Blogs e Colunistas

20/08/2014

às 16:37 \ Cultura

Luan Santana usa o seu dinheiro para gravar clipe em Cuba

Pois é, a esquerda caviar é igualitária e abnegada, condena a ganância capitalista e gosta do socialismo, certo? Conta outra. O que nossos artistas realmente gostam é de usar nosso dinheiro, via benefícios fiscais, para vender socialismo enquanto enchem o próprio bolso de dinheiro, com muita ganância.

A última? Luan Santana, cantor sertanejo-pop ídolo da garotada mais nova, teve permissão para levantar mais de R$ 4 milhões pela Lei Rouanet para realizar shows. E foi gravar clipes novos para divulgação. Onde? Havana, claro! Vejam as fotos que divulgou em seu canal:

Luan Santana

Não sei o que Luan Santana pensa sobre política, e não o vejo como um militante engajado, do tipo Chico Buarque. Reinaldo Azevedo chegou inclusive a comparar ambos no passado, mostrando que a megaprodução do cantor jovem gera mais empregos e serve como entretenimento legítimo, já que nem tudo precisa ser “arte”. Mas aquilo que era seu mérito não pode mais ser dito a seu favor. Reinaldo escreveu:

Luan Santana, o ídolo sertanejo-pop, é um dos maiores vendedores de CDs e DVDs do país (num tempo em que esses produtos estão em declínio do mundo!), faz uma média de 4 shows por semana, reúne perto de um milhão de pessoas por mês, emprega 80 pessoas fixas e mobilizou nada menos de 800 para gravar um DVD, numa  megaprodução como nunca houve no país, segundo dados do programa “Profissão Repórter”, da Globo. Ele tem 20 anos. Que eu saiba, não pega dinheiro da Lei Rouanet. Ao contrário: a renda de seus CDs e DVDs vai para obras assistenciais. Já fez doações milionárias para o Hospital do Câncer de Barretos e de Campo Grande, sua cidade-natal.

A tentação é grande demais. Quem não quer uma teta estatal para mamar? O problema, como cansei de apontar, é a existência do mecanismo, a própria teta. Na teoria, a Lei Rouanet deveria servir para alavancar a carreira de jovens artistas, ainda desconhecidos. Luan Santana ainda é jovem, mas nada desconhecido. Até eu sei quem ele é!

Precisa de R$ 4 milhões de incentivos para seus shows? E gravar na capital cubana, ícone do modelo socialista, diante de milhões de escravos miseráveis sob a ditadura dos Castros, isso parece algo adequado a se fazer? O que a garotada vai pensar? Que Havana é um lugar descolado e interessante, e não uma verdadeira prisão caribenha?

Bola fora de Luan Santana. Deveria devolver o benefício fiscal e gravar seus clips em Las Vegas mesmo, meca do capitalismo que, afinal, garante aquilo que os artistas desejam e precisam: cachê em moeda forte, ausência de censura e consumismo buguês, como diria Roberto Campos.

Rodrigo Constantino

20/08/2014

às 15:40 \ Cultura, Democracia

A força das mulheres ou a fraqueza do feminismo moderno?

A “pobre viúva” argentina sendo consolada por dois ogros machistas

Confesso ao leitor: estou cansado do uso e abuso da cartada sexual nas eleições. O que dizer da campanha do TSE para que mais mulheres participem do pleito, pois ainda temos poucas no poder em termos relativos? Se não é uma campanha “indireta” para o voto na até então única mulher disputando a cadeira no Planalto, não sei o que é. Agora complicou a vida de Dilma, pois são duas opções do sexo feminino…

Na verdade, o problema é mais amplo: a narrativa dos oprimidos, a luta das “minorias” contra o homem branco, heterossexual, ocidental e cristão. Esse é o vilão da história, e os demais são vítimas: negros, mulheres, gays, índios, islâmicos etc, o que, se somar, dá uma baita maioria, a ponto de os defensores das “minorias” terem de criar o conceito de “minoria social”.

