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Barack Obama

11/11/2014

às 17:33 \ Política & Cia

Petição à Casa Branca para que os EUA “ajudem” contra a “marcha para o comunismo bolivariano” no Brasil quer que os EUA resolvam problema que é dos brasileiros. E tem o sinal da vocação para capacho

Dilma com Obama na Casa Branca: a verdade é que o presidente americano pode até se preocupar com os rumos do governo lulopetista, mas querer que se imiscua em assuntos internos do país é voltar a uma submissão que ficou para trás (Foto: planalto.gov.br)

Dilma com Obama na Casa Branca: a verdade é que o presidente americano pode até se preocupar com os rumos do governo lulopetista, mas querer que se imiscua em assuntos internos do país é voltar a uma submissão que ficou para trás (Foto: planalto.gov.br)

Publiquei ontem, no blog, notícia sobre a petição pública assinada por mais de 100 mil pessoas que, utilizando um recurso propiciado pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, pede à Casa Branca, afirma que a presidente Dilma Rousseff ganhou as eleições de forma ilegítima e comanda um processo de transformação do regime vigente no país em um “comunismo bolivariano”, em moldes “propostos pelo Foro de São Paulo”.

Diz, mais adiante, que os Estados Unidos “precisam ajudar” os “promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

No parágrafo final, a petição pede o seguinte:

“Nós pedimos uma posição da Casa Branca em relação à expansão do comunismo na América Latina. O Brasil não deseja e não vai ser uma nova Venezuela, e os Estados Unidos precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

Publiquei a notícia e, como não comentei, pode ser que haja leitores imaginando que eu concorde com o documento.

DE FORMA ALGUMA! As questões brasileiras — dificuldades, tropeços, dramas e tragédias – só cabe a nós, brasileiros, resolver. E de forma pacífica.

Acho que, SIM, o PT tem laços poderosos com o movimento bolivariano que aos poucos vai engolindo nações outrora plenamente democráticas da América Latina. Mas toda e qualquer reação a isso tem que partir dos brasileiros democratas que se opõem a essa aproximação e a esse alinhamento — como, aliás, ocorreu com os 51 milhões de eleitores que votaram em Aécio Neves na eleição do mês passado.

O que a petição à Casa Branca faz, na prática, é sugerir, se é que não PEDE, uma intervenção norte-americana no Brasil!

É o fim da picada. Somos tão viralatas que não podemos lidar com nossos próprios problemas?

Sem contar que o governo do presidente Barack Obama está obviamente atento e preocupado com os rumos da política externa e interna do lulopetismo, mas o mundo de hoje não comporta que os EUA se imiscuam em questões internas de um país do porte do Brasil. É inconcebível.

Que me perdoem os signatários de boa-fé, mas a petição caracteriza uma enorme vocação para capacho.

O porta-aviões "USS Forrestal", nau-capitânea da força-tarefa naval enviada pelos EUA ao Brasil nas proximidades do golpe de 1964 -- que deu meia-volta porque o governo Jango já fora derrubado (Foto: US Navy)

O porta-aviões “USS Forrestal”, nau-capitânea da força-tarefa naval enviada pelos EUA ao Brasil nas proximidades do golpe de 1964 — que deu meia-volta porque o governo Jango já fora derrubado (Foto: US Navy)

Essa atitude desastrada nos remete aos idos de março de 1964, quando o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, acertava com o então presidente Lyndon Johnson a chamada “Operação Brother Sam”, que mobilizou uma força-tarefa de nove navios de guerra da 4ª Frota americana, sob o comando da nau-capitãnea, o USS Forrestal, então o maior porta-aviões do mundo, que deslocava 59,5 mil toneladas para transportar uma tripulação de 5.500 homens e 90 dos mais modernos aviões do arsenal dos Estados Unidos.

A revelação completa do projeto de intervenção armada dos EUA no Brasil foi revelada, mais de uma década depois, por uma série de reportagens do grande jornalista Marcos Sá Corrêa, no Jornal do Brasil, resultado principalmente de sua paciente garimpagem de documentos mantidos secretos por muitos anos, mas depois tornados disponíveis na Biblioteca Presidencial Lyndon Johnson, em Austin, no Texas.

