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Barack Obama

25/05/2013

às 18:00 \ Vasto Mundo

ESTADOS UNIDOS: Capital político de Obama se esboroa em maré de escândalos

CHUVA DE ESCÂNDALOS -- Obama, nos jardins da Casa Branca: perseguição da Receita Federal (Foto: Jason Reed / Reuters)

CHUVA DE ESCÂNDALOS -- Obama, nos jardins da Casa Branca: perseguição da Receita Federal (Foto: Jason Reed / Reuters)

Reportagem de André Petry, de Nova York, publicada em edição impressa de VEJA

ABUSO DE PODER

Numa maré montante de escândalos, Obama recorre à velha desconversa de alegar desconhecimento. Ai, ai, ai… Os brasileiros sabem que isso é um péssimo presságio

 

Involuntariamente diplomados em escândalos, os brasileiros têm as piores intuições no momento em que um presidente da República, acuado por falcatruas, vem a público dizer, candidamente, “eu não sabia”.

Na quinta-feira, 16, no decorrer da pior semana de sua gestão, o presidente Barack Obama apareceu diante da imprensa no Jardim das Rosas, na Casa Branca, debaixo de um guarda-chuva sustentado por um fuzileiro naval. Logo veio a tempestade de perguntas sobre o caso criminoso em que o IRS, a Receita Federal americana, foi usado para perseguir entidades conservadoras que pleiteavam isenção tributária.

Obama respondeu: “Eu não sabia”. Disse que não sabia o que ocorria no IRS e que só tomou conhecimento do resultado de uma investigação interna sobre o caso quando o conteúdo — devastador — saiu na imprensa: “Com certeza, eu não sabia de nada”.

A investigação revelou que, em março de 2010, um grupo de fiscais da Receita em Cincinnati, no estado de Ohio, onde se concentravam os 70 000 pedidos de isenção tributária no país, passou a perseguir entidades conservadoras que tentavam habilitar-se a benefícios fiscais.

O grupo selecionava as entidades por sinais exteriores de conservadorismo:

- por nomes (“tea party” ou “patriot”, comuns na designação de entidades dessa orientação política),

- por palavras de ordem (“tomar o país de volta”) ou

- por comentários políticos (“país mal governado”).

Steven Miller, degolado na semana passada (Foto: Nicholas Kamm / AFP)

Steven Miller, degolado na semana passada (Foto: Nicholas Kamm / AFP)

Os fiscais chegaram a examinar a atividade política dos membros dessas organizações, incluindo familiares e até o conteúdo de posts divulgados no Facebook. A perseguição durou dezoito meses. Mais de uma centena de entidades foi discriminada com base em critérios ideológicos. Algumas ficaram três anos na fila da isenção.

(Para os amigos, a vida era um doce: a Barack H. Obama Foundation, criada por um meio-irmão do presidente, Abon’go Malik Obama, teve seu pedido de isenção atendido em apenas um mês, em 2011. E ainda levou isenção retroativa a 2008.)

O caso veio a público na semana anterior, quando uma alta funcionária do IRS, lois lerner, numa reunião reservada da OAB americana, admitiu a perseguição e pediu desculpas às entidades prejudicadas. O comentário fazia parte de um plano de mitigar as consequências legais ainda imprevisíveis do crime, vazando-o controladamente. Deu errado.

O vazamento saiu do controle e o governo Obama entrou em uma zona de tiro livre dos adversários que, com toda a razão, querem explicações para o abuso de poder. Lerner disse que apenas fiscais de Cincinnati sabiam do esquema. Nenhum figurão do IRS nem o secretário do Tesouro, muito menos o presidente, tinham conhecimento.

A mentira durou um fim de semana. Na terça-feira, quando o relatório da investigação interna veio a público, soube-se que a própria Lerner participara de uma reunião que tratou das perseguições em junho de 2011. É verdade que ela tentou corrigir o rumo — e fracassou —, mas também é verdade que mentiu ao dizer que desconhecia o caso. Terá sido a única a enrolar-se na mortalha do eu-não-sabia?

Com a revelação dos crimes de abuso de poder, peças antigas começam a se juntar no quebra-cabeça. Em abril do ano passado, na campanha presidencial, uma entidade pró-casamento tradicional, a NOM, denunciou que o IRS vazara seus dados fiscais para uma entidade do campo oposto, a HRC, que defende os direitos dos gays.

