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Arquivo de 13 de Fevereiro de 2012

13/02/2012

às 23:12

Reino Unido solta um terrorista facinoroso. Então vamos falar de Guantánamo

Peço que vocês leiam o texto que segue, publicado no G1, com informações das agências internacionais. Volto em seguida:
O clérigo radical Abu Qatada, considerado o líder espiritual da al-Qaeda na Europa, ganhou nesta segunda-feira (13) liberdade condicional no
Reino Unido, depois que uma corte decidiu na semana passada que a detenção dele era ilegal. Qatada foi condenado na Jordânia e era procurado em países da Europa por crimes de terrorismo. Ele deixou a penitenciária inglesa de Long Lartin e passará a viver em prisão domiciliar sob severas restrições. Em 6 de fevereiro, a Comissão Especial de Apelações para Imigração (Siac) decidiu que o jordaniano de origem palestina poderia ser libertado após seis anos e meio preso no Reino Unido sem acusações contra ele nem julgamento. Ao mesmo tempo, Qatada lutava para não ser deportado.

A decisão da Comissão respondeu a um recurso de Qatada, que solicitou sua libertação sob pagamento de fiança após o Tribunal Europeu de Direitos Humanos considerar improcedente, em 17 de janeiro, sua deportação para a Jordânia. O Tribunal considerou que sua extradição a seu país natal violaria seu direito a um julgamento justo, pois as provas apresentadas contra ele teriam sido obtidas sob tortura. O clérigo deve usar um bracelete eletrônico de controle e ficará a maior parte do dia sob prisão domiciliar, com direito a apenas duas saídas de uma hora.

O Ministério britânico pedirá uma revisão da decisão no Tribunal Europeu de Direitos Humanos, localizado em Estrasburgo, na França, enquanto negocia com o país árabe para que o clérigo seja julgado de acordo com a legislação internacional. Qatada, de 52 anos, foi detido em 2002 no Reino Unido, onde chegou em 1994 como refugiado, suspeito de pertencer à rede terrorista al-Qaeda. Ele foi condenado à revelia na Jordânia por participar atividades terroristas.

Voltei
Atenção! Abu Qatada não é “CONSIDERADO” o líder espiritual da Al Qaeda na Europa. Ele efetivamente É esse líder. É da Jordânia, país em que foi condenado pela Justiça, mas sua extradição foi negada. Ocorre-me, então, escrever: censurar a existência de uma prisão em Guantánamo é fácil; tentar entender por que ela existe é que é o difícil.

Os sistemas democráticos ainda não estão aparelhados para enfrentar o terrorismo multinacional ou apátrida, sem fronteira. Isso não implica defender brutalidades ou tratamento desumano, não. A questão a que me refiro é de outra natureza e explica por que Obama não conseguiu, até agora, cumprir a sua promessa de acabar com a prisão na base americana em Cuba.

Devolver os terroristas presos para seus respectivos países de origem significaria, vejam vocês, uma de duas coisas: a) a liberdade para voltar ao terror; b) a morte imediata. Em qualquer dos dois casos, os EUA estariam meio encrencados. Num deles, a canalha ficaria solta para voltar a delinqüir — aliás, são inúmeros os casos de supostos “inocentes” de Guantánamo que voltaram para os campos de treinamento terroristas. Na outra hipótese, os americanos seriam acusados se estar entregando prisioneiros para a morte certa.

Guantánamo surgiu justamente como um impasse jurídico. O que fazer? O caso do notório Abu Qatada é emblemático. Este homens tem, na prática, milhares de mortos nas costas. E é agora beneficiário de um estado de direito que ele despreza profundamente. Não quer acabar apenas com esse sistema; repudia mesmo a civilização que o gerou.

A questão, desde sempre, é saber como fazer para preservar o estado democrático e de direito, mas impedindo que ele seja instrumentalizado pelo terrorismo, que não tem compromisso com leis.

Se a solução fosse simples, Obama já a teria encontrado, não é mesmo? E estaria agora fazendo praça disso. Não faltará quem diga que o Reino Unido saiu ganhando porque triunfou a lei. Mas me parece razoável a suposição de que o Reino Unido e a civilização saíram perdendo ao colocar fora da cadeia um facínora convicto.

