Blogs e Colunistas

União Européia

12/04/2014

às 6:29 \ Disseram

Rosa Díez, e a independência da Catalunha

“No século XXI, em plena vigência da União Europeia, não concebo nada mais reacionário do que criar novas fronteiras, do que conceber barreiras e separações.”

Rosa Díez, deputada, líder do partido espanhol União, Progresso e Democracia, criticando os independentistas da Catalunha.

13/12/2013

às 14:22 \ Vasto Mundo

Grécia: a crise começou com uma fraude

Manifestantes durante conflito com a polícia no centro de Atenas, Grécia

Publicado originalmente a 17 de junho de 2011.

A crise grega que está nas manchetes, inclusive do site de VEJA, tem mil explicações, amigos do blog, mas seu olho do furacão começou com uma fraude, uma maracutaia inacreditável praticada pelo partido conservador Nova Democracia, que governou a Grécia por seis anos, até 2009.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro do Partido Socialista (Pasok), Giorgos Papandreu, constatou em poucos dias que seus antecessores haviam maquiado escandalosamente as contas públicas para os parceiros da União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE). O verdadeiro déficit públic do país, de gravíssimos 15,7% do PIB, era mais do que o dobro do informado pelo governo anterior.

O déficit verdadeiro era a conta que chegava para ser paga pela gastança do governo do antecessor de Papandreu, Kostas Karamanlis (2004-2009), que, em vez de atuar dentro das possibilidades do Orçamento e, mais, equacionar o que restava de déficit devido aos investimentos na preparação das Olimpíadas de 2004 pelo governo socialista que o precedeu, preferiu continuar torrando dinheiro público – e mentir.

Bola de neve de desconfiança e um brutal ajuste fiscal

A desconfiança dos mercados para com a Grécia, a partir daí, diante do temor de que os empréstimos ao governo e às empresas gregas não seriam quitados, fez rolar uma bola de neve que explodiu nas mãos de Papandreu.

O primeiro-ministro conseguiu realizar um brutal ajuste fiscal, o mais severo já feito por um país da zona do euro desde o estabelecimento da moeda comum, em 2000, e baixou em 5 pontos percentuais o rombo. A essa altura, porém, os cortes orçamentários e outras medidas restritivas haviam levantado um turbilhão de protestos na sociedade, que foram num crescendo tal que, apenas nos últimos 15 meses, houve 22 greves gerais no país.

A União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que muitos chamam de troika, ressuscitando a velha palavra da extinta União Soviética – socorreram a Grécia há um ano com um empréstimo de 110 bilhões de euros (algo como 250 bilhões de reais), mas o atoleiro grego não melhorou, e o Papandreu necessita de mais 60 bilhões de euros (140 bilhões de reais).

Privatizar o banco estatal, serviços de águas, portos e até um cassino

Para tanto, as exigências da troika são severíssimas. Depois de baixar os 5 pontos percentuais no déficit, em dois anos, Papandreu agora precisa derrubá-lo de 10,5% para 7,5% até o final deste ano.

Para fazer frente ao total da dívida grega antes desses 60 bilhões, que supera 142% do PIB (só para comparar: a do Brasil bate nos 40% do PIB) e é de 328 bilhões de euros (750 bilhões de reais, uma enormidade para um país das dimensões da Grécia), o programa para o qual Papandreu precisa obter o consenso das principais forças políticas, e que o levou a reformar seu gabinete, consiste em basicamente dois pontos:

1. Corte de gastos de mais 28 bilhões de euros num país que já está no osso e que podou investimentos em saúde, educação e infraestrutura

2. Privatizações que obtenham de 50 a 60 bilhões de euros, para reduzir a sufocante dívida pública e que incluem o banco estatal Caixa Postal de Poupança, os portos de Atenas (Pireu) e Salônica, a segunda maior cidade grega depois da capital, os serviços de abastecimento de água das duas cidades, a empresa telefônica nacional, OTE, que já tem como sócio minoritário o gigante alemão Deutsche Telekon, e até o cassino de Atenas, que pertence — vejam só — ao governo.

Diante desse quadro dificílimo, quem começou tudo, o partido Nova Democracia, não tem colaborado em nada. Pode ser que Papandreu venha a obter para as medidas duras e mesmo um governo de união nacional, caso em que ele próprio disse que cederia seu cargo em prol de um acordo. Mas as palavras de Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, ditas ainda esta semana são de uma hipcrisia aterradora: “Não estou disposto a apoiar uma politica que arrase nosso país”, afirmou.

Ele ignorou o fato de que foi o governo antecessor de Papandreu, de seu próprio partido, quem iniciou esse processo de derrocada do país com uma fraude.