A coluna de Marcelo Coelho na Folha hoje fala justamente da “força” das mulheres, em contraponto aos homens chorões. Como exemplo, ele cita “dona” Renata, viúva de Eduardo Campos, Marina Silva, também “viúva” de Eduardo Campos, só que do ponto de vista político, e Dilma Rousseff. Diz ele:

O clichê da “viúva inconsolável” vai sendo esquecido. Que o diga, aliás, a própria Marina Silva. Tomou para si o legado e as lutas de Chico Mendes, líder ambientalista assassinado em 1988; agora, sem ser exatamente uma “viúva” política de Eduardo Campos, vem a substituí-lo com a própria força renovada pelo imprevisto histórico.

Cabe falar ainda de outra mulher, a própria Dilma Rousseff. Goste-se ou não de seu governo e de sua pessoa, uma circunstância merece ser colocada, no meu modo de ver, acima de qualquer outra.

Lula, o machista, mandando votarem em Dilma porque é o que ele quer.

Refiro-me ao fato, que por diversos motivos não se explora nem se menciona suficientemente no confronto político, de ela ter sido torturada durante o regime militar. Sempre penso que, se isso tivesse acontecido comigo, eu seria incapaz de superar a experiência.

Eis que vemos Dilma priorizar, contudo, sua estratégia política, e os projetos de seu partido, sem tomar em termos pessoais o entusiasmo com que muitos de seus aliados (especialmente o ministro Edison Lobão) defenderam o que havia de pior na ditadura.

Dilma não explora sua condição de “vítima” do regime militar? Acho que Coelho precisa acompanhar melhor o que a “presidenta” diz. No mais, essa coisa de “viúva inconsolável” está bem longe de ter sido enterrada. Não vamos esquecer que a Argentina caminha rumo ao penhasco justamente com uma presidente eleita com base nessa exploração sensacionalista: a viúva triste, um tango e tanto.

Marina Silva não demonstra força ao assumir o legado – indevidamente – de Chico Mendes, e sim certo oportunismo. O mesmo ocorre agora, com a trágica morte de Eduardo Campos: seu próprio funeral foi um evento macabro de campanha eleitoral.

E Dilma, nossa primeira mulher presidente, mudando até a língua portuguesa para explorar a ideia, de onde veio Dilma? O “poste” que Lula, um homem com perfil machista inclusive, decidiu acender. Ninguém sabia nada da primeira mulher eleita, o que ela pensava de fato, pois era tudo insignificante: Lula era Dilma e Dilma era Lula, eis a mensagem.

Que força feminina é essa que depende de um homem – morto ou vivo – para se sustentar? Até quando vamos ser vítimas dessa exploração da “marcha dos oprimidos”? Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, levou muitos às lágrimas de emoção e ganhou até o Nobel da Paz antes de assumir o poder. Fez um governo medíocre e comandou bem mais bombardeios do que Bush, o belicoso. Como fica?

Marina Silva e Renata: dependentes de Eduardo Campos para mostrar “independência”

Que tal abandonar esses estereótipos, esses rótulos de “minorias”, e passar a olhar a capacidade individual, o talento, o histórico, a honestidade, todas essas características relevantes para um bom líder e que não dependem da cor da pele ou do sexo?

Não custa lembrar que Margaret Thatcher foi a primeira mulher a assumir o comando do Reino Unido e fez uma ótima gestão, mas não por ser mulher, e sim por ser corajosa, liberal na economia, e firme no combate às máfias sindicais – por isso mesmo nunca foi enaltecida pelos movimentos feministas, que não querem saber de nada disso, e preferem acusá-la de “Dama de Ferro”.

Uma mulher pode ser forte e ótima gestora. Mas nunca apenas por ser mulher. Tal critério não basta e não diz nada. As feministas deveriam aprender essa lição, e rejeitar aquelas mulheres que apelam para a cartada sexual, mas que no fundo dependem de um homem bancando sua imagem falsa de independência.

Rodrigo Constantino

20/08/2014

às 14:52 \ Comunismo, Democracia, História

Miriam Leitão fala da tortura que sofreu na ditadura e quer pedido de desculpas. Legítimo, mas e o seu pedido de desculpas?

