Blogs e Colunistas

02/09/2014

às 17:49 \ Sem categoria

Clipping do dia

02/09/2014

às 16:13 \ Política

Entrevista com o candidato Rodrigo Mezzomo

Recebi hoje o candidato a deputado federal pelo PSDB do Rio, Rodrigo Mezzomo, para uma rápida entrevista. Sua candidatura é uma das evidências dos ventos de mudança dos quais venho comentando aqui. Afinal, trata-se de alguém com a coragem de levantar as mais importantes bandeiras liberais, sem medo de ofender a patrulha politicamente correta.

Como podem ver, trata-se de um vídeo caseiro, gravado pelo iPhone do entrevistado (viva o capitalismo!), coisa de quem tem pouca verba de campanha e não desperdiça recursos escassos com produções cinematográficas para ludibriar o eleitor. Afinal, o que importa é o conteúdo, certo?

Rodrigo Constantino

02/09/2014

às 15:58 \ Cultura, Racismo, Religião

Artistas engajados: a arte a serviço do antissemitismo

Um “artista” engajado…

Cuba é uma ditadura há mais de meio século e já ceifou a vida de milhares de inocentes. Mas não vemos artistas engajados assinando cartinhas coletivas contra o regime. O Oriente Médio possui inúmeras ditaduras e teocracias bárbaras que não respeitam liberdade individual alguma, mas é mais raro encontrar uma carta coletiva de repúdio a tais regimes por parte dos artistas do que diamante jogado na rua.

Mas quando se trata de Israel… aí sai de baixo! Muitos artistas engajados se unem para demonstrar sua revolta com o desrespeito aos direitos humanos por parte do governo democrático do povo judeu. O que se passa? O que esses artistas têm na cabeça? A quem querem enganar tentando colocar sua arte a serviço de um evidente antissemitismo?

Felizmente ainda temos colunistas como João Pereira Coutinho, que os coloca em seus devidos lugares e lhes passa um pito que deveria lhes causar imensa vergonha – se tivessem vergonha na cara. Em sua coluna de hoje, o português desceu o malho nesses artistas que assinaram documento contra Israel. Alegou que ninguém mais deveria levar a sério a opinião política dos artistas, ao menos não depois da ruína dos regimes totalitários, que foram tantas vezes não só legitimados, como exaltados por vários deles.

Com honrosas exceções, o fato lamentável é que o casamento entre arte e política costuma produzir péssimos resultados. Como defende Coutinho, a “arte pela arte” ainda é a melhor receita, como sustentava Nelson Rodrigues que, exasperado, bradava aos colegas dramaturgos: “Façam teatro!”. Ou seja, falem dos temas mais atemporais, da natureza humana, do amor, do “eterno”, em vez de usar a arte para fazer proselitismo ideológico. Muitos não aprenderam a lição.

Como, por exemplo, os 55 artistas que enviaram à Fundação Bienal de São Paulo uma carta aberta demandando a retirada do financiamento de israelenses ao evento. Para Coutinho, só o fato de escrever cartas abertas em manada já é prova de que não se trata de gente adulta. A arte, afinal, vive da autonomia individual, e “só covardes assinam em manada”. Seguem alguns trechos do nocaute do colunista nos artistas engajados:

Israel é o único país do Oriente Médio e do norte de África considerado “livre”. O resto oscila entre “parcialmente livres” (Tunísia, Líbia, Kuait) e “não livres” (Iraque, Irã, Arábia Saudita).

E, para ficarmos na vizinhança de Israel, é a desgraça: Jordânia, Egito ou Síria continuam antros de repressão. Os 55 artistas, que deveriam defender a liberdade de expressão como quem defende o oxigênio, assinam uma carta contra o único país que respeita essa liberdade em todo o Oriente Médio.

[...]

De resto, será preciso dissertar sobre a diferença entre os “direitos” das mulheres ou dos homossexuais em Israel e nos países em volta? Será preciso recordar o histórico de amputações de membros e lapidações de adúlteras que existe por aquelas bandas? E será preciso acrescentar alguma coisa à selvageria do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que pelo visto não incomoda os 55 artistas da Bienal de São Paulo? 

