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Cortes de energia sem precedentes atingem nordeste da China

Escassez de carvão e metas do governo de redução do consumo de energia são principais causas de apagões, que deixaram milhões de pessoas sem luz

Por Da Redação 28 set 2021, 18h08

Milhões de casas e algumas fábricas ficaram sem energia elétrica nas províncias de Jilin, Liaoning e Heilongjiang, no nordeste da China, e há risco de interrupção do abastecimento de água em Jilin. Segundo a empresa responsável, pode haver um corte do recurso a qualquer momento. 

Em Liaoning, vinte e três trabalhadores foram levados a um hospital por envenenamento por monóxido de carbono quando ventiladores pararam de funcionar por causa do apagão.

O motivo dos apagões teria sido o racionamento de energia durante o horário de pico. A medida começou na última quinta-feira e não teve aviso prévio do governo. De acordo com o tabloide do Partido Comunista Chinês, a economia de energia é devido a escassez de carvão.

Quase 60% da economia chinesa é movida a carvão, que sofre com a diminuição do abastecimento por causa da pandemia e do conflito comercial com a Austrália. A falta de carvão, o endurecimento dos padrões de emissão de gases causadores do efeito estufa e a forte demanda da indústria levaram os preços do carvão a níveis recordes na China.

As restrições também podem estar acontecendo pelo desejo das autoridades chinesas de cumprir as metas provinciais de redução do consumo de energia, uma vez que que a China pretende atingir a neutralidade de carbono até 2060.

Além da falta de luz, semáforos foram desligados e a cobertura de telefonia móvel 3G foi cortada em algumas áreas, o que gerou indignação de parte da população.

Fornecedoras da Apple, Tesla e outras indústrias também foram afetadas com o blecaute, e tiverem que interromper suas atividades. A Unimicron Technology, da Apple, disse que fábricas em duas regiões foram instruídas a parar a produção do meio-dia de domingo até quinta-feira, em documentos arquivados na bolsa de valores de Taiwan na segunda-feira.

  • O grupo Goldman Sachs disse em nota que até 44% da atividade industrial da China foram afetados pela falta de energia, e estimou que pode causar uma queda de 1 ponto percentual no crescimento atualizado do PIB no terceiro trimestre, e uma queda de 2 pontos percentuais em outubro a dezembro. Ainda cortou a previsão de crescimento do PIB da China em 2021 de 8,2% para 7,8%. 

    O Conselho de Eletricidade da China, que representa os fornecedores de energia do país, também falou em uma nota, nesta segunda-feira, que as empresas de energia movidas a carvão estão agora “expandindo seus canais de aquisição a qualquer custo” para garantir o aquecimento no inverno e o fornecimento de eletricidade. Membros da indústria afirmam que “a capacidade de fornecimento de energia da China é até agora adequada para atender à demanda e que a China não tem uma crise de energia”.

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