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04/02/2012

às 17:00 \ Tema Livre

Eu viajei no “Costa Concordia” antes do naufrágio. Veja como é (ou era) o navio

Confesso que me dá uma sensação estranha, que mistura familiaridade com assombro, quando vejo imagens do gigantesco navio de passageiros Costa Concordia semi-naufragado no Mar Tirreno, perto da ilha de Giglio, ao largo da costa da Toscana, na Itália.

É que, como centenas de milhares de pessoas de todas as partes do mundo, um dia viajei, com minha mulher, no colosso de 293 metros de comprimento – equivalente ao de quase três campos de futebol – e formidáveis 115 mil toneladas.

Ainda guardo fotos de várias áreas do Costa Concordia, antes da tragédia do dia 12 passado, quando o grande navio aproximou-se mais do que devia da ilha e chocou-se contra pedras no fundo do mar, adernando e causando a morte de 17 pessoas. Quinze outras estavam ainda desaparecidas quando os bombeiros, por falta de segurança para os mergulhadores, decidiram encerrar as buscas.

Veja, nas fotos abaixo — as duas primeira não são deste fotógrafo amador –, como era o grande navio antes do naufrágio.

O "Costa Concordia" em dia de esplendor (Foto: Massimo)

O colosso que você vê acima leva 3.800 passageiros e 1.110 triuplantes. Tem 1.500 cabines, de várias categorias — as mais luxuosas são suítes enormes como as de um hotel.

 

Vista parcial das "pontes", os andares do navio. O "Concordia" tem 17 andares (Foto: Skyscrapersnews)

Dos 17 decks do navio — que os amadores poderíamos chamar de andares –, 13 são destinados aos passageiros.

O principal abriga o enorme saguão de entrada, o cassino, restaurantes e outras acomodações.

O saguão de entrada é um átrio-bar com vários "andares" de altura

Ao entrar no navio, o passageiro logo se encontra no átrio-bar, cujo pé direito é de vários “andares”.

Dos corredores desses decks pode-se contemplar o movimento embaixo, onde há música na maior parte do dia. Há outros dez bares a bordo, menos expostos e mais acolhedores.

O mesmo átrio-bar da foto anterior, visto de cima

A decoração do átrio-bar, como de boa parte do navio, é exageradamente luminosa e colorida. Não raro, é cafona, apesar de o navio ser muitíssimo confortável.

Outra visão do saguão de entrada: podem-se ver os elevadores com paredes transparentes

No saguão de entrada há acesso a três dos seis elevadores que atendem a esse setor do navio. Do lado oposto, há outros seis.

Os corredores que dão acesso às cabines são longuíssimos, como este, do deck "Olanda", que é o 9º "andar" do "Costa Concordia"

Os decks do Costa Concordia receberam nomes de países. Limpíssimos, cuidados várias vezes ao longo do dia pelas camareiras, têm pisos de carpete macio e paredes de lambris com painéis fotográficos.

A decoração é bem mais sóbria do que outras dependências.

O barco tem onze bares, a maioria com música todas as noites. Em alguns, pode-se dançar

A bordo, nada menos do que onze bares, todos com música, todas as noites. Alguns ficam abertos durante o dia, como os bares de duas das três piscinas — uma delas tinha uma grande área para crianças . Em três deles, se pode dançar.

Bingo no Gran Bar Berlino II: os bares servem de sede para várias atividades

Nos bares que só funcionam como tal à noite, realizam-se, durante o dia, diversas atividades, como jogos e bingo, com prêmios em dinheiro.

Vista parcial do cassino. vazio durante o dia e estourando de gente à noite

A foto acima não revela com fidelidade como é o cassino e só mostra uma pequena parte dele: com dezenas de todos os tipos de máquinas caça-níqueis, possui também roletas e mesas para diversos jogos de cartas.

Crupiês experimentados em cassinos tradicionais — como o do Estoril, em Portugal, o de Mônaco e outros — passaram por suas instalações.

No grande corredor que passa pelo cassino e por outras áreas de lazer, a fotógrafa de bordo retrata turistas, em poses que eles escolhem

Show no teatro de bordo, com cantora sul-africana (à dir.) e dançarinas: teatro maior do que o de grandes cidades

O barco possui um grande teatro, maior e melhor do que teatros de grandes cidades internacionais — o Teatro Atene, com mais de mil lugares e três andares de altura.

Outra noite de show no espaçoso e moderno Teatro Atene: música e dançarinas

O teatro é dotado de palco moderno, com iluminação e som de primeira. Ali se apresentam cantores, grupos musicais, mágicos e cômicos.

Há dois shows diários — um às 21 horas, outro às 23 horas.

Um desfile de joias, como o da foto, pode constar da intensa programação de lazer

A programação diária do navio é distribuída a todas as cabines, fornece o cardápio dos restaurantes, a previsão do tempo, informações sobre a próxima escala e uma grande variedade de opções de lazer, que vão de cinema a leilão de arte, de jogos de salão a eventos como desfile de joias.

