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Astúrias

29/03/2012

às 8:00 \ Vasto Mundo

Republico post que saiu com erros: “Eleições na Espanha: socialistas conseguem deter a maré conservadora na Andaluzia, a comunidade mais populosa”

Griñán, socialista, chegando para votar em Sevilha: não ganhou, mas continua no governo (Foto: vegamediapress.es)

Amigos, republico este post porque foi ao ar na segunda, 26, com erros de informação, principalmente o de que o Partido Popular, conservador, governa 16 das 17 comunidades autônomas da Espanha. Na verdade, governa 15 — a Andaluzia, objeto do post, e o País Basco são governadas pelos socialistas.

Desculpem o erro. Quem tiver paciência, pode ler novamente o post — correto.

Consideradas as circunstâncias, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), massacrado nas eleições gerais de 20 de novembro, que colocaram no poder o conservador Partido Popular, operou um milagre nas importantes eleições deste domingo, 25, na Andaluzia, uma das duas únicas comunidades autônomas (equivalente a um Estado norte-americano) que ainda governava, entre as 17 da Espanha (a outra é o País Basco): perdeu 9 cadeiras no Parlamento andaluz, mas, com 47 deputados – contra 50 do agora majoritário PP –, deve manter-se no governo em aliança com a Esquerda Unida, que dobrou sua representação e alcançou 12 postos.

Com 8,5 milhões de habitantes dos 47 milhões que compõem a Espanha, a Andaluzia é a comunidade mais populosa do país e sempre foi um fortíssimo baluarte dos socialistas, que governam o território há 30 anos. Para o PP, que jogou todas as suas forças na campanha, era uma questão de honra “passar o rodo” também ali, e deter um poder inigualado por outro partido político nos 35 anos de democracia: não apenas governa, sozinho ou em coalizão, 15 das 17 comunidades espanholas, como também as cidades autônomas de Ceuta e Melilla, encravadas em território do Marrocos, bem como as três das quatro maiores cidades do país – Madri, Valência e Sevilha.

Por que milagre para o PSOE? Porque o presidente da região (equivalente a governador), José Antonio Griñán, tinha todas as pesquisas de opinião pública prognosticando derrota feia, sua região tem a espantosa taxa de desemprego de 30% — bem acima do já péssimo percentual geral da Espanha, de 22,8% — e seu governo enfrenta o maior escândalo de roubalheira de dinheiro público de que se tem notícia no país: 1 bilhão de euros (2,4 bilhões de reais) desviados dos fundos de auxílio aos desempregados. Griñán não está pessoalmente envolvido, mas clama aos céus que, em sua posição, não estivesse a par de nada.

González (à esquerda), com o secretário-geral do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, e Griñán, em Córdoba: "deter a onda reacionária" (Foto: estrelladigital.es)

Para o resultado eleitoral, provavelmente contribuiu uma espetacular entrada em cena do ex-primeiro-ministro (“presidente de governo”, como se denomina o cargo na Espanha) Felipe González, o grande modernizador do país, vencedor de quatro eleições consecutivas e que governou por 14 anos.

Embora tenha deixado o poder em 1996 com sua administração desgastada por acusações de abuso de poder e de corrupção, ele nunca foi pessoalmente incriminado. Aos 69 anos, em boa forma, e ainda por cima andaluz, de Sevilha, continua sendo a grande referência dos socialistas e se reserva para entrar em cena apenas em momentos decisivos.

Ele o fez na reta final da campanha, conclamando os andaluzes a deter “a onda reacionária” que varre o país e fazendo um candente discurso no comício de encerramento da campanha de Griñán, em Córdoba.

O resultado é que, ao anunciar a vitória do PP nas eleições – afinal, o partido conseguiu a maior bancada –, a secretária-geral do partido, Maria Dolores de Cospedal, exibia um ar fúnebre. Tecnicamente derrotado, Griñán e os principais líderes socialistas exultavam.

Tanto González como outros dirigentes de esquerda apresentaram a o resultado como efeito do “desgaste” do governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy, que submete o país a um duro regime de austeridade para sair da crise. É um evidente exagero.

O oposto do que se passou na Andaluzia ocorreu em outra comunidade onde se realizaram eleições, o pequeno Principado de Astúrias, com pouco mais de 1 milhão de habitantes. Lá, o PSOE ganhou as eleições, mas não levou. O socialista Javier Fernández sorria amarelo depois de obter a maior bancada no parlamento, uma vez que o presidente do governo, Francisco Álvarez Cascos, dirigente de um partido local centrista, vai aliar-se com o PP e terá maioria.

