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Barack Obama

21/01/2015

às 18:00 \ Disseram

Duas vitórias

“Eu não tenho mais campanhas para concorrer. Sei disso porque ganhei as duas.”

Barack Obama, presidente americano, durante o discurso sobre o Estado da União, quando republicanos aplaudiram o fato de este ser seu último mandato

12/01/2015

às 14:31 \ Vasto Mundo

Obama fez muito mal em não estar junto a importantes governantes do mundo no repúdio ao terror. E perguntar não ofende: custava Dilma ter ido a Paris se solidarizar com a França?

As autoridades que marcharam: o sexto da esquerda para a direita é Mariano Rajoy, chefe de governo da Espanha, vindo a seguir David Cameron, primeiro-miistro do Reino Unido; ao centro, de terno azul, sem abrigo, o presidente francês, François Hollande, tendo ao lado a chanceler alemã Angela Merkel; num segundo plano, da esquerda para a direita, o quarto, de cabelos brancos, é o muçulmano Mohammed Abbas, presidente da Autoridade Palestina (Foto: gouvernement.fr/Fotos Públicas)

Entre as autoridades que marcharam, grupo a que faltaram Obama e Dilma: o sexto da esquerda para a direita é Mariano Rajoy, chefe de governo da Espanha, vindo a seguir David Cameron, primeiro-miistro do Reino Unido; ao centro, de terno azul, sem abrigo, o presidente francês, François Hollande, tendo à sua direita (esq. na foto) o presidente muçulmano do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, e do outro o lado a chanceler alemã Angela Merkel, que conversa com seu colega da Itália, Matteo Renzi; num segundo plano, da esquerda para a direita, o quarto, de cabelos brancos, é o muçulmano Mohammed Abbas, presidente da Autoridade Palestina (Foto: gouvernement.fr/Fotos Públicas)

Quem quer ser líder na luta contra o terrorismo tem que estar ao lado dos amigos e aliados quando eles passam por um péssimo momento.

Foi mais ou menos isso que disse, com absoluta razão, sobre a ausência do presidente Barack Obama na grande manifestação de domingo em Paris que contou com dezenas de governantes de diferentes países o analista político David Gergen, a um certo ponto da longa e esplêndida cobertura que a rede de TV norte-americana CNN tem dedicado aos atos terroristas praticados na França ao longo da semana e às manifestações de solidariedade à liberdade e à França, e de repúdio ao terrorismo.

Gergen, diretor do Centro para Liderança Pública da John F. Kennedy School of Government da Universidade Harvard, fala com a autoridade de seus títulos acadêmicos mas, sobretudo, a de quem serviu em diferentes posições a quatro presidente norte-americanos, o último deles o democrata Bill Clinton.

Aparentemente, num erro de julgamento, Obama deixou-se levar por considerações de segurança sopradas por seus assessores na área de segurança nacional, que agiram sem a visão de estadista necessária em tais momentos, e que se esperava que Obama tivesse. As esforçadas tentativas de explicação do secretário de Estado John Kerry em nada ajudaram.

Mas, feito o registro, vem meu perguntar não ofende: por que raios a presidente Dilma Rousseff não deu um pulo a Paris, onde bastaria permanecer poucas horas e participar do ato que encabeçou a gigantesca manifestação de 1,5 milhão de pessoas para o Brasil marcar pontos com as grandes nações do Ocidente? Para o Brasil mostrar claramente ao mundo sua postura a favor da imprensa livre e das liberdades públicas, e de repúdio ao terrorismo?

Sim, a presidente fez até mais do que os partidos de oposição, ao divulgar nota de repúdio a respeito dos atos de barbárie praticados por radicais jihadistas. Mas é pouco! Fico me perguntando se a presidente faltaria a uma marcha em solidariedade a algum dano que sofressem governos bolivarianos como o de Cuba ou da Venezuela.

Não desejo mal a ninguém, mas suponhamos que um atentado terrorista, digamos na Venezuela, provocado por ferozes adversários do caudilho Nicolás Maduro, tivesse matado vários jornalistas de um dos muitos jornais mantidos pelo governo bolivariano. Alguém duvida de que Dilma estaria lá, firme, solidária, ao lado de Lula, de Cristina Kirchner, de Evo Morales?

O Brasil esteve representado em Paris pelo embaixador junto à França, José Maurício Bustani.

