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Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, é preso e indiciado por fraude

O ex-conselheiro desviou centenas de milhares de dólares de um fundo que tinha como objetivo a construção de um muro na fronteira do México

Por Da Redação Atualizado em 20 ago 2020, 16h15 - Publicado em 20 ago 2020, 11h11

O ex-conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Steve Bannon, e mais três pessoas foram indiciadas por fraude e presas pelas autoridades de Nova York nesta quinta-feira, 20. Segundo a acusação, Bannon desviou dinheiro de um fundo criado por Brian Kolfage, também preso, que tinha o objetivo de construir um muro na fronteira com o México.

A procuradora interina do distrito sul de Nova York, Audrey Strauss, disse que Bannon e outros três acusados “cometeram uma fraude de centenas de milhares de dólares, capitalizando seu interesse de financiar um muro na fronteira para arrecadar milhões, sob o falso pretexto de que todo o dinheiro seria gasto na construção”, quando na verdade parte da quantia “foi destinada a financiar o luxuoso estilo de vida” de Brian Kolfage, fundador da campanha, para construir o muro.

Kolfage ficou com 350.000 dólares do fundo enquanto Bannon recebeu mais de um milhão de dólares. Segundo o jornal americano The New York Times, Kolfage havia prometido aos doadores que “iria construir o muro” e que não iria “pegar nem um centavo como salário ou compensação”.

Além de Bannon e Kolfage, que deverá se apresentar nesta quinta-feira perante um juiz, foram acusados Andrew Badolato, de 56 anos e investidor, e Timothy Shea, de 49 anos. A procuradora recomendou a pena mínima de 20 anos de prisão para cada acusado.

Segundo os procuradores, o dinheiro era repassado a uma organização sem fins lucrativos de Bannon, e por uma empresa fantasma controlada por Shea.

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Steve Bannon é conhecido por espalhar teorias conspiratórias de extrema-direita, além de ser dono de uma rede de sites de desinformação. O ex-conselheiro foi peça chave durante a campanha de Trump à Casa Branca em 2016. Com um discurso incendiário, Bannon teve discordâncias com o presidente nos meses seguintes a eleição e rompeu totalmente com o republicano.

Bannon tentou exportar os ideias conservadores e conspiratórios que acredita para fora dos Estados Unidos ao tentar criar uma universidade na Itália. Também apoiou a eleição do presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido), além de ter se encontrado com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em setembro de 2018 e tê-lo declarado como o líder sul-americano do The Moviment, movimento populista do qual o ex-estrategista é fundador.

POLÍTICA EXTERNA –  Eduardo (à esq.) em visita a Bannon nos EUA //Divulgação

As relações com a família Bolsonaro são extensas. O ex-conselheiro, que também jantou com autoridades brasileiras ao lado do filósofo de extrema-direita Olavo de Carvalho e do presidente Bolsonaro, foi uma das mentes criativas ao lado do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, na elaboração do discurso brasileiro para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 2019.

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