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19/04/2014

às 11:55 \ Corrupção, Cultura

Dia do Índio: cidadania, não apito!

Hoje é Dia do Índio, criado por Getúlio Vargas. Dia para que toda elite branca culpada se penitencie por suas conquistas materiais e, com isso, torne-se presa fácil para os oportunistas de plantão, que falam em nome das “minorias”, mas agem em benefício próprio.

Não, eu não estou aqui negando que os índios sofreram no passado. Longe de mim! Estou apenas constatando que toda a história maniqueísta e revisionista, que trata o homem branco ocidental como “malvado” e os índios como vítimas puras e indefesas, não passa de balela, uma mentira que serve aos interesses de muita gente.

Mas a maldita ideia de “bom selvagem”, divulgada por Rousseau, sobrevive, e ainda conquista muitas almas. “Ah, como os índios viviam em paz com a natureza e sem a corrupção capitalista!” Nada disso. Viviam como selvagens, bárbaros, que destruíam a natureza por ignorância científica, ateando fogo na mata toda, e se matavam entre si, sem falar de práticas nefastas como o infanticídio, existentes até hoje em algumas tribos remanescentes.

Sad, but true, como diria o Metallica. Mas a questão indígena cai como uma luva na narrativa dos esquerdistas que lideram a “marcha dos oprimidos”. Tudo para condenar o capitalismo, o homem branco ocidental malvado, explorador, cruel, insensível. E, claro, demandar reparações, muitas reparações, intermediadas pela corrupta Funai, porque ninguém é de ferro.

Em sua coluna de hoje na Folha, Kátia Abreu fala do Dia do Índio, defendendo que o povo indígena merece cidadania, não apito. Devemos olhar para frente, não para trás. Há algo de cruel e arrogante no tratamento que a elite culpada dá aos índios, vistos como mentecaptos, inimputáveis, seres inferiores que merecem sua nobre proteção, algo como bichos num zoológico humano.

Não! Índios são brasileiros, a maioria totalmente adaptada ao ambiente cultural, e devemos lutar por um Brasil sob o império das leis, ou seja, que trate cada um da mesma forma, como cidadão. Criar duas nações segregadas dentro do mesmo país, a nação indígena e a nação dos brasileiros, é absurdo. Diz a senadora:

Basta escutar a demanda dos indígenas de nosso país e observar suas precárias moradias para ter ciência de que não querem, nem pretendem, voltar a uma era pré-Cabral. Querem ser brasileiros indígenas, índios cidadãos, e não constituir isoladamente uma nação dentro da nação brasileira, que é de todos nós.

De outro lado, a Funai deveria parar de incitar o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) a travar uma luta contra o agronegócio, o lucro, a economia de mercado e os produtores rurais, como se esses fossem os verdadeiros responsáveis pelos atuais conflitos agrários envolvendo demandas indígenas.

Não é mais possível que índios sejam os instrumentos de tais políticas, sendo eles, da mesma maneira que os empreendedores rurais, vítimas de uma situação que os ultrapassa.

Concordo. Não há como discordar! Os índios, como abstração, viraram apenas instrumento de uso ideológico ou monetário para alguns, e os índios de carne e osso sofrem as conseqüências, vivendo em favelas rurais, abandonados, tratados como cidadãos de segunda classe. Os líderes enriquecem, os corruptos do governo também, e a maioria vive na miséria.

Kátia Abreu conclui: “A injustiça não pode ser acobertada ideologicamente pelos que visam a destruir a economia de mercado e o Estado democrático de Direito, transformando indígenas em meros instrumentos de seus projetos políticos”. Eis uma homenagem realmente louvável aos índios no dia de hoje, bem melhor do que vestir o filho com um cocar e achar que, assim, os “brancos malvados” redimiram seus pecados de séculos atrás.

Rodrigo Constantino

18/04/2014

às 14:22 \ Empreendedorismo

Homenagem a Henry Maksoud

Ontem morreu um grande homem, um empresário criador de riqueza e empregos, um defensor incansável do liberalismo. Não era amigo de ditador comunista, tampouco elogiava regimes totalitários nefastos como o cubano. Falo, claro, de Henry Maksoud. Divulguei aqui a primeira parte da entrevista que participei com ele há alguns anos, e me cobraram a continuação, em que Maksoud conta a história prometida no primeiro painel. Lá vai:

Descanse em paz, Maksoud! O Brasil seria outro, muito melhor, se tivesse mais uns 30 grandes empresários com sua visão de mundo…

Rodrigo Constantino

18/04/2014

às 13:44 \ Corrupção, Política, Privatização

É a ideologia, estúpido! Ou: O Petróleo é nosso, mas a Petrobras é deles

Requião e Dilma: um brinde à ideologia!