O grande jornalista Marcos Sá Corrêa: foi ele quem descobriu todos os detalhes sobre a "Operação Brother Sam", em fantástica contribuição à história do país (Foto: Arquivo Pessoal Marcos Sá Corrêa)

O grande jornalista Marcos Sá Corrêa: foi ele quem descobriu todos os detalhes sobre a “Operação Brother Sam”, em preciosa contribuição à história do país (Foto: Arquivo Pessoal Marcos Sá Corrêa)

As reportagens — uma preciosa contribuição à história contemporânea do país — foram depois reunidas no indispensável livro 1964, Visto e Comentado pela Casa Branca, publicado em 1977 pela Editora L&PM e esgotadíssimo — é uma tal raridade histórica que mesmo no sebo Estante Virtual, que reúne 12 milhões de livros de livrarias de todo o país, havia, hoje, um único exemplar disponível.

Capa do livro de Marcos: raridade

Capa do livro de Marcos: raridade

A task force levantou âncoras no dia 31 de março, mas foi desativada pelo embaixador Gordon já no dia 3 de abril, quando ainda singrava o Mar do Caribe, por absoluta desnecessidade. O governo de João Goulart já tinha caído de vez na véspera.

É justo dizer que não era só o embaixador que chamava os marines.

Os políticos reunidos em torno do então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e de dois “centros de estudos” conspiratórios ligados ao general Golbery do Couto e Silva, com a maior parte da elite empresarial brasileira e de executivos de grandes multinacionais, sem descartar praticamente toda a grande imprensa, estavam mergulhados até o pescoço na conspiração para derrubar o governo.

Parte considerável da opinião pública mostrava-se claramente — e infelizmente — em favor do golpe e do ataque à Constituição, como ficou claro nas chamadas “marchas da família com Deus pela liberdade” realizadas em várias cidades.

A quase-intervenção norte-americana, que contava com o silêncio cúmplice de generais golpistas, caso julgassem realmente necessária, foi um episódio de submissão que envergonha os brasileiros de bem, como ocorre com toda nação que preza sua soberania e dignidade.

A petição dirigida ao presidente Barack Obama, se não pede claramente intervenção armada, vai na mesma direção de submissão e complexo de viralatas.

Se nós, brasileiros, abrirmos mão de resolver nossas próprias encrencas, não merecemos o país melhor, mais justo, mais livre e democrático que desejamos.

10/11/2014

às 18:46 \ Política & Cia

Petição no site da Casa Branca pedindo manifestação de Obama contra “a expansão do comunismo no Brasil”, “promovido pela administração de Dilma Rousseff”, “nos moldes do Foro de São Paulo”, já passa das 100 mil assinaturas requeridas para uma posição oficial do governo dos EUA

O selo oficial da Casa Branca (Reprodução: The White House)

O selo oficial da Casa Branca (Reprodução: The White House)

 

A coisa pode não ter maiores consequências diplomáticas, mas não é propriamente uma boa propaganda para o governo da presidente Dilma Rousseff e para o PT.

Há uma petição no site da Casa Branca, já com bem mais das 100 mil assinaturas requeridas no prazo previsto (leia abaixo), pedindo que o governo do presidente Barack Obama tome posição “contra a expansão do comunismo bolivariano no Brasil promovido pela administração Dilma Rousseff”.

O título da petição é “Posicione-se contra a expansão do comunismo bolivariano no Brasil promovido pela administração de Dilma Rousseff”.

A petição já recebeu, até o momento em que redigi o post, 141.339 assinaturas — e as regras sobre este tipo de manifestação, baseada na Primeira Emenda à Constituição americana, estabelecem que com mais de 100 mil assinaturas em um mês o governo responderá oficialmente aos peticionários.

A iniciativa começou há menos de um mês, a 28 de outubro, e portanto haverá algum tipo de manifestação oficial da Casa Branca a respeito.