Criticar Israel é legítimo. Nenhum governo está acima da crítica. Transformar Israel em pária internacional é uma forma de cegueira anti-semita. Eu só respeitarei a “coragem” dos 55 artistas no dia em que eles viajarem para Bagdá, Riad ou Gaza e escreverem uma carta contra os governos locais. Em defesa da liberdade e dos “direitos humanos”. Isso, claro, se ainda tiverem mãos para escrever. 

Realmente, o que um artista desses que adota postura tão incoerente, demonstrando um grotesco duplo padrão moral, uma afetação extremamente seletiva em defesa dos direitos humanos, pode ter na cabeça? Arrisco responder: titica de galinha.

Rodrigo Constantino

02/09/2014

às 13:56 \ Economia

Os limites do estímulo à demanda agregada: uma refutação simples ao keynesianismo

Keynes

Os economistas sérios são unânimes: o modelo de estímulo ao consumo por meio de crédito se esgotou. Os economistas do governo, a começar pela própria presidente Dilma, parecem discordar. Querem produzir ainda mais estímulos para puxar a atividade, hoje em queda. Não aprenderam nada.

Abaixo, uma pequena aula bem mastigada, para que até os economistas da Unicamp possam compreender. Notem que ataco o keynesianismo em geral, mas a situação é ainda pior no Brasil, onde campeia um “keynesianismo de quermesse”, como diz Alexandre Schwartsman. É realmente triste. Espero que o texto possa ajudar.

A demanda agregada

“As estatísticas são como o biquíni: o que revelam é interessante, mas o que ocultam é essencial.” (Roberto Campos)

Não sei quanto ao leitor, mas eu demandaria um iate, um helicóptero e um jatinho se tivesse bilhões de dólares sobrando. Minha demanda tende ao infinito. Se não desfruto de tais bens materiais, isso se deve à falta de recursos, não de demanda. Esta conclusão pode parecer extremamente óbvia, e deveria. Infelizmente, a obviedade é algo em escassez quando se trata da economia keynesiana.

O foco obsessivo dos keynesianos em dados agregados acabou deturpando sua visão de mundo. Em vez de compreenderem que tais agregados servem, no máximo, como modelos simplificadores imperfeitos, esses economistas acabaram aceitando que a abstração era real, gerando muita confusão teórica. O exemplo mais claro desta inversão é o tratamento dado ao PIB (Produto Interno Bruto). A fórmula conhecida, Y = C + I + G + (X – M), produziu na cabeça dos mais desatentos uma crença absurda, qual seja, a de que o aumento dos gastos públicos é algo positivo para o crescimento econômico.

Como o governo não pode dar nada sem tirar do setor privado, pois suas fontes de recursos são os impostos, a inflação (que não passa de um imposto disfarçado) e o endividamento (que terá que ser pago eventualmente), claro que o aumento dos gastos públicos terá como contrapartida, inevitavelmente, a redução ou dos investimentos privados ou do consumo privado. Mas o foco demasiado no curto prazo, fruto de uma visão míope, faz com que os keynesianos negligenciem esses impactos negativos ao longo do tempo. Se o governo quer estimular o crescimento econômico e, portanto, a criação de empregos, basta ele expandir seus gastos.

Keynes argumentava que em períodos de insuficiente demanda agregada, caberia ao governo compensar esta queda com o aumento dos gastos. É a famosa política anticíclica. Foi a justificativa teórica perfeita para políticos ansiosos para torrar o dinheiro da “viúva” e conquistar votos pelas vias populistas. Claro que na época da bonança e do forte crescimento econômico, o termo “anticíclico” era ignorado. A política acabava unidirecional, como se feita por economistas manetas. Mas o próprio conceito de demanda agregada insuficiente é falacioso. Parece que o rabo é que balança o cachorro, e não o contrário.

