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Senado da Itália revoga imunidade parlamentar de Salvini

Líder da extrema direita é acusado de detenção ilegal de imigrantes em agosto de 2019. Esta é a 2ª vez que ele perdeu a imunidade neste ano

Por Da Redação - 30 jul 2020, 18h31

O Senado da Itália revogou nesta quinta-feira, 30, a imunidade parlamentar do líder da extrema-direita italiana, o senador Matteo Salvini, pela segunda vez neste ano. Assim como no caso anterior, Salvini é acusado abuso de poder por ter bloqueado o desembarque de migrantes na costa italiana em 2019, quando ainda estava no governo, como vice-primeiro-ministro e ministro do Interior.

O resultado da votação na câmara alta do Parlamento italiano era esperado, seguindo linhas partidárias: 149 votos a favor da revogação da imunidade contra 141.

“Será uma alegria para mim ir [à corte] para lutar por meu direito de defender nosso belo país”, disse Salvini, 47 anos, ao Senado antes da votação, já antecipando a conclusão desta. “Esta noite vou para casa com a cabeça erguida. Este é um julgamento político e se alguém pensa que me enfraqueceu, está enganado”, acrescentou.

Salvini é acusado formalmente por procuradores na Sicília de abuso de poder e detenção ilegal de migrantes no episódio do navio migrante da organização não-governamental espanhola Open Arms. A mando do então vice-primeiro-ministro, cerca de 100 migrantes, em sua maioria vindos da África, ficaram impedidos de desembarcar na ilha italiana da Lampedusa e, assim, presos no meio do Mar Mediterrâneo por quase três semanas em agosto de 2019.

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O impasse só se encerrou após a intervenção de um procurador italiano, obrigando as autoridades locais a receber o navio da Open Arms. “Não tenho medo, tenho orgulho de defender as fronteiras e a segurança do meu país”, tuitou Salvini no mesmo dia em que a embarcação atracou na Itália.

Se for condenado, Salvini poderá pegar até 15 anos de prisão e ter seus direitos políticos cassados. O julgamento, que será recorrível, ainda não tem data marcada para iniciar.

2ª vez

Em fevereiro deste ano, o Senado já havia revogado a imunidade parlamentar do ex-vice-primeiro-ministro em um outro caso envolvendo o bloqueio de um navio de migrantes no Mar Mediterrâneo.

Neste caso, Salvini também é acusado de abuso de poder e de detenção ilegal de migrantes. Em julho de 2019, o então vice-primeiro-ministro barrou por quase uma semana o desembarque de um navio com mais de 100 migrantes.

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Uma audiência preliminar sobre esse caso está marcada para o dia 3 de outubro.

(Com Reuters)

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