05/01/2015

às 17:24 \ Vasto Mundo

FOTO GENIAL: Obama mata uma mosca… no Gabinete Oval

Obama pega a mosca, e os assessores caem na risada (Foto: Pete Souza)

Obama pega a mosca, e os assessores caem na risada (Foto: Pete Souza)

Esta foto é uma dica do amigão do blog Hugo Sterman Filho, sempre atento.

É mais um trabalho esplêndido do fotógrafo oficial da Casa Branca, Pete Souza.

Flagra o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, matando uma mosca.

Como qualquer outro mortal, o homem mais poderoso do mundo dobrou uma revista, foi atrás do chatíssimo inseto e — vapt! — conseguiu eliminá-lo.

Assim, ficamos sabendo, de forma documentada, que até no limpíssimo e asséptico Gabinete Oval, de onde presidentes americanos decidem os destinos do mundo, aparecem pequenas visitas indesejáveis.

29/12/2014

às 17:00 \ Vasto Mundo

A retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba é uma oportunidade única para melhorar as condições de vida na ditadura dos irmãos Castro

(Foto: PA)

No regime castrista, direitos humanos e liberdade de expressão não são garantidos, mas os EUA podem ajudar (Foto: PA)

UMA OPORTUNIDADE ÚNICA

Artigo de José Miguel Vivanco* publicado no jornal O Globo

A reviravolta na política externa do presidente Barack Obama em relação a Cuba é uma lufada de ar fresco que oferece a possibilidade de alcançar avanços genuínos em matéria de direitos humanos, caso o governo dos Estados Unidos atue de forma inteligente.

Os críticos da decisão do presidente Obama de restabelecer relações diplomáticas plenas com Cuba argumentam que os Estados Unidos abandonaram seu compromisso com a proteção dos direitos humanos na ilha. Outros afirmam ainda que a nova abordagem de Obama premia Cuba, ao abrir mão do instrumento de pressão que os Estados Unidos supostamente têm contra o regime autoritário cubano. Esta posição é profundamente errada.

A confusão surge a partir da própria retórica equivocada do governo americano, determinado a manter um embargo de custo elevado. Durante décadas, Washington defendeu teimosamente que o embargo era necessário para promover os direitos humanos e a mudança democrática em Cuba. Mas na realidade, o embargo não contribuiu de forma alguma para melhorar a situação dos direitos humanos na ilha. Pelo contrário, ele impôs dificuldades indiscriminadas ao povo cubano e protegeu o governo de Cuba da crítica internacional.

Em vez de isolar Cuba, essa política tem isolado os Estados Unidos, ao permitir que o governo de Castro desperte simpatia no exterior e, ao mesmo tempo, deixando Washington sem o apoio de grandes parceiros para promover os direitos humanos na ilha.

Não é uma surpresa que os defensores dos direitos humanos em Cuba e no exterior, assim como a maioria dos Estados na Assembleia Geral da ONU (188 de um total de 192 que votaram em uma resolução em outubro), peçam repetidamente que o embargo dos Estados Unidos acabe.

Por outro lado, além de algumas reformas positivas implementadas nos últimos anos, o governo cubano está ainda envolvido em abusos sistemáticos destinados a punir os críticos e evitar a dissidência.

Em 2010 e 2011, o governo de Cuba libertou dezenas de presos políticos em troca de aceitar seu exílio. Desde então, Havana tem usado sentenças prolongadas para punir dissidentes com uma frequência muito menor e flexibilizou as restrições draconianas sobre viagens que dividiam famílias e impediam que críticos entrassem e saíssem de Cuba.

No entanto, o governo cubano emprega outras táticas para reprimir os indivíduos e grupos que criticam o governo ou reivindicam direitos fundamentais. Nos últimos anos, as prisões arbitrárias e detenções breves têm aumentado significativamente, o que muitas vezes impede que os defensores dos direitos humanos, jornalistas independentes e outros possam se reunir ou se mover livremente.

Muitas vezes, as prisões preventivas são feitas para impedir que as pessoas participem de marchas ou reuniões pacíficas para discutir política. É comum que os detidos sofram espancamentos, recebam ameaças e permaneçam incomunicáveis durante horas ou dias.

O governo controla todos os meios de comunicação existentes em Cuba e restringe fortemente o acesso a informações provenientes do exterior, cerceando severamente o direito à liberdade de expressão. Apenas uma ínfima proporção da população é capaz de ler sites e blogs independentes, devido ao acesso limitado à internet e seu alto custo.