Vai quem quer, claro. Grande parte dos passageiros prefere passar os dias tomando sol, lendo e relaxando.

Um dos restaurantes oferece bufê self-service para retardatários até depois da meia-noite

Dos cinco restaurantes de bordo, dois são luxuosos e oferecem um vasto cardápio.

Só fotografei, porém, o bufê que, até passada a meia-noite permanece à disposição de retardatários, principalmente dos passageiros que assistiram ao segundo show no Teatro Atene, esse que começa às 23 horas.

A vida boa ao sol, à beira de uma das três piscinas do navio (atrás, duas das muitas jacuzzis a bordo)

Com sua lotação completa, as áreas das três piscinas do navio costumam ficar apinhadas nos horários de sol mais forte.

Sempre é possível, porém, em horários alternativos e com temperatura ainda muito agradável, conseguir uma espreguiçadeira com quantas toalhas o passageiro quiser. E garçons estão ali para servir, grátis, água mineral, sucos, sorvetes e refrigerantes.

Bebidas alcoólicas são pagas com a chave eletrônica das cabines, que funciona como uma espécie de cartão de crédito a bordo.

A concorrência é grande nos horários de sol forte, mas sempre há espreguiçadeiras

Nas piscinas há também atividades programadas, como a hidroginástica. Duas das piscinas são rodeadas por um deck forrado por dezenas de espreguiçadeiras e onde se pode fazer caminhadas contemplando o mar

Nas piscinas, com profissionais especializados, há horários de atividades, como a hidroginástica e jogos.

Quem acha chato, naturalmente, não precisa participar.

As jacuzzi estão sempre cheias, e a água é quente -- quente até demais

O complexo de comunicação e orientação do navio, com antenas e radares

Construído em 2006, o “Costa Concordia” é dotado dos mais modernos sistemas de navegação.

Seu acidente na costa da Toscana, como se sabe, se deveu a erro humano, e não a qualquer falha técnica.

O navio se afasta de sua primeira escala, em Palma de Mallorca, nas Ilhas Baleares -- e tem gente que nem se preocupa em ver a paisagem

Quando não está no Caribe ou descendo a costa brasileira rumo à Argentina e, depois, ao Chile, durante o verão no Hemisfério Sul, o Costa Concordia, no verão europeu, percorre diferentes trajetos.

Pode sair de portos da Itália, navegar pelos fiordes noruegueses e chegar a São Petersburgo, na Rússia, ou, deixando o porto de Barcelona, via ilhas gregas, ir pelo Mediterrâneo até Istambul, na Turquia.

A maioria dos cruzeiros navega pelo Mediterrâneo, e, neste caso, são muitas as alternativas.

O roteiro do cruzeiro em que essas fotos foram feitas começou em Barcelona (Espanha) e, depois, incluiu Palma de Mallorca (Ilhas Baleares, Espanha) – Túnis (Tunísia) – La Valletta (Malta) – Palermo (Sicília, na Itália) – Civitavecchia (Itália, porto a 50 km de Roma) – Savona (Itália, de onde se vai facilmente visitar Mônaco, em excursões de ônibus) – Barcelona.

Hora de deixar Túnis, na Tunísia, e voltar ao navio, cujos grandes barcos salva-vidas podem ser vistos na foto

Para quem não pensa apenas em compras, a escala em Túnis é uma oportunidade excelente para conhecer as ruínas da Cartago romana, que incluem um aqueduto ainda hoje em funcionamento, um coliseu e um grande complexo para banhos.

Turistas com outras preocupações não se pejam, porém, de tirar fotos sobre camelos, ainda que os pobres bichos estejam sobre a árida (e tórrida) cobertura de cimento do cais.

 

La Valletta, capital de Malta, já dá uma ideia da beleza e da riqueza histórica do arquipélago, habitado desde o ano 5.000 a.C. e que já foi possessão de fenícios, cartagineses, espanhóis, de uma ordem religiosa e do Império Britânico. Membro da União Europeia, Malta é independente desde 1964.

Ao se afastar de Palermo, capital da Sicília (Itália), o barco deixa seu rastro no mar

Já de volta a Barcelona, o navio (à esquerda) é tão grande que fica difícil caber na foto

29/09/2011

às 16:13 \ Tema Livre

Vídeo bem legal: você deixaria um motorista bêbado dirigir o seu carro?

Numa campanha de conscientização sobre bebida e direção para ser divulgada como viral pela internet, dois conhecidos bares de São Paulo, o Aurora e o Ferraz, encomendaram para a agência de publicidade Ogilvy um filmete mostrando a reação — captada na vida real — de clientes diante de um suposto manobrista (um ator) completamente de porre.

O filmete ‘Drunk Valet’ ou ‘Manobrista Bêbado’ foi premiada com um Leão de Prata na Categoria Promo no Festival Publicitário de Cannes este ano.

