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União Européia

17/07/2014

às 19:30 \ Política & Cia

Banco dos Brics é uma boa ideia. Pena que Dilma haja estendido tapete vermelho ao tirano Putin, da Rússia, no momento em que ele está isolado internacionalmente — por boas razões

(Foto: Agência Brasil)

Dilma com Putin em Brasília na segunda-feira: tapete vermelho para o presidente russo no exato momento em que ele recebe sanções dos EUA e da Europa (Foto: Agência Brasil)

Apesar de um considerável tom anti-Ocidente, é uma iniciativa inteligente e ousada a criação do Banco dos Brics — sigla do grupo de grandes países em desenvolvimento que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Como se sabe, a instituição, anunciada anteontem na sexta reunião de cúpula do grupo, em Fortaleza, terá um capital de 50 bilhões de dólares, destinados a financiar projetos de infraestrutura e a serem desembolsados igualmente pelos sócios ao longo de dois anos, mais um colchão de reservas de 100 bilhões de dólares para fazer frente a eventuais crises cambiais.

Essas reservas, cujo montante poderá ser aumentado e cujo mecanismo de formação não foi anuncado em detalhes, não são suficientes para enfrentar crises de grande monta, mas sem dúvida constituem uma boa ideia e um bom começo.

A suposta “derrota” do governo brasileiro, e da presidente Dilma em particular, por não haver emplacado a presidência da entidade é muito mais fofoca de mídia do que algo com qualquer fundamento na realidade. A presidência será rotativa, cabendo o primeiro mandato à Índia — que, afinal de contas, foi quem teve a ideia do banco — e, ademais, o Brasil ficou com a presidência do Conselho de Administração.

(Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Na primeira fileira, da esquerda para a direita, em seguida à presidente Cristina Kirchner, os dirigentes dos cinco países-sócios: Rússia, Índia, Brasil, China e África do Sul. Fechando a fila, Evo Morales, da Bolívia. O gesto em direção à América do Sul foi político — não se sabe se e quando o novo banco irá trabalhar com países da região (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O fato de a gigantesca Xangai, na China, ter sido escolhida para sede do banco não reflete mais do que a evidência de que o colosso chinês, com seu Produto Nacional Bruto de 9,2 trilhões de dólares, era o destinatário inevitável da nova entidade. Se não a China, quem seria? A África do Sul, com seu PIB de 350 bi?

O convite para que governos sul-americanos — vários deles “bolivarianos”, a começar pelo desgoverno delirante de Nicolás Maduro na Venezuela — participassem de parte da cúpula dos Brics é um gesto político, uma canelada a mais que o o governo lulopetista do Brasil, autor da iniciativa do convite, quis assestar nos Estados Unidos, país com o qual a relação atual é “morna”, segundo a própria presidente Dilma.

Não se sabe se o gesto político terá consequências práticas, como um socorro da nova instituição à Argentina de Cristina Kirchner, à beira de não conseguir honrar compromissos internacionais. A óbvia prioridade do novo banco é impulsionar projetos nos cinco sócios — e mesmo para isso o dinheiro, os 50 bilhões de dólares, é curto.

O que chateia os democratas nisso tudo é o governo do Brasil haver permitido que o impacto da iniciativa ajudasse a retirar o autoritário presidente russo Vladimir Putin da situação de semipária internacional.

O lançamento do banco e o tapete vermelho estendido por Dilma a Putin ocorreram no exato e preciso momento em que a Rússia sofria sanções dos EUA e da União Europeia em represália à anexação do ex-território ucraniano da Crimeia e por, debaixo dos panos, mas notoriamente, ajudar os rebeldes ucranianos de etnia e cultura russas que querem juntar mais um pedaço do país à soberania russa.

Não bastasse isso, há evidências de que Putin, por meio de seus aliados na Ucrânia, tem as mãos sujas de sangue pela derrubada de um jato da Malaysia Airlines que matou 298 pessoas próximo à fronteira ucraniano-russa.

Dilma também não se manifestou, nem em conversas à parte com Putin, sobre as crescentes violações dos direitos humanos na Rússia.

13/07/2014

às 18:40 \ Política & Cia

AMARELAS: O Brasil deve esquecer o Mercosul, deixar a Argentina de lado e fazer, sozinho, um acordo de livre comércio com a União Europeia

(Foto: Lailson Santos)

(Foto: Lailson Santos)

O BRASIL DEVE SEGUIR SOZINHO

O economista e ex-diretor da área internacional da Fiesp diz que é hora de deixar a enrolada e endividada Argentina de lado e fazer um acordo de livre-comércio com a União Europeia

Entrevista a Duda Teixeira publicada em edição impressa de VEJA

Por nove anos, o economista Roberto Giannetti da Fonseca foi diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que representa 41% do setor industrial nacional. Até o ano passado, quando deixou o cargo, trabalhou dentro dessa instituição para que o Brasil se abrisse para o mercado internacional.

