Blogs e Colunistas

Barack Obama

01/04/2014

às 16:00 \ Tema Livre

TESTE PARA OS AMIGOS DO BLOG: quem teria feito as declarações abaixo sobre liberdade de imprensa?

Tolerância à diversidade: "A melhor lei de imprensa que existe é a que não existe" (Ilustração: wadhwa.com)

Tolerância à diversidade: “A melhor lei de imprensa que existe é a que não existe” (Ilustração: wadhwa.com)

“Quando um governo se mostra mais tolerante à diversidade, acaba ajudando a formar uma imprensa respeitosa.

“Quando radicaliza nas suas políticas, no entanto, vai tudo pro diabo. (…)

“A melhor lei de imprensa que existe é a que não existe”.

Quem vocês acham que disse isso?

a) Um patrão da imprensa brasileira?

b) Um político social-democrata europeu?

c) Um crítico do “controle social da mídia” desejado pelo ex-ministro da Comunicação Social, Franklin Martins?

d) O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama?

e) O dono do jornal The New York Times, Arthur Ochs Sulzberger Jr.?

f) Um político de outro país?

Arrisque aqui seu palpite. Inclusive arriscando, no item “f”, que político pode ter sido esse.

A resposta — que, já vou garantindo, surpreenderá muita gente — será publicada às 17 horas.

29/03/2014

às 16:00 \ Tema Livre

Obama cabeludo, Madonna na nota de dólar, o leão que vira macaco. Confiram a arte doida deste vídeo

03/02/2014

às 16:00 \ Vasto Mundo

Por que Obama quase perdeu a paciência diante de um dos jornalistas mais arrogantes dos EUA — talvez do mundo…

Obama e Bill O'Reilly: o presidente se controlou para não perder a calma diante de Bill O'Reilly -- que, além de crítico do presidente, não esconde seu desprezo por ele como político (Foto: Reprodução Fox News)

Obama e Bill O’Reilly: o presidente se controlou para não perder a calma diante de Bill O’Reilly — que, além de crítico do presidente, não esconde seu desprezo por ele como político (Foto: Reprodução Fox News)

Não me surpreende o fato de a entrevista ao vivo concedida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao âncora Bill O’Reilly, da rede de TV Fox News, tenha tido momentos de virtual bate-boca. A entrevista foi ao ar pouco antes de começarem as transmissões, pela Fox, do Super Bowl, a finalíssima do campeonato de futebol americano.

O’Reilly não é apenas um dos mais vociferantes críticos de tudo que vem da Casa Branca democrata e de praticamente tudo o que o presidente faz — e até aí tudo bem, claro.

Ele é um militante e um ideólogo dos setores ultraconservadores do Partido Republicano e, sempre que comenta atos do governo do presidente, mal consegue esconder seu permanente desprezo pelo político que, queira ele ou não, o eleitorado já elegeu duas vezes para ocupar o Salão Oval.

O’Reilly é inteligente, articulado, bem informado e excelente argumentador. E sua atitude é sempre de se impor diante de quem quer que esteja debatendo com ele. O âncora não raro interrompe as respostas dos entrevistados que não concordam com ele elevando o tom já poderoso de sua voz, chama comerciais para interromper a argumentação dos interlocutores e abusa da zombaria, parece comportar-se diante da Presidência Obama — que, é óbvio, não está de forma alguma isenta de críticas — com um atitude do tipo “quem, afinal, esse sujeito pensa que é?”

A arrogância de O’Reilly, também autor de vários best-sellers divulgando suas ideias e suas críticas às políticas de Obama e do setor liberal da sociedade americana, constitui uma de suas marcas registradas. Nem mesmo certos colunistas brasileiros que se julgam donos de partes da história e de personagens dela conseguem chegar perto de O’Reilly nessa matéria.

Difícil encontrar, nos EUA e mesmo no panorama das redes de TV importantes mundo afora, um âncora tão seguro de ser dono da verdade em tudo.

Ele não é um caso isolado na Fox News, porta-voz da ala mais dura do Partido Republicano, a ponto de contratar e pagar a peso de ouro ex-aspirantes à Presidência derrotados em eleições primárias e até a candidata a vice-presidente na chapa republicana que Obama venceu nas eleições de 2008, Sarah Palin.

A emissora visivelmente se alinha com essa ala ultraconversadora, muito influenciada por grupos religiosos, e que está aos poucos dominando o Partido Republicano, deixando em segundo plano figuras moderadas como o senador John McCain, do Arizona, ex-candidato à Presidência e herói da Guerra do Vietnã.