26/10/2013

às 13:08 \ Disseram

Angela Merkel, sobre espionagem americana: “nossa confiança precisa ser restaurada”

“Nós precisamos ter confiança entre aliados e parceiros, e essa confiança (entre EUA e Alemanha) precisa ser restaurada”

Angela Merkel, chanceler alemã, ao participar do encontro da cúpula da União Europeia em Bruxelas. Antes, ela havia cobrado do presidente Barack Obama explicações sobre indícios de que seu celular teria sido monitorado pelos americanos. O jornal inglês The Guardian publicou reportagem dizendo que os Estados Unidos já fizeram isso com 35 líderes mundiais e o Le Monde denunciou espionagem a cidadãos franceses

28/09/2013

às 8:00 \ Tema Livre

Até o fim do ano, 200 milhões de pessoas estarão consumindo cigarros eletrônicos. É uma grave ameaça à saúde — ou uma forma de deixar de fumar? A polêmica ainda não se encerrou

Cigarro-eletrônico

O cigarro eletrônico: com formato cilíndrico, diferentes cores e estilos e tamanho bem parecido ao de um cigarro convencional, foi inventado nos anos 60 mas passou a ser fabricado em massa na China em 2003. Tem metade de seu comprimento (a parte da frente) ocupado por uma bateria de lítio, cuja carga dura entre um e três dias. O líquido que a bateria vaporiza vem em refils e em geral contém nicotina (Foto: Thinkstock)

É um fenômeno em expansão, está pegando de surpresa uma série de países que não possuem legislação a respeito e, sobretudo, paira como ameaça sobre meio século de bons resultados no combate aos males do fumo mundo afora: são os cigarros eletrônicos, ou e-cigarettes, cujo consumo cresce em espantosa progressão geométrica.

Os e-cigarretes (vejam a explicação de como funcionam na legenda da foto acima) devem atingir espantosos 2oo milhões de consumidores até o final do ano, no mundo inteiro.

Nos Estados Unidos, o banco de investimentos Goldman Sachs estima que no final deste ano a indústria dos e-cigarettes já movimente quase 2 bilhões de dólares, cifra 140% superior à gerada no ano anterior e e seis vezes maior do que a de 2011.

A coisa vai a jato. Um levantamento feito há um ano pela entidade que reúne comerciantes americanos de várias marcas, a Tobacco Vapor Electronic Cigarette Association, apontava um salto de vendas: de apenas 50 mil unidades em 2008 – que nos EUA podem ser adquiridas por a partir de 21 dólares – passaram a 3,5 milhões quatro anos depois.

No Velho Continente, onde apenas Dinamarca e Noruega estipularam medidas restritivas mais imediatas e claras, uma pesquisa do instituto Doxa mostrou que já há meio milhão de italianos consumidores habituais da novidade, total que chega a 2 milhões se forem contados os usuários ocasionais. Na França, estudos encomendados pelo governo já indicam meio milhão de usuários frequentes.

ilustra-cigarro-eletronico

Previsões da consultoria Euromonitor atribuem gastos meio bilhão de euros (1,55 bilhão de reais) dos adeptos europeus do vaping – até um novo verbo em inglês já foi cunhado para a prática, significando algo como “vaporear”.

Os números na China são espantosos – várias dezenas de milhões de consumidores fixos ou eventuais –, mas o governo comunista não divulga estatísticas.

A União Europeia se preocupa bastante com o assunto a ponto de examinar a adoção de medidas como só permitir a venda livre dos refis de e-cigarros que contenham apenas um miligrama de nicotina — superado este limite, a oferta estaria restrita a farmácias. Esta providência quanto às farmácia já foi adotada pelo Reino Unido e entra em vigor em 2016.

No Brasil, ainda que possam com facilidade ser encontrados de forma ilegal, os e-cigarettes foram vetados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já em agosto de 2009. A agência deu ouvidos à Organização Mundial da Saúde (OMS) que, no final do ano anterior, desaconselhara o produto, diante da ausência de estudos conclusivos sobre os resultados de seu consumo a longo prazo (posição que ainda mantém).

Mais do que isso, a Anvisa se alinhou à Foods & Drugs Administration americana (FDA), que alertara sobre a presença de substâncias cancerígenas e da “droga psicoativa nicotina” em muitos dos líquidos comercializados para os cigarros eletrônicos — mesmo nos supostamente desprovidos de tabaco.

O Estado brasileiro, assim, em vez de simplesmente sugerir a proibição do consumo em lugares fechados, como ocorre com cigarros, charutos e similares, resolveu tutelar os cidadãos, avançando, como de hábito, sobre as liberdades individuais.

Manifestação em Paris em favor da “liberdade de vapear”: um dos problemas dos e-cigarros é que praticamente não existem campanhas de alerta quanto a seus riscos (Foto: demotix.com)

A postura da FDA decorre do fato de que nos próprios EUA – simultaneamente notório feudo antifumo e colossal mercado tabagista – e em vários países da Europa a novidade não é proibida por lei e vem se popularizando mais a cada ano, a despeito dos constantes alertas de entidades médicas.