Em tradução livre, diz o texto da petição, cujo teor vocês podem conferir aqui:

“No dia 26 de outubro, Dilma Rousseff foi reeleita, e continuará o plano de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil — os moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo.

Sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi plenamente democrática, mas as urnas de votação usadas não são confiáveis, além do fato de que os dirigentes do Judiciário são em maioria membros do partido vencedor.

Políticas sociais também influenciaram a escolha da presidente, e pessoas foram ameaçadas com a perda de seus benefícios de alimentação (sic) se não reelegessem Dilma.

Nós pedimos uma posição da Casa Branca em relação à expansão do comunismo na América Latina. O Brasil não não deseja e não vai ser uma nova Venezuela, e os Estados Unidos precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

09/11/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Livro do ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia narra os bastidores da “diplomacia megalonanica” de Lula e de seu maior e mais humilhante fracasso

ALIANÇA PÍFIA — Lula e o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad em Brasília, em 2009: unidos para espezinhar os EUA (Foto: Dida Sampaio/AE)

ALIANÇA PÍFIA — Lula e o presidente iraniano e projeto de genocida Mahmoud Ahmadinejad — pária internacional que o lulopetismo acolheu com tapete vermelho — em Brasília, em 2009: unidos para espezinhar os EUA (Foto: Dida Sampaio/AE)

A SOMBRA DO FRACASSO

Em Aposta em Teerã, o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia revela que não foi por falta de aviso que o episódio mais humilhante da diplomacia lulista ocorreu

Resenha de Diogo Schelp publicada em edição impressa de VEJA

A política externa no governo de Luiz Inácio Lula da Silva ficou conhecida como “diplomacia megalonanica”. “Megalo” por suas pretensões de alterar o equilíbrio de poder entre países ricos e emergentes, de solucionar conflitos que se arrastam por décadas e de reivindicar para o Brasil uma liderança não apenas regional, mas global. “Nanica” porque, na prática, o soft power brasileiro, ou seja, o poder de influenciar nações sem o uso da ameaça militar, é insuficiente para atingir os objetivos grandiosos pretendidos pelo lulopetismo.

Em seu livro Aposta em Teerã (Objetiva; 152 páginas; 24,90 reais), que chega nesta semana às livrarias, Luiz Felipe Lampreia evita usar expressão tão irônica – e, por isso mesmo, tão eficiente em sintetizar a visão de mundo de Lula e de seus conselheiros internacionais. Sua análise do maior fracasso da diplomacia da era Lula, a tentativa de solucionar o impasse em torno do programa nuclear iraniano, em 2010, dá mais voltas, mas chega à mesma conclusão.

Escreve Lampreia: “O governo do presidente Lula sempre foi caracterizado por um forte desejo de protagonismo diplomático. No caso do Oriente Médio, demonstrou um excesso de voluntarismo, que se revelou gratuito e inútil. No caso do Irã, fez uma leitura por demais otimista do nosso papel internacional”. Eis uma descrição diplomática do que é ser megalonanico.

Lampreia chefiou o Itamaraty entre 1995 e 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso, período que Celso Amorim, o chanceler de Lula, depois afirmou ter sido marcado por uma diplomacia tímida e de subordinação “aos ditames de outras potências”. Na verdade, era apenas uma política externa que não se subordinava a interesses partidários.

Com os contatos que ainda mantém no meio diplomático, Lampreia reuniu informações de bastidores que demonstram como o anseio pelo protagonismo impediu que Amorim e Lula percebessem que as negociações com o Irã, em parceria com a Turquia, eram uma armadilha.

Um pouco antes de desembarcar em Teerã, Lula esteve na Rússia, ocasião em que o presidente Dimitri Medvedev alertou o colega brasileiro em conversa reservada que “o jogo já estava jogado” e que os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, já haviam concordado em impor novas sanções econômicas ao Irã. De nada adiantava, portanto, Lula arriscar a sua projeção externa em um acordo pífio com o Irã.

