Blogs e Colunistas

29/07/2014

às 15:39 \ Guerras, História, Religião

Antissionismo é antissemitismo, e está mais vivo do que nunca!

Um dos túneis do Hamas. Fonte: GLOBO

O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, escreveu um artigo hoje na Folha constatando aquilo que muitos, inclusive este blogueiro que vos escreve, já disseram: o antissionismo é apenas uma máscara moderna para ocultar o velho antisemitismo. Diz ele:

Cada nação deve definir sua identidade. Se judeus definem-se por uma religião (o judaísmo), uma língua (o hebraico) e uma terra (Israel), ninguém tem nada a ver com isso.

Imagine-se o escândalo se Israel mudasse de nome, para “Estado Judeu de Israel”. Mas não ouvimos reclamações contra, por exemplo, o “Islâmica” em “República Islâmica do Irã” ou “Árabe” em República Árabe do Egito.

O sionismo foi e é apenas isto: a expressão moderna da autodeterminação nacional judaica. E Israel surgiu na descolonização no pós-guerra, beneficiado pelas alianças corretas na vitória sobre o nazismo. Essa é a verdade histórica.

O único caminho para a paz é o reconhecimento das realidades históricas e a divisão em dois países por critérios demográficos. Dois Estados para dois povos.

O antigo antissemitismo saiu de moda após o mundo ter descoberto o Holocausto. Foi substituído por uma nova forma de discriminação: o antissionismo. A máscara é nova, mas a alma horrenda é velha conhecida. Uma verdadeira aberração.

De fato, o duplo padrão no julgamento que invariavelmente condena Israel é evidente. Há coisas que só Israel não pode ter ou se dar ao direito de fazer. Os que adotam tal postura seletiva podem alegar o que quiser, tentar se convencer de que são os maiores humanistas do planeta, apenas preocupados com os inocentes palestinos, mas a seletividade trai a hipocrisia e deixa transparecer o ódio ao povo judeu.

Vladimir Safatle, em sua coluna hoje no mesmo jornal, insiste em chamar o Hamas de “terroristas” apenas entre aspas. Não são terroristas, por acaso? O autor, membro do PSOL, pensa que não, e faz de tudo para relativizar o termo, lembrando que outros grupos já foram vistos como terroristas no passado, inclusive israelenses, e que mesmo assim foi preciso negociar com eles. Por acaso é possível negociar com o Hamas, que quer nada menos do que a destruição completa de Israel e dos judeus?

Daniel Aarão Reis, em artigo publicado no GLOBO, afirmou que os palestinos são os “novos judeus”, comparando de forma bizarra o que ocorre hoje na Faixa de Gaza ao Holocausto. Diz ele: “Gaza virou um imenso gueto. E os palestinos converteram-se em novos judeus, cuja consciência precisa ser ‘queimada’”. Já mostrei aqui como tal comparação é absurda e extremamente ofensiva aos judeus.

Ambos são esquerdistas radicais. Ambos posam de “moderados”. E ambos são apenas ícones do que a esquerda em geral tem feito em relação aos tristes acontecimentos na Faixa de Gaza. Ataques virulentos à Israel, mascarados de críticas apenas ao estado, e não ao povo judeu como um todo. Não conseguem enganar aqueles mais atentos. O antissemitismo ainda vive. Apenas colocou nova embalagem…

PS: Todos gostam de repetir como os palestinos são pobres, para reforçar a ideia de David contra Golias, como se o lado mais fraco tivesse sempre razão. Foram achados dezenas de complexos túneis em Gaza, construídos pelo Hamas. Isso custa dinheiro. Muito dinheiro. Quem financia o grupo terrorista? De onde vem essa grana toda?

PS2: Aos que ainda culpam Israel pelos problemas na região, como se fossem desaparecer se Israel também desaparecesse do mapa (ou dali), segue trecho escrito em importante relato por ninguém menos que Mosab Hassan Yousef, cujo pai foi um dos fundadores do grupo terrorista como já diz o título de seu ótimo livro, O filho do Hamas:

“Perguntei a mim mesmo o que os palestinos fariam se Israel deixasse de existir, se as coisas não apenas voltassem a ser como antes de 1948, mas se todo o povo judeu abandonasse a Terra Santa e voltasse a se espalhar pelo mundo. Pela primeira vez, eu sabia a resposta. Ainda lutaríamos. Por nada. Por causa de uma garota que não estivesse usando um véu. Para saber quem era mais durão e importante. Para decidir quem ditaria as regras e quem conseguiria o melhor lugar.” 

Rodrigo Constantino

29/07/2014

às 14:52 \ Economia, Investimentos, Política

Moody’s alerta para risco de ingerência política na Petrobras: será censurada pelo governo também?

Agora foi a vez de a Moody’s, agência de risco americana, emitir um alerta sobre os riscos políticos na Petrobras:

A Petrobras representa o maior risco operacional entre as petroleiras estatais da América Latina, além de alto risco financeiro decorrente da política de represamento dos preços de combustíveis no País. A avaliação é da agência de classificação Moody’s, que divulgou nesta manhã um relatório em que analisa o cenário de crédito para as empresas nacionais de petróleo da região. De acordo com a agência, as grandes estatais do setor enfrentarão deterioração dos indicadores de crédito até 2016, em função dos investimentos estimados em US$ 100 bilhões para cumprir suas estratégias de crescimento. 