Estamos diante de uma economia em enorme expansão, e talvez proporcional à polêmica sobre os cigarros eletrônicos.

Os argumentos contra são inúmeros e abrangem diversos critérios. Os mais urgentes, evidentemente, se referem à saúde dos usuários.

Ainda anteontem, terça-feira, a rede de TV norte-americana ABC comentava um estudo feito por especialistas de diferentes universidades sobre a segurança de consumir e-cigarros de duas das marcas mais vendidas nos EUA concluiu que eles continham traços de substâncias altamente danosas ao organismo humano, inclusive um composto químico utilizado em anticongelantes para radiadores de automóveis.

O grosso das críticas e dos temores vem do fato de que a esmagadora maioria dos refis de e-cigarros contém, em sua mistura líquida, a velha e maléfica nicotina. Já na época da oficialização da proibição no Brasil, a então presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a médica Jussara Fiterman, alertara: “O indivíduo acha que está parando de fumar, mas ele não está porque existem a nicotina e outras substâncias cancerígenas”.

É por isso que o dr. Esteve Fernández, chefe da unidade de tabagismo do Instituto Catalão de Oncologia, em Barcelona, lamenta que os e-cigarettes estejam “fora de quaisquer controles sanitários”, e defende a tese de que apenas após a comprovação de sua suposta eficácia na diminuição do consumo do tabaco – algo que ainda não ocorreu – seu uso e venda deveriam ser regulamentados. Caso contrário, que sejam proibidos nos mesmos locais onde não se permite fumar.

O professor de direito na Universidade George Washington e ativista antitabagista John Banzhaf, por sua vez, disse ao jornal americano USA Today que os e-cigarettes “podem atrair ao tabagismo jovens que, em principio, não fumariam”.

Banzhaf se referia a pesquisa publicada pela Universidade de Minnesota, cuja conclusão foi de que jovens adultos viam a opção do fumo eletrônico como algo positivo. Metade dos entrevistados afirmou que experimentaria a alternativa, incentivada sobretudo pelos muitos sabores disponíveis na praça.

Publicidade de uma das marcas de e-cigarro nos EUA, a South Beach: insistência de que “vapear” é bacana e sexy

Por essa razão é que a Associação Nacional dos Procuradores-Gerais dos Estados dos EUA pediu “com urgência” à FDA a normatização do consumo dos cigarros eletrônicos, por considerar que seu uso vem sendo incentivado junto a adolescentes “com personagens de desenhos animados, anúncios na televisão e sabores como o de chicletes”.

Não ajuda o fato de nos EUA e no Reino Unido não haver restrições contundentes à publicidade das marcas de cigarros eletrônicos, ao contrário do que acontece com as dos cigarros propriamente ditos. Em âmbito global, esta retomada de uma imagem “bacana” e em muitos casos sexy do ato de fumar ameaça colocar em cheque conquistas duramente obtidas com campanhas antifumo.

A questão comportamental é parte da discussão. A explosão dos cigarros eletrônicos “acontece justo quando, por fim, conseguíamos reduzir significantemente o número de fumantes e, acima de tudo, quando já se conseguira que a imagem de alguém segurando um cigarro, inalando e exalando fumaça deixasse de ser algo normal”, critica Joan Lozano, membro da comissão técnica da Rede de Atenção Primária Sem Fumo de Barcelona, em depoimento ao jornal El Periódico.

Na mesma reportagem, outra autoridade sanitária espanhola ressaltava que esta imagem menos ofensiva e glamorizada dos cigarros eletrônicos pode contribuir para atingir em cheio um público-alvo particular: ex-fumantes hesitantes, adolescentes curiosos e até mulheres grávidas tabagistas que, de contrário, se esforçariam mais para deixar o vício durante a gestação.

Especialistas lembram também que até o momento não está provado claramente que alguém possa parar totalmente de fumar com o novo hábito, embora existam indícios de que podem ajudar a diminuir o número de cigarros consumidos (leiam nesta matéria de VEJA). A prestigiosa revista médica semanal britânica The Lancet entrou na polêmica com um artigo defendendo esta tese.

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A atriz Katherine Heig fumou cigarro eletrônico e o defendeu em entrevista no programa de David Letterman em 2010 (Foto: reprodução)

No e-cigarro, a energia da bateria de lítio aciona o aquecedor próximo à boquilha, que transforma na fumaça a ser inalada o conteúdo líquido de um refil. Na ponta, uma luz LED serve tanto para simular o acendimento de uma brasa normal quanto avisar sobre o estado da bateria.

