Blogs e Colunistas

22/10/2014

às 22:49 \ Humor

Encontrei os fascistas opressores da elite e do capital financeiro!

Os petistas repetem que só a elite vota em Aécio Neves, pois estaria incomodada com a “ascensão” dos pobres, que agora lotam os aeroportos (e eu pensando que era problema de infraestrutura do governo, já que os aeroportos dos países desenvolvidos têm bem mais gente e são bem mais confortáveis). Aquele humorista Greg até escreveu uma coluna, parida pela porta dos fundos, em que insinuava que só tinha carrão com adesivo do tucano.

Em busca sempre da verdade, saí procurando esses malditos opressores. Se Aécio tem 50% das intenções de voto, é elite até dizer chega! Acho que somos a Suíça e não me contaram ainda. Mas pasmem! Não é que encontrei esses fascistas coxinhas?! Gente insensível, egoísta, gananciosa, que só pensa no lucro. Não precisam acreditar em mim (nem no Greg). Vejam com seus próprios olhos uma pequena amostra do que vi por aí:

Slide1

 

Fascista mendingo

Cavalo tucano

Pobre tucano

Fuca tucano

Fuca tucano 2

Em contrapartida, sem querer acabei me deparando com uns carrões importados com adesivo de Dilma ou de Che Guevara e Cuba, que bem poderiam ser dos amigos do Greg e do Chico, ou deles mesmos. Carrões como este:

O que me levou, finalmente, à seguinte conclusão gregoriana:

Burguesia x proletario

Fiquei, confesso, muito confuso. Mas se o Greg diz, deve ser verdade. Ele não brincaria com uma coisa dessas…

PS: Por que a tara de petistas por Land Rover? Desde o caso do Silvinho com a Petrobras que essa turma adora esse carrão anglo-saxônico imperialista. O Lada é tão melhor…

Rodrigo Constantino

22/10/2014

às 21:41 \ Humor

Conversa com um petista honesto

Malandro

Encontrei um velho conhecido num bar, e puxamos conversa. O papo se estendeu, tomamos umas e outras, e lá pelas tantas, sentindo que ele estava meio “alto”, deu-se a seguinte troca de palavras:

Eu: Soube que você pretende votar na Dilma. Por quê?

Petista: Ora, ela pode ter tido um governo corrupto, mas isso todos são. Em compensação, ela fez muito pelos pobres, pelo social. Agora pobre anda até de avião! As elites não suportam isso. É preciso preservar as mudanças. No mais, Dilma é um doce, um poço de gentileza.

Eu: Rapaz, é comigo que você está falando. Não tem câmera ligada, plateia, seu patrão do blog financiado pelo governo não está aqui, nem tem curtidas do Facebook para receber dos idiotas úteis. Estamos sozinhos. Vai, conta a verdade…

Petista: Ok, tá bom. Você venceu. Você sabe que tenho um apartamento em Paris, não sabe? Pois é: já viu a fila dos aeroportos agora? O governo não investiu nada em infraestrutura, demorou anos para fazer concessões por puro preconceito ideológico, e o andar de baixo passou a ter mais grana pra gastar por causa da China. Eu não aguento mais! Se Dilma vencer, a inflação segue em alta, e esses pobres vão ter que abandonar os aeroportos.

Eu: O que mais?

Petista: Além disso, eu vivo da pobreza, como você bem sabe. Preciso dela como a planta precisa do sol. Já pensou se o tucano ganha e os pobres conseguem superar a dependência das esmolas estatais? O que vai ser de mim? Com Dilma, tenho certeza de que a pobreza aumentará e de 54 milhões passaremos a 100 milhões de beneficiados pelo assistencialismo. Minha massa de manobra aumenta, e meu discurso sensacionalista ganha ainda mais peso, com tanto mascote. O blog paga mais.

Eu: Mas se o PT exagerar na dose da incompetência, isso aqui poderá virar uma nova Venezuela, e aí será ruim até mesmo para você…

Petista: Até lá já acumulei o suficiente para me mandar dessa porcaria. O Brasil é bom para ganhar dinheiro mamando nas tetas do estado. Vocês trabalhadores que votam no Aécio são uns otários, isso sim! Minha mulher vai conseguir um bom esquema também. Ela é artista, e vai rolar uma boquinha via Lei Rouanet se der Dilma. Tá garantido. Basta eu metralhar no blog todo dia alguma mentira qualquer sobre o Aécio. Falei outro dia até que ele bate em mulher…

Eu: Preciso ir embora. Não estou me sentindo muito bem. O estômago está embrulhado…

Petista: Mas antes de ir paga a nossa conta, vai. Não estou acostumado a pagar do meu bolso pelas minhas coisas. Sou petista, afinal de contas!