Aos 64 anos, ele agora se dedica a sua consultoria econômica, a Kaduna. “Por causa da decisão de priorizar o Mercosul, o Brasil ficou muito dependente das exportações para a Argentina”, diz o economista. Para Giannetti, com o país vizinho à beira de um novo calote na dívida externa, fica claro quanto o Brasil se arrisca em não reduzir essa dependência.

A Argentina tem até o fim deste mês para pagar uma dívida com credores estrangeiros. Qual é o risco de o país dar o calote?

É bastante alto. A Argentina caiu em uma armadilha jurídica. No contrato de reestruturação da dívida, feito alguns anos atrás, há uma cláusula muito importante. Ela determina que os credores que aceitaram receber o valor da dívida com desconto devem ter um tratamento igual ao dos demais credores.

A questão é que uma parte menor dos credores, que ficou com 8% do montante, obteve na Justiça americana o direito de receber os títulos pelo seu valor de face, ou seja, 100%. Se os outros, que aceitaram receber menos, agora também entrarem na Justiça, a Argentina terá de pagar o valor integral. Isso representaria uma dívida total de 100 bilhões de dólares, muito mais do que os 28 bilhões de dólares de reserva internacional que o país tem.

O que pode ser feito, então?

A única saída é negociar com aqueles que aceitaram o desconto e tentar retirar a cláusula. Ao mesmo tempo, é necessário convencer os outros fundos, chamados de abutres, a aceitar o valor de face, mas em um prazo mais longo.

O que aconteceria se a Argentina desse o calote?

Se o calote for inevitável, os argentinos estarão diante de uma crise da maior gravidade. Eles ficarão isolados do resto do mundo. Será uma situação caótica. Qualquer propriedade do Estado argentino no exterior – imóveis, navios e contas bancárias – poderá ser penhorada para pagar aos fundos abutres.

A comunidade internacional, porém, se esforçará para evitar esse cenário. Deve haver uma nova renegociação, com a ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional) e de outras instituições. Para isso, a Argentina tem de se sentar à mesa sem arrogância, com humildade.

A palavra “abutre” não é exagerada?

Pode ser, mas a analogia não deixa de fazer sentido. Esses fundos compram títulos de dívida de países ou empresas em dificuldades por uma fração da cifra original. Depois, entram na Justiça e tentam ganhar o valor integral do devedor, arrancando o seu fígado. Pode-se não gostar deles, mas a realidade é que não há nada de novo nisso. Fundos mais agressivos existem em qualquer mercado.

O erro por parte da gestão dos presidentes Néstor e Cristina Kirch­ner foi acreditar que eles não seriam um problema no futuro. Houve um certo descaso. O governo argentino deveria ter negociado antes com os administradores desses fundos e minimizado as dificuldades. Era algo que podia ter sido evitado.

Qual seria a consequência, para o Brasil, de um calote argentino?

As consequências não seriam financeiras, já que os investidores sabem muito bem diferenciar um país do outro. Os efeitos negativos ocorreriam mais no âmbito comercial. O mercado interno argentino está em franco declínio e é o destino de mais de 20% das nossas exportações de manufaturados, como peças de automóveis, sapatos e eletrodomésticos.

Sem reservas em dólar, ou seja, se der o calote, a Argentina não terá como pagar esses bens. O volume do nosso comércio com a Argentina então cairia bastante. A perda em exportação de manufaturados pode chegar a 5 bilhões de dólares por ano.

No mês passado, o Brasil alterou o acordo automotivo com a Argentina. Antes, podíamos exportar sem imposto 1,95 dólar em carros e peças para cada dólar importado. Agora, ficou em 1,5 dólar para cada dólar importado. Ou seja, ficou mais caro exportar. Foi uma decisão acertada?

Qualquer acordo é melhor do que nada. Mas, se a crise chegar, nem essa ajuda terá efeito. Eles não terão como pagar o que importam de qualquer jeito.

Dar ênfase demais ao comércio com a Argentina foi um erro?

Certamente. Preso ao Mercosul, o Brasil deixou de assinar acordos de livre-comércio com outros países. Exportar 20% dos manufaturados para um país instável como o dos nossos vizinhos é muito arriscado. Se nossa economia fosse mais aberta, estaríamos exportando esse valor para países como Japão, Estados Unidos, Canadá ou para a Europa.

O Mercosul negocia um tratado de livre-comércio com a União Europeia há catorze anos, mas a Argentina sempre atrapalha as conversas. Qual é a probabilidade de esse país embolar o jogo novamente?

Os argentinos sempre surpreendem na última hora. Deixam a negociação seguir para avaliar até onde o Brasil é capaz de chegar. Então, quando tudo está bem adiantado, dizem que não aceitam o que foi colocado na mesa. Em 2004, o Brasil chegou muito perto de fechar com a União Europeia, mas aí houve o boicote da indústria argentina, que reclamou do risco de ter tarifas reduzidas em relação aos concorrentes europeus. Houve uma sabotagem em um momento decisivo.

