que, pela primeira vez na história, haverá uma finalíssima só com clubes alemães o próximo dia 25, em Londres.

O campeonato alemão pode ser a nova referência

Mas há algo de maior importância em questão: pelo que se viu em campo, nas quatro partidas entre alemães e espanhóis, não é arriscado nem maluco prever que está chegando a vez de, mais que o futebol, o campeonato alemão passar a perna nos demais grandes certames europeus — como os da Premier League, da Inglaterra, os da Espanha e da Itália — e tornar-se a referência mundial.

Se ocorrer, como parece, já era hora: como seleção, os alemães sempre foram, e sempre são, uma sombra ameaçadora sobre os adversários. Tricampeões do mundo em 1954, 1974 e 1990, els chegaram nada menos do que outras quatro vezes à final, em 19 Copas.

O surpreendente (e forte) time do Borussia comemora sua passagem para a final da Liga dos Campeões, após eliminar o Real Madrid (Foto: Ira Fassbender / Reuters)

Por alguma razão, porém, o campeonato da Bundesliga, a Federação alemã, não provoca o mesmo interesse nem movimenta o número de jogadores famosos e a dinheirama de outros certames.

As coisas parecem estar mudando, e foi o grande Paul Breitner quem, há poucos dias, informou ao público brasileiro disso, em entrevista aos colegas jornalistas da ESPN Brasil comandada por João Palomino.

Times alemãs não estão endividados — e não precisam de xeques árabes

Legendário craque, que foi lateral-esquerdo e depois meio-campo da seleção alemã e figura entre os grandes jogadores da história do futebol, Breitner previu que a Bundesliga chegará ao topo por várias razões.

Em primeiro lugar, disse Breitner, os times alemães, diferentemente do que ocorre com gigantes de outros países, como o Manchester United britânico, os principais da Itália, o Real Madrid e o próprio Barça, não estão pesadamente endividados. Pelo contrário, com estádios sempre lotados, gordos elencos de sócios, patrocinadores de peso para clubes, arenas e jogadores, vários deles nadam em dinheiro, como é o caso do Bayern.

“Nós não dependemos de xeques árabes”, proclamou também o craque, hoje ele próprio dirigente do Bayern e consultor da Bundesliga.

O grande Breitner em sua entrevista à ESPN Brasil: "Não precisamos de xeques árabes" (Foto: ESPN Brasil)

A isso, acrescentou o crescente número de grandes jogadores de outros países que já estão na Bundesliga ou prestes a integrá-la, por sua organização, capacidade financeira e o extraordinário apoio da torcida alemã, que não apenas lota os estádios das várias divisões do campeonato como é uma das mais entusiásticas e participantes do mundo.

Só o Bayern e o Borussia dão duas boas seleções

Entre outros exemplos, citou o caso do meio-campo Javi Martínez, ex-Athletic de Bilbao, cobiçado por clubes ingleses, sondado pelos dois maiores espanhóis, com possibilidades na Itália e na Holanda mas que preferiu a Alemanha — e foi o atleta mais caro da história do Bayern: por sua multa rescisória o clube pagou 40 milhões de euros (algo como 105 milhões de reais) e mais salários e outros benefícios cujos detalhes não foram divulgados.

E é verdade: se pegarmos apenas o Bayern e o Borussia, seria possível formar não somente uma excelente seleção da Alemanha, como também um fortíssimo time exclusivamente com jogadores estrangeiros, como o próprio Martínez, o atacante francês Ribéry, o lateral austríaco de origem africana Alaba, o atacante polonês Lewandowski, o meia-atacante holandês Robben, o zagueiro sérvio Subotic, quem sabe até os brasileiros Felipe Santana e Rafinha.

Guardiola, a nova e grande atração

Breitner lembrou igualmente que a contratação pelo Bayern do mais badalado técnico do momento, Pep Guardiola, o maior vencedor de títulos no Barça desde a fundação do clube, em 1899, com certeza levará outros craques a interessar-se pelo campeão alemão e por outras equipes da Bundesliga. A própria presença de Guardiola já será, enfatizou, uma grande atração em si.