Justamente por conter este recipiente apto a diferentes tipos de conteúdos – cada unidade equivalente a mais ou menos a 12 cigarros -, o e-cigarette é celebrado por seus defensores, entre os quais se incluem celebridades como o Rolling Stone Ron Wood, a top model Kate Moss e a atriz Katherine Heigl, como uma alternativa para consumir menos nicotina, ou até mesmo parar de fumar.

A viciante nicotina, porém, quase invariavelmente marca presença. Junto com água e com os compostos orgânicos propilenglicol e glicerol, a droga se “disfarça” em meio a sabores que podem ir de baunilha a tutti-frutti, passando por uísque, café, framboesa, banana e até diferentes peixes. Ainda assim, entusiastas alegam que a quantidade da famosa substância ingerida em cada “trago eletrônico” é cerca de dez vezes menos do que a consumida em um trago “clássico”, que oscila entre 1 e 2 miligramas.

Pegando carona nestes números, novas empresas exploram um suculento novo nicho empresarial. É o caso da italiana News Smoke, que possui 26 filiais nacionais e seis na Espanha, e cujo slogan é “Mais saudável em qualquer lugar”.

Ou seja, a marca faz alarde sobre o fato de seus produtos serem supostamente menos nocivos à saúde e por seus usuários terem a chance de voltar a desfrutá-los em lugares onde os tabagistas não são mais aceitos – na Itália é proibido fumar em locais públicos fechados desde 2005, na França desde 2008 e na Espanha desde 2010. Os e-cigarros, por produzirem vapor sem cheiro, não constituiriam problema.

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Campanha publicitária da marca italiana News Smoke: todo mundo saudável, de dentes brancos, sem queimaduras, menos pobre e podendo fumar em bares (Foto: News Smoke)

Entre as outras vantagens incluídas no lobby favorável aos cigarros eletrônicos estão também algumas futilidades espantosas quando comparadas a eventuais riscos à saúde, como a manutenção da brancura dos dentes, a abolição do uso dos cinzeiros, o fim das queimaduras causadas pela queda de brasas, o fim do odor impregnado nas roupas e economia de dinheiro — um fumante médio que passe a consumir a novidade baixaria seus gastos anuais de 1.000 para 600 dólares.

A postura em favor de tais argumentos, sobretudo o de que vapear pode ajudar a largar o cigarro, porém, está longe de ser unânime, ainda mais porque está estatisticamente comprovado em vários países que muitos dos usuários dos e-cigarros continuam fumando TAMBÉM os cigarros de sempre.

Além disso, o propilenglicol, tipo de álcool presente nos líquidos utilizados nos refis, é  considerado tóxico se consumido com grande frequência. Outras pesquisas apontaram que o simples inalar da fumaça dos e-cigarettes pode não danificar o coração, mas prejudica os pulmões.

Os e-cigarros, por tudo isso, estão na berlinda. E sua sorte futura vai depender da postura que adotarem, em definitivo, a Organização Mundial da Saúde, a União Europeia e a meca dos consumidores de cigarro do planeta, os Estados Unidos. Se os três penderem para medidas restritivas como as que existem para o tabaco convencional, a moda tende a arrefecer. Caso contrário, o céu é o limite.

21/08/2013

às 17:51 \ Vasto Mundo

ALEMANHA: Esses cães farejadores são especializados em… dólares e euros contrabandeados

Devidamente uniformizada ("Zoll" é alfândega em alemão), uma das cachorras busca dinheiro nas bagagens dos passageiros do aeroporto de Frankfurt (Foto: Associated Press)

Elas trabalham duro, duríssimo. São apenas três, e farejam em apenas 15 minutos 300 peças de bagagem — a média que contém o bagageiro de um jato médio de passageiros — em seu trabalho de ajuda à polícia. Aí têm uma folga de meia hora para se recuperar, mas voltam à ação e, em uma jornada de atividade, são capazes de farejar tudo o que trazem para o Aeroporto de Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha, oito jatos comerciais inteiros.

Trata-se de Dina, Anni e Alegría, três cachorras da raça pastor alemão que integram o batalhão de 40 cães farejadores do aeroporto — mas o que as torna especiais é que a partir de 1 ano de idade receberam um treinamento de 18 meses, com acompanhamento diário de veterinários, para farejar algo muito específico: dinheiro. Seus companheiros de trabalho identificam armas e drogas. As três, porém, são capazes de apontar as peças de bagagem que trazem notas de euros e dólares, em geral “negros”, ilegais.

“Quando eles se familiarizam com um determinado cheiro, são capazes de lembrar-se dele por quatro meses”, conta Uwe Wittenberg, chefe da divisão de cães rastreadores do aeroporto de Frankfurt. A cada dia, em média, elas detectam dinheiro em cinco malas, em geral abaixo de 10 mil euros. No primeiro semestre deste ano, as cachorras foram responsáveis pela prisão de 20 contrabandistas de dinheiro — o maior deles levava 200 mil euros dentro da mala de roupas.