Veja que interessante:

19/09/2011

às 13:47 \ Política & Cia

Números da nova moda de arrastões na noite de São Paulo: a cada 3,4 dias, um crime

Restaurante-no-Morumbi-arrastão- AE

Restaurante no Morumbi alvo de arrastão em agosto (Foto: Hélio Torchi - AE)

Continuo achando uma conquista muito importante os dados de julho em matéria de homicídios, quando se revelou que a cidade de São Paulo teve, no primeiro semestre, o menor índice desse crime por 100 mil habitantes em quase meio século. Mas, amigos do blog, a questão da segurança pública na maior cidade do Brasil é muito complexa, e os problemas a serem resolvidos não se restringem ainda alto número de assassinatos por anos. Enquanto a incidência desta última modalidade de crime diminui, outras sobem, e outras, ainda — a dos assaltos coletivos em restaurantes e bares, os famosos “arrastões” — entram na moda.

Conforme divulgado em matéria de hoje do Estadão e do Jornal da Tarde – leiam abaixo -, até o dia 1º de setembro 71 estabelecimentos, localizados principalmente em sete bairros das zonas Sul e Oeste da capital paulista, foram vítimas deste tipo de crime este ano. Ou seja, segundo os números da Polícia Civil, a cada 3,4 dias, um bar ou restaurante é vítima dos arrastões.

A reportagem, que não apresenta dados comparativos com relação ao ano passado, traz desoladores depoimentos de vítimas. Alguns já desistiram de sair para jantar ou beber com os amigos, enquanto outros reduziram ao mínimo necessário os pertences que levam consigo. Ou seja: se continuar neste ritmo, os paulistanos, muitas vezes já receosos de sair à rua, dependendo da hora ou região da cidade, agora temem os inocentes programas boêmios e gastronômicos. Para completar, os estabelecimentos tendem a se equipar com mais seguranças, o que torna a comida e a bebida, cuja média de preço atualmente é astronômica, ainda mais caros.

SP teve 71 arrastões em restaurantes no ano

Dados da Polícia Civil mostram migração dos casos para a Chácara Santo Antônio e Granja Julieta, na zona sul

Elvis Pereira / Jornal da Tarde – O Estado de S.Paulo

A cidade de São Paulo registrou, até o dia 1.º de setembro, 71 arrastões a bares e restaurantes, segundo dados da Polícia Civil obtidos pela reportagem. Na avaliação de associações do setor e da polícia, a pior fase de ataques já passou, mas não há como garantir que eles deixarão de existir.

Mais da metade dos arrastões ocorreu na Vila Madalena, Pinheiros, Itaim-Bibi, Morumbi e Lapa. Mas a Chácara Santo Antônio e a Granja Julieta, na zona sul, tornaram-se os principais alvos dos ladrões no segundo semestre. “A polícia fortaleceu o efetivo nas outras regiões e eles abriram o leque para outras áreas”, disse o capitão da Polícia Militar Cleodato Moisés, porta-voz do Comando de Policiamento da Capital.

A Polícia Civil prendeu dez acusados de envolvimento em 13 casos. Todos eram jovens e, segundo a polícia, participaram dos arrastões por oportunismo. “São jovens que até ontem eram menores. A lei deu a percepção de que eles são impunes e podem fazer o que quiserem”, disse o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro. Ele considera o número de arrastões alto. “O lazer do paulista é ir ao restaurante. Um único crime já é muito preocupante.”

Hábito. Os clientes não abandonaram a ida aos restaurantes. Mas, agora, carregam menos dinheiro e documentos. Para representantes do comércio, os arrastões afastaram os clientes, mas, aos poucos, eles “se acostumaram”. “A população não se deixou atemorizar”, disse o diretor da Associação Nacional de Restaurantes, Alberto Lyra.

O comerciante e advogado Sérgio Floriano, de 51 anos, estava entre as vítimas de um roubo a restaurante no Morumbi em 8 de agosto. “Um dos bandidos chegou ao meu lado, me deu uma cotovelada e falou: ‘Isso daqui é um assalto, não é brincadeira’.” Levaram documentos, cheques e todo o dinheiro dele.

Após o crime, decidiu parar de sair para jantar. “Nas duas primeiras semanas não fui, mas depois voltei a ir normalmente”, contou Floriano. “Agora levo uma carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), um cartão e pouquinho de dinheiro.”

Cláudia Hessel Saraiva, de 49 anos, faz o mesmo. “Hoje saio com o cartão de crédito só no dia que vou comprar alguma coisa.” Ladrões levaram a bolsa dela durante um arrastão a uma pizzaria na Granja Julieta, no dia 14 de agosto. “No fim de semana seguinte, tive o aniversário do meu cunhado e comemoramos em um restaurante. A mulherada toda foi sem bolsa.”

 

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