Além do mais, como os torcedores brasileiros puderam apreciar nas quatro partidas semifinais — bem como nas etapas anteriores –, o jogo alemão não é mais apenas de força, velocidade, passes longos e bolas altas. Tal como começa a ocorrer com a seleção da Itália, o jogo de passes de pé para pé, dribles, jogadas de qualidade técnica, tabelinhas e outras formas de jogar futebol que encantam as plateias são cada vez mais comuns no futebol alemão.

A autoimolação que a grande maioria da imprensa esportiva da Espanha está agora fazendo em relação ao Barcelona e ao Real Madrid — como se nada do que existisse nas duas grandes equipes valesse coisa alguma –, embora exagerada e passional como sempre, é um forte indicador de que haverá turbulência nos dois gigantes.

E que a preeminência do Barcelona, além de ameaçada exteriormente — vejam o Bayern, que timaço –, está sendo posta em xeque também dentro de suas próprias hostes: críticas ao técnico Tito Vilanova, pedidos exaltados de corte de cabeças, dirigentes estremecidos entre si, jogadores desmotivados pela campanha deste ano…

Por tudo isso, parece-me que Paul Breitner tem boa chance de haver previsto corretamente o futuro.

27/04/2013

às 14:00 \ Tema Livre

FOTOS BELÍSSIMAS: no viaduto de Millau, na França, o mais alto do mundo, um passeio acima das nuvens

Viaduc de Millau -- um passeio nas nuvens (Foto: Leviaducdemillau.com)

Viaduc de Millau -- um passeio nas nuvens (Foto: Leviaducdemillau.com)

Por Rita de Sousa

A sensação de andar por entre as nuvens no céu pode certamente ser apreciada no Viaduto de Millau, a ponte mais alta do mundo, localizada em Millau, no sudoeste da França, na rodovia que liga Paris a Barcelona, na Espanha. Seu pilar mais alto tem 343 metros — mais que os 300 da Torre Eiffel.

A ponte, situada a 532 quilômetros de Paris e a 401 de Barcelona, é equipada com uma proteção de vidro transparente aerodinâmico, que resguarda os veículos das fortes rajadas de vento da região.

O projeto, fabuloso, é trabalho conjunto do arquiteto britânico Norman Foster e do engenheiro francês Michel Virlogeux.

O viaduto atravessa o vale do rio Tarn e as montanhas próximas a Millau. Quem dirige ali se sente flutuando nas nuvens, e pode desfrutar da bela paisagem ao redor.

O viaduto foi inaugurado oficialmente em dezembro de 2004 e a complexidade do projeto fez sua construção demorar três anos mais do que o previsto: além de sua grande altura, ela está assentada sobre uma estrutura de solo irregular.

Comparação da altura do Viaduto de Millau e a Torre Eifel

 


Dados da ponte:

Comprimento total: 2.460 metros

Largura: 32 metros

Estrutura: em oito vãos e 7 pólos-pontes

Maior altura de pólo (os grandes esteios que sustentam a rede de cabos de aço): 343 metros

Maior altura de pilar (os sustentáculos de concreto do conjunto): 87 metros.

Espessura da ponte: 4,20 metros

Largura da plataforma da estrada: 27,35 metros

Total de concreto utilizado: 227 000 toneladas

Total de aço utilizado: 39 700 toneladas

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Durante a construção: os operários trabalhavam dentro das nuvens e acima delas

 

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24/04/2013

às 17:15 \ Vasto Mundo

Escândalo financeiro envolvendo presidente do Bayern de Munique é mais do que isso: é o desabamento de um ídolo nacional alemão

Uli Hoeness em foto que parece profética, devido a sua situação atual: um ídolo que tomba a ponto de até Merkel se dizer "decepcionada" (Foto: n-tv.de)

Quando alguém sobe muito, a queda é mais feia, ou triste, ou espalhafatosa.

