13/02/2012
às 23:12Reino Unido solta um terrorista facinoroso. Então vamos falar de Guantánamo
Peço que vocês leiam o texto que segue, publicado no G1, com informações das agências internacionais. Volto em seguida:
O clérigo radical Abu Qatada, considerado o líder espiritual da al-Qaeda na Europa, ganhou nesta segunda-feira (13) liberdade condicional no Reino Unido, depois que uma corte decidiu na semana passada que a detenção dele era ilegal. Qatada foi condenado na Jordânia e era procurado em países da Europa por crimes de terrorismo. Ele deixou a penitenciária inglesa de Long Lartin e passará a viver em prisão domiciliar sob severas restrições. Em 6 de fevereiro, a Comissão Especial de Apelações para Imigração (Siac) decidiu que o jordaniano de origem palestina poderia ser libertado após seis anos e meio preso no Reino Unido sem acusações contra ele nem julgamento. Ao mesmo tempo, Qatada lutava para não ser deportado.
A decisão da Comissão respondeu a um recurso de Qatada, que solicitou sua libertação sob pagamento de fiança após o Tribunal Europeu de Direitos Humanos considerar improcedente, em 17 de janeiro, sua deportação para a Jordânia. O Tribunal considerou que sua extradição a seu país natal violaria seu direito a um julgamento justo, pois as provas apresentadas contra ele teriam sido obtidas sob tortura. O clérigo deve usar um bracelete eletrônico de controle e ficará a maior parte do dia sob prisão domiciliar, com direito a apenas duas saídas de uma hora.
O Ministério britânico pedirá uma revisão da decisão no Tribunal Europeu de Direitos Humanos, localizado em Estrasburgo, na França, enquanto negocia com o país árabe para que o clérigo seja julgado de acordo com a legislação internacional. Qatada, de 52 anos, foi detido em 2002 no Reino Unido, onde chegou em 1994 como refugiado, suspeito de pertencer à rede terrorista al-Qaeda. Ele foi condenado à revelia na Jordânia por participar atividades terroristas.
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Atenção! Abu Qatada não é “CONSIDERADO” o líder espiritual da Al Qaeda na Europa. Ele efetivamente É esse líder. É da Jordânia, país em que foi condenado pela Justiça, mas sua extradição foi negada. Ocorre-me, então, escrever: censurar a existência de uma prisão em Guantánamo é fácil; tentar entender por que ela existe é que é o difícil.
Os sistemas democráticos ainda não estão aparelhados para enfrentar o terrorismo multinacional ou apátrida, sem fronteira. Isso não implica defender brutalidades ou tratamento desumano, não. A questão a que me refiro é de outra natureza e explica por que Obama não conseguiu, até agora, cumprir a sua promessa de acabar com a prisão na base americana em Cuba.
Devolver os terroristas presos para seus respectivos países de origem significaria, vejam vocês, uma de duas coisas: a) a liberdade para voltar ao terror; b) a morte imediata. Em qualquer dos dois casos, os EUA estariam meio encrencados. Num deles, a canalha ficaria solta para voltar a delinqüir — aliás, são inúmeros os casos de supostos “inocentes” de Guantánamo que voltaram para os campos de treinamento terroristas. Na outra hipótese, os americanos seriam acusados se estar entregando prisioneiros para a morte certa.
Guantánamo surgiu justamente como um impasse jurídico. O que fazer? O caso do notório Abu Qatada é emblemático. Este homens tem, na prática, milhares de mortos nas costas. E é agora beneficiário de um estado de direito que ele despreza profundamente. Não quer acabar apenas com esse sistema; repudia mesmo a civilização que o gerou.
A questão, desde sempre, é saber como fazer para preservar o estado democrático e de direito, mas impedindo que ele seja instrumentalizado pelo terrorismo, que não tem compromisso com leis.
Se a solução fosse simples, Obama já a teria encontrado, não é mesmo? E estaria agora fazendo praça disso. Não faltará quem diga que o Reino Unido saiu ganhando porque triunfou a lei. Mas me parece razoável a suposição de que o Reino Unido e a civilização saíram perdendo ao colocar fora da cadeia um facínora convicto.
PS – Como esquecer que, indagada sobre os presos de consciência em Cuba, Dilma Rousseff, a amiga de Eleonora Menicucci, preferiu apontar os dedos para os EUA e falar de Gunatánamo, equiparando, então, terroristas presos a dissidentes que cometem o pecado de cobrar democracia na ilha?
Tags: Abu Qatada, Reino Unido, terrorismo


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