Todos já estão cansados de escutar a famosa afirmação de um assessor de Bill Clinton: “É a economia, estúpido!” Ele queria dizer, com isso, que as eleições e, portanto, os rumos de uma nação são definidos pela situação econômica. Não vou negar que o bolso influencia, e muito, mas não determina. O ambiente de crenças e valores é tão ou mais importante. A longo prazo, sem dúvida muito mais importante.

O que poderia nos levar a substituir a afirmação por esta: “É a ideologia, estúpido!” Quando boa parte do povo abraça uma ideologia – um conjunto de crenças – equivocada, não há como fazer milagre e colocar o país na trajetória da prosperidade sustentável. Quando o capital é crucificado, o lucro visto como pecado, o empresário como explorador, e o estado como messias salvador da Pátria, sai de baixo!

Em sua coluna de hoje na Folha, Reinaldo Azevedo vai por essa linha ao afirmar:

Na quarta, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou relatório de Roberto Requião (PMDB-PR) proibindo a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. Segundo o senador, aceitá-la corresponderia a acatar a “legitimidade da influência do poder econômico no processo eleitoral e, por consequência, no resultado das eleições”. Com muito mais fru-fru, glacê e gongorismo igualitarista, é o que pensa o ministro Roberto Barroso, do STF.

[...]

A trilha persistente do atraso remete mesmo a uma palavrinha fora de moda, cujo sentido tanto a direita como a esquerda tentaram e têm tentado esvaziar: ideologia. Não há nada de errado com o clima. Não há nada de errado com o povo. Não há nada de errado com a história – todas as nações têm a sua, e o passado, visto à luz das conquistas morais do presente, nunca é meritório. Catastróficos por aqui são os valores que explicam a realidade e que, em larga medida, buscam substituí-la.

O que é aquilo na fala de Requião? Ele jamais vai entender que sonhos de justiça corromperam e mataram mais do que o capital. Talvez tenham salvado mais também. Não são termos permutáveis. Pensem na casa da mãe Dilmona em que se transformou a Petrobras.

Ideias têm conseqüência. Requião, por exemplo, endossa as mais atrasadas que existem, um nacionalismo tacanho que mais parece xenofobia a tudo que vem de fora, e que serve como desculpa para privilegiar alguns poucos amigos do rei à custa do povo brasileiro. A “Lei da Informática” foi filhote dessa crença absurda. “O petróleo é nosso” é outro slogan parido dessa mesma ideologia.

Resultado: por questões ideológicas, governantes corruptos contam com a maior empresa estatal disponível para todo tipo de esquema de desvio de recursos. Vamos proibir o financiamento de empresas a campanhas, mas vamos preservar as estatais que servem como cabide de emprego para os companheiros e caixa dois para propagandas partidárias e enriquecimento ilícito! Reinaldo Azevedo resume da forma mais objetiva possível:

Parece evidente que Paulo Roberto Costa, o ex-diretor que está em cana, usava, sim, a empresa em proveito próprio, mas fazia também a corretagem a serviço de partidos. Só um idiota ou um rematado canalha (ou ambos num só) não reconhecem que, se a Petrobras fosse uma empresa privada, pagaria menos pelos serviços que contrata porque não seria preciso pagar o “Imposto Corrupção”.

Venham cá: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Para que suas teses sobre refino de petróleo ou hidrologia triunfem sobre as de seus rivais? Trata-se de uma luta de cavalheiros? Disputam as estatais para alimentar a República dos Ladrões. É cru, eu sei, mas é assim. E Requião, Barroso e outros sábios decidiram que a doação legal de campanha é que faz mal à democracia brasileira.

