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Aécio Neves

20/05/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Frase do mês — do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), sobre Lula: “Nunca foi tão difícil ser oposição ao maior canalha deste país. Eu sei o que é enfrentar esse poderio”

Perillo, na convenção do PSDB, sobre Lula: “O maior canalha deste país“ (Foto: psdb.org)

Não consigo identificar nenhuma outra frase de político no mês que seja tão direta e contundente — e, no final das contas, tão reveladora e importante — como a do governador de Goiás, Marconi Perillo, durante fala na convenção do PSDB que escolheu o senador Aécio Neves (PSDB) como presidente do partido, no sábado, em Brasília, referindo-se claramente à advertência que fez a Lula, então presidento da República, sobre a existência de um esquema de compra de votos para apoiar o lulalato na Câmara dos Deputados:

– Nunca foi tão difícil ser oposição ao maior canalha deste país. Eu sei o que é enfrentar esse poderio. Um dia eu alertei esse canalha que no governo dele havia mesada para comprar deputados e, desde então, fui escolhido ao lado de José Agripino, Arthur Virgílio e Tasso Jereissati [à época, respectivamente, senadores oposicionistas do DEM-RN, PSDB-AM e PSDB-CE] como os seus adversários maiores.“

A advertência de Perillo a Lula se deu no começo de 2005 (o escândalou estourou em agosto do mesmo ano), e o então presidento não deu qualquer sinal de que fosse tomar providências.

Advertiu-o, também, do esquema que resultaria no escândalo do mensalão e na condenação de figurões do PT à cadeia pelo Supremo Tribunal Federal o à época deputado Roberto Jefferson (RJ), presidente do PTB.

06/05/2013

às 8:05 \ Disseram

Aécio Neves: “O governo não trata com tolerância zero a inflação”

“O governo não trata com tolerância zero a inflação. A maior conquista dos brasileiros está sendo colocada em risco pela leniência do governo”

Aécio Neves, senador (PSDB-MG), em comício da Força Sindical, em São Paulo

02/05/2013

às 18:05 \ Política & Cia

Com a cara de pau característica, Lula e Dilma fazem propaganda e faturam politicamente até com arenas da Copa em Estados governados pela oposição

O Mineirão, pronto (acima), um estádio estadual, de um governo há dez anos e meio em mãos do PSDB, e obras da arena do Corinthians, que é privada e conta também com recursos do Estado de São Paulo e da prefeitura: tudo entra no pacote de "realizações" do governo lulopetista (Fotos: Governo de Minas Gerais :: Sport Club Corinthians Paulista)

Amigas e amigos do blog, vejam a cara de pau do governo da presidente Dilma e de seu tutor, o ex-presidento Lula, em nota publicada no excelente blog do jornalista Ricardo Perrone — um sinal a mais de que será feito “o diabo” para reeleger Dilma:

Propaganda do PT divulgada em horário nobre na televisão, com Lula e Dilma Rousseff, é um trailer de como Copa do Mundo será explorada nas eleições de 2014. Entre as transformações pelas quais o Brasil passou desde que o partido assumiu a presidência, são citados na publicidade os 12 estádios do Mundial.

Não há menção individual âs arenas. Nem ao fato de várias delas terem sido construídas em Estados governados por outros partidos. E nenhum lembrete sobre existirem arenas privadas, como as de Corinthians, Inter e Atlético-PR.

Faz tempo que integrantes do PT defendem a tese de que com financiamento do BNDES e/ou isenção de impostos, os 12 palcos do Mundial têm algo do Governo Federal em seu DNA.

E que Dilma precisa reforçar a imagem desse governo como um dos “patrocinadores” da competição.

Apenas duas arenas estaduais são em locais em que o governador é petista: Bahia e Distrito Federal.

O Rio Grande do Sul também é controlado pelo partido, mas o estádio é privado. No entanto, teve financiamento aprovado pelo BNDES.

Como a narração se refere “aos 12 estádios”, até o Mineirão, do Estado do tucano Aécio Neves, provável principal adversário de Dilma nas eleições de 2014, acabou entrando no pacote publicitário.

