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17/09/2014

às 23:10 \ Corrupção, Democracia, Política

Nas entranhas do poder com um “nobre” deputado

Márlon Reis e seu livro: a podridão do sistema

Os políticos não gozam de credibilidade alguma no país, apesar de muitos ainda depositarem no estado – formado pelos políticos – uma grande esperança para a solução de nossos problemas, muitos criados pelo próprio estado. Mas sempre há os mais românticos, aqueles que acham que basta “vontade política” e tudo ficará bem. Não conhecem os meandros da politicagem em nosso país, onde não se faz mais Política com P maiúsculo há muito tempo, mas apenas negociatas com a coisa pública, transformada em “cosa nostra”.

Para os últimos dos românticos, recomendo a rápida leitura de O nobre deputado, de Márlon Reis, juiz de Direito e um dos articuladores da coleta de assinaturas para a lei do Ficha Limpa. Trata-se de um relato verdadeiro, ainda que com nomes trocados, de quem conhece o sistema de dentro, com todos os seus podres e o que é preciso para entrar e sobreviver nele. Não há nada que chegue a surpreender aqueles mais céticos ou atentos, mas ainda assim é chocante, pela naturalidade com a qual o relato discorre em detalhes, de quem parece crer efetivamente que é assim que a banda toca e ponto final.

O resumo da ópera bufa é que o resultado das eleições depende de dinheiro, pois os votos são comprados. Quem paga mais, leva. É simples assim. O autor entrevistou mais de um político, e os relatos foram convergentes. Ele reconhece que não é possível dizer quanto o modelo se repete Brasil afora, mas está convencido “de que as entrevistas desvendam o comprometimento do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas com uma gigantesca máquina que vicia todo o processo eleitoral no Brasil de forma assustadoramente eficiente”.

Os novatos que chegam cheios de esperança para mudar o sistema e agir totalmente conforme as regras são ou cooptados ou cuspidos pelo próprio sistema. Se para vencer uma eleição para deputado federal é preciso gastar alguns milhões de reais, não há como evitar a adesão ao sistema, pois como seria possível financiar a campanha de outra forma? Raros são os casos dos que conseguem por outras vias se eleger.

Usar os recursos públicos para garantir fundos para a corrida eleitoral se torna, portanto, parte natural do “negócio”. As emendas parlamentares representam o primeiro instrumento usado. Ao definir o orçamento, os deputados já fixam as verbas que irão parar nas entidades amigas que, como contrapartida, bancaram o “investimento”. As prefeituras alinhadas recebem mais verbas, evidentemente. O deputado que ajudou a destinar a verba costuma ficar com 20% de comissão, no mínimo. Quem não se adapta tem grandes chances de perder as eleições.

As obras públicas são, por motivos óbvios, o grande filão. Não por outro motivo as empreiteiras são as maiores doadoras de campanha. O retorno ocorre pelo superfaturamento das obras, pelo uso de material de pior qualidade, aditivos, etc. O mais curioso é o resquício de autoengano dos entrevistados, reunidos no personagem Peçanha, que unifica as falas todas. Apesar de todo o cinismo ou realismo ao descrever como as coisas funcionam, há espaço para a crença de que, no final das contas, o sistema não prejudica a população:

Ganha também o eleitor. É sempre melhor ter uma estrada ruim do que nenhuma estrada. Se não fosse assim, não seria feita qualquer obra de pavimentação. Quem batalharia por elas? Claro que ninguém faria isso só por bom-mocismo ou, pior ainda, por conta desse salarinho de nada que o governo nos paga. Então, concordamos que o eleitor lucra com esse sistema.

A premissa embutida no raciocínio é a de que os recursos públicos caem do céu ou brotam nas árvores. Ignora-se que o eleitor é quem paga por eles. Ou seja, sem tanta arrecadação por parte do governo para depois decidir como gastar, esses recursos ficariam com a própria iniciativa privada, com o próprio indivíduo, e teria um uso bem mais eficiente. Mas até os canalhas precisam se olhar no espelho com maior aceitação de que não são inteiramente canalhas…

Além das emendas parlamentares, há os convênios, ou seja, destinar dinheiro público para entidades prestadores de serviço. Muitas vezes eles nem existem, são empresas de fachada, com laranjas, só para justificar a transferência dos recursos. Em relação às emendas, a vantagem do convênio é que a fiscalização é mais frouxa e o volume de recursos envolvido é maior. A farra das ONGs, que recebem repasses bilionários do governo, ignorando a letra N na sigla, entra nesse esquema.