Depois, durante as duras negociações em Teerã, em diversos momentos os representantes iranianos perguntavam aos brasileiros e aos turcos se os americanos aprovavam o que estava sendo discutido ali. Afinal, sem o consentimento dos Estados Unidos, a suspensão das sanções, objetivo maior dos iranianos, jamais poderia ocorrer.

Amorim garantia-lhes, enfaticamente, que sim.

Ele estava se baseando em uma carta que o presidente Barack Obama escreveu para Lula, discorrendo sobre os planos do brasileiro de negociar com o Irã. Lampreia demonstra de maneira muito didática que Amorim fez uma interpretação equivocada da carta de Obama.

Em 17 de maio de 2010, divulgou-se a Declaração de Teerã, pela qual os aiatolás entregariam 1 200 quilos de urânio enriquecido para ser guardado na Turquia. No dia seguinte, Amorim recebeu uma ligação de Hillary Clinton, secretária de Estado americana, desautorizando o acordo.

Lula saiu humilhado do episódio. Foi a última grande aventura diplomática de seu governo. A sombra do fracasso em Teerã acompanha a diplomacia petista desde então.

08/11/2014

às 16:00 \ Política & Cia

Deus e o diabo no Planalto Central

(Foto: lifehopeandtruth.com)

No Planalto, uma guerra eterna entre deus e o diabo (Foto: lifehopeandtruth.com)

DEUS E O DIABO NO PLANALTO CENTRAL

Por Alfredo Attié*

Nunca fui fã do ministro Gilmar Mendes, do STF. Mas sua afirmação de politização do Supremo está muito longe de estar errada. Eu diria que é o reconhecimento puro e simples de uma obviedade.

Cada governo escolhe quem deseja para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. E sem nenhum controle. Nos Estados Unidos é mais ou menos assim, com a notável diferença de que há controle, exercido com seriedade pelo Senado. Lá, o presidente indica e tem de levar em consideração o que o Senado fará. Daí que há uma certa moderação do partidarismo, mas que não o afasta de nenhuma maneira. A Suprema Corte atual, por exemplo, é republicana e tem sido um grande obstáculo para o governo democrata de Obama.

Aqui, contudo, o Senado apenas realiza um bate-papo, sem levar em consideração sua função constitucional. O governo nomeia e – como se afirma, na gíria do dia a dia – emplaca o ministro.

A par disso, essa ideia muito tola de que não há politização – já vi até, para o meu espanto, gente abalizada da esquerda tentar cobrar apartidarismo dos magistrados do Supremo – não corresponde sequer à visão leiga, popular do tribunal. Por exemplo, Joaquim Barbosa é deus para os não-petistas e diabo para os petistas. O oposto se pode dizer de Ricardo Lewandowski, que é deus para os petistas e diabo para os não petistas.

Digo isso sem fazer crítica nenhuma – a não ser aos que desejam fazer as pessoas acreditarem numa inumana e artificial neutralidade dos que exercem o poder, aí incluído o poder judicial (si terrible parmi les hommes, como dizia um espírito pioneiro).

Quanto à separação de poderes, nunca foi afirmada por ninguém – a não ser por quem não leu a origem e as vicissitudes da teoria constitucional e política – e não existe em lugar algum. Nos Estados Unidos, por exemplo, há os checks and balances. No Brasil, há as oligarquias políticas, do passado e do presente. O Estado brasileiro é objeto de conquista, apropriação e colonização.

Nos Estados Unidos, há cidadãos. No Brasil súditos. Nos Estados Unidos, há os partidários dessa ou daquela ideologia, desse ou daquele partido político. No Brasil, há a claque e os claqueurs, e sobretudo, os que macaqueiam o termo “reforma política” sem saber nem do que se trata.

Ora, qualquer mudança legislativa ou constitucional é reforma, por definição. Basta propor mudanças e expô-las à discussão democrática. Não há necessidade de fingir que se trata de panaceia. Falar em reforma disso e daquilo parece mais um ato de desespero, de quem não consegue agir e é eleito para agir.