30/04/2013

às 16:35 \ Política & Cia

Marin, da CBF, tenta asfaltar pontes com a oposição

Marin, em homenagem não autorizada, segue em busca de novos amigos (Foto: Ricardo Bastos / Jornal Hoje em Dia)

Marin, em homenagem não autorizada, segue em busca de novos amigos (Foto: Ricardo Bastos / Jornal Hoje em Dia)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

EM BUSCA DE NOVOS AMIGOS

Às turras com o governo federal e com a Fifa, o presidente da CBF, José Maria Marin, tenta asfaltar pontes com a oposição.

Na quarta-feira passada, homenageou o senador Aécio Neves [PSDB-MG] com uma placa no Mineirão, descerrada antes do empate do Brasil com o Chile.

A homenagem deveria ter sido feita na inauguração do estádio, em dezembro de 2012, mas a comitiva de Dilma Rousseff vetou a promoção ao provável adversário na eleição de 2014 – apenas uma placa o nome da presidente, do governador Antonio Anastasia e do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, foi instalada.

A justificativa de Marin para afagar o tucano é que todo o planejamento da reforma do Mineirão foi feito durante sua gestão no governo de Minas [2003-1010].

25/04/2013

às 17:30 \ Política & Cia

Aécio apresentará projeto que acaba com a reeleição

Cobrança. Em discurso no Senado, Aécio atacou o PT e propôs ‘reestatizar a Petrobrás’ (Foto: André Dusek / AE)

Cobrança. Em discurso no Senado, Aécio atacou o PT e propôs ‘reestatizar a Petrobras’ (Foto: André Dusek / AE)

Reportagem de Débora Bergamasco e João Bosco Rabello, publicada na seção Política do jornal O Estado de São Paulo

AÉCIO APRESENTARÁ PROJETO QUE ACABA COM A REELEIÇÃO

Mineiro defende mandato de 5 anos que teria validade já a partir de 2014; ideia contraria tese de FHC, que aprovou dois mandatos

O senador e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG) está elaborando um projeto para propor no Senado que vai polemizar e alterar o atual cenário político: ele quer extinguir a possibilidade de reeleição presidencial, de governadores e prefeitos e ampliar de quatro para cinco anos os mandatos de todos os novos eleitos, aplicando, desde já, a regra que poderia afetar a si mesmo caso eleito.

Sua ideia é que, uma vez aprovada, a regra passe a valer já para os vencedores do pleito de 2014, impondo ajustes aos mandatos atuais de senadores e deputados, ampliando-os para forçar a coincidência nas eleições seguintes e fixando-os nos mesmos cinco anos estabelecidos para Presidente da República.

Aécio ainda matura o projeto, mas não esconde a convicção de que os quatro anos previstos na legislação vigente são insuficientes para uma gestão minimamente eficiente de um País ou Estado. A reeleição, por sua vez, condiciona a segunda metade do mandato à campanha eleitoral, submetendo o governo e, por extensão, a população, a uma gestão distanciada dos reais interesses do País. Ele chama de soluções bienais a falta de coincidência das eleições que considera nefasta para a administração pública. Com frequência, classifica de “loucura” eleições de dois em dois anos.

Aécio diz a seus pares estar ciente da dificuldade que seria emplacar um projeto desses no Congresso. Sabe o potencial de influência dos governadores, por exemplo, que têm planos de se manter o maior tempo possível no poder e do próprio governo Dilma Rousseff, que provavelmente exigiria postura contrária de sua bancada ao plano. Mas o mineiro tem seus motivos para entrar nessa batalha e acha que a proposta lhe dá cacife para campanha de 2014.

A seu favor, lembra que não é a primeira vez que defende o fim da reeleição e a mudança do tempo de mandato presidencial. Em 2007, deu entrevistas a favor dessa alteração, mas não tinha ainda força política para influenciar na condução desse processo. Na ocasião, não tinha a clareza que tem hoje sobre as chances de disputar a Presidência por seu partido. Seis anos depois, candidato do PSDB à sucessão presidencial e virtual comandante do partido – será eleito presidente nacional da legenda no dia 19 de maio – sente -se com o espaço necessário para liderar o movimento no PSDB e no Parlamento.

 

Desapego do cargo. Assim como a ex-ministra Marina Silva (sem partido), em segundo lugar nas últimas pesquisas de intenção de voto, o PSDB de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso identificou uma insatisfação do eleitorado com o perfil do político disposto a se manter no cargo a qualquer custo. Defender essa ideia publicamente passa a ideia do desapego, já que a regra se aplicaria a ele próprio. Ironia histórica é que revoga o modelo implantado pelo líder mais carismático de seu partido, e entusiasta de sua candidatura, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que aprovou emenda para viabilizar sua reeleição em 1997.