A lógica, de forma simplificada, funciona assim: a crise econômica ocorre como reação a uma queda da demanda agregada, sabe-se lá por qual motivo. Os empreendedores perderam seu “espírito animal” de repente. E cabe ao governo estimular a economia com aumento de gastos. Isso fará a demanda agregada subir, empregos serão criados e o consumo poderá retomar sua trajetória. Com mais consumo, as empresas produzem mais, empregando mais gente. Os salários podem aumentar, gerando um ciclo virtuoso. Parece tão simples que toda a miséria do mundo fica parecendo apenas resultado da falta de “vontade política”.

Claro que isso tudo não passa de uma grande falácia econômica. Os keynesianos trocam a ordem dos fatores, alterando o produto final. Basta pensar em Robinson Crusoé e Sexta-Feira numa ilha. Seria absurdo supor que é a demanda de algum deles que produz o crescimento econômico. Robinson Crusoé pode demandar uma enorme casa, mas esta só será produzida se houver recursos disponíveis. E estes dependem da poupança e da produtividade. Logo, é a poupança efetiva que permite o investimento produtivo, que por sua vez possibilita mais consumo depois. É preciso fazer o bolo para depois comê-lo. Keynesianos pensam que podem ter e comer o bolo ao mesmo tempo.

Se alguém questiona quais fatores permitem o aumento da “renda nacional”, a resposta deverá ser: a melhoria dos equipamentos, das ferramentas e máquinas empregadas na produção, por um lado, e o avanço na utilização dos equipamentos disponíveis para a melhor satisfação possível das demandas individuais, por outro lado. O primeiro caso depende da poupança e da acumulação de capital, o segundo das habilidades tecnológicas e das atividades empresariais. Se o aumento da renda nacional em termos reais é chamado de progresso, devemos aceitar que este é fruto das conquistas dos poupadores, investidores e empreendedores.

Os gastos do governo costumam desviar recursos destes fins mais produtivos. Keynes chegou ao ponto absurdo de defender que seria justificável o governo, durante uma crise, contratar gente para cavar buracos e mais gente para tampá-los. Evidentemente que o fantástico desta proposta não passou despercebida na época. Questionado sobre o efeito de tais medidas no longo prazo, Keynes cunhou sua famosa frase: “No longo prazo estaremos todos mortos”. O longo prazo, porém, inexoravelmente chega, por razões lógicas. Hoje nada mais é do que o longo prazo de algum tempo atrás. E, para aqueles vivos, o custo desta mentalidade keynesiana costuma ser bastante elevado.

Com esta ferramenta equivocada, os keynesianos conseguiram até mesmo creditar guerras pela recuperação econômica. Paul Krugman, o Prémio Nobel de economia e um dos maiores ícones do keynesianismo moderno, repete o tempo todo que foi a Segunda Guerra Mundial que salvou os Estados Unidos da Grande Depressão. Mais recentemente, ele chegou a defender que gastos públicos para criar um mecanismo de defesa contra a hipotética invasão alienígena seria uma medida sensata para conter a crise. Eis o grau de absurdo que chega a lógica keynesiana. Qualquer reflexão mais atenta mostraria que jamais pode ser favorável para a economia desviar recursos escassos para fins inúteis. Qual o ganho social em utilizar aço e trabalho escassos para produzir navios que serão afundados na guerra? Como dizia Mises, a prosperidade que a guerra traz para a economia é a mesma dos furacões e terremotos.

Na verdade, esta falácia é bem antiga, e já tinha sido refutada por Bastiat em seu exemplo da janela quebrada. Algum vândalo joga um pedra que estilhaça a janela de uma loja. Em seguida, algumas pessoas tentam consolar o dono da loja alegando que ao menos ele estará gerando emprego ao consertar a janela. Afinal, se janelas nunca fossem quebradas, de que iriam viver os reparadores de janelas? Esta linha de raciocínio cai justamente na falácia acima citada, pois ignora aquilo que não se vê de imediato. Sim, o conserto da janela iria propiciar um ganho para o vidraceiro. Mas o que seria feito desse dinheiro gasto caso a janela não tivesse sido quebrada? Eis a pergunta que nem todos fazem, porém crucial para o entendimento da economia.