Fonte: GLOBO

A jornalista Miriam Leitão decidiu revelar as supostas (aprendi com os jornalistas a usar o termo quando não há provas) torturas que teria sofrido durante o regime militar, incluindo ficar numa cela escura com uma jiboia e quase ser estuprada por vários soldados. São relatos chocantes, e não tenho motivos para duvidar de sua veracidade. Diz ela:

Minha vingança foi sobreviver e vencer. Por meus filhos e netos, ainda aguardo um pedido de desculpas das Forças Armadas. Não cultivo nenhum ódio. Não sinto nada disso. Mas, esse gesto me daria segurança no futuro democrático do país.

Uma postura decente. Miriam tem direito a um pedido de desculpas formal, e não resta a menor dúvida de que houve vários abusos e torturas por parte dos militares, o que é inadmissível. Segundo ela, seu único crime era integrar o PCdoB e fazer proselitismo entre os estudantes, além de ser namorada de outro militante, de quem estava grávida de um mês quando foi presa. Sendo verdade, isso não configura crime algum.

Infelizmente, o debate sobre nosso passado está tomado por emoções fortes e muitos interesses, tudo isso turvando a razão. A postura maniqueísta precisa ser abandonada. Compreender o contexto daquela época de Guerra Fria e ameaça comunista não é o mesmo que transformar os militares em santos, tampouco poupar aqueles que realmente praticaram tortura. Estes deveriam ter sido punidos pelos próprios militares decentes – grupo em maioria.

Por outro lado, a vitimização dos antigos comunistas, que tentam se pintar como legítimos democratas que do nada foram atacados por militares autoritários, não se sustenta por um segundo. Aquela turma jovem sonhava com o modelo cubano ou soviético, nada parecido com uma democracia. Alguns, como Fernando Gabeira, Arnaldo Jabor e Ferreira Gullar, fizeram uma dolorosa mea culpa de suas lutas juvenis equivocadas. Outros não. Querem pedidos de desculpas, mas não querem pedir desculpas.

Miriam Leitão, que gosta de um discurso de vítima em outras áreas (cartada sexual, racial, indígena etc), aproximou-se dos tucanos e passou a defender uma social-democracia nos moldes europeus, afastando-se assim do velho comunismo do passado. Com isso, passou a ser “acusada”, junto com os próprios tucanos, de “neoliberal” pela antiga esquerda mais radical. Não se conforma com isso.

Tanto é verdade que faz de tudo para ser “perdoada” pelos antigos companheiros. Mesmo quando precisa bater nos mais caricatos, nos “petralhas”, acaba atacando os conservadores e liberais também, como Reinaldo Azevedo e eu mesmo, para ficar bem na foto, posar de “neutra”. É um problema geral do tucanato: a lógica e a experiência os levaram mais para a direita, mas seus corações permanecem na esquerda. São prisioneiros emocionais do passado.

Acho, como já disse, que Miriam tem todo direito ao seu pedido de desculpas. Se sofreu o que diz mesmo, nada justifica isso. É uma postura covarde daqueles militares envolvidos. Mas ela não era uma heroína. Não era uma jovem democrata que defendia a liberdade. Era uma comunista, do PCdoB, entoando hinos marxistas e usando como símbolo a foice e o martelo.

Se essa turma tivesse logrado sucesso naquela época, o Brasil hoje seria uma imensa Cuba, algo que ainda não nos livramos justamente porque os comunistas ainda existem, sob o manto de bolivarianismo ou socialismo do século 21. Portanto, cabe perguntar: e o seu pedido de desculpas, Miriam, não teremos?

Rodrigo Constantino

20/08/2014

às 13:51 \ Democracia, Economia, Política

Ressaca: quem tem mais capacidade de administrá-la?

Imagino que o leitor conheça bem a sensação: primeiro, aquela euforia, um sentimento de que tudo é possível, de que o céu é o limite; depois, o começo de um mal-estar, o suor frio, a tontura; por fim, a imensa dor de cabeça, o embrulho estomacal, a garganta seca e a promessa de que jamais beberá tanto novamente. Quem nunca enfrentou uma ressaca?

Ninguém aprecia o efeito colateral da euforia ilusória. Mas a ressaca é fundamental para limpar o organismo. É o corpo sofrendo temporariamente para expurgar os excessos, o invasor estranho que causou aquela “felicidade” artificial. A alternativa é muito pior: insistir na bebedeira, postergar por algumas horas a euforia, sob o elevado custo de uma ressaca muito pior depois, quiçá uma cirrose fatal.

