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Biden recorre ao México e à Guatemala para conter fluxo migratório

Delegação dos EUA viaja para os dois países a fim de discutir crise na fronteira americana e 'desenvolver plano de ação eficaz e humano'

Por Da Redação Atualizado em 22 mar 2021, 19h19 - Publicado em 22 mar 2021, 18h38

Diante do crescente desafio humanitário na fronteira dos Estados Unidos com o México, o governo americano pedirá ajuda às autoridades mexicanas e guatemaltecas para conter o fluxo de imigrantes sem documentos. 

Uma delegação de alto escalão dos EUA viaja ao México nesta segunda-feira, 22, para discutir com o governo mexicano o crescente fenômeno migratório e a cooperação para o desenvolvimento, antes de viajar para a Guatemala com o objetivo de discutir a questão com o presidente Alejandro Giammattei.

O objetivo da viagem é “desenvolver um plano de ação eficaz e humano para controlar a migração irregular”, principalmente do Triângulo Norte da América Central, afirmou em um comunicado a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Emily Horne.

A região experimentou uma forte onda de imigração para os Estados Unidos desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca no final de janeiro e as autoridades do país prenderam 100.441 imigrantes sem documentos em fevereiro, em comparação com 78.442 em janeiro. O número de adultos sem documentos apreendidos dobrou entre outubro de 2020 e fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano fiscal anterior.

Apesar de diversas críticas, o governo Biden ainda tem resistido em chamar a situação de “crise”. “As crianças que se apresentam em nossa fronteira, que estão fugindo da violência, que estão fugindo de situações terríveis, elas não são uma crise”, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki a repórteres.

Sob condição de anonimato, uma autoridade americana afirmou à agência de notícias EFE que o encontro programado para esta semana tem foco em “uma estratégia conjunta de desenvolvimento em todo o sul do México e no Triângulo Norte (…) para enfrentar as raízes que geram a migração: expandir as oportunidades econômicas e combater a insegurança”. 

As reuniões no México acontecerão na terça, 23, e contarão com a presença da coordenadora da fronteira sul da Casa Branca, Roberta Jacobson, do responsável pela América Latina e Caribe na Casa Branca, Juan González, e do recém-nomeado especial enviado para o Triângulo Norte da América Central, Ricardo Zúñiga.

Os três se encontrarão na Cidade do México com o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard; o diretor-geral para a América do Norte do Ministério das Relações Exteriores, Roberto Velasco; e outros representantes da Chancelaria e do Instituto Nacional de Migração (INM), segundo fonte oficial dos Estados Unidos.

Antes de Washington fazer o anúncio, o próprio Velasco escreveu no Twitter que “uma delegação de alto nível dos Estados Unidos os visitaria na terça-feira”.

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Além disso, o encontro “contará com a presença de representantes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)”, disse Velasco.

O Ministério das Relações Exteriores mexicano indicou que o “tema principal” a ser discutido nesta reunião será a cooperação para o desenvolvimento da América Central e do sul do México, além de “esforços conjuntos” para uma migração “segura, ordenada e regular”.

Depois de seus encontros no México, González e Zúñiga seguirão viagem para a Guatemala, onde se reunirão com o presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, e com o chanceler Pedro Brolo, segundo o mencionado alto funcionário americano.

Eles também vão conversar com representantes da sociedade civil, do setor privado e dos ministérios responsáveis pela economia e segurança, disse a fonte.

O objetivo é desenvolver “um plano de gestão da migração a curto prazo, bem como uma estratégia de médio e longo prazo para enfrentar as causas estruturais que geram a migração”, disse o funcionário.

Pela primeira vez e depois de um ano de pandemia, o México anunciou na semana passada o controle terrestre para atividades não essenciais em sua fronteira sul, alegando que a disseminação do coronavírus deveria ser controlada.

O governo do México posicionou tropas do Exército e da Guarda Nacional no domingo às margens do rio Suchiate, fronteira natural com a Guatemala, embora ainda não houvesse a presença de barreira sanitárias. 

Também nesta segunda-feira, o governo dos EUA anunciou a difusão de anúncios em várias línguas, incluindo o português, em El Salvador, Guatemala e Honduras, para enviar a mensagem de que “a fronteira está fechada” e imigrantes sem documentos não tentem tentar cruzá-la.

“Colocamos 17.118 anúncios de rádio em El Salvador, Guatemala e Honduras a partir de 21 de janeiro, em espanhol, português e seis línguas indígenas para desencorajar a emigração para os EUA. Além disso, foram incluídos 589 anúncios digitais” disse a porta-voz Psaki. “O governo dos Estados Unidos tem enviado a mesma mensagem aos usuários do Facebook e Instagram que se enquadram no perfil dos possíveis migrantes”

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