No âmbito da União Europeia, os passageiros que portam mais de 10 mil euros (pouco mais de 30 mil reais) em espécie precisam declarar às autoridades. Muitos não o fazem, quando o patrimônio declarado ao fisco não comporta as quantias que portam, em geral repatriadas de contas na Suíça e em outros países fora da UE que mantêm contas bancárias secretas e fora do alcance das autoridades, como Mônaco ou Liechtenstein.

Dinheiro escondido dentro de um pão, e embrulhado em alumínio: não adianta, os cães detectam (Foto: Der Spiegel)

Outros não querem pagar taxas pesadas, variáveis conforme o Estado alemão em questão, por se autodenunciarem como titulares de contas em paraísos fiscais para regularizar sua situação. Só no primeiro semestre deste ano, 14.512 cidadãos pediram anistia e pagaram multa — o dobro do total de todo o ano passado. Quem é flagrado com dinheiro negro não pode habilitar-se a anistia.

Não há dados completos de toda a Alemanha a respeito do quanto se arrecadou em multas, mas só os Estados de Baden-Würtenberg e Renânia do Norte-Westália, somados, embolsaram mais de 1 bilhão de euros de gente que se autodenunciou e pediu anistia desde 2010.

Os dirigentes da União Europeia têm trabalhado na elaboração, difícil, de um pacto destinado ao intercâmbio de informações entre os 28 Estados-membros sobre rendimentos obtidos fora da UE por seus cidadãos, como também um aperto geral nas regras do fisco e na eliminação de brechas leais que permitem a evasão fiscal. Ao mesmo tempo, há discussões com países europeus como a Suíça, Licehtensten, Andorra, San Marino e Mônaco para afrouxar seu sigilo bancário e facilitar o combate à lavagem de dinheiro.

Enquanto isso não ocorre, Dina, Anni e Alegría, junto com dez outros “colegas” especializados em farejar dinheiro que atuam em outras cidades, continuam seu trabalho.

Acredita-se que o que sensibiliza o extraordinário faro dos cães farejadores, no caso, seja a tinta utilizada na confecção de dólares e euros. Os euros mantêm a especificidade de terem cédulas feitas exclusivamente de algodão, sem a utilização de papel.

“O cachorro que muita gente tem em casa e que é capaz de fazer uma série de truques é equivalente a uma bicicleta”, diz Marc Behre, da alfândega da cidade portuária de Bremen, no norte da Alemanha, que utiliza um cão farejador de dinheiro. “Já o nosso aqui é um Porsche”, brinca.

04/06/2013

às 15:25 \ Política & Cia

Pedro Simon: A Aliança do Pacífico, o Brasil e o Mercosul

Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)

Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)

Artigo publicado no jornal Zero Hora

 A ALIANÇA DO PACÍFICO, O BRASIL E O MERCOSUL

É com angústia que vejo e analiso as declarações de autoridades diplomáticas brasileiras sobre a Aliança do Pacífico. Houve quem afirmasse que ela “não tira o sono do Brasil”. Uma opinião destemida, mas não apropriada quando se trata de um tema vital para os interesses estratégicos do país.

Assim, a criação de um novo bloco de países na América Latina, com suas implicações geopolíticas, comerciais e econômicas é analisada de forma superficial. Não se concebe que esse acontecimento não cause a mais leve apreensão, tanto por parte do governo, quanto pelo Itamaraty.

Ao contrário, o assunto é visto com displicência, um quase desdém, embora a Aliança do Pacífico tenha potencial para causar forte impacto no sonho da integração latino-americana. A começar pela redução do poder de atração representado pelo Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade.

A Aliança representa um forte contraponto à influência política e econômica do Brasil na região. Formada há dois anos por México, Chile, Colômbia e Peru, contabilizou no ano passado US$ 556 bilhões em exportações, contra US$ 335 bilhões registrados no comércio tradicional entre os países que integram o Mercosul.

É compreensível que a Aliança, subestimada no Brasil, seja acompanhada com maior objetividade por outros países. Estados Unidos, Canadá, Panamá e Costa Rica estão mais diretamente interessados. Ao mesmo tempo, França, Japão, Espanha, Portugal, Nova Zelândia e Austrália enviaram observadores à recente reunião de cúpula do grupo.

É quase inacreditável que todo esse barulho em nossa vizinhança, não desperte qualquer curiosidade por aqui. Tanta movimentação política e comercial na nossa retaguarda deveria – isso sim – despertar luzes amarelas piscantes no Itamaraty.

Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)

Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)

Mas, a preferência nesse ambiente é por outras cores. Talvez considere mais atraente o azul da bandeira da combalida União Europeia, com a qual o Mercosul tenta formalizar, há uma década, um acordo comercial capaz de equilibrar interesses da indústria e da agricultura de ambos os lados.

Nesse vácuo de interesse, cabe grande responsabilidade ao Senado e, especialmente, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa. Daí, nossa sugestão de realização de uma audiência pública com autoridades e a quem mais interessar, para que possamos debater com profundidade a Aliança do Pacífico e suas implicações geoestratégicas, políticas e comerciais no continente, levando em conta, principalmente, o Brasil e o Mercosul.

19/05/2013

às 9:05 \ Disseram

Nova definição de União Européia na opinião de um ex-ministro conservador: “Uma monstruosidade burocrática”

“Uma monstruosidade burocrática. Hoje eu votaria contra.”

Nigel Lawson, ex-ministro conservador, lorde e pai da famosa especialista em culinária, sobre o que considera a experiência fracassada da União Europeia

09/05/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

Ora, ora, quem diria: a Itália, apresentada muitas vezes como sinal de bagunça e desgoverno, dá exemplo na União Europeia

Ora, ora, ora, quem diria?

Não sei se os amigos do blog prestaram atenção aos dados finalmente consolidados de 2012 sobre a situação das finanças dos países europeus – brutalmente afetados pela crise de 2008 –, a cargo do Eurostat, o organismo da União Europeia responsável por todos os dados oficiais.

Vou ajuda-los.

Há ali surpresas espantosas. Quem diria, por exemplo, que a desgraçada, estraçalhada, humilhada Grécia, com déficit público equivalente a 10% do PIB, estivesse melhor do que a Espanha, com assustadores 10,6% — o maior entre os 27 países-membros da União Europeia?

Sabem o poderoso Reino Unido, orgulhosa sexta maior economia do mundo?

Pois bem amigos, com 6,3% do PIB de déficit público, o país governado pelo primeiro-ministro David Cameron tem resultado i-gual-zinho ao de… Chipre, o pequeno país-ilha de 1 milhão de habitantes cujos bancos precisaram ser socorridos pela União Europeia para não levar a economia local para ao buraco, espalhando efeitos até para a Rússia.

A lista de surpresas é longa – e inclui, por exemplo, a Polônia ex-comunista (déficit de 3,9% do PIB) bem melhor do que a França eterna (4,8%).

A maior de todas, porém, vem da Itália: o país sem governo estável e até sem presidente da República até há poucos dia, agora pilotado pelo jovem primeiro-ministro Enrico Letta à frente de uma complicada e heterogênea coligação, frequentemente citado como sinônimo de desgoverno e bagunça apresenta o MELHOR resultados entre os 17 países cujos dados o Eurostat divulgou: déficit de 3% do PIB, rigorosamente dentro das normas da União Europeia.

Sinal de competência do governo de técnicos do primeiro-ministro Mario Monti, responsável por uma rigorosa e ousada e curta gestão (novembro de 2011 a abril deste ano).

O único dos 27 países da União Europeia a apresentar superávit foi a Alemanha – 0,2% do PIB.

24/03/2013

às 15:00 \ Vasto Mundo

FRANÇA: O bonachão Hollande veste trajes de guerreiro, se aproxima militarmente da Grã-Bretanha e recebe aplausos

Blindados franceses durante intervalo de operações no Mali (Foto: AFP)

Por Gilles Lapouge – Correspondente em Paris do jornal O Estado de S.Paulo

Dois anos de horror na Síria, 70 mil mortos e 1 milhão de refugiados. E o presidente Bashar Assad, contra o qual se levantou o povo sírio há 24 meses, continua a desafiar uma opinião pública horrorizada pelo cinismo dos açougueiros de Damasco.

Isso não quer dizer que a Europa não fez nada para pôr fim à carnificina. Em intervalos regulares, Washington, Paris, Berlim e Roma suspiram. Às vezes, dizem: “É uma vergonha o que ocorre na Síria”.

Agora, porém, dois países europeus se aborreceram: França e Grã-Bretanha. Eles pediram que a União Europeia levantasse o embargo de armas aos rebeldes.

Assim, enquanto o tirano Assad é reabastecido por Rússia e Irã, os rebeldes estão submetidos ao bloqueio. O presidente francês, François Hollande, e o premiê britânico, David Cameron, informaram que, se o embargo não for levantado, França e Grã-Bretanha o ignorarão e entregarão armas, sobretudo mísseis terra-ar.

Trata-se de uma decisão audaciosa. Com o tempo, a rebelião síria foi inundada por guerrilheiros de todo o mundo árabe e seguidores do islamismo radical. Em suma, Paris pretende armar na Síria homens que são primos ideológicos dos terroristas contra os quais a França enviou seu Exército ao Mali.