O dado fiscal revelava que Mitt Romney, adversário presidencial de Obama, doara 10 000 dólares à NOM. A entidade disse que seus acusadores divulgaram os documentos fiscais sem atentar para um número — 100560209, estampado nas páginas na diagonal — que indicava a fonte. A acusação sumiu no zumbido eleitoral.

Revisitado agora, esse é mais um caso comprovado de uso da máquina governamental com fins políticos.

(Aos amigos, doce vida: o cabeça da HRC, Joe Solmonese, ganhou um alto posto no quartel reeleitoral de Obama.) » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

20/05/2013

às 17:00 \ Vasto Mundo

O marco zero da política americana — e o esfarelamento público da Presidência de Obama

O colosso erguido no lugar das Torres Gêmeras, com seu mastro de aço no topo, está de pé, enquanto o capital político de Obama se esboroa (Foto: businessinsider.com)

Por Dorrit Harazim, texto publicado no jornal O Globo

NOVA YORK — O eleitor liberal desta cidade, uma das mais liberais dos Estados Unidos, anda cabisbaixo. Se abrir seu exemplar do New York Times vai ficar ainda mais acabrunhado. O próprio jornalão centenário deve estar se perguntando quando vai acabar o esfarelamento público da presidência Barack Obama.

Há muito tempo não se viam tantas questões controversas em erupção numa mesma semana, todas envolvendo algum braço do governo federal.

Não bastasse a denúncia do uso do Imposto de Renda como ferramenta política contra grupos direitistas, houve os mais de 100 grampos a jornalistas da agência de notícias Associated Press autorizados pelo Departamento de Justiça.

E voltou à tona com força inesperada o caso da manipulação de informações, pela CIA e pelo Departamento de Estado, de um atentado terrorista ocorrido em 2012 contra o consulado americano em Benghazi, na Líbia.

Os três episódios têm gravidade, motivação política e consequências institucionais bastante diversas. Mas conseguiram o que era impensável até duas semanas atrás: aproximar o cidadão democrata do republicano na indignação com os rumos do atual governo.

Para o eleitor de Obama o momento é de desalento ao constatar que a credibilidade do presidente encolheu, que sua competência como líder está em dúvida e que seu capital político parece ter virado pó.

Para os adversários de Obama o momento político é tão alvissareiro que o único cuidado está em não se mostrar sôfrego demais no regozijo. Quando a ultradireita iguala o despiste atual sobre o atentado em Benghazi ao caso Watergate que derrubou o presidente Richard Nixon em 1974, ou quando ela começa a desenterrar a palavra “impeachment”, os republicanos mais veteranos sabem que é hora de frear.

É no ataque terrorista do 11 de Setembro de 2001 que se situa o marco zero de todo este solavanco político. Desde então, a segurança nacional tornou-se um instrumento de mil e uma utilidades políticas. Tome-se como exemplo o caso do atentado em Benghazi.

Para os republicanos, o governo abriu uma brecha indesculpável na segurança nacional ao omitir que fora um ato de terroristas islâmicos. Já para a agência de inteligência americana (CIA), principal responsável pela omissão, foi o contrário — resguardou-se a segurança nacional ao preservar algumas linhas de investigação futuras.

Também a justificativa para grampear telefones privados e profissionais de jornalistas ancorou-se em interpretações elásticas da segurança da população americana.

Já se passaram quase doze anos desde que o mundo viu as Torres Gêmeas serem tragadas no solo de Nova York. Desde então, parecer tímido em relação à defesa interna do país é anátema a ser americano. Qualquer cochilo adquire proporções de gravidade nacional, e o recente atentado em Boston praticado por dois irmãos originários do Cáucaso reforçou o sentimento.

Só que a blindagem perfeita não existe, sobretudo num regime democrático. Em contrapartida, o excesso de zelo, com conflitos entre departamentos e agências, abunda. Segundo dados divulgados pela CNN, perto de 720 mil nomes constariam da lista de suspeitos direta ou indiretamente vinculados a terrorismo, elaborada pelos vários serviços de inteligência dos Estados Unidos.

Paralelamente, existe um programa federal de delação premiada, o Witness Security Program, ou Witsec, que fornece identidade e vida nova a detidos que cooperam com informações sobre terrorismo. O Marshal’s Service, agência policial subordinada ao Departamento de Justiça, tem sob sua responsabilidade monitorar essas pessoas após sua soltura.