No caso da Petrobras, a agência destaca que a estatal irá enfrentar também “riscos políticos substanciais” pois está “cerceada pelas políticas de preços para gasolina e óleo diesel”. A Moody’s ressalta ainda que o cenário macroeconômico do País tem “desacelerado” desde a crise de 2009, e a expectativa da agência é de crescimento de apenas 1,5% no PIB brasileiro. 

“A menor atividade econômica levou o governo brasileiro a depender mais pesadamente da Petrobras para controlar a política econômica em relação à inflação. Os preços domésticos para a gasolina e diesel, que variaram entre 10% a 20% abaixo do preço internacional (dependendo da taxa de câmbio), coloca um obstáculo significativo na rentabilidade da Petrobras”, diz o relatório. 

A Moody’s também criticou a ingerência do governo na estatal brasileira, citando a sua presença no conselho de administração da companhia. “O governo utiliza rotineiramente a empresa para ajudar a cumprir os seus objetivos políticos como, por exemplo, a construção de refinarias em regiões não econômicas para estimular o desenvolvimento, e o controle da inflação, mantendo os preços da gasolina e do diesel abaixo valor de mercado”.

Tudo bastante óbvio para quem acompanha o dia a dia do noticiário político no país ou as ações da estatal, que só caíam até as pesquisas mostrarem melhora de Aécio Neves e queda de Dilma. Resta apenas perguntar: será que o governo vai exigir um “pedido de desculpas” da Moody’s também, e obrigá-la a se retratar e demitir os analistas responsáveis?

Rodrigo Constantino

29/07/2014

às 14:21 \ Comunismo, História

O terror vermelho: meu primeiro texto, mas ainda muito atual

Ver o vídeo da Sininho e sua trupe enaltecendo o comunismo foi como entrar em uma máquina do tempo e regressar quase um século. É impressionante como certas coisas não mudam por aqui, como o Brasil se vê preso nas mesmas armadilhas ideológicas do passado. Veio à memória o meu primeiro texto escrito, que foi publicado no Mídia Sem Máscara, de Olavo de Carvalho. Segue abaixo, pois, infelizmente, continua atual e importante a lição histórica:

O terror vermelho

“Aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo.” (George Santayna)

O mundo nunca mais seria o mesmo depois de 1917. Uma nova era de terror seria instaurada pelos quatro cantos da Terra, e as seqüelas ainda podem ser sentidas até hoje. Entretanto, muitas atrocidades cometidas em nome da causa comunista são desconhecidas por grande parte das pessoas, em muito explicado pela cortina de ferro, que tanto ocultou do mundo os acontecimentos desta época.

Esse texto tenta resgatar apenas alguns fatos, uma pequena parcela do que teria sido o período de terror vermelho. As fontes são documentos oficiais, cartas e relatos, tudo escondido pelos comunistas e somente descoberto após a queda do Muro de Berlim em 1989 e do império soviético em 1992. Os materiais estão reunidos no intenso O Livro Negro do Comunismo, escrito por ex-comunistas que acordaram duramente para a realidade.

Seguramente, os anos dos czares na Rússia foram cruéis, e uma revolta popular era o caminho lógico. Porém, em 1917, a tomada do poder foi tão fácil que uma luta armada nem se fazia necessária. Os bolchevistas deram na verdade um golpe dentro do golpe, e partiram para a instalação do terror. Para se ter uma rápida idéia em números, de 1825 a 1917, 3.932 pessoas foram executadas, quantidade esta já ultrapassada pelos bolchevistas após quatro meses no poder. Lênin queria e conseguiu iniciar sua guerra civil.

O objetivo inicial era a luta de classes, sendo que essas foram na prática divididas em bolchevistas e não-bolchevistas. Quem não aderisse à causa e ao partido seria eliminado. Os kulaks, por exemplo, eram pequenos proprietários de terras, longe de grandes latifundiários ou burgueses, e seriam praticamente dizimados da Rússia. Entre 10 a 15 mil execuções sumárias ocorreriam em dois meses somente, sob ordens da Tcheka.

Em poucas semanas, eles já teriam executado três vezes mais pessoas do que todo o império czarista havia condenado à morte em 92 anos! E além desta mudança numérica, o método de condenação havia mudado radicalmente também. Para ser fuzilado bastava ser considerado um “suspeito”, “inimigo do povo”, e nenhum julgamento era preciso.

Vários massacres foram acontecendo de forma ininterrupta na década de 1920. Na Criméia, pelo menos 50 mil civis foram aniquilados pelos bolchevistas em dois meses em 1920. A troiki, que eram tribunais de descossaquização, condenaram à morte mais de 6 mil cossacos nesta época. Suas casas eram destruídas e as terras eram distribuídas entre os membros do partido. Em regiões cossacas onde houve oposição aos bolchevistas, populações inteiras foram mortas, totalizando mais de 500 mil vítimas em apenas dois anos nas regiões do Don e Kuban, cuja população total não ultrapassava 3 milhões.