Existem várias alternativas de uso que o dono da loja poderia dar ao dinheiro. Ele poderia investi-lo para aumentar a produção, poderia poupá-lo ou poderia gastar com qualquer outra coisa. Supondo que ele gastasse a mesma quantia na compra de um terno, o alfaiate teria sido beneficiado, mas agora que o dinheiro foi usado para consertar a janela, esse terno deixou de ser vendido. Isso é aquilo que não se vê, ao menos de imediato. O alfaiate do exemplo é ignorado, é o homem esquecido na análise superficial da coisa. Parece ridículo de tão óbvio este caso, mas o leitor mais leigo ficaria chocado em como os demais casos são apenas variações dessa mesma falácia.

Como espero ter deixado claro, as recessões econômicas não são resultado de ausência de demanda agregada, pois esta nada mais é do que o somatório da demanda de todos os agentes econômicos, que tende ao infinito. O buraco é bem mais embaixo. E quando o governo tenta estimular a economia gastando mais, endividando-se e contratando trabalhadores para tarefas improdutivas, isso apenas agrava o problema estrutural. Os consumidores e empresários sabem que terão de pagar a conta mais cedo ou mais tarde, e isso afeta suas decisões. Consumo estimulado artificialmente produz apenas inflação, se financiado pela emissão de moeda sem lastro. E o tiro keynesiano sai pela culatra, pois os investidores ficam receosos com o futuro aumento de impostos necessário para honrar os gastos mais elevados do governo.

A hiperatividade do governo durante as crises costuma afetar negativamente a economia, ao contrário do que pensam os keynesianos. Manipular a “demanda agregada” jamais foi ou será uma política sensata de crescimento econômico sustentável. Os keynesianos são como alquimistas modernos, que acreditam poder transformar chumbo em ouro por meio da magia.

Rodrigo Constantino

02/09/2014

às 12:16 \ Comunismo, Religião, Socialismo

Socialismo é seita religiosa sob manto do cientificismo: eis a prova definitiva!

Fé em Chávez!

Jesus!!! Para quem ainda tinha dúvidas de que o socialismo de laico não tem absolutamente nada, representando apenas um péssimo substituto para as religiões, oferecendo o “paraíso terrestre” em vez de salvação após a morte, vejam nessa reportagem da Veja.com que absurdo esses safados chegam a fazer para manter o poder:

“Chávez nosso que estás no céu”. Parece uma piada de mau gosto, blasfêmia, mas é a primeira frase da ‘oração chavista’, a mais nova criação do governo de Nicolás Maduro para tentar perpetuar o chavismo na Venezuela – reporta nesta terça-feira o jornal La Nación. A prece chavista foi apresentada oficialmente nesta segunda em um evento do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), atualmente no poder. A mais nova peça do populismo rasteiro de Maduro pode soar como piada, mas é cínica o suficiente para mesclar o chavismo com a oração mais popular do catolicismo, a religião de mais de 85% dos venezuelanos.

Em um teatro em Caracas, com a presença de Maduro, a oração marcou o encerramento – e o ponto alto – do evento governista. “Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós/ Santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para ajudar pessoas de aqui e ali”, entoou em tom solene a deputada chavista Maria Uribe. “Dê a nós a tua luz para nos guiar todos os dias/ Não nos deixe cair na tentação do capitalismo, mas livra-nos do mal, da oligarquia, do crime de contrabando, porque a pátria, a paz e a vida são nossas/ Por séculos e séculos, amém/ Viva Chávez”, termina a oração.

Peço perdão ao leitor por não ter recomendado um Engov antes. Pode ir ali vomitar que espero aqui. Foi? Sigamos, então. Em meu livro Esquerda Caviar, tratei do assunto, mostrando como uma das origens do fenômeno era justamente a busca desesperada por uma nova fé religiosa em forma de ideologia política. Escrevi:

Nem todos os membros dessa esquerda caviar são ricos canalhas, herdeiros culpados, madames e jovens entediados, ou preguiçosos, claro. Há uma categoria relevante formada por intelectuais que vivem bem, mas que não são necessariamente abastados. Esses precisam de alguma explicação também. E Raymond Aron forneceu uma boa dica em seu magistral O ópio dos intelectuais.