Soube-se esta semana que pelo menos dois beneficiários do programa simplesmente sumiram. Pior, podem ter saído do país em voos comerciais, sem qualquer problema, munidos dos novos documentos legais.

Isso porque o Departamento de Justiça não autoriza o repasse das novas identidades desses eventuais ex-terroristas ao Centro de Triagem que atualiza a lista de quem deve ser barrado em aeroportos e portos. Isso para citar apenas uma questiúncula no cipoal cheio de excessos e furos do Homeland Security.

Dias atrás, foi instalada no topo da primeira torre erguida na área em que ficavam as Torres Gêmeas um mastro de aço galvanizado de 124 metros de altura. Somando-se os 18 gomos do mastro aos 104 andares do reluzente arranha-céu a ser inaugurado em menos de um ano, a nova torre medirá exatamente 1.776 pés (541 metros), em homenagem ao ano da independência dos Estados Unidos.

Será, então, a edificação humana mais alta do Ocidente. Isto se o Council of Tall Buildings and Urban Habitats, entidade privada com sede em Chicago que atua como árbitro mundial na catalogação de arranha-céus, assim decidir.

No projeto original, o mastro vinha envolto numa redoma multifacetada de aço e fibra de vidro e integrava de forma clara o conjunto arquitetônico. Já na versão atual, o mastro é um espigão sem enfeites (porém US$ 20 milhões mais econômico) e por isso corre o risco de ser considerado mera antena. Se assim for, sua altura não será computada. O veredicto será anunciado em 2014.

Nova York e os Estados Unidos não precisam ter o arranha-céu mais alto do Ocidente para mostrarem sua grandeza. O superlativo indispensável para a viabilidade comercial do empreendimento o prédio já tem: “O mais sólido da história da engenharia civil.”

Construído para resistir ao impacto de um jato comercial, ele foi erguido sobre um pedestal de 20 andares como proteção a um eventual atentado com caminhões-bomba. Custou 4 bilhões de dólares. A torre que inicialmente se chamaria Torre da Liberdade foi rebatizada sem alarde de “One World Trade Center” (ou 1 WTC).

Melhor assim, em se tratando de prédio comercial. Angústia, dor, vazio, reflexão verdadeira têm a acolhida que merecem no impactante Memorial às Vítimas. Ali, duas piscinas monumentais de mármore preto, escavadas nos exatos locais antes ocupados pelas Torres Gêmeas, desaguam em cascatas de nove metros para um vazio central. Só isso, ininterruptamente.

Os nomes das quase três mil vítimas estão gravados em bronze em volta das duas piscinas. Fora isso não tem mais nada, só carvalhos brancos. Ali a palavra “liberdade” faz mais sentido.

 

 

18/05/2013

às 11:13 \ Disseram

“A pergunta é: quem vai para a cadeia?”

“A pergunta é: quem vai para a cadeia?”

John Boehner, presidente da Câmara dos Deputados, resumindo a evolução previsível do mais comprovado dos escândalos envolvendo o governo Obama, o do uso da Receita para perseguir adversários políticos

13/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Demétrio Magnoli: “Guantánamo é a síntese da barbárie judicial engendrada pela ‘guerra ao terror’. Obama tem a obrigação de resgatar seu compromisso de campanha e fechar a prisão

O lado externo da prisão que integra o complexo da base norte-americana de Guantánamo, em Cuba: longe dos melhores valores defendidos pelos Estados Unidos (Foto: Reuters)

 Artigo de Demétrio Magnoli publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo

“É ineficiente, fere nossa posição internacional, reduz a cooperação com nossos aliados nos esforços de contraterrorismo, é uma ferramenta de recrutamento para extremistas e precisa ser fechada”, explicou Barack Obama, para concluir no ponto certo: “É contrária àquilo que somos”.

O presidente americano referia-se à prisão de Guantánamo, onde cerca de 100 dos 166 detentos prosseguem numa greve de fome deflagrada por alguns deles mais de dois meses atrás. Ele não disse, claro, mas Guantánamo também é o nome da traição: o signo de um compromisso de princípios desonrado pelo próprio Obama.