Rodrigo Constantino

22/10/2014

às 18:28 \ Cultura

A imaginação na literatura é libertadora. Ou: Os piores dias de minha vida não foram todos

“De vez em quando é até mesmo bom trazer ao presente grandes desgraças que eventualmente poderiam nos sobrevir, a fim de suportarmos facilmente as pequenas quando de fato chegarem.” (Schopenhauer)

Peço vênia ao leitor para sair um pouco do assunto eleição e falar de coisas mais nobres, como a literatura. A frase na epígrafe acima veio à mente após ler Os piores dias de minha vida foram todos, de Evandro Affonso Ferreira (Ed. Record). É o último de uma trilogia, mas fiz como Benjamin Button e comecei de trás para frente. Foi o primeiro dele que li, e gostei.

A narradora é uma mulher de meia idade presa em um quarto à beira da morte, tomada por uma doença em estágio terminal. Ela começa, então, a divagar, a compartilhar com o leitor suas reminiscências “aleatórias”, vagando nua pela cidade “apressurada” de São Paulo e relatando a “parvoíce” de toda gente, assim como suas desgraças e perdas, que parecem infindáveis. Todos tentando de alguma forma driblar o encontro inexorável com a morte.

A erudição é a marca registrada do livro, com o autor bebendo diretamente da mitologia grega o tempo todo. Antígona intercala as reflexões da narradora, como contraponto a ela mesma e aos demais mortais que encontramos por aí, covardes, mesquinhos, inseguros. A heroína, filha de Édipo, representa a determinação e a obstinação de quem prefere ser enterrada viva a deixar de oferecer um enterro digno ao irmão. Segue resoluta, sem titubear, a Lei Divina, ou interior, antes das leis dos homens. A pura audácia do desejo.

Além das referências mitológicas, o uso da linguagem rebuscada e da criatividade na escrita são cruciais na obra do autor. Há um claro cuidado na seleção de palavras, muitas delas desconhecidas mesmo para leitores mais acostumados à literatura, outras fruto de uma “inventividade vocabular”, como descreve Marcelo Laier na orelha. Apesar disso, não soa pedante.

Há um quê de profunda melancolia nas páginas, mas não sem pitadas de humor, sensibilidade e delicadeza, especialmente na ode à amizade. O “amigo escritor exinto” surge diversas vezes como o fio condutor de esperança e sentido em uma vida sofrida e vazia. Foram aqueles momentos compartilhados de conversas elevadas que tornaram mais suportável a travessia em um mar de agonias e tragédias.

Como encarar os infortúnios da vida? Afinal, “viver já é em si um desabamento”. Nascemos condenados, sob a maldição de Sísifo, mesmo sem ter praticado crime algum. Como manter a chama da esperança? Como não sucumbir ao desespero, ao niilismo? Desalento “in totum”, expressão que pulula nas páginas, antro de tédio, corpo fadado à destruição completa: como fugir disso?

“Eliminamos as ilusões de nossas vidas sempre pequenas. Já possuidores in uterus dele nosso ceticismo, carecemos vida toda de convenientes ilusões sublimes”, escreve. É possível evitar tal desolação assustadora? É viável escapar do abismo do desconsolo? A narradora diz que não, que no lugar em que se encontra “não há a menor possibilidade de se entregar aos devaneios místicos”.

Sua visão de mundo é a mais pessimista possível, fazendo Schopenhauer parecer um Pangloss que acabou de tomar um Prozac. “Somos todos irmãos siameses da estultícia”, diz. E acrescenta: “Somos todos capazes de atitudes de extrema mesquinharia. Levasse a sério a própria pequenez ser humano viveria às escondidas, disfarçando sua constante ruborização; a falta de capacidade para exercer a autocrítica está no topo da lista dela nossa patetice”.