A quem tem interessado essa ideologia nacionalista e estatizante? Com certeza não ao povo brasileiro, que tem observado passivamente o desmonte da maior empresa do país, mergulhada em escândalos de corrupção, enquanto continua tendo de importar petróleo e derivados em quantidade cada vez maior. Azevedo conclui: “Afinal, o Petróleo é nosso, mas a Petrobras é deles”. É a ideologia, estúpido! A solução? Privatize Já!

Rodrigo Constantino

18/04/2014

às 12:29 \ Política

O projeto do PT é não ter projeto nenhum

Em sua coluna na Veja desta semana, J.R. Guzzo fez um ótimo resumo do “projeto” do PT: não ter projeto nenhum, à exceção de não largar o osso. São como ratos magros que descobriram um enorme depósito de queijo, e agora que se esbaldaram e engordaram, não abrem mão por nada desse mundo de seu privilégio. Segue um trecho:

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É contra isso que todos os brasileiros decentes estão lutando: um bando que se agarrou às tetas estatais e suga nossos recursos com cada vez mais vontade. São muitas boquinhas para alimentar, e o rato tem muita fome. Projeto de país? Esquece! Enquanto for possível preservar as tetas para si, o bando fará “o diabo” para continuar no poder. E ainda tem gente que acha que o PMDB é o maior ícone dessa voracidade fisiológica…

Rodrigo Constantino

18/04/2014

às 12:09 \ Economia, Filosofia política

Quando a rede de proteção básica vira um substituto ao trabalho…

Liberais podem tolerar ou até defender uma rede de proteção básica estatal, cientes de que alguns ficam muito para trás em um ambiente competitivo de livre mercado. A ressalva que fazem é que tal rede precisa ser realmente básica, sempre temporária, e de preferência descentralizada.

Ou seja, os governos locais manteriam programas de auxílio-desemprego por algum tempo até que os perdedores possam se readaptar às condições de mercado, buscar novas qualificações e voltar a se sustentar por conta própria. Esse seria um modelo que, sem dúvida, muitos liberais estariam de acordo.

Claro que o estado de bem-estar social não tem mais nada a ver com esse ideal. O welfare state se transformou naquilo que Bastiat já temia no século 19: o estado passou a ser a grande ficção pela qual todos querem viver à custa de todos. Muitos passaram a crer que tinham “direitos” aos montes, e deveres de menos. Acreditaram que recursos nascem em árvores, brotam do solo ou caem do céu. Todo mundo tem direito a uma “vida digna”, e o outro que pague a minha conta…

Era óbvio que não daria certo, que os gastos públicos aumentariam sem controle, que o fardo para os que realmente trabalham e produzem ficaria insuportável, que o mecanismo de incentivos seria totalmente inadequado. Agora é preciso reformar esse estado de bem-estar social no mundo todo, com medidas liberais, para resgatar aquela ideia de rede de proteção básica e temporária.

Quem sair na frente nessa mudança impopular, porém necessária, irá despontar, com ganhos de produtividade incríveis. No que depender da consciência do problema e da vontade política (nunca suficiente), a Inglaterra parece bem na foto. Sendo um dos que mais avançaram nesse welfare state equivocado, o país tem um governo que, ao menos no discurso, deseja alterar o quadro. Foi o que disse o ministro das Finanças britânico, George Osborne, em entrevista nas páginas amarelas da Veja esta semana:

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O melhor programa social que existe é trabalho! Isso, nenhum esquerdista será capaz de negar, a menos que reconheça publicamente que defende o “direito” a uma vida parasitária, acomodada, em que vagabundos podem obrigar os demais a labutar em seu benefício. Alguém disposto a endossar tal ideologia abertamente?

Portanto, o que se deve buscar é um modelo que incentive não o parasita, mas aquele que deseja regressar ao mercado de trabalho o mais rápido possível. Sim, o governo pode ajudá-lo no processo, justamente com uma rede de proteção básica, até que ele consiga se reerguer.

Por isso mesmo deve cobrar, como contrapartida, o esforço na qualificação e um prazo de validade para tal ajuda. Caso contrário, trata-se apenas de mamata, de privilégio indevido, de punir os trabalhadores para sustentar os parasitas. É nisso que o welfare state se transformou. Passou da hora de mudar esse modelo perverso e ineficiente.

Rodrigo Constantino

18/04/2014

às 11:50 \ Economia

Os ingleses têm Osborne, mas nós temos o Mantega!