Foi uma pena porque, enquanto o Mercosul fracassou, o México já havia feito um acordo com a União Europeia quatro anos antes. O Chile concluiu o seu em 2003. O tratado com a Colômbia e o Peru entrou em vigor no ano passado. O elevado desempenho da economia desses países atualmente é resultado direto desses tratados. O Mercosul, contudo, foi na contramão e preferiu ficar isolado.

Pelas regras do Mercosul, o bloco só pode decidir por consenso. O Brasil está de mãos amarradas, ou há alternativas?

Os negociadores brasileiros deveriam ter assinado o acordo com a União Europeia sem a Argentina, dando cinco anos para os nossos vizinhos se adaptarem à nova situação.

Para fazer isso, há uma saída técnica. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

30/06/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Lula usa dados errados em discurso para empresários

Lula durante sua palestra: dados errados para louvar governo Dilma (Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

Lula durante sua palestra: dados errados para louvar governo Dilma (Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

Ex-presidente cometeu deslizes ao falar sobre investimento externo, exportação de alimentos e PIB do Brasil

Por Thiago Herdy e Mariana Sanches, do jornal O Globo

Para tentar reconquistar a confiança do empresariado nacional e internacional no governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu nesta semana a uma enxurrada de números e indicadores para sustentar a continuidade das conquistas sociais e econômicas de seu governo na gestão de sua sucessora.

Uma análise feita pelo GLOBO do discurso que ele fez num evento da Câmara de Comércio França-Brasil mostra, no entanto, que o ex-presidente cometeu vários deslizes em sua fala.

Indicadores como investimento externo direto, dívida bruta e corrente de comércio, citados por Lula como “êxitos dos últimos 12 anos”, na verdade pioraram durante o governo Dilma.

O ex-presidente se enganou ainda ao citar dados sobre reajuste salarial, informações sobre exportação de alimentos e também a posição do PIB do Brasil no mundo, em especial na comparação com outras nações emergentes.

A assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente não adota a paridade monetária para falar sobre o PIB, apesar de esta ser considerada pelo Banco Mundial a medida mais adequada para comparar economias. O instituto admitiu que Lula se equivocou sobre dados relativos à exportação de alimentos e diz haver diferentes dados sobre os índices de reajuste salarial do Dieese.

É isso mesmo

- “Em 2013, o Brasil se tornou o segundo maior investidor externo na União Europeia”

- Os dados consideram principalmente o investimento de empresas brasileiras em Portugal e Espanha.

Investidores externos da UE (em euros):

EUA – 313 bilhões / Brasil – 21 bilhões/ Suíça – 18 bilhões

- “O salário mínimo, em 12 anos, aumentou 72%” - Segundo o Dieese, este é o índice de ganho, descontada a inflação.

Evolução do salário:

2002: R$ 200/ 2006: R$ 350/ 2010: R$ 510/ 2014: R$ 724

- “Saímos de 70 milhões de brasileiros com contas bancárias para 120 milhões” – Contas poupança, segundo a Febraban:

2010: 97 milhões/ 2011: 98 milhões/ 2012: 112 milhões/ 2013: 125 milhões

- “Com o ProUni, colocamos 1,5 milhões de jovens de periferia para fazer universidade” – De acordo com o MEC, 31,1% dos estudantes de ensino superior estão no ProUni.

- “Há 12 anos, tínhamos 37 milhões de passageiros em aeroportos. Ano passado, foram 113 milhões” – Lula acertou, mas com pequena diferença.

Passageiros transportados no Brasil, segundo Abear:

2002: 36 milhões/ 2006: 49 milhões/ 2010: 79 milhões /2013: 111 milhões

- “Aumentou produção de automóvel de 1,8 milhão para 3,7 milhões” – Produção brasileira de veículos, segundo a Anfavea:

2002: 1,6 milhão/ 2006: 2,4 milhões/ 2010: 3,3 milhões/ 2013: 3,7 milhões

Não é bem assim

- “A ONU adota o bolsa família como o mais importante programa de transferência de renda do mundo”

- Embora o programa seja citado como exemplo para a erradicação da pobreza, a ONU também cita o programa Oportunidades, do México, como iniciativa no mesmo patamar.

(PARA CONTINUAR LENDO, CLIQUEM AQUI)

12/04/2014

às 6:29 \ Disseram

Rosa Díez, e a independência da Catalunha

“No século XXI, em plena vigência da União Europeia, não concebo nada mais reacionário do que criar novas fronteiras, do que conceber barreiras e separações.”

Rosa Díez, deputada, líder do partido espanhol União, Progresso e Democracia, criticando os independentistas da Catalunha.

13/12/2013

às 14:22 \ Vasto Mundo

Grécia: a crise começou com uma fraude

Manifestantes durante conflito com a polícia no centro de Atenas, Grécia

Publicado originalmente a 17 de junho de 2011.

