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Gordon Brown

22/11/2011

às 16:27 \ Vasto Mundo

Ah, que inveja dos britânicos…

Gordon Brown, Ed Milliband, Tony Blair, Nick Clegg, John Major e David Cameron: trabalhistas e conservadores, governantes e ex-governantes unidos na homenagem aos mortos na I Guerra Mundial (Foto: ibtimes.com)

A I Guerra Mundial (1914-1918) terminou há 93 anos, mas os britânicos não esquecem os que tombaram: nada menos do que 886,9 mil soldados do Reino Unido que, somados aos combatentes mortos do então Império Britânico ou a ele ligados, como canadenses, australianos, neozelandeses e indianos, somam 1,1 milhão de militares.

Religiosamente, todo ano, às 11 horas do dia 11 de novembro, nos edifícios públicos, nas escolas e nas ruas as pessoas param e fazem 1 minuto de silêncio lembrando o armistício que colocou fim à carnificina em que perderam a vida de 15 a 17 milhões de soldados e 20 milhões de civis. É o Remembrance Day, o Dia da Memória — quando, além das homenagens dos cidadãos, uma vez mais, adversários políticos, governantes e ex-governantes, juntos, prestam seu tributo de respeito aos mortos daqueles tempos.

Num marco comemorativo em Whitehall, a grande via que corta Londres do Parlamento até Trafalgar Square, em ato presidido pela rainha Elizabeth II, colocaram coroas de flores — papoulas, que enfeitavam os campos de Flandres, na Bélgica, onde se travaram cruentas batalhas da I Guerra, e cujo vermelho lembra o sangue — o primeiro-ministro conservador David Cameron, seu vice, o liberal-democrata Nick Clegg, os ex-primeiro-ministros Gordon Brown e Tony Blair, trabalhistas (ambos britânicos nascidos na Escócia), e John Major, conservador, além do líder da oposição trabalhista a Cameron, Ed Millibrand.

Kate com papoulas de tecido na lapela, e William prestando sua homenagem (Fotos: Reuters)

Participaram do ato outros membros da família real, inclusive o príncipe William e a mulher, Kate Middleton, e os jogadores da seleção inglesa de futebol.

“Quando num ato se vêem juntos todos os chefes de governo, passados e presentes, e até o líder da oposição, a primeira coisa que se deve fazer é tirar o chapéu [aos britânicos] em sinal de respeito”, comentou o jornal ABC, de Madri. “Só um país que se sabe uma grande nação, e se sente orgulhoso disso, é capaz de oferecer semelhante imagem de unidade”.

Pois é. Que bom, se um dia, “neste país”…

18/05/2011

às 20:17 \ Vasto Mundo

Com Strauss-Kahn reduzido a um cadáver político, discute-se sua sucessão no FMI e como candidato socialista na França

A vida pública, como a política, é cruel.

Ainda está quente o cadáver político do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o francês Dominique Strauss-Kahn, detido em Nova York sob a acusação de crimes sexuais contra uma camareira do hotel de luxo em que se hospedava, e já se trata de sua sucessão em dois planos: no comando do FMI e na condição de virtual candidato socialista à Presidência da França em 2012, graças à aprovação obtida nas consultas de opinião pública, que o vinham situando bem à frente do presidente Nicolas Sarkozy.

No FMI, despachada e franca como sempre, quem primeiro tocou na delicada questão foi a chanceler alemã Angela Merkel. Mesmo com Strauss-Kahn ainda no cargo, Merkel comentou publicamente que a Europa tem “boas razões” e “bons candidatos” para o posto, tradicionalmente exercido pelos europeus desde a fundação do FMI, em julho de 1944, enquanto aos americanos vem cabendo outra perna importante do sistema, o Banco Mundial. O presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, fez afirmações na mesma linha.

Emergentes querem o cargo no FMI, mas ficar com ele é difícil

Já há, contudo, forte pressão dos países emergentes, inclusive o Brasil, via declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para que o organismo passe a ser dirigido por nome indicado por um deles. Por ironia, Strauss-Kahn, dentro do sistema FMI-Banco Mundial, era uma voz constante em defesa de maior peso aos emergentes.

E, de fato, há uma disparidade entre o tamanho da economia dos países e seu poder de fogo no FMI. Só dois exemplos: a Europa, com 20% da economia mundial, detém o maior percentual de votos no organismo: 29%. O gigante chinês, que já abarca 14% do PIB do planeta, dispõe de apenas 6% dos votos.