Dificilmente um ministro das Finanças, o homem da mala, que precisa dizer “não” a todos os políticos ansiosos por mais gastos, será muito popular se for eficiente. Seu papel é mesmo ingrato. Em entrevista a Veja desta semana, o ministro das Finanças britânico, George Osborne, do Partido Conservador e segundo homem mais importante do governo, reconhece que não se pode olhar para a popularidade quando é preciso cortar gastos. Segue um trecho da entrevista:

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Absolutamente correto! Mas exige coragem passar a tesoura e assumir a fama de impopular. Agora, se é verdade que o bom ministro das Finanças será um tanto impopular, o contrário nem sempre é verdadeiro. Ou seja, ministros bastante impopulares não necessariamente serão bons. É o caso de nosso ilustre Guido Mantega, impopular (acima de tudo perante os investidores), mas medíocre em sua gestão, para dizer o mínimo.

Mantega é popular apenas entre os governantes que adoram um cofre aberto. Durante algum tempo foi possível gerar resultados satisfatórios, ainda que insustentáveis. Mas a conta chegou, a economia não cresce, e a inflação permanece muito elevada. Mantega, atuando mais como marionete da presidente Dilma do que como responsável pela chave do cofre, não levou em conta o “bem-estar dos cidadãos”, preferindo se deixar seduzir pelos afagos do poder.

Se Osborne não quer que digam que não teve coragem de tomar as medidas certas por serem impopulares, Mantega sem dúvida não poderá desejar o mesmo, pois sabe, no fundo, que toma as medidas erradas, ainda que nem assim consiga ser popular, pois o modelo já se esgotou. O pior dos mundos para um ministro das Finanças: populista, mas impopular.

Rodrigo Constantino

18/04/2014

às 10:34 \ Educação

“Educadores” em Santa Catarina condenam a meritocracia!

O leitor se lembra do “Diário de Classe”, daquela menina de 13 anos, Isadora Faber, que começou a apontar problemas nas escolas brasileiras e ficou famosa? Pois então, hoje ela possui mais de 600 mil seguidores no Facebook, e eis a última denúncia que fez:

Representantes da ONG foram a uma reunião ontem com a Secretaria da Educação de Florianópolis para apresentar um projeto que visa premiar os melhores alunos do ensino público com notebooks, tablets, smartphones, bicicletas, videogames, além de troféus e camisetas. No final do ano, uma grande festa para prestigiar os finalistas e entrega dos prêmios, tipo um ¨Oscar da Educação¨. Tudo isso sem nenhum custo para prefeitura, tudo com apoio de empresários. Esse projeto iniciou no interior da Bahia e vem se espalhando pelo Brasil, inclusive teve sua 1° edição em Gramado-RS em 2013. Estavam presentes na reunião o Secretário da Educação em Florianópolis, Sr. Rodolfo Pinto da Luz e a Diretora do Ensino Fundamental Claudia Cristina Zanela. Nos disseram que não poderiam apoiar o projeto por que iria ¨desestimular os alunos ruins a estudarem, pois não teriam chance.¨ Também foi dito que os alunos bons não precisam disso e não podem estimular a concorrência, que são totalmente contra a meritocracia. Ainda nos foi informado que, de maneira nenhuma o Sindicato iria apoiar um projeto desses que estimula e premia a concorrência entre os melhores. ???????????? Ficamos totalmente abismados, pois não sabíamos da posição TOTALMENTE CONTRA A MERITOCRACIA da Secretaria da Educação de Florianópolis e do medo do SINDICATO. Saber que o alto escalão da educação de Florianópolis se acovarda frente ao sindicato é muito triste, mas responde a várias questões que estavam em aberto. Um sindicato que é ¨contra os Programas do Governo Federal que implantam a meritocracia por cima das carreiras e que promovem a privatização dos serviços públicos, através do incentivo a parcerias com ONGs, voluntários, amigos da escola e empresas privadas¨ como está no plano de lutas deles, não pode se esperar nada diferente. Então bons alunos, que fazem a tarefa de casa, que frequentam as aulas, que querem aprender, vocês estão privados de serem reconhecidos e premiados. Se vocês ou seus pais acham isso injusto, reclamem para o Sr. Rodolfo ou com a Dona Claudia, ou melhor, nem percam tempo com covardes que nada fazem, reclamem com quem manda de verdade na educação, o Sindicato. [meus grifos]

Um espanto! Tudo! A coragem e o bom senso da garota, que, apesar da pouca idade, deveria substituir o senhor Rodolfo no cargo de Secretário da Educação em Florianópolis; a postura realmente acovardada dele; e um sindicato comunista que condena a meritocracia, a concorrência entre alunos (acaba logo com as notas, ora!) e a premiação dos melhores alunos, justamente um grande incentivo ao esforço continuado de melhorar.