Outra arma muito utilizada pelos bolchevistas foi a fome. Eles simplesmente cortavam o fornecimento de comida para determinadas regiões, matando de fome populações inteiras. Pelo menos 5 milhões de pessoas, numa estimativa conservadora, morreram de fome em 1921 e 1922 apenas! A era de Stalin não iria deixar por menos, e entre 1932 a 1933 mais de 6 milhões de pessoas iriam morrer de fome também.

As perseguições não eram seletivas, e praticamente qualquer um poderia se tornar uma vítima do rolo compressor vermelho. “Burgueses”, “capitalistas”, pequenos proprietários, membros da Igreja, participantes de outros partidos, enfim, qualquer um que não fizesse parte dos bolchevistas era alvo em potencial. Em 1936, por exemplo, mais de 70% das igrejas locais haviam sido destruídas.

Somente entre 1937 e 1938, cerca de 700 mil pessoas foram executadas pelo NKVD de Stalin. Este tinha determinado cotas a serem exterminadas, e muitas vezes não havia motivo algum para tais execuções que não preencher essas cotas. O “julgamento” não levava mais de dois dias. Intelectuais foram vítimas também, e universidades, institutos e academias foram dizimadas. O Grande Terror de Stalin estaria em andamento, visando a eliminar todos os “elementos perigosos à sociedade”, uma noção com contornos muito amplos.

Foram criados os gulags, campos de concentração no mesmo estilo dos nazistas. No auge do encarceramento, existiam mais de três milhões de presos nestes campos, todos fazendo trabalho forçado. A taxa de mortalidade era absurdamente alta, devido ao total descuido das autoridades. Somente no ano de 1942, 18% dos presos morreram. Estes eram apenas simples cidadãos, não criminosos perigosos. Entre as pessoas condenadas por furtos encontravam-se inúmeras mulheres, viúvas de guerra, mães de família com crianças recém-nascidas, etc. O canibalismo também foi muito freqüente nos gulags.

Em 24 de agosto de 1939, foi assinado um acordo de não-agressão entre a URSS stalinista e a Alemanha hitlerista. A parte mais importante do acordo, que foi ocultada até 1989, delimitava as esferas de influência e as anexações de dois países do Leste Europeu. A Polônia estava no epicentro do acordo, e seria esmagada por ambos os lados. Tanto os socialistas bolchevistas como os socialistas nazistas estariam exportando seu terror doméstico para outra nação de forma direta pela primeira vez. Sua população seria escravizada pelos dois lados, e muitos poloneses seriam exterminados.

As ambições imperialistas dos comunistas começaram bem cedo também, quase no mesmo instante da tomada de poder. Lênin criou o Komintern em 1919, que seria uma iniciativa de criar uma organização internacional para levar a revolução ao mundo inteiro. Eles eram a favor da globalização desde o começo, mas uma globalização autoritária.

Nos tempos de Stalin, o Komintern direcionou seus recursos para a China, terreno fértil para se implementar o comunismo. Isso não impediu, entretanto, um foco expansionista em outras regiões. Vários foram os alvos da conquista bolchevista, como Espanha, Iugoslávia, Coréia do Norte, Vietnã, Camboja, Afeganistão, palestina, países da África e até América Latina.

O caso que merece mais atenção é o chinês, dado suas gigantescas proporções. A repressão na China comunista foi uma réplica das práticas do “Irmão Mais Velho”, a URSS de Stalin. Estimativas sérias apontam pelo menos 10 milhões de vítimas diretas, incluindo os 10 a 20% dos habitantes do Tibete que pereceram em conseqüência da ocupação chinesa. Pequim iniciaria também uma forte expansão internacional, e o Khmer Vermelho de Pol-Pot, que trucidou mais de 30% da população do Camboja, recebia fortíssima ajuda dos comunistas chineses, assim como os soldados do Viet-minh no Vietnã.

De acordo com o próprio Partido Comunista Chinês, dois milhões de “criminosos” teriam sido liquidados entre 1949 e 1952, em apenas quatro anos de novo regime. O Grande Salto adotado por Mao Tse Tung seria responsável pela mais mortífera fome de todos os tempos, em valor absoluto. As perdas ligadas à mortalidade causada pela fome podem ser avaliadas, de 1959 a 1961, entre 20 e 40 milhões de pessoas! A ajuda oferecida pelos Estados Unidos foi recusada por razões políticas nesta época.

Após a perda do apoio popular em conseqüência do Grande Salto, Mao tentou dar a volta por cima com a Revolução Cultural. Utilizando basicamente jovens que não tinham fresco na memória o terror do período anterior, ele iniciou um forte culto à personalidade e uma intensa lavagem cerebral. Quem não pertencia aos “vermelhos” não merecia viver, e nenhum critério além desse era necessário para uma execução.