PS – Como esquecer que, indagada sobre os presos de consciência em Cuba, Dilma Rousseff, a amiga de Eleonora Menicucci, preferiu apontar os dedos para os EUA e falar de Gunatánamo, equiparando, então, terroristas presos a dissidentes que cometem o pecado de cobrar democracia na ilha?

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 19:16

Comentários

Caros, há muitos comentários na fila. Demora um pouco, mas a gente dá conta de tudo.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 19:14

Ex-presidente do PSDB na cidade de SP volta a criticar prévias e diz que Serra deveria concorrer à Prefeitura

Na Folha Online:
O ex-presidente do diretório municipal do PSDB de São Paulo José Henrique Reis Lobo voltou a atacar nesta segunda-feira (13) a realização de prévias pela legenda e disse que a sua opinião encontra respaldo em setores do partido. Na semana passada, ele causou polêmica no partido ao criticar a consulta interna para escolher o candidato a prefeito da capital paulista. Quatro tucanos devem disputar as prévias, marcadas para 4 de março. “É sintomático que a opinião que defendo venha encontrando tanto apoio de simpatizantes e eleitores do partido. Os que não concordam invariavelmente são “militantes”, que, sem ter como derrubar a tese, querem desconstruí-la com agressões ao autor”, escreveu o tucano, que postou 28 mensagens seguidas sobre o tema em sua página no Twitter.

Lobo diz que os militantes deveriam respeitar a história do PSDB, que tradicionalmente define os candidatos a cargos majoritários por escolha da cúpula do partido, sem consultar os filiados. “Repito o que sempre disse: prévias não se inserem na cultura e na história do PSDB. Prévias não promovem a unidade do partido. Dividem-no”, opinou o tucano, que citou casos em que um dirigente da sigla definiu um candidato mesmo com a pressão de disputas internas.

Na quinta-feira, a Folha trouxe artigo de Lobo em que afirma que as prévias “estão metendo o partido numa encalacrada sem tamanho”. A inciativa foi apontada por integrantes da legenda como um recado do ex-governador José Serra (PSDB), que articula contra as prévias e vem sendo cotado para a disputa, embora diga que não quer concorrer. Outro aliado de Serra, o ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, também já se manifestou de forma contrária à disputa interna.

Lobo diz não se importar se pensam que ele está a serviço de Serra, mas defende a candidatura do ex-governador como o nome capaz de dar “perspectiva de sucesso nas eleições” para o PSDB. “Serra é o nome mais competitivo, que traz perspectiva de vitória para o PSDB. Estou convencido disso. O nome dele é o melhor, apesar de ele dizer que não disputará. É decisão dele, mas acho que ele deveria reconsiderar. Lideranças mais experientes acham isso. Ele sabe”, afirmou.

O ex-presidente critica a atual direção, comandada no município e no Estado por dois aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB), por optar, “com antecedência imprudente”, pelas prévias sem antes “construir uma candidatura que agregasse apoios dentro e fora do partido”. Segundo Lobo, o PSDB perde com isso. “Faz um tempão que o partido não fala para a sociedade. Está voltado para dentro de si mesmo (sic). Os pré-candidatos discursam para a militância’”, escreveu. Concorrem às prévias o deputado federal Ricardo Tripoli e os secretários Bruno Covas (Meio Ambiente), José Aníbal (Energia) e Andrea Matarazzo (Cultura), este último tido como favorito e nome apoiado pelo grupo de Serra na disputa interna.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 19:07

É uma vergonha, Chalita! Nem jornalista, que escreve todo dia, recicla o próprio texto

Esse negócio do autoplágio de Chalita (ver post abaixo) — e, como não poderia deixar de ser, plágio ruim — não é irrelevante, não! É claro que é uma forma de burlar as regras do jogo, ora essa! Ainda que a PUC admita o procedimento, isso só significa que a universidade admite um procedimento ruim. Ora, a ser assim, ele pode apresentar o mesmo trabalho no departamento de história, de filosofia e até de letras. Escreverá um único texto para cinco mestrados. Qual é?