Hollande não ignora isso, mas estima que não se pode deixar Assad bombardear suas próprias cidades e assassinar seu povo sem agir.

Assim, o presidente francês renova seus laços calorosos com os britânicos no momento em que o clima entre Londres e Paris era glacial. Essa reaproximação não é inocente.

Alguns meses atrás, a dupla França e Alemanha, que conduzia a Europa há 50 anos, se desentendeu e perdeu fôlego. O motor franco-alemão entrou em pane. Em seu lugar, a chanceler alemã, Angela Merkel, entregou-se aos primeiros testes de um novo motor anglo-alemão.

Mas sobre a Síria está se formando uma nova dupla: França e Grã-Bretanha. A Alemanha, que até então sempre foi hostil ao envio de armas aos rebeldes sírios, sente-se isolada. Merkel não deve ficar contente.

Hollande é um sujeito estranho. Ninguém é menos belicoso, menos militar do que esse tipo gorducho, hesitante, escrupuloso, que é apresentado sempre com traços de um homem não muito corajoso, um “político à antiga”, mais à vontade num gabinete ministerial do que de uniforme de batalha.

Hollande recebe explicações de oficiais da Marinha dentro do submarino atômico "Le Terrible", na costa da Normandia (Foto: AFP / ECPAD / Arnaud Roine)

Por paradoxo ou ironia da história, porém, esse civil absoluto conhece seus mais belos sucessos como comandante de guerra. A decisão que ele acabou de tomar para a Síria se inscreve nessa análise. Enquanto todos os líderes ocidentais, exceto Cameron, tapam seus ouvidos para não ouvir os gritos dos rebeldes, Hollande e Cameron decidem agir.

Há algumas semanas, Hollande já havia jogado a carta militar quando decidiu enviar o Exército francês ao Mali para impedir que jihadistas estabelecessem um “Estado terrorista” no coração da África.

A ação transformou e amplificou a imagem internacional de Hollande e da França. Nos jornais do mundo inteiro, editorialistas teceram elogios ao “guerreiro”. Os jornais americanos, em particular, descobriram, de repente, uma França inédita, resoluta, militar.

Caso de amor

“Vive la France!”, escreveu a revista Newsweek como título de um longo artigo enaltecendo Hollande, no qual se diz que “a França com seus aviões, seus helicópteros e seus paraquedistas é a única nação da Europa capaz de lutar contra os jihadistas no território malinês”.

O New York Times não deixou por menos. “Como nação militar, a França não tardará em destronar a Grã-Bretanha.”

Na Espanha, a reação foi de entusiasmo: “A França é o gendarme do Ocidente”, disse o La Vanguardia, de Barcelona. “Ela encontra seu status de capital da Europa mediterrânea”. O La Razón, de Madri, celebrou “a nova grandeza” da França.

Mesmo na Índia, os trajes de guerreiro vestidos por Hollande são admirados. O jornal India Today, de Nova Délhi, não economizou as palavras: “Bye-bye, Londres. Hello, Paris!”, escreveu. “As relações da Índia com a França estão voltadas para o futuro, enquanto as existentes com a Grã-Bretanha estão orientadas para o passado.”

Esses aplausos são particularmente surpreendentes porque, na própria França, a figura de Hollande é, ao contrário, mais discutida e mais criticada do que nunca.

No momento em que os Estados Unidos descobrem, de repente, virtudes insuspeitadas na França, os franceses são, cada vez mais, hostis a Hollande. Seu índice de popularidade caiu. Apenas 30% dos franceses confiam nele atualmente.

De maneira bizarra, agora que os grandes jornais estrangeiros descobriram que o terno de três peças de Hollande dissimula, na verdade, um uniforme militar repleto de medalhas e ornado com fuzis, lança-granadas, aviões e foguetes, os franceses insistem em ver seu presidente como um burguês acanhado, melhor equipado para a retirada ou para a derrota do que para o ataque ou para a vitória.

Eles reconhecem, contudo, que ele é bastante afável e não faria mal a uma mosca. É esse, aliás, o sentido do apelido que seus ministros e adversários lhe deram: “Bonachão”.

31/01/2013

às 16:34 \ Política & Cia

Sardenberg: governo brasileiro consegue desastre de grande competência, ao fazer a Petrobras perder dinheiro

Petrobrás: uma companhia petrolífera, dona de reservas elevadas, dependendo de uma queda no preço de seu principal ativo (Foto: Vanessa Carvalho / AE)

Petrobras: uma companhia petrolífera, dona de reservas elevadas, dependendo de uma queda no preço de seu principal ativo. Pode? (Foto: Vanessa Carvalho / AE)

Artigo publicado hoje no jornal O Globo

A PETROBRAS PERDEU ATÉ O SENSO

Sabe qual a melhor coisa que poderia acontecer para a Petrobras? Uma forte queda do preço internacional do petróleo. Isso derrubaria também as cotações da gasolina e do diesel, produtos que estão quebrando a estatal brasileira. Como não há produção interna suficiente desses combustíveis, a companhia tem que importá-los. Como o governo Dilma segura os preços internos para conter a inflação, a Petrobras se vê na situação esdrúxula de comprar caro e vender barato – que perdura mesmo depois do reajuste anunciado na última terça.

