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Barack Obama

17/12/2014

às 18:30 \ Vasto Mundo

Estados Unidos e Cuba reatam laços diplomáticos rompidos em 1961

(Foto: Reuters)

Obama e Castro: relações foram retomadas, mas ambos deixaram claro que seus problemas não estão resolvidos (Foto: Reuters)

Obama anunciou a normalização das relações diplomáticas com a ilha dos irmãos Castro. Papa Francisco teve papel-chave na negociação entre os países

De VEJA.com

O governo dos Estados Unidos iniciou nesta quarta-feira uma aproximação histórica de Cuba, ao anunciar a normalização das relações diplomáticas plenas e o alívio de diversas sanções em vigor há mais de meio século, desde 1961, informou o presidente Barack Obama em um pronunciamento na Casa Branca.

O presidente americano manteve na terça-feira uma longa conversa telefônica com o ditador cubano, Raúl Castro, disse a fonte, e ambos acordaram a abertura de embaixadas “nos próximos meses”. Obama anunciou “fim de uma política obsoleta” em relação a Cuba e que “fracassou durante décadas”.

Em um acordo costurado durante dezoito meses de negociações secretas hospedadas em grande parte no Canadá e encorajado pelo papa Francisco, que organizou uma reunião final no Vaticano, o presidente Obama e o ditador Raúl Castro de Cuba concordaram em deixar de para trás décadas de hostilidade para construir uma nova relação entre os EUA e a ilha comunista que fica a apenas noventa minutos da costa americana.

Em seu pronunciamento, Obama agradeceu ao papa Francisco e ao Canadá.

Leiam também:
EUA e Cuba trocam prisioneiros. Obama vai anunciar mudanças nas relações com a ilha 

Em Havana, em um pronunciamento lido ao vivo na TV estatal, Raúl Castro anunciou o restabelecimento de relações diplomáticas com os EUA, “mas isso não quer dizer que o principal está resolvido” – ressaltou o ditador.

“Propomos a adoção de medidas mútuas por parte dos dois países. Reconhecemos que temos profundas diferenças, como em questões de soberania e direitos humanos, mas queremos melhorar as relações. Os progressos já obtidos demonstram que é possível encontrar soluções para muitos problemas”. Assim como Obama, Castro também agradeceu ao Canadá e ao Vaticano.

Os Estados Unidos vão aliviar as restrições bancárias sobre as remessas de dinheiro para Cuba, e de viagens. Havana se comprometeu a libertar 53 cubanos identificados como presos políticos por parte do governo dos Estados Unidos. Embora o embargo americano sobre Cuba permaneça em vigor, o governo sinalizou que gostaria de negociar com o Congresso o alívio das sanções.

Os republicanos reagiram com indignação à iniciativa da administração Obama para a normalizar as relações com Cuba. O senador Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos e um provável candidato presidencial republicano, prometeu tentar inviabilizar a iniciativa da Casa Branca. “Satisfazer os irmãos Castro só irá motivar outros tiranos, de Caracas a Teerã e Pyongyang, para que eles possam tirar proveito da ingenuidade do presidente Barack Obama”, disse Rubio.

Preso libertado – O funcionário terceirizado do governo americano Alan Gross chegou nesta quarta à base militar de Joint Andrews, no Estado de Maryland (EUA). Ele foi posto em liberdade por Cuba após passar cinco anos preso em Havana.

Gross, um funcionário da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) de 65 anos, foi preso em Cuba em 3 de dezembro de 2009 e condenado a 15 anos de prisão por importar tecnologia proibida e tentar estabelecer um serviço clandestino de internet para judeus cubanos. Ele perdeu mais de 45 quilos na prisão e está com a saúde frágil. Gross iniciou uma greve de fome de nove dias em abril e disse a parentes que estava pensando em se matar se não fosse libertado.

Segundo o jornal The Washington Post, Gross foi solto em uma troca humanitária de prisioneiros – que, oficialmente, é considerada pelo governo americano como uma ação separada. Outro agente de inteligência, que não foi identificado, apenas apontado como um ‘cubano’ mantido atrás das grades em Cuba por quase duas décadas, foi oficialmente envolvido no acordo de troca de prisioneiros.

Os três cubanos libertados em troca de Gross fazem parte do chamado Cuban Five, um grupo enviado pelo então ditador de Cuba, Fidel Castro, para espionar no sul da Flórida. Eles foram condenados em 2001 em Miami sob as acusações de conspiração contra o governo americano.