Neste blog, volta e meia, recorro a textos que eu mesmo escrevi. Mas o leitor é sempre advertido. Mais: publico o link. Ficar reciclando coisa velha como nova é uma desonestidade intelectual e também profissional. E olhem que não sou acadêmico nem aspiro à condição de intelectual. Um estudioso pode se especializar num determinado tema e escrever dezenas de livros a respeito, desde que avance em sua investigação e que cada novo volume reproduza essa evolução. Sem esse aspecto progressivo, está apenas se especializando na carreira de enganador.

Título acadêmico não é mérito que se exibe para as tias. Tem de refletir a qualidade da pesquisa e da investigação científica. Há, sim, muita vigarice nessa área, sabemos. A universidade, saibam os senhores, não tem relações de compadrio e de afinidades eletivas muito distintas das que se vêem nos Três Poderes da República. As igrejinhas de pensamento costumam ser notavelmente autoritárias e excludentes. Mas se exige um mínimo dos postulantes e autoridades acadêmicas.

Os professores, notadamente os da área de humanas e comunicação, gostam de esculhambar a imprensa. Às vezes, a crítica é merecida. Com alguma freqüência, não. Eu jamais esperaria que um acadêmico produzisse com a mesma velocidade do jornalista que escreve todo dia. Mas me parece que um salto de produtividade na universidade, em regra, não faria mal nenhum. Assim como seria um bem um salto de qualidade no jornalismo.

Num ambiente já menos exigente do que seria o desejável, Chalita burla as regras do jogo. Sem contar que conseguiu fazer dois mestrados “desentendendo” Maquiavel.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 18:50

Chalita e o discurso do plágio voluntário

Jesus Cristo multiplicou os peixes. Menos modesto, o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) multiplica títulos acadêmicos. Seu gigantesco patrimônio sugere que ele sabe também, como ninguém, multiplicar rendimentos. O homem é um portento. A sua “pedagogia do amor” lhe tem sido um “amor de pedagogia”. A Folha de domingo traz uma reportagem de Uirá Machado que realmente dá o que pensar.

Esse portento do mundo das letras, das artes, da filosofia, da pedagogia e da auto-ajuda — capaz de plagiar O Pequeno Príncipe sem enrubescer — concluiu dois mestrados, com três anos de diferença, apresentando uma só tese. Apresentou um, vá lá, estudo sobre as obras de Maquiavel e Étienne de La Boétie no departamento de Ciências Sociais da PUC, em 1994, e, três anos depois, o mesmo trabalho — índice de coincidência de 75%, segundo a Folha — lhe rendeu um mestrado em direito.

Ainda que Chalita tivesse sido absolutamente original no cotejo dos pensamentos de Maquiavel e La Boétie — o que duvido, já digo por quê —, apresentar um mesmo trabalho para obter dois mestrados é coisa de picaretas. A razão é simples: uma tese requer necessariamente uma abordagem original em relação, inclusive, ao trabalho do próprio autor, uma nova pesquisa, um ângulo inexplorado ou uma interpretação inusitada de um determinado tema a partir do conhecimento disponível. De resto, não existe nada mais carne-de-vaca nas ciências sociais do que comparar as abordagens do poder desses dois autores. É, assim, o nível “Massinha I” da área.

A Folha informa que, do primeiro para o segundo trabalho, o número de referências bibliográficas saltou de 15 para 31 “e o trabalhou ganhou dois capítulos – que foram largamente baseados no verbete “poder político” da “Enciclopédia Barsa” de 1977 e em citações de Shakespeare.” A Enciclopédia Barsa era o Google pré-Internet. Profundo.

A reprodução de trechos é constrangedora, provoca a tal vergonha alheia.

No mestrado de ciências sociais
Objetivo: Discutir a questão do poder, comparando “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel (1469-1527), com o “Discurso da Servidão Voluntária”, de Étienne de La Boétie (1530-1563), e analisar as “relações de poder entre o príncipe e o povo”

Trecho: “Se pudéssemos sintetizar dois pensamentos, um de Maquiavel e outro de La Boétie, poderíamos afirmar: primeiro conheçamos a realidade, e, depois, ousemos construir e perseguir a utopia. Esta é a virtude do homem, seu desafio”.

No mestrado de direito 
Objetivo: Discutir a questão do poder, analisando “O Príncipe”, de Maquiavel, e o “Discurso da Servidão Voluntária”, de La Boétie, “no que tange às relações de poder entre o governante e o povo”.