A evidência empírica demonstra que era irracional continuar insistindo em uma política que nunca alcançou os objetivos a que se propunha. A via unilateral, um resquício da Guerra Fria, estava esgotada há décadas, e é exatamente por isso que o início do desmantelamento iniciado pela Casa Branca abre uma oportunidade única.

*José Miguel Vivanco é diretor para as Américas da Human Rights Watch

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27/12/2014

às 15:30 \ Vasto Mundo

Saibam mais sobre o chamado “Estado Islâmico” e a luta do Ocidente contra o brutal grupo de terroristas decapitadores

(Foto: Reprodução/YouTube)

Estado Islâmico: o grupo terrorista é responsável por decapitações pavorosas, como a do jornalista americano James Foley (Foto: Reprodução/YouTube)

Post publicado originalmente a 12 de outubro de 2014

Por Tamara Fisch

Campeões-de-audiênciaA mais nova onda de terror que varre o Oriente Médio e ameaça o Ocidente tem nome: “Estado Islâmico”. Sob o título oficial de Estado Islâmico do Iraque e do Levante (daí a sigla ISIL, em inglês), o grupo radical jihadista atua desde abril do ano passado no Iraque e na Síria. Originalmente uma ramificação da Al-Qaeda, o movimento foi rejeitado pelos líderes, mas se manteve ativo e em expansão.

O grande objetivo do chamado Estado Islâmico é a criação de um califado – ou seja, um Estado governado por um líder político e religioso sob a lei islâmica, a Sharia – na região do Iraque e da Síria, inicialmente. Atualmente presente nos dois países e dominando militarmente grandes áreas de ambos, o grupo prometeu envolver na operação a Jordânia, o Líbano e a Palestina.

O “Estado Islâmico” veio ao centro das atenções em agosto, quando divulgou um horripilante vídeo da decapitação do jornalista americano James Foley, que fora mantido refém por quase dois anos após sua captura na Síria, em novembro de 2012. Desde então, já foram publicados mais três vídeos de assassinatos pelo mesmo método – as vítimas foram o jornalista americano Steven Sotloff, o trabalhador humanitário britânico David Haines e o voluntário britânico Alan Henning. Nem gente que estava na região para ajudar refugiados e miseráveis de todos os tipos escapou desses assassinos.

Cada vídeo publicado trouxe uma nova mensagem de ameaça aos Estados Unidos e aos seus aliados, que prometeram tomar atitudes em relação ao “Estado Islâmico”. O governo do presidente Barack Obama foi o primeiro a iniciar uma ação militar, após a publicação do vídeo da execução de Foley, cujo título era “Uma Mensagem à América”. Segundo os militantes, a execução cruel do jornalista foi uma forma de retaliação pelos ataques aéreos que os Estados Unidos estavam lançando sobre suas posições no Iraque, a pedido do governo do país.

Agora, mais de 50 países já se ofereceram para juntar-se à coalizão liderada pelos Estados Unidos para combater o “Estado Islâmico”. A lista inclui também a União Europeia e a Liga Árabe. Até mesmo a Rússia, cujo presidente, Vladimir Putin, vem ressuscitando um clima de guerra fria com os EUA, enviou aviões de combate à Síria para atacar os jihadistas, embora sem formalmente aderir à coalizão.

No Iraque, muçulmanos sunitas erguem a bandeira do Estado Islâmico (Foto: AP)

No Iraque, muçulmanos sunitas erguem a bandeira do “Estado Islâmico”, desejado por assassinos fanáticos e terroristas (Foto: AP)

Cada aliado está contribuindo para a missão de forma distinta.

Há o grupo dos países que fornecem suporte aéreo e equipamento militar (Iraque, Jordânia, Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, França, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Austrália, Itália, República Tcheca, Albânia, Holanda, Estônia, Hungria, Turquia, Bélgica, Dinamarca e Líbano).

Outros cedem ajuda humanitária (Suécia, Kuwait, Suíça, Japão, Áustria, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Irlanda, Espanha, Eslováquia, Noruega, Luxemburgo e Qatar).

Várias outras nações expressaram apoio à coalizão ou se comprometeram a ajudar os esforços. O Brasil, no caminho contrário, mostrou como se sabe uma absurda tolerância com o terrorismo — a presidente Dilma Rousseff condenou os ataques ao Estado Islâmico e defendeu um diálogo com os jihadistas.