O leitor tem o direito de pensar que se enganou de blog: aqui se fala de economia ou de porre e ressaca? Calma que o elo ficará claro. A analogia é perfeita. Nossa economia viveu nos últimos anos a fase da euforia produzida por estímulos artificiais, por injeção de liquidez via aumento de crédito e gastos públicos. Como não houve contrapartida no aumento da produtividade, e nenhuma reforma estrutural foi realizada pelo governo, tudo não passou de uma doce ilusão.

Chegou a hora do acerto de contas. A inflação no topo da elevada meta de 6,5% ao ano já é parte da fatura, um verdadeiro “arrocho salarial” imposto pelo governo aos mais pobres. Isso mesmo com vários preços represados, o que é insustentável. O “tarifaço” de energia elétrica já começou, com várias regiões tendo aumentos acima de 20% na conta de luz.

A atividade estagnou e, após doze revisões decrescentes seguidas, os principais analistas do mercado esperam um crescimento menor do que 0,8% para 2014. A indústria não para de divulgar dados negativos. Suas exportações caíram quase 6% no primeiro semestre do ano contra o mesmo período do ano anterior, retirando-se da conta o malabarismo contábil das plataformas de petróleo. O setor automotivo é um dos que mais sofrem, com queda de 35% nas vendas externas.

No mercado interno as coisas não estão muito melhores. Após tanto estímulo estatal, as famílias se encontram bastante endividadas e o consumo tem retraído. Não chega a ser uma surpresa, então, o primeiro programa eleitoral do PT ter mostrado uma Dilma “dona de casa”, cozinhando um macarrão. Como apostar na “gerentona eficiente” se o quadro econômico é terrível? Como investir na “faxineira ética” se os escândalos de corrupção só crescem?

A grande bandeira explorada pelo atual governo tem sido a taxa de desemprego reduzida. Mas cabe perguntar: até quando? Voltando à comparação com a ressaca, o emprego é o último sintoma dos problemas, algo como o vômito do bêbado desesperado. As empresas seguram até o limite seus funcionários, pois as leis trabalhistas são engessadas e é muito caro demitir e contratar.

Enquanto houver alguma esperança de que a situação pode se reverter na frente, as empresas postergam planos de demissões. Mas a esperança, se Dilma continuar no poder, é quase nula, e o pessimismo é total. Já há sinais de demissões em alguns setores, como o de automóveis, e vale lembrar que quase um terço dos empregos formais criados nos últimos anos ocorreu no setor público. É este um modelo decente de país?

Para piorar, não sabemos ao certo o impacto do Bolsa Família na taxa de desemprego, pois muitos deixam de buscar trabalho formal com receio de perder o benefício. Em outras palavras, o mais importante pilar da aprovação do governo Dilma se mostra frágil e insustentável. É questão de tempo até a crise chegar a ele. O desafio da oposição é explicar isso em linguagem clara para as classes C e D, que começam a sentir os primeiros sintomas da ressaca, mas não se dão conta ainda do que vem por aí.

Mas não é só o andar de baixo que precisa compreender melhor o quadro econômico. As elites também, pois parecem encantadas com uma solução messiânica, como se fosse possível driblar a realidade e, num passe de mágica, mudar “tudo isso que está aí”. Quais são as propostas efetivas de Marina Silva? Qual será sua conduta na gestão econômica? Ninguém sabe ao certo.

Como se não bastasse, a locomotiva de nossa economia, que até aqui segurou as pontas e impediu uma crise mais aguda, é o agronegócio, sempre tão difamado pelos “marineiros”. Para garantir uma ressaca descomunal, atacar esse setor é só o que falta mesmo.

Eis o que o eleitor deve se perguntar, sem romantismo: quem tem a melhor equipe para enfrentar a inevitável ressaca que vem por aí?

Rodrigo Constantino

20/08/2014

às 13:30 \ Economia, Inflação

Para quem tem apenas um martelo, tudo se parece prego. Ou: Mais veneno para curar o envenenamento!