A promessa de fechar a prisão offshore foi proclamada solenemente na primeira campanha presidencial, em 2008. No segundo mês de seu mandato original, Obama assinou uma ordem executiva para fechá-la, mas enfrentou feroz resistência bipartidária no Congresso.

Os parlamentares cortaram os fundos necessários à transferência de prisioneiros e adotaram diversas medidas destinadas a evitar que fossem enviados a qualquer outro lugar. O presidente tinha as alternativas de vetar as decisões parlamentares ou de utilizar prerrogativas do Executivo para circundá-las, mas preferiu inclinar-se.

Consenso político que, vergonhosamente, interliga o governo de Obama ao de Bush

Agora, quando assegura uma vez mais que Guantánamo “é contrária àquilo que somos”, ele precisa invocar a História e a Constituição para ocultar um consenso político que, vergonhosamente, interliga seu governo ao de George W. Bush.

Bush, seu vice, Dick Cheney, e seu secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, ergueram a prisão ilegal no curso de uma “guerra ao terror” que também borrou a assinatura de sucessivos presidentes americanos nas leis internacionais contra a tortura.

Obama prometeu restaurar o princípio que separa a civilização da barbárie e, de fato, proscreveu os métodos desumanos de interrogatório aplicados nos anos sombrios de seu predecessor.

Hoje, todavia, duas dezenas de prisioneiros de Guantánamo são submetidos a técnicas de alimentação forçada que violam seus direitos individuais e, para todos os efeitos, equivalem a tortura. Na expressão “aquilo que somos” está contida uma aspiração à eternidade. Entretanto, as nações mudam e mesmo os princípios mais sagrados estão sujeitos ao inclemente desgaste causado pela traição continuada.

O sociólogo e geógrafo Demétrio Magnoli (Foto: Lailson Santos)

Guantánamo é a síntese da barbárie judicial engendrada pela “guerra ao terror”. Concluídas as investigações, nenhuma acusação pesa sobre 86 dos detentos. Muitos deles deveriam ter sido soltos há anos, mas permanecem encarcerados, pois, sob alegações de “segurança nacional”, o Congresso proibiu tanto sua liberação em solo americano quanto o repatriamento para os países de origem.

Os demais, por decisão parlamentar, não podem ser processados por tribunais civis, mas também não são julgados pelas “comissões militares” inventadas nos tempos de Rumsfeld, cujos trabalhos foram interrompidos quando seus procedimentos se revelaram insanavelmente ilegais.

A greve de fome dos prisioneiros esquecidos, essas relíquias humanas dos anos de fúria, representa, objetivamente, um gesto de defesa das liberdades individuais e do império da lei. “Aquilo que somos”: neste momento, o rosto barbado dos detentos islâmicos de Guantánamo forma uma imagem exata dos princípios inscritos nos textos fundadores dos EUA.

O nome “Guantánamo” funciona como uma senha mágica para os “companheiros de viagem” dos tiranos

Os valores fundamentais, “aquilo que somos”, não deveriam ser pesados no prato da balança dos interesses utilitários. Mas Obama tem razão em sublinhar a “ineficiência” de Guantánamo, especialmente contra o pano de fundo do atentado terrorista em Boston.

Dzokhar Tsarnaev invocou o Afeganistão e o Iraque como motivações para a carnificina planejada pelos dois irmãos. Terroristas sempre terão pretextos para explodir pessoas inocentes. No limite, o vocabulário dos extremistas não exige mais que palavras como “imperialismo”, “capitalismo” ou “judeus”.

Entretanto, nada se compara à força persuasiva da verdade: as imagens dos detentos de Guantánamo, essas provas emaciadas de um poder que não reconhece o limite da lei, são uma “ferramenta de recrutamento” mais eficiente que qualquer discurso produzido na fábrica de ódio do jihadismo.

Guantánamo “fere nossa posição internacional”. É isso, e mais: Guantánamo fere a luta pelos direitos humanos e pelas liberdades civis no mundo inteiro. Seguindo uma triste tradição do governo Lula, Dilma Rousseff mencionou o nome da prisão offshore na sua visita a Cuba, no início de 2012, como pretexto para silenciar sobre a morte de um preso político em greve de fome na ilha dos ditadores amigos.