Os pavorosos vídeos dos assassinatos continuam sendo usado como recados aos governos que decidem agir contra o grupo terrorista. Após os jornalistas americanos, quando chegou a vez dos dois cidadãos britânicos, foi esclarecido nos próprios vídeos que “a culpa” era de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, por ter atacado o Estado Islâmico. Cada refém decapitado, como uma forma adicional de tortura e crueldade, foi forçado a recitar um discurso responsabilizando seu governo pelo que estava prestes a acontecer.

Do aeroporto de Erbil, no Curdistão iraquiano, armas alemãs são enviadas aos combatentes curdos que lutam contra o Estado Islâmico (Foto: Sebastian Wilke/Bundeswehr)

Do aeroporto de Erbil, no Curdistão iraquiano, armas alemãs são desembarcadas de um gigantesco cargueiro militar e destinadas aos combatentes curdos que lutam contra o “Estado Islâmico” (Foto: Sebastian Wilke/Bundeswehr)

O “Estado Islâmico”, que já foi associado a atos de tortura, inclusive estupros punitivos, apedrejamentos e crucificações, controla diversas cidades na Síria, entre elas Raqqa, e no Iraque, como Falluja e Mosul. Há estimativas que o grupo e seus aliados dominem entre 40 e 90 mil quilômetros quadrados. Seu poderio militar não é desprezível: utilizando petróleo extraído das regiões que controlam para obter armas e veículos de combate, mais de 30 mil militantes, segundo oficiais dos EUA, atuam nos dois países, muitos deles de outras nacionalidades.

A brutalidade característica de seus métodos se deve à interpretação literal que o grupo jihadista faz do Islã. Mesmo entre os seguidores da religião, o “Estado Islâmico” considera seus membros os únicos verdadeiros crentes, e fazem questão de seguir à risca passagens do Corão como as que dizem para “cortar as cabeças”. Tamanha crueldade é o motivo de milhões de muçulmanos mundo afora serem contra as ações do “Estado Islâmico”, e estarem organizando manifestações de protesto nos EUA, na Europa e na Ásia.

27/12/2014

às 12:00 \ Disseram

Fim de uma era

“Estamos mais seguros. O Afeganistão não será mais uma fonte de ataques terroristas.”

Barack Obama, presidente americano, ao comemorar o fim da missão de combate no Afeganistão, marcado oficialmente para a semana que vem

21/12/2014

às 18:30 \ Vasto Mundo

A Rússia ronca grosso — mas o “império” de Putin tem pés de barro

Putin entrando solenemente no Salão São Jorge do Kremlin: muita pompa e pouco músculo (Foto: Sergei Ilnitsky / AFP)

Putin entrando solenemente no Salão São Jorge do Kremlin: mais pompa e retórica do que músculos verdadeiros (Foto: Sergei Ilnitsky / AFP)

Post publicado originalmente a 7 de abril de 2014

Campeões-de-audiênciaHá especialistas em relações internacionais que consideram a anexação, pela Rússia, da península da Crimeia, parte integrante da Ucrânia, como o acontecimento político mais significativo desde a dissolução da União Soviética, em dezembro de 1991.

Pode ser exagero, pode não ser. O fato é que, com o ato, com declarações grandiloquentes e críticas pesadas aos Estados Unidos disparadas desde o faustoso Salão São Jorge do Kremlin, o presidente russo Vladimir Putin acrescentou mais uma etapa ao que pretende ser a construção de uma importância estratégica essencial da Rússia no cenário mundial.

Aproveita-se, para isso, de fatores como a instabilidade generalizada provocada pela brutal crise econômico-financeira de 2008, as limitações gritantes das organizações internacionais e do contrapé em que se encontra a superpotência americana, saindo de duas guerras que não conseguiu terminar de modo aceitável e que lhe sangraram em milhares de baixas e trilhões de dólares.

Diante de tudo isso, pode parecer um ato de arrogância o que fez dias atrás o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a reunião de cúpula sobre segurança nuclear em Haia, na Holanda, quando menosprezou o poderio soviético dizendo:

– A Rússia é uma potência regional que ameaça a alguns de seus vizinhos mais próximos não por sua força, mas por sua debilidade.

