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Vasto Mundo

Sobre a cena internacional

25/05/2012

às 18:57 \ Vasto Mundo

Egito: presidente saído das eleições de hoje terá que enfrentar a “república dos generais aposentados”

Egyptian election results point to a run-off between Mohammed Morsi (Irmandade Muçulmana) and Ahmed Shafik (ex-primeiro Ministro). Photograph: EPA / AP

Eleição no Egito será decidido entre Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafik (ex-primeiro Ministro) (Foto: EPA / AP)

Seis décadas de ditadura e de generais, mais de um ano de agitações políticas e de um governo de junta miliar após a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro do ano passado, 50 milhões de eleitores, 13 candidatos, 10 outros impedidos de participar do pleito por várias razões — e o maior país do mundo árabe, o Egito, finalmente e a muito custo, realizou suas eleições presidenciais livres.

De todo o processo, ficaram para a disputa do segundo turno, conforme informações ainda não oficiais divulgadas no Cairo, Mohammed Morsi, o candidato da Irmandade Muçulmana, organização islâmica que já foi radical e caminhou para a moderação, e Ahmed Shafid, ex-primeiro-ministro do ditador Mubarak.

Vença quem vencer, não faltarão problemas ao novo presidente, que lidará com uma Assembleia Popular da qual dois terços dos 508 deputados são de partidos islâmicos: pobreza extrema entre a maioria dos 85 milhões de egípcios, as tradicionais carências brutais nas áreas de educação, saúde, saneamento básico, infraestrutura etc, sem contar com a discriminação existente contra os egípcios cristão do rito copta (4 milhões de cidadãos).

Generais do Egito: uma elite com grande poder, inclusive econômico (Foto: Al Ahram)

Do ponto de vista político, além da complexidade que será tratar com a Assembleia e suas dezenas de partidos, o futuro presidente, se quiser levar em frente a multidão de ideais que impulsionou a “primavera árabe” no país, terá como enorme desafio para a real democratização da sociedade enfrentar o poder militar. Além do poder das armas, as Forças Armadas (e principalmente o Exército) constituem, também, uma tentacular potência política e econômica no país.

Significativamente, ao longo da campanha em que se engalfinharam candidatos islamistas, laicos, pró-ocidentais ou hostis ao Ocidente e até veteranos da “revolução” que derrubou a monarquia, em 1952, não se tocou no assunto da desmilitarização do Estado egípcio.

Em célebre artigo que escreveu durante a ditadura no Brasil, o falecido (e corajoso) jornalista Arnaldo Pedroso d’Horta realizou um levantamento sobre o número de militares que ocupavam cargos públicos civis e concluiu afirmando que tinha general cuidando até de merenda escolar.

No fim da carreira, belos cargos ganhos de presente

No Egito, é muito pior. O Egito é uma verdadeira república de generais da reserva.

É praxe, consolidada ao longo de quatro ditadores oriundos dos quarteis desde 1952 — o general Mohammed Naguib, o coronel e criador do Movimento Não-Alinhado Gamal Abdel Nasser, o general Anuar el Sadat e o general da Força Aérea Hosni Mubarak –, que os altos oficiais, ao irem para a reserva, ganham de presente belos cargos como a presidência de indústrias do setor bélico, o governo de província, diretorias de empresas petrolíferas e outras, o que inclui uma instituição fundamental para a economia do Egito, como a estatal que administra o Canal de Suez.

As Forças Armadas, e principalmente o Exército, possuem empresas nos setores de construção civil, alimentação e transportes, entre outros, todas dirigidas por militares. A elite militar goza de todo tipo de privilégio e raro é o caso de um alto oficial que não seja muito rico.

O novo presidente tomará posse no próximo dia 30 de junho.

25/05/2012

às 16:00 \ Vasto Mundo

Corrigindo um erro que cometi: sim, o novo governo italiano, pela primeira vez, está taxando as propriedades da Igreja

O primeiro-ministro Mario Monti com o papa Benedito XVI: taxação inédita dos imóveis da igreja (Foto: mwnews.it)

Errei ao publicar um post há algumas semanas dizendo que o arrocho fiscal e as medidas de austeridade promovidas pelo primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, imitaram governos anteriores e deixaram fora de taxação os milhares de imóveis pertencentes à igreja católica e não dedicados ao culto – cujo número, conforme estimativas de diferentes fontes, varia de 50 mil a 100 mil propriedades.

O leitor Daniel Peccini Correa, a quem agradeço o toque, me advertiu para o erro.

Se errei, preciso corrigir. É minha obrigação.

O post foi publicado no dia 2 de abril. Deixei de levar em conta que dias antes, a 24 de março, o Parlamento aprovou a chamada “lei de conversão” nº 27/2012, que modifica uma lei de 1992, na qual se elencam os casos de isenção do IMU (imposto municipal único, equivalente ao nosso IPTU).

Só não estão suscetíveis ao imposto os imóveis “utilizados por entidades não-comerciais destinadas exclusivamente ao desenvolvimento sem objetivo de lucro de atividades assistenciais, previdenciárias, sanitárias, didáticas, culturais, recreativas, esportivas e de religião ou culto”.

A lei chega a detalhar sobre como proceder no caso, que não é raro, de uso misto (comercial e não comercial).

O percentual básico do IMU é de 0,76% sobre o valor do imóvel, podendo variar conforme uma série de situações.

O novo imposto estará em fase experimental de arrecadação até o final de 2014, e entrará em vigor em caráter definitivo a partir de 2015.

Diferentemente do que se passou com seus antecessores, o primeiro-ministro Mario Monti (um economista sem partido, ex-comissário da União Europeia — espécie de ministro da UE –, chefe de um governo de técnicos que tenta debelar a crise econômica até as eleições de abril de 2013) quebrou o tabu de não tocar no patrimônio da igreja católica.

23/05/2012

às 19:41 \ Vasto Mundo

Vídeo: a grande gafe do governador da Flórida, que começa conversa com o Rei da Espanha falando de matança de elefantes. (E o Rei quer ouvir falar do diabo, mas não disso…)

Juan Carlos (dir.) e um amigo diante de um elefante morto, em 2006, em Botswana: a caçada deste ano provocou um escândalo e abalou a monarquia na Espanha

O governador republicano da Flórida, Rick Scott, tem cara, físico e jeito de astronauta — e, pelo visto, caiu direto da Lua para a audiência que manteve com o Rei da Espanha, Juan Carlos I, no Palácio de la Zarzuela, em Madri.

No vídeo abaixo, você vai ver (com legendas em espanhol) como foi. O governador entra no gabinete do Rei que, aparentemente para explicar por que não foi recebê-lo na porta, como costuma fazer com visitantes, começou a mencionar sua recente cirurgia de prótese de quadril.

A cirurgia, como se recorda, foi resultado de uma queda em Botswana, na África, onde o Rei teve a infelicíssima ideia de ir caçar elefantes em plena brutal crise econômico-financeira que assola seu país – e ainda por cima com o surgimento, na história, de uma bela princesa alemã que fazia parte de sua comitiva. O fato causou escândalo nacional, abalou os alicerces da monarquia constitucional na Espanha e levou o Rei a um inédito pedido de desculpas.

Pois bem, no Palácio, mal o rei menciona seu quadril, o governador começa a dizer que já montou em elefantes, mas nunca atirou neles. Poderia ter parado por aí, já que o Rei deu a deixa, dizendo “Governador, muito prazer” etc etc. Em seguida, porém, Scott menciona exatamente Botswana — o local do enorme embaraço do Rei — para contar o que se passou ali quando, num jipe, estava acompanhado de sua mulher, Ann, e um elefante resolveu investir contra o veículo.

Vejam o vídeo, e como o Rei tentou estoicamente fingir que não estava acontecendo nada:

23/05/2012

às 16:46 \ Vasto Mundo

Deixe a página carregar, clique em “Iniciar” e tenha uma experiência curiosa — e também assustadora — sobre o tamanho do Universo

Por Rita de Sousa

Quando esta página carregar, clique em “Iniciar” e, em seguida, use a barra deslizante na parte inferior do quadro, ou a rodinha do seu mouse, para ter uma experiência curiosa sobre o tamanho do universo – e o que conhecemos dele.

Os dados, naturalmente, são assustadores, pela imensidão inimaginável das escalas e pela constatação da pequenez ínfima do planeta em que vivemos.

Não esqueça de clicar nos objetos que aparecem.

 

You need a more recent version of Adobe Flash Player.

 

Não bastasse o aplicativo em si ser muito legal - se seu sistema operacional for compatível com flash você certamente achará impressionante -, então fique sabendo que os autores de “Escala do Universo 2″ são os garotos Cary e Michael Huang, gêmeos de 14 anos de idade, ambos alunos da sétima série em Moraga, Califórnia, nos Estados Unidos.

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Michael e Cary Huang: autores da escala do Universo (Foto: Arquivo pessoal)

Os irmãos tiveram como inspiração uma aula de ciências, ao assistirem a um vídeo que fazia comparação de grandezas a partir de células. O resultado, que não foi produto de tarefa escolar — para os irmãos, foi diversão –, levou um ano e meio para ficar pronto.

21/05/2012

às 17:30 \ Vasto Mundo

Quem pode, pode: na Alemanha, ninguém protesta contra o aumento salarial de Angela Merkel e de seus ministros. Vejam por quê

Merkel cumprimenta um integrante da guarda de honra da Chancelaria, em Berlim: quem pode, pode (Foto: bunderskanzlerin.de)

Amigos, vocês viram que a chanceler alemã Angela Merkel, em pleno terremoto econômico-financeiro que sacode a Europa e boa parte do mundo, aprovou sem pestanejar o aumento dos salários dos ministros de seu governo e o seu próprio em 5,7%.

A chanceler passou a ganhar precisamente 17.082 euros (42,7 mil reais) por mês – um aumento de 930 euros –, enquanto os ministros embolsarão mensalmente 13.795 euros (cerca de 34,5 mil reais), ou 750 euros adicionais.

Está certo que há 12 anos – sim, doze anos, mais de uma década – os primeiros-ministros alemães e os membros do gabinete não tinham aumento. Mesmo assim, Merkel é a única governante na Europa, a única nos países desenvolvidos e, provavelmente, a única no mundo que pôde fazer isso sem que houvesse protestos ou críticas significativos.

O ministro alemão as Finanças, Wolfgang Schäuble: aumentos reivindicados por trabalhadores são "perfeitamente aceitáveis" (Foto: merkur-online.de)

Até porque, no mês anterior, os funcionários públicos alemães haviam recebido um aumento de 6,3% – numa época em que países da União Europeia como a Grécia, a Irlanda, a Espanha ou Portugal cortam salários de servidores –, e os principais sindicatos de trabalhadores, a começar do gigantesco IG Metall (indústria automobilística, siderurgia e outros setores), com 2 milhões de trabalhadores, estão prestes a obter reajustes de 6,5%, depois de algumas greves em algumas fábricas. “São aumentos perfeitamente aceitáveis para nossa economia”, assegurou o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble.

 

Trabalhadores filiados ao sindicato IG Metall: aumento de 6,5% (Foto: merkur-online.de)

Não é só isso que amacia o terreno para a chanceler nesta sempre sensível questão dos vencimentos dos políticos. A Alemanha é o único país da Europa com perspectivas de crescimento razoável, apresenta taxas de desemprego pouco superiores à metade da de países como a França e os Estados Unidos (6,2%) e, exceção das exceções, Merkel montou um Orçamento para 2013 sem 1 centavo de déficit.

Além de tudo, graças ao equilíbrio e ao vigor de sua economia, mesmo numa época difícil como a que o mundo atravessa, a Alemanha é o país da Europa que paga os menores juros para financiar sua dívida pública – pouco mais que 1% ao ano. Por comparação, a Itália, mesmo em fase de profundas reformas e readquirindo a credibilidade após a desastrosa gestão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, tem pago acima de 5%.

Berlim, portanto, pode dar-se ao luxo de pagar mais a seus dirigentes.

20/05/2012

às 15:00 \ Vasto Mundo

Ministério de Hollande é politicamente correto, multicultural e abriga até dois potenciais problemas

O presidente francês François Hollande (bem no meio da foto) e seu ministério: o primeiro-ministro Ayrault está à sua direita e o chanceler Fabius, à sua esquerda (Foto: pcfbalaruc)

Deve ser o ministério mais politicamente correto do mundo, o do novo presidente da França, o socialista François Hollande.

Não me refiro apenas ao que já foi amplamente divulgado — que o ministério foi milimetricamente organizado para ter 17 homens e 17 mulheres.

Trata-se de um time multicultural e de origens multinacionais, digamos assim. Vejam alguns exemplos:

Na importante função de porta-voz do presidente e, além do mais, ministra dos Direitos da Mulher, está Najat Belkacem, nascida no Marrocos.

A ministra da Justiça, Christiane Taubira, nasceu aqui na América do Sul — na Guiana Francesa, considerada “província” da França — e é negra.

O chanceler Laurent Fabius é filho de pais judeus que se converteu ao catolicismo.

O chanceler Fabius com Hollande: ex-rival, ex-crítico de um presidente europeísta, votou "não" à Constituição europeia em 2005 -- o que praticamente liquidou o projeto (Foto:20minutes.fr)

O ministro da Economia, Pierre Moscovici — por sinal, ex-integrante, até 1984, da radicalíssima Liga Revolucionária Comunista –, é filho de imigrantes romenos.

O ministro do Interior, membro crucial do governo porque comanda a polícia, Manuel Valls, é espanhol de Barcelona naturalizado francês aos 19 anos, e filho de mãe suíça.

A escritora Aurelie Filippetti, ministra da Cultura, é neta de imigrantes italianos.

Quanto aos potenciais problemas que menciono no título, vamos lá:

1. Laurent Fabius, que já foi primeiro-ministro entre 1984 e 1986, sob o presidente também socialista François Mitterrand, pode ser visto por parceiros da França como muito reticente a que a União Europeia acentue acentue seu processo de integração. No plebiscito de 2005 sobre a Constituição europeia ele votou, com estardalhaço, no “não” — e a derrota da proposta na França foi decisiva para que uma Carta europeia única não vingasse.

O primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault: contrariando promessa de Hollande de que não teria colaboradores com folha corrida, foi condenado em 1997 (Foto: veja.abril.com.br)

Também vamos ver como se dará sua relação com Hollande, de quem foi adversário dentro do Partido Socialista francês — a ponto de, tempos atrás, ter proferido sobre o presidente uma frase que provocou repercussão. Referindo-se à suposta falta postura política marcante de Hollande, Fabius declarou que o agora presidente parecia “um morango silvestre”.

2. Hollande prometeu solenemente que em seu governo não haveria ninguém que remotamente tivesse tido problemas com a Justiça. Pois bem, justamente o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, foi condenado em 1997 a seis meses de cadeia e multa, com direito a susris, quando era prefeito de Nantes, no noroeste da França, por ter concedido por dois anos, sem concorrência pública, a publicação do Diário Oficial do município a um empresário próximo ao Partido Socialista.

Tecnicamente, por especifidades da legislação francesa, seu prontuário na Justiça hoje está limpo — mas a condenação ocorreu, e, na época, Ayrault nem recorreu da sentença.

20/05/2012

às 12:13 \ Vasto Mundo

Espanha: delírios do extremismo nacionalista

As quatro protagonistas de "Atlas de Geografia Humana": filme espanhol que, para passar na Catalunha -- onde todos falam espanhol --, foi dublado em catalão (Foto: filmin.es)

Amigos do blog, volta e meia tenho comentado os extremos de delírio a que chegam os nacionalismos de algumas regiões da Espanha, como o País Basco e a Catalunha.

Recentemente mencionei a delirante ideia de um governo provincial basco de extrema esquerda de realizar um censo para constatar quantos são os “bascos puros”, à moda da Alemanha nazista, como se isso fosse possível em se tratando da raça humana.

De outra feita, mencionei como, na Catalunha, a questão linguística é levada a extremos, não raro ridículos, como o ocorrido em 2010 quando da visita de uma delegação de parlamentares da Nicarágua ao Parlamento catalão.

Os deputados catalães, todos, é claro, absolutamente fluentes em espanhol desde o nascimento— com frequência, mais fluentes em espanhol do que em catalão –, exigiram, para conversar com os nicaraguenses, a contratação (com dinheiro público) de especialistas em tradução simultânea do espanhol para o catalão, como se os nicaraguenses fossem turcos, iranianos ou uzbeques, e não produtos da colonização hispânica das Américas.

O cartaz do filme baseado no livro de Almudena Grandes

Pois bem, esta semana resolvi assistir a um filme baseado no romance Atlas de Geografia Humana, de Almudena Grandes, uma das mais bem sucedidas escritoras da Espanha. Havia lido o livro — quatro mulheres que trabalham juntas, numa editora, cada uma em uma função, na confecção de um guia com esse conteúdo e cuja história acaba sendo, também, uma excursão pela geografia humana de cada uma delas.

Fiquei curioso por ver o filme, que passava na TV3, emissora estatal da Catalunha, a região mais rica e desenvolvida da Espanha.

Pois bem, amigos, pasmem: a emissora estatal, com dinheiro público (naturalmente), fez com que o filme – falado em espanhol, idioma que todos os 7,5 milhões de habitantes da Catalunha dominam perfeitamente – fosse dublado em catalão!

Sem mais comentários, a não ser o fato de que, aos trancos e barrancos, consegui assistir e entender boa parte dos diálogos.

E de que, para variar, o filme não chega aos pés do livro.

19/05/2012

às 19:00 \ Vasto Mundo

Um asteroide de 80 metros de diâmetro pode conter 100 bilhões de dólares em metais preciosos. Um grupo de bilionários quer ir atrás disso

Asteroides carregam metais preciosos, como ouro e platina

Os asteroides carregam metais preciosos, como ouro e platina

Metais Preciosos

CORRIDA AO OURO ESPACIAL

Um projeto financiado por bilionários americanos pretende extrair metais preciosos, como ouro e platina, de asteroides que viajam próximo à Terra

(Reportagem de Filipe Vilicic, publicada na edição impressa de VEJA)

A nova corrida do ouro será no espaço. Ou, pelo menos, esse é o plano da Planetary Resources, empresa criada em 2010 por dois empreendedores da indústria espacial, os engenheiros Eric Anderson e Peter Diamandis.

Eles acabam de anunciar uma das mais ambiciosas aventuras já idealizadas: minerar metais preciosos de asteroides que passam próximo à Terra. Em dois anos, a Planetary Resources pretende pôr cinco satélites em órbita para escolher os asteroides que mais se prestam à mineração entre os 9 000 que já foram identificados numa distância menor que 200 milhões de quilômetros e mapeados pelos astrônomos.

Em muitos desses asteroides há fortunas em metais valiosos, como platina e ouro. Mesmo um dos pequenos, com 80 metros de diâmetro, pode ter reservas equivalentes a 100 bilhões de dólares.

Embora pareça mirabolante, o projeto é financiado por um grupo de bilionários com feitos notáveis no currículo. Entre eles estão Larry Page e Eric Schmidt, respectivamente, fundador e presidente do conselho de administração do Google.

O primeiro é dono de uma fortuna de 18,7 bilhões de dólares e o segundo tem 6,7 bilhões no bolso. Figura também Charles Simonyi, o engenheiro que comandou a criação do Office na Microsoft. O cineasta James Cameron, de Titanic e Avatar, é uma espécie de propagandista do projeto.

Os investidores sabem que a ideia de mineração espacial não dará lucro tão cedo. Rastrear um asteroide e alcançá-lo é simples. Já extrair o material e retornar à Terra é um processo que está nos limites da tecnologia hoje disponível.

O custo de cada missão de garimpagem é estimado em até 3 bilhões de dólares e, no início, a operação deverá trazer apenas um punhado de metal. “Sabemos que não teremos sucesso nas primeiras tentativas”, admite Eric Anderson, cuja empresa, a Space Adventures, já mandou sete turistas para o espaço.

Eric Schmidt resume o espírito que guia os bilionários por trás do projeto: “A busca por recursos naturais levou à descoberta da América, e ela também será decisiva para a superação das fronteiras espaciais”.

A mineração espacial não procura apenas metais. Um dos maiores desafios para a expansão dos limites do homem no cosmo diz respeito aos recursos necessários para a viagem. Ou, melhor, à falta deles.

A necessidade de um grande estoque de água, oxigênio e combustível é um dos fatores que impedem os astronautas de ir além da Lua. Os asteroides podem ser a solução para garantir os recursos para a sobrevivência em viagens prolongadas.

Explica a VEJA o engenheiro Louis Friedman, coordenador de um estudo da NASA sobre como explorar asteroides: “Muitos deles têm água em abundância. Essa água pode ser consumida e também quebrada em oxigênio e hidrogênio, que é combustível”.

Coletar a água e produzir o combustível no espaço cortaria enormemente o custo de enviar esse material da superfície com o uso de foguetes. A exploração pela iniciativa privada do espaço próximo à Terra será submetida a um teste na semana que vem. A empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, criador do sistema de pagamento pela internet PayPal, lançará a primeira nave privada que visitará a Estação Espacial Internacional, a serviço da Nasa, a agência espacial americana. É um marco da nova corrida pelo espaço, que desta vez pode envolver muito ouro dos asteroides.

 

A caça aos asteroides

 

Caça aos asteroides

Caça aos asteroides

Já foram rastreados 9 000 deles próximo à Terra. Destes, 1 500 podem ser alcançados com grau de facilidade equivalente ao de uma viagem à Lua

 

1. Como achá-los,…

Telescópios espaciais identificarão asteroides com mais de 50 metros de largura e próximos da Terra. Em dois anos, cinco telescópios serão colocados em órbita

 

2. …analisá-los…

Duas sondas serão enviadas para prospectar cada asteroide. O objetivo é encontrar os que são ricos em água e metais como platina e ouro

 

3. …e minerá-los

O acesso aos corpos celestes poderá ser feito de três formas:

- O asteroide é rebocado por uma nave até a órbita da Terra, onde os metais são extraídos

- Sondas viajam até onde estão os asteroides e fazem a mineração no local

- Numa proposta mais ousada, uma enorme nave captura o asteroide e o traz para ser minerado numa órbita próxima à Terra

 

O custo de cada missão

3 bilhões de dólares

 

Quanto vale um asteroide

- Um com 80 metros de diâmetro pode abrigar 100 bilhões de dólares em recursos como água e metais preciosos

- Um de 30 metros pode fornecer entre 25 bilhões e 50 bilhões de dólares em platina

- Alguns contêm grande quantidade de água congelada. O líquido pode ser usado por astronautas e também como fonte de oxigênio e hidrogênio, que é combustível

18/05/2012

às 17:53 \ Vasto Mundo

Gabinete grego presta juramento diante de arcebispos e bispos, mostrando que a Grécia não é atrasada só na economia

O novo gabinete grego presta juramento diante de dignitários da Igreja Ortodoxa: nem parece um país da Europa, no século XXI (Foto: en.rian.ru)

Vejam a foto acima.

Posse do governo interino grego, liderado pelo magistrado Panagiotis Pikrammenos, 67 anos, presidente do Conselho de Estado.

Pikrammenos designado foi pelo presidente da República, Karolos Papoulias, para conduzir interinamente o país até as eleições gerais de 17 de junho – uma vez que do Parlamento surgido do pleito do dia 6 passado nenhum dos líderes designados conseguiu formar um governo.

E pergunto: tem cabimento? Todo um gabinete civil, leigo, prestando juramento ante o primaz da Igreja Ortodoxa Grega, Ieronymos II, arcebispo de Atenas e “de toda a Grécia”, e vários outros bispos e arcebispos?

É consequência do fato de a Constituição grega prever que a religião ortodoxa é a “prevalente” no país – um dos poucos países do Ocidente a ter uma religião praticamente oficial.

Parece um país europeu, em pleno século XXI?

A Grécia, portanto, como se vê, não é atrasada apenas na economia.

17/05/2012

às 20:16 \ Vasto Mundo

E agora? Será que os loucos que governam o Irã vão jogar uma bomba atômica no Google?

Soldado iraniano durante exercícios de guerra do Irã no Golfo... Pérsico? (Foto: Ali Mohammad / IIPA / AFP)

Amigos, vocês viram essa?

Está no site de VEJA.

“O Irã ameaçou nesta quinta-feira adotar medidas legais contra o Google se o buscador continuar a omitir em seus mapas e serviços geográficos o nome Golfo Pérsico, informou a televisão oficial em inglês, PressTV. Alguns países árabes chamam o acidente geográfico de Golfo Arábico ou simplesmente Golfo, o que o Irã considera uma forma de desconsiderar seus direitos históricos e políticos na região (a antiga Pérsia ocupava a área hoje denominada Irã).

Como resposta, o governo iraniano está realizando uma intensa campanha contra ‘denominações alternativas’ que omitem chamar de Pérsico o golfo que o país forma com o Iraque e a península Arábica. A chancelaria do Irã afirmou que o Google poderia sofrer ‘graves danos’ e enfrentar ‘ações legais’ se não usar a designação Golfo Pérsico, o que seria, para o país, ‘jogar com os sentimentos e as realidades da nação iraniana’.

“Jogar com as novas tecnologias em assuntos políticos é uma das novas medidas dos inimigos (o Ocidente e seus aliados) contra o Irã, que usam o Google como um brinquedo”, disse nesta quinta-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast.”

. . . . . . . . . . . . . . . . . .

Ações legais, tudo bem — embora não seja o hábito do regime tirânico e desvairado dos loucos que governam o Irã.

O que me chamou a atenção foram os “graves danos” de que o Irã ameaça o Google.

O que será?

Vão jogar uma bomba atômica — essa que negam estar fabricando? Onde? Contra quem, para atingir o Google?

É, de fato a grande preocupação do Google não é estar na linha de frente da tecnologia nem ganhar a fortuna que ganha. É ser “inimigo” do Irã.

Além de loucos, os governantes do Irã são megalomaníacos.


 

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