Por outro lado, Sêneca e Montaigne são invocados para se valorizar a amizade, que “ajuda a organizar a dor”, e a literatura é encarada como “uma das formas mais elevadas de dar sentido à vida, de lutar contra o absurdo existencial”. Para quem é cético, talvez seja o que reste. “Deve ser reconfortante acreditar em Deus”, diz. Aos demais, resta o poder da imaginação – que talvez dê no mesmo.

Se a narradora flerta com a melancolia e o niilismo, o autor nos oferecer justamente uma fuga a ambos. Os alemães possuem uma expressão que captura bem isso: schadenfreude. Não possui tradução. Quer dizer regozijar-se com a desgraça alheia. Não é exatamente o que quero dizer aqui, mas serve: é quando nos sentimos aliviados, até com uma curiosidade mórbida, diante de um acidente, pois poderíamos ser as vítimas, mas estamos aqui, vivos. Humano, demasiado humano.

A sequência de desgraças relatadas pela narradora e suas reflexões melancólicas, constatando que os piores dias de sua vida foram todos, acaba produzindo um efeito contrário e até de alívio no leitor, que acaba a leitura ciente de que o pior dia de sua vida sem dúvida não foram todos. A imaginação na literatura, afinal, é mesmo libertadora.

Rodrigo Constantino

22/10/2014

às 16:04 \ Comunismo, Cultura, Democracia, Filosofia política

Entrevista ao VideoDebate: coletivismo x liberalismo

Entrevista de uma hora para o VideoDebate, com Ton Martins, em Jundiaí. Saímos um pouco da vulgaridade do debate eleitoral e discutimos ideias, conceitos, ideologias:

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Rodrigo Constantino

22/10/2014

às 13:45 \ Corrupção, Democracia, Economia, Política

Em ao menos um aspecto o PT já conseguiu nos transformar na Venezuela

Brasil x Comunismo

O sonho do PT é transformar o Brasil numa nova Venezuela. Não sou eu quem diz, tampouco se trata de alguma teoria conspiratória. É o próprio Lula, em várias ocasiões. Já afirmou, por exemplo, que ele e o então presidente Hugo Chávez caminhavam na mesma direção, mas enquanto o venezuelano ia de Ferrari a 200 km/h, o petista dirigia um fusquinha a 60 km/h. Os obstáculos ao bolivarianismo no Brasil são maiores. O destino almejado, porém, é o mesmo.

Ainda não somos a Venezuela. Nem mesmo a Argentina. Não por falta de vontade do PT, mas pela maior resistência de nossas instituições, entre elas a imprensa (não por acaso alvo de constantes ataques de ódio dos petistas, que não desistiram da obsessão de controlar os meios de comunicação independentes). O fato é que sobrevivemos ao PT, por enquanto.

Se a Venezuela tem inflação acima de 60% ao ano e a Argentina acima de 30% ao ano, nós estamos com um índice de “apenas” 6,5%, o dobro dos países mais decentes da região. Ok, levando em conta preços represados, o índice real está mais perto de uns 8%, bastante elevado. Mas ainda falta para chegar aos patamares assustadores dos nossos vizinhos. Se o PT tiver mais quatro anos no poder, podem ficar tranquilos que ele chegará lá.

O próprio controle da imprensa está em estágio bem mais avançado nesses países “camaradas”. Na Venezuela, simplesmente não há mais liberdade alguma, jornais foram fechados, jornalistas foram perseguidos, e políticos de oposição foram presos. Já é quase como Cuba, e apesar da forte rejeição a Maduro, ele continua no poder, pois asfixiou a democracia. A Argentina segue os mesmos passos, em ritmo mais lento, na toada trágica do tango.

Mas se ainda não estamos como a Venezuela e a Argentina “no que se refere” ao índice de inflação, desastre econômico, censura à imprensa e violência, em ao menos um aspecto o PT já conseguiu nos transformar na Venezuela: somos, hoje, um país dividido ao meio, completamente segregado, com um clima de antagonismo “nunca antes visto na história deste país”.

Jornalistas pedem cautela, e o próprio ministro petista Paulo Bernardo diz: “O vencedor deve adotar um discurso de conciliação. É preciso chamar os adversários para conversar. O Brasil precisa que esse clima arrefeça”. Curioso, vindo de alguém do PT e do governo Dilma. Por que não disse isso antes para seus próprios pares? Por que não tentou impedir a estratégia abjeta do marqueteiro João Santana?