Uma terceira forma de garantir as verbas necessárias para a disputa eleitoral está nas licitações viciadas. “Nunca ouvi falar de uma licitação que tenha sido conduzida de forma a contratar o melhor projeto”, atira nosso “nobre” deputado Peçanha. Tudo é devidamente combinado antes, inclusive com rodízio de empresas que participam do esquema. Tudo feito sob medida para tirar recursos do pagador de impostos e transferi-lo ao financiador da campanha. Muitas vezes tudo ocorre dentro da perfeita legalidade e formalidade, o que dificulta bastante o trabalho de fiscalização.

Por isso é muito duro transformar o modelo. Todos os envolvidos lucram muito com ele. Esse é o sistema. E quem poderia mudar o sistema quando somos nós, os deputados federais, que definimos as regras eleitorais às quais nós mesmos nos submetemos? Temos a chave do galinheiro.

Mas como Peçanha esfrega em nossa cara, nada disso se sustentaria sem a conivência do próprio eleitor. Quando cada um deseja alguma vantagem do governo, alguma fila furada, um auxílio das autoridades, uma agilizada num processo, e adere ao “jeitinho brasileiro”, está endossando indiretamente esse modelo. Todos ou quase todos querem manter certa proximidade com o governo, e isso vale desde o mais pobre ao mais rico. Os políticos são vistos como aqueles capazes de “resolver nossos problemas”, e se isso acontecer, fecha-se os olhos para como tudo se dá. Ele dispara:

Chegamos ao ponto crucial desta história toda. De nada valeriam as emendas parlamentares, as licitações arranhadas, os convênios fraudulentos e todos os esquemas que temos para desviar dinheiro para a campanha se não houvesse eleitores dispostos a vender seus votos. Não adianta xingar sete gerações da família de um político, eleitor vendido, quando você sabe muito bem o papel que desempenha no sistema. Você é um hipócrita, não existe outra palavra para defini-lo.

E dá para negar? O velho voto de cabresto não morreu. Sofisticou-se! E atinge várias camadas da população. É muita gente envolvida no esquema. Por isso é tão complicado mudá-lo. Mexe-se com muitos interesses poderosos em jogo. É realmente difícil conhecer melhor as entranhas do poder e não sair cético, ou mesmo cínico. Tal postura acaba por beneficiar os piores dos políticos, ao jogar todos no mesmo saco podre, e pode propiciar aventuras contra a própria democracia, contra o “sistema”.

Mas se por um lado isso tudo gera mais pessimismo, por outro permite alguma esperança. Não de uma solução, pois isso não existe, nem nos países mais ricos. E sim para melhorar a podridão. O próprio relato ajuda nesse sentido, a expor o estágio de putrefação em que chegou nossa política. Além disso, o mecanismo de pesos e contrapesos deve funcionar. A imprensa independente, como fica claro, é um importante entrave aos abusos, servindo para jogar um pouco de luz em partes sombrias do poder.

E a principal mudança, creio eu, deve ser a cultural. Se entendemos como funciona na prática o mundo da política, o uso dos recursos públicos, então só há uma saída: reduzir drasticamente o escopo do estado. A postura do brasileiro médio beira a esquizofrenia, ao detonar políticos, mas delegar ao governo o poder para a solução de nossos males. A mentalidade de que basta colocar as “pessoas certas” lá denota bastante ingenuidade, e o livro de Márlon Reis explica claramente o motivo.

Reduzir o papel do estado, descentralizar o poder (federalismo e voto distrital), privatizar as estatais, preservar a imprensa independente, separar bem os poderes e combater a impunidade, essas parecem as melhores medidas para impedir que o câncer se alastre ainda mais. Financiamento público de campanha (que já existe), reforma política com Constituinte, conselhos populares e messias salvador da Pátria, essas parecem apenas táticas para erguer uma cortina de fumaça e preservar ou até piorar o modelo atual.