O’Reilly, porém, se destaca de seus colegas. Na entrevista de ontem, as sucessivas perguntas sobre temas que Obama quis considerar “superados”, o sorriso do presidente não escondia que ele se esforçava ao máximo para manter o controle. 

A certa altura, O’Reilly, perguntando sobre detalhes do controvertido plano de saúde compulsório aprovado por Obama no Congresso para americanos sem assistência médica, indagou se não se tratava do “maior erro de sua Presidência”.

Obama ironizou:

– Bem, Bill, você mantém sempre uma longa lista dos meus erros como presidente, não?

Mais adiante, O’Reilly interrompeu uma resposta para perguntar porque Susan Rice, assessora de segurança nacional do presidente, caracterizou como parte de uma manifestação “espontânea” o que na realidade foi um ataque armado à embaixada dos Estados Unidos em Bengazi, na Líbia, que terminou com a morte do embaixador e outro diplomata, em setembro de 2012.

Obama:

– … e eu estou tentando explicar a você — se você quiser ouvir.

O’Reilly não desistiu e afirmou que “os críticos” de Obama — sem expressamente se incluir entre eles — estão convencidos de que o governo quis desviar a atenção do público para o que realmente ocorreu em Bengazi porque o presidente estava o auge da campanha para sua reeleição, enfrentando o republicano Mitt Romney.

Obama:

– Eles acreditam nisso porque pessoas como você continuam a dizer a eles que foi isso que aconteceu.

O’Reilly — contrariando os fatos:

– Não, eu não digo isso a eles.

O jornalista então passou a outro tema de sua preferência, também espinhoso — a questão da isenção de imposto de renda para certos grupos políticos, que os conservadores consideram ter sido uma forma de discriminar grupos à direita do espectro político, inclusive o Tea Party.

E perguntou ao presidente se o caso envolvia corrupção no IRS, a Receita Federal dos EUA.

Obama:

– Não foi isso que aconteceu. As pessoas (…) tiveram [a oportunidade de assistir] a muitas audiências [no Congresso] a respeito da questão. Esse tipo de coisas continuam vindo à tona em parte por causa de você e sua rede de TV.

O’Reilly mal deu atenção ao que disse o entrevistado e afirmou que continua a haver “perguntas não respondidas” no caso, e voltou a indagar se houve corrupção no IRS.

Obama:

– Houve algumas decisões estúpidas.

O’Reilly: — Mas não corrupção em larga escala?

Obama: — Nem sequer corrupção, nem mesmo uma migalha de corrupção.

Ainda houve outras trocas de alfinetadas, até que, no encerramento dos cerca de 10 minutos de entrevista, O’Reilly baixou um pouco o facho e fez uma declaração que ainda não consegui interpretar inteiramente:

– Sei que o senhor pensa que talvez nós não estejamos sendo justos [com seu governo], mas acho que seu coração está no lugar certo.

01/02/2014

às 11:01 \ Disseram

Barack Obama, um presidente rebelde

“Onde e quando eu puder dar passos sem o legislativo para expandir as oportunidades para mais famílias, é isso que irei fazer”

Barack Obama, presidente dos EUA, durante o discurso sobre o Estado da União, em que criticou o travamento dos projetos de seu governo na Câmara

25/01/2014

às 13:06 \ Disseram

Barack Obama sobre a maconha: “Não acho que seja mais perigoso do que o álcool”

“Não acho que (fumar maconha) seja mais perigoso do que o álcool”

Barack Obama, presidente dos EUA, em entrevista à New Yorker, ressaltando que se trata de um “mau hábito”

19/01/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Demétrio Magnoli: Criação de quotas também para a eleição de deputados integra programa de divisão dos brasileiros segundo o critério envenenado da raça

Aprovada na CCJ a PEC do Parlamento Racial, de autoria dos deputados petistas João Paulo Cunha e Luiz Alberto (Fotos: Ag. Câmara)

Aprovada na CCJ a PEC do Parlamento Racial, de autoria dos deputados petistas João Paulo Cunha e Luiz Alberto (Fotos: Ag. Câmara)

Artigo publicado no jornal O Globo. Este texto foi originalmente postado a 12 de novembro de 2013

O BRASIL E A ‘NAÇÃO DIASPÓRICA’

A gloriosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece cotas raciais na representação parlamentar do povo. Ignorando tanto a Constituição quanto a Justiça, a CCJ aprova qualquer coisa que emane de um grupo de interesse organizado, o que é um sintoma clamoroso da desmoralização do Congresso.