É o caso que acaba de ocorrer com Ulrich “Ulli” Hoeness, presidente do mais poderoso clube de futebol da Alemanha, o Bayern de Munique, o mesmo Bayern que ontem arrasou por 4 a 0 o melhor time do planeta, o Barcelona, pelas semifinais da Liga de Campeões da Europa, na Allianz Arena.

Acusado de fraude fiscal, o dirigente admitiu ter conta livre de impostos na Suíça, em valor ainda não determinado, mas de muitos milhões de euros — talvez 20 milhões (mais de 50 milhões de reais).

Os mais velhos se lembram da espetacular final da Copa de 1974, na então Alemanha Ocidental — aquela mesma em que Zagalo nada sabia do Carrossel holandês que humilhou a Seleção Brasileira e a eliminou do torneio. A fabulosa Holanda do grande Cruyff chegou à final contra a dona da casa, que tinha entre outros o não menos extraordinário Beckenbauer.

Logo aos 2 minutos de jogo, Cruyff entorta o lateral Vogts (futuro técnico da seleção alemã) e, ao entrar na área, é derrubado pelo meia-atacante Hoeness. Pênalti! Outro grande craque holandês, Neeskens, cobra, converte e a Holanda sai na frente — no jogo em que acabaria perdendo a Copa para os alemães por 2 a 1, em Munique, a 7 de julho de 1974.

Esse mesmo Hoeness, que poderia carregar a maldição do pênalti cometido vida afora, defendeu 76 vezes a seleção alemã em suas várias categorias, sendo 35 na principal, e subiu muito na vida: mesmo encerrando a carreira prematuramente, por contusão no joelho, fez carreira como dirigente, tornando-se um manager de extraordinário sucesso do Bayern que, em seu período, entre outros títulos, foi 15 vezes campeão alemão.

Como gestor, não poderia ser melhor: o clube aumentou 10 vezes seu faturamento nos mais de 20 anos de sua gestão, e, em número de sócios — com 100 mil –, só não bate hoje, no mundo, o Barcelona. Não por acaso, ele assumiu a presidência do clube em 2009, sucedendo ao kaizer Beckenbauer, que se tornou presidente de honra. Paralelamente, Hoeness explodiu como empresário: filho de um açougueiro, seguiu no ramo do pai e é dono de uma indústria de frios que fatura 60 milhões de dólares por ano e tem entre seus clientes o McDonald’s alemão.

Era um modelo para a sociedade — e Merkel lamenta

A admissão da fraude fiscal, descoberta e divulgada pela revista semanal Focus — a velha e boa imprensa livre, que esquerdas demagógicas consideram “burguesa” –, não significa apenas encrenca para um grande nome do futebol alemão e europeu.

Hoeness em ação, nos anos 70: joelho obrigou-o a deixar o futebol aos 27 anos de idade (Foto: Getty Images)

Hoeness, 61 anos, era considerado na Alemanha um modelo para a sociedade, graças aos objetivos que alcançou. No final de 2012, um jornal popular realizou uma consulta e 88% dos alemães disseram que gostariam de vê-lo na política.

Entre suas proezas mais recentes no Bayern, a mais espetacular foi a contratação do treinador mais badalado do mundo, o catalão Pep Guaradiola, responsável pelo recorde de conquistas da história do Barcelona — 18 títulos importantes em apenas 4 anos.

Por tudo isso, um clima de desencanto, tristeza e indignação percorre a opinião alemã, com a perspectiva de Hoeness até ir parar na cadeia, dependendo da extensão de sua lesão ao fisco, a ser apurada pelo Ministério Público e a polícia.

O porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert, expediu a respeito uma declaração que diz, a certa altura: “Muitas pessoas estão decepcionadas por Hoeness em nosso país, e a chanceler federal está entre elas”.

Já com a cartolagem brasileira, muito mais incompetente e ineficaz do que um dirigente como Hoennes, e com vida financeira coberta de sombras, fica tudo por isso mesmo — não é?