A pesquisa Datafolha, um tanto suspeita, diz que a maioria condena a agressividade nas campanhas, e acha que Aécio foi mais agressivo do que Dilma. Se for verdade, em que mundo vivem essas pessoas? Não viram o que a campanha de Dilma fez com Marina Silva no primeiro turno e faz agora com o tucano? Não viram o ex-presidente Lula descer o nível e afirmar que Aécio é agressor de mulheres? Não viram o petista comparar os tucanos aos nazistas, sendo que foi o próprio Lula quem já teceu elogios a Hitler, por ser um obstinado por seus ideais?

Todos os jornalistas que adotaram a postura “neutra” de culpar igualmente ambos os lados pela agressividade prestam enorme desserviço à verdade, à justiça e ao país. Subtraem do leitor o direito de ter uma informação fiel dos fatos. Qualquer pessoa minimamente atenta e honesta percebe de onde vem o discurso de ódio, os ataques pessoais chulos, o clima de guerra. Paulo Bernardo fala em adversários, mas o PT não tem adversários; tem inimigos mortais que precisam ser eliminados.

A tática de dividir para conquistar, típica dos populistas e demagogos, foi usada e abusada pelo PT. Jogou ao longo de anos o trabalhador contra empresário, a mulher contra o homem, o gay contra o heterossexual, o negro contra o branco, o pobre contra o rico, o “povo” contra a “elite”. Fomentou a segregação dos brasileiros. Comprou quem estava à venda. Ludibriou as massas, calou a elite corrupta.

Quem tem olhos para enxergar, cérebro para pensar e dignidade, está revoltado com tudo isso. O país rachou ao meio, e foi obra do PT. De um lado, temos alienados, ignorantes e cúmplices do butim; do outro temos os brasileiros decentes que não aguentam mais pagar a conta, serem feitos de otários, roubados à luz do dia por uma máfia incrustada no poder. Reagiram, pois para tudo há limites.

É nesse clima que o Brasil chega às eleições finais e decisivas. Seguiremos no rumo bolivariano, rachando ainda mais o país, asfixiando ainda mais nossas liberdades, afundando ainda mais a economia? Ou vamos dar uma chance à paz, à democracia, aos que pretendem colocar o interesse nacional acima dos pessoais de curto prazo? Saberemos trocar um grupo que só tem um projeto de poder por outro que tem uma agenda de reformas necessárias?

A resposta vem nas urnas, em um processo já totalmente sujo pelos golpes baixos do PT, pelo abuso da máquina estatal em prol do partido, pelo terrorismo eleitoral, pelas mentiras e campanha difamatória. Se vencer a “onda azul”, há uma boa chance de conciliação, de paz, de colocarmos todos os brasileiros acima de grupos organizados de interesse, apesar da provável reação agressiva de minorias barulhentas, como o MST de Stédile, que já fez ameaças violentas se o tucano vencer.

Mas se der Dilma, será inevitável o agravamento das fissuras. Amizades se romperão, como já se rompem, e não sem motivo: como ignorar a alienação ou a imoralidade daquele que fecha os olhos para tudo o que está acontecendo em nosso país, para todos os infindáveis escândalos de corrupção, para o autoritarismo e a indecência dos petistas? Como respeitar quem não se dá ao respeito? Como admirar pessoas que endossam tal podridão?

O PT, claro, tentará continuar comprando todos, mas faltará verba, como ocorre na Venezuela. O socialismo dura até durar o dinheiro dos outros, e sem os incentivos adequados, este acaba rapidamente, vai embora para ambientes menos hostis. E como não será mais possível abrir as torneiras estatais para todos, e a economia entrará em grave crise, restará ao PT repetir o que foi feito por seus companheiros bolivarianos: intensificar a perseguição aos “inimigos”, tentar calar o mensageiro (a imprensa), manipular os dados oficiais (o que já acontece), etc.

Que os brasileiros possam deixar essa cizânia para trás e superar o lulopetismo, pelo bem de nossos filhos e netos!