Rodrigo Constantino

17/09/2014

às 19:51 \ Sem categoria

Clipping do dia

17/09/2014

às 14:32 \ Democracia, Economia, Humor, Política

O escárnio de Michel Temer: vice-presidente da China?

Michel Temer. Fonte: Folha

Seja lá o que o ministro da Fazenda Guido Mantega tenha, só sei que deve ser contagioso. Talvez seja algo que colocam na água em Brasília. O fato é que o vice-presidente Michel Temer embarcou na mesma nave espacial e foi para o mundo da lua. Deve achar que é vice-presidente da China. Disse que o Brasil está crescendo “fantasticamente”.

Não é piada! Ou talvez seja, mas de muito mau gosto com os brasileiros vítimas das trapalhadas de seu governo. Eis o que disse o vice na chapa de Dilma, que pede mais quatro anos do eleitor para preservar tanto crescimento econômico:

“Quando eu vejo esse entusiasmo, mais do que esse entusiasmo, essa unidade absoluta que existe entre os frentistas e entre os diversos sindicalistas do país”, disse o vice-presidente durante discurso no sindicato, antes de completar: “Quando eu vejo esse entusiasmo, eu digo: nem que a gente quisesse a gente não tem condições de perder a eleição. Nós vamos ganhar.”

Entre as razões para a reeleição, segundo Temer, está o crescimento do país. “O Brasil está crescendo fantasticamente”, afirmou o candidato à reeleição, que citou o setor de shoppings centers. Enquanto os principais analistas do mercado revisam sempre para baixo suas estimativas que apontam para um crescimento de apenas 0,3% este ano, Temer garante que tudo está fantástico!

No texto que publiquei anteriormente, reclamava da falta de humor refinado no Brasil, e citei como motivo de inveja o mordomo Jeeves, personagem de Woodhouse. Se os britânicos têm Jeeves, nós temos Temer, o vice-presidente com cara de mordomo de filme de assassinato, mas que assassinou, além de nosso crescimento, seu próprio senso de ridículo.

Em homenagem ao vice-presidente e ao ministro Guido Mantega, segue uma música do meu tempo de moleque, bem adequada à dupla:

Super fantástico amigo
Que bom estar contigo
No nosso balão!

Vamos voar novamente
Cantar alegremente
Mais uma canção

Tantas crianças já sabem
Que todas elas cabem
No nosso balão

Até quem tem mais idade
Mas tem felicidade
No seu coração

Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!
Super fantástico!
No Balão Mágico
O mundo fica bem mais divertido!

Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!

Superfantasticamente!
As músicas são asas da imaginação
É como a flor e a semente
Cantar que faz a gente
Viver a emoção

Vamos fazer a cidade
Virar felicidade
Com nossa canção
Vamos fazer essa gente
Voar alegremente
No nosso balão

Sou feliz, por isso estou aqui
Também quero viajar nesse balão!
Super fantástico!
No Balão Mágico!
O mundo fica bem mais divertido!

Super fantástico!
No Balão Mágico!
O mundo fica bem mais divertido!

Pois é, nesse balão mágico do governo, onde a imaginação vale mais do que a realidade, sempre cabe mais uma criança e tudo é muito divertido, fantástico. Já aqui no mundo real, dos adultos, as coisas não estão tão engraçadas assim, com a economia estagnada, a inflação elevada e o risco de desemprego crescente. Mas Temer garante que não tem como o PT perder a parada, nem que quisesse. Então tá…

Rodrigo Constantino

17/09/2014

às 14:10 \ Humor, Politicamente Correto

“Politicamente correto matou liberdade criativa”, diz Washington Olivetto

Washington Olivetto. Fonte: Folha

“Almas sensíveis” e vulgares chegaram ao poder e destilam toda a sua falta de senso de humor e seu autoritarismo sob o manto do politicamente correto que defende as “minorias”. A patrulha dessa turma é enorme, e asfixia nossas liberdades.

São pessoas que se julgam no direito inalienável de não se sentir ofendidas jamais, mesmo que isso represente uma censura aos demais. Venho alertando para isso há anos, e cheguei a brincar com Marcelo Tas, certa vez, que temia pelo futuro de sua profissão de humorista.