15/12/2014

às 20:15 \ Vasto Mundo

A louraça primeira-ministra da Dinamarca provoca saia justa entre o casal Obama

Barack Obama, presidente dos EUA, Helle Thorning-Schmidt, primeira-ministra da Dinamarca e David Cameron, primeiro-ministro britânico, tiram autorretrato durante cerimônia de funeral de Nelson Mandela em Joanesburgo

Enquanto Cameron, a bela Thorning-Schmidt e Obama se divertem com “selfies”, a primeira-dama Michelle, sem disfarçar, fecha a cara (Foto: Roberto Schmidt / AFP)

Post publicado originalmente a 10 de dezembro de 2013

Campeões-de-audiênciaCriticada por alguns setores em seu país por ser “bonita demais” para se ocupar assuntos de Estado quando assumiu o cargo, em setembro de 2011, a primeira-ministra social-democrata da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, 47 anos, acabou induzindo um episódio de saia justa entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e sua mulher, Michelle, durante cerimônia hoje em homenagem ao falecido ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, no estádio de Soccer City, em Johannesburgo.

Já na fase dos sorrisos recíprocos, Michelle, além da cara fechada, parecia fuzilar a primeira-ministra dinamarquesa com os olhos (Foto: Roberto Schmidt / AFP)

Enquanto Obama se divertia fazendo selfies — as autofotografias clicadas com celular — com a bela, alta e loura Thorning-Schmidt e o primeiro-ministro britânico David Cameron, Michelle fechou a cara, visivelmente contrafeita.

A coisa piorou quando o presidente e a primeira-ministra, de celebrados olhos azul-turquesa, engataram uma conversa repleta de sorrisos. A ameaçadora expressão da primeira-dama americana acabou levando presidente a, prudentemente, trocar de lugar com a mulher.

Lá pelas tantas, Obama se conteve e também ficou sério (Foto: Roberto Schmidt / AFP)

Obama troca de lugar com a mulher, Michelle, que acaba ao lado da primeira-ministra dinamarquesa (Foto: AP)

Obama troca de lugar com a mulher, Michelle, que acaba ao lado da primeira-ministra dinamarquesa (Foto: AP)

Helle-Thorning-Schmidt-primeira-ministra-Dinamarca

Helle Thorning-Schmidt: alta, loura, olhos azuis, sempre com roupas de grife e sapatos de saltos altíssimos, a primeira-ministra da Dinamarca teve problemas ao longo da carreira no Partido Social Democrata — que ainda se considera um partido fundamentalmente “operário” — por seus cuidados minuciosos com a aparência. Um de seus apelidos depreciativos é “Gucci Helle”.

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14/12/2014

às 12:00 \ Disseram

Aprendizado por erros

“Eu gostaria de pedir desculpas a todos aqueles que tenho ofendido, e comprometo-me a aprender e crescer a partir desta experiência.”

Elizabeth Lauten, ex-porta-voz do congressista republicano Stephen Fincher, que havia criticado, em uma rede social, a roupa usada pelas filhas de Barack Obama, Sasha e Malia, no Dia de Ação de Graças; Lauten renunciou ao cargo em decorrência do episódio

11/12/2014

às 12:00 \ Disseram

Sem pensar antes

“No pós-11 de Setembro, no meio de um trauma nacional e incerteza sobre uma possível repetição dos ataques, o que fica evidente é que a CIA montou algo extremamente rápido sem pensar com cuidado antes.”

Barack Obama, presidente americano, durante entrevista após a divulgação de um relatório apontando a prática de tortura pela agência de inteligência americana

09/12/2014

às 12:00 \ Disseram

Vacina contra o racismo

“Obama é como a vacina de pólio do racismo — as pessoas ainda pegam pólio e morrem, mas há uma vacina. Elas não precisam pegar a doença. E meus filhos, sabe, já faz doze anos e não houve sequer um incidente racial no meu bairro predominantemente branco — nem mesmo um pequenininho.”