Para o pensador francês, o marxismo ou o comunismo viraram uma espécie de “religião secular”, prometendo o paraíso terrestre em vez de aquele pós-morte pregado pelo cristianismo. O título já é uma clara provocação ao ditado famoso repetido por Marx, de que a religião é o ópio do povo. Para esses intelectuais, o comunismo era o ópio, a droga capaz de fornecer a fuga para a falta de sentido em suas vidas.

Para o típico intelectual, a reforma é uma coisa chata, enquanto a revolução é emocionante. Uma é prosaica, a outra poética. A revolução fornece ao intelectual uma pausa bem-vinda ao curso diário dos eventos rotineiros e incentiva a crença de que todas as coisas são possíveis. Por que pensar em como melhorar algumas questões do cotidiano, sempre imperfeito, quando se pode abraçar a utopia revolucionária de que todos os males que assolam a humanidade terão finalmente uma solução?

[...]

Outro que explicou bem essa distinção entre revolucionários e reformadores foi David Horowitz, mostrando por que intelectuais de esquerda tendem a abraçar movimentos radicais e violentos:

Um planeta salvo, um mundo sem pobreza, desigualdade, racismo, ou guerra – que meios não seriam justificados para atingir tais fins milenares? A título de contraste, movimentos menos ambiciosos de reforma são capazes de pesar ganhos contra prováveis custos e evitar o tipo de excessos e atrocidades endêmicas a causas radicais.

Mas para o intelectual revolucionário, a política é tudo! É o que dá sentido para sua vida. Ele respira política. Não tem tempo a perder com mudanças graduais e democráticas. Afinal, sabe o que é certo, qual o caminho desejado. Precisa apenas do poder para executar suas fantasias. E ele jamais escuta o alerta feito por Hoelderlin: “O que sempre fez do Estado um verdadeiro inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso”. 

Quer um entorpecimento mais poderoso do que a sensação de que você pertence a uma classe de escolhidos, que sua missão na vida é colaborar para a construção de um mundo novo, e que nada menos do que a perfeição será o resultado de suas ações? O escritor mexicano Octavio Paz, autor de O ogro filantrópico, descreveu o marxismo como um “vício intelectual”, uma “superstição do século XX”. Infelizmente, do século XXI também.

Joshua Muravchik demonstra sem rodeios, em Heaven on Earth, como o socialismo foi a história mais ambiciosa dos homens na tentativa de suplantar a religião com uma doutrina sobre como a vida deve ser vivida com base na ciência, não na revelação. Após tanta esperança e luta, milhões de vidas sacrificadas no caminho, eis o epitáfio da seita: se você construir esse “paraíso”, os outros vão abandoná-lo sempre que possível.

Paulo Francis foi outro observador arguto que percebeu essa característica religiosa no comunismo:

Milhões de pessoas, no entanto, se sacrificaram por Stalin, idealistas, muitas das quais morreram fuziladas nos campos de extermínio da URSS, bradando triunfalmente o nome do carrasco, no momento em que este as executava, o que prova que o comunismo é a religião secular do nosso tempo.

O sentimento de nobreza proveniente de se enxergar como um desses “ungidos”, para usar o termo de Thomas Sowell, coloca qualquer outra droga no chinelo. Se os ricos artistas da esquerda caviar costumam curtir cocaína ou maconha, seus pares intelectuais vão de marxismo mesmo, droga das mais pesadas. 

Rodrigo Constantino

02/09/2014

às 11:31 \ Economia, Política

Mantega, direto de Marte, diz que programa de Marina levaria à recessão

Guido Mantega

Guido Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a proposta defendida pela candidata do PSB, Marina Silva, de reduzir crédito dos bancos públicos é “temerária” e poderia paralisar investimentos e a economia. Ele fez as críticas em entrevista no escritório da Bloomberg em São Paulo. Mas sou levado a crer que emitiu tais declarações direto de Marte, pois nem mais na Lua ele está!

