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‘Metalhead’ tem muita correria e pouco contexto

Primeiro episódio em preto e branco da quarta temporada de 'Black Mirror' é bonito e funciona bem como thriller, mas fraco no roteiro

Dois homens e uma mulher chegam a um galpão e tentam roubar uma caixa cujo conteúdo não é mostrado. O plano é rapidamente frustrado quando eles são descobertos por um robô de quatro patas que se assemelha a um cachorro programado para destruir os humanos que vê pela frente. Em um cenário distópico e inabitado, uma frenética perseguição começa, com direito a armas improvisadas, cabeças voando pelos ares e corpos em profundo estado de decomposição. Metalhead é o episódio mais curto de Black Mirror, com cerca de 40 minutos, e também o mais fraco de toda a quarta temporada, disponibilizada na Netflix nesta sexta-feira.

Escrito por Charlie Brooker, o criador do seriado, e dirigido por David Slade, dos filmes Menina Má.Com e A Saga Crepúsculo: Eclipse e de séries como Hannibal e American Gods, o episódio totalmente em preto e branco é esteticamente bonito e bastante eficiente como thriller e terror. Durante seus quarenta minutos é difícil não roer as unhas de preocupação pela segurança da mulher que foge incessantemente do robô-cachorro, um equipamento impiedoso, frio, mortal. Ela está sozinha no meio do nada e não parece que vai receber qualquer ajuda – tudo o que ela tem é um walkie-talkie que não transmite nada compreensível. Além disso, a atuação de Maxine Peake como a fugitiva é excelente – ela fica sem falar por boa parte da história, e isso realmente não é necessário.

O problema do episódio é não oferecer ao espectador contexto suficiente para fazer com que ele se importe com o que está se passando na tela. A preocupação pela mulher é resultado mais do instinto – ela parece ser a oprimida e o cachorro, o opressor – do que de uma compreensão de suas razões e sentimentos. Quem é ela? O que ela está fazendo? O que havia na caixa? O que aconteceu com o mundo ao seu redor? Com quem ela fala ao walkie-talkie? Não há identificação do público com a personagem porque ele simplesmente não sabe quem ela é e nem se merece compaixão – é Black Mirror, afinal, e tudo pode mudar no último segundo em uma reviravolta. Quando a série finalmente entrega algumas respostas, elas, infelizmente, decepcionam.

 

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