Trecho: “Se pudéssemos sintetizar dois pensamentos, um de Maquiavel e outro de La Boétie, poderíamos afirmar: primeiro conheçamos a realidade e, depois, ousemos construir e perseguir a utopia. Esta é a virtude do homem, seu desafio”.

Voltei
Como se viu, de um texto para outro, houve uma ligeira piora porque a expressão “no que tange” é, além de desnecessária, imprecisa. De resto, “conservadores” ou “progressistas”, esquerdistas ou liberais, não há um só leitor de Maquiavel com os meridianos ajustados capaz de concluir que o pensador estimula a “construção da utopia”. Chalita deve ter lido alguma edição pirata, reescrita por algum selenita.

No twitter, Chalita tenta desqualificar a reportagem e a chama de trabalho de encomenda ou algo assim. “Encomenda” de quem”, cara pálida? Afinal, quem tem medo de Gabriel Chalita? Talvez Maquiavel,| La Boétie e qualquer sopro de originalidade.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 17:11

Para bispo, nova ministra é irresponsável

Por Chico Siqueira, no Estadão Online:
O bispo de Assis (SP), d. José Benedito Simão, presidente da Comissão pela Vida da regional Sul 1 (Estado de São Paulo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse ao Estado que a nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa infeliz, mal-amada e irresponsável”, que “adotou uma postura contra o povo e em favor da morte” ao defender o aborto em declarações dadas à imprensa. Informada, a ministra não quis comentar as críticas feitas pelo bispo.

“Recebo com muita indignação as palavras da nova ministra, cuja pasta tem uma grande responsabilidade em favor da vida da mulher”, afirmou d. José – para quem a ministra abriu uma polêmicas que pode criar um confronto entre Igreja e governo. “Ela é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando”, disse ainda o bispo, referindo-se aos debates ocorridas no fim do governo Lula sobre aborto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3). “Ela tem obrigação de apresentar programas que gerem vida, e não morte. Deve falar em defesa da mulher, em defesa da vida, mas se posicionou a favor do homicídio, ao defender o aborto”, protestou.

O bispo também reclamou das declarações da ministra sobre as preferências sexuais de sua filha, afirmando que ela “deveria tomar mais cuidado para não dar mau exemplo para nossos adolescentes”.

Panfletos
D. José, de 61 anos, ficou conhecido em janeiro de 2010, quando divulgou panfletos chamando Lula de “novo Herodes”, por levar adiante o PNDH 3. Os panfletos voltaram a circular em outubro, em plena campanha presidencial de segundo turno, mas foram apreendidos em uma gráfica do Cambuci, em SãoPaulo. A gráfica informou que a encomenda lhe fora feita pela diocese de Guarulhos.

Em outro trecho da entrevista de ontem, o bispo de Assis disse que vai seguir de perto os pronunciamentos da ministra. “Vamos acompanhar seu trabalho. Se os discursos forem nessa mesma linha (de defesa do aborto), vamos tomar algumas medidas de protesto, que podem ser panfletos ou manifesto público”, acrescentou. E concluiu dizendo que “foi uma escolha infeliz do governo de Dilma”, que poderia ter escolhido “uma pessoa mais responsável e equilibrada, mas colocaram essa pessoa para reacender temas polêmicos e complexos e reabrir feridas que estavam se fechando”.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 16:19

A lenda da Vovozinha Vermelha que engoliu o lobo

É claro que há mulheres que fizeram aborto e sofreram muito com isso. Não se trata aqui de demonizar pessoas, mas de escolher políticas públicas. Estou acostumado a enfrentar o debate com pessoas que defendem a descriminação, deixando sempre claro que o aborto é, sim, uma dor para as mulheres.

A entrevista de dona Eleonora Menicucci é de outra ordem. E eu não vou me conformar com ela tão cedo. De todos os horrores que disse, talvez o trecho mais chocante seja este:
Eleonora – E eu digo que a questão feminista é tão dentro de mim, e a questão dos Direitos Reprodutivos também, que eu sou avó de uma criança que foi gerada por inseminação artificial na mãe lésbica.
Joana – Hum, hum.