Dessa vez foi o respeitado publicitário Washington Olivetto quem endossou tal crítica, afirmando que o politicamente correto matou a liberdade criativa. Com amigos em comum, já tive a oportunidade de testemunhar a sagacidade e as tiradas ácidas do publicitário pessoalmente.

Pode se exceder eventualmente, se estimulado, mas faz parte do ofício: sua mente trabalha em alta velocidade o tempo todo e a metralhadora giratória pode ferir alguns alvos no processo. Melhor isso do que uma mordaça que nos privaria de sua inteligência. Diz ele:

Você tem de um lado o cara politicamente correto, que é cerceador e bem educadinho. E do outro o incorreto, que é mal educado e pseudo-divertido. Temos que buscar o que é politicamente saudável, que respeita a inteligência, mas com irreverência e bom humor. Há coisas que não são ofensivas, mas fazem pensar. 

Para Olivetto, o humor brasileiro vive “uma crise de vulgaridade”. “É um humor que tenta gargalhar, mas não sabe fazer sorrir”. Penso logo no Porta dos Fundos, de Porchat e Duvivier. Escrachado, para arrancar gargalhadas vulgares, mas pouco refinamento, pouca inteligência de fato, que fale ao intelecto, como defendia o filósofo Henry Bergson em seu livro sobre o riso e a comicidade.

Talvez seja pedir demais termos um P.G. Wodhouse por aqui, com seu insuperável mordomo Jeeves. O humor britânico é mais sofisticado do que o nosso. Mas poderíamos ao menos lutar para preservar a inteligência no humor. E para tanto se faz necessário enfrentar os dois grandes obstáculos: a ditadura “velada” do politicamente correto e a vulgaridade. Será possível salvar o humor no Brasil?

Rodrigo Constantino

17/09/2014

às 10:37 \ Corrupção, Democracia, Liberdade de Imprensa

Autoritarismo coronelista na terra dos Gomes: imprensa censurada!

Cid Gomes, o mentiroso autoritário e burro, com “Paulinho”, que ele “não conhece”. Fonte: GLOBO

A juíza Maria Marleide Maciel Queiroz, de Fortaleza, determinou no fim de semana que a edição desta semana da Revista Istoé seja impedida de circular em todo o país ou, caso já tenha sido distribuída, que seja imediatamente recolhida das bancas de jornais. Segundo informações do site “Consultor Jurídico”, a magistrada tomou a decisão após o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), ir à Justiça relatando ter recebido e-mail da reportagem da revista citando o seu nome como um dos delatados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

O processo corre em segredo de Justiça. Segundo o “Consultor Jurídico”, caso desobedeça a ordem, a revista pagará multa de R$ 5 milhões.

“Entendo que a veiculação de seu nome com os fatos ligados à operação Lava Jato poderá lhe causar (ao governador) dano irreparável ou de difícil reparação, vez que exerce um cargo público da mais alta relevância, governador do estado do Ceará”, escreveu a magistrada, na liminar concedida.

Na ação, Cid Gomes acusa a publicação de “calúnia, difamação e dano moral”. Ele ainda diz que são falsas as informações prestadas por Paulo Roberto Costa à Polícia Federal (PF), e acrescenta que a investigação sobre a estatal ainda está em curso.

Trata-se de uma censura explícita, nos moldes do que a família Sarney fez no Maranhão. Como podemos ver, o nordeste ainda sofre do velho coronelismo. O Brasil inteiro tem acesso aos nomes citados por Paulo Roberto Costa em sua delação premiada, e é direito do eleitor saber quem o poderoso ex-diretor da Petrobras apontou como participante do esquema.

Se ficará ou não provada tal participação, isso é outra coisa. Mas a liberdade de expressão preserva – ou deveria preservar – o direito de expor a lista dos nomes citados. Os cearenses estão impedidos de tal liberdade, pois Cid Gomes apelou à censura togada.

Como disse Ricardo Noblat, Cid Gomes tem vocação a ditador. Mas não só isso: seu ato autoritário saiu pela culatra. Faltou inteligência também, como diz o jornalista: “Cid Gomes, governador do Ceará, tem vocação de burro. Sua ofensiva contra a ISTOÉ é responsável pela corrida atrás de exemplares da revista. Esgotou-se, no Ceará, a edição da ISTOÉ. Em breve quando outra instância da Justiça revogar a decisão da juíza, a venda da revista se esgotará outra vez”.