Os “rebeldes” viam-se a si mesmos como bons maoístas, totalmente alheios a qualquer ideal democrático ou libertário. Foram anos de anarquia, onde milhões de jovens pegaram em armas e fuzilaram a esmo qualquer indivíduo que se opusesse à ideologia vermelha. Foi o jeito que Mao encontrou para se fortalecer novamente no poder. O nível de torturas nesta época ultrapassou qualquer limite, e pessoas eram mortas em frente aos familiares, que depois eram obrigados a comer partes do defunto (sim, comunistas comeram crianças!).

De posse desses fatos e conhecimento, é impossível não ficar revoltado com o comunismo. Mas algumas perguntas precisam ser feitas, já que tanto tentou se ocultar do regime mais assassino da história humana.

Em primeiro lugar, vamos comparar o comunismo ao nazismo. Hitler tinha uma linha de conduta muito similar a dos comunistas, criando um Estado totalitário, abolindo o direito à propriedade e eliminando todos os que se opusessem à causa. Seu Nazional Socialismo foi apenas uma variação do modelo comunista soviético. Em termos de saldo de mortes, Hitler carrega no currículo algo como 25 milhões de vítimas, enquanto o comunismo ultrapassa fácil a marca de 100 milhões. Por que, então, uma revolta mundial tão maior com Hitler que com Stalin ou Mao Tse Tung?

Para tentar responder isso, tentarei abordar três visões diferentes. Em primeiro lugar, a ideologia vendida pelo comunismo parecia mais nobre, pregando uma igualdade entre as pessoas, enquanto Hitler era declaradamente a favor da raça superior dos arianos. Os sonhos comunistas conquistam mais corações, e Jean Paul Sartre, por exemplo, declarou simpatia ao maoísmo, assim como Picasso apoiou o comunismo.

Em segundo lugar, o método de conquista e difusão do nazismo foi mais direto, com invasões claras de territórios. Já a estratégia comunista foi mais sutil, implantando-se em partidos políticos, mandando dinheiro e agentes, escondendo melhor o terror e sempre com um discurso romântico. Na prática, o comunismo foi até mais expansionista que o nazismo, dominando países em quase todos os continentes, mas a imagem do exército de Hitler ficou mais forte na cabeça das pessoas.

Por fim, Hitler declarou guerra a uma classe específica, dos judeus, enquanto os comunistas espalharam mais o terror, sem distinção de raça durante o extermínio. Como o nazismo concentrou mais os ataques, e a um povo unido e poderoso como o judeu, a reação foi mais forte neste caso. Vários filmes foram feitos sobre o nazismo, mostrando toda a sua crueldade e as atrocidades cometidas pela Gestapo e SS do Terceiro Reich.

Já no caso do comunismo, como as vítimas foram mais dispersas, não houve uma forte propaganda levando ao mundo suas barbaridades. Sem falar que ainda existem muitos defensores da causa espalhados em cada continente, sempre lutando para ocultar fatos, distorcer verdades, inverter causalidades e mascarar o comunismo.

Somente esse conjunto de fatores pode explicar uma revolta mundial com a simples visão da suástica, enquanto partidos políticos oficiais ainda usam com orgulho a foice e o martelo ou sustentam o nome comunismo. O presidente nacional do PT [José Genoino], para dar um exemplo, ostenta com orgulho seu passado de guerrilheiro maoísta, mas já imaginaram alguém do PFL [DEM] se declarar um ex-adepto do nazismo? É muita má-fé dessas pessoas, e muita ignorância do resto do povo, até hoje na total escuridão acerca do que foi de fato o sonho comunista, um regime que espalhou o terror por todo o globo.

Outra pergunta curiosa também é como, diante dessas evidências todas, alguém ainda consegue recriminar os Estados Unidos durante suas ações militares no século passado. Para salvar a Europa das garras de Hitler, os americanos são aplaudidos. Mas por que, então, não termos a mesma postura diante da Guerra Fria, que foi uma reação americana aos avanços imperialistas do comunismo?

A China invade a Coréia, os Estados Unidos a defendem, e Picasso pinta um famoso quadro mostrando o massacre de coreanos por americanos, perpetuando essa imagem distorcia dos fatos? A Rússia invade o Afeganistão, os EUA mandam tropas e dinheiro para a defesa da nação, e a única coisa que sobrevive na memória das pessoas é que os americanos “criaram” Bin Laden?

A China tenta tomar o Vietnã, a França comete erro atrás de erro para tentar salvar sua colônia, os americanos partem em defesa do Vietnã sulista, prestes a cair sob o terror do norte, e tudo que conseguem lembrar são as mortes cometidas por americanos? A KGB manda agentes para o Brasil, após dominar Cuba, garante ajuda financeira para grupos comunistas como a Molico, Jango discursa na China que o comunismo está próximo no Brasil, os americanos se limitam a garantir apoio no caso de revolução, e tudo que conseguem falar sobre esta época é que os EUA “participaram” da nossa ditadura?