“Este foi o dia em que o PSOE respirou”, disse no fim da noite de ontem, na emissora pública de televisão TVE, o veterano analista Fernando Ónega. “O partido salvou os móveis na Andaluzia”.

É de fato um respiro para os socialistas, mas não abala o governo de Rajoy. O que o fará, se ele não conseguir colocar a Espanha nos eixos, será a crise.

07/06/2011

às 16:01 \ Tema Livre

Amigos, este blog não fala só de política. Então vejam a primeira e bela obra de Oscar Niemeyer na Espanha

Centro Cultural Oscar Niemeyer em Avilés, no norte da Espanha: na cúpula redonda (à direita), centro de exposições; na torre com mirante, com vista para a parte histórica da cidade, espaço gastronômico; em primeiro plano, o Film Center; e, à esquerda, o auditório

Amigos, é grave a crise tendo como olho do furacão o enriquecimento do ministro Antonio Palocci, ms a vida segue e NÃO pretendo ficar só neste assunto. Então, segundo a proposta do blog, aqui está um post para refrescar um pouco os ares pesados da política brasileira.

Com obras espalhadas por todo o planeta, surpreendentemente o arquiteto Oscar Niemeyer, 103 anos, não tinha ainda deixado sua marca na Espanha. Agora, deixou: já está funcionando há algumas semanas o magnífico Centro Cultural Internacional que leva seu nome em Avilés, deteriorada cidade industrial da província de Astúrias, no norte do país.

O Centro é parte de um ambioso projeto que tem à frente o renomado arquiteto britânico Norman Foster, autor, entre outras obras importantes, da reformulação do edifício do Bundestag, o Parlamento alemão. O projeto – a Ilha da Inovação – pretende, em Avilés, trazer para a cidade a grande revitalização proporcionada pelo museu Guggenheim de Bilbao, a maior cidade do País Basco, inaugurado em 1997.

A Ilha da Inovação é ambiciosa, e pretende recuperar, do ponto de vista urbanístico e ambiental, uma área de mais de meio milhão de metros quadrados às margens do braço do Mar Cantábrico que entra pela cidade adentro. Inspira-se em transformações similares operadas em Lyon e Nantes, na França, em Hamburgo, na Alemanha, e em Melbourne, na Austrália, e incluirá um terminal de navios de cruzeiro, uma marina, uma estação intermodal de transportes públicos, edifícios de apartamentos de luxo, “cubos” arquitetônicos para atividades culturais e científicas, um grande bulevar e um parque.

Niemeyer e a maquete do projeto

O Centro Niemeyer atraiu, para seu conselho curador várias personalidades de vulto em suas áreas, entre as quais o cineasta Woody Allen, que ambientou nas Astúrias parte de seu filme Vicky, Cristina, Barcelona (2008), se apaixonou pela região e será o responsável por um centro de cinema, o ator americano Kevin Spacey, diretor artístico do mitológico Teatro Old Vic, de Londres, o físico briânico Stephen Hawkins e o vice-presidente do Google, Vinton Cerf.

O Centro abrange quatro obras, todas prontas: uma cúpula redonda, semelhante à do Senado, em Brasília, com uma escada helicoidal que já é uma tração turística, e abrigará um centro de exposições; um espaço gastronômico, numa torre em cujo belvedere já funciona o restaurante Casa Gerardo de Prendes (uma estrela no Guia Michelin), o Film Center – com cinema, sala de ensaios, espaço para conferências e um café – e o auditório de 1.000 lugares, mas cujas portas se abrem para a praça central, de forma a poder se transformar em palco para milhares de pessoas nela instaladas, um pouco como ocorre no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, também saído da prancheta de Niemeyer.

(Veja abaixo fotos do auditório, da torre gastronômica e da escada helicoidal.)

Apesar da crise econômica por que passa a Espanha desde 2009 e das dimensões da obra – 44 mil metros quadrados no total, dos quais 17 mil de área construída – tudo ficou pronto em menos de três anos. Segundo o arquiteto aragonês Arturo Gutiérrez de Terán, o trabalho do brasileiro “será, sem dúvida, lugar de peregrinação para os arquitetos europeus”. Niemeyer nada cobrou pelo projeto, em retribuição ao Prêmio Príncipe das Astúrias das Artes – o equivalente, na Espanha, ao Nobel – que recebeu em 1989.

 

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