Para piorar, Cid Gomes apelou para uma mentira ridícula ao afirmar que nem conhecia Paulo Roberto Costa. Como novamente mostra Ricardo Noblat, Cid Gomes e “Paulinho” posaram até para fotos juntos na cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Refinaria Premium II, no Ceará, que nunca saiu do papel.

É realmente um espanto como esses projetos de tiranete continuam mandando tanto pelo nordeste. Cid Gomes é irmão de Ciro Gomes, aquele que cospe no PT, acusa o PMDB de “quadrilha”, e faz campanha para a chapa de Dilma (PT) e Michel Temer (PMDB). O Brasil precisa se livrar dessas pragas políticas…

Rodrigo Constantino

17/09/2014

às 10:14 \ Humor

Pessimildo para ministro da Fazenda!

Pessimildo, o realista que Pangloss ironiza

O PT é mesmo incrível: criou em seu programa de TV o boneco “Pessimildo”, para retratar com sarcasmo aqueles “pessimistas” que acham que o Brasil vai acabar e que está tudo horrível. Curiosamente, é o mesmo partido que faz uma campanha mostrando a comida desaparecendo dos pratos porque o Banco Central será autônomo no eventual governo de Marina Silva, como foi no primeiro mandato de Lula, com Henrique Meirelles. Que piada!

Vamos imaginar um embate entre o tal Pessimildo e Margarina, nosso ilustre ministro da Fazenda:

Margarina: A economia esse ano crescerá 4,5%…

Pessimildo: Não diga besteira! Se chegar ao final do ano em patamar positivo, com algum crescimento, por menor que seja, já pode celebrar!

Margarina: Você é muito pessimista…

Pessimildo: É? Então aguardemos.

Margarina: Há que se levar em conta a crise internacional…

Pessimildo: O Brasil é o patinho feito do mundo emergente. Não cresce, enquanto os outros crescem, e tem inflação bem maior do que a média. Que crise mundial é essa?

Margarina: Mas o nível de emprego continua firme…

Pessimildo: Quanto disso é Bolsa Família tirando gente do mercado formal? No mais, não custa lembrar que o emprego é o último a sentir, pois nossa economia é engessada e custa muito caro demitir, contratar e treinar. Os empresários adiam o máximo possível tal decisão. Mas já começou. Basta ver a indústria…

Margarina: Por falar na indústria, vamos criar um novo pacote de ajuda, e tudo ficará bem…

Pessimildo: Quantos comprimidos de Prozac você tomou hoje, ministro? Parece o Pangloss de Voltaire…

Margarina: O mundo é lindo!

Pessimildo: Vá dizer isso para aqueles cujos empregos correm sérios perigos, que enfrentam horas de engarrafamento todo dia, vivem sob total insegurança, encaram os hospitais públicos…

Margarina: A turma do PT só usa o Sírio Libanez, e não há engarrafamento nos céus para os jatinhos…

Pessimildo: Desce do mundo da Lua, ministro!

Margarina: Será que a economia lunática crescerá mais do que a nossa?

Pessimildo: Você já não está falando coisa com coisa, ministro. A Argentina seguiu os mesmos passos que o governo Dilma e deu no que deu. Como você pretende evitar tal destino trágico?

Margarina: A Argentina tem bons tangos. Por que se preocupar com detalhes bobos, como uma inflação alta?

Pessimildo: O PT vai destruir nosso país! Já aparelhou toda a maquina estatal, plantou seus militantes em tudo que é cargo público, os escândalos de corrupção só fazem aumentar…

Margarina: Nunca se investigou tanto como hoje!

Pessimildo: Não seja cínico, ministro! Quem investiga é a imprensa e o Ministério Público. O governo tenta é abafar, proteger os corruptos! Dilma e Lula agora dizem que mal conhecem o Paulo Roberto Costa, para eles o “Paulinho”.