O gesto, no entanto, se insere na estratégia de remoçar o PSDB, sinalizando com a presença mais efetiva da nova geração do partido, à qual pretende associar sua imagem.

 

Economia

No plano econômico, o senador mineiro já busca a assessoria de novos economistas, com qualificação atestada por grandes expressões do setor. Dessa forma, procura se desvincular do rótulo conservador aplicado pelos governistas aos candidatos de oposição.

Também já prepara o discurso contra as acusações de “privatista” que tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a presidente Dilma Rousseff utilizaram sobre os tucanos nas últimas campanhas.

 

Petrobrás

Nas eleições passadas, o PSDB teve dificuldade para administrar o tema e os próprios tucanos reconhecem que a estratégia dos adversários funcionou bem, especialmente na campanha de 2006, na disputa de Lula contra Geraldo Alckmin. Agora, Aécio vai adotar o discurso de que quer “reestatizar a Petrobrás”, usando o mote para criticar o suposto aparelhamento da empresa e o suposto uso de seus recursos para fins que seriam prejudiciais à boa gestão da empresa.

15/04/2013

às 15:00 \ Política & Cia

Dora Kramer: governo trata Eduardo Campos (PSB) com luvas de veludo calçadas em mãos de ferro

Dilma com Eduardo Campos em solenidade oficial: relações cordiais, mas corda tensionada de um e de outro lado por causa de 2014 (Foto: opovo.com.br)

INIMIGOS CORDIAIS

Por Dora Kramer

Artigo publicado na Editoria de Política do jornal O Estado de S.Paulo

A amabilidade que a presidente Dilma Rousseff confere no trato a Eduardo Campos em sua rota de dissidência para uma possível candidatura presidencial em 2014, dissimula o clima de tensão pré-eleitoral que o governo e o PT criam em torno dele.

É possível detectar a mesma dualidade no governador de Pernambuco: reafirma sua aliança com o Planalto e ao mesmo tempo tensiona a relação com um discurso crítico.

Mas aqui vamos tratar de Eduardo Campos apenas da perspectiva do governo, como é vista a possibilidade de candidatura, se ameaça a reeleição de Dilma, se haverá retaliação ou se ainda há espaço para um “meia volta, volver”.

Atuar com mãos de ferro calçadas em luvas de veludo é um conceito difundido por Napoleão Bonaparte sobre a eficácia da combinação de gestos cordiais com atos firmes na política, que define bem o espírito da estratégia governista enunciada no primeiro parágrafo.

O governo não vai brigar – a não ser quando, e se, a luta for necessária – com Eduardo Campos, mas também não vai deixar de fazer suas escaramuças para dificultar-lhe a trajetória em direção à candidatura.

A mais explícita, e exemplar do que virá adiante, aconteceu em recente visita da presidente a Pernambuco, onde fez discurso cobrando lealdade de aliados e ressaltando que o crescimento do Estado deve-se aos inúmeros e vultosos (R$ 60 bilhões, segundo dados do Planalto) investimentos federais.

Com isso, atua no campo seguro – por ora o único – do possível desafiante com sua fórmula “dois em um”: Dilma e Lula. O governo tenta limitar seu discurso de eficácia administrativa a Pernambuco e também esvaziá-lo transferindo o êxito para a esfera federal, vale dizer, o PT.

O jogo talvez não seja assim tão combinado, mas fato é que parte do PT alimenta a tensão cobrando que o governo o trate desde já como adversário e outro grupo faz o papel moderado para manter a porta aberta para o caso de recuo.

E por que Eduardo Campos recuaria depois de avançar tantas casas, mais não seja para acumular forças para disputa futura (2018) da Presidência?

Na visão do governo, por causa das enormes dificuldades práticas que terá de enfrentar. Uma delas, a ambiguidade do discurso, forçosamente de oposição e pragmaticamente de situação. “Haverá o momento em que terá de se definir e aí é que começarão as pressões dos governadores, dos deputados e dos ocupantes de cargos federais”, argumenta um ministro do PT.

Ele vislumbra obstáculos intransponíveis na formação de alianças regionais, na fragilidade da máquina do PSB em comparação às estruturas do PT, PMDB, do PSDB; e na disputa por uma vaga no segundo turno com o tucano Aécio Neves.

