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Maior poluidora do mundo, China enfrenta pressão máxima na COP26

Apesar de projetos gigantes, como maior fazenda de captura de energia solar do mundo, mais de 60% da energia do país ainda vem da queima de carvão

Por Da Redação Atualizado em 3 nov 2021, 15h46 - Publicado em 1 nov 2021, 08h00

Sob forte pressão internacional por ser a maior fonte mundial dos gases causadores do efeito estufa, a China será o ponto de atenção da maioria dos presentes na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26). A cerimônia de abertura aconteceu na manhã desta segunda-feira, 1, na cidade escocesa de Glasgow e se estende pelas próximas duas semanas.

Muitos países ainda estão longe das metas para evitar o aumento catastrófico de temperatura neste século, segundo especialistas. Mesmo assim, sem a China, por representar 28% das emissões, não há acordo climático global.

O ponto foi ressaltado na última semana pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como um alerta às vésperas do encontro internacional.

“Meu apelo à China é muito simples”, disse o português, “que alcancem zero emissões líquidas antes de 2060 e cheguem ao pico e emissões antes de 2030”.

Na quinta-feira, Pequim apresentou suas metas climáticas atualizadas. No entanto, não havia nada muito novo, e atendendo aos pedidos de Guterres e outras lideranças, o texto focou nas promessas de começar a reduzir emissões de carbono antes de 2030 e alcançar neutralidade até 2060.

O novo plano inclui as metas do país de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e elevar a geração de energia eólica e solar. Algumas das novas represas hidrelétricas seriam construídas nas porções superiores dos rios Yangtzé, Mekong e Amarelo e há projetos para novas usinas nucleares, contando com reatores marítimos de pequena escala.

Painéis para captação de energia solar em Huzhou, China.
Painéis para captação de energia solar em Huzhou, China. Getty/Getty Images
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No entanto, apesar das promessas chinesas, e de projetos gigantes, como a maior fazenda de energia solar do mundo, com mais de 4 milhões de painéis, o cenário é bem distinto na teoria e na prática. Atualmente, mais de 60% da energia ainda vem da queima de carvão e, apesar dos planos de redução, o país continua construindo usinas termelétricas a carvão. Só nos primeiros seis meses de 2020, construiu mais de 60% das novas instalações do mundo – infraestruturas planejadas para permanecer utilizáveis por décadas.

Internacionalmente, Pequim diz estar “em completa linha” com o Acordo de Paris, mas ainda se caracteriza como um “país em desenvolvimento” que está em processo de urbanização e industrialização, disse uma autoridade da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. “Então o consumo de energia continuará crescendo”.

Além disso, os planos de reduzir a dependência de combustíveis fósseis se mostraram problemáticos à medida que o país passa por um período sem precedentes de blecautes, que forçaram o aumento da produção de carvão para garantir os suprimentos do inverno. Serão produzidas 220 milhões de toneladas a mais em um ano – um aumento de 6%.

O “mais sujo
O “mais sujo”: minas de carvão são reabertas para evitar os apagões que já começavam a afetar a economia Guang Niu/Getty Images

Há também duros custos financeiros: a Universidade Tsinghua, em Pequim, estima que atingir zero emissões líquidas custaria 46 trilhões de dólares.

Independentemente do que Estados Unidos ou Europa fizerem, a China é essencialmente a peça principal para alcançar as metas climáticas, ressalta Yanzhong Huang, membro do Council on Foreign Relations, à rede NBC. “Não podemos permitir que a China fracasse”.

O grupo de pesquisa Climate Action Tracker calcula que, se todos os governos cumprissem às promessas do acordo de Paris, o planeta aqueceria, em média, 2,7ºC até 2100 em comparação com as temperaturas pré-industriais. Se a China seguir sua promessa de zerar emissões líquidas de CO2 até 2060, feita pelo líder Xi Jinping no ano passado, a média é reduzida a 2,4ºC.

No entanto, as promessas chinesas são “altamente insuficientes” para atingir estas metas, de acordo com a Climate Action Tracker, um banco de dados sem fins lucrativos sediado na Alemanha. As políticas de Pequim, segundo o grupo, são consistentes com um mundo de 3ºC, o que representaria mais eventos climáticos, problemas para produção de alimentos, aumento do nível do mar.

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