Eleonora
– Então eu digo que sou avó da inseminação artificial.
Joana: (risos)
Eleonora – Alta tecnologia reprodutiva. E aí eu queria colocar a importância dessa discussão que o feminismo coloca no sentido do acesso às tecnologias reprodutivas.
Joana – Certo.
Eleonora – Entendeu? E eu diria: “Eu fiz dois abortos e também digo que sou avó do aborto também porque por mim já passou.

Não, leitor, ela não precisava ser uma avó como foram ou são as minhas ou as suas; ela não precisava ser uma avó como devem ser muitas leitoras deste blog; ela não precisava ser uma avó como devem ser muitas de nossas mães. Bastava, pra mim, que amasse o neto, pouco importando a sua condição. Mas a gente nota que ela aprecia “na criança” a causa. É isso: ela é avó de um “neto-causa”.

Por isso não vê problema em ser também “avó do aborto”, outra causa à qual se dedicou com fúria, a ponto de ir cometer ilegalidades num país estrangeiro.

Vocês já conheciam a lenda do Chapeuzinho Vermelho. Agora vocês conhecem a da Vovozinha Vermelha que engoliu o lobo para tomar o seu lugar.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 15:35

ATENÇÃO! Ministra das Mulheres confessa ter cometido crime na Colômbia segundo também as leis daquele país. É um escracho!

Um bando de bobocas resolveu invadir o blog para tentar defender Eleonora Menecucci, afirmando, ora vejam!, que estou tentando “massacrar” a nova ministra das Mulheres. Eu não entendo nada de “massacres”. Se a palavra é essa, a pessoa indicada para falar sobre o assunto é outra, não? De resto, combinemos: vamos nos fixar no jogo democrático. Eu fico, nem que seja sozinho, de um lado criticando o fato de esta senhora ter ido a clínicas de aborto da Colômbia para receber “aulas” sobre o procedimento — que coisa nojenta! —, e quem quiser que a defenda, que a transforme numa grande humanista. Só não vale ser covarde! Só não vale ignorar parte de sua biografia, justamente aquela que a liga diretamente à questão feminina. Reitero: tivesse praticado aqueles atos no Brasil, o lugar de Eleonora seria a cadeia — basta olhar o Código Penal —, não o ministério. “Ah, mas foi na Colômbia”. Pois é… Não terá ela cometido crimes na Colômbia também?

A entrevista de Eleonora Menecucci foi concedida em 2004. A lei colombiana que descrimina parcialmente o aborto — em caso de estupro, risco de morte da mãe e má-formação do feto ou embrião —  é de maio de 2006. Antes disso, todas as intervenções que resultassem em interrupção da gravidez eram consideradas criminosas, como evidencia a imprensa colombiana.

Dilma nomeou uma ministra que confessa ter cometido, em país estrangeiro, atos considerados crimes aqui e lá.

A Colômbia deveria considerar Eleonora persona non grata. De modo deliberado, consciente, entrou naquele país para se dedicar a uma prática considerada criminosa. Não adianta a patrulha tentar torrar a minha paciência. Não dou a mínima.

A confissão de Eleonora Menecucci é coisa que interessa, sim, ao Congresso. Se os parlamentares brasileiros tiverem o mínimo de vergonha na cara, independentemente do que pensem sobre o aborto, deixam claro ao governo Dilma que esta senhora não tem condições de ser ministra. Ela se prepara agora para representar o Brasil no Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres. Vai liderar um grupo de senadoras, deputadas etc (ver post dessa madrugada). Quem é ela? Aquela senhora que, de forma deliberada, entra num país para violar as suas leis?

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 14:31

A presença de Eleonora Menicucci no ministério ofende a dignidade humana

O governo petista já teve ministros favoráveis ao aborto. Um deles era José Gomes Temporão, da Saúde, que teve a delicadeza de fazer proselitismo em favor da prática quando o papa estava no Brasil. Também já teve Nilcéia Freire, na própria pasta das Mulheres. Ambos são médicos. Já entrevistei os dois e fiz a pergunta óbvia: como profissionais da saúde praticaram ou praticariam aborto? A resposta “não” e “não”. A Temporão, no programa Roda Viva, propus o paradoxo moral dos filhotes de tartaruga, devidamente protegidos por leis severíssimas. Ele não tinha resposta porque ninguém tem.