Chris Rock, ator e comediante americano, sobre o presidente americano Barack Obama, primeiro negro a ocupar o cargo

06/12/2014

às 20:15 \ Política & Cia

Dilma deixar que Lula mande em seu governo é inédito — e também humilhante e ridículo. É útil um presidente avistar-se com antecessores — mas não receber ordens de um deles

Dilma em mais uma “consulta” ao co-presidente Lula, em Salvador (Foto: Margarida Neide / Agência A Tarde / Agência O Globo)

Post publicado originalmente a 26 de julho de 2013

campeões de audiência 02Como sabem os leitores mais assíduos, venho há algum tempo chamando Lula de ex-presidento.

Na verdade, o correto seria designá-lo pelo que, na prática, é: co-presidente.

Nunca, em quase 124 anos de República — “nuncaantezneztepaiz”, portanto, pelo menos no já longo período republicano — se viu nada igual: uma presidente, como Dilma Rousseff, que, a cada passo mais importante, a cada crise mais aguda, sai correndo se consultar com seu guru e antecessor.

Às vezes, em postura que já passa do respeito à auto-humilhação, pegando o avião presidencial em Brasília para ir ao beija-mão em Lula em São Paulo, em vez de convocá-lo para o Palácio do Planalto.

É interessante, útil e produtivo para o país que o presidente de turno se consulte com ex-presidentes, uma prática democrática raríssima em estas paragens. (FHC chamou os candidatos à sua sucessão, um por um, em 2002, para explicar em detalhes o acordo com o FMI que o governo estava prestes a assinar. É uma das poucas exceções em muitos anos.)

Em países civilizados, chefes do governo, em determinadas circunstâncias, se avistam, trocam ideias, buscam a experiência de antecessores, mesmo que, politicamente, sejam adversários ferrenhos.

Não só em ocasiões, digamos, sociais, tal como ocorreu logo após a posse de Barack Obama, em janeiro de 2011, quando todos os ex-presidentes vivos dos Estados Unidos — Jimmy Carter e Bill Clinton, democratas, e os republicanos George H. Bush e o filho, George W. Bush, antecessor de Obama — conferenciaram cordialmente com o novo presidente e posaram para fotos.

Na posse, Obama com os ex-presidentes George H. Bush, George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter: encontros entre presidentes e antecessores não apenas em ocasiões sociais, como era o caso (Foto: The White House)

Ficou célebre a reunião do então jovem presidente John F. Kennedy, democrata, com o antecessor republicano, Dwight D. Eisenhower, em abril de 1961, quando a remessa de mísseis soviéticos para Cuba quase provoca um confronto nuclear entre as duas então superpotências.

Eisenhower não apenas era um ex-presidente, mas, como general de cinco estrelas, havia sido o comandante supremo das forças dos Aliados na II Guerra Mundial (1939-1945). Tratava-se de uma experiência imensa que não poderia ser descartada naquele momento. Depois do encontro, ambos trocaram vários e longos telefonemas.

22 de abril de 1961, na Casa Branca: com semblante sério, Kennedy recebe o ex-presidente Eisenhower para consultá-lo sobre a crise dos mísseis de Cuba (Foto: AP)

Na França, para ficar em mais um exemplo, todos os presidentes depois do general Charles de Gaulle (1959-1969), que não consultava ninguém, mantiveram reuniões com antecessores. Eram fatos corriqueiros, com resultados positivos para os interesses gerais do país.

Jacques Chirac, conservador, que devido a peculiaridades da Constituição francesa fora primeiro-ministro sob o presidente socialista François Mitterrand (1981-1995), reuniu-se várias vezes com ele durante sua própria presidência de dois mandatos (1995-2007).

Nicolas Sarkozy (presidente de 2007 a 2012), ex-ministro do Interior de Chirac, manteve linha direta com o antecessor até romperem politicamente.

Chirac, presidente, conservador, com o antecessor, Mitterrand, socialista: reuniões e encontros corriqueiros e produtivos (Foto: AFP)

Na Espanha, chefes de governo de um lado e outro do espectro político não apenas se consultaram, mas adotaram posições conjuntas, especialmente na questão gravíssima do combate ao terrorismo da organização separatista basca ETA.

Nenhum deles, porém, ia receber ordens. No caso da presidente Dilma, a impressão que cada encontro com Lula transmite é exatamente essa, indesejável e humilhante: ela vai a Lula, escuta as opiniões de seu tutor e, sem que jamais se tenha sabido de uma única discrepância real, segue as diretrizes emitidas.