Nesse caso, viola-se diretamente o princípio fundamental da liberdade de voto. Por isso, a PEC de autoria dos petistas João Paulo Cunha (SP) e Luiz Alberto (BA) provavelmente dormirá o longo sono dos disparates nos escaninhos da Câmara. Mas ela cumpre uma função útil: evidencia o verdadeiro programa do racialismo, rasgando a fantasia com que se adorna no debate público.

O argumento ilusionista para a introdução de cotas raciais no ingresso às universidades residia na suposta desvantagem escolar prévia dos “negros” — algo que, de fato, é uma desvantagem prévia dos pobres de todas as cores de pele. A fantasia da compensação social começou a esgarçar-se com a extensão das cotas raciais para cursos de pós-graduação, cujas vagas são disputadas por detentores de diplomas universitários.

A PEC aprovada na CCJ comprova que as políticas de raça não são motivadas por um desejo de corrigir distorções derivadas da renda. O racialismo exibe-se, agora, como ele realmente é: um programa de divisão dos brasileiros segundo o critério envenenado da raça.

De acordo com a PEC, na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas estaduais, será reservada uma parcela de cadeiras para parlamentares “negros” equivalente a dois terços do percentual de pessoas que se declaram pretas ou pardas no mais recente censo demográfico.

As bancadas “negras” não serão inferiores a um quinto ou superiores à metade do total de cadeiras. Os deputados proponentes operam como despachantes de ONGs racialistas e expressam, na PEC, a convicção política que as anima: o Brasil não é uma nação, mas um espaço geopolítico no qual, sob a hegemonia dos “brancos”, pulsa uma “nação africana” diaspórica.

A presença parlamentar de bancadas “negras” representaria o reconhecimento tácito tanto da inexistência de uma nação brasileira quanto da existência dessa nação na diáspora.

Os eleitores, reza a PEC, darão dois votos: o primeiro, para um candidato de uma lista geral; o segundo, para um candidato de uma lista de “negros”. A proposta desvia-se, nesse ponto, de uma férrea lógica racialista. Segundo tal lógica, os eleitores deveriam ser, eles também, bipartidos pela fronteira da raça: os “negros” votariam apenas na lista de candidatos “negros” e os demais, apenas na lista geral.

A hipótese coerente não violaria o princípio da liberdade de voto, pois estaria ancorada num contrato constitucional de reconhecimento da nação diaspórica. Como inexiste esse contrato, os racialistas optaram por um atalho esdrúxulo, que escarnece da liberdade de voto com a finalidade de, disfarçadamente, inscrever a nação diaspórica no ordenamento político e jurídico do país.

Nações não são montanhas, rios ou vales: não existem como componentes do mundo natural. Na expressão certeira de Benedict Anderson, nações são “comunidades imaginadas”: elas podem ser fabricadas na esfera da política, por meio das ferramentas do nacionalismo.

A PEC não caiu do céu. A “nação africana” na diáspora surgiu no nacionalismo negro do início do século XX com o americano W. E. B. Du Bois e o jamaicano Marcus Garvey. No Brasil, aportou cerca de três décadas atrás, pela nau do Movimento Negro Unificado, entre cujos fundadores estava Luiz Alberto.

No início, a versão brasileira do nacionalismo negro tingia-se com as cores do anticapitalismo. Depois, a partir da preparação da Conferência de Durban, da ONU, em 2001, adaptou-se à ordem vigente, aninhando-se no colo bilionário da Fundação Ford. “Afro-americanos”, nos EUA, e “afrodescendentes”, no Brasil, são produtos identitários paralelos dessa vertente narrativa.

O acento americano do discurso racialista brasileiro é tão óbvio quanto problemático. Nos EUA, o projeto político de uma identidade negra separada tem alicerces sólidos, fincados nas leis de segregação que, depois da Guerra de Secessão, traçaram uma linha oficial entre “brancos” e “negros”, suprimindo no nascedouro a possibilidade de construção de identidades intermediárias.

No Brasil, em contraste, esse projeto choca-se com a noção de mestiçagem, que funciona como poderoso obstáculo no caminho da fabricação política de raças. A solução dos porta-bandeiras do nacionalismo negro é impor, de cima para baixo, a divisão dos brasileiros em “brancos” e “negros”. As leis de cotas raciais servem para isso, exclusivamente.

"Quando Barack Obama se define como mestiço, emerge uma resposta desconcertante no cenário conhecido da polaridade racial" (Foto: Alexander Vilf / Getty Images)

“Quando Barack Obama se define como mestiço, emerge uma resposta desconcertante no cenário conhecido da polaridade racial” (Foto: Alexander Vilf / Getty Images)

As diferenças históricas entre EUA e Brasil têm implicação direta na gramática do discurso político. Lá, o nacionalismo negro é uma proposição clara, que provoca um debate público informado — e, quando Barack Obama se define como mestiço, emerge uma resposta desconcertante no cenário conhecido da polaridade racial.

