02/05/2013
às 14:07 \ Vasto MundoBOLÍVIA: Firula jurídica bolivariana vai levar Morales a um terceiro mandato. A moda está pegando: Venezuela, Equador, agora a Bolívia, daqui a pouco a Argentina…

Morales: seguindo a trilha "bolivariana", um terceiro mandato consecutivo a caminho (Foto: Herwig Prammer / Reuters)
Amigas e amigos do blog, a moda — melhor dizendo, a praga – está pegando.
Primeiro, foi o caudilho da Venezuela, Hugo Chávez , que, por meio de um plebiscito em que a oposição mal teve tempo de fazer campanha, conseguiu, em 2009, mudar a Constituição que ele próprio engendrara para possibilitar a reeleição do presidente (no caso, ele próprio) sem limite de vezes.
Tratou-se de mais uma das incontáveis malandragens do falecido inventor do “bolivarianismo” ou do “socialismo do século XXI” que — mesmo com superpoderes nas mãos –, perdera feio, dois anos antes, plebiscito anterior sobre o mesmo assunto e que incluía outras 32 alterações constitucionais.
Depois, chegou a vez de outro presidente “bolivariano”, Rafael Correa, do Equador. A Constituição só permite uma reeleição mas, como só foi aprovada em 2007, durante o primeiro mandato de Correa, o presidente obteve uma interpretação benévola da Carta, a primeira eleição não ficou valendo para a regra — e lá se foi ele para o terceiro mandato, em fevereiro passado. Um mandatozinho de SEIS anos.
A próxima será a ilustríssima senhora presidente da Argentina, a eterna viúva Cristina Kirchner. Já está tudo montado para mais esse passo do país vizinho para isso — se os argentinos, cada vez indo às ruas com mais disposição contra o governo autoritário, deixarem.
Lula não é santo. Namorou, com olhos compridos, um terceiro mandato, sim, senhores. Namorou a sério. Desistiu depois quer verificou em várias votações no Senado, sobretudo na derrubada da CPMF, que o governo tanto queria, não ter em hipótese alguma a maioria de três quintos para mudar a Constituição e permanecer 12 anos consecutivos no Planalto.
Saiu, naturalmente, como um grande democrata, que amaldiçoou FHC pela reeleição, desfrutou, depois, dela, e agora quer o mesmo para Dilma.
Em tempo: na Colômbia, cujo governo “de direita” nossos lulopetistas tanto desprezam, o popularíssimo presidente Álvaro Uribe, que com grande sucesso vinha vergando a espinha dos narcoterroristas das chamadaqs “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (Farc), tentou mudar a Constituição em 2010 para permanecer mais quatro anos no poder.
O Congresso rejeitou a emenda. Uribe elegeu o sucessor, seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos. Os dois hoje estão politicamente afastados.
Mas vejam, abaixo, o que fez o “cumpanhêro” bolivariano Evo Morales, que com certeza será eleito pela terceira vez no pleito deste ano. Alguém pode imaginar que o pobre Tribunal Constitucional da Bolívia, mencionado no texto, tenha alguma independência?
Reportagem publicada no site de VEJA
O Tribunal Constitucional da Bolívia aprovou nesta segunda-feira a candidatura ao terceiro mandato do atual presidente Evo Morales e de seu deu vice, Alvaro García, nas próximas eleições gerais do país, em 2014.
A medida permite que Morales possa se reeleger pela segunda vez consecutiva desde que chegou ao poder em 2005. A decisão provocou uma onda de protestos da oposição, que alegou que ela fere a Constituição do país, que autoriza apenas uma reeleição em mandatos consecutivos.
Leia também: Bolívia leva disputa com o Chile à Corte Internacional de Justiça
‘Refundação’
Em defesa de seu posicionamento, o presidente do Tribunal, Ruddy Flores, disse que, após a publicação da Carta Magna de 2009, o país foi “refundado” como um Estado Plurinacional e, por isso, Morales estaria cumprindo apenas seu primeiro mandato dessa nova fase da Bolívia. “O mandato presidencial se computa desde a refundação”, disse.
Segundo Flores, o órgão decidiu em favor da postulação do atual presidente em resposta a uma consulta feita pelo Parlamento a pedido do partido governista.
Herdeiro da agenda bolivariana, Evo Morales defende a não computação do seu primeiro período como presidente (2006-2010) desde 2009, quando foi reeleito. Segundo ele, esse mandato não completou o período legal de cinco anos, uma vez que foi encurtado para apenas um, pois aconteceu antes da nova Constituição do país.
Se for reeleito, Morales governará a Bolívia até o ano de 2019 e se transformará no presidente boliviano a permanecer mais tempo no poder.
(Com agências EFE e Reuters)
Tags: 3º mandato, Argentina, Bolívia, Cristina Kirchner, Dilma Rousseff, Equador, Evo Morales, FHC, Hugo Chávez, Lula, plebiscito, Rafael Correa, reeleição



































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