É esse o Brasil que queremos construir? Com “educadores” com esta mentalidade obtusa e coletivista? Meu curto ensaio sobre educação bateu exatamente nessa tecla. E vai piorar, pois como já mostrei aqui, o Plano Nacional de Educação ainda carrega a tinta no sexismo, repleto de passagens ideológicas que envenenam os alunos e tentam usurpar dos pais o básico na passagem de valores.

Ou nós, pais, tiramos esse poder todo das mãos das máfias corporativistas dos sindicatos e desses “educadores” socialistas, ou vamos criar apenas autômatos que repetem feito papagaios como o socialismo é lindo e a meritocracia é injusta. Os alunos precisam ser salvos das garras desses professores mentecaptos que disseminam a inveja dos perdedores mascarada como “igualitarismo”.

Rodrigo Constantino

17/04/2014

às 19:33 \ Sem categoria

Clipping do dia

17/04/2014

às 16:48 \ Empreendedorismo, Filosofia política

Morre Henry Maksoud: grande empreendedor e liberal

Acabo de saber que faleceu hoje o empresário Henry Maksoud, aos 85 anos. Uma grande perda. Foi um empreendedor como poucos, acumulando uma fortuna graças ao seu talento. O hotel que leva seu nome em São Paulo foi considerado o melhor do país por algum tempo.

Além de tudo, era um dos gigantes na defesa do liberalismo no Brasil. Esteve por trás da vinda de Hayek a Brasília, o austríaco Prêmio Nobel de Economia e um dos maiores liberais de todos os tempos. Pagou do próprio bolso por um programa na TV para divulgar as ideias liberais, e chegou a escrever um projeto de Constituição que simplificaria muito a estrutura de nosso estado.

R.I.P., Maksoud! Saiba que a chama da liberdade que o senhor ajudou, e muito, a manter acesa, não irá se apagar. Outros lutarão para mantê-la iluminando as novas gerações, tendo em você uma inspiração.

Como homenagem, segue um trecho da entrevista em que participei com ele no programa Conversas Cruzadas há alguns anos:

Rodrigo Constantino

17/04/2014

às 16:27 \ Cultura

G0ys: o gay que só coloca uma perna para fora do armário

Fonte: GLOBO

Confesso que é difícil acompanhar os modismos da era moderna, especialmente aqueles ligados à sexualidade. Cada dia inventam coisa nova. Agora temos os g0ys, uma espécie de gay que não tem coragem de chegar aos finalmentes, análogo ao maconheiro que fumou, mas não tragou:

O site brasileiro “Heterogoy” deixa muito claro que g0y não é gay e explica que “é um heterossexual mais liberal, que não faz sexo com homens, apenas faz brincadeiras sacanas, desde que nesses contatos não ocorra a penetração”, que os participantes do movimento acreditam ser “degradante”. “O termo g0y serve para designar homens que não praticam sexo anal com outros homens”, ressalta outro trecho do site brasileiro.

Em primeiro lugar, detesto esse uso deturpado e vulgar que fazem do termo liberal. Quer dizer então que liberal agora é a “bicha covarde”, aquela que está louca de vontade de “engatar a ré”, mas morre de medo? Há tempos que tentam misturar liberal com libertinagem e licenciosidade, o que não faz sentido algum. Um heterossexual que não quer “sacanagem” com outro homem seria mais conservador, careta e reacionário, é isso?

Outra coisa que me chama a atenção nessa bizarrice toda, marca dos tempos atuais, é que nada pode ficar entre o desejo e o ato. Não vou entrar na questão, aqui, se quem tem vontade de beijar outro homem já pode ser definido como gay. Mas vejam o que disse o coordenador especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio, Carlos Tufvesson:

Me espanta esse excesso de rótulos para a sexualidade. Isso, no fundo, tem raiz em um preconceito que liga o gay à feminilidade. Ou a penetração a algo feminino. Para mim, basta que sejam felizes e que curtam suas fantasias, pois quem não dá vazão aos desejos pode se tornar mais um homofóbico que sai por aí matando gays.