Não é só isso, não! Em 2010, uma página da Secretaria das Mulheres, ainda sob o comando de Nilcéia Freire, exaltava os deputados da bancada petista que mantiveram firme a sua posição em favor da descriminação do aborto. Reproduzo trecho:
“Reunido ontem (10/7), em Brasília, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) deliberou, na segunda reunião ordinária do novo pleno, sobre moção de aplauso e reconhecimento à posição favorável dos deputados federais José Genoíno (PT/SP), José Eduardo Cardoso (PT/SP), Eduardo Valverde (PT/RO), Regis de Oliveira (PSC-SP) e Paulo Rubens (PDT/PE) à retirada do Artigo 124 do Código Penal que criminaliza o aborto, durante a sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados ocorrida na quarta-feira (9/7).
Aqui

Viram ali o nome que vai em destaque? É o atual ministro da Justiça. Muito bem! Haver ministros no governo favoráveis à descriminação do aborto é uma coisa — já detestável, segundo os meus valores. Haver, no entanto, uma senhora que se deslocou até a Colômbia para, SEM SER NEM MESMO MÉDICA, aprender a fazer aborto “por aspiração”, aí já estamos no terreno da abjeção. Mais: Eleonora Menicucci pertencia a uma ONG que defende o “faça você mesmo” nessa matéria. Sua entidade quer transformar o aborto numa prática quase doméstica, feita por não-médicos.

O post que publiquei nesta madrugada evidencia que o seu proselitismo agressivo em favor da causa não é recente. Dilma Rousseff não nomeou apenas uma abortista; nomeou também uma aborteira confessa, que se orgulha, como diz, de ser “avó do aborto”. Essas suas palavras asquerosas mereciam ser confrontadas com o produto de seus atos, para que a sua carniçaria moral pudesse ser devidamente retratada por sua carniçaria de fato.

A imprensa “progressista” há de ignorar os aspectos escabrosos da biografia desta mártir. E não faltará ainda quem a considere uma mulher muito corajosa. Eu considero que sua presença no ministério ofende a dignidade humana.

E só para encerrar: não me surpreende que uma de suas referências intelectuais, morais e existenciais seja Frei Betto, que teve o desplante, no passado, de lhe arrumar uma vaguinha justamente na Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de João Pessoa. Anos depois ela saiu de lá para empunhar uma seringa e se especializar na aspiração de fetos.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 13:12

Oposição quer ouvir Gilberto Carvalho sobre máfia do DF

Por Gabriel Castro, na VEJA Online:
A bancada do PPS na Câmara quer convocar o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para cobrar explicações a respeito de seu envolvimento com a advogada Christiane Araújo de Oliviera. Em
sua reportagem de capa desta semana, VEJA revela as ligações íntimas de Christiane com políticos e figuras-chave da República – e traz importantes revelações da advogada, que informou à Polícia Federal que o governo federal usou de sua proximidade com a quadrilha de Durval Barbosa no Distrito Federal para conseguir material contra adversários políticos. Em depoimento à PF, Christiane contou que o ministro tentou obter material do operador e delator do mensalão do DEM em Brasília para atingir adversários do PT. O elo entre os dois grupos seria a própria advogada.

“Se o Gilberto Carvalho sabia da existência dos vídeos gravados por Durval Barbosa, deveria denunciá-lo à Justiça e não tirar proveito da situação. Esse não é um procedimento republicano porque como membro do governo ele deveria ter agido em defesa do interesse público e da transparência”, diz o líder da bancada do PPS, Rubens Bueno (PR). Ele diz que o ministro deve explicações ao Congresso. Na avaliação do deputado, se as declarações feitas por Christiane à Polícia Federal forem verdadeiras, o ministro Gilberto Carvalho também precisa ser investigado.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 5:11

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 5:01

O MINISTÉRIO DILMA – Nova ministra da Mulher confessa que já treinou abortos por sucção mesmo não sendo médica. Mais: ela se considera avó de um neto, mas também do aborto

No dia 14 de outubro de 2004, a então apenas professora Eleonora Menicucci, que tomou posse como ministra das Mulheres na semana passada, concedeu uma entrevista a uma interlocutora chamada Joana Maria. O texto está nos arquivos da Universidade Federal de Santa Catarina (a íntegra está aqui). Já fiz uma cópia de segurança porque essas coisas costumam desaparecer quando ganham publicidade. Está certamente entre as coisas mais estarrecedoras que já li. De sorte que encerro assim este primeiro parágrafo: se um torturador vier me dar a mão, eu a recuso, cheio de asco. Se a ministra Eleonora vier me dar a mão, eu me comportarei da mesma maneira, com o estômago igualmente convulso.