Vejam o que acaba de acontecer na Bahia, notem o título (“Dilma decide com Lula…”) da reportagem do Estadão:

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Dilma decide com Lula não mexer na gestão

Vera Rosa e Tânia Monteiro – O Estado de S. Paulo 

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff não cortará nenhum dos 39 ministérios nem pretende mexer no primeiro escalão agora.

Em conversa de três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira, em Salvador, Dilma mostrou preocupação com a queda de popularidade do governo, registrada após as manifestações de rua de junho, mas disse que não vai ceder, nesse momento, a pressões por mudanças na equipe.

A portas fechadas houve muita reclamação sobre o comportamento do aliado PMDB e também do PT.

Não foi só: Dilma pediu ajuda a Lula para “enquadrar” o PT, que, no seu diagnóstico, não está colaborando como deveria para defender o governo e o plebiscito da reforma política.

Para a presidente, divisões na seara petista e o coro do “Volta Lula”prejudicam a governabilidade.

Embora os números da pesquisa CNI/Ibope só tenham sido divulgados ontem, Dilma e Lula sabiam na reunião que a rejeição aos políticos afetaria a avaliação não só da petista, mas também dos governadores.

Apreensiva, a presidente chegou a perguntar a auxiliares qual seria a repercussão na mídia da má avaliação do governo, em meio à visita do papa Francisco ao Brasil.

O levantamento do Ibope mostra que o porcentual dos que consideram o governo Dilma “ótimo” ou bom” caiu de 55% para 31% em um período de um mês, após as manifestações de rua.

Outros números indicam que a avaliação pessoal da presidente despencou de 71% para 45% e que metade dos entrevistados não confia nela.

Segundo o Estado apurou, Dilma e Lula expressaram contrariedade não só com o racha no PT, mas também com a atitude do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), que pregou publicamente o corte de ministérios como solução para a crise política.

A avaliação reservada é a de que o PMDB quer “surfar” na onda dos protestos.

(CLIQUEM AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

30/11/2014

às 15:30 \ Política & Cia

O Ministério de Dilma: um monstrengo gigantesco, impossível de ser pilotado com eficiência — e que ela não pode enxugar

Reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff (Foto: ABr)

Reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff: nem nossos dois imperadores, D. Pedro I e D. Pedro II, dispuseram de tamanho séquito administrativo (Foto: Agência Brasil)

Post publicado originalmente a 15 de março de 2013

campeões de audiência 02Com a habitual franqueza, o empresário Jorge Gerdau — exemplo de empreendedor bem-sucedido, cujo império siderúrgico embasado no Brasil já se estende por vários Estados americanos — decretou: o país, disse em entrevista à Folha de S. Paulo e ao UOL, precisa apenas de “meia dúzia de ministérios”, e não dos 39 que respondem à presidente Dilma Rousseff.

Mais contundente, continuou ele, com a autoridade de quem está à frente, voluntariamente, da Câmara de Políticas de Gestão da presidente:

– Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Provavelmente estamos no limite desse período. (…) Eu já dei um toque na presidenta”.

Pois aí estamos. Com a recente criação da Secretaria da Micro e da Pequena Empresa, cujo futuro titular terá status de ministro, a presidente dispõe de um Ministério colossal, absurdo, gigantesco, talvez o maior Ministério de qualquer país do planeta, excetuadas eventualmente repúblicas corruptas da África, e com certeza o mais numeroso da história “deztepaiz”.

Mostrengo disforme e disfuncional

Não se trata apenas de um Ministério imenso. Pior que isso, a menos que ocorra o que prevê Gerdau, ele parece “imexível”, como diria um ex-ministro de triste memória: o ex-presidento Lula engordou enormemente a cúpula do governo em Brasília para melhor aquinhoar os chamados “partidos da base aliada” no Congresso — a conhecida salada que vai do PC do B ao malufismo, passando por fisiológicos do PMDB e siglas controladas por igrejas evangélicas –, Dilma seguiu adiante e agora é um problemaço político mexer nesse monstrengo disforme e disfuncional.

O Ministério de Dilma, como o do ex-presidento (que tinha 37 ministros), lembra a Hidra de Lerna da mitologia grega. A Hidra aparece no âmbito dos 12 trabalhos de Hércules, o semideus filho (adulterino) de Zeus, o rei dos deuses do Olimpo, com a mulher do rei de Tebas.