Outro ministro do PT, como o citado acima com ótimo acesso à presidente, considera que na hora das definições ainda prevalecerá a tradicional disputa de petistas contra tucanos. E acrescenta: “Nos últimos anos quem tentou ser terceira via saiu das eleições menor do que entrou: Anthony Garotinho, Ciro Gomes, Heloisa Helena, Marina Silva e Cristovam Buarque”.

Na opinião dele, por mais que digam que a disputa entre PT e PSDB cansou o eleitorado, “a alternativa não tem sido um espaço político consistente”.

Ambos apostam (torcem?) que Eduardo Campos pensará melhor e concluirá pelo benefício do passo atrás. Acreditam que, na hipótese de um segundo turno entre Aécio e Dilma – nesse momento, no governo, a palavra de ordem é dizer que o mineiro tem anos luz de vantagem sobre o pernambucano – o governador ficaria necessariamente com a presidente.

Apontam dois motivos. Um: porque a disputa da vaga do segundo lugar definirá o nome mais forte da oposição em 2018. Outro: se Aécio ganhar teria a vantagem da reeleição, em tese adiando os planos de Eduardo Campos para 2022.

12/04/2013

às 14:00 \ Política & Cia

A oposição no Brasil não tem jeito, mesmo. O PSDB pode perder o apoio do PPS, que namora com o PSB do governador Eduardo Campos. Agora, surge encrenca com seu mais tradicional aliado, o DEM

FHC, com Marco Maciel, apresenta seu programa de governo em 1998: velha aliança com o DEM em crise (Foto: veja.abril.com.br)

A aliança entre o PSDB e o DEM (ex-PFL) vem desde a primeira campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, e se consolidou com a incorporação do então senador Marco Maciel, então do PFL de Pernambuco, como vice-presidente da chapa.

Em São Paulo, o governador tucano Mario Covas, embora com chapa “puro sangue” de tucanos — seu vice era o atual governador Geraldo Alckmin –, também incorporou o PFL ao governo, e o mesmo aconteceu em outros Estados. Da mesma forma, tucanos passaram a participar de governos do PFL. Nos municípios, onde a situação é tradicionalmente embaralhada, não se pôde observar um padrão, mas em centenas deles a aliança funcionou.

Agora, o principal partido da tímida oposição ao lulopetismo, o PSDB, que já vê seu outro tradicional aliado, o PPS do deputado Roberto Freire, aproximar-se do conterrâneo Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSD, começa a enfrentar sérios problemas no DEM.

Leiam o texto do jornalista Ilimar Franco, de O Globo:

Agripino com Aécio no Senado: o presidente do DEM reclamou ao presidenciável do PSDB que os tucanos não respeitam compromissos e que fará alianças estaduais com outros partidos (Foto: José Cruz / Agência Senado)

Nada será como antes

Temendo que o aliado embarque no projeto Eduardo Campos (PSB), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) reuniu-se ontem com a cúpula do DEM.

Seu presidente, senador José Agripino (RN), reclamou que os tucanos não respeitam compromissos. Disse que o objetivo de seu partido é eleger 50 deputados federais em 2014. E que, para isso, fará alianças estaduais com PSB, PDT e PMDB.

O DEM reclama que foi massacrado pelos tucanos em 2012, quando o partido esperava eleger um número maior de prefeitos em Minas Gerais e São Paulo.

Protesta contra a implosão da candidatura de Valéria Pires ao Senado, no Pará, em 2010.

O Democratas quer o PSDB alinhado com a candidatura do ex-prefeito Cesar Maia, que tem 10% nas pesquisas para o governo do Rio.

Questiona os tucanos por apoiarem “a fórceps” o prefeito ACM Neto (DEM) em Salvador.

O líder na Câmara, Ronaldo Caiado, quer equidistância em Goiás, onde pretende disputar o governo contra a reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB).

O partido vai vender caro o seu tempo de TV.

08/04/2013

às 15:02 \ Política & Cia

FERNANDO HENRIQUE: “CANSEI DE VER O PSDB DIVIDIDO. CHEGA!”

