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China doará 100 milhões de doses a países em desenvolvimento ainda em 2021

Anúncio sobre imunizantes contra a Covid-19 foi feito na quinta-feira durante cúpula por videoconferência do Brics

Por Da Redação Atualizado em 10 set 2021, 11h22 - Publicado em 10 set 2021, 11h08

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou que Pequim doará 100 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 a países em desenvolvimento ainda no ano de 2021, além das que já foram fornecidas ao mecanismo Covax para uma imunização equitativa em todo o mundo.

O anúncio foi feito na quinta-feira, 9, durante cúpula por videoconferência do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e acontece em meio a um impasse entre a vacina CoronaVac e autoridades brasileiras, que interditaram lotes do imunizante. De acordo com a Anvisa, documentos apresentados pelo Instituto Butantan, responsável pela produção e distribuição do imunizante no Brasil, “não respondem satisfatoriamente a todas as incertezas sobre o novo local de fabricação”. 

A estratégia de doação ou venda a “preços favoráveis” já vem sendo adotada pela China há tempos, principalmente para países africanos. A atuação diplomática dos chineses se espalha de tal forma que representantes de Estados Unidos, Japão, Austrália e Índia se reuniram em um encontro virtual em março para discutir formas de confrontar o gigante asiático.

Com apenas quatro dos muitos fabricantes de vacinas da China afirmando que são capazes de produzir pelo menos 2,6 bilhões de doses este ano, uma grande parte da população mundial acabará imunizada com vacinas não-ocidentais.

De acordo com dados oficiais apresentados no mês passado, a China já forneceu 770 milhões de doses, a maioria por meio de exportações, para mais de 100 países no mundo, incluindo 18 países latino-americanos.

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A China não especificou quantas dessas doses de vacinas correspondem a doações, embora o diretor-geral de Assuntos Econômicos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, Wang Xiaolong, tenha garantido que são “dezenas de milhões”.

Em 12 de julho, o programa Covax chegou a um acordo com as farmacêuticas chinesas Sinopharm e Sinovac para distribuir 110 milhões de doses globalmente até outubro e a possibilidade de mais 440 milhões no último trimestre de 2021 e no primeiro semestre de 2022. Além disso, a China se comprometeu a entregar US$ 100 milhões ao mecanismo Covax este ano.

Na época, o porta-voz da Chancelaria chinesa, Zhao Lijian, afirmou que “vacinas são uma arma para derrotar a pandemia, não uma ferramenta para ganhos políticos, e muito menos uma desculpa para atacar e desacreditar outros países”.

Durante a cúpula do Brics, que foi organizada pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, Xi defendeu o “aprofundamento da cooperação” com o resto dos membros do grupo para “enfrentar desafios comuns”, entre os quais ele mencionou as mudanças climáticas, a luta global contra a pandemia da Covid-19 e a proteção da ordem global com base nas leis internacionais.

No campo econômico, Xi declarou que os Brics devem “promover o crescimento econômico baseado na inovação” que possa ser benéfico “para todos os países”, apelando ao mesmo tempo aos outros líderes para que protejam a ordem multilateral de comércio promovida pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Xi, que receberá a reunião do próximo ano, expressou esperança de que o Brics adote uma cooperação com foco em resultados e que o grupo “recupere vitalidade e vigor”.

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