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Mulher morre em meio a protestos de agricultores na França

Três pessoas foram presas após colisão de carro com bloqueio de via, que também deixou dois feridos; manifestantes exigem redução de impostos

Por Da Redação
Atualizado em 7 Maio 2024, 16h12 - Publicado em 23 jan 2024, 13h48

Uma mulher morreu nesta terça-feira, 23, e duas pessoas ficaram gravemente feridas em meio a um protesto no sul da França organizado por sindicatos de agricultores. Os manifestantes fecharam uma rodovia com fardos de feno para parar o trânsito em Pamiers, Ariège, próximo a Toulouse, e um carro colidiu com o bloqueio. As três pessoas que estavam no veículo foram presas.

A vítima, uma agricultora de 30 anos, morreu às 5h45 (hora local), quando o carro bateu em alta velocidade contra a barreira. Seu marido e sua filha adolescente foram feridos e se encontram em estado grave.

A França, o maior produtor agrícola da União Europeia, tem milhares de produtores independentes de carne, laticínios, frutas e legumes e vinho. Os protestos exigem que o governo reduza a burocracia e os impostos para o setor, além de garantir melhores preços para os produtos.

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Dor de cabeça para um jovem premiê

As manifestações são o primeiro grande desafio do primeiro-ministro Gabriel Attal, recém-nomeado ao cargo pelo presidente Emmanuel Macron. Na noite de segunda-feira 22, ele encontrou-se com sindicatos agrícolas para negociações, mas não conseguiu aplacá-los. Nesta terça, comboios de tratores continuam a bloquear estradas importantes ao redor do país, incluindo a área ao redor de Toulouse, no sudoeste, até Isère, no sudeste, e Beauvais, no norte, enquanto agricultores realizaram manifestações nas cidades.

“Estamos preparados para tudo, não temos nada a perder”, disse Josep Perez, um manifestante entrevistado pela televisão francesa BFM TV num bloqueio de estrada perto de Agen, uma região frutícola do sudoeste do país.

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Os agricultores dirigiram seus tratores na terça-feira até o gabinete do prefeito em Agen e despejaram pilhas de tripas de um matadouro local, jogaram kiwis e espalharam tinta vermelha na frente do prédio, onde também enduraram uma faixa dizendo: “Não morreremos em silêncio”.

Pressão

Arnaud Rousseau, chefe do sindicato agrícola FNSEA, disse à rádio francesa RMC que os protestos podem durar “um dia, uma semana” ou “o tempo que for necessário”, até que o governo responda. Enquanto isso, Arnaud Gaillot, presidente do sindicato dos Jovens Agricultores, garantiu que os bloqueios de estradas vão continuar “até que o primeiro-ministro faça anúncios muito claros.”

“O tempo para conversar acabou, é necessária ação”, afirmou.

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Recentemente, o governo voltou a suspender sua tão esperada lei agrícola, dizendo que quer ouvir os representantes do setor antes de incluir medidas adicionais para apoiar agricultores. Segundo o ministro da Agricultura, Marc Fesneau, quando Attal se reuniu com representantes agrícolas na segunda-feira, ele prometeu que uma série de medidas seriam anunciadas até o final desta semana.

O governo francês teme que o movimento dos agricultores possa se espalhar, abarcando quaisquer outras pessoas indignadas com a alta do custo de vida e a disparada nos preços da energia.

Descontentamento

Representantes de um dos principais setores da economia da França, os agricultores dizem sentir-se abandonados pelo governo diante das mudanças climáticas e fenômenos extremos, como secas, incêndios e enchentes. Mas também se declaram indignados com o que consideram preços “impossivelmente baixos” para os seus produtos, bem como a dificuldade para pequenos produtores enfrentarem burocracia, normas ambientais complexas e políticas “verdes” – como restrição para a utilização de água para regar as plantações –, que, segundo eles, estão reduzindo seus lucros. Também reclamam dos impostos sobre o diesel off-road, cuja alta afeta diretamente os trabalhadores que dependem de tratores e veículos semelhantes.

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Os protestos na França ocorrem em meio a outras manifestações de agricultores em países europeus, como a Alemanha e a Romênia, diante das eleições para o Parlamento Europeu, o legislativo da União Europeia, marcadas para junho.

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De olho no pleito, o partido de extrema-direita francês Reunião Nacional, chefiado pela ultranacionalista Marine Le Pen, tem feito acenos aos agricultores e aos eleitores rurais. O seu colega de partido, Jean-Philippe Tanguy, disse que o setor está “finalmente” chamando a atenção dos poderes públicos e que ficou surpreso por Attal estar demorando tanto para “entender como funciona a agricultura francesa”.

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