A economia brasileira já está em recessão, ministro! Caso não tenha notado, o governo Dilma, com seu auxílio, destruiu o crescimento da economia enquanto segurou a inflação em patamares extremamente elevados. Estamos em uma estagflação, com mais de 6,5% de inflação e com queda na atividade. Como assim as mudanças propostas iriam causar um quadro recessivo?

“Fazer redução do crédito dos bancos públicos sem você ter a cobertura dos bancos privados ou de outras fontes, como do mercado de capitais, é temerário. Você vai paralisar a economia, vai paralisar os investimentos. Vai encarecer muito os investimentos, pois os bancos privados não estão ainda aparelhados”, disse. Ora, ora, se é justamente o inchaço do BNDES que impede o desenvolvimento do mercado de capitais por meio dos bancos privados!

“É temário você reduzir o financiamento e o subsídio. Significa eliminar a diferença entre a TJLP e a Selic. Isso vai agradar aos bancos. Mas isso pode dar um tranco grande na economia, negativo, com queda forte de investimentos e inviabilização dos grandes projetos de infraestrutura que temos no País”, disse. Ora, ora, quem vai chiar são apenas os grandes empresários “amigos do rei”, que gostam de mamar nas tetas do BNDES.

Marina ET

E os investimentos, caso não tenha notado, já secaram, ministro! O último dado oficial mostra que a formação bruta de capital fixo despencou mais de 11%, e a taxa de investimento está em ridículos 14% do PIB. Como que alguém diante desse cenário pode falar em perda de investimentos se o rumo da política econômica mudar?

Mantega disse, ainda, que não é desejável o presidente do Banco Central ter mais poder que a presidente do País. Temerário, Mantega, é um ministro da Fazenda fazer tal declaração, ignorando que são funções distintas e que, por isso mesmo, devem ter poderes autônomos! Um BC subserviente ao presidente serve apenas para produzir inflação, como ocorre no governo Dilma.

Para adicionar insulto à injúria, Mantega ainda afirmou que a alta recente da Bolsa não se deve ao fator eleição. Com isso, além de muita cara de pau, Mantega prova que vem de Marte. É um espanto! Marina Silva pode até ter um aspecto mais de ET, mas eis que o verdadeiro alienígena é Guido Mantega. Socorro! Chamem os “Homens de Preto”! Ou talvez os “homens de branco”, pois é caso de hospício mesmo…

Rodrigo Constantino

02/09/2014

às 11:03 \ Democracia, Política

Entrevista com Marina Silva no Jornal da Globo

Marina Silva não se saiu tão mal, em minha opinião, na entrevista ao Jornal da Globo. Muito tempo foi dedicado ao aspecto de sua fé religiosa, o que compreendo, pela fama de fundamentalista, mas considero exagerado. Marina soube dar respostas até razoáveis, ainda que vagas, nesse quesito. Disse:

“Todos nós agimos em base na relação realista dos fatos, mas os seres humanos, eles têm uma subjetividade. Uma pessoa que crê, obviamente que tem na Bíblia uma referência. Assim como tem na referência a arte, a literatura. Às vezes você pode ter um ‘insight’ assistindo um filme. O quanto nós já avançamos, do ponto da ciência, da tecnologia, pela capacidade antecipatória que você encontra, enfim, na indústria cinematográfica…”

A Bíblia é uma fonte de inspiração, como a cultura, mas não uma fonte única ou absoluta para a tomada de decisões. Acho que passa. Não é que ela vá abrir aleatoriamente o livro sagrado em uma página e decidir se sanciona ou não determinada lei. Rebateu que isso é uma tática que adotam para pintá-la como fanática.