Prejuízo na veia.

Logo, se o governo não deixa aumentar mais o preço interno, resta torcer pela queda da cotação internacional.

Pode? Uma companhia petrolífera, dona de reservas elevadas, dependendo de uma queda no preço de seu principal ativo!

Acrescente aí uma forte valorização do real e o quadro “melhoraria” ainda mais para a estatal. Se o dólar voltasse, digamos, para R$ 1,70, a Petrobras economizaria cerca de 15% nas suas compras externas de combustível.

Claro que, nesse caso, também cairia o valor das reservas da Petrobras. De novo, pode? Uma companhia precisando de queda no valor de seu patrimônio.

Por outro lado, que sempre tem, a queda do preço internacional de petróleo colocaria em risco a operação no pré-sal. Ainda não se sabe o custo exato, pois a tecnologia está em desenvolvimento, mas certamente será muito caro retirar o óleo lá do fundão do oceano. Assim, se a cotação global cair muito, o pré-sal torna-se economicamente inviável.

Consequências: a Petrobras não conseguiria financiamento para as novas operações e os Estados e municípios perderiam os royalties pelos quais tanto brigaram.

Ou seja, é uma ideia de jerico torcer pela queda dos preços internacionais do óleo e dos combustíveis.

De outro lado, ainda, um dólar mais barato facilitaria as importações de equipamentos para extração e refino. Bom, não é mesmo?

Seria, se as políticas para o setor tivessem alguma lógica. Ocorre que a Petrobras é obrigada pelo governo a dar preferência ao produtor nacional, mesmo pagando mais caro, até um certo nível. Ora, com o real valorizado, a diferença de preços entre o local e o estrangeiro ficará bem maior, de modo que a estatal não terá como justificar a compra do equipamento made in Brasil.

Isso destruiria a política do governo para estimular a indústria nacional ou, caso o modelo fosse mantido, aumentaria os custos da Petrobrás em reais.

Ou seja, é outra ideia de jerico torcer pela valorização do real neste caso.

Voltamos assim ao senso comum, pelo qual uma companhia de petróleo deve se dar bem quando o preço do petróleo está em alta. Esta lógica não mudou. O que a subverte é a gestão do governo brasileiro. Um desastre de grande competência: não é fácil fazer uma petrolífera perder dinheiro.

Outra coisinha: lembram-se de toda aquela campanha do governo Lula comemorando a autossuficiência em petróleo? Pois é, foi só marketing eleitoral. Só não, porque a estatal, que não pertence só ao governo, muito menos ao PT, pagou por aquela fraude. Custo na veia da população.

 

Protecionista quem?

Andam dizendo por aí que as negociações comerciais entre Mercosul e União Europeia (UE) não avançam por causa por causa do protecionismo dos dois lados.

Curioso. A UE, só na América Latina, tem acordos de livre comércio fechados com Chile e México (já em vigor) e mais Peru, Colômbia e América Central (a vigorar neste ano). Fora da região, tem acordos com diversos países da Ásia, inclusive Coreia do Sul, e esta prestes a iniciar negociações com os Estados Unidos.

Já o Mercosul tem acordos com Israel e Jordânia.

Mas, dizem governo Dilma e aliados, neste ano as conversas com a Europa vão avançar.

Sério?

Se o Brasil não consegue ter livre comércio nem com a Argentina, principal sócia no Mercosul, se a Argentina, pelo calote, está excluída do mercado financeiro global, e se a Venezuela, nova sócia, só quer acordos com os amigos bolivarianos, Cuba, por exemplo, quem mesmo vai negociar com a UE?

No último fim de semana, a Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe, Ceal, reuniu-se com a UE – encontro de cúpula, solene. Olhando bem, no entanto, os líderes europeus mantiveram duas conversas bem diferentes. Uma com o pessoal do Mercosul – só protocolar, para os fotógrafos.

Outra, para valer, com o chamado bloco do Pacífico, liderado por Chile, Peru, Colômbia e México. Enquanto o Mercosul torna-se cada vez mais restrito ao grupo bolivariano de Chávez, Cristina Kirchner e outros menores, o bloco do Pacífico  já tem acordos com os EUA, Europa e negocia um megatratado com a Ásia.

Devem estar todos equivocados, não é mesmo?

 

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