Realmente, falta muito embasamento nos debates nesse país, sem desmerecer de forma alguma a incrível capacidade propagandista dos comunistas, é claro. Se ao menos as pessoas soubessem o que foi o comunismo na prática…

Rodrigo Constantino

29/07/2014

às 13:38 \ Comunismo, Lei e ordem, Sindicalismo

Vagabundos liderados por Sininho entoam o canto comunista

ATENÇÃO! Recomendo 3 cápsulas de Engov e 5 de Plasil antes do vídeo abaixo. São pouco mais de 15 minutos capazes de embrulhar o estômago de qualquer um com Q.I. acima de 50. Eis o nível de nossos “rebeldes”, dos novos heróis dos artistas e “intelectuais” da esquerda brasileira:

O grito de guerra comunista é para fechar com chave de ouro o espetáculo medonho. Essa gente veio direto do século 19! São quase dinossauros, relíquias de um museu sombrio, adoradores de Stalin. Mas sabem como é: quando falamos de risco comunista e coisa e tal, a nossa esquerda nos acusa de paranoicos, de estarmos presos nos tempos da Guerra Fria, de reacionários.

Caramba! Quem ainda consegue defender o comunismo assassino em pleno século 21 são justamente esses vagabundos financiados por sindicatos ligados ao PSOL! No Brasil, a burrice tem um passado incrível e um futuro glorioso…

O que eu desejo para essa escória da humanidade? Nada de perseguição ideológica, até porque deixá-los falar é a melhor arma contra eles. Quero apenas o império das leis. Que sejam presos por seus atos criminosos, nada mais. E que vão chorar nos ombros de outros bandidos comuns suas lamúrias patéticas de que são “presos políticos”, algo que existe, de fato, em Cuba, o inferno que essa turma defende.

Rodrigo Constantino

29/07/2014

às 11:32 \ Democracia, Economia, Política

Mais do caso Santander: PT gostaria que Brasil fosse como a China

A reação do PT ao comunicado óbvio do banco Santander a seus clientes com ativos em bolsa demonstra o viés autoritário do partido. O tema é tão relevante que merece inúmeros artigos, pois todo alerta é pouco. Aqui, comento a excelente coluna de Merval Pereira hoje no GLOBO. Diz ele:

Numa democracia capitalista como a nossa, que ainda não é um “capitalismo de Estado” como o chinês — embora muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia —, acusar um banco ou uma financeira de “terrorismo eleitoral”, por fazerem uma ligação óbvia entre a reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia, é, isso sim, exercer uma pressão indevida sobre instituições privadas.

Daqui a pouco vão impedir o Banco Central de divulgar a pesquisa Focus, que reúne os grandes bancos na previsão de crescimento da economia, pois a cada dia a média das análises indica sua redução, agora abaixo de 1% este ano.

[...]

Justamente é este o ponto. A cada demonstração de autoritarismo e intervencionismo governamental, mais o mercado financeiro rejeita uma reeleição da presidente Dilma, prepara-se para enfrentá-la ou comemora a possibilidade de que não se realize.

Isso acontece simplesmente porque o mercado é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública.

Atitudes como as que vêm se sucedendo, na tentativa de controlar o pensamento e a ação de investidores, só reforçam a ideia de que este é um governo que não tem a cultura da iniciativa privada, e não lida bem com pensamentos divergentes, vendo em qualquer crítica ou mesmo análise uma conspiração de inimigos que devem ser derrotados.

Exatamente. Qualquer pessoa minimamente antenada nos acontecimentos políticos e econômicos do país já sabe o que o PT representa em termos de perigo à frente, tanto para a democracia como para o crescimento e os empregos. A reação do PT ao caso Santander demonstra isso com perfeição para quem ainda era cético ou se fazia de cego.

O ex-presidente Lula, em seu típico linguajar chulo, chegou a cobrar a demissão da responsável pela análise do banco: “Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma. Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”. O baixo nível de nosso ex-presidente dispensa comentários…

Ele disse isso em um evento da CUT, em que o verdadeiro “terrorismo eleitoral” esteve presente, de forma ilegal inclusive. Houve ameaças de que as “conquistas sociais” seriam perdidas caso Aécio vença as eleições. E Lula ainda apelou, uma vez mais, para a patética narrativa de que “eles”, os tucanos, só querem saber do “andar de cima”, ou seja, das “elites”.

Curiosamente, o ex-presidente fanfarrão é desmentido pelo própria aliado do PT, Jorge Viana, senador pelo Acre, que disse: “Eu não entendo a elite. Os que mais se beneficiaram nesses dozes anos são os mais raivosos contra o governo”. Ou seja, Viana, como o próprio Lula já fez antes, reconhece que os ricos ganharam muito dinheiro com o PT no poder, especialmente os banqueiros.

Já Aécio Neves condenou a postura do PT em relação ao banco, e disse: “Não adianta um dirigente partidário questionar, cobrar demissões dentro de uma instituição financeira porque teriam que demitir praticamente todos os analistas de todas as instituições financeiras. Todos eles são muito céticos em relação ao cenário da economia brasileira se continuar o atual governo”.

E acrescentou: “A resposta adequada do governo não é de questionamento ou pedir que cabeças rolem, mas seria o de garantir um ambiente estável, de confiança, regulado para que os investimentos possam voltar ao país”. Mas esperar isso do PT é esperar ações altruístas e abnegadas dos terroristas do Hamas, que usam as próprias crianças como escudo humano.