A crise grega que está nas manchetes, inclusive do site de VEJA, tem mil explicações, amigos do blog, mas seu olho do furacão começou com uma fraude, uma maracutaia inacreditável praticada pelo partido conservador Nova Democracia, que governou a Grécia por seis anos, até 2009.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Vencedor das eleições, o novo primeiro-ministro do Partido Socialista (Pasok), Giorgos Papandreu, constatou em poucos dias que seus antecessores haviam maquiado escandalosamente as contas públicas para os parceiros da União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE). O verdadeiro déficit públic do país, de gravíssimos 15,7% do PIB, era mais do que o dobro do informado pelo governo anterior.

O déficit verdadeiro era a conta que chegava para ser paga pela gastança do governo do antecessor de Papandreu, Kostas Karamanlis (2004-2009), que, em vez de atuar dentro das possibilidades do Orçamento e, mais, equacionar o que restava de déficit devido aos investimentos na preparação das Olimpíadas de 2004 pelo governo socialista que o precedeu, preferiu continuar torrando dinheiro público – e mentir.

Bola de neve de desconfiança e um brutal ajuste fiscal

A desconfiança dos mercados para com a Grécia, a partir daí, diante do temor de que os empréstimos ao governo e às empresas gregas não seriam quitados, fez rolar uma bola de neve que explodiu nas mãos de Papandreu.

O primeiro-ministro conseguiu realizar um brutal ajuste fiscal, o mais severo já feito por um país da zona do euro desde o estabelecimento da moeda comum, em 2000, e baixou em 5 pontos percentuais o rombo. A essa altura, porém, os cortes orçamentários e outras medidas restritivas haviam levantado um turbilhão de protestos na sociedade, que foram num crescendo tal que, apenas nos últimos 15 meses, houve 22 greves gerais no país.

A União Europeia, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) – que muitos chamam de troika, ressuscitando a velha palavra da extinta União Soviética – socorreram a Grécia há um ano com um empréstimo de 110 bilhões de euros (algo como 250 bilhões de reais), mas o atoleiro grego não melhorou, e o Papandreu necessita de mais 60 bilhões de euros (140 bilhões de reais).

Privatizar o banco estatal, serviços de águas, portos e até um cassino

Para tanto, as exigências da troika são severíssimas. Depois de baixar os 5 pontos percentuais no déficit, em dois anos, Papandreu agora precisa derrubá-lo de 10,5% para 7,5% até o final deste ano.

Para fazer frente ao total da dívida grega antes desses 60 bilhões, que supera 142% do PIB (só para comparar: a do Brasil bate nos 40% do PIB) e é de 328 bilhões de euros (750 bilhões de reais, uma enormidade para um país das dimensões da Grécia), o programa para o qual Papandreu precisa obter o consenso das principais forças políticas, e que o levou a reformar seu gabinete, consiste em basicamente dois pontos:

1. Corte de gastos de mais 28 bilhões de euros num país que já está no osso e que podou investimentos em saúde, educação e infraestrutura

2. Privatizações que obtenham de 50 a 60 bilhões de euros, para reduzir a sufocante dívida pública e que incluem o banco estatal Caixa Postal de Poupança, os portos de Atenas (Pireu) e Salônica, a segunda maior cidade grega depois da capital, os serviços de abastecimento de água das duas cidades, a empresa telefônica nacional, OTE, que já tem como sócio minoritário o gigante alemão Deutsche Telekon, e até o cassino de Atenas, que pertence — vejam só — ao governo.

Diante desse quadro dificílimo, quem começou tudo, o partido Nova Democracia, não tem colaborado em nada. Pode ser que Papandreu venha a obter para as medidas duras e mesmo um governo de união nacional, caso em que ele próprio disse que cederia seu cargo em prol de um acordo. Mas as palavras de Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, ditas ainda esta semana são de uma hipcrisia aterradora: “Não estou disposto a apoiar uma politica que arrase nosso país”, afirmou.

Ele ignorou o fato de que foi o governo antecessor de Papandreu, de seu próprio partido, quem iniciou esse processo de derrocada do país com uma fraude.


26/10/2013

às 13:08 \ Disseram

Angela Merkel, sobre espionagem americana: “nossa confiança precisa ser restaurada”

“Nós precisamos ter confiança entre aliados e parceiros, e essa confiança (entre EUA e Alemanha) precisa ser restaurada”

Angela Merkel, chanceler alemã, ao participar do encontro da cúpula da União Europeia em Bruxelas. Antes, ela havia cobrado do presidente Barack Obama explicações sobre indícios de que seu celular teria sido monitorado pelos americanos. O jornal inglês The Guardian publicou reportagem dizendo que os Estados Unidos já fizeram isso com 35 líderes mundiais e o Le Monde denunciou espionagem a cidadãos franceses