Marina atacou, ainda, a “arrogância fatal” dos que se julgam 100% racionais, o que não deixaria pensadores de peso como David Hume e Hayek incomodados. Só existe um lugar aonde há pessoas que são 100% racionais e, portanto, estão 100% do tempo certas: o manicômio. Disse:

“Essa pessoa estaria presa à realidade, e com certeza, se os especialistas do comportamento forem avaliar uma pessoa como essa, vai ver que ela tem uma subjetividade muito pobre. Qualquer pessoa forma, toma as suas decisões considerando vários aspectos. Ele é atravessado pela cultura; se tem crença, pela espiritualidade; se é da ciência, pelo conhecimento científico. O ser humano não é uma unidade, digamos, pura de alguma coisa não é? Somos seres subjetivos, e a subjetividade é uma riqueza interior, para qualquer ser humano”.

Sim, um tanto no estilo de Gilberto Gil, mas espremendo podemos compreender, eu acho. E não creio que seja o aspecto mais relevante em jogo nessas eleições. William Waack apertou Marina em tema bem mais relevante, que é o da democracia direta. Waack quis obter uma resposta direta sobre a tal “participação popular”, especialmente por meio dos “conselhos populares”, com cores claramente bolivarianas.

Marina tentou sair pela tangente, defendendo uma mistura de democracia representativa com maior participação popular, sem explicar em detalhes o que significa usar mais a sociedade para governar. Permanece o ponto de interrogação. Afinal, ela apoiou o Decreto 8.243 de Dilma, o que é temerário.

Sobre economia, Marina voltou a frisar a importância do resgate do tripé macroeconômico, para garantir a estabilidade da economia e a confiança da sociedade e dos investidores no governo. A presidente Dilma perdeu tal confiança, o que é muito grave. Na área econômica, uma das mais importantes, lembrando que já estamos em estagflação, Marina falou por meio de Giannetti, o que tranquiliza os mais esclarecidos. É a convergência ao programa tucano, só que sem o mesmo quadro técnico.

Comprometeu-se a não subir impostos, até porque ninguém mais defenderia abertamente mais impostos em um país com carga tributária chegando perto de 40% e sem contrapartida alguma. Marina acha que basta gastar melhor, cortar desperdícios, alocar os recursos de forma mais eficiente. Todos têm insistido nessa tecla, resta saber quem realmente conseguiria entregar. Aécio Neves demonstra o melhor histórico e a melhor equipe, mas dificilmente Marina faria pior do que Dilma, que arruinou as contas públicas e aparelhou totalmente a máquina estatal.

Marina voltou a se comprometer a um mandato apenas, rejeitando a reeleição. Não é boba, sabe que terá menos dificuldade de governabilidade desta forma. A turma do PMDB não teria tantos motivos para puxar seu tapete, pois quatro anos não são oito anos.

Enfim, Marina não conseguiu escapar de certas contradições, mas em geral não escorregou muito. A presidente Dilma não vai ter como escorregar, pois fugiu da entrevista, recusou o convite. Mas sabemos que se fosse espremida por William Waack, as infindáveis contradições viriam à tona, mostrando que entre uma e outra não resta muita dúvida de qual é a pior. Mas vale lembrar que ainda há uma terceira alternativa, ao menos no primeiro turno…

Rodrigo Constantino

02/09/2014

às 9:56 \ Democracia, Política

Curupira de saias – artigo de hoje no GLOBO

Curupira

Se os indianos tiveram a Madre Teresa de Calcutá, nós temos a Madre Marina de Xapuri. Cansado da “mamãe” Dilma, o povo agora quer sonhar novamente. Afinal, democracia que compara projetos e propostas, histórico e alianças é mesmo algo muito monótono. O brasileiro é mais afeito às utopias messiânicas, a um “salvador da Pátria”, ou salvadora, no caso.

Se tiver um passado de agruras, uma infância miserável, uma bela narrativa de vítima para contar, aí fica imbatível. O ex-operário que passou fome ia acabar com a fome no Brasil. Seu “Fome Zero” foi um fiasco, mas isso é detalhe. O crescimento chinês veio lhe salvar, e o povo carente logo o enxergou como o novo Padim Ciço.