O nome funciona como uma senha mágica, um toque de reunião para os “companheiros de viagem” dos tiranos. Ele constava do dossiê infame preparado pela Embaixada de Cuba no Brasil contra Yoani Sánchez e foi repetido como um mantra pelos que tentaram cobrir sua voz com gritos insultuosos.

A chantagem dos “fanfarrões e covardes” que comandaram a política antiterror de Bush

Ele emerge ritualmente nos discursos dos chefes chavistas que ameaçam trancafiar opositores e fechar órgãos de imprensa.

Obama enuncia perfeitamente os males imensos causados pela prisão de Guantánamo, mas ainda vacila ante o imperativo de fechá-la.

Como explicou um editorial da revista The Economist, a chantagem dos “fanfarrões e covardes” que comandaram a política antiterror de Bush consiste em apontar os riscos de liberar os suspeitos de terrorismo encarcerados sem acusação.

O mito da bomba-relógio que faz tique-taque é o argumento clássico dos advogados da tortura. A resposta a essa malta de arautos da violação dos direitos humanos deveria ser clara e direta: muito pior que a ameaça hipotética de violência representada por esses indivíduos singulares é a desmoralização dos pilares filosóficos que sustentam as liberdades e os direitos.

Guantánamo é um trunfo dos jihadistas e dos tiranos. Se o presidente americano quer conservar “aquilo que somos”, tem a obrigação de, finalmente, resgatar seu compromisso de campanha.

28/04/2013

às 8:10 \ Disseram

A “tatuagem da família” de Barack Obama

“Se vocês, alguma vez, decidirem se tatuar, sua mãe e eu faremos exatamente a mesma tatuagem, no mesmo lugar. E vamos colocar no YouTube para exibir como uma tatuagem da família”

Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, sobre o que disse às filhas para convencê-las a ficar longe das agulhas dos tatuadores

21/04/2013

às 13:09 \ Disseram

Jaden Smith, concluindo sobre existência de extraterrestres após conversa com Barack Obama

“Ele disse que não podia confirmar nem negar a existência deles, o que significa que são reais”

Jaden Smith, de 14 anos, filho do ator americano Will Smith, deduzindo após uma conversa com o presidente Barack Obama que os extraterrestres existem

15/04/2013

às 20:14 \ Vasto Mundo

EUA: Estão evitando usar a palavra, mas o que houve em Boston foi terrorismo

Ambulâncias e paramédicos atendem as vítimas das bombas em Boston (Foto: AP)

Diante das responsabilidades que tem como governante do país mais poderoso do mundo, é até compreensível que o presidente Barack Obama tenha sido enérgico diante da explosão das bombas na Maratona de Boston — os responsáveis sentirão “o peso inteiro da Justiça” — mas não haja, ainda, pronunciado a palavra certa sobre o que ocorreu: terrorismo!

“Ainda não sabemos quem fez isso, ou por que fez, e as pessoas não devem tirar conclusões antes de que tenhamos todos os fatos”, disse o presidente. ”Mas não se enganem, nós iremos até o fim nisso… Nós vamos descobrir quem fez isso, e responsabilizá-los criminalmente”.

Sejam os autores malucos antissistema, fanáticos islâmicos ou partidários de partidos ou seitas exóticos, o que ocorreu em Boston foi, pura e simplesmente, terrorismo — artefatos explodindo, matando e ferindo gente a esmo, com o objetivo de instalar o medo, o caos e a insegurança.

Além disso, a toda a movimentação das autoridades converge para que o episódio horrendo esteja sendo tratado como uma ameaça à segurança interna dos Estados Unidos.

Vamos a alguns fatos:

1. O presidente assegurou que o governo está mobilizando “todos os seus recursos” para ajudar as autoridades locais de Boston e do Estado de Massachusetts a investigar o caso e “garantir a segurança”.

2. O presidente reuniu-se para ouvir briefings a respeito da assessora para assuntos de Segurança Interna, Lisa Monaco, e outros membros de sua assessoria mais próxima.

3. Obama convocou para reunião o diretor do FBI, Robert Mueller, e a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano.

4. O procurador-geral Eric Holder também reuniu-se com o diretor do FBH e também garantiu o emprego de “todos os recursos” do Departamento de Justiça (ao qual o FBI é subordinado) no caso.

5. A FAA — Administração Federal de Aviação — ordenou restrição de sobrevoo sobre a área de Boston em que ocorreram as explosões.