28/09/2013

às 8:00 \ Tema Livre

Até o fim do ano, 200 milhões de pessoas estarão consumindo cigarros eletrônicos. É uma grave ameaça à saúde — ou uma forma de deixar de fumar? A polêmica ainda não se encerrou

Cigarro-eletrônico

O cigarro eletrônico: com formato cilíndrico, diferentes cores e estilos e tamanho bem parecido ao de um cigarro convencional, foi inventado nos anos 60 mas passou a ser fabricado em massa na China em 2003. Tem metade de seu comprimento (a parte da frente) ocupado por uma bateria de lítio, cuja carga dura entre um e três dias. O líquido que a bateria vaporiza vem em refils e em geral contém nicotina (Foto: Thinkstock)

É um fenômeno em expansão, está pegando de surpresa uma série de países que não possuem legislação a respeito e, sobretudo, paira como ameaça sobre meio século de bons resultados no combate aos males do fumo mundo afora: são os cigarros eletrônicos, ou e-cigarettes, cujo consumo cresce em espantosa progressão geométrica.

Os e-cigarretes (vejam a explicação de como funcionam na legenda da foto acima) devem atingir espantosos 2oo milhões de consumidores até o final do ano, no mundo inteiro.

Nos Estados Unidos, o banco de investimentos Goldman Sachs estima que no final deste ano a indústria dos e-cigarettes já movimente quase 2 bilhões de dólares, cifra 140% superior à gerada no ano anterior e e seis vezes maior do que a de 2011.

A coisa vai a jato. Um levantamento feito há um ano pela entidade que reúne comerciantes americanos de várias marcas, a Tobacco Vapor Electronic Cigarette Association, apontava um salto de vendas: de apenas 50 mil unidades em 2008 – que nos EUA podem ser adquiridas por a partir de 21 dólares – passaram a 3,5 milhões quatro anos depois.

No Velho Continente, onde apenas Dinamarca e Noruega estipularam medidas restritivas mais imediatas e claras, uma pesquisa do instituto Doxa mostrou que já há meio milhão de italianos consumidores habituais da novidade, total que chega a 2 milhões se forem contados os usuários ocasionais. Na França, estudos encomendados pelo governo já indicam meio milhão de usuários frequentes.

ilustra-cigarro-eletronico

Previsões da consultoria Euromonitor atribuem gastos meio bilhão de euros (1,55 bilhão de reais) dos adeptos europeus do vaping – até um novo verbo em inglês já foi cunhado para a prática, significando algo como “vaporear”.

Os números na China são espantosos – várias dezenas de milhões de consumidores fixos ou eventuais –, mas o governo comunista não divulga estatísticas.

A União Europeia se preocupa bastante com o assunto a ponto de examinar a adoção de medidas como só permitir a venda livre dos refis de e-cigarros que contenham apenas um miligrama de nicotina — superado este limite, a oferta estaria restrita a farmácias. Esta providência quanto às farmácia já foi adotada pelo Reino Unido e entra em vigor em 2016.

No Brasil, ainda que possam com facilidade ser encontrados de forma ilegal, os e-cigarettes foram vetados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já em agosto de 2009. A agência deu ouvidos à Organização Mundial da Saúde (OMS) que, no final do ano anterior, desaconselhara o produto, diante da ausência de estudos conclusivos sobre os resultados de seu consumo a longo prazo (posição que ainda mantém).

Mais do que isso, a Anvisa se alinhou à Foods & Drugs Administration americana (FDA), que alertara sobre a presença de substâncias cancerígenas e da “droga psicoativa nicotina” em muitos dos líquidos comercializados para os cigarros eletrônicos — mesmo nos supostamente desprovidos de tabaco.

O Estado brasileiro, assim, em vez de simplesmente sugerir a proibição do consumo em lugares fechados, como ocorre com cigarros, charutos e similares, resolveu tutelar os cidadãos, avançando, como de hábito, sobre as liberdades individuais.

Manifestação em Paris em favor da “liberdade de vapear”: um dos problemas dos e-cigarros é que praticamente não existem campanhas de alerta quanto a seus riscos (Foto: demotix.com)

A postura da FDA decorre do fato de que nos próprios EUA – simultaneamente notório feudo antifumo e colossal mercado tabagista – e em vários países da Europa a novidade não é proibida por lei e vem se popularizando mais a cada ano, a despeito dos constantes alertas de entidades médicas.

Estamos diante de uma economia em enorme expansão, e talvez proporcional à polêmica sobre os cigarros eletrônicos.

Os argumentos contra são inúmeros e abrangem diversos critérios. Os mais urgentes, evidentemente, se referem à saúde dos usuários.

Ainda anteontem, terça-feira, a rede de TV norte-americana ABC comentava um estudo feito por especialistas de diferentes universidades sobre a segurança de consumir e-cigarros de duas das marcas mais vendidas nos EUA concluiu que eles continham traços de substâncias altamente danosas ao organismo humano, inclusive um composto químico utilizado em anticongelantes para radiadores de automóveis.