Edmund Burke já sabia que só está apto a ser livre quem consegue controlar seus apetites. Hoje, na era do hedonismo exacerbado, as pessoas confundem liberdade com fazer aquilo que dá na telha, seguir qualquer impulso, colocar em prática toda fantasia ou fetiche, “partir para o ato”, como diriam os psicanalistas.

Reparem na premissa exposta: se o sujeito não curtir todas as suas fantasias, ele poderá ser um assassino. O recalque, como sabia Freud, é fundamental como marca da civilização, o preço de nossa vida em sociedade humana, ainda que seja responsável pelo mal-estar na cultura. Mas eis que agora devemos agir feito animais sem nenhum tipo de freio, para não sair por aí matando os outros…

Tenho dito e repito: os “progressistas” avançaram tanto na “libertação” sexual que em breve os seres humanos estarão no mesmo patamar dos cães, transando no meio da rua sem cerimônia e quiçá com suas próprias mães!

Acha que exagero, leitor? Nem tanto, nem tanto. Os tabus estão aí para serem quebrados, ou assim reza a lenda vanguardista. Será que o incesto aguenta, quando a própria família tradicional sofre tantos ataques? Vamos lembrar que o pudor e a vergonha sempre foram limites à perversão humana, mas que é cada vez mais ultrapassado sentir constrangimento ou “ressaca moral” por qualquer ato sexual, independentemente do que ele envolva.

Outro comentário que faço, por fim, diz respeito ao incômodo dos líderes do movimento gay com essas novas tendências, que retiram o monopólio de suas “nobres” causas. Luiz Mott, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia, disse:

É um modismo, como as lesbian chics ou os HSH (homens que dizem fazer sexo com outros homens sem se identificar como homossexuais), sendo que essas microidentidades têm um componente homofóbico, pois preconceituosamente identificam o gay como um estereótipo.

Microidentidades? Há certa hipocrisia no ar, em não aceitar o novo grupo e querer definir (normalizar) o que é certo e errado no movimento LGBT. Mott se diz a favor da diversidade, mas apenas até a diversidade que ele define e aceita como tal. Medo de perder o monopólio da causa gay?

Eis a armadilha que os relativistas criaram e que se volta contra eles próprios. Isso me remete ao caso das artes pós-modernas. Tom Wolfe, no livro A Palavra Pintada, que comentei aqui, fala justamente de como o mantra de artistas como Greenberg, de que toda obra original parece feia a princípio, voltaria para assombrá-lo depois.

São as comportas abertas para o “vale tudo”. E depois, quando a coisa se torna realmente horrenda, como negar que isso é a mais pura maravilha artística, e que somente o preconceito impede alguém de perceber isso?

O movimento gay vem, há anos, vendendo a ideia de que a promiscuidade é normal ou positiva (vide as paradas gays ridículas), que cada um se define como quiser, que a “diversidade” é um valor em si, que não existe uma moral apenas, certo ou errado, etc. Agora não quer aceitar os tais g0ys, uma nova “minoria” que surge, mas que não se considera gay? Por que?

As sementes foram plantadas lá atrás, para ser mais preciso na década de 1960. “Hoje gosto de mulher, amanhã de homem, depois de ambos, e quem sabe de meninos e meninas no futuro”. Sim, a pedofilia chegou a ser relativizada pela esquerda também, que só recuou estrategicamente para poder atacar a Igreja com seus escândalos vindo à tona. Mas ainda há quem lute para derrubar mais esse tabu na esquerda.

Esse tipo de coisa, como esse modismo dos g0ys, mostra que o discurso de “born this way” (Lady Gaga) não se sustenta muito, à exceção de alguns casos talvez: há, isso sim, uma permissividade cada vez maior e um ambiente cultural que estimula cada vez mais o “vale tudo” e todo tipo de maluquice, como se a única coisa absurda fosse ter algum tipo de freio aos apetites sexuais que aparecem a cada momento.

Rodrigo Constantino

 

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