Aqui, os arautos do nacionalismo negro operam por meio de subterfúgios, escondendo-se atrás do pretexto fácil da desigualdade social — e encontram políticos oportunistas, juízes populistas e intelectuais preguiçosos o suficiente para conceder-lhes o privilégio da prestidigitação.

“Tirem a máscara!” — eis a exigência que deve ser dirigida aos nossos racialistas, na hora em que apresentam a PEC do Parlamento Racial. Saiam à luz do dia e conclamem o Brasil a escrever uma nova Constituição, redefinindo-se como um Estado binacional. Digam aos brasileiros que vocês não querem direitos iguais e oportunidades para todos numa república democrática, mas almejam apenas a condição de líderes políticos de um movimento racial.

Vocês não têm vergonha de ocultar seu programa retrógrado à sombra da persistente ruína de nossas escolas públicas?

03/01/2014

às 16:10 \ Política & Cia

Dilma deixar que Lula mande em seu governo é inédito — e também humilhante e ridículo. É útil um presidente avistar-se com antecessores — mas não receber ordens de um deles

Dilma em mais uma “consulta” ao co-presidente Lula, em Salvador (Foto: Margarida Neide / Agência A Tarde / Agência O Globo)

Post publicado originalmente dia 26 de julho de 2013, às 15h47

campeões de audiência 02Como sabem os leitores mais assíduos, venho há algum tempo chamando Lula de ex-presidento.

Na verdade, o correto seria designá-lo pelo que, na prática, é: co-presidente.

Nunca, em quase 124 anos de República — “nuncaantezneztepaiz”, portanto, pelo menos no já longo período republicano — se viu nada igual: uma presidente, como Dilma Rousseff, que, a cada passo mais importante, a cada crise mais aguda, sai correndo se consultar com seu guru e antecessor.

Às vezes, em postura que já passa do respeito à auto-humilhação, pegando o avião presidencial em Brasília para ir ao beija-mão em Lula em São Paulo, em vez de convocá-lo para o Palácio do Planalto.

É interessante, útil e produtivo para o país que o presidente de turno se consulte com ex-presidentes, uma prática democrática raríssima em estas paragens. (FHC chamou os candidatos à sua sucessão, um por um, em 2002, para explicar em detalhes o acordo com o FMI que o governo estava prestes a assinar. É uma das poucas exceções em muitos anos.)

Em países civilizados, chefes do governo, em determinadas circunstâncias, se avistam, trocam ideias, buscam a experiência de antecessores, mesmo que, politicamente, sejam adversários ferrenhos.

Não só em ocasiões, digamos, sociais, tal como ocorreu logo após a posse de Barack Obama, em janeiro de 2011, quando todos os ex-presidentes vivos dos Estados Unidos — Jimmy Carter e Bill Clinton, democratas, e os republicanos George H. Bush e o filho, George W. Bush, antecessor de Obama — conferenciaram cordialmente com o novo presidente e posaram para fotos.

Na posse, Obama com os ex-presidentes George H. Bush, George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter: encontros entre presidentes e antecessores não apenas em ocasiões sociais, como era o caso (Foto: The White House)

Ficou célebre a reunião do então jovem presidente John F. Kennedy, democrata, com o antecessor republicano, Dwight D. Eisenhower, em abril de 1961, quando a remessa de mísseis soviéticos para Cuba quase provoca um confronto nuclear entre as duas então superpotências.

Eisenhower não apenas era um ex-presidente, mas, como general de cinco estrelas, havia sido o comandante supremo das forças dos Aliados na II Guerra Mundial (1939-1945). Tratava-se de uma experiência imensa que não poderia ser descartada naquele momento. Depois do encontro, ambos trocaram vários e longos telefonemas.

22 de abril de 1961, na Casa Branca: com semblante sério, Kennedy recebe o ex-presidente Eisenhower para consultá-lo sobre a crise dos mísseis de Cuba (Foto: AP)

Na França, para ficar em mais um exemplo, todos os presidentes depois do general Charles de Gaulle (1959-1969), que não consultava ninguém, mantiveram reuniões com antecessores. Eram fatos corriqueiros, com resultados positivos para os interesses gerais do país.

Jacques Chirac, conservador, que devido a peculiaridades da Constituição francesa fora primeiro-ministro sob o presidente socialista François Mitterrand (1981-1995), reuniu-se várias vezes com ele durante sua própria presidência de dois mandatos (1995-2007).