21/04/2013

às 15:00 \ Tema Livre

O FLAMENGO É CAMPEÃO… de dívidas

ELENCO ENXUTO -- Elias veio emprestado do Sporting de Portugal (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

ELENCO ENXUTO -- Elias, ex-Corinthians, veio emprestado do Sporting de Portugal (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Reportagem de Malu Gaspar, publicada em edição impressa de VEJA

 CAMPEÃO DE DÍVIDAS

Com um rombo de 750 milhões de reais, o Flamengo sofre os efeitos de décadas de péssima administração e total descontrole das finanças. A solução: corrigir os desmandos, como fazem as empresas responsáveis

Até recentemente, a equipe de atletas olímpicos do Flamengo não tinha patrocínio, não rendia um tostão aos cofres do clube e custava caro. Resultado: dava prejuízo de 14,5 milhões de reais por ano. O nadador Cesar Cielo, sua maior estrela, ganhava 80000 reais por mês e nem sequer treinava nas instalações da Gávea. Com razão, aliás. VEJA apurou que a piscina tem uma rachadura de 25 metros, que algum funcionário tentou remendar com sacos plásticos e massa de vedação.

Tanto a falta de estrutura para treinar quanto o desperdício de atletas de primeira são produto de décadas de administração inepta, cuja conta final veio à luz na semana passada: superando as expectativas mais pessimistas, o Flamengo deve na praça 750,7 milhões de reais. O time com a maior torcida de futebol no Brasil é o campeão insuperável de dívidas.

Para chegar a esse valor, uma empresa de auditoria contratada pela nova diretoria do Flamengo – formada por empresários experientes decididos a profissionalizar a gestão – passou três meses desvendando a balbúrdia no departamento financeiro. “O mais espantoso foi constatar o total descontrole das contas”, diz o diretor financeiro, Paulo Dutra. “Faltavam nota fiscal, recibo, tudo.”

NO FUNDO -- O nadador Cielo, estrela de uma equipe olímpica excepcional que o Flamengo não soube aproveitar: a piscina onde ele deveria treinar está cortada por uma rachadura de 25 metros de extensão (Foto: Paulo Vitale / Milenar)

NO FUNDO -- O nadador Cielo, estrela de uma equipe olímpica excepcional que o Flamengo não soube aproveitar: a piscina onde ele deveria treinar está cortada por uma rachadura de 25 metros de extensão (Foto: Paulo Vitale / Milenar)

Sem registros confiáveis, os auditores tiveram de ir a cerca de quarenta fontes variadas, entre elas credores, para obter as informações necessárias. Uma amostra do descalabro: só no balanço de 2011, apareciam listados 9 milhões de reais em “adiantamentos” não especificados. A tática para encarar a escassez de dinheiro era não pagar – nem contas, nem salários, sobretudo nem impostos. Só ao Fisco o clube deve 394,8 milhões de reais, sendo 86,7 milhões acumulados na gestão da presidente anterior, a ex-nadadora Patrícia Amorim.

No mandato dela, ocorreu o bizarro sumiço de seis relógios com o escudo do clube avaliados em 45000 reais cada um. Foram doados por uma empresa para ser leiloados ou sorteados. Eles estavam, surpresa, sob a custódia de conselheiros e dirigentes (a própria presidente “guardou” dois), que depois, na maior cara de pau, devolveram os mimos.

Patrícia também tomou empréstimos bancários de 84 milhões de reais dando como garantia a receita da venda de direitos de transmissão de jogos, e assim comprometeu recursos até o fim de 2013. A manobra, conhecida como “pedalada”, permitiu contratar – e não pagar – estrelas como Vágner Love e Ronaldinho Gaúcho, ambos já fora do time. “A regra era lançar mão de dinheiro destinado a outros fins para pagar a jogadores caros, na esperança de que lá na frente aconteceria um milagre”, diz o vice-presidente de finanças, Rodrigo Tostes.

