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China divulga plano para atingir pico de emissões de carbono antes de 2030

Documento foi publicado cinco dias antes do início das conversas da conferência do Clima em Glasgow

Por Da Redação Atualizado em 26 out 2021, 13h16 - Publicado em 26 out 2021, 13h15

O governo chinês afirmou nesta terça-feira, 26, que o país adotará ações para reduzir o desperdício, promover energias renováveis e reformar sua rede elétrica, parte de um plano para atingir um pico de emissões de carbono antes de 2030. O documento foi publicado cinco dias antes do início das conversas da conferência do Clima em Glasgow.

A China, maior fonte mundial dos gases causadores do efeito estufa, passa por um período sem precedentes de blecautes, que forçaram o aumento da produção de carvão para garantir os suprimentos do inverno. Ainda assim, o Conselho Estatal afirmou que o país irá acelerar esforços para viabilizar um sistema que permita que novas fontes de energia sejam ampliadas continuamente.

O novo plano inclui as metas do país de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e elevar a geração de energia eólica e solar. Algumas das novas represas hidrelétricas seriam construídas nas porções superiores dos rios Yangtzé, Mekong e Amarelo e há planos para novas usinas nucleares, contando com reatores marítimos de pequena escala, segundo o conselho.

É previsto que Pequim anuncie suas “contribuições nacionalmente determinadas” antes do fim da cúpula na Escócia.

O anúncio segue estratégias anteriores do governo chinês, um dos 195 signatários do acordo de Paris, para tentar frear suas emissões. No ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping disse que o país, um dos maiores emissores de carbono do mundo, vai zerar as emissões líquidas de CO2 até 2060.

Pensando positivamente, o compromisso da China pode modificar as previsões anteriores do aquecimento global até 2100, já que é fonte de 27% das emissões globais de CO2. O grupo de pesquisa Climate Action Tracker calcula que, se todos os governos cumprissem às promessas do acordo de Paris, o planeta aqueceria, em média, 2,7ºC até 2100 em comparação com as temperaturas pré-industriais. O anúncio de Xi no ano passado reduziu a média a 2,4ºC.

Para alcançar o objetivo de 2060, o plano de atingir o pico antes de 20230 é importantíssimo, sobretudo no que diz respeito à completa descarbonização da eletricidade. Atualmente, mais de 60% da energia ainda vem da queima de carvão e, apesar dos planos, o país continua construindo usinas termelétricas a carvão. Só nos primeiros seis meses de 2020, construiu mais de 60% das novas instalações do mundo – infraestruturas planejadas para permanecer utilizáveis por décadas.

Por outro lado, o gigante asiático já é afetado pelo aquecimento global com enchentes e secas. Além disso, pode implementar mudanças de maneiras mais incisivas por conta de seu sistema de governo, já que medidas impopulares, como a produção de energia nuclear, não terão forte oposição pública – sua capacidade de geração nuclear mais que dobrou entre 2014 e 2019.

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