Calma que o bom senso pode esperar…

Deu na Veja: BC muda regras bancárias para injetar até R$ 70 bilhões na economia

Menos de um mês depois de anunciar medidas que expandem a oferta de crédito no país, o Banco Central (BC) voltou a alterar as regras dos compulsórios dos bancos, contribuição obrigatória que as instituições fazem junto ao BC como forma de proteção ao sistema financeiro. A partir de agora, elas poderão usar, em empréstimos, 60% do montante antes reservado exclusivamente para esse depósito.

Na medida anterior, anunciada em julho, o BC já havia liberado 50% desse valor para empréstimos aos consumidores, o que disponibilizou ao mercado 30 bilhões de reais. Na prática, com a liberação desses outros 10 pontos porcentuais do compulsório, as instituições financeiras podem emprestar mais 10 bilhões de reais, somando 40 bilhões em dinheiro novo em circulação.

Considerando outras mudanças anunciadas nesta quarta-feira, há ainda um potencial de impacto na liquidez da economia de 15 bilhões de reais. Com isso, as duas medidas anunciadas nesta quarta podem ter um efeito de 25 bilhões de reais no crédito dos bancos. 

É realmente impressionante. Vivemos uma era de estagflação, causada justamente pelo excesso de estímulos artificiais do governo, e eis que a “solução” encontrada pelo governo é… aumentar os estímulos artificiais! Bem que o ex-presidente Lula deu o recado naquele evento no Sul, ao lado de Arno Augustin, reclamando do “rigor” (sic) da equipe econômica e demandando mais crédito para “fazer a economia girar”.

Para quem tem somente um martelo, tudo se parece prego. Esqueça reformas estruturais que possam reduzir o Custo Brasil e aumentar nossa produtividade. Esqueça ajeitar as contas públicas, o que poderia resgatar a credibilidade do governo. Esqueça garantir uma autonomia operacional ao BC para que possa perseguir de forma técnica e independente a meta de inflação. Esqueça cortar gastos públicos para aumentar a poupança doméstica.

Nada disso importa quando o governo Dilma “descobre” a máquina de fazer dinheiro “sem custo”. Basta liberar mais compulsório, usar um grau de alavancagem ainda maior, pressionar por mais empréstimos, e pronto: o crescimento seguirá seu curso. Mas as famílias já não se encontram muito endividadas? Mas as empresas não pararam de investir por perda de confiança? Mas a inflação não está no topo da elevada meta?

Perguntas bobas de “neoliberais”. Guido Mantega e Dilma “aprenderam” economia na Unicamp e sabem melhor das coisas. Claro, alguém mais cético poderia perguntar: se era tão simples assim, por que não foi feito antes e por que não estamos crescendo, ainda que a inflação esteja muito alta? E um sujeito ainda mais cético e pessimista poderia mencionar Argentina, Venezuela ou até Zimbábue para reflexão.

Mas quem liga? Faltam poucos dias para a eleição, e isso é tudo o que importa para o PT. O resto que se dane!

Rodrigo Constantino

20/08/2014

às 10:07 \ Democracia, Economia, Filosofia política, Política

Pastor Everaldo quer privatizar até Petrobras, mas convence como liberal? Ou: Em quem um liberal clássico deve votar?

Everaldo JN

Nesta terça foi o dia de o Pastor Everaldo ser entrevistado no “Jornal Nacional” por William Bonner e Patrícia Poeta. Para quem acompanha o blog, não chegou a ser surpresa sua mensagem enfática em defesa da redução do estado e das privatizações. O candidato já foi entrevistado aqui por mim, com viés semelhante. De novo mesmo tivemos a afirmação de que até a Petrobras seria privatizada (antes era apenas a BR Distribuidora), e que quem ganha até R$ 5 mil mensais ficaria isento de Imposto de Renda:

“Eu vou privatizar a Petrobras. A Petrobras hoje, uma empresa que foi orgulho nacional, hoje é um foco de corrupção e uma dívida astronômica de mais de R$ 300 bilhões. Então, eu vou privatizar. O petróleo é nosso, mas a Petrobras hoje não é nossa”, declarou.

O candidato disse que transferirá à iniciativa privada “tudo o que for possível”, em referência às empresas estatais, para alocar os recursos na saúde, educação e segurança pública. “Eu vou fazer corte na carne. Defendo um Estado mínimo. Vou reduzir o número de ministérios de 39 para 20″, disse. Ele disse, porém, que não vai privatizar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, que “representam a segurança do sistema financeiro”.