Obama na cúpula sobre segurança nuclear em Haia, na Holanda: comentário sobre a Rússia ser "potência regional" foi premeditado, e visou as fragilidades de um país poderoso, mas longe do que Putin pretende que seja (Foto: AFP / Pool / Yves Herman)

Obama na cúpula sobre segurança nuclear em Haia, na Holanda: comentário sobre a Rússia ser “potência regional” foi premeditado, e visou as fragilidades de um país poderoso, mas longe do que Putin pretende que seja (Foto: AFP / Pool / Yves Herman)

Santo Deus! “Potência regional” uma potência nuclear com 1.480 ogivas atômicas operacionais, mais 2.000 armas nucleares táticas (curto alcance) e outras pouco mais de 1.000 estocadas, segundo estimativas da Federação Americana de Cientistas?

“Potência regional” que tem poder de veto — e como usa! — no Conselho de Segurança da ONU?

Que dispõe das maiores reservas de petróleo comprovadas do planeta?

Presidentes de países importantes, porém, em reuniões importantes como a de Haia, não jogam conversa fora em público. O que Obama disse foi, obviamente, premeditado, com alvo certo — as fragilidades do “império” que Putin quer restabelecer, seja com a grandeza passada do império czarista, seja com o peso estratégico do império soviético.

A Rússia está longe do que Putin pretende projetar. Tem grandes vulnerabilidades, começando por sua maior riqueza — o petróleo /gás natural. O país depende excessivamente desse único item para tocar sua economia, e o petróleo não apenas está sujeito a frequentes oscilações de preço como começa a enfrentar a forte concorrência do óleo e do gás produzidos a partir do xisto, dos quais os EUA guardam a maior reserva do planeta.

A excessiva concentração na indústria petrolífera provoca, entre outros efeitos, investimentos abaixo do necessário na atualização tecnológica de outras indústrias.

Outra questão são as Forças Armadas. Apesar dos esforços do presidente em suas duas passagens anteriores pelo poder e do empenho no atual mandato, boa parte do material bélico do país está obsoleto, mau conservado ou defasado tecnologicamente.

E, sobretudo, embora se trate de Forças Armadas respeitáveis e ainda poderosas, quando não se fala do arsenal nuclear faltam-lhes armamentos vitais.

Para ficar em um único exemplo, em matéria de um elemento crucial para domínio dos mares e de projeção de poder, os porta-aviões (e respectivas escoltas), a Rússia dispõe de apenas um único, de propulsão não nuclear e velho de 19 anos, o Almirante Kuznetzov.

 

Tanques russos obsoletos aguardam modernização enferrujando em pátio: Forças Armadas ainda respeitáveis, mas com sérias deficiências (Foto: AP)

Tanques russos obsoletos aguardam modernização enferrujando em pátio: Forças Armadas ainda respeitáveis, mas com sérias deficiências (Foto: AP)

Já os Estados Unidos mantêm nada menos do que 10 mortíferos porta-aviões atômicos em atividades, mais dois em reserva e três em construção, sendo que o primeiro destes, o Gerald R. Ford, um gigante capaz de levar 90 aeronaves militares, estará em serviço ativo no ano que vem.

As debilidades russas aparecem igualmente em outras áreas. Um problema gravíssimo é o déficit demográfico, algo especialmente importante num país que, com seus espantosos 17 milhões de quilômetros quadrados (o dobro do Brasil): a população russa não apenas não cresce como seria necessário, como vem decrescendo.

Putin já em 2006 classificou a questão como “o problema mais agudo da Rússia contemporânea”, ao mesmo tempo em que lançava um programa de estímulos a casais que quisessem ter um segundo filho.

O fato é que, nos últimos 20 anos, a população caiu de 148 milhões para os atuais 142,5 milhões (estimativa 2014 da publicação especializada World Population Review), e a Divisão de População da ONU (UNPD) projeta, para 2025, um máximo de 136 milhões a um mínimo de 121 milhões de habitantes, dependendo do comportamento da população. Para 2030, pode baixar para 115 milhões.

A expectativa de vida para os homens situa a Rússia entre os 50 piores países do mundo nesta questão e é espantosamente baixa para um país com bom grau de desenvolvimento – 64 anos, muito menos do que os 71 do Brasil! Para não falar de um país como o Canadá, em que o número se aproxima dos 80 anos.