O PT adoraria transformar o Brasil em uma China – do ponto de vista político, pois em termos de crescimento econômico nem preciso comentar – e ter o poder de simplesmente calar toda a crítica. Está em seu DNA o autoritarismo dos comunistas. Basta ver como os petistas, inclusive a presidente Dilma, derretem-se diante dos assassinos ditadores cubanos da família Castro.

PS: Aguarda-se a defesa do Corecon dos economistas demitidos pelo Santander. Por que pagamos todo ano esse sindicato inútil? Para defender o modelo venezuelano? O Corecon vai tomar o partido do governo nessa disputa, ou defenderá os economistas injustamente demitidos?

Rodrigo Constantino

29/07/2014

às 10:52 \ Cultura

Pais-helicópteros: a paranoia que tolhe a liberdade infantil

Crianças na árvore

Pausa na política para falar de tendências de comportamento. As liberdades individuais, a longo prazo, dependem mais destas do que daquela, que mal ou bem vem a reboque. João Pereira Coutinho, em sua coluna de hoje na Folha, conta-nos um pouco de sua infância rebelde e arriscada, com suas típicas pitadas de humor, para chegar ao mundo moderno, em que pais controlam cada passo de seus filhos de forma doentia.

Subir em árvores, brincar ao ar livre, machucar-se com frequência, correr alguns riscos inevitáveis para viver: assim era a infância de todos nós, com mais de 30 anos. Não mais. Hoje, um pai pode ser preso por deixar seu filho solto em um parque público. O que aconteceu? Por que tanta paranoia? Como explicar o paradoxo de tanto controle em uma época justamente mais segura? Diz Coutinho:

Às vezes pergunto o que aconteceria aos meus pais se o pequeno selvagem que eu fui pudesse reaparecer agora, neste 2014, sem freio nem controle. Provavelmente, seria exibido em uma jaula, como um King Kong pré-púbere, só para horrorizar a burguesia.

“Minhas senhoras e meus senhores, vejam com os próprios olhos, uma criança que gosta de brincar!”

Imagino a plateia, horrorizada, tapando os olhos dos filhos -ou, melhor ainda, ligando os tablets e anestesiando-os com a dose apropriada de pixels.

E a minha mãe, a única sobrevivente da minha biografia juvenil, estaria obviamente presa. Exagero? Não creio. Conta a “Economist” dessa semana que Debra Harrell, da Carolina do Sul, foi detida por deixar a filha de nove anos brincar no parque sem vigilância apurada.

De fato, se tiver de lembrar tudo que fiz, meus pais deveriam estar confinados no presídio de segurança máxima. Lembro, para dar apenas um exemplo, de um amontoado de crianças espremidas na mala da perua indo à praia. Cinto de segurança? Risos. No entanto, cá estou eu, bem vivo.

Não faço aqui uma apologia à irresponsabilidade, tampouco desmereço alguns avanços na segurança. Mas parece inegável que chegamos a um patamar obsessivo demais, medroso demais, covarde demais, em que tudo deve ser pensado para retirar quaisquer riscos de acidente ou machucado de nossos rebentos. Vivemos na era do Merthiolate que não arde. Alguém estranha a geração do “mimimi”, sempre chorando e se vitimizando para conquistar privilégios confundidos como “direitos”?

Isso sem falar da pressão por ocupar 24 horas do dia com atividades, aulas particulares, estímulos variados. É uma guerra contra o ócio! Só tem um detalhe: o ócio pode ser, sim, criativo, como diz Domenico De Masi (ele apenas exagerou na dose). E mais: ele é parte inexorável da vida. Pular de galho em galho é apenas uma fuga exasperada, que nos impede de entrar em contato com nossas próprias reflexões e angústias, fundamentais para o amadurecimento.

Coutinho faz uma boa analogia: “Não é natural ter com os filhos a mesma relação que existe entre um treinador e o seu atleta, como se a vida -acadêmica, pessoal, emocional- fosse uma mini-Olimpíada permanente”. Os pais deveriam delegar mais aos filhos e deixar um espaço maior para experimentarem por conta própria, conhecerem os riscos da vida, pois viver é arriscado, mas viver apenas buscando extirpar todo risco é o mesmo que morrer em vida…

Rodrigo Constantino

29/07/2014

às 10:16 \ Democracia, Política

Ainda o caso Santander: o estranho é o pedido de desculpas

O caso Santander ainda não foi digerido completamente. É bizarro demais, bolivariano demais. Expõe um perigo crescente no país, que cerceia a liberdade de expressão e coloca todos como reféns do governo. Que o presidente do PT, Fui Falcão, saia em campo com seu tradicional autoritarismo virulento, vá lá; mas a presidente Dilma afirmar que é inadmissível o “mercado” interferir nas eleições e que pretende cobrar explicações na sabatina ontem na Folha? Isso, sim, é inadmissível.

Dora Kramer, em sua coluna de hoje no Estadão, tocou no assunto, mostrando espanto justamente em relação ao pedido de desculpas do banco espanhol. Diz ela:

Os analistas do banco traçaram um cenário – trabalho para o qual se imagina que devam ter sido contratados – e serão demitidos por isso. Por quê? Porque o governo não gostou.