Clubes endividados

Clubes endividados

Dívidas exorbitantes e má gestão não são exclusividade do Flamengo. Levantamento de 2011 calcula que os cinco clubes mais enforcados devem, juntos, acima de 2 bilhões de reais. “A má administração do esporte no Brasil é um entrave que impede sua imprescindível profissionalização”, afirma Ana Ligia Finamor, coordenadora do curso de gestão esportiva da Fundação Getulio Vargas.

Não precisaria ser assim. O aumento na renda dos brasileiros e a proximidade da Copa das Confederações, em junho, e da Copa do Mundo, em 2014, ajudaram a elevar a receita dos dez maiores clubes a 3 bilhões de reais. Ganhar mais dinheiro, porém, não adianta. É preciso saber equilibrar a receita e a despesa. O Barcelona, por exemplo, símbolo de sucesso, fatura quase 500 milhões de euros por ano, o que minimiza confortavelmente sua imensa dívida de 300 milhões.

A nova diretoria do Flamengo, comandada pelo economista e diretor do BNDES Eduardo Bandeira de Mello, quer implantar uma administração profissional ao estilo da adotada pela agremiação catalã e outras similares. Decidiu cortar custos e funcionários (150 até o momento, dos 800 que encontrou) e renegociar dívidas. Para economizar, tomou jogadores emprestados de outros times. Faltar aos treinos agora rende punição e há regras até para comemorar gols – tirar e levantar a camisa é proibido, porque esconde os patrocínios.

Carlos Eduardo também veio emprestado -- do clube russo Rubin Kaza (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Carlos Eduardo também veio emprestado -- do clube russo Rubin Kaza (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)

Os jogadores têm metas e ganharão bônus quando elas forem alcançadas. O próprio clube receberá um bônus dos patrocinadores por bom desempenho. No papel, é promissor. Fora dele, há muito a percorrer. O Flamengo foi eliminado do campeonato carioca e ainda não se destacou na Copa do Brasil. Os torcedores flamenguistas sonham com o momento em que a administração saneada vai se traduzir no que realmente importa: gols e dinheiro.

07/04/2013

às 16:00 \ Tema Livre

Filme transforma a bela Barcelona em uma assustadora metrópole pós-apocalíptica; assistam ao trailer

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Táxis abandonados e animais compõem o cenário da Barcelona Apocalíptica dos irmãos Pastor; bem ao fundo à esquerda, a igreja da Sagrada Família, em construção há 131 anos

Alguns cineastas espanhóis da moda têm se divertido ao imaginar a luminosa Barcelona, uma das cidades mais belas e agradáveis do planeta, como um lugar apocalíptico e assustador.

O mais notório até o momento foi o catalão Jaume Balagueró, que em sua série de películas de horror Rec, iniciada em 2007, concebeu uma Barcelona infernal, habitada por cidadãos que um misterioso vírus transforma em zumbis assassinos. O último produto da saga, não por acaso intitulado Apocalipsis, estreia este ano.

Com Los Últimos Días, longa que acaba de chegar aos cinemas da Espanha – ainda sem estreia confirmada no Brasil -, os irmãos diretores Álex e David Pastor – responsáveis por Vírus (originalmente “Carriers”, 2009), ambos barceloneses, engordam a lista.

Ambientado em Barna e com tintes de produção hollywoodiana, o filme enfoca uma fictícia epidemia mundial na qual as pessoas morrem, sem explicação, pelo simples ato de sair de suas casas.

Alguns cartões postais da metrópole catalã, tal qual o festivo e nada bélico Arco do Triunfo, erigido para a Exposição Universal de 1888, aparecem como cenários de fim de mundo em Los Últimos Días. Também são simulados “apagões” em célebres edifícios modernos, como a enorme e controvertida Torre Agbar, obra do arquiteto francês Jean Nouvel, e transforma estações de metrô em bunkers.

“Barcelona não é um simples cenário, mas um personagem a mais com papel fundamental no filme”, disse um dos atores principais, Quim Gutierrez. Assistam ao trailer e se horrorizem com a Barcelona projetada pelos irmãos Pastor.

