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24/03/2012

às 18:03 \ Livros & Filmes

DVD: “A Grande Virada” — um filme muito instrutivo sobre a crise de 2008 batendo nos engravatados

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"A GRANDE VIRADA" -- Executivos acostumados a um vidão que, de repente, veem a vida desabar, como Phil (Chris Cooper), em primeiro plano (Foto: Divulgação)

DVD

A Grande Virada

 

A Grande Virada (The Company Men, Estados Unidos, 2010. Califórnia)

Como já se publicou na seção “VEJA recomenda”, os filmes sobre os efeitos da depressão econômica “são tão numerosos que já começam a formar um subgênero”.

Poucos, contudo, são tão convincentes quanto este trabalho de John Wells, veterano produtor de séries como a esplêndida The West Wing — sobre os bastidores do poder na Casa Branca –, mas iniciante como diretor de longa-metragens.

A crise bate duro em um grande grupo industrial (o que faz o filme diferente de outras obras do gênero, que vêm invariavelmente tendo instituições financeiras como cenário). É necessário acalmar os acionistas e deter a queda no preço das ações a qualquer custo. Assim, além de fechar unidades inteiras de produção, a empresa fictícia GTX começa a cortar gente, inclusive ocupantes de cargos gordos, acostumados a um vidão que, de repente, veem a vida desabar.

Um de seus fundadores, Gene (Tommy Lee Jones), começa a achar que a coisa está indo longe demais quando gente próxima a ele, como Phil (o sempre ótimo Chris Cooper), um dos cabeças do estaleiro do grupo, com 30 anos de empresa, recebe o bilhete azul da responsável pelo RH (Maria Bello, em grande forma aos 45 anos) justamente no momento em que a filha planeja um período de estudos na Itália.

Outro que dança é o jovem, ambicioso e promissor executivo Bobby (Ben Affleck). Os demitidos recebem alguns meses adicionais de salário e seguro-saúde e são treinados para recolocação num deprimente escritório em que compartem “baias” com outros deserdados da crise. Bobby frequenta o lugar, mas procura fingir que nada está acontecendo e continua levando a vida, até que é interrompido num jogo de golfe por um funcionário do clube: ele está fora porque não paga as mensalidades.

O filme seria muito melhor se o diretor John Wells não resvalasse para o inevitável final hollywoodiano de uma promessa de virada (daí o título, cretino como sempre, em português) na vida de vários demitidos, excetuado um, que fica no caminho porque se suicida.

Maria Bello e Tommy Lee Jones numa cena do filme (Foto: Divulgação)

A Grande Virada, no entanto, vale por retratar parte de um drama de proporções colossais nos Estados Unidos. Mais ainda, talvez, por mostrar, mesmo que não fosse a intenção do diretor, como o americano médio se acostumou a viver, não raro nababescamente, muito acima de suas possibilidades — e fora da realidade.

Vejam só, amigos do blog: em meio à derrocada do grupo empresarial, a mulher de Gene resolve passar um fim de semana de lazer e compras na Flórida e pergunta ao marido, como se estivesse no mundo da lua, se pode utilizar um dos jatos executivos da diretoria.

Bob, ganhando 120 mil dólares por ano (21,5 mil reais por mês), mora numa esplêndida e superequipada casa de mais de 1 milhão de dólares nos arredores de Boston, esquia no inverno, viaja para o Caribe no verão e circula num espetacular Porsche novinho em folha — como tudo o mais que possui, inclusive o Volvo da mulher, financiado por bancos e que, com a crise, evaporam.

Muito instrutivo.

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7 Comentários

  1. ajotage(adalberto gazio)

    -

    01/07/2012 às 19:27

    O filme mostra claramente que o mundo econômico dá muitas voltas. Hoje podes estar por “cima da carne seca”, mas amanhã lá do outro lado, na rua, desempregado e com muitas contas para pagar e sem dinheiro.Foi o quadro mais realístico que vi da globalização x recessão, trazendo desemprego e falências.Essa é ainda a situação atual, por isso, toda cautela é pouca!

  2. Sebastião Freitas

    -

    08/06/2012 às 12:43

    Muito bom o filme, valorizado pelo ótimo elenco. Vale mais ainda, por ser um tema super atual que ocorre no mundo todo, principalmente depois da famigerada globalização que enriqueceu uma minoria sacrificando uma grande maioria pelo mundo todo.

  3. Kaos

    -

    25/03/2012 às 11:43

    Esqueci, outra dica:
    “Margin Call” (O dia antes do fim), também recém lançado e relacionado também à crise de 2008. Muito bom!!!

  4. Kaos

    -

    25/03/2012 às 11:35

    Vou assistir tão logo saia em Blu-ray.
    Setti, uma Recomendação :
    A França e o terrorismo são o assunto do momento. Assista,portanto,o recém lançado filme FRANCÊS “Forças Especiais”.
    É claro, é um filme de ação, mas mostra, acho que de forma bastante real, como atuam os violentos e obcecados terroristas em seus redutos tribais lá no Oriente Médio e os confrontos com soldados franceses que vão fazer seu trabalho.
    No centro da trama, duas mulheres, uma JORNALISTA francesa e uma moça paquistanesa, vendida quando criança para um líder terrorista, ambas UNIDAS pela liberdade.
    E atenção para as BELÍSSIMAS locações onde foi feito o filme. IMPERDÍVEL, pelo tema e pelo visual !!!

    Muito obrigado pela dica, prezado Kaos.

  5. SergioD

    -

    25/03/2012 às 8:21

    Ricardo, obrigado pela dica. Todos os filmes sobe a crise de 2008 focaram o setor financeiro. É bom ver um filme que mostre seus impactos sobre a economia real.
    Bom Domingo

  6. Gamal

    -

    24/03/2012 às 23:26

    Já havia visto o filme. Instrutivo, sem dúvida alguma.
    A crise como ela é, diria Nelson.

  7. Marco

    -

    24/03/2012 às 20:03

    Amigo Setti: Vou te contar, isso é a pior experiência de vida q alguém pode passar, na minha época de consultor, tive q dar essa péssima noticia, para um empresário d uma empresa Centenária. Foi o meu pior sentimento, não sabia se usava vocábulos profissional de agir ou estritamente pessoal. Isso é um desaparecimento de vida social terrível. Um enfarquecimento, uma melancolia pessoal q envolve herdeiros etc..
    Acho q é a pior das misérias de todas as outras, pq é a morte de um ideal frustrado.
    Abs.

 

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