Antes que entre propriamente no mérito, algumas considerações. Aqui e ali, tenta-se caracterizar a ministra como uma espécie de defensora apenas intelectual do aborto, apegada à causa no universo conceitual, retórico, de sorte que a sua nomeação não representaria um engajamento da presidente Dilma Rousseff e de governo na causa do aborto. Falso! Falso e na contramão dos fatos. Alguns parlamentares, notadamente da bancada evangélica, fizeram duros discursos contra a ministra e foram caracterizados pela imprensa como uns primitivos ideológicos. Então vamos ver se a ministra está com a civilização…

Abaixo, transcrevo alguns trechos daquela sua entrevista, concedida quando ela já estava com 60 anos. Não se pode dizer que o diabo da imaturidade andava soprando em seus ouvidos. Não! Eleonora confessa na entrevista que não é apenas “abortista” — termo a que os ditos progressistas reagem porque o consideram uma pecha, uma mácula. Ela também é aborteira. Viajou pela sua ONG à Colômbia para aprender a fazer aborto por sucção, o método conhecido como AMIU (Aspiração Manual Intra-Uterina). Deixa claro que o objetivo de seu trabalho é fazer com que as pessoas se “autocapacitem” para o aborto, de sorte que ele possa ser feito por não-médicos. É o caso dela! Atenção! DILMA ROUSSEFF NOMEOU PARA O MINISTÉRIO DAS MULHERES uma senhora que defende que o aborto seja uma prática quase doméstica, sem o concurso dos médicos. Por isso ela própria, uma leiga, foi fazer um “treinamento”. Não! Jamais apertaria a mão de torturadores. E jamais apertaria a mão de dona Eleonora por isto aqui (volto depois)

“ESTIVE TAMBÉM FAZENDO UM TREINAMENTO DE ABORTO NA COLÔMBIA, POR ASPIRAÇÃO”
Eleonora -  Dois anos Aí, em São Paulo, eu integrei um grupo do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. ( ). E, nesse período, estive também pelo Coletivo fazendo um treinamento de aborto na Colômbia.
Joana – Certo.
Eleonora – O Coletivo nós críamos em 95.
Joana – Como é que era esse curso de aborto?
Eleonora – Era nas Clínicas de Aborto. A gente aprendia a fazer aborto.
Joana – Aprendia a fazer aborto?
Eleonora – Com aspiração AMIU.
Joana – Com aquele…
Eleonora – Com a sucção.
Joana – Com a sucção. Imagino.
Eleonora – Que eu chamo de AMIU. Porque a nossa perspectiva no Coletivo, a nossa base…
Joana -  é que as pessoas se auto auto-fizessem!
Eleonora – Autocapacitassem! E que pessoas não médicas podiam…
Joana – Claro!
Eleonora – Lidar com o aborto.
Joana – Claro!.
Eleonora – Então vieram duas feministas que eram clientes, usuárias do Coletivo, as quais fizeram o primeiro auto-exame comigo. Então é uma coisa muito linda.
Joana – Hum.
Eleonora – Muito bonita! Descobrirem o colo do útero e…
Joana – Hum.
Eleonora – Ter uma pessoa que segura na mão.
Joana – Certo.

“NÓS DECIDIMOS, EU E O PARTIDO, QUE EU DEVERIA FAZER UM ABORTO”
Num outro trecho, Eleonora conta como ela e o seu partido, o POC (Partido Operário Comunista), tomaram uma decisão: ela deveria fazer um aborto. Tratava-se apenas de uma questão… política!
Eleonora - Porque a minha avaliação era que eu tinha que fazer
Joana - a luta armada aqui.
Eleonora – a luta armada aqui. E um detalhe importante nessa trajetória é que, seis meses depois de essa minha filha ter nascido, eu fiquei grávida outra vez. Ai junto com a organização nós decidimos, a organização, nós, que eu deveria fazer aborto porque não era possível
Joana - Certo.
Eleonora – Na situação ter mais de uma criança, né? E eu não segurava também. Aí foi o segundo aborto que eu fiz.