Nicolas Sarkozy (presidente de 2007 a 2012), ex-ministro do Interior de Chirac, manteve linha direta com o antecessor até romperem politicamente.

Chirac, presidente, conservador, com o antecessor, Mitterrand, socialista: reuniões e encontros corriqueiros e produtivos (Foto: AFP)

Na Espanha, chefes de governo de um lado e outro do espectro político não apenas se consultaram, mas adotaram posições conjuntas, especialmente na questão gravíssima do combate ao terrorismo da organização separatista basca ETA.

Nenhum deles, porém, ia receber ordens. No caso da presidente Dilma, a impressão que cada encontro com Lula transmite é exatamente essa, indesejável e humilhante: ela vai a Lula, escuta as opiniões de seu tutor e, sem que jamais se tenha sabido de uma única discrepância real, segue as diretrizes emitidas.

Vejam o que acaba de acontecer na Bahia, notem o título (“Dilma decide com Lula…”) da reportagem do Estadão:

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Dilma decide com Lula não mexer na gestão

Vera Rosa e Tânia Monteiro – O Estado de S. Paulo 

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff não cortará nenhum dos 39 ministérios nem pretende mexer no primeiro escalão agora.

Em conversa de três horas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quarta-feira, em Salvador, Dilma mostrou preocupação com a queda de popularidade do governo, registrada após as manifestações de rua de junho, mas disse que não vai ceder, nesse momento, a pressões por mudanças na equipe.

A portas fechadas houve muita reclamação sobre o comportamento do aliado PMDB e também do PT.

Não foi só: Dilma pediu ajuda a Lula para “enquadrar” o PT, que, no seu diagnóstico, não está colaborando como deveria para defender o governo e o plebiscito da reforma política.

Para a presidente, divisões na seara petista e o coro do “Volta Lula”prejudicam a governabilidade.

Embora os números da pesquisa CNI/Ibope só tenham sido divulgados ontem, Dilma e Lula sabiam na reunião que a rejeição aos políticos afetaria a avaliação não só da petista, mas também dos governadores.

Apreensiva, a presidente chegou a perguntar a auxiliares qual seria a repercussão na mídia da má avaliação do governo, em meio à visita do papa Francisco ao Brasil.

O levantamento do Ibope mostra que o porcentual dos que consideram o governo Dilma “ótimo” ou bom” caiu de 55% para 31% em um período de um mês, após as manifestações de rua.

Outros números indicam que a avaliação pessoal da presidente despencou de 71% para 45% e que metade dos entrevistados não confia nela.

Segundo o Estado apurou, Dilma e Lula expressaram contrariedade não só com o racha no PT, mas também com a atitude do presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), que pregou publicamente o corte de ministérios como solução para a crise política.

A avaliação reservada é a de que o PMDB quer “surfar” na onda dos protestos.

(CLIQUEM AQUI PARA CONTINUAR LENDO)

19/12/2013

às 16:14 \ Política & Cia

O Ministério de Dilma: um monstrengo gigantesco, impossível de ser pilotado com eficiência — e que ela não pode enxugar

Reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff (Foto: ABr)

Reunião ministerial da presidente Dilma Rousseff: nem nossos dois imperadores, D. Pedro I e D. Pedro II, dispuseram de tamanho séquito administrativo (Foto: Agência Brasil)

Publicado originalmente em 15 de março de 2013

campeões de audiência 02Com a habitual franqueza, o empresário Jorge Gerdau — exemplo de empreendedor bem-sucedido, cujo império siderúrgico embasado no Brasil já se estende por vários Estados americanos — decretou: o país, disse em entrevista à Folha de S. Paulo e ao UOL, precisa apenas de “meia dúzia de ministérios”, e não dos 39 que respondem à presidente Dilma Rousseff.

Mais contundente, continuou ele, com a autoridade de quem está à frente, voluntariamente, da Câmara de Políticas de Gestão da presidente:

– Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento. Provavelmente estamos no limite desse período. (…) Eu já dei um toque na presidenta”.

Pois aí estamos. Com a recente criação da Secretaria da Micro e da Pequena Empresa, cujo futuro titular terá status de ministro, a presidente dispõe de um Ministério colossal, absurdo, gigantesco, talvez o maior Ministério de qualquer país do planeta, excetuadas eventualmente repúblicas corruptas da África, e com certeza o mais numeroso da história “deztepaiz”.