6. Seguindo protocolos de segurança, a Casa Branca interditou toda a área pública que dá para a Ala Oeste, onde trabalham o presidente e seus principais assessores.

7. Outras grandes cidades americanas além de Boston, entre elas Nova York e Washington, aumentaram as medidas de segurança.

8. A rede de televisão CNN informou que unidades de contra-terrorismo de diferentes procedências foram acionadas pelo governo.

9. As medidas de cautela se espalham pelo país afora. O prefeito de Danbury, no Estado de Connecticut, Marc Broughton, escreveu em seu Twitter: “Se vocês virem algo [suspeito], avisem”. E acrescentou: ”Todas as cidades ficarão em estado de alerta, de acordo com os protocolos do Departamento de Segurança Interna”. 

Bombinhas de São João não levam a esse tipo de movimentação.

Houve um atentado terrorista em Boston.

18/03/2013

às 16:02 \ Vasto Mundo

VÍDEO COM CENA RARA: Michelle Obama manda bem dançando na TV

Michelle dançando com Jimmy Fallon: desenvoltura em público (Foto: vibevixen.com)

A Folha de S. Paulo apresentou ontem reportagem de Washington informando como grande novidade, com ares de notícia exclusiva — como de hábito — a hipótese, cada vez mais aventada, de que a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, incursione por carreira política própria depois que o marido, Barack Obama, deixar definitivamente a Casa Branca, em janeiro de 2015.

Na verdade, a possibilidade vem sendo comentada há muito tempo por diferentes veículos, e até este modesto blog deu palpite nesse sentido. As razões são, obviamente, a grande exposição de que Michelle desfruta na mídia, mas também seu carisma pessoal, seus dotes de oratória, sua sólida formação como advogada e sua facilidade para se apresentar em público.

Demonstração ultra-eloquente desta última habilidade foi o show que Michelle deu no talk-show do apresentador e humorista Jimmy Fallon, da rede de televisão NBC, com quem dançou com grande desenvoltura. Com Fallon de peruca, maquiado e com roupas femininas — a canção que dançaram fala das mães –, a intenção de Michelle foi divulgar a campanha de sua iniciativa “Let’s Move” (“Vamos nos Mexer”), que incentiva pais a praticarem atividade física junto aos filhos como forma de melhorar a saúde de todos.

Vejam no vídeo como Michelle manda bem:

15/03/2013

às 20:44 \ Política & Cia

O Ministério de Dilma: um monstrengo gigantesco, impossível de ser pilotado com eficiência — e que ela não pode enxugar

Reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff (Foto: ABr)

Reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff: nem nossos dois imperadores, D. Pedro I e D. Pedro II, dispuseram de tamanho séquito administrativo (Foto: Agência Brasil)

Com a habitual franqueza, o empresário Jorge Gerdau — exemplo de empreendedor bem-sucedido, cujo império siderúrgico embasado no Brasil já se estende por vários Estados americanos — decretou: o país, disse em entrevista à Folha de S. Paulo e ao UOL, precisa apenas de “meia dúzia de ministérios”, e não dos 39 que respondem à presidente Dilma Rousseff.

Mais contundente, continuou ele, com a autoridade de quem está à frente, voluntariamente, da Câmara de Políticas de Gestão da presidente:

– Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Provavelmente estamos no limite desse período. (…) Eu já dei um toque na presidenta”.

Pois aí estamos. Com a recente criação da Secretaria da Micro e da Pequena Empresa, cujo futuro titular terá status de ministro, a presidente dispõe de um Ministério colossal, absurdo, gigantesco, talvez o maior Ministério de qualquer país do planeta, excetuadas eventualmente repúblicas corruptas da África, e com certeza o mais numeroso da história “deztepaiz”.

Mostrengo disforme e disfuncional

Não se trata apenas de um Ministério imenso. Pior que isso, a menos que ocorra o que prevê Gerdau, ele parece “imexível”, como diria um ex-ministro de triste memória: o ex-presidento Lula engordou enormemente a cúpula do governo em Brasília para melhor aquinhoar os chamados “partidos da base aliada” no Congresso — a conhecida salada que vai do PC do B ao malufismo, passando por fisiológicos do PMDB e siglas controladas por igrejas evangélicas –, Dilma seguiu adiante e agora é um problemaço político mexer nesse monstrengo disforme e disfuncional.