Como se trata de reforma “política”, por óbvio, cada um, cada facção, cada grupo (para não dizer cada partido – ainda um enigma, em nosso país, que passou sob ditadura a era da decadência do sistema puramente de representação – e criou uma Constituição atrasada, no seu tempo) tem a sua própria ideia do que sejam as mudanças – segundo seus interesses, suas paixões (se ainda remanescem) e razões (cada vez mais escondidas e gastas).

A pretensa reforma política é, em verdade, uma debate político a se travar entre os cidadãos. Não é imposição, muito menos engodo de consulta “popular”. A verdadeira reforma, que é revolução, somente virá com a educação do povo (negada pelos governantes e pelas oligarquias atuais – exatamente como faziam as antigas).

Povo educado não escolhe errado, pois debate com seriedade, sem ofensas pessoais e mentiras. E não se deixa enganar pelas mentiras e ofensas.

Quem muda, de fato, é o povo. Quem muda, de direito, somos nós.

*Alfredo Attié é doutor em Filosofia pela USP e Juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo

05/11/2014

às 18:00 \ Disseram

Não é o momento de comemorar

“Este não é um momento de celebração. É hora de o governo começar a obter resultados e implementar soluções para os desafios que nosso país enfrenta, começando com a nossa economia.”

John Boehner, líder republicano na Câmara dos Deputados americana, falando após as eleições de ontem, quando seu partido manteve a maioria na Casa e também ganhou o controle do Senado, ao afirmar que os deputados pretendem trabalhar com o presidente democrata Barack Obama

03/11/2014

às 17:30 \ Vasto Mundo

ELEIÇÕES NOS EUA: O controle republicano da Câmara e possível conquista do Senado não refletem a polarização americana

(Foto: Luke Sharrett/Getty Images)

Os balões para Mitch McConnell no Kentucky e como possível líder da maioria republicana no Senado (Foto: Luke Sharrett/Getty Images)

TRADIÇÕES, COCEIRA E FINGIMENTO NAS ELEIÇÕES AMERICANAS

Post publicado originalmente no blog de Caio Blinder, em VEJA.com

A divisão educacional do Instituto Blinder & Blainder oferece esta coluna com material didático sobre as eleições americanas da terça-feira. Em jogo estarão as 435 cadeiras da Câmara dos Deputados (onde o mandato é de dois anos e será expandida a maioria republicana), 36 das 100 cadeiras do Senado (onde o mandato é de seis anos e o suspense é se os republicanos deverão conseguir a maioria) e 36 dos 50 governos estaduais.

Eletrizante? Nem tanto, especialmente em uma eleição na qual não está em jogo o grande prêmio: a Casa Branca, que tem como inquilino o democrata Barack Obama.

Na tradição americana, o comparecimento às urnas em eleições do meio do mandato presidencial de quatro anos é mais baixo do que quando existe a disputa pela Casa Branca. Tem sido assim desde meados do século 19.

Nos últimos tempos, o perfil do eleitor nestas eleições de meio de mandato presidencial costuma favorecer os republicanos, pois o comparecimento é maior de votantes brancos e mais velhos. A coalizão democrata é mais presente nas eleições presidenciais (mulheres, jovens e minorias). Basta ver que Barack Obama foi reeleito em 2012 quando a taxa de desemprego estava acima de 8% (hoje está abaixo de 6%). Pesquisas confirmam maior entusiasmo republicano no atual ciclo eleitoral.

Em outra tradição americana, existe a “coceira dos seis anos”, ou seja, a ideia de que uma eleição no sexto ano de governo de um presidente com dois mandatos costuma enfraquecer o partido que controla a Casa Branca. Isto aconteceu com sete presidentes desde a Grande Depressão. Nada promissor para os democratas com a taxa de aprovação de Obama abaixo de 50% por mais de um ano. A dos republicanos no Congresso é bem mais melancólica, o que não serve de consolo para tantos candidatos democratas ao Senado que simplesmente fingem não conhecer o presidente na campanha eleitoral.