Margarina: Não havia afinidade entre Dilma e Paulinho, e a Petrobras é muito grande para controlar. Mas veja: o pré-sal vem aí…

Pessimildo: Ministro, a Petrobras é hoje uma das empresas mais endividadas do mundo! E a produção de petróleo está praticamente estagnada. Ela perdeu quase metade do valor em bolsa, e só se recuperou um pouco porque há chance de vocês perderem as eleições.

Margarina: O petróleo é nosso!

Pessimildo: Sim, é de vocês, mas não do povo brasileiro!

Margarina: Mas nós somos o povo brasileiro! Agora dá licença, que preciso pegar o jatinho e passar em São Paulo para visitar os companheiros petistas que estão em tratamento no Sírio Libanez, antes de visitar nossos heróis na Papuda…

Rodrigo Constantino

17/09/2014

às 9:33 \ Cultura, Democracia, Guerras

“Israel é multiétnico e multicultural”, diz embaixador de origem islâmica

Em entrevista ao GLOBO, o novo embaixador de Israel no Brasil, Reda Mansour, que foi o primeiro diplomata não judeu no país, atesta: lá há várias etnias convivendo pacificamente em ambiente democrático. Nada novo para quem conhece minimamente os fatos, mas talvez um choque para quem apenas repete os chavões que escuta da esquerda radical e antissemita. Diz ele:

Conte algo que não sei.

Como o Brasil, Israel tem uma população multiétnica e multicultural. Quase 1,5 milhão de árabes são cidadãos. Há drusos, cristãos, africanos. Temos imigrantes de 70 países do mundo.

Quantos diplomatas não judeus há hoje em Israel?

Atualmente, 15. A ideia hoje é ter mais minorias. Há uma embaixadora de origem etíope. Israel tem 200 mil imigrantes vindos da Etiópia.

Como foi crescer numa comunidade árabe em Israel?

Foi complicado. Fora da fronteira, os drusos são inimigos de Israel. Se há homens-bomba, andar na rua tendo rosto e nome árabes é um perigo. A gente pode ser vítima de um terrorista palestino ou das forças de segurança.

Como vivem os drusos?

Vivem em Israel, Líbano e Síria. Em mil anos, sempre foram perseguidos. Em Israel, são120 mil. O grupo é bem ativo em política e no Exército. No Parlamento anterior, havia seis membros. No Exército, são a única minoria que tem serviço militar obrigatório de três anos, como os judeus. As demais minorias árabes podem servir voluntariamente.

Qual a sua missão, num momento de certa tensão das relações entre Brasil e Israel?

Fazer com que mais gente conheça a outra cara de Israel, onde temos de 60 mil a 70 mil pessoas de origem brasileira e, aqui, cerca de 200 mil judeus.

Despolitizar as relações?

De certa forma. Mas também esclarecer algumas coisas. Sinto que no Brasil as pessoas não sabem que a sociedade israelense não é contra o povo palestino. Já negociamos paz, buscamos formas de criar um Estado. O maior problema é que há grupos que defendem seus interesses usando o povo palestino, que é, sobretudo, vítima de grupos radicais e líderes extremistas de fora cuja política declarada é a destruição do Estado de Israel.

Como avalia a ascensão do Estado Islâmico?

Podem mudar o mapa do Oriente Médio. Para eles, não há fronteiras. Querem criar um califado com 22 países e recriar o império islâmico, retomar Espanha, Portugal e Sul da França e converter o mundo todo. É um fenômeno muito perigoso e cruel, genocida. São muito piores que a al-Qaeda.

Agora pergunto: será que há judeus em ascensão profissional, participando do governo ou vivendo pacificamente no lado palestino? Acho que isso diz muito sobre cada lado, não é mesmo? Até quando a esquerda vai alimentar esse ódio ao único país genuinamente democrático e avançado na região? Até quando vão tomar o partido dos que querem destruir esse país?

Rodrigo Constantino

17/09/2014

às 8:55 \ Democracia, Economia, Política

Cai mais um mito fundamental do PT: a desigualdade aumentou nos últimos anos!

Os milionários estão rindo à toa com Dilma e Lula, inclusive o próprio Lula

Não gosto do foco obsessivo de muitos na questão da desigualdade, e por motivo bem simples: o que importa é o nível absoluto de miséria, a qualidade de vida dos mais pobres, não a relação entre eles e os mais ricos. Afinal, ao contrário do que pregam os marxistas, economia não é jogo de soma zero, onde João é rico porque Pedro é pobre. João e Pedro podem melhorar de vida juntos, o que normalmente acontece sob o capitalismo de livre mercado.