O Ministério de Dilma, como o do ex-presidento (que tinha 37 ministros), lembra a Hidra de Lerna da mitologia grega. A Hidra aparece no âmbito dos 12 trabalhos de Hércules, o semideus filho (adulterino) de Zeus, o rei dos deuses do Olimpo, com a mulher do rei de Tebas.

Não cabe neste espaço recordar relembrar a complicada história que levou Hércules, em busca de expiação e da imortalidade, a haver-se com uma dúzia de tarefas impossíveis. O fato é que já o segundo trabalho hercúleo consistia em enfrentar a Hidra, monstro aquático de nove cabeças, uma delas imortal.

O desafio era realmente para semideuses: para cada cabeça que o herói conseguia cortar, nasciam mais tantas quantas faltavam para decepar. Hércules, naturalmente, triunfou. Nem a cabeça imortal sobrou.

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek: presidente realizadores que chegaram a governar com um máximo de 11 ministros

Se fosse uma empresa, o dono ficaria louco

Não é que a presidente não saiba do problema. E não foi preciso o “toque” de Gerdau. Ela conhece perfeitamente o tamanho da encrenca.

Nos cinco anos em que pilotou a Casa Civil e nos quase quatro em que coordenou o tão falado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a hoje presidente manteve incontáveis encontros e reuniões de trabalho com empresários e executivos de grandes empresas, em vários casos de empresas multinacionais de dimensões gigantescas.

Portanto, a presidente, que é economista, nem precisaria perguntar a um desses seus freqüentes interlocutores se existiria, em suas companhias, alguma chance de dar certo o trato direto com 39 diretores.

Com certeza ouviria, como resposta, que lidar com 39 direct reports é um absurdo que fatalmente conduz a empresa a se tornar empresa burocratizada, hipopotâmica, aparvalhada – sem contar que o CEO, presidente ou dono provavelmente ficaria louco.

Pois um dos segredos do que hoje se considera uma boa governança empresarial consiste, justamente, por meio da delegação e outras formas de gestão, em diminuir o quanto possível o número de interlocutores obrigatórios de cada gestor em seu respectivo nível.

No 1º ano de mandato de Lula, a ministra só despachou uma vez com o presidento

O então presidento Lula acotovelou o máximo de partidos políticos possível no Ministério, em nome da “governabilidade”. Com isso, deixou inteiramente de lado qualquer busca de eficiência da máquina – no caso, a mais numerosa desde a Independência, em 1822. Nem nossos dois imperadores, D. Pedro I e D. Pedro II, dispuseram de tamanho séquito administrativo.

Reunião ministerial do presidente Barack Obama (Foto: Saul Loeb / AFP / Getty Images)

Reunião do presidente Barack Obama: equipe enxuta tocando o país mais rico e poderoso do mundo (Foto: Saul Loeb / AFP / Getty Images)

A multidão de gente elevada à categoria de ministros é tal que alguns raramente despacharam a sós com o presidento. Basta fazer as contas: levando-se em consideração as numerosas viagens ao exterior e os muitíssimos périplos pelo país, Lula, durante seus 8 anos de mandato, passou cerca de um terço de cada ano, ou pouco mais que isso, em Brasília.

Digamos que tenham sido 100, ou até 120 dias úteis por ano. Mesmo que despachasse diariamente com um ministro diferente — o que não ocorreu com Lula –, eles passariam mais de três meses sem contato com o ou a presidente. Não foi por outra razão que, no primeiro ano do primeiro lulalato, 2003, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mesmo sendo na época politicamente muito próxima a Lula, só despachou com ele uma única vez.

Dilma viaja menos. Ainda assim, é impossível avistar-se com os ministros tête-à-tête com uma frequência minimamente desejável.

Como todos sabemos, Lula sempre gostou de se comparar a presidentes com marca de realizadores, como Getúlio Vargas ou Juscelino Kubitschek. Nunca mencionou, contudo, nem de longe, comparações com o tamanho dos respectivos times.

Getúlio e JK tiveram um máximo de 11 ministros

Não obstante os tempos obviamente sejam outros, e mais complexos, Getúlio, em seus quatro diferentes períodos de governo e 18 anos de poder (de 1930 a 1945 e, depois, de 1951 a 1954), governou com um mínimo de 7 e um máximo de 11 ministros.