Rodrigo Constantino

22/10/2014

às 11:14 \ Comunismo, Democracia, História

Uma elite podre e os seguidores de Jim Jones

Jim Jones

Em 1978, em Jonestown, na Guiana, o líder da seita Templo dos Povos, de inspiração marxista, levou mais de 900 pessoas a cometerem suicídio coletivo, por envenenamento. Jim Jones, que passou por Cuba e pelo Brasil em sua trajetória insana contra o “sistema”, e que tachava o capitalismo de regime econômico do Anticristo, conseguiu mobilizar uma massa de alienados em prol de sua utopia. Muitos deixaram seu patrimônio para o Partido Comunista da União Soviética. A imprensa progressista enaltecia seu ideal socialista até o dia da tragédia final.

Por que pensei nisso tudo agora? Sei lá. Talvez eu tenha a impressão de que metade do povo brasileiro esteja flertando com algo da mesma natureza: começa como uma utopia igualitária, um confronto ao “sistema”, um Templo dos Povos que vai ajudar os mais pobres, e termina com uma espécie de “suicídio coletivo”, como os venezuelanos já fizeram e os argentinos parecem ansiosos para fazer, aguardando sua vez na fila de espera. Aqueles mais conscientes e esclarecidos sentem calafrios diante da possibilidade irracional. Uma sensação de impotência avassaladora.

Mas eis o ponto central: nada daquilo seria possível sem o apoio de boa parte da elite. Nenhuma revolução proletária, afinal, foi parida do chão da fábrica por proletários. Sempre foi coisa de burguês da elite. O próprio Jim Jones contou com incentivos de jornalistas ocidentais encantados com a alternativa romântica de uma comunidade autossuficiente, em que o lucro seria banido e o amor coletivo triunfaria. Amém!

Já escrevi antes e repito: meu maior desprezo não é pelo eleitor alienado, ignorante, pela vítima de Jim Jones. É por aqueles que deveriam saber mais e lutar contra a irracionalidade coletiva, mas se colocam a serviço do equívoco, jogam lenha na fogueira, ajudam a criar o monstro. O PT jamais estaria onde está sem amplo apoio de boa parte da própria elite que ele tanto cospe no discurso.

São os artistas e “intelectuais” que espalham como o PT é maravilhoso e Lula um “pai dos pobres”. São os jornalistas que adotam postura covarde de não chamar as coisas pelos seus nomes. E com isso vão alimentando a indecência, a imoralidade, o autoritarismo, a corrupção. Sempre com seu duplo padrão moral, com sua indignação seletiva, com seu relativismo, com sua complacência ao que há de pior e mais populista na política nacional.

Lula

Dora Kramer resgatou um texto seu de 2010 que vem bem a calhar. Fala de Macunaína, nosso “herói sem caráter”. Mas toca no ponto nevrálgico da questão quando aponta sua arma na direção da própria elite, daqueles que ajudaram a criar esse ambiente no qual tudo é permitido para Lula, que goza de um salvo-conduto para baixarias, para canalhice desmedida, para contradições e abusos que jamais seriam tolerados do outro lado. Diz ela:

O ambiente em que o presidente Luiz Inácio da Silva criou o personagem sem freios que faz o que bem entende e a quem tudo é permitido – abusar do poder, usar indevidamente a máquina pública, insultar, desmoralizar – sem que ninguém consiga lhe impor paradeiro, não foi criado da noite para o dia. Não é fruto de ato discricionário, não nasceu por geração espontânea nem se desenvolveu por obra da fragilidade da oposição.

Esse ambiente é fruto de uma criação coletiva. Produto da tolerância dos informados que puseram seus atributos e respectivos instrumentos à disposição do deslumbramento, da bajulação e da opção pela indulgência. Gente que tem vergonha de tudo, até de exigir que o presidente da República fale direito o idioma do País, mas não parece se importar de lidar com quem não tem pudor algum.

Está certíssima! São os covardes que alimentam o monstro. São os vendidos que trocam a liberdade por migalhas. São os medrosos que se calam diante da patrulha. São os preguiçosos que se mostram indiferentes. Dora Kramer conclui:

Lula não teria ido tão longe com a construção desse personagem que hoje assombra e indigna muitos dos que lhe faziam a corte não fosse a permissividade geral. Se não conseguir eleger a sucessora não deixará o próximo governo governar. Importante pontuar que só fará isso se o País deixar que faça; assim como deixou que se tornasse esse ser que extrapola.