Essa situação se deve principalmente ao disseminado problema do alcoolismo e à piora dos serviços públicos na área médica durante os primeiros e caóticos anos pós-comunismo. Os dados são assustadores: reportagem recente do jornal britânico The Guardian mostrou que um quarto (25%) dos russos do sexo masculino morre antes de chegar aos 55 anos, contra um índice, por exemplo, de 7% no Reino Unido.

Finalmente, há a questão das dimensões da economia. Como escreveu recentemente o analista Andrea Rizzi no jornal madrilenho El País, “a capacidade de influência internacional e o poderio militar não podem subsistir sem uma subjacente prosperidade econômica”. E a Rússia, não custa lembrar, com seus 2 trilhões de dólares, tem um Produto Interno Bruto igual ao da comparativamente minúscula Itália. A soma de produtos e serviços do país de Putin equivale a apenas 25% da riqueza da China e um oitavo da dos Estados Unidos.

Tudo somado, perfaz um país com problemas, e também um grande país — mas longe, ainda, por ter pés de barro, do colosso que Putin pretende.

20/12/2014

às 14:00 \ Vasto Mundo

Os EUA e Cuba deram um grande passo ao retomar as relações, mas os problemas entre os países não acabaram

(Foto: Reuters)

EUA e Cuba: o país de Obama ainda exerce um embargo sobre a ilha, e Castro ainda preserva uma ditadura (Foto: Reuters)

EUA ESTENDEM A MÃO A CUBA

Editorial publicado no jornal O Estado de S. Paulo

A reaproximação entre EUA e Cuba após 53 anos de ruptura deve ser comemorada pelas formidáveis implicações históricas, mas com cautela. Se mais um capítulo da guerra fria enfim se encerra, não se pode dizer com certeza se Cuba está no caminho de uma autêntica mudança que, enfim, represente a tão sonhada liberdade a seus sofridos habitantes.

Para que o desfecho desse evento histórico seja de fato motivo de festa, será preciso que a ditadura cubana mostre real disposição de aceitar que seu tempo já acabou. Por ora, somente os Estados Unidos fizeram gestos significativos para provar sua vontade de quebrar o cinquentenário impasse nas relações, na mais importante mudança de sua política externa na história recente.

Além de libertar três cubanos que haviam sido presos por espionagem, o governo do presidente Barack Obama tomou uma série de medidas para favorecer a economia de Cuba. Primeiro, Washington retirou Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo – e isso vai permitir que a ilha busque financiamento externo, tanto em bancos como em organismos multilaterais, o que é crucial para um país cujo principal financiador, a Venezuela, também está à beira do colapso.

Além disso, Obama vai aumentar a emissão de autorizações para viagens ao país e ampliar o teto para compras de mercadorias cubanas. A lista de produtos que poderão ser exportados para Cuba também deve crescer e incluir materiais de construção, demandados pelo ainda incipiente setor privado cubano, além de equipamentos para a agricultura e produtos tecnológicos para atualizar o precário sistema de comunicação da ilha.

Essas medidas servem como atalho para contornar o bloqueio político e econômico estabelecido pelos Estados Unidos contra Cuba em 1962 e reforçado em 1996. Tal embargo só pode ser cancelado pelo Congresso americano – algo difícil de acontecer num futuro próximo, porque a oposição republicana, que controlará as duas Casas do Legislativo a partir do ano que vem, sempre teve apoio dos exilados cubanos, normalmente refratários a qualquer distensão com o regime dos irmãos Castro.

Obama, no entanto, ciente de que a nova geração de cubano-americanos é favorável ao fim do embargo, comprometeu-se a se empenhar para mudar esse cenário – e sua decisão de trocar embaixadores com Cuba sem que antes tenha havido uma mudança de regime em Havana cria um fato consumado que os congressistas americanos, mesmo os mais renitentes, terão de levar em conta nos próximos tempos. “Esses 50 anos mostraram que o isolamento não funciona. É hora de uma nova abordagem”, discursou Obama.

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18/12/2014

às 0:00 \ Disseram

No es fácil

“Os cubanos têm uma frase sobre a vida diária: no es fácil. Hoje, os Estados Unidos querem ser um parceiro para fazer a vida dos cubanos comuns um pouco mais fácil, mais livre, mais próspera.”