Dito isso, a desigualdade parece ser a prioridade para a esquerda, especialmente para o PT. Incapaz de criar um ambiente propício ao crescimento econômico, tendo produzido apenas um quadro de estagflação, o governo Dilma apelou para a bandeira da redução da desigualdade, citada com ênfase ontem mesmo, no debate da CNBB. Mas é mentira!

Como mostrou a excelente reportagem de Ana Clara Costa na Veja nesta terça, o que aumentou nos últimos anos foi a concentração de renda! É mais um mito – um fundamental mito para a campanha petista – que vem abaixo. Eis o que mostra a estatística do Ipea, que ninguém dirá trabalhar contra os interesses do governo, tanto que esconde o resultado:

Está engavetado no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) um estudo inédito que mostra uma realidade bem diferente da que vem sendo pregada pelo PT na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O documento, ao qual o site de VEJA teve acesso, mostra que a concentração de renda aumentou no Brasil entre 2006 e 2012. Dados do Imposto de Renda dos brasileiros coletados por pesquisadores do Instituto mostram que os 5% mais ricos do país detinham, em 2012, 44% da renda. Em 2006, esse porcentual era de 40%. Os brasileiros que fazem parte da seleta parcela do 1% mais rico também viram sua fatia aumentar: passou de 22,5% da renda em 2006 para 25% em 2012. O mesmo ocorreu para o porcentual de 0,1% da população mais rica, que se apropriava de 9% da renda total do país em 2006 e, em 2012, de 11%. Os dados referentes a 2012 correspondem aos mais recentes apurados pela Receita Federal.

[...] A principal conclusão do estudo é que a concentração de renda entre a parcela mais endinheirada, segundo os dados tributários, é muito superior àquela verificada nos dados revelados pelos brasileiros ao recenseadores do IBGE, sem que haja qualquer tendência de queda. Entre 2006 e 2008, por exemplo, ano em que as políticas de transferência do governo eram alardeadas por Lula, houve o maior aumento de concentração de renda na fatia de 1% mais ricos. O mesmo salto ocorreu entre 2010 e 2011.

[...] Os dados do Ipea são significativos porque contrastam com a retórica de antagonismo à elite e aos bancos exibida pelo PT durante a propaganda eleitoral. Num Brasil onde os ricos ficaram mais ricos, o discurso do partido mostra-se artificial. Há cerca de duas semanas, ao ver sua candidatura ameaçada pela ex-senadora Marina Silva (PSB), que havia disparado nas pesquisas de intenção de voto, a presidente Dilma Rousseff vem lançando mão de ataques à rival. Sua estratégia preferida tem sido dizer que, se Marina ganhar, dará independência ao Banco Central — o que, na cartilha petista, significa entregar o país a banqueiros que, segundo imagens exibidas na TV, tirarão não só os empregos dos brasileiros, como também a comida de suas mesas.

Ao tratar os tais 1% dos mais ricos como um grupo estanque, esses economistas seguidores de Thomas Piketty cometem um grave erro. Pode haver mobilidade nas camadas dos mais ricos, nomes tradicionais podem sair com o tempo, e raramente lembramos de famílias abastadas que permanecem nessa situação por várias gerações.

Quanto mais liberdade econômica, mais verdade há na máxima “avô rico, filho nobre e neto pobre”. Não é fácil manter a herança em um mundo competitivo. Sem investir na competitividade, novos concorrentes logo desbancam impérios estabelecidos. Mas é bem mais fácil mantê-la ou expandi-la em um ambiente de capitalismo de estado ou de laços, análogo ao feudalismo.

Em simbiose com o estado, esses grandes grupos conseguem erguer barreiras que dificultam a competição e garantem seus privilégios. É exatamente o que o PT vem fazendo. Subsídios do BNDES, barreiras protecionistas, isenções pontuais, seleção de “campeões nacionais”, tudo isso leva ao aumento da concentração de renda, e da pior forma possível, pois não há meritocracia. É a “amizade com o rei” que vale mais. Por que outro motivo o grupo JBS doaria mais de R$ 100 milhões para as campanhas?