Não cabe neste espaço recordar relembrar a complicada história que levou Hércules, em busca de expiação e da imortalidade, a haver-se com uma dúzia de tarefas impossíveis. O fato é que já o segundo trabalho hercúleo consistia em enfrentar a Hidra, monstro aquático de nove cabeças, uma delas imortal.

O desafio era realmente para semideuses: para cada cabeça que o herói conseguia cortar, nasciam mais tantas quantas faltavam para decepar. Hércules, naturalmente, triunfou. Nem a cabeça imortal sobrou.

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek: presidente realizadores que chegaram a governar com um máximo de 11 ministros

Se fosse uma empresa, o dono ficaria louco

Não é que a presidente não saiba do problema. E não foi preciso o “toque” de Gerdau. Ela conhece perfeitamente o tamanho da encrenca.

Nos cinco anos em que pilotou a Casa Civil e nos quase quatro em que coordenou o tão falado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a hoje presidente manteve incontáveis encontros e reuniões de trabalho com empresários e executivos de grandes empresas, em vários casos de empresas multinacionais de dimensões gigantescas.

Portanto, a presidente, que é economista, nem precisaria perguntar a um desses seus freqüentes interlocutores se existiria, em suas companhias, alguma chance de dar certo o trato direto com 39 diretores.

Com certeza ouviria, como resposta, que lidar com 39 direct reports é um absurdo que fatalmente conduz a empresa a se tornar empresa burocratizada, hipopotâmica, aparvalhada – sem contar que o CEO, presidente ou dono provavelmente ficaria louco.

Pois um dos segredos do que hoje se considera uma boa governança empresarial consiste, justamente, por meio da delegação e outras formas de gestão, em diminuir o quanto possível o número de interlocutores obrigatórios de cada gestor em seu respectivo nível.

No 1º ano de mandato de Lula, a ministra só despachou uma vez com o presidento

O então presidento Lula acotovelou o máximo de partidos políticos possível no Ministério, em nome da “governabilidade”. Com isso, deixou inteiramente de lado qualquer busca de eficiência da máquina – no caso, a mais numerosa desde a Independência, em 1822. Nem nossos dois imperadores, D. Pedro I e D. Pedro II, dispuseram de tamanho séquito administrativo.

Reunião ministerial do presidente Barack Obama (Foto: Saul Loeb / AFP / Getty Images)

Reunião do presidente Barack Obama: equipe enxuta tocando o país mais rico e poderoso do mundo (Foto: Saul Loeb / AFP / Getty Images)

A multidão de gente elevada à categoria de ministros é tal que alguns raramente despacharam a sós com o presidento. Basta fazer as contas: levando-se em consideração as numerosas viagens ao exterior e os muitíssimos périplos pelo país, Lula, durante seus 8 anos de mandato, passou cerca de um terço de cada ano, ou pouco mais que isso, em Brasília.

Digamos que tenham sido 100, ou até 120 dias úteis por ano. Mesmo que despachasse diariamente com um ministro diferente — o que não ocorreu com Lula –, eles passariam mais de três meses sem contato com o ou a presidente. Não foi por outra razão que, no primeiro ano do primeiro lulalato, 2003, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mesmo sendo na época politicamente muito próxima a Lula, só despachou com ele uma única vez.

Dilma viaja menos. Ainda assim, é impossível avistar-se com os ministros tête-à-tête com uma frequência minimamente desejável.

Como todos sabemos, Lula sempre gostou de se comparar a presidentes com marca de realizadores, como Getúlio Vargas ou Juscelino Kubitschek. Nunca mencionou, contudo, nem de longe, comparações com o tamanho dos respectivos times.

Getúlio e JK tiveram um máximo de 11 ministros

Não obstante os tempos obviamente sejam outros, e mais complexos, Getúlio, em seus quatro diferentes períodos de governo e 18 anos de poder (de 1930 a 1945 e, depois, de 1951 a 1954), governou com um mínimo de 7 e um máximo de 11 ministros.

JK (1956-1961) contou com 11 ministros, e 5 titulares do que então se chamavam “órgãos de assessoramento”, como os gabinetes Civil e Militar.

E vamos evitar falar de nomes, pelo amor de Deus. Ministros de Getúlio, JK e outros presidentes foram não raro gigantes políticos, que o país conhecia e respeitava.

Quem é capaz de citar o nome de cinco dos 39 ministros atuais?