O congresso estadual do PSDB paulista e FHC sendo aplaudido: "Não persegui, não fiz favores, não roubei" (Fotos: brasil247.com)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou, em um discurso inflamado neste sábado, 6, durante congresso estadual do PSDB paulista, que o partido “tem tudo para vencer (em 2014)” caso resolva o dilema da unidade interna.

– O primeiro passo é a unidade. Cansei de ver o PSDB dividido. Chega! — disse ele, gritando, diante de uma plateia de dirigentes e militantes.

FHC é um dos defensores da candidatura do senador mineiro Aécio Neves, que enfrenta percalços internos diante de resistências do ex-governador José Serra em apoiá-lo na disputa presidencial. Aécio trabalha para convencer o PSDB de São Paulo a aderir à sua candidatura e já disse publicamente que não há como disputar se não tiver o apoio do governador Geraldo Alckmin.

Com a cobrança, Alckmin defendeu que Aécio assuma o comando do PSDB nacional, mas ainda não verbalizou ser a favor da candidatura presidencial do mineiro.

“O Brasil precisa de um novo programa. Estamos engasgados porque não fizemos o que tínhamos que fazer [para vencer eleições presidenciais]“, prosseguiu, referindo-se às gestões do PT sob Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. “Vamos juntos. Se fizermos isso não tenho dúvida de que vamos vencer.”

A fala de FHC, de 22 minutos, foi o ponto alto de um encontro de quase nove horas, em que a direção estadual aprovou a Carta de São Paulo, na qual faz um diagnóstico dos problemas do País, desfia fortes criticas ao governo petista e diz que o PSDB precisa “despertar o sentimento de mudança”. Nem Serra nem Alckmin estavam presentes.

“Ninguém conhece (o caminho) melhor do que nós”, diz trecho do documento.

FHC começou o discurso defendendo seus dois mandatos, sendo interrompido continuamente por militantes entusiasmados. Subiu o tom ao citar um texto de recente documento da ONU sobre o Brasil.

– O período em que o Brasil mais cresceu socialmente foi no meu governo – disse. — O crescimento veio antes [dos governos do PT]. E por isso ganhamos duas vezes no primeiro turno. Ninguém mais fez isso no Brasil.

Em seguida, FHC foi ao ataque:

– Não persegui, não fiz favores, não roubei.

Criticou o que chamou de “política demagógica do governo federal”, que fez o país “perder a proeminência na América Latina”. O tucano criticou a paralisia na infraestrutura, problemas dos portos, aeroportos e estradas.

– E isso tudo porque deram pra trás no que nós fizemos: leilões [de privatização e de concessão] bem feitos.

O presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, também defensor da candidatura de Aécio, fez uma rápida exortação: “A renovação da vida pública é uma palavra de ordem. Renovar o PSDB é indispensável”.

03/04/2013

às 20:00 \ Política & Cia

A volta dos “faxinados” por Dilma mostra que o Palácio do Planalto é, hoje, o principal gabinete reeleitoral da presidente Dilma

A presidenta Dilma Rousseff empossa o novo ministro dos Transportes, César Borges, no Palácio do Planalto (Foto: Antônio Cruz / ABr)

A presidente Dilma Rousseff empossa o novo ministro dos Transportes, César Borges: usa-se a Esplanada dos Ministério como moeda de troca no mercado eleitoral (Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil)

Editorial da edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo, publicado na sempre interessante seção “Opinião”

 VOLTA DOS ‘FAXINADOS’

Na segunda-feira, o presidente do chamado Partido da República (PR), senador Alfredo Nascimento, levou o correligionário César Borges, um dos vice-presidentes do Banco do Brasil e ex-governador da Bahia, ao principal gabinete do comitê reeleitoral da presidente Dilma Rousseff, conhecido como Palácio do Planal­to.

Não se quer dizer com isso que a sede do governo do País nada mais seja hoje em dia do que a sede da campanha de Dilma. Mas nada do que ali se faça importa tanto quanto as ações destinadas a manter a presi­dente no posto até 1º de janeiro de 2019. É o que explica a reaparição no coração do poder do chefe do PR, o mesmo que Dilma, na sua decantada fase ética, expurgou da administra­ção federal.