 

24/03/2013

às 18:34 \ Disseram

Johan Cruyff: “O Barcelona não precisa do Neymar”

“O Barcelona não precisa do Neymar. O Barça tem gente muito boa. Para que gastar dinheiro? A não ser que ele jogue para a equipe e para Messi”

Johan Cruyff, técnico do clube espanhol, jogando o craque brasileiro para escanteio

17/03/2013

às 16:00 \ Política & Cia

O governo da “gerentona” Dilma quer incentivar os carros “verdes”. Só parte da produção da eletricidade que os alimentará consome o que eles pretendem economizar: petróleo e gás

O Toyota Prius, o híbrido mais vendido no mundo: apesar de amigável com o meio ambiente, custa no Brasil o triplo do que se paga no mercado internacional (Foto: automobilemag.com)

Vá entender o governo da excelentíssima senhora gerentona Dilma Rousseff.

O governo anuncia que dará incentivo a carros “verdes” — híbridos e elétricos.

Isso será feito alterando as regras do atual regime automotivo de forma a incluir os automóveis mais amigáveis ao meio ambiente em programa de benefícios fiscais.

A indústria terá que cumprir determinadas metas de eficiência energética até 2017 para usufruir do novo regime.

Haverá uma série de regras para que determinada indústria usufrua desses benefícios, que agora não vêm ao caso.

Talvez — um talvez bem distante — se mudem regras burras, que taxam pesadamente os carros híbridos importados: 35%, no mínimo. É por isso que o fabuloso híbrido Toyota Prius, o híbrido mais vendido no mundo (quase 2 milhões de unidades) que, no mercado internacional, tem preço-base em torno do equivalente a 40 mil reais, custa 120 mil no Brasil.

No exterior, há cidades inteiras, como Vancouver, no Canadá, cuja frota de táxis é constituída exclusivamente por híbridos — no caso, os Prius. Em Barcelona, na Espanha, 20% dos táxis já são híbridos.

A termelétrica Euzébio Rocha, em Cubatão (SP): produzem eletricidade consumindo o que os carros elétricos deveriam economizar -- petróleo e gás (Foto: Petrobras)

Pois muito bem, que maravilha se esse quadro todo mudar.

Há, porém, um porém no caso dos carros elétricos: eles, como se sabe, consomem eletricidade. E expandir a frota significa mais consumo de eletricidade.

Ocorre, contudo, que, atualmente, mesmo sem ainda ter carros elétricos, 22% da energia consumida no Brasil é gerada por termelétricas — que em muitos casos são poluentes e, quando não, consomem aquilo que os elétricos pretendem poupar: petróleo ou gás natural.

O custo mensal para manter essas térmicas ligadas, como já revelou o Radar do Lauro Jardim, é de 1,1 bilhão de reais. Isso com o país de maior potencial hidrelétrico do mundo!

A equação não fecha, e nem parece que vá fechar.

09/03/2013

às 15:00 \ Tema Livre

VÍDEO ELETRIZANTE: as razões para escolher Barcelona, uma das melhores cidades do mundo para se viver

Pode escolher uma razão para conhecer Barcelona

É difícil escolher uma entre as muitas razões para conhecer Barcelona

Em vídeo eletrizante, vejam um pouco das cores, dos sabores, dos ritmos, da beleza urbana e da diversidade de Barcelona, uma cidade única: como já escrevi, duas vezes milenar, mas moderníssima; relativamente pequena (1,6 milhão de habitantes), mas cosmopolita em alto grau; com um certo toque parisiense — e à beira do Mediterrâneo.

É difícil escolher em que terreno Barcelona é mais rica: qualidade geral de vida? Arquitetura? Cultura? Lazer? Negócios? Gastronomia? Futebol?…

O vídeo Algumas razões para escolher Barcelona (Some reasons to choose Barcelona) recebeu menção especial na categoria de Turismo Comercial no Festival de Filme Turístico de Riga, na Letônia. 