Mostrengo disforme e disfuncional

Não se trata apenas de um Ministério imenso. Pior que isso, a menos que ocorra o que prevê Gerdau, ele parece “imexível”, como diria um ex-ministro de triste memória: o ex-presidento Lula engordou enormemente a cúpula do governo em Brasília para melhor aquinhoar os chamados “partidos da base aliada” no Congresso — a conhecida salada que vai do PC do B ao malufismo, passando por fisiológicos do PMDB e siglas controladas por igrejas evangélicas –, Dilma seguiu adiante e agora é um problemaço político mexer nesse monstrengo disforme e disfuncional.

O Ministério de Dilma, como o do ex-presidento (que tinha 37 ministros), lembra a Hidra de Lerna da mitologia grega. A Hidra aparece no âmbito dos 12 trabalhos de Hércules, o semideus filho (adulterino) de Zeus, o rei dos deuses do Olimpo, com a mulher do rei de Tebas.

Não cabe neste espaço recordar relembrar a complicada história que levou Hércules, em busca de expiação e da imortalidade, a haver-se com uma dúzia de tarefas impossíveis. O fato é que já o segundo trabalho hercúleo consistia em enfrentar a Hidra, monstro aquático de nove cabeças, uma delas imortal.

O desafio era realmente para semideuses: para cada cabeça que o herói conseguia cortar, nasciam mais tantas quantas faltavam para decepar. Hércules, naturalmente, triunfou. Nem a cabeça imortal sobrou.

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek: presidente realizadores que chegaram a governar com um máximo de 11 ministros

Se fosse uma empresa, o dono ficaria louco

Não é que a presidente não saiba do problema. E não foi preciso o “toque” de Gerdau. Ela conhece perfeitamente o tamanho da encrenca.

Nos cinco anos em que pilotou a Casa Civil e nos quase quatro em que coordenou o tão falado Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a hoje presidente manteve incontáveis encontros e reuniões de trabalho com empresários e executivos de grandes empresas, em vários casos de empresas multinacionais de dimensões gigantescas.

Portanto, a presidente, que é economista, nem precisaria perguntar a um desses seus freqüentes interlocutores se existiria, em suas companhias, alguma chance de dar certo o trato direto com 39 diretores.

Com certeza ouviria, como resposta, que lidar com 39 direct reports é um absurdo que fatalmente conduz a empresa a se tornar empresa burocratizada, hipopotâmica, aparvalhada – sem contar que o CEO, presidente ou dono provavelmente ficaria louco.

Pois um dos segredos do que hoje se considera uma boa governança empresarial consiste, justamente, por meio da delegação e outras formas de gestão, em diminuir o quanto possível o número de interlocutores obrigatórios de cada gestor em seu respectivo nível.

No 1º ano de mandato de Lula, a ministra só despachou uma vez com o presidento

O então presidento Lula acotovelou o máximo de partidos políticos possível no Ministério, em nome da “governabilidade”. Com isso, deixou inteiramente de lado qualquer busca de eficiência da máquina – no caso, a mais numerosa desde a Independência, em 1822. Nem nossos dois imperadores, D. Pedro I e D. Pedro II, dispuseram de tamanho séquito administrativo.

Reunião ministerial do presidente Barack Obama (Foto: Saul Loeb / AFP / Getty Images)

Reunião do presidente Barack Obama: equipe enxuta tocando o país mais rico e poderoso do mundo (Foto: Saul Loeb / AFP / Getty Images)

A multidão de gente elevada à categoria de ministros é tal que alguns raramente despacharam a sós com o presidento. Basta fazer as contas: levando-se em consideração as numerosas viagens ao exterior e os muitíssimos périplos pelo país, Lula, durante seus 8 anos de mandato, passou cerca de um terço de cada ano, ou pouco mais que isso, em Brasília.

Digamos que tenham sido 100, ou até 120 dias úteis por ano. Mesmo que despachasse diariamente com um ministro diferente — o que não ocorreu com Lula –, eles passariam mais de três meses sem contato com o ou a presidente. Não foi por outra razão que, no primeiro ano do primeiro lulalato, 2003, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, mesmo sendo na época politicamente muito próxima a Lula, só despachou com ele uma única vez.

Dilma viaja menos. Ainda assim, é impossível avistar-se com os ministros tête-à-tête com uma frequência minimamente desejável.

Como todos sabemos, Lula sempre gostou de se comparar a presidentes com marca de realizadores, como Getúlio Vargas ou Juscelino Kubitschek. Nunca mencionou, contudo, nem de longe, comparações com o tamanho dos respectivos times.

Getúlio e JK tiveram um máximo de 11 ministros

Não obstante os tempos obviamente sejam outros, e mais complexos, Getúlio, em seus quatro diferentes períodos de governo e 18 anos de poder (de 1930 a 1945 e, depois, de 1951 a 1954), governou com um mínimo de 7 e um máximo de 11 ministros.