O BNDES talvez seja o maior instrumento de concentração de renda do Brasil, e ele aumentou muito de escopo durante a gestão do PT, chegando a desembolsos anuais na casa dos R$ 200 bilhões. Aécio Neves já declarou: se vencer, acaba o “Bolsa Empresário”. É esse o caminho se quisermos retirar os entraves para o livre funcionamento da economia, para que possa prevalecer a meritocracia, a justa remuneração pela eficiência.

O PT de Dilma não foi capaz de produzir mais riqueza, apenas muita corrupção, mais inflação e, agora sabemos, mais concentração de riqueza também. Não resta mais bandeira alguma ao partido. Apenas as mentiras…

Rodrigo Constantino

16/09/2014

às 11:18 \ Cultura, Politicamente Correto

As minorias raivosas – artigo do GLOBO

Quem parece mais a KKK hoje são os movimentos das “minorias”, intolerantes e autoritários

Aquilo que começou como uma demanda legítima, a luta por direitos iguais para determinadas minorias, tornou-se um movimento organizado e intolerante que busca privilégios, rejeita a igualdade perante as leis e asfixia as liberdades individuais, ao ignorar a menor minoria de todas: o indivíduo.

O pêndulo exagerou para o outro lado, e hoje corremos o risco de viver sob uma ditadura do politicamente correto, em que a narrativa de vitimização coletivista impede qualquer debate racional. Gente rancorosa, sem senso de humor, sem capacidade de tolerar as divergências, tem tomado conta dessas bandeiras “progressistas” e, em nome das minorias, ataca com virulência todos aqueles que não rezam pela mesma cartilha.

Dois casos recentes demonstram como as coisas saíram do controle. No primeiro, uma torcedora do Grêmio se exalta em um estádio de futebol e xinga o goleiro de “macaco”, ato execrável que merece repúdio. Mas a reação é desproporcional. Os “fascistas do bem” assumem a face de herdeiros da abjeta Ku Klux Klan com o sinal invertido, e querem apedrejar sua casa, estuprá-la, queimá-la viva.

Uma turba ensandecida passa a aplaudir os “justiceiros”, como se não bastasse a punição legal. Querem sangue. Querem linchamento público. E todo esse ódio, claro, em nome de seu combate ao preconceito e à intolerância. São almas bondosas, dispostas a sacrificar alguns para purificar o mundo de todos os pecados.

Leia mais aqui.

Rodrigo Constantino

16/09/2014

às 11:08 \ Protecionismo

Putin admite que Rússia faz produtos ruins e caros e expõe lógica do protecionismo

Vamos ferrar com esses consumidores otários e garantir nossos privilégios e mamatas!

Um leitor chama a minha atenção para o ato falho de Putin, que teria confessado, implicitamente, que seu país só fabrica produtos ruins e caros. É o que podemos pescar desse trecho nessa reportagem: “O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a associação entre a Ucrânia e a UE prejudicará a economia russa, pois o mercado do país vizinho receberia produtos europeus baratos e de boa qualidade“.

Ou seja, abrir os mercados da Ucrânia seria ruim para seu país, pois os ucranianos poderiam, ó céus!, comprar produtos melhores e mais baratos dos demais países europeus. Onde já se viu isso?! É um absurdo permitir que um povo tenha acesso a produtos melhores e mais baratos. E como ficam os produtores ineficientes da Rússia?

Sem querer, Putin deixa transparecer toda a lógica do protecionismo comercial: punir o povo consumidor para proteger alguns produtores ineficientes, mas organizados e poderosos politicamente. É assim no mundo todo. Barreiras comerciais servem apenas para beneficiar os “amigos do rei”, punindo milhões de consumidores, que estariam em situação bem melhor se pudessem escolher de quem comprar.

O livre comércio defende as vantagens comparativas e as liberdades individuais, “empoderando” cada consumidor e respeitando a meritocracia, estimulando a busca pela excelência das empresas. O protecionismo defende poucos produtores e políticos poderosos, tratando o povo consumidor como súdito que merece pagar preço de ouro por lixo.

Rodrigo Constantino

 

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