O grosso das críticas e dos temores vem do fato de que a esmagadora maioria dos refis de e-cigarros contém, em sua mistura líquida, a velha e maléfica nicotina. Já na época da oficialização da proibição no Brasil, a então presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, a médica Jussara Fiterman, alertara: “O indivíduo acha que está parando de fumar, mas ele não está porque existem a nicotina e outras substâncias cancerígenas”.

É por isso que o dr. Esteve Fernández, chefe da unidade de tabagismo do Instituto Catalão de Oncologia, em Barcelona, lamenta que os e-cigarettes estejam “fora de quaisquer controles sanitários”, e defende a tese de que apenas após a comprovação de sua suposta eficácia na diminuição do consumo do tabaco – algo que ainda não ocorreu – seu uso e venda deveriam ser regulamentados. Caso contrário, que sejam proibidos nos mesmos locais onde não se permite fumar.

O professor de direito na Universidade George Washington e ativista antitabagista John Banzhaf, por sua vez, disse ao jornal americano USA Today que os e-cigarettes “podem atrair ao tabagismo jovens que, em principio, não fumariam”.

Banzhaf se referia a pesquisa publicada pela Universidade de Minnesota, cuja conclusão foi de que jovens adultos viam a opção do fumo eletrônico como algo positivo. Metade dos entrevistados afirmou que experimentaria a alternativa, incentivada sobretudo pelos muitos sabores disponíveis na praça.

Publicidade de uma das marcas de e-cigarro nos EUA, a South Beach: insistência de que “vapear” é bacana e sexy

Por essa razão é que a Associação Nacional dos Procuradores-Gerais dos Estados dos EUA pediu “com urgência” à FDA a normatização do consumo dos cigarros eletrônicos, por considerar que seu uso vem sendo incentivado junto a adolescentes “com personagens de desenhos animados, anúncios na televisão e sabores como o de chicletes”.

Não ajuda o fato de nos EUA e no Reino Unido não haver restrições contundentes à publicidade das marcas de cigarros eletrônicos, ao contrário do que acontece com as dos cigarros propriamente ditos. Em âmbito global, esta retomada de uma imagem “bacana” e em muitos casos sexy do ato de fumar ameaça colocar em cheque conquistas duramente obtidas com campanhas antifumo.

A questão comportamental é parte da discussão. A explosão dos cigarros eletrônicos “acontece justo quando, por fim, conseguíamos reduzir significantemente o número de fumantes e, acima de tudo, quando já se conseguira que a imagem de alguém segurando um cigarro, inalando e exalando fumaça deixasse de ser algo normal”, critica Joan Lozano, membro da comissão técnica da Rede de Atenção Primária Sem Fumo de Barcelona, em depoimento ao jornal El Periódico.

Na mesma reportagem, outra autoridade sanitária espanhola ressaltava que esta imagem menos ofensiva e glamorizada dos cigarros eletrônicos pode contribuir para atingir em cheio um público-alvo particular: ex-fumantes hesitantes, adolescentes curiosos e até mulheres grávidas tabagistas que, de contrário, se esforçariam mais para deixar o vício durante a gestação.

Especialistas lembram também que até o momento não está provado claramente que alguém possa parar totalmente de fumar com o novo hábito, embora existam indícios de que podem ajudar a diminuir o número de cigarros consumidos (leiam nesta matéria de VEJA). A prestigiosa revista médica semanal britânica The Lancet entrou na polêmica com um artigo defendendo esta tese.

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A atriz Katherine Heig fumou cigarro eletrônico e o defendeu em entrevista no programa de David Letterman em 2010 (Foto: reprodução)

No e-cigarro, a energia da bateria de lítio aciona o aquecedor próximo à boquilha, que transforma na fumaça a ser inalada o conteúdo líquido de um refil. Na ponta, uma luz LED serve tanto para simular o acendimento de uma brasa normal quanto avisar sobre o estado da bateria.

Justamente por conter este recipiente apto a diferentes tipos de conteúdos – cada unidade equivalente a mais ou menos a 12 cigarros -, o e-cigarette é celebrado por seus defensores, entre os quais se incluem celebridades como o Rolling Stone Ron Wood, a top model Kate Moss e a atriz Katherine Heigl, como uma alternativa para consumir menos nicotina, ou até mesmo parar de fumar.

A viciante nicotina, porém, quase invariavelmente marca presença. Junto com água e com os compostos orgânicos propilenglicol e glicerol, a droga se “disfarça” em meio a sabores que podem ir de baunilha a tutti-frutti, passando por uísque, café, framboesa, banana e até diferentes peixes. Ainda assim, entusiastas alegam que a quantidade da famosa substância ingerida em cada “trago eletrônico” é cerca de dez vezes menos do que a consumida em um trago “clássico”, que oscila entre 1 e 2 miligramas.