Já o dinheiro não finge. Controle do Congresso pode se revelar fugaz para os republicanos (pois é quase consenso que os democratas deverão retomar o controle do Senado em 2016, mas não o da Câmara), mas investimentos são mais caros do que nunca.

O independente Center for Responsive Politics estima que neste ciclo eleitoral serão gastos quase US$ 4 bilhões, a mais cara campanha da história em eleições do meio do mandato presidencial. Os republicanos estão gastando um pouco mais do que os democratas, algo natural na esteira da decisão da Corte Suprema de 2010, que tornou legal para as corporações (assim como para os sindicato) gastarem o quanto quiserem para apoiar ou atacar candidatos.

Mais uma tradição americana: os americanos resmungam sem cessar sobre seus políticos, mas a renovação no Congresso é pequena. Contribuição  de campanha favorece quem já tem a cadeira e o desenho eleitoral dos distritos beneficia o status quo. Para o azar dos democratas, existem mais disputas competitivas onde um democrata tem o assento.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

02/11/2014

às 6:00 \ Disseram

Competição com o presidente

“Senhor presidente, não toque na minha namorada.”

Mike Jones, dirigindo-se a Barack Obama, numa seção eleitoral de Chicago; Aia Cooper, namorada de Jones, votou nas eleições legislativas americanas ao lado do democrata

01/11/2014

às 12:00 \ Disseram

Problemas demais para Obama

“Obama tem muitas bolas na mão para dar conta. Rússia, Oriente Médio, ebola, Estado Islâmico, China. Sou cético quanto a ele ter mais espaço na agenda para a América Latina ou para o Brasil.”

Mel Levitsky, ex-embaixador dos EUA no Brasil, na Folha de S. Paulo

12/10/2014

às 17:15 \ Vasto Mundo

Saibam mais sobre o chamado “Estado Islâmico” e a luta do Ocidente contra o brutal grupo de terroristas decapitadores

(Foto: Reprodução/YouTube)

Estado Islâmico: o grupo terrorista é responsável por decapitações pavorosas, como a do jornalista americano James Foley (Foto: Reprodução/YouTube)

Por Tamara Fisch

A mais nova onda de terror que varre o Oriente Médio e ameaça o Ocidente tem nome: “Estado Islâmico”. Sob o título oficial de Estado Islâmico do Iraque e do Levante (daí a sigla ISIL, em inglês), o grupo radical jihadista atua desde abril do ano passado no Iraque e na Síria. Originalmente uma ramificação da Al-Qaeda, o movimento foi rejeitado pelos líderes, mas se manteve ativo e em expansão.

O grande objetivo do chamado Estado Islâmico é a criação de um califado – ou seja, um Estado governado por um líder político e religioso sob a lei islâmica, a Sharia – na região do Iraque e da Síria, inicialmente. Atualmente presente nos dois países e dominando militarmente grandes áreas de ambos, o grupo prometeu envolver na operação a Jordânia, o Líbano e a Palestina.

O “Estado Islâmico” veio ao centro das atenções em agosto, quando divulgou um horripilante vídeo da decapitação do jornalista americano James Foley, que fora mantido refém por quase dois anos após sua captura na Síria, em novembro de 2012. Desde então, já foram publicados mais três vídeos de assassinatos pelo mesmo método – as vítimas foram o jornalista americano Steven Sotloff, o trabalhador humanitário britânico David Haines e o voluntário britânico Alan Henning. Nem gente que estava na região para ajudar refugiados e miseráveis de todos os tipos escapou desses assassinos.

Cada vídeo publicado trouxe uma nova mensagem de ameaça aos Estados Unidos e aos seus aliados, que prometeram tomar atitudes em relação ao “Estado Islâmico”. O governo do presidente Barack Obama foi o primeiro a iniciar uma ação militar, após a publicação do vídeo da execução de Foley, cujo título era “Uma Mensagem à América”. Segundo os militantes, a execução cruel do jornalista foi uma forma de retaliação pelos ataques aéreos que os Estados Unidos estavam lançando sobre suas posições no Iraque, a pedido do governo do país.