JK (1956-1961) contou com 11 ministros, e 5 titulares do que então se chamavam “órgãos de assessoramento”, como os gabinetes Civil e Militar.

E vamos evitar falar de nomes, pelo amor de Deus. Ministros de Getúlio, JK e outros presidentes foram não raro gigantes políticos, que o país conhecia e respeitava.

Quem é capaz de citar o nome de cinco dos 39 ministros atuais?

Praticamente todos os países sérios e maduros são governados por times enxutos. Os presidentes americanos, por exemplo, conseguem tocar adiante a superpotência de 315 milhões de habitantes e uma economia colossal de mais de 15 trilhões de dólares com 15 ministros. A chanceler Angela Merkel conduz a Alemanha, quarta maior economia do planeta e país mais rico e importante da Europa, com 17 ministros — em sua primeira gestão, eram 15.

É claro que a eficiência de uma máquina pública não se mede apenas pelas dimensões do Ministério. Entretanto, o primeiro e grande empecilho para que ela ande a contento é o tamanho exagerado — que Lula não levou em conta durante o primeiro mandato, continuou a fazê-lo no segundo e que a “gerentona” Dilma ainda conseguiu engordar mais.

14/03/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

Política de imigração de Obama facilitará a vida de milhões de “ilegais”, mas não é um “liberou geral”. Confiram

Agentes da Shadow Wolves (unidade de alfândega e imigração) vigiam a divisa entre Estados Unidos e México na reserva de Tohono O’odham, Arizona (Foto: John Moore / Getty Images)

Agentes da Shadow Wolves (unidade de alfândega e imigração) vigiam a divisa entre Estados Unidos e México na reserva indígena de Tohono O’odham, Arizona (Foto: John Moore / Getty Images)

 

O presidente Barack Obama provavelmente conseguirá aprovar no Congresso uma nova lei de imigração, depois do recente discurso em que anunciou, sem economizar palavras: “Nosso sistema de imigração está falido”. Poderá melhorar a vida de milhões de pessoas que vivem e trabalham clandestinamente nos Estados Unidos. Mas, diferentemente do que pensa muita gente, não haverá uma festa de “liberou geral”.

O governo estima que existam atualmente 11 milhões de imigrandes clandestinos vivendo nos Estados Unidos — e trabalhando numa economia subterrânea. É um grande drama humano: há imigrantes ou seus descendentes já cidadãos americanos esperando em longas filas para poderem reunir-se com outros membros de suas famílias, há ilegais com famílias inteiramente formadas e educadas nos Estados Unidos mas que vivem sob o temor da expulsão, há empregadores que exploram trabalhadores sem documentos.

Ao drama humano, soma-se, naturalmente, o econômico. Os ilegais não pagam a maioria dos impostos e o fato de se submeterem a trabalhos mal remunerados, além de violar seus direitos humanos, ameaça os salários e as condições de trabalho dos trabalhadores americanos”.

A política de Obama para dar um jeito nesse “sistema falido” espera fazer com que “todos atuem sob as mesmas regras”.

Vejam os pontos principais:

1. Antes de mais nada, aumentar a segurança nas fronteiras (especialmente, é claro, na fronteira com o México, embora o país não seja mencionado nos documentos oficiais da nova política);

2. Fiscalizar e punir as empresas que contratem trabalhadores sem documentos;

3. Propiciar a imigrantes ilegais a chance de obter a cidadania americana e assumirem as respectivas responsabilidades exigindo que aprendam inglês, paguem impostos e uma multa — além de entrarem na fila dos que, legalmente, aguardam a cidadania e serem submetidos a uma checagem geral de seus antecedentes;

4. Agilizar o processo de imigração legal para famílias e trabalhadores e facilitar a instalação, no país, de empresas estrangeiras.

Ato de cidadania (Foto: huffingtonpost.com)

Imigrantes que cumpriram as leis prestam juramento como novos cidadãos dos Estados Unidos (Foto: huffingtonpost.com)

Para quem quiser se aprofundar e atualizar-se sobre o andamento da questão — inclusive ver fala do presidente a respeito –, a casa Branca disponibiliza, infelizmente apenas em inglês quando, por sua própria natureza, deveria ter pelo menos versão em espanhol, este completíssimo site. 

 

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