Pegando carona nestes números, novas empresas exploram um suculento novo nicho empresarial. É o caso da italiana News Smoke, que possui 26 filiais nacionais e seis na Espanha, e cujo slogan é “Mais saudável em qualquer lugar”.

Ou seja, a marca faz alarde sobre o fato de seus produtos serem supostamente menos nocivos à saúde e por seus usuários terem a chance de voltar a desfrutá-los em lugares onde os tabagistas não são mais aceitos – na Itália é proibido fumar em locais públicos fechados desde 2005, na França desde 2008 e na Espanha desde 2010. Os e-cigarros, por produzirem vapor sem cheiro, não constituiriam problema.

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Campanha publicitária da marca italiana News Smoke: todo mundo saudável, de dentes brancos, sem queimaduras, menos pobre e podendo fumar em bares (Foto: News Smoke)

Entre as outras vantagens incluídas no lobby favorável aos cigarros eletrônicos estão também algumas futilidades espantosas quando comparadas a eventuais riscos à saúde, como a manutenção da brancura dos dentes, a abolição do uso dos cinzeiros, o fim das queimaduras causadas pela queda de brasas, o fim do odor impregnado nas roupas e economia de dinheiro — um fumante médio que passe a consumir a novidade baixaria seus gastos anuais de 1.000 para 600 dólares.

A postura em favor de tais argumentos, sobretudo o de que vapear pode ajudar a largar o cigarro, porém, está longe de ser unânime, ainda mais porque está estatisticamente comprovado em vários países que muitos dos usuários dos e-cigarros continuam fumando TAMBÉM os cigarros de sempre.

Além disso, o propilenglicol, tipo de álcool presente nos líquidos utilizados nos refis, é  considerado tóxico se consumido com grande frequência. Outras pesquisas apontaram que o simples inalar da fumaça dos e-cigarettes pode não danificar o coração, mas prejudica os pulmões.

Os e-cigarros, por tudo isso, estão na berlinda. E sua sorte futura vai depender da postura que adotarem, em definitivo, a Organização Mundial da Saúde, a União Europeia e a meca dos consumidores de cigarro do planeta, os Estados Unidos. Se os três penderem para medidas restritivas como as que existem para o tabaco convencional, a moda tende a arrefecer. Caso contrário, o céu é o limite.

21/08/2013

às 17:51 \ Vasto Mundo

ALEMANHA: Esses cães farejadores são especializados em… dólares e euros contrabandeados

Devidamente uniformizada ("Zoll" é alfândega em alemão), uma das cachorras busca dinheiro nas bagagens dos passageiros do aeroporto de Frankfurt (Foto: Associated Press)

Elas trabalham duro, duríssimo. São apenas três, e farejam em apenas 15 minutos 300 peças de bagagem — a média que contém o bagageiro de um jato médio de passageiros — em seu trabalho de ajuda à polícia. Aí têm uma folga de meia hora para se recuperar, mas voltam à ação e, em uma jornada de atividade, são capazes de farejar tudo o que trazem para o Aeroporto de Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha, oito jatos comerciais inteiros.

Trata-se de Dina, Anni e Alegría, três cachorras da raça pastor alemão que integram o batalhão de 40 cães farejadores do aeroporto — mas o que as torna especiais é que a partir de 1 ano de idade receberam um treinamento de 18 meses, com acompanhamento diário de veterinários, para farejar algo muito específico: dinheiro. Seus companheiros de trabalho identificam armas e drogas. As três, porém, são capazes de apontar as peças de bagagem que trazem notas de euros e dólares, em geral “negros”, ilegais.

“Quando eles se familiarizam com um determinado cheiro, são capazes de lembrar-se dele por quatro meses”, conta Uwe Wittenberg, chefe da divisão de cães rastreadores do aeroporto de Frankfurt. A cada dia, em média, elas detectam dinheiro em cinco malas, em geral abaixo de 10 mil euros. No primeiro semestre deste ano, as cachorras foram responsáveis pela prisão de 20 contrabandistas de dinheiro — o maior deles levava 200 mil euros dentro da mala de roupas.

No âmbito da União Europeia, os passageiros que portam mais de 10 mil euros (pouco mais de 30 mil reais) em espécie precisam declarar às autoridades. Muitos não o fazem, quando o patrimônio declarado ao fisco não comporta as quantias que portam, em geral repatriadas de contas na Suíça e em outros países fora da UE que mantêm contas bancárias secretas e fora do alcance das autoridades, como Mônaco ou Liechtenstein.

Dinheiro escondido dentro de um pão, e embrulhado em alumínio: não adianta, os cães detectam (Foto: Der Spiegel)

Outros não querem pagar taxas pesadas, variáveis conforme o Estado alemão em questão, por se autodenunciarem como titulares de contas em paraísos fiscais para regularizar sua situação. Só no primeiro semestre deste ano, 14.512 cidadãos pediram anistia e pagaram multa — o dobro do total de todo o ano passado. Quem é flagrado com dinheiro negro não pode habilitar-se a anistia.