Praticamente todos os países sérios e maduros são governados por times enxutos. Os presidentes americanos, por exemplo, conseguem tocar adiante a superpotência de 315 milhões de habitantes e uma economia colossal de mais de 15 trilhões de dólares com 15 ministros. A chanceler Angela Merkel conduz a Alemanha, quarta maior economia do planeta e país mais rico e importante da Europa, com 17 ministros — em sua primeira gestão, eram 15.

É claro que a eficiência de uma máquina pública não se mede apenas pelas dimensões do Ministério. Entretanto, o primeiro e grande empecilho para que ela ande a contento é o tamanho exagerado — que Lula não levou em conta durante o primeiro mandato, continuou a fazê-lo no segundo e que a “gerentona” Dilma ainda conseguiu engordar mais.

28/11/2014

às 21:00 \ Tema Livre

O sensacional Cadillac de Obama, poderoso como um tanque — e uma galeria de supercarros presidenciais dos EUA

cadillac-one

O Cadillac presidencial dos EUA: resiste até a mísseis e ataques químicos

Post publicado originalmente a 3 de outubro de 2011

Campeões-de-audiênciaEle chega a ser quase um tanque de guerra mas, por fora, é um magnífico Cadillac negro misto dos modelos STS e DST. Sua blindagem, de 12 centímetros de espessura mas cujos demais detalhes são secretos, é capaz de aguentar o impacto de mísseis e ataques com armas químicas. Suas rodas são dotadas de uma estrutura que permite ao veículo rodar em qualquer ocasião e em qualquer terreno, mesmo sob um eventual ataque terrorista.

Trata-se do carro oficial que serve ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e é levado por avião nas visitas oficiais que ele faz ao exterior. Montado sobre a estrutura de um caminhão GMC Topkick, o “Cadillac One” ou “The Beast” (“A Fera”), seus apelidos, possui um canhão de gás lacrimogênio, câmeras de visão noturna, computador com rede wi-fi, controle de combate a incêndio, tanques de oxigênio e até bolsas com o sangue de Obama, para a hipótese de o presidente precisar, em uma emergência, de transfusão. Boa parte do interior foi feito à mão.

A frente ostenta luzes diurnas com LEDs. O poderoso veículo é impulsionado por um supermotor diesel V8 de 6.500 cilindradas e potência ignorada.

No infográfico abaixo, clique nos detalhes e nos textos para ampliá-los.

E, a título de comparação, veja, mais abaixo, algumas fotos de carros oficiais de presidentes anteriores.

cadillac-one-pequeno

Infográfico: conheça o Cadillac One e clique na imagem para ampliá-la

Cadillac One

O carrão presidencial, visto de outro ângulo

Uma galeria de carros oficiais de presidentes americanos anteriores:

Lincoln-Roosevelt

O Lincoln 1939 que serviu ao presidente Franklin D. Roosevelt

Eisenhouer-CadillacEldorado–1953

O Cadillac Eldorado 1953 utilizado pelo presidente Dwight Eisenhower

Carro-(teto-bolha)-ideia-de-Eisenhouer–1950

O Lincoln 1950 a que Eisenhower sugeriu acrescentar um teto-bolha

Carro Lincoln Continental modelo 1961, no qual Kennedy foi assassinado

Num Lincoln Continental 1961 como este é que John Kennedy foi assassinado

Lincoln 1972 que serviu aos presidentes Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan

Lincoln 1972: serviu a Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter e Ronald Reagan

Cadillac 1983, que serviu a Ronald Reagan

Este Cadillac 1983 atendeu a Ronald Reagan

Cadillac 1989, usado pelo Bush pai

O Cadillac 1989 levava o presidente George H. W. Bush, pai

Cadillac 1993, usado por Bill Clinton

 O Cadillac 1993 do presidente Bill Clinton

Cadillac DTS 2001, usado por Bush

Cadillac DTS 2001, usado por Bush filho até o fim de seu mandato, em 2009

11/11/2014

às 17:33 \ Política & Cia

Petição à Casa Branca para que os EUA “ajudem” contra a “marcha para o comunismo bolivariano” no Brasil quer que os EUA resolvam problema que é dos brasileiros. E tem o sinal da vocação para capacho