Ele também prometeu isentar do pagamento de imposto de renda todos os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. Atualmente, estão isentos do pagamento do IR os que ganham até R$ 2.138 mensais. O dinheiro dos impostos é o que financia as ações do governo.

Os entrevistadores do JN apertaram bastante o candidato em relação à falta de experiência administrativa e uma base de apoio parlamentar, dando a entender que sua candidatura pode não passar de uma aventura. Sua suposta mudança ideológica também foi colocada em xeque, uma vez que sua trajetória de vida foi em defesa do trabalhismo brizolista e até mesmo do governo Dilma seu partido PSC fez parte no começo do mandato. Por que uma guinada tão radical assim?

A pergunta ficou sem uma resposta convincente. Everaldo afirmou que não mudou sua ideologia, apenas se deu conta de que Dilma era muito intervencionista e havia aparelhado o estado todo. Ora, isso não era evidente antes? Mesmo que não fosse para alguns, permanece a dúvida: o PT era mais próximo do modelo liberal que Everaldo agora defende do que o PSDB? Não era, mesmo com o também intervencionista José Serra sendo o candidato em 2010.

Dito isso, não deixa de ser um alento ouvir a mensagem liberal chegando ao grande público. É a primeira vez que alguém fala em privatizar a Petrobras, um tabu no Brasil. Lamento que venha da boca de alguém sem uma trajetória coerente na defesa de tais valores, e de um partido “nanico”, o que reduz até mesmo a chance de testar a aceitação da mensagem. Muitos desconfiam da convicção do mensageiro.

No mais, a morte de Eduardo Campos mudou totalmente o quadro eleitoral, com a entrada de Marina Silva na corrida. Marina cativa muitos eleitores evangélicos, que tinham em Everaldo uma opção mais conservadora para as questões sociais. E como ela tem chances concretas de ir para o segundo turno, passa a disputar diretamente com Aécio essa vaga, o que mexe nos eleitores que, acima de tudo, condenam o PT e seu esquerdismo.

Não eram poucos que antes pensavam em votar em Everaldo com duas coisas em mente: 1) garantir o segundo turno; 2) mandar um recado ao PSDB, de que a mensagem mais liberal na economia e conservadora no comportamento tem peso, e que se ele deseja ter esses votos no segundo turno, precisa se afastar mais da esquerda do PSDB atual. Agora tudo isso mudou de cara.

Votar em Everaldo pode significar mandar Marina para o segundo turno em vez de Áecio. E não resta dúvidas de que Marina está mais afastada ainda do liberalismo clássico do que o tucano. Portanto, por puro pragmatismo, quem votar em Everaldo agora poderá estar dando seu voto, na prática, para Marina Silva em vez de Aécio, o que não faria muito sentido para quem tem apreço pelos ideais liberais e/ou conservadores.

A entrada de Marina na equação mudou tudo, e o teste para uma mensagem mais liberal na economia, com a bandeira da privatização até da Petrobras (e por que não incluir o Banco do Brasil e a Caixa também?), ficará para depois, quando houver algo efetivamente NOVO no quadro eleitoral.

Rodrigo Constantino

19/08/2014

às 21:40 \ Corrupção, Democracia, Política

Alô, mineiros, o que deu em vocês? Querem mais consultorias fantasmas milionárias?

Pimentel, companheiro de Dilma e incrível “consultor”. Fonte: GLOBO

Deu no GLOBO esses dias: PT só lidera em um dos dez maiores colégios eleitorais

Há 12 anos no comando político do país e tendo a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, liderando a disputa ao Palácio do Planalto, o PT enfrenta este ano grandes dificuldades nos principais estados brasileiros e que concentram quase 80% do eleitorado nacional. Nos dez maiores colégios eleitorais do país e no Distrito Federal, o partido da presidente lidera a disputa aos governos locais em apenas um deles: Minas Gerais. Em dois, não apresentou candidato e, nos demais, varia entre a segunda e a quarta posição.