JK (1956-1961) contou com 11 ministros, e 5 titulares do que então se chamavam “órgãos de assessoramento”, como os gabinetes Civil e Militar.

E vamos evitar falar de nomes, pelo amor de Deus. Ministros de Getúlio, JK e outros presidentes foram não raro gigantes políticos, que o país conhecia e respeitava.

Quem é capaz de citar o nome de cinco dos 39 ministros atuais?

Praticamente todos os países sérios e maduros são governados por times enxutos. Os presidentes americanos, por exemplo, conseguem tocar adiante a superpotência de 315 milhões de habitantes e uma economia colossal de mais de 15 trilhões de dólares com 15 ministros. A chanceler Angela Merkel conduz a Alemanha, quarta maior economia do planeta e país mais rico e importante da Europa, com 17 ministros — em sua primeira gestão, eram 15.

É claro que a eficiência de uma máquina pública não se mede apenas pelas dimensões do Ministério. Entretanto, o primeiro e grande empecilho para que ela ande a contento é o tamanho exagerado — que Lula não levou em conta durante o primeiro mandato, continuou a fazê-lo no segundo e que a “gerentona” Dilma ainda conseguiu engordar mais.

10/12/2013

às 19:15 \ Vasto Mundo

A louraça primeira-ministra da Dinamarca provoca saia justa entre o casal Obama

Barack Obama, presidente dos EUA, Helle Thorning-Schmidt, primeira-ministra da Dinamarca e David Cameron, primeiro-ministro britânico, tiram autorretrato durante cerimônia de funeral de Nelson Mandela em Joanesburgo

Enquanto Cameron, a bela Thorning-Schmidt e Obama se divertem com “selfies”, a primeira-dama Michelle, sem disfarçar, fecha a cara (Foto: Roberto Schmidt / AFP)

Criticada por alguns setores em seu país por ser “bonita demais” para se ocupar assuntos de Estado quando assumiu o cargo, em setembro de 2011, a primeira-ministra social-democrata da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, 47 anos, acabou induzindo um episódio de saia justa entre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e sua mulher, Michelle, durante cerimônia hoje em homenagem ao falecido ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, no estádio de Soccer City, em Johannesburgo.

 

Já na fase dos sorrisos recíprocos, Michelle, além da cara fechada, parecia fuzilar a primeira-ministra dinamarquesa com os olhos (Foto: Roberto Schmidt / AFP)

Enquanto Obama se divertia fazendo selfies — as autofotografias clicadas com celular — com a bela, alta e loura Thorning-Schmidt e o primeiro-ministro britânico David Cameron, Michelle fechou a cara, visivelmente contrafeita.

A coisa piorou quando o presidente e a primeira-ministra, de celebrados olhos azul-turquesa, engataram uma conversa repleta de sorrisos. A ameaçadora expressão da primeira-dama americana acabou levando presidente a, prudentemente, trocar de lugar com a mulher.

Lá pelas tantas, Obama se conteve e também ficou sério (Foto: Roberto Schmidt / AFP)

Obama troca de lugar com a mulher, Michelle, que acaba ao lado da primeira-ministra dinamarquesa (Foto: AP)

Obama troca de lugar com a mulher, Michelle, que acaba ao lado da primeira-ministra dinamarquesa (Foto: AP)

Helle-Thorning-Schmidt-primeira-ministra-Dinamarca

Helle Thorning-Schmidt: alta, loura, olhos azuis, sempre com roupas de grife e sapatos de saltos altíssimos, a primeira-ministra da Dinamarca teve problemas ao longo da carreira no Partido Social Democrata — que ainda se considera um partido fundamentalmente “operário” — por seus cuidados minuciosos com a aparência. Um de seus apelidos depreciativos é “Gucci Helle”. 

LEIAM TAMBÉM:

VÍDEO COM CENA RARA: Michelle Obama manda bem dançando na TV

Anotem aí: Michelle Obama vai entrar para a política depois que o marido deixar a Casa Branca

Criticada — vejam só — por ser bonita e elegante demais, a nova primeira-ministra da Dinamarca quer manter o Estado de bem-estar social

09/12/2013

às 21:58 \ Política & Cia

UMA PAUSA PARA A CIVILIDADE: Dilma foi aos funerais de Mandela com os quatro ex-presidentes no avião presidencial. O trato gentil e civilizado com FHC, adversário político, é rara e positiva exceção na política brasileira

José Sarney, Lula, Dilma Rousseff, FHC e Fernando Collor de Mello (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Dilma com Sarney, Lula, FHC e Collor: “é uma honra poder reunir todos os ex-presidentes”, disse ela. Gestos assim só fazem bem ao ambiente crispado e radicalizado da política brasileira (Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

Ah, como seria bom se a política fosse sempre assim…

Em mais um gesto de civilidade, que precisa ser reconhecido — já o fiz várias vezes neste blog, em situações anteriores –, a presidente Dilma Rousseff convidou os ex-presidentes Lula (PT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Fernando Collor (PTB) e José Sarney (PMDB) a viajar com ela no avião presidencial Santos Dumont para os funerais, em Johannesburgo, do falecido ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela.