Mesmo assim, dificilmente as coisas mudarão agora, sobretudo num momento em que 3 países europeus estão sendo socorridos com vultosos empréstimos pelo FMI – a Grécia, a Irlanda e Portugal. Se Strauss-Kahn renunciar, como se imagina que o faça, até pela demora inevitável para o esclarecimento das acusações de que é alvo, ou, numa hipótese mais drástica, se for afastado pelo Conselho Executivo do FMI, constituído por 24 membros, existe uma longa lista de candidatos europeus ao posto.

Uma lista de candidatos

Apesar de o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, considerar “obsceno” se falar em sucessão agora, ele próprio é incluído na lista de diretoráveis do FMI.

A lista é encabeçada pela respeitada ministra da Economia da França, Christine Lagarde, que, se escolhida,será a primeira mulher a exercer, mas dela fazem parte, entre outros, os alemães Thomas Mirow, ex-presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), Peer Steinbrück, ex-ministro social-democrata das Finanças, e Axel Weber, ex-presidente, por 7 anos, do Deutsche Bundesbank, o Banco Central alemão, além do ex-primeiro-ministro trabalhista britânico Gordon Brown que, porém, tem a oposição de seu sucessor conservador, David Cameron.

Na hipótese, difícil, de alguém proveniente dos emergentes, como o do ex-ministro das Finanças turco Kemal Dervis para o lugar de Strauss-Kahn.

Christine Lagarde, Thomas Mirow, Peer Steinbrück, Axel Weber, Gordon Brown: parte da longa lista de candidatos europeus ao posto de Strauss-Kahn

No Partido Socialista, perplexidade, mas um calendário a cumprir

Já para substituir o diretor agonizante do FMI como candidato socialista à disputa com o presidente Sarkozy na França o favorito parece ser o secretário-geral do partido, François Hollande. Os socialistas, porém, absolutamente perplexos com o fato, chocados com as imagens de seu possível candidato numa delegacia de polícia — divulgação que na França, em nome da privacidade das pessoas, é vedada à mídia — e solidários até agora com DSK, como Strauss-Kahn é conhecido, oficialmente não admitem que a sucessão esteja em discussão.

O problema está em que o calendário é fatal: as normas do Partido Socialista determinam que os aspirantes a disputar as eleições primárias que, em outubro, indicarão o candidato à disputa presidencial de março de 2012 devem inscrever-se formalmente entre os dias 28 de junho e 13 de julho próximos.

Ninguém acredita que, por mais que o sistema judicial americano seja rápido, o affaire Strauss-Kahn esteja resolvido até lá. E a vida continua: há no Eliseu um Sarkozy a ser derrotado pelos socialistas, que há 17 anos não sentem o prazer de se instalar no palácio.

07/11/2010

às 10:00 \ Política & Cia

Temer errou

O vice-presidente da República eleito, deputado Michel Temer (PMDB-SP), deu uma pisadinha de bola na (boa) entrevista que concedeu à edição de VEJA que já está circulando.

Lá pelas tantas, ao abordar o tema de coligações partidárias, ele diz: “Ninguém fica chocado quando a [primeira-ministra alemã] Angela Merkel ganha a eleição e chama partidos para governar, quando Gordon Brown [ex-primeiro-ministro britânico] ganha a eleição e chama partidos para governar. Aqui, as pessoas ficam chocadas”.

Temer errou duas vezes. O primeiro erro: Brown nunca venceu uma eleição na chefia do governo britânico. Ele sucedeu a Tony Blair, em junho de 2007, porque Blair, já no terceiro mandato consecutivo, desgastado, com maioria apertada no Parlamento, renunciou e os trabalhistas escolheram Brown para sucedê-lo. O novo primeiro-ministro, portanto, não passou pelo crivo das urnas. Quando ele próprio concorreu, em maio passado, perdeu para a coalizão de conservadores e liberais-democratas lideradas pelo atual primeiro-ministro David Cameron.

O segundo erro: Gordon Brown não “chamou partidos” para governar. Durante seus 35 meses no poder, governou apenas com os trabalhistas.

14/09/2010

às 12:10 \ Vasto Mundo

Passado do secretário de Imprensa atrapalha lua-de-mel de Cameron no Reino Unido

O sinuoso comportamento passado de seu secretário de Imprensa, Andy Coulson, está começando a prejudicar a lua-de-mel entre o primeiro-ministro britânico conservador David Cameron e o eleitorado que o levou ao governo em maio, em coligação com os liberais-democratas do líder Nick Clegg.

E pode turvar a trajetória até agora surpreendente do jovem Cameron, 44 anos, que está demonstrando, com eloqüência, o quão liberal pode ser o dirigente de um partido denominado Conservador, começando por sua disposição de conceder asilo no Reino Unido a homossexuais perseguidos em seus países.

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