Embora em Minas o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do governo Dilma Fernando Pimentel lidere com folga, o estado é reduto do presidenciável Aécio Neves. De acordo com pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem e realizada entre os dias 12 e 13 deste mês, Pimentel tem 29% das intenções de voto, contra 16% do candidato do PSDB, Pimenta da Veiga. A eleição neste estado, no entanto, tende a se acirrar com o início da propaganda eleitoral de TV, na próxima semana. Apesar de mineiro, Pimenta estava radicado há 20 anos em Brasília e retornou a Minas a pedido de Aécio para disputar a eleição. O tucano conta com a força do ex-governador para subir.

Está certo que a escolha do PSDB no estado é estranha, uma vez que Pimenta da Veiga estava um tanto apagado e longe dos holofotes da vida pública nos últimos anos. Mas o que deu nos mineiros? Bem na terra de Aécio Neves vão escolher justo um camarada de Dilma?

Já esqueceram que Pimentel é o homem da consultoria fantasma milionária, aquela que recebeu dois milhões, mas que ninguém viu o que foi entregue em troca – ou viu, mas é impróprio para menores?

Como recordar é viver e acabei relendo sobre o caso no livro novo de Guilherme Fiuza, para escrever a resenha publicada hoje no GLOBO, vamos refrescar a memória dos nobres colegas de Minas Gerais:

Se Palocci faturou R$ 20 milhões e saiu porque quis, Pimentel, que faturou R$ 2 milhões, pode considerar o Ministério do Desenvolvimento praticamente um lar. Só sai de lá por motivo de tédio profundo. O Brasil cordial sancionou seus métodos.

Além de declarar que o novo milionário Palocci não é mais ministro porque não quer, Dilma Rousseff afirmou que a consultoria de Fernando Pimentel “não tem nada a ver com o seu governo”. Pura modéstia.

Mesmo não tendo todo o charme de Palocci, Pimentel também chegou a uma arrecadação formidável, fazendo seu primeiro milhão com um único e certeiro palpite sobre a conjuntura para a Federação das Indústrias de Minas Gerais. Tanta virtude assim, e tão bem paga, é o que distingue um consultor comum de um consultor bem relacionado. A Fiemg teria economistas melhores para contratar, mas nenhum com a graduação de Pimentel nos corações de Lula e Dilma. Que outro consultor decolaria tão rapidamente para a coordenação da campanha presidencial, e em seguida para a Esplanada dos Ministérios?

De consultor privado da indústria, Fernando Pimentel passou a gestor público da indústria. Se o leitor ficar confuso sobre quem é cliente de quem nessa história, esqueça. Clientela é assunto particular, como explicou Dilma, ao considerar “estranho que o ministro preste satisfações ao Congresso de sua vida privada”.

[...]

Ao contrário da maioria das pessoas, Fernando Pimentel não é um indivíduo não governamental. Seu universo particular em expansão alcança zonas do poder público – especialmente em Belo Horizonte e em Brasília.

Foi por isso que em 2009 e 2010, quando estava sem mandato, Pimentel deu um show como consultor econômico – faturando de cara R$ 2 milhões e deixando de queixo caído a concorrência muito mais experiente do que ele.

Os consultores normais, PhDs e especialistas em geral podem ser muito bons, mas são privados demais.

No período em que prestou suas consultorias, Pimentel tinha grande influência na prefeitura de BH e no partido do presidente da República – que inclusive o escolheu na época para coordenar a campanha sucessória. 

[...]

Antes de criticar Fernando Pimentel, ponha-se no lugar dele. Você termina seu mandato de prefeito da capital mineira e ainda falta um ano para a campanha presidencial, que você vai coordenar às custas do seu partido. A vitória na eleição é bem provável, mas ainda faltarão dois anos para você virar ministro. Nesse momento de insegurança, que alternativa lhe resta a não ser prestar uma consultoria milionária?

[...]

Um consultor bem-sucedido também precisa ter sorte. Pimentel conseguiu arranjar o sócio perfeito: outro excelente profissional, capaz de conciliar o trabalho na consultoria com um cargo na prefeitura de BH – conseguido, aliás, pelo próprio Pimentel. Aí vêm as coincidências da vida: pouco depois de pagar cerca de R$ 500 mil aos consultores, uma construtora conseguiu um contrato de quase R$ 100 milhões com a prefeitura. Sem dúvida, uma consultoria pé-quente.