A trilha sonora é da banda barcelonesa Fufü-Ai, que compõe em espanhol, inglês e francês, e às vezes mistura tudo – é a mesma canção que vocês vão reconhecer porque foi usada por Woody Allen em seu delicioso filme Vicky Cristina Barcelona.

 

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29/01/2013

às 16:27 \ Política & Cia

Governo agora diz que trem-bala São Paulo-Rio vai transportar passageiros em… 2020. Agora, sobre a rentabilidade… Compare com outros países

Locomotivas do trem de alta velocidade espanhol (AVE) na estação de Atocha, em Madri: principal linha tem subsídio de 66% por passagem (Foto: intereconomia.com)

O trem-bala São Paulo-Campinas-Rio transformou-se em uma daquelas miragens brasileiras que, para se materializarem, será preciso ver para crer.

A concorrência pública já foi adiada não sei quantas vezes, a data de entrada em operação já namorou com 2014, ano da Copa do Mundo, e depois com 2016, ano das Olimpíadas do Rio, e agora os responsáveis pela empreitada juram que, no lingínquo 2020, começará finalmente a transportar passageiros.

A ver.

Para a esquálida, absurdamente insuficiente malha ferroviária brasileira, o caríssimo trem-bala – não me peçam para dizer quanto custará, porque os números já oscilaram tanto que prefiro não registrar mais as promessas oficiais – será mais ou menos como se o poder público, podendo optar entre construir milhares de casas populares ou uma versão tupiniquim do Palácio de Versalhes, preferisse investir no ouro, nos cristais, nas tapeçarias, nas obras de arte e nos fabulosos jardins da monarquia absolutista francesa.

E, daqui de meu posto de leigo, duvido solenemente dos anúncios de que o nosso trem-bala será rentável.

Apesar de bem administrada e contar com equipamento de primeira, é altamente deficitária a maior rede de trens de alta velocidade da Europa e a segunda mais extensa do mundo, depois da China – a do AVE da Espanha, com 2.600 quilômetros, 10 diferentes linhas em atividade e 14 em lenta construção, devido à crise econômica que abala o país desde 2008.

A tal ponto chega problema que, há algumas semanas, o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy se viu obrigado a fechar, pura e simplesmente, a linha que ligava Toledo, capital de Castilla-La Mancha, a Albacete, na mesma região – 260 quilômetros que custaram 3,5 bilhões de euros.

Para que se tenha uma ideia da dimensão do enrosco (tanto o espanhol como o nosso), é deficitária até mesmo a mais utilizada das linhas da rede espanhola – a concorrida ligação pelo AVE entre a capital, Madri, e a segunda maior cidade do país, Barcelona, com 657 quilômetros de extensão. Nesse trecho, o AVE leva 9 mil passageiros por quilômetro por ano, ao passo que a linha Tóquio-Osaka, no Japão, por exemplo, conduz 245 mil passageiros.

A passagem Madri-Barcelona pode custar caríssimo: conforme data e horário, até 300 euros, ou 825 reais.

O trem de alta velocidade francês (TGV) perto de Avignon, na região da Provence: a rede da França transporta muito mais passageiros por linha do que a da Espanha(Foto: www.b-europe.com)

Mesmo com esse preço salgado, a passagem é subsidiada em 66% pelo governo, segundo estudos de dois respeitados especialistas: Ginés de Rus, catedrático de Economia Aplicada da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria (veja currículo)  e Germà Bel, catedrático de Economia da Universidade de Barcelona (confira currículo).

Outros números: comparados com os 2,5 milhões de passageiros que usam o AVE Madri-Barcelona por ano, 14 milhões viajam de Paris a Tours pelo TGV francês no mesmo período, enquanto o trajeto Seul-Busan, na Coreia do Sul, transporta impressionantes 35 milhões de passageiros anuais.

Quem acreditar que a futura linha São Paulo-Rio, passando por Campinas, atinja esses números – ainda mais com os baixos preços das passagens aéreas no trecho – levante a mão.

 

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