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Caça legal de baleia no Japão ganha força

Por Da Redação
5 jul 2012, 10h53

Por Bruno Deiro

São Paulo – No terceiro dia do encontro anual da Comissão Internacional Baleeira (CIB), na Cidade do Panamá, representantes de organizações ambientais reclamam do domínio dos países favoráveis à caça de baleias nas discussões. Depois do novo veto à criação do santuário de baleias no Atlântico Sul e da renovação de cotas para a caça aborígene, o Japão ganhou força para reapresentar o projeto de legalização da caça costeira em pequena escala.

Acusado de manipular as votações, com uma suposta compra de votos de nações menores, o Japão é o principal articulador dos países baleeiros. Ontem, a delegação japonesa apresentou seu projeto de caça científica, que no ano passado foi responsável pela morte de 445 baleias. Interessado na ampliação, o país asiático retomou a proposta (rejeitada em 2010) da regulamentação da caça costeira em pequenas comunidades, como exceção à moratória da caça comercial, sob alegação de que é similar à captura aborígene. Mesmo com oposição de vários países, entre eles o Brasil, o tema seguirá na pauta do evento, que se encerra amanhã.

Protestos

Na segunda-feira, primeiro dia da reunião, o projeto do santuário obteve apenas 38 votos favoráveis, insuficientes diante dos 75% necessários para a aprovação. No segundo dia, foi a vez de Estados Unidos, Rússia e São Vicente e Granadinas conseguirem aprovar cotas de caça aborígenes, com 48 votos a favor e 10 contra, o que causou críticas de ambientalistas.

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“EUA e a Rússia cumprem regras e quesitos estabelecidos pela CIB, mas, no caso de São Vicente, foi reiterado por diferentes países que não existem registros históricos de uso de baleias para subsistência da comunidade e que foi recentemente introduzida por americanos e europeus”, diz Márcia Engel, presidente do Instituto Baleia Jubarte, que está no Panamá.

As constantes vitórias dos países baleeiros já fazem os ambientalistas questionarem a validade da CIB. “Temos percebido que só vale a pena manter a comissão se ela for reformulada, se estiver alinhada com outras grandes comissões internacionais”, afirmou Leandra Gonçalves, do SOS Mata Atlântica. “Em termos de transparência, a comissão está ferindo vários preceitos. A maioria dois países é conservacionista, mas ainda assim a reunião tem aprovado resoluções pró-caça. Os países conservacionistas deveriam esvaziar esta comissão e criar uma nova.”

A ativista lembra que a CIB, criada há mais de sete décadas, não tem a intenção de acabar com a caça de baleias. “A comissão foi criada apenas para regular a caça.”

A atuação do governo brasileiro, que liderou a campanha pela criação do santuário do Atlântico Sul, também é alvo de críticas. “Os dois técnicos do Ministério do Meio Ambiente aqui presentes não têm nenhuma experiência prévia, nem com a reunião da CIB e nem com a conservação de baleias, e não parecem estar apoiando efetivamente a delegação”, criticou Márcia Engel. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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