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Museu de História Natural de NY processa seguradora por perdas na pandemia

Instituição busca cobertura à altura da queda de 37 milhões de dólares no faturamento, expondo a crise brutal que o coronavírus provocou em todo o setor

Por Tamara Nassif 29 jul 2021, 11h10

Enquanto a badalada cena cultural dos Estados Unidos vai voltando a ferver graças ao avanço da vacinação, alguns setores continuam a colher prejuízos por causa da pandemia. É o caso dos museus, que, fechados durante boa parte de 2020, sofreram um duro baque nas contas. O Museu de História Natural de Nova York, por exemplo, entrou com um processo contra a seguradora Affiliated FM, que se recusou a cobrir sua perda em receita bruta, estimada em 37 milhões de dólares, oferecendo um alento de, no máximo, 200 000 dólares.

Diante da Suprema Corte de Nova York, o museu alega a negativa ilegal e argumenta que a seguradora negou, erroneamente, duas vezes o pedido de indenização. Todo ano, a instituição paga à Affiliated FM centenas de milhares de dólares em seguro “contra todos os riscos” e, assim que fechou as portas em março de 2020, notificou a seguradora sobre os prejuízos com a interrupção de suas atividades. “O Museu explicou que a Covid-19 atingiu o espaço e as áreas adjacentes, e que vários funcionários e empreiteiros foram contaminados pelo vírus”, diz o texto do processo. “O Museu oportunamente procurou cobertura sob a política de ‘todos os ricos’, mas, semanas depois, sem realizar qualquer investigação significativa sobre a natureza das perdas da instituição, a seguradora indicou que negaria a cobertura de quase todos os pedidos.” Restaurantes e academias também processaram a Affiliated FM, que, sob a chamada exclusão de “contaminação”, tem tentado canalizar as reivindicações em pequenas provisões que somariam, no máximo, 200 000 dólares – “uma fração das perdas do Museu”.

  • No que foi a mais longa paralisação em 150 anos de história, a popular instituição esteve fechada por seis meses – de 13 de março a 9 de setembro de 2020 – e, além de arcar com despesas extras por causa dos protocolos de segurança contra a Covid-19, foi privada de suas principais fontes de receita, como taxas de bilheteria e estacionamento, eventos especiais e vendas de alimentos, bebidas e comércio varejista. A reabertura no segundo semestre de 2020 veio, também, como um balde de água fria: o museu só foi autorizado a operar em “capacidade bastante reduzida”, o que não deu o respiro necessário para iniciar o processo de recuperação financeira.

    Essa é uma realidade que se estende para além do tradicional programão em família: uma pesquisa feita em junho pela Aliança Americana de Museus (AAM) indica que houve uma queda de 40% na receita durante a pandemia em pelo menos três quartos das instituições de arte dos Estados Unidos.

    “O setor de museus levará anos para recuperar os níveis pré-pandêmicos de funcionários, receitas e visitações”, disse Laura Lott, presidente da AAM. “Mas, graças aos vários programas de assistência governamental, menos museus do que o esperado estão em risco de fechamento permanente.” Na grande maioria dos casos, as instituições não têm conseguido compensar as perdas a partir de cortes de gastos: é preciso que o ritmo de visitação aumente para que um reequilíbrio nas contas apareça no horizonte. Vontade é o que não falta – é só a pandemia deixar que estaremos prontos para ver e rever o famoso (e magnífico) fóssil de Tiranossauro Rex.

     

     

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