Barack Obama, presidente americano, ao anunciar a retomada das relações diplomáticas com Cuba, rompidas em 1961

17/12/2014

às 18:30 \ Vasto Mundo

Estados Unidos e Cuba reatam laços diplomáticos rompidos em 1961

(Foto: Reuters)

Obama e Castro: relações foram retomadas, mas ambos deixaram claro que seus problemas não estão resolvidos (Foto: Reuters)

Obama anunciou a normalização das relações diplomáticas com a ilha dos irmãos Castro. Papa Francisco teve papel-chave na negociação entre os países

De VEJA.com

O governo dos Estados Unidos iniciou nesta quarta-feira uma aproximação histórica de Cuba, ao anunciar a normalização das relações diplomáticas plenas e o alívio de diversas sanções em vigor há mais de meio século, desde 1961, informou o presidente Barack Obama em um pronunciamento na Casa Branca.

O presidente americano manteve na terça-feira uma longa conversa telefônica com o ditador cubano, Raúl Castro, disse a fonte, e ambos acordaram a abertura de embaixadas “nos próximos meses”. Obama anunciou “fim de uma política obsoleta” em relação a Cuba e que “fracassou durante décadas”.

Em um acordo costurado durante dezoito meses de negociações secretas hospedadas em grande parte no Canadá e encorajado pelo papa Francisco, que organizou uma reunião final no Vaticano, o presidente Obama e o ditador Raúl Castro de Cuba concordaram em deixar de para trás décadas de hostilidade para construir uma nova relação entre os EUA e a ilha comunista que fica a apenas noventa minutos da costa americana.

Em seu pronunciamento, Obama agradeceu ao papa Francisco e ao Canadá.

Leiam também:
EUA e Cuba trocam prisioneiros. Obama vai anunciar mudanças nas relações com a ilha 

Em Havana, em um pronunciamento lido ao vivo na TV estatal, Raúl Castro anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA, “mas isso não quer dizer que o principal está resolvido” – ressaltou o ditador.

“Propomos a adoção de medidas mútuas por parte dos dois países. Reconhecemos que temos profundas diferenças, como em questões de soberania e direitos humanos, mas queremos melhorar as relações. Os progressos já obtidos demonstram que é possível encontrar soluções para muitos problemas”. Assim como Obama, Castro também agradeceu ao Canadá e ao Vaticano.

Os Estados Unidos vão aliviar as restrições bancárias sobre as remessas de dinheiro para Cuba, e de viagens. Havana se comprometeu a libertar 53 cubanos identificados como presos políticos por parte do governo dos Estados Unidos. Embora o embargo americano sobre Cuba permaneça em vigor, o governo sinalizou que gostaria de negociar com o Congresso o alívio das sanções.

Os republicanos reagiram com indignação à iniciativa da administração Obama para a normalizar as relações com Cuba. O senador Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e um provável candidato presidencial republicano, prometeu tentar inviabilizar a iniciativa da Casa Branca. “Satisfazer os irmãos Castro só irá motivar outros tiranos, de Caracas a Teerã e Pyongyang, para que eles possam tirar proveito da ingenuidade do presidente Barack Obama”, disse Rubio.

Preso libertado – O funcionário terceirizado do governo americano Alan Gross chegou nesta quarta à base militar de Joint Andrews, no Estado de Maryland (EUA). Ele foi posto em liberdade por Cuba após passar cinco anos preso em Havana.

Gross, um funcionário da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) de 65 anos, foi preso em Cuba em 3 de dezembro de 2009 e condenado a 15 anos de prisão por importar tecnologia proibida e tentar estabelecer um serviço clandestino de internet para judeus cubanos. Ele perdeu mais de 45 quilos na prisão e está com a saúde frágil. Gross iniciou uma greve de fome de nove dias em abril e disse a parentes que estava pensando em se matar se não fosse libertado.

Segundo o jornal The Washington Post, Gross foi solto em uma troca humanitária de prisioneiros – que, oficialmente, é considerada pelo governo americano como uma ação separada. Outro agente de inteligência, que não foi identificado, apenas apontado como um ‘cubano’ mantido atrás das grades em Cuba por quase duas décadas, foi oficialmente envolvido no acordo de troca de prisioneiros.

Os três cubanos libertados em troca de Gross fazem parte do chamado Cuban Five, um grupo enviado pelo então ditador de Cuba, Fidel Castro, para espionar no sul da Flórida. Eles foram condenados em 2001 em Miami sob as acusações de conspiração contra o governo americano.

 

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