E se a situação fosse oposta: se o informe dissesse aos clientes que o risco de deterioração na economia estivesse justamente na possibilidade de vitória de algum dos candidatos da oposição?

Dificilmente essa ou qualquer outra instituição ver-se-ia obrigada a pedir desculpas aos oposicionistas que, porventura, se sentissem prejudicados. O gesto de retratação decorre da força de intimidação do governo.

Isso, sim, é uma vantagem e não o contrário, como quis fazer crer o presidente do PT, Rui Falcão. Para ele o que houve é proibido. “Não se pode fazer manifestação em uma empresa que por qualquer razão interfira na decisão do voto”, disse. Por essa lógica as consultorias não poderiam se manifestar, as pesquisas de opinião não deveriam ser publicadas, muito menos interpretadas pelos especialistas, veículos de comunicação estariam proibidos de explicitar suas posições e o governo estaria impedido de usar suas prerrogativas para se dedicar em tempo integral a procurar interferir na decisão do voto.

Gravei um vídeo ontem sobre o assunto, tamanha a importância que dou a ele. Estamos diante de algo deveras estarrecedor, que pode muito bem ser um passo a mais, dos grandes, rumo ao bolivarianismo brasileiro. Vejam:

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Acorda, Brasil!

Rodrigo Constantino

28/07/2014

às 23:16 \ Privatização

Dilma celebra recorde da Vale: ato falho em defesa da privatização

Vejam o que foi postado na página oficial da Dilma no Facebook:

Vale bate recorde

A VEZ DO FERRO

A Vale quebrou recorde histórico de produção de minério de ferro para o segundo trimestre.

Entre abril e junho, a empresa produziu 79,4 milhões de toneladas do minério. Alta de 12,6% em relação ao mesmo período de 2013.

A melhor marca da empresa havia sido no segundo trimestre de 2012, com a produção de 77,8 milhões de toneladas de minério de ferro.

No acumulado do semestre, a Vale registrou uma alta de 11,1%, em relação ao mesmo período de 2013. Foram 150,5 milhões de toneladas de minério.

Os números positivos reforçam a confiança da empresa em atingir a meta de produção de 312 milhões de toneladas e vender 321 milhões de toneladas neste ano.

Fantástico! É incrível ver a Vale bater recordes de produção, não é mesmo? Resta perguntar por que Dilma está celebrando tanto? Seria um reconhecimento tardio de que a privatização da estatal, tão condenada pelo PT, foi boa afinal? Seria um ato falho que mostra como a própria presidente sabe que privatizar faz bem para a empresa e o país?

É isso mesmo, Dilma! Celebremos os recordes da Vale, cada vez empregando mais gente, trazendo mais divisas para o país, gerando mais riqueza, produzindo mais, tudo de forma bem mais eficiente pois focada no lucro e com o escrutínio de sócios privados que desejam bons retornos para seus investimentos.

Compare-se a isso a Petrobras ainda estatal, braço partidário do PT, envolvida em infindáveis escândalos de corrupção, torrando bilhões dos acionistas em trapalhadas ou projetos dúbios, acumulando apenas mais dívida sem conseguir transformar isso em mais caixa. Que coisa, não?!

Rodrigo Constantino

28/07/2014

às 19:55 \ Legislação, Lei e ordem

Pacifismo: uma gostosa perdição

Por Lucas Pessoa Alexandre, publicado no Instituto Liberal

Estava checando meu Facebook quando, de repente, deparo-me com uma postagem de um rapaz, na qual cita um trecho retirado do livro “Conversas Sobre Política”, de Rubem Alves. Dizia o seguinte:

“O crime não começa com o dedo que puxa o gatilho, ele começa naquele que fabrica as armas. Pois é claro: quem quer que fabrique uma arma tem uma intenção de morte, da mesma forma como quem fabrica um violão tem uma intenção de música e quem fabrica panela tem uma intenção de comida. Ao punir como criminosos os que puxam os gatilhos e condecorar como heróis os que fabricam armas, o Estado revela sua estupidez moral.”

Pois bem, não busco aqui aplicar nenhuma lição no referido responsável pela postagem, também sou estudante. Quiçá não posso sequer incumbi-lo plenamente de responsabilidade pelo ato. Meramente compartilhou umas poucas frases de seu agrado. No entanto, isso não me impede de contrapor a perversidade contida nestas palavras. Afinal, nada me obriga a compactuar com nenhuma linha de pensamento.

Se alguém lhe golpeia na cabeça com um pé-de-cabra, quebrando-lhe o crânio, logicamente o agressor é culpado e não a barra de ferro. Se um indivíduo é morto a facadas, o problema está com quem matou, não com o instrumento utilizado. Se a morte é causada no trânsito, a culpa é do motorista ou do carro? Ou então devemos proibir o uso de carros, facas ou de qualquer outro instrumento potencialmente letal, o que poderia incluir até uma simples caneta. É incrível como existem montoeiras de jovens, mal saídos da escola que, ao efeito da primeira influência externa transformam-se em atuantes desarmamentistas, vociferando “abaixo às armas” e atestando que, “o bandido não é culpado por tirar a vida de ninguém, mas sim, as armas”.