Mas o Brasil é um país de invejosos, e já estão querendo derrubar o ministro Pimentel. Antonio Palocci sabe bem o que é isso: você passa a vida fazendo assembleia, chega ao poder com o suor do seu rosto, monta com o partido a sua carteira de clientes, mas não pode fazer o primeiro milhão que já querem puxar seu tapete.

Pois é, só rindo mesmo, para não chorar. Onde os mineiros estão com a cabeça? Vão mesmo ser os únicos a dar o poder estadual para o PT? Qual o objetivo: permitir com que Pimentel faça mais “consultorias” para chegar ao patamar de Palocci? Acorda, Minas Gerais!

Rodrigo Constantino

19/08/2014

às 19:41 \ Humor, Política

Dilma, “the cook”

Esqueçam a “gerentona”. Esqueçam a “faxineira ética”. Vem aí: Dilma, a cozinheira!

19/08/2014

às 18:27 \ Sem categoria

Clipping do dia

19/08/2014

às 15:04 \ Cultura, Filosofia política, Paternalismo

A era dos direitos: geração “mimimi” acha que basta bater pé no chão para ganhar tudo de graça

O absurdo: agora temos o "direito" de vencer, não mais o direito de tentar vencer, como sempre foi o caso.

O absurdo: agora temos o “direito” de vencer, não mais o direito de tentar vencer, como sempre foi o caso.

“Segundo Marx, para acabar com os males do mundo, bastava distribuir; foi fatal; os socialistas nunca mais entenderam a escassez.” (Roberto Campos)

Vivemos na era dos direitos. Não aqueles de caráter negativo como dizia Isaiah Berlin, separando a liberdade de não ser agredido daquela de ter algum privilégio. Ou seja, deveríamos ter o direito de não ter nossa propriedade saqueada, mas não o “direito” a uma casa e um carro, pois isso implicaria jogar o dever de pagar por eles a terceiros. Infelizmente, é o segundo tipo de “direito” que todos defendem atualmente.

A esquerda, então, nem se fala! Tudo que faz é prometer “almoço grátis”, como se recursos e riquezas caíssem dos céus ou brotassem do solo. Só sabem demandar mais e mais “direitos”, sempre focando nas desigualdades materiais e ignorando que José, para ficar rico, não teve de deixar João mais pobre, pois economia não é jogo de soma zero.

O melhor ícone desse tipo de mentalidade tosca é Guilherme Boulos, o líder do MTST, o braço urbano do MST, que invade propriedades privadas para exigir seus “direitos”, tais como tarifas de telefonia mais baixas. Só falta iniciar uma revolução pelo “direito” de ter um iPad de última geração, tudo em nome da igualdade.

Seguindo a mesma linha, Bernardo Pilotto, candidato do PSOL ao Governo do Paraná, defendeu em entrevista que o turismo não pode ser um “privilégio”, e deve ser um “direito” de todos. ”Hoje o turismo é visto como uma área que alguém vai lucrar em cima, então são grandes redes hoteleira, enfim, grandes estruturas que têm o único objetivo de lucrar com aquilo que deveria ser nosso direito, que é acessar a história ou mesmo conhecer outra cidade”, explicou.

O companheiro gostaria de visitar Ouro Preto para conhecer melhor a história local e a vida de Tiradentes, mas não tem os recursos necessários? Não tem problema: o estado existe para isso! A grande ficção pela qual todos vão viver à custa de todos, como dizia Bastiat.

Esqueça essa coisa de responsabilidade individual, de mérito, de esforço pessoal, de cada um batalhar pelo seu destino: isso é coisa do passado, algo ultrapassado. Todos agora têm “direito” a uma vida digna, a moradia, transporte, viagens culturais, lazer, tecnologia, tudo garantido pelo deus laico da modernidade, o estado.

É mesmo uma geração “mimimi” que age feito criança mimada, daquele tipo que, sem se dar conta do quanto o papai e a mamãe precisam ralar para sustentá-la, joga-se no chão do shopping e faz birra porque quer o brinquedo novo, porque tem o “direito” de ter o brinquedo novo. O esquerdista é mesmo um ser infantil…

Rodrigo Constantino

 

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