A eleição não está definida e o resultado é incerto. Mas uma coisa é certa: se o PT tiver mais quatro anos de governo para seguir seu projeto ambicioso e autoritário de poder, à custa de nossas liberdades e recursos, isso não pode ser jogado apenas na conta do “povo”; é a elite acovardada, cúmplice, imoral, que está dando corda para ser enforcada depois.

A grande diferença para o caso de Jim Jones é que lá a maluquice, alienação e estupidez fez vítimas voluntárias apenas, à exceção das pobres crianças inocentes sacrificadas por seus pais idiotas. Aqui, esse “suicídio coletivo” é escolhido por metade do povo, mas a outra metade é arrastada junto no turbilhão da irracionalidade…

Rodrigo Constantino

21/10/2014

às 20:13 \ Democracia, Economia, Política

A onda azul contra a maré vermelha

Vídeo em que declaro e justifico meu voto em Aécio Neves. De um lado, trata-se de um voto antipetista para impedir o bolivarianismo no Brasil. Do outro, é pelos méritos do próprio tucano, que se mostrou um hábil líder político e tem uma ótima equipe econômica.

Rodrigo Constantino

21/10/2014

às 17:42 \ Cultura, Democracia, Socialismo

Toquei na ferida dos canalhas. Ou: A esquerda caviar só sente no bolso

Minha campanha pelo boicote voluntário àqueles artistas que emprestam a fama para colaborar com um projeto nefasto de poder foi um sucesso, e já tem quase 40 mil curtidas. Mas há um termômetro ainda melhor para julgar que fui direto na ferida dos canalhas: a reação dos próprios!

Uma horda de militantes em pânico invadiu meu blog com comentários dos mais ofensivos, para provarem como sou intolerante. Eu sou um “ditador” por não comprar os livros e discos de quem defende o bolivarianismo, e eles me acusam disso ao lado de… ditadores! Eu “odeio” demais os outros, e eles afirmam isso com baba de ódio escorrendo pelo canto da boca, ao lado de Marilena Chaui, aquela que odeia abertamente a classe média. Não é fofo?

Como havia adiantado, essa é a parte mais sensível do corpo dessas “almas sensíveis e caridosas”: o bolso! Eles morrem de medo de faturar menos, pois são os igualitários abnegados mais materialistas e gananciosos que já conheci. Só querem ganhar, ganhar e ganhar. Entram em desespero com o risco de perder tetas estatais e ainda por cima mercado consumidor burguês, aquele em que cospem nos discursos.

O mais engraçado é a repetição de comentários muito coordenados dizendo que o boicote é ridículo e antidemocrático, e que como resposta vão boicotar a Veja (como se fossem assinantes). Pausa para me contorcer de tanto rir. Sei que não devia, pois a estupidez e a canalhice não são motivo de riso, e sim de choro. Como podemos ver, a revolta deles com o boicote é seletiva. A esquerda, aliás, faz boicote o tempo todo contra os Estados Unidos e Israel, mas na hora que é alvo dele, sai de baixo!

Outra coisa hilária – e também abjeta – é compararem a atitude voluntária de consumidores com o ato de perseguição ideológica de partidos no poder ou do próprio governo. Meu Deus! Tenho muita dificuldade de crer que somente a burrice explica algo assim. Expliquem como fere a democracia e a liberdade uma campanha de boicote voluntário? Por acaso essa turma fica sem o direito de comprar os livros e discos de seus ídolos?

É como aquela gente que compara o Muro de Berlim com o da fronteira entre Estados Unidos e México, ignorando o “detalhe” de que um servia para impedir a saída do próprio povo, e o outro a entrada de imigrantes ilegais. Ciro Gomes, pelo visto adorado pela turba, de tanto que citam seu nome, repetiu exatamente essa baboseira em um Fórum da Liberdade no painel anterior ao meu, e antes de abrir minha palestra fiz essa distinção, sendo ovacionado pelo público.

Por fim, outro “argumento” repetido feito vitrola com disco arranhado pelos autômatos: vou ter que comprar apenas arte dos que votam em Aécio, ou seja, Lobão, Roger, alguns sertanejos, etc. Como podem não ter compreendido absolutamente nada? É um espanto, mesmo para eleitores de Dilma.

O fato de eu propor que as pessoas parem de voluntariamente transferir recursos de suas contas para a de artistas engajados que abominam seus próprios consumidores da elite burguesa e querem transformar o Brasil em Cuba não quer dizer que esses consumidores só podem comprar livros e discos de quem defende abertamente Aécio. De onde tiraram algo tão estúpido?