Dilma com Obama na Casa Branca: a verdade é que o presidente americano pode até se preocupar com os rumos do governo lulopetista, mas querer que se imiscua em assuntos internos do país é voltar a uma submissão que ficou para trás (Foto: planalto.gov.br)

Dilma com Obama na Casa Branca: a verdade é que o presidente americano pode até se preocupar com os rumos do governo lulopetista, mas querer que se imiscua em assuntos internos do país é voltar a uma submissão que ficou para trás (Foto: planalto.gov.br)

Publiquei ontem, no blog, notícia sobre a petição pública assinada por mais de 100 mil pessoas que, utilizando um recurso propiciado pela Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos, pede à Casa Branca, afirma que a presidente Dilma Rousseff ganhou as eleições de forma ilegítima e comanda um processo de transformação do regime vigente no país em um “comunismo bolivariano”, em moldes “propostos pelo Foro de São Paulo”.

Diz, mais adiante, que os Estados Unidos “precisam ajudar” os “promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

No parágrafo final, a petição pede o seguinte:

“Nós pedimos uma posição da Casa Branca em relação à expansão do comunismo na América Latina. O Brasil não deseja e não vai ser uma nova Venezuela, e os Estados Unidos precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

Publiquei a notícia e, como não comentei, pode ser que haja leitores imaginando que eu concorde com o documento.

DE FORMA ALGUMA! As questões brasileiras — dificuldades, tropeços, dramas e tragédias – só cabe a nós, brasileiros, resolver. E de forma pacífica.

Acho que, SIM, o PT tem laços poderosos com o movimento bolivariano que aos poucos vai engolindo nações outrora plenamente democráticas da América Latina. Mas toda e qualquer reação a isso tem que partir dos brasileiros democratas que se opõem a essa aproximação e a esse alinhamento — como, aliás, ocorreu com os 51 milhões de eleitores que votaram em Aécio Neves na eleição do mês passado.

O que a petição à Casa Branca faz, na prática, é sugerir, se é que não PEDE, uma intervenção norte-americana no Brasil!

É o fim da picada. Somos tão viralatas que não podemos lidar com nossos próprios problemas?

Sem contar que o governo do presidente Barack Obama está obviamente atento e preocupado com os rumos da política externa e interna do lulopetismo, mas o mundo de hoje não comporta que os EUA se imiscuam em questões internas de um país do porte do Brasil. É inconcebível.

Que me perdoem os signatários de boa-fé, mas a petição caracteriza uma enorme vocação para capacho.

O porta-aviões "USS Forrestal", nau-capitânea da força-tarefa naval enviada pelos EUA ao Brasil nas proximidades do golpe de 1964 -- que deu meia-volta porque o governo Jango já fora derrubado (Foto: US Navy)

O porta-aviões “USS Forrestal”, nau-capitânea da força-tarefa naval enviada pelos EUA ao Brasil nas proximidades do golpe de 1964 — que deu meia-volta porque o governo Jango já fora derrubado (Foto: US Navy)

Essa atitude desastrada nos remete aos idos de março de 1964, quando o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon, acertava com o então presidente Lyndon Johnson a chamada “Operação Brother Sam”, que mobilizou uma força-tarefa de nove navios de guerra da 4ª Frota americana, sob o comando da nau-capitãnea, o USS Forrestal, então o maior porta-aviões do mundo, que deslocava 59,5 mil toneladas para transportar uma tripulação de 5.500 homens e 90 dos mais modernos aviões do arsenal dos Estados Unidos.

A revelação completa do projeto de intervenção armada dos EUA no Brasil foi revelada, mais de uma década depois, por uma série de reportagens do grande jornalista Marcos Sá Corrêa, no Jornal do Brasil, resultado principalmente de sua paciente garimpagem de documentos mantidos secretos por muitos anos, mas depois tornados disponíveis na Biblioteca Presidencial Lyndon Johnson, em Austin, no Texas.

O grande jornalista Marcos Sá Corrêa: foi ele quem descobriu todos os detalhes sobre a "Operação Brother Sam", em fantástica contribuição à história do país (Foto: Arquivo Pessoal Marcos Sá Corrêa)

O grande jornalista Marcos Sá Corrêa: foi ele quem descobriu todos os detalhes sobre a “Operação Brother Sam”, em preciosa contribuição à história do país (Foto: Arquivo Pessoal Marcos Sá Corrêa)

As reportagens — uma preciosa contribuição à história contemporânea do país — foram depois reunidas no indispensável livro 1964, Visto e Comentado pela Casa Branca, publicado em 1977 pela Editora L&PM e esgotadíssimo — é uma tal raridade histórica que mesmo no sebo Estante Virtual, que reúne 12 milhões de livros de livrarias de todo o país, havia, hoje, um único exemplar disponível.