Graças a Deus, ainda podemos dizer que os criminosos são minoria na sociedade e, embora existam em menor número que os cidadãos honestos, suas facções desfrutam de amplo poder sobre o restante da população. Sim, isso se deve ao seu poder de fogo, das armas, em outras palavras, o poder de matar. Seria então a solução para a questão exigir que o Governo feche as empresas responsáveis pela fabricação de armas? Obviamente, a resposta é não.

Se, como diz Rubem Alves, a indústria bélica de um país causasse o recrudescimento da criminalidade, deveríamos ser um dos países mais pacíficos do mundo. Afinal de contas, quem foi que disse que o Brasil é algo significante perante o restante do planeta no quesito “produção de armas”? Somos responsáveis por apenas 0,1% do fabrico de armas de fogo em escala mundial e sua grande maioria nem sequer chega às mãos de nossos habitantes que, por sua vez, são inibidos de adquiri-las pela força externa de uma legislação tirana, dotada de processos burocráticos impossíveis de se cumprir. E, mesmo em posse de uma indústria bélica exígua, assassinamos mais de 56 mil pessoas por ano. Os Estados Unidos que, sozinhos, respondem a um terço da produção total de armas no planeta, por seu turno, contabilizam, aproximadamente, algo entre 14 mil homicídios anuais, considerando-se os dolosos e culposos, além dos 100 milhões de habitantes a mais.

Ademais, mesmo que todas as fábricas fossem fechadas, os bandidos continuariam tendo acesso às armas. Presentemente, o armamento dos criminosos provém do contrabando, do tráfico entre fronteiras sul-americanas (até da chamada “fabricação caseira”), mas não da indústria nacional, muito menos pertencia aos cidadãos comuns, como afirmava fervorosamente a atriz global Maitê Proença, na campanha do SIM, em 2005. E, convenhamos, qual pai de família possuía, até 2005, fuzis de 50 mil reais em casa para serem roubados e utilizados no tráfico? Em última instância, por mais impossível que seja, mesmo que conseguíssemos desarmar todos os bandidos, eles continuariam sendo aquilo que são, ou seja, pessoas sem caráter e nem amor ao próximo que enxergam no crime a forma mais fácil para satisfazer seus vícios e prazeres mais sórdidos; são culpados de seus atos, e cabe a nós, cidadãos de bem, defender-nos destes indivíduos, e o único meio de legítima defesa realmente eficaz se dá pelo uso das armas. Apenas isso já basta para revelar o quão presunçoso e falso é o conteúdo deste excerto. Mas podemos ir além.

“(…) quem quer que fabrique uma arma tem uma intenção de morte, da mesma forma como quem fabrica um violão tem uma intenção de música e quem fabrica panela tem uma intenção de comida. (…) ’’ . Suponhamos, a partir destas afirmações, que a intenção do consumidor equipare-se à daquele que produz em uma relação de interdependência. Exemplificando: é necessário que o violão produza um bom som para que agrade os clientes e venda bem, logo, o fabricante deve se preocupar em fornecer um produto apto a emitir boa melodia. O consumidor, por sua vez, deseja adquirir um instrumento de excelência – ou, no mínimo, bom o suficiente para tocar. Desta forma, fabricante e cliente ficam satisfeitos (este com a nova aquisição, aquele com a nova venda), sem que percam a intenção fundamental, a música.

Contudo, no caso das armas, ao suprimir dos fabricantes a intenção de proteção familiar, a qual esteve presente em suas propagandas durante décadas, o “co-autor” da Teologia da Libertação reduz proteção e defesa em desejo de matar, mesmo tendo plena consciência de que tirar a vida de outrem em legítima defesa não é homicídio e nem pecado. Disso tudo concluímos que, todos, absolutamente todos aqueles que possuem armas de fogo são homicidas de plantão, esperando a hora certa para nos meter uma bala nos miolos. Assim sendo, o conjunto total de caçadores, atiradores esportivos, colecionadores de armas, cidadãos comuns que as possuem (mesmo que legalmente) e até os policiais são covardemente rebaixados à condição de assassinos – não importando se jamais cometeram um crime ou se apresentam boa índole.

Ou seja, ao mesmo tempo em que absolve o comportamento do assassino, Rubem Alves inculpa toda a sociedade honesta, classificando-a como imprudente e incapaz de viver em liberdade sem que o Estado dite as regras, mesmo aquelas mais invasivas à individualidade e propriedade privada. Este pensamento artificial, pseudomilagroso, tanto quanto sedutor e de fácil assimilação é despejado aos montes aos nossos ouvidos diuturnamente. Cabe a nós investigá-lo, buscando as retrospectivas da ideologia desarmamentista (que não é nada exemplar) para, só então, tomarmos posição a respeito. Não cairemos nesta lábia maligna que há anos assola nosso país.

28/07/2014

às 19:42 \ Sem categoria

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