“Estou viajando acompanhada dos ex-presidentes Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula para acompanhar os funerais do grande líder Mandela”, escreveu e presidente em seu perfil no Twitter. “É uma honra poder reunir todos os ex-presidentes num objetivo comum. O Estado brasileiro se une para honrar Mandela, exemplo que guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz. É uma demonstração de que as eventuais divergências no dia-a-dia não contaminam as posições do Estado brasileiro”.

A presidente e os ex-presidentes do Brasil embarcaram da base aérea do Galeão, no Rio, às 12h30. Antes, todos sorridentes, deixaram-se fotografar.

Em países avançados, a começar pelos Estados Unidos, são comuns esse tipo de gestos simbólicos, em que ex-presidentes deixam de lado diferenças políticas em momentos especiais e compartilham de solenidades. A última vez em que isso se deu nos EUA foi logo após a posse de Barack Obama para seu primeiro mandato, a 20 de janeiro de 2009, quando se congraçaram no Salão Oval com o presidente democrata seu antecessor, George W. Bush, republicano (2001-2009), o também republicano George Bush pai (1989-1993) e os democratas Bill Clinton (1993-2001) e Jimmy Carter (1977-1981).

George W. Bush, Barack Obama, George H.W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter (Foto: J. Scott Applewhite / AP)

Cena que ninguém estranha nos EUA: Obama reúne no Gabinete Oval antecessores republicanos e, como ele, democratas: Bush pai, George W. Bush, Bill Clinton e Jimmy Carter (Foto: J. Scott Applewhite / AP)

Que a presidente Dilma conviva sem problemas com Lula, seu tutor, ou com Sarney e Collor, aliados do governo no Congresso, não é nada demais.

Mas, num país de radicalização política exacerbada como o Brasil, onde se vive um permanente clima envenenado entre petistas e tucanos, acho produtivo e elogiável o trato civilizado e atencioso que a presidente mantém com o tucano-mor, FHC.

Em seus oito anos no poder, Lula jamais pensou em chamar FHC para uma conversa, como fazem governantes de países como os EUA, o Reino Unido, a França, a Alemanha ou a Austrália em determinadas circunstâncias. Como agiu o próprio FHC, por sinal, que depois de ungido pelo voto popular manteve conversas produtivas e cordiais com um figurão do regime que lhe foi algoz — o falecido general-presidente Ernesto Geisel.

Diferentemente de Lula, Dilma, já em seus primeiros meses de governo, em 2011, teve a gentileza de convidar o adversário político tucano para um almoço em homenagem ao presidente norte-americano Barack Obama, em visita oficial ao Brasil — ao qual, diga-se, Lula não compareceu.

Almoço no Itamaraty em homenagem à visita de Obama, em 19 de março de 2011 (Foto.: Beto Barata / AE)

FHC com Dilma no coquetel antes do almoço no Itamaraty em homenagem a Obama, a 19 de março de 2011: gestos simbólicos raros — e bem-vindos (Foto: Beto Barata / AE)

Depois, em junho do mesmo ano, por ocasião do 80º aniversário de FHC, enviou-lhe uma mensagem extremamente gentil, chamando-o de “querido presidente Fernando Henrique”. No ano seguinte, 2012, em maio, de novo convidou FHC a prestigiar uma cerimônia — a de lançamento da Comissão da Verdade, à qual estiveram presentes também Lula, Collor e Sarney.

Ontem, antes da viagem à África do Sul, a presidente ainda uma vez dispensou atenções ao patriarca tucano. Ela inaugurou, no Copacabana Palace, seminário sobre América Latina promovido pelo instituto de estudos do ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

FHC, que também participou do seminário, foi convidado pela presidente a seguir do Copacabana Palace ao Galeão em sua companhia no automóvel presidencial.

São pequenos gestos simbólicos, é verdade. Num país como o nosso, contudo, em que a barbárie ainda prevalece em muitos aspectos da vida política, são tão raros como muito bem-vindos.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados