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Música no Blog

24/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Tony Allen, Flea e Damon Albarn e o supergrupo Rocket Juice & the Moon

Rocket-Juice-Moon

Lendas de diferentes gerações: (a partir da esquerda) Damon Albarn, Tony Allen e Flea (Foto: divulgação)

Por Daniel Setti

Na música pop, o termo “supergrupo” serve para designar as bandas cujos integrantes provêm de outras formações previamente consagradas. E não poderia haver palavra mais adequada para descrever o Rocket Juice & the Moon, combo que começou a tomar corpo em 2008, estreou ao vivo em 2011 e lançou disco homônimo em março deste ano.

Sobram superlativos nos currículos dos componentes do time: do alto de seus 71 anos, o nigeriano Tony Allen é um dos maiores bateristas vivos, reputação que criou na década de 1970, quando forjou ao lado do lendário Fela Kuti (1938-1997) o gênero batizado afrobeat; já o australiano Flea (nome de batismo: Michael Balzary), que completa 50 anos em outubro, carrega nas costas, com seu baixo indomável e performance selvagem, os grooves do quarteto californiano Red Hot Chili Peppers há quase três décadas.

Fecha o trio o inglês Damon Albarn, 44 que, desde o boom do britpop na primeira metade dos anos 1990, quando atuava à frente do Blur, se estabeleceu não apenas como dono de uma das vozes mais reconhecíveis e inimitáveis do rock, mas também como um criador inconformista, sempre saltando de um novo projeto a outro (entre os quais os ótimos Gorillaz, de estrondoso sucesso mundial, e The Good The Bad & The Queen, na companhia de Allen).

Não por acaso, foi Albarn o responsável pela concepção do Rocketjuice , já que ele, Flea e Allen começaram a trocar figurinhas durante um voo a Lagos, Nigéria, onde participariam em um de seus projetos.

Boa parte das canções de Rocket Juice & the Moon é instrumental – o que abre espaço para o suíngue de Allen e Flea -, enquanto algumas canções trazem participações especiais como a da cantora Erykah Badu. Por hora, no entanto, ficamos com a quase balada “Poison”, em registro do grupo em show realizado em Marselha, França, no ano passado. Além de bonita, a faixa se destaca por soar bastante diferente tanto de Blur, quanto de Fela Kuti e do Red Hot Chilli Peppers.

Uma pena que, por causa da agenda lota dos músicos – principalmente a de Flea, que até 2013 estará em turnê com os Chili Peppers – Rocket Juice & The Moon não tenha concertos programados para esta temporada.

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22/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Com estreia em outubro, documentário sobre Circo Voador ajuda a recuperar história do rock brasileiro dos anos 1980

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A Blitz no Circo Voador original em 1982, com Fernanda Abreu (a primeira à esquerda), Evandro Mesquita (ao centro) e Lobão (na bateria) (Foto: blitzmania.com.br)

 

Por Daniel Setti

Pouco a pouco, a história do rock brasileiro dos anos 1980, um momento de grande importância para se entender a evolução recente da nossa música, começa a ser contada em documentários de respeito.

A Vida Até Parece Uma Festa (2008), filme de Oscar Rodrigues Alves e Branco Mello sobre os Titãs, e Rock Brasília – A Era de Ouro (2011), de Vladimir Carvalho, resumo do agito roqueiro da capital nacional no período, são alguns dos exemplos dignos de nota deste seleto clube, cujo novo sócio deve ser A Nave – 30 anos de Circo Voador, de Tainá Menezes, com estreia prevista para outubro.

O documentário repassa as três décadas de história do mais mítico espaço de shows carioca, surgido no verão de 1982 como um circo propriamente dito, montado com lona e tudo, na praia do Arpoador. No mesmo ano seria desarticulado pela prefeitura e relocado nos Arcos da Lapa, onde se encontra até hoje – apesar de ter permanecido fechado entre 1996 e 2004 -, com programação cultural em plena atividade .

Foi lá que, durante os anos agônicos da ditadura militar, despontaram ao estrelato Blitz, Barão Vermelho, Lulu Santos e Os Paralamas do Sucesso, entre muitos outros daquela geração. O farto conjunto de entrevistados que ajuda a explicar a importância do Circo inclui sobreviventes destas bandas e outros músicos de renome como Gilberto Gil, Lenine, Pedro Luís e Marcelo D2. Assistam ao trailer:

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19/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

A volta de Richard Hawley, o Frank Sinatra do rock moderno

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Richard Hawley: a volta do gogó de ouro (Foto: divulgação)

Por Daniel Setti

Muitos leitores deste blog exigiram bis quando publiquei, em agosto do ano passado, post sobre Richard Hawley, o elegante cantor, guitarrista e compositor de Sheffield, Inglaterra, que solta a voz evocando os timbres aveludados de mestres como Roy Orbison (1936-1988) e, principalmente, Frank Sinatra (1915-1998).

Demorou um pouco, mas como Hawley, de 45 anos, acaba de lançar seu sexto álbum de estúdio, Standing at The Sky’s Edge, não há mais desculpas. A bolacha é a mais ruidosa e psicodélica da carreira do ex-integrante do Pulp, mas mesmo assim reserva aos fãs momentos de calma melódica típicos das baladas clássicas de seu repertório, como “The Ocean” (2005) e “Open Up Your Door” (2009).

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A capa de "Standing at the Sky’s Edge"

E é justamente com uma balada, “Don’t Stare at The Sun”, sexta faixa de Standing at the Sky’s Edge, composta por Hawley, que ficamos neste sábado. Extraída da aparição do músico no ótimo programa Later…With Jools Holland, da BBC, exibida no início do mês.

Preparem-se para pedir mais.

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17/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

O som “novo-velho” de Alabama Shakes e o talento da incrível cantora Brittany Howard

Alabama Shakes (a partir da esquerda): Steve Johnson, Heath Goff, Brittany Howard e Zac Cockrell (Foto: Pieter M. van Hattem)


Por Daniel Setti

O ano de 2012 tem sido ótimo para entusiastas do som tipicamente americano que “parece velho, mas não é”: Jack White, o guitar hero que respira blues dos anos 1920, vive seus dias de glória em carreira solo após o fim do White Stripes; Dan Auerbach, outro mestre musical retrô, se divide entre a ótima dupla Black Keys e o ofício de produtor, a serviço de entidades como Dr. John.

Neste contexto, a chegada às lojas, em abril, de Boys & Girls, primeiro álbum do quarteto Alabama Shakes, é mais do que oportuno. O que não tira em nada o mérito do talentosíssimo e jovem quarteto formado em 2009 em Athens, Alabama, pelo guitarrista Heath Goff, o baterista Steve Johnson, o baixista Zac Cockrell e a incrível cantora e guitarrista Brittany Howard.

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A capa de "Boys & Girls"

Para eles, que se conheceram quando ainda cursavam o colegial, compor novas canções sob o filtro de antigos ídolos do rock, do blues e do soul é a tarefa mais natural do mundo. Exemplos não faltam no repertório, mas por hora ficamos com “Hold On”, faixa de abertura do disco, de autoria de todos os integrantes. Extraída de aparição de Alabama Shakes no começo do ano no programa de Conan O’Brien, no canal americano TBS.

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15/05/2012

às 12:01 \ Música no Blog

Rapper Andre 3000 será Jimi Hendrix em filme; conheça outros casos em que músicos interpretaram colegas na telona

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Jimi Hendrix (Foto: Michael Ochs Archives/Getty Images)

Daniel Setti

Confirmando boatos que pipocam na internet desde 2004, André 3000, 36, rapper da dupla OutKast – responsável por um dos álbuns mais espetaculares da década passada, o duplo Speakerboxxx/The Love Below (2003) – vai mesmo interpretar Jimi Hendrix (1942-1970) no cinema. A biopic, batizada All is by My Side (“Tudo está do meu lado”) e que foca os anos de 1966 e 1967, início da carreira solo do mítico guitarrista, começa a ser rodada no final do mês na Irlanda e ainda não tem data para estrear.

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André 3000 (Foto: divulgação)

Exemplos de boas cinebiografias de grandes músicos estreladas por atores profissionais não faltam: Bird (1986), sobre Charlie Parker (1920-1955), com Forest Whitaker;  Cazuza – o Tempo não Para (2004), protagonizada por Daniel de Oliveira; e I’m not There (2007, no Brasil: Não Estou Lá), que traz a sensacional Cate Blanchett entre em um dos vários Bob Dylans retratados. Entre outras.

Mas são poucos os casos em que músicos reviveram colegas de profissão na telona. Relembrem alguns abaixo:

O mítico saxofonista Dexter Gordon (1923-1990) e sua surpreendente interpretação de um personagem baseado em outros dos ícones do jazz, o pianista Bud Powell (1924-1966) e o saxofonista Lester Young (1909-1959), em Round Midnight (1986).

Jamie Foxx (mais conhecido como ator, mas que também mantém carreira de músico), a perfeita reencarnação de Ray Charles (1930-2004) em Ray (2004).

Beyoncé, que na pele de Etta James (1938-2012= em Cadillac Records, de 2008, não convenceu plenamente. (É boa moça demais, e canta com firulas demais, para a junkie barra pesada Etta).

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12/05/2012

às 12:07 \ Música no Blog

Rolling Stones: os 40 anos de “Exile on Main St.”, o mais mítico álbum da banda

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A (sensacional) capa do disco: 40 anos de um dos maiores da história

 

Por Daniel Setti

Onipresente em listas dos melhores álbuns já lançados e favorito de nove entre dez fãs de Rolling Stones, Exile on Main St., álbum duplo cujo lançamento completa 40 anos exatamente hoje, 12 de maio, é também o mais mítico da eterna banda inglesa. Em grande parte, pelas circunstâncias em que a maioria de seu repertório foi concebido e gravado.

Com as finanças em parafuso por causa de problemas com a receita inglesa e ainda assimilando o baque da misteriosa morte de Brian Jones em 1969, o quinteto, que então contava com Mick Taylor na segunda guitarra, se mudou para diferentes povoados do sul da França, exceto Mick Jagger, que preferiu Paris. Passaram a trabalhar no “exílio”, daí a explicação para o título da bolacha, que também teve partes produzidas anteriormente à temporada francesa.

Casa-estúdio e caos

Keith Richards, que então vivia os auges simultâneos de sua extravagância de rockstar maldito e o vício em heroína, alugou em meados de 1971 um palacete do século 19 chamado Nellcôte na cidadezinha Villefranche-sur-Mer. E em clima “daqui não saio, daqui ninguém me tira”, decidiu que a mansão de 16 quartos seria ao mesmo tempo a sede de suas farras regadas a entorpecentes, local de descanso e estúdio.

Na unidade improvisada montada no porão – não raro foco de pequenos incêndios e panes elétricas -, dispôs cada músico em diferentes aposentos do casarão para os registros sonoros por separado. Lá, os Stones e alguns músicos convidados, entre eles o saxofonista americano Bobby Keys (melhor amigo do guitarrista e ainda mais junkie que o próprio), avançavam as madrugadas compondo, brincando em jam sessions e gravando.

(O processo é esmiuçado no documentário Stones in Exile, de 2010, dirigido pelo americano Stephen Kijak. Abaixo, o trailer – infelizmente, sem legendas:)

Resposta tardia ao “White Album”

Como nem todos os companheiros de grupo acompanhavam o ritmo de Richards, as sessões foram caóticas, o que fez com que muita gente, dentro e fora da banda, especulasse sobre se o disco sequer ficaria pronto.

Mas a excelência do resultado final das 18 faixas – após acabamento em estúdio “de verdade” em Los Angeles – era como uma resposta tardia ao White Album (1968) dos Beatles: ao mesmo tempo cru e sem grandes truques de estúdio, mas farto em grandes canções e eclético estilisticamente (rock, soul, country e gospel dão as caras).

(Abaixo, vídeo da canção “Tumbling Dice”, de Jagger e Richards, um dos pontos altos de Exile on Main St., e que esteve nos top 10 das paradas americana e britânica quando lançado. Extraído do filme Ladies & Gentleman… The Rolling Stones, de 1974, que capta os Stones em turnê em 1972:)

 

 

10/05/2012

às 12:30 \ Música no Blog

Encontro de gigantes: Burt Bacharach e Elvis Costello

Bacharach (esq.) e Costello: tudo a ver (foto: divulgação)

Bacharach (esq.) e Costello: tudo a ver (foto: divulgação)

Por Daniel Setti

É uma pena que a parceria entre o lendário Burt Bacharach – 84 anos completos no próximo sábado – e o sempre badalado Elvis Costello, 57, tenha gerado apenas um álbum completo, o belo Painted From Memory, de 1998.

A julgar pela surpreendente química entre o americano Bacharach, um dos maiores compositores da música popular de seu país desde os anos 1960, e o inglês Costello, dono de uma das vozes mais reconhecíveis do rock, era fácil imaginar que a colaboração renderia muito mais.

“Surpreendente” em termos, na verdade, já que o roqueiro dos inconfundíveis óculos de aros grossos, embora criado em entorno próximo à cena punk londrina, se firmaria como um dos autores mais melódicos de sua geração, gravando inclusive versões de composições de Bacharach. Ao mesmo tempo, seu ecletismo musical o levaria tanto ao posto de crooner da Mingus Big Band – orquestra dedicada à obra de Charles Mingus -, quanto ao altar para se casar com a pianista e cantora de jazz Diana Krall.

A capa do álbum

Os dois começaram a trocar figurinhas dois anos antes, quando escreveram a canção “God Give me Strength”, para o filme Grace of My Heart, de Allison Anders. Empolgados com o resultado, trabalharam em diversas outras canções, doze das quais acabaram incluídas na edição final de Painted From Memory. Bacharach, que em geral cuida exclusivamente da parte musical, também atuou como letrista no projeto. Costello recebeu os mesmos créditos.

Abaixo, um dos pontos altos do álbum: “Toledo”, de Bacharach e Costello, com o primeiro ao piano e o segundo nos vocais, acompanhados de orquestra em especial do canal de TV americano PBS emitido em 1998.

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08/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Figura carimbada da cena musical paulistana, o multidisciplinar compositor Dudu Tsuda finalmente lança disco solo – cantando em francês e japonês

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O músico Dudu Tsuda: estreia solo surpreendente(Foto: Felipe Costa)

Por Daniel Setti

Quem frequentou o circuito musical de São Paulo nos últimos dez anos tem grandes chances de conhecer o trabalho do onipresente Carlos Eduardo Tsuda, mais conhecido como Dudu Tsuda.

Tecladista, performer, produtor, compositor, blogueiro, estudioso da moda e agora cantor, este multidisciplinar paulistano de 33 anos ostenta no currículo um balaio lotado de colaborações, com nomes que vão de bandas pop como Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro a novas caras da MPB da talha de Junio Barreto e Tulipa Ruiz. Também integrou a banda mineira Pato Fu por alguns meses em 2008.

Mais eclética ainda é teia de influências a qual recorre para seu trabalho individual, batizado Dudu Tsuda Soloworks, que acaba de se materializar no surpreendente disco Le Son par Lui Même, produzido pelo próprio Tsuda, lançado na semana passada com show no Sesc Pompeia, em São Paulo.

Com reverberações de folk rock americano, experimentalismos europeus e delicadas melodias absorvidas de mestres da música erudita contemporânea, o repertório do álbum é uma aposta ousada, “pretensiosa no bom sentido”, ansiosa por fugir do lugar comum. A maioria das letras foi escrita em francês, idioma que Dudu aprendeu após uma temporada em Paris no começo da década passada, mas também há espaço para o japonês, língua de seus avós.

Abaixo, vídeo de 2011 de Dudu Tsuda tocando em estúdio a versão nipônica de “Music to Fade Away”, de Tsuda (piano e voz) e Ryosuke Itoh (violão e voz), uma das faixas de Le Son par Lui Même. Acompanha a dupla a cantora Liliana Morais e o violoncelista/baixista Bruno Serroni. (Para escutar mais amostras do álbum e de outros trabalhos do compositor, clique aqui)

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05/05/2012

às 12:02 \ Música no Blog

Maceo Parker, Fred Wesley e Pee Wee Ellis, que vêm ao Brasil em junho: o naipe de metais mais concorrido do planeta

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A partir da esquerda: Fred Wesley, Maceo Parker e Pee Wee Ellis (Foto: Chester Higgins Jr - New York Times)

 

Por Daniel Setti

Mesmo que os nomes do saxofonista alto Maceo Parker, 69, o trombonista Fred Wesley, 68, e o saxofonista tenor Alfred “Pee Wee” Ellis, 72, não lhe resultem familiares, você provavelmente já dançou alguma canção gravada por eles.

Ativos desde os anos 1960, os três músicos americanos atuaram, juntos ou separadamente, em centenas de compactos e álbuns de incontáveis artistas, com destaque para os pertencentes à fina flor do soul e do funk.

Ganharam fama, porém, quando se tornaram frequentes colaboradores do maior ícone funqueiro, James Brown (1933-2006), ajudando-lhe a moldar o peculiaríssimo estilo do mítico cantor e coincidindo em alguns de seus registros históricos, como o álbum Sex Machine (1970), e lançaram discos individuais.

Pois a versão mais concorrida dos J.B. Horns, como ficou conhecido o grupo de músicos de sopro que acompanhou Brown em seus melhores anos (segunda metade dos anos 1960 até começo da década seguinte), será uma das atrações do festival BMW Jazz, que ocorre entre 8 e 10 de junho no Via Funchal e no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e entre 11 e 13 do mesmo mês no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro.

O show paulista de Parker, Wesley e Ellis ocorre no sábado, dia 9, às 20h30 no Parque do Ibirapuera, enquanto os cariocas assistem ao trio no Teatro Oi Casa Grande na terça-feira a partir das 21 horas. Imperdível, como mostra o vídeo abaixo, extraído de concerto dos três realizado em 1993 em Lugano, Itália, com o trio tocando a clássica “Cold Sweat”, de Pee Wee Ellis e James Brown. Os solos são de Maceo e Fred.

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01/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Dia Internacional do Jazz, Parte 2 – o “Trio Parada Dura” do gênero: Louis Armstrong, Duke Ellington e Billie Holiday

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Duke Ellington e Louis Armstrong em Nova York, em 1969 (Foto: AP Images)

Por Daniel Setti

Ainda em celebração ao primeiro Dia Internacional do Jazz, data festiva criada pela Unesco celebrada ontem (segunda-feira), pegamos carona novamente na fantástica série documental Jazz, de Ken Burns, mencionada no post anterior, para recuperar o que o diretor considera, muito sabiamente, o “Trio Parada Dura” do gênero. Em outras palavras, os três músicos que melhor personificam o jazz, cada qual à sua maneira:

Louis Armstrong (1901 – 1971, nascido em New Orleans, Louisiana): o homem que elevou o improviso instrumental – o trompete, no caso – a arte, estabelecendo um padrão de qualidade que persiste até hoje. De quebra, ainda foi um dos maiores, mais singulares e influentes cantores do século 20. Abaixo, Satchmo, como era apelidado, canta e toca “Dinah”, de Harry Akst, Joe Young e Sam M. Lewis, em Copenhagen, Dinamarca, em 1933.

Duke Ellington (1899 – 1974, nascido em Washington, D.C.): o compositor mais importante, a ponto de outro monstro, Miles Davis (1926-1991), ter dito que “uma vez por ano os músicos deveriam parar de tocar e agradecer a Duke Ellington”. Também bandleader e pianista de primeira, manteve-se nada menos que 50 anos à frente de sua orquestra e deixou uma discografia que tende ao infinito. Aqui, o “Duque” mostra um dos clássicos de sua autoria, “Sophisticated Lady” (com Irving Mills), em apresentação dos anos 1960 também na capital dinamarquesa. Solo de sax barítono por Harry Carney (1910-1974).

Billie

Billie Holiday (Foto: William Gottlieb)

Billie Holiday (1917-1959, nascida em Filadélfia, Pensilvânia): o que seria do jazz, e da música em geral, sem a voz feminina? Difícil imaginar. Billie era a cantora perfeita, com seu timbre inimitável, precisão sem exageros e capacidade ilimitada para emocionar com sua interpretação. Ainda por cima compunha. O vídeo abaixo, de 1952, no qual a Lady Day interpreta “God Bless the Child”, da qual é uma das autoras (com Arthur Herzog Jr.) e “Now Baby or Never”, também sua, que o diga. Acompanha a diva ninguém menos que Count Basie (1904-1984) e orquestra.

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