Capa do livro de Marcos: raridade

Capa do livro de Marcos: raridade

A task force levantou âncoras no dia 31 de março, mas foi desativada pelo embaixador Gordon já no dia 3 de abril, quando ainda singrava o Mar do Caribe, por absoluta desnecessidade. O governo de João Goulart já tinha caído de vez na véspera.

É justo dizer que não era só o embaixador que chamava os marines.

Os políticos reunidos em torno do então governador da Guanabara, Carlos Lacerda, e de dois “centros de estudos” conspiratórios ligados ao general Golbery do Couto e Silva, com a maior parte da elite empresarial brasileira e de executivos de grandes multinacionais, sem descartar praticamente toda a grande imprensa, estavam mergulhados até o pescoço na conspiração para derrubar o governo.

Parte considerável da opinião pública mostrava-se claramente — e infelizmente — em favor do golpe e do ataque à Constituição, como ficou claro nas chamadas “marchas da família com Deus pela liberdade” realizadas em várias cidades.

A quase-intervenção norte-americana, que contava com o silêncio cúmplice de generais golpistas, caso julgassem realmente necessária, foi um episódio de submissão que envergonha os brasileiros de bem, como ocorre com toda nação que preza sua soberania e dignidade.

A petição dirigida ao presidente Barack Obama, se não pede claramente intervenção armada, vai na mesma direção de submissão e complexo de viralatas.

Se nós, brasileiros, abrirmos mão de resolver nossas próprias encrencas, não merecemos o país melhor, mais justo, mais livre e democrático que desejamos.

10/11/2014

às 18:46 \ Política & Cia

Petição no site da Casa Branca pedindo manifestação de Obama contra “a expansão do comunismo no Brasil”, “promovido pela administração de Dilma Rousseff”, “nos moldes do Foro de São Paulo”, já passa das 100 mil assinaturas requeridas para uma posição oficial do governo dos EUA

O selo oficial da Casa Branca (Reprodução: The White House)

O selo oficial da Casa Branca (Reprodução: The White House)

 

A coisa pode não ter maiores consequências diplomáticas, mas não é propriamente uma boa propaganda para o governo da presidente Dilma Rousseff e para o PT.

Há uma petição no site da Casa Branca, já com bem mais das 100 mil assinaturas requeridas no prazo previsto (leia abaixo), pedindo que o governo do presidente Barack Obama tome posição “contra a expansão do comunismo bolivariano no Brasil promovido pela administração Dilma Rousseff”.

O título da petição é “Posicione-se contra a expansão do comunismo bolivariano no Brasil promovido pela administração de Dilma Rousseff”.

A petição já recebeu, até o momento em que redigi o post, 141.339 assinaturas — e as regras sobre este tipo de manifestação, baseada na Primeira Emenda à Constituição americana, estabelecem que com mais de 100 mil assinaturas em um mês o governo responderá oficialmente aos peticionários.

A iniciativa começou há menos de um mês, a 28 de outubro, e portanto haverá algum tipo de manifestação oficial da Casa Branca a respeito.

Em tradução livre, diz o texto da petição, cujo teor vocês podem conferir aqui:

“No dia 26 de outubro, Dilma Rousseff foi reeleita, e continuará o plano de seu partido de estabelecer um regime comunista no Brasil — os moldes bolivarianos propostos pelo Foro de São Paulo.

Sabemos que, aos olhos da comunidade internacional, a eleição foi plenamente democrática, mas as urnas de votação usadas não são confiáveis, além do fato de que os dirigentes do Judiciário são em maioria membros do partido vencedor.

Políticas sociais também influenciaram a escolha da presidente, e pessoas foram ameaçadas com a perda de seus benefícios de alimentação (sic) se não reelegessem Dilma.

Nós pedimos uma posição da Casa Branca em relação à expansão do comunismo na América Latina. O Brasil não não deseja e não vai ser uma nova Venezuela, e os Estados Unidos precisam ajudar os promotores da democracia e da liberdade no Brasil”.

 

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