Apadrinhado também ele pelo ainda presidente Lula, Nascimento foi reconduzido ao apetitoso Minis­tério dos Transportes, com seus R$ 10 bilhões de recursos, que ocupara de 2007 a 2010. Durou até julho de 2011, quando sucumbiu, com outros 27 integrantes da pasta, a denúncias incontestáveis de corrupção no se­tor, a começar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O PR foi o primeiro partido a ser “faxinado” por Dilma, mas o seu titular não mereceu a mesma pri­mazia – antes dele, caíra em desgra­ça o todo-poderoso ministro da Ca­sa Civil, Antonio Palocci. Para o lu­gar de Nascimento, a presidente pro­moveu o secretário executivo do Mi­nistério, Paulo Sérgio Passos. E ali provavelmente permaneceria não fosse o fato de Dilma se dispor a “fa­zer o diabo” pela reeleição.

Passos agradava a Dilma, mas não ao PR, a que é filiado. Os republica­nos o consideravam “escolha pes­soal” da presidente, não uma de­monstração de que o partido, apesar de tudo, continuava representado no primeiro escalão.

Depois de dois meses de resistência, ela capitulou diante de Nascimento. Para garantir o minuto e 10 segundos do PR, duas vezes por dia, no horário eleitoral e para impedir que esse tempo possa beneficiar o governador de Pernam­buco, Eduardo Campos, do PSB, se sair candidato, ou, não seria de excluir, o senador tucano Aécio Neves, a presidente entregou a Nascimento a cabeça de Passos.

Dilma bateu o pé, no entanto, em relação ao sucessor. Apesar dos pro­testos de boa parte da bancada fede­ral da agremiação (34 deputados e 4 senadores), que reivindicava o cargo para um dos seus, fechou questão em torno do nome de César Borges, a ser empossado hoje.

O engenheiro que ascendeu na política baiana se integrando ao feudo de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) contou agora com o apoio do governador petista do Estado, Jaques Wagner. Bor­ges tem biografia para ser um bom ministro, ainda mais tendo recebido carta branca da presidente para me­xer no Dnit. Mas isso não altera o essencial: o uso da Esplanada dos Ministérios como moeda de troca no mercado eleitoral.

Antes de Nascimento, com efeito, Dilma reabilitou o cacique pedetista Carlos Lupi, atingido por uma vassourada quando titular do Trabalho. Há pouco, o posto foi entregue ao seu liderado Manoel Dias, secretário geral do PDT.

Para afagar o PMDB em dois Estados cruciais, nomeou o ex-governador fluminense Wellington Moreira Franco para a Secretaria da Aviação Civil e o presidente do partido em Minas, deputado Anto­nio Andrade, para a Agricultura.

E uma nova pasta, a da Micro e Peque­na Empresa, acaba de ser criada para atrair o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab aos palanques dilmistas de 2014. O titular do 39º Ministé­rio será o vice-governador paulista Afif Domingos, correligionário de Kassab no PSD.

Lula disse certa vez que, se gover­nasse o Brasil, Cristo “teria de se aliar a Judas”. A esta altura, ninguém dirá que Dilma faltou à aula naquele dia. Já não se trata de suas alianças com partidos e personagens promís­cuos. Quanto a isso, ressalte-se ape­nas que não é a tal da governabilida­de que move a presidente, mas a ân­sia de seguir no Planalto.

O que mos­tra a que extremos Dilma leva à prática, sem disfarçar, as lições de seu mentor é a prontidão para premiar por nenhum outro motivo a não ser aquele políticos como Alfredo Nas­cimento e Carlos Lupi, acusados de participação em “malfeitos” e por is­so removidos de sua equipe.

02/04/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Aluga-se um partido: O PDT

Ex-ministro Carlos Luppi: PDT em leilão (Foto: Alan Marques / Folhapress)

Ex-ministro Carlos Luppi: PDT em leilão (Foto: Alan Marques / Folhapress)

Nota de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas

ALUGA-SE UM PARTIDO

Assim que foi reeleito presidente do PDT, há duas semanas, Carlos Lupi reuniu a nova direção do partido em Brasília.

Sem rodeios, mostrou quais são seus objetivos no cargo:

“Não temos por que fechar com a reeleição da Dilma agora. Somos a noiva do processo. Sem a gente, o Eduardo Campos é nanico. Com nosso apoio, passa a ser competitivo. Também temos a opção de ficar com o Aécio”.

Lupi, que deixou o cargo no fim de 2011 no meio da faxina ética de Dilma, voltou a controlar o Ministério do Trabalho.

Pelo jeito, achou a oferta do governo pequena.

 

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