Não há dados completos de toda a Alemanha a respeito do quanto se arrecadou em multas, mas só os Estados de Baden-Würtenberg e Renânia do Norte-Westália, somados, embolsaram mais de 1 bilhão de euros de gente que se autodenunciou e pediu anistia desde 2010.

Os dirigentes da União Europeia têm trabalhado na elaboração, difícil, de um pacto destinado ao intercâmbio de informações entre os 28 Estados-membros sobre rendimentos obtidos fora da UE por seus cidadãos, como também um aperto geral nas regras do fisco e na eliminação de brechas leais que permitem a evasão fiscal. Ao mesmo tempo, há discussões com países europeus como a Suíça, Licehtensten, Andorra, San Marino e Mônaco para afrouxar seu sigilo bancário e facilitar o combate à lavagem de dinheiro.

Enquanto isso não ocorre, Dina, Anni e Alegría, junto com dez outros “colegas” especializados em farejar dinheiro que atuam em outras cidades, continuam seu trabalho.

Acredita-se que o que sensibiliza o extraordinário faro dos cães farejadores, no caso, seja a tinta utilizada na confecção de dólares e euros. Os euros mantêm a especificidade de terem cédulas feitas exclusivamente de algodão, sem a utilização de papel.

“O cachorro que muita gente tem em casa e que é capaz de fazer uma série de truques é equivalente a uma bicicleta”, diz Marc Behre, da alfândega da cidade portuária de Bremen, no norte da Alemanha, que utiliza um cão farejador de dinheiro. “Já o nosso aqui é um Porsche”, brinca.

04/06/2013

às 15:25 \ Política & Cia

Pedro Simon: A Aliança do Pacífico, o Brasil e o Mercosul

Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)

Enrique Pena Nieto, Juan Manuel Santos, Sebastian Pinera e Ollanta Humala: Aliança do Pacífico (Foto: AFP)

Artigo publicado no jornal Zero Hora

 A ALIANÇA DO PACÍFICO, O BRASIL E O MERCOSUL

É com angústia que vejo e analiso as declarações de autoridades diplomáticas brasileiras sobre a Aliança do Pacífico. Houve quem afirmasse que ela “não tira o sono do Brasil”. Uma opinião destemida, mas não apropriada quando se trata de um tema vital para os interesses estratégicos do país.

Assim, a criação de um novo bloco de países na América Latina, com suas implicações geopolíticas, comerciais e econômicas é analisada de forma superficial. Não se concebe que esse acontecimento não cause a mais leve apreensão, tanto por parte do governo, quanto pelo Itamaraty.

Ao contrário, o assunto é visto com displicência, um quase desdém, embora a Aliança do Pacífico tenha potencial para causar forte impacto no sonho da integração latino-americana. A começar pela redução do poder de atração representado pelo Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade.

A Aliança representa um forte contraponto à influência política e econômica do Brasil na região. Formada há dois anos por México, Chile, Colômbia e Peru, contabilizou no ano passado US$ 556 bilhões em exportações, contra US$ 335 bilhões registrados no comércio tradicional entre os países que integram o Mercosul.

É compreensível que a Aliança, subestimada no Brasil, seja acompanhada com maior objetividade por outros países. Estados Unidos, Canadá, Panamá e Costa Rica estão mais diretamente interessados. Ao mesmo tempo, França, Japão, Espanha, Portugal, Nova Zelândia e Austrália enviaram observadores à recente reunião de cúpula do grupo.

É quase inacreditável que todo esse barulho em nossa vizinhança, não desperte qualquer curiosidade por aqui. Tanta movimentação política e comercial na nossa retaguarda deveria – isso sim – despertar luzes amarelas piscantes no Itamaraty.

Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)

Mercosul, criado há duas décadas e em permanente instabilidade (Foto: AFP)

Mas, a preferência nesse ambiente é por outras cores. Talvez considere mais atraente o azul da bandeira da combalida União Europeia, com a qual o Mercosul tenta formalizar, há uma década, um acordo comercial capaz de equilibrar interesses da indústria e da agricultura de ambos os lados.

Nesse vácuo de interesse, cabe grande responsabilidade ao Senado e, especialmente, à Comissão de Relações Exteriores e Defesa. Daí, nossa sugestão de realização de uma audiência pública com autoridades e a quem mais interessar, para que possamos debater com profundidade a Aliança do Pacífico e suas implicações geoestratégicas, políticas e comerciais no continente, levando em conta, principalmente, o Brasil e o Mercosul.

19/05/2013

às 9:05 \ Disseram

Nova definição de União Européia na opinião de um ex-ministro conservador: “Uma monstruosidade burocrática”

“Uma monstruosidade burocrática. Hoje eu votaria contra.”

Nigel Lawson, ex-ministro conservador, lorde e pai da famosa especialista em culinária, sobre o que considera a experiência fracassada da União Europeia

 

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