Agora, mais de 50 países já se ofereceram para juntar-se à coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o “Estado Islâmico”. A lista inclui também a União Europeia e a Liga Árabe. Até mesmo a Rússia, cujo presidente, Vladimir Putin, vem ressuscitando um clima de guerra fria com os EUA, enviou aviões de combate à Síria para atacar os jihadistas, embora sem formalmente aderir à coalizão.

No Iraque, muçulmanos sunitas erguem a bandeira do Estado Islâmico (Foto: AP)

No Iraque, muçulmanos sunitas erguem a bandeira do “Estado Islâmico”, desejado por assassinos fanáticos e terroristas (Foto: AP)

Cada aliado está contribuindo para a missão de forma distinta.

Há o grupo dos países que fornecem suporte aéreo e equipamento militar (Iraque, Jordânia, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, França, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Austrália, Itália, República Tcheca, Albânia, Holanda, Estônia, Hungria, Turquia, Bélgica, Dinamarca e Líbano).

Outros cedem ajuda humanitária (Suécia, Kuwait, Suíça, Japão, Áustria, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Irlanda, Espanha, Eslováquia, Noruega, Luxemburgo e Qatar).

Várias outras nações expressaram apoio à coalizão ou se comprometeram a ajudar os esforços. O Brasil, no caminho contrário, mostrou como se sabe uma absurda tolerância com o terrorismo — a presidente Dilma Rousseff condenou os ataques ao Estado Islâmico e defendeu um diálogo com os jihadistas.

Os pavorosos vídeos dos assassinatos continuam sendo usado como recados aos governos que decidem agir contra o grupo terrorista. Após os jornalistas americanos, quando chegou a vez dos dois cidadãos britânicos, foi esclarecido nos próprios vídeos que “a culpa” era de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, por ter atacado o Estado Islâmico. Cada refém decapitado, como uma forma adicional de tortura e crueldade, foi forçado a recitar um discurso responsabilizando seu governo pelo que estava prestes a acontecer.

Do aeroporto de Erbil, no Curdistão iraquiano, armas alemãs são enviadas aos combatentes curdos que lutam contra o Estado Islâmico (Foto: Sebastian Wilke/Bundeswehr)

Do aeroporto de Erbil, no Curdistão iraquiano, armas alemãs são desembarcadas de um gigantesco cargueiro militar e destinadas aos combatentes curdos que lutam contra o “Estado Islâmico” (Foto: Sebastian Wilke/Bundeswehr)

O “Estado Islâmico”, que já foi associado a atos de tortura, inclusive estupros punitivos, apedrejamentos e crucificações, controla diversas cidades na Síria, entre elas Raqqa, e no Iraque, como Falluja e Mosul. Há estimativas que o grupo e seus aliados dominem entre 40 e 90 mil quilômetros quadrados. Seu poderio militar não é desprezível: utilizando petróleo extraído das regiões que controlam para obter armas e veículos de combate, mais de 30 mil militantes, segundo oficiais dos EUA, atuam nos dois países, muitos deles de outras nacionalidades.

A brutalidade característica de seus métodos se deve à interpretação literal que o grupo jihadista faz do Islã. Mesmo entre os seguidores da religião, o “Estado Islâmico” considera seus membros os únicos verdadeiros crentes, e fazem questão de seguir à risca passagens do Corão como as que dizem para “cortar as cabeças”. Tamanha crueldade é o motivo de milhões de muçulmanos mundo afora serem contra as ações do “Estado Islâmico”, e estarem organizando manifestações de protesto nos EUA, na Europa e na Ásia.

11/10/2014

às 6:00 \ Disseram

Ninguém imaginava a dimensão do problema

“Nosso chefe da comunidade de inteligência, Jim Clapper, reconheceu que eles subestimaram o que estava se passando na Síria.”

Barack Obama, presidente dos EUA, referindo-se, no programa 60 Minutes, da CBS, aos erros de avaliação em torno da real ameaça representada pelo Estado Islâmico (EI)

 

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