O músico pode ser de esquerda que não tem problema algum. Pode até mesmo ser eleitor de Dilma. Faz parte. O voto é livre, a ignorância também. O voto é secreto, a ignorância nem tanto. O que a campanha pretende combater é a militância, o engajamento de artistas vendidos que se curvam como garotos-propaganda de um partido corrupto e alinhado a regimes ditatoriais.

Na União Soviética houve vários desse tipo, na Alemanha nacional-socialista também. Minha proposta é fazê-los sentir um pouco o peso de sua hipocrisia e canalhice. Acham a elite burguesa consumista um lixo? Nada mais justo do que essa elite se recusar a bancar quem a ofende e quer destruir suas liberdades, não é mesmo?

E para fazê-los sentir isso, nada melhor do que colocar o dedo na ferida e mexer na única parte do corpo em que têm sensibilidade: o bolso. Isso explica a reação ensandecida e furiosa dos canalhas. Sabem que eu, o “ser odiento” e “fascista”, retirei o véu de sua falsidade e expus o ódio e o fascismo dos próprios bajuladores de tiranos que odeiam a nossa liberdade.

Rodrigo Constantino

21/10/2014

às 16:26 \ Educação, Política

Estudantes da PUC/RJ fazem manifestação pró-Aécio

A hegemonia marxista foi definitivamente quebrada nas universidades brasileiras. É verdade que a PUC particular nunca foi como a UFRJ ou a UERJ, mas mesmo assim sempre teve um predomínio da esquerda radical, ao menos nas manifestações públicas. Eu sei, pois estudei lá.

É um paradoxo, uma vez que foi a PUC do Rio que forneceu ao país a equipe do Plano Real, simplesmente o melhor programa social de todos os tempos, responsável pela estabilidade da moeda e pela retirada de milhões de pessoas da miséria. O PT era contra o plano, como foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, as privatizações, etc.

Fico emocionado de ver que a PUC resgata seu bom senso e derruba o monopólio petista do pilotis. Ainda tenho calafrios só de lembrar do pessoal daquele Cambralha fazendo uns teatrinhos ridículos para tentar impedir a lanchonete Subway lá, uma vez que a PUC “não é um shopping center”. São os filhinhos de papai que chegam com carro zero e camisa do Che Guevara.

Não mais! Sinais dos tempos, ventos de mudança. Vejam que empolgante o ato patriótico de quem quer um Brasil para frente, e não para trás, rumo ao bolivarianismo, de volta à Guerra Fria:

As bandeiras do Brasil e a cor azul combinam muito mais com a liberdade e a prosperidade do que as bandeiras do PT e a cor vermelha. Fora, PT!

Rodrigo Constantino

21/10/2014

às 14:54 \ Democracia, Política

Calma, gente! Os institutos de pesquisa erram sempre a favor do PT…

Muitos ficaram desanimados com as pesquisas recentes do Datafolha, e os próprios investidores acusaram o golpe: as estatais despencaram e o Ibovespa já voltou para os 52 mil pontos.

Fonte: Infomoney

Fonte: Infomoney

 

Quem sabe o que mais quatro anos de PT representariam para nossa economia (e democracia) entra em pânico mesmo, com razão. Razão por antecipar a desgraça que seria para o Brasil uma reeleição de Dilma, mas não necessariamente por acreditar nas pesquisas. Seu histórico é ruim, e com um importante “detalhe”: os erros tendem a favorecer sempre os petistas e prejudicar os tucanos.

Um leitor preparou e me mandou a seguinte tabela:

Pesquisas eleitorais

 

O que podemos ver é que tanto o Ibope como o Datafolha acabaram superstimando os votos no PT e subestimando os votos no PSDB nas últimas eleições. Não digo que seja algo deliberado. Talvez haja alguma explicação metodológica, de amostragem, não sei. Mas o fato é esse: os tucanos costumam ter mais votos do que as pesquisas apontam, e os petistas menos.

Portanto, patriotas, não é hora de desanimar, e sim de arregaçar as mangas e trabalhar dobrado para livrar o Brasil dessa máfia corrupta e autoritária…

Rodrigo Constantino

 

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