Não teve mensalão que o fizesse acordar do feitiço. Lula iluminou seu poste e Dilma, que era ele mesmo em forma mais feminina, foi eleita. A “mãe do PAC”, o Programa de Auxílio a Cuba, seria a “gerentona” eficiente. Entregou apenas recessão e inflação. Dilma foi a pior presidente que o Brasil já teve. Mas justiça seja feita: foi a melhor para a ditadura cubana.

Cansado — com razão e muito atraso — do PT, o povo brasileiro quer uma nova esperança. Não quer o candidato mais bem preparado, com a equipe mais robusta, com as ideias mais estruturadas. Nada disso tem charme. Quer uma solução definitiva, alguém que represente a “nova política”, que carregue uma aura de santidade e paire acima dos reles mortais.

Leia mais aqui.

Brasil: nação machista? Ou: Quero um candidato que não tenha núcleo LGBT

Acordei hoje com o seguinte pensamento: pelas probabilidades, teremos duas mulheres no segundo turno. E a “marcha dos oprimidos” ainda acusa o Brasil de ser um país machista? É isso mesmo? Confirma, produção? Imagina se fôssemos uma nação feminista…

Uma delas ainda se diz negra. E se tivéssemos Joaquim Barbosa concorrendo, era bem provável que fossem para o segundo turno ele e Marina. As “minorias” estariam bem representadas, não? Será que os homens brancos devem pleitear cotas políticas?

Digo isso em tom jocoso pois a vitimização das “minorias” já cansou. Li, ontem mesmo, que o coordenador do núcleo LGBT abandonou a campanha de Marina Silva. Muitos usaram a informação para atacar o fundamentalismo religioso de Marina. Já eu tive reflexão bastante diferente.

Perguntei-me, espantado: núcleo LGBT? Por que diabos uma campanha precisa de um núcleo voltado só para essa categoria? Há um núcleo para heterossexuais? Peguei-me pensando que gostaria de um candidato que não tivesse um núcleo desses, mas que colocasse todos os brasileiros no mesmo patamar, pregando a igualdade perante as leis, independentemente de inclinação sexual, gênero, credo ou “raça”. É possível?

A filósofa russa Ayn Rand dizia que a menor minoria de todas é o indivíduo, e que não pode alegar defender as minorias quem ignora as liberdades individuais. Há muito tempo que os movimentos das “minorias” não lutam mais por direitos iguais ou leis isonômicas. O que desejam são privilégios, disseminar o ódio a quem pensa diferente, demonstrar profunda intolerância em nome da “tolerância”.

Em muitos casos estamos diante de um “fascismo do bem”, de uma agenda intransigente que, em nome do combate ao preconceito, trai enorme preconceito contra aqueles que ousam divergir uma vírgula da cartilha politicamente correta. Basta pensar em Jean Wyllys para ter ideia do que falo.

Enfim, duas mulheres com boas chances de disputar o segundo turno sem homem algum para representar a “maioria”. Até quando vão insistir na “cartada sexual” para vender a ideia de que somos um país machista e pintar as mulheres como vítimas oprimidas? Até quando teremos uma presidente que fará questão de usar o “presidenta” só para enfatizar tal aspecto insignificante no que diz respeito à capacidade de gestão?

Ao menos Marina, a que além de mulher também é negra, não pretende manter o “presidenta”. Só isso já seria motivo suficiente para a minha escolha, caso tenha mesmo que optar entre uma das duas. Mas há outros vários motivos, entre os quais posso agora incluir o coordenador do “núcleo LGBT” ter abandonado sua campanha. Quem precisa disso para governar para os brasileiros em geral?

Em tempo: pouco me importa se são duas mulheres, dois negros ou duas representantes da “comunidade LGBT” disputando o cargo. O que realmente me incomoda é que sejam duas esquerdistas. Se ao menos uma delas fosse a Margaret Thatcher…

Rodrigo Constantino

01/09/2014

às 20:37 \ Sem categoria

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