“EU TIVE MINHA PRIMEIRA RELAÇÃO COM MULHER. E TRANSAVA COM HOMEM; ESTAVA COM MEU MARIDO”
Falastrona e ególatra, como já apontei aqui, ela faz questão de contar na entrevista que teve a sua primeira relação homossexual quando ainda estava casada. Era o seu mergulho no que ela entende por feminismo.
Eleonora – Aí já nessa época eu radicalizei meu feminismo. Eu comecei a militar.
Joana – Onde?
Eleonora – Em Belo Horizonte, eu comecei a militar neste grupo.
Joana – Neste mesmo grupo?
Eleonora – É
Joana – O que se fazia além de discutir?
Eleonora – Nós discutíamos o corpo.
Joana – Certo.
Eleonora – Discutíamos a sexualidade. Eu tive a minha primeira relação com mulher também.
Joana – Hum.
Eleonora – Quer dizer que foi bastante precoce pra essa E transava com homem.
Joana – Certo.
Eleonora – Pra minha trajetória
Joana – Mesmo porque tu também estavas com o teu marido eu acho, não estavas?
Eleonora
– Sim, sim.
Joana – Estavas. Ah
Eleonora – Mas nós nunca tivemos esse E ele era um cara muito libertário. Nós nunca tivemos essa questão de relação
Joana: Certo.

“SOU MUITO AMIGA DO FREI BETTO. ELE ME PÔS NO CENTRO DE DIREITOS HUMANOS DA DIOCESE DE JOÃO PESSOA”
Ora, qual é o lugar ideal para uma humanista desse quilate trabalhar? Frei Betto — sim, aquele… — deu um jeito de arrumar para ela um emprego na Arquidiocese de João Pessoa:
Eleonora – E aí, no início de 78, eu já tinha me separado do meu ex-marido e resolvo sair de Belo Horizonte. Aí quando eu saio de Belo Horizonte eu busco um lugar bem longe porque eu não queria mais ser referência para a esquerda.
( )
Eleonora – E eu não podia. Então eu procurei isso. Sou muito amiga, por incrível que pareça, a vida inteira, do Frei Betto e pedi a ele pra me encontrar um lugar o mais longe possível de Belo Horizonte. Aí ele falou “Eu tenho dois lugares onde a Diocese é muito aberta: em Vitória, com Dom Luís, ou em João Pessoa, com Dom José Maria Pires. Eu falei: “Eu quero João Pessoa”, quanto mais longe melhor.
( )
Eleonora – É Mas, assim, eu cheguei, eu. Eu tive que construir minha vida.
Joana -  Hum. Foste trabalhar?
Eleonora – No Centro de Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba.
Joana – Tá legal.
Eleonora – E aí eu comecei a trabalhar com as mulheres rurais de Alagamar, que era o que eu queria ( ) Logo depois, retomei um grupo, a minha atividade de grupo de reflexão feminista com algumas mulheres em João Pessoa. A maioria de fora de João Pessoa e duas de dentro Então nós criamos o primeiro grupo feminista lá em João Pessoa. Chamado Maria Mulher.
( )
Eleonora – É. “Quem ama não mata” e “O silêncio é cúmplice da violência”, e aí começamos a nos articular dentro do Nordeste.
Joana – Tá.
Eleonora – Era o SOS Mulher. O SOS Corpo e um grupo de reflexão que tinha em Natal

Joana
: Hum.
Eleonora – De auto-reflexão. E no Maria Mulher, o que é que nós fazíamos? Nós fazíamos auto-exame de colo de útero, auto-exame de mama.
( )
Eleonora – Depois, em 84, eu venho pra São Paulo fazer doutorado em Ciência Política, já articuladíssima…

Joana-  Imagino…
Eleonora – com o feminismo e com linhas de pesquisa bem definidas do ponto de vista feminista.
Joana – Quem é que te orientou em São Paulo?
Eleonora – Em São Paulo, foi a Maria Lúcia Montes, uma antropóloga. Embora, na época, ela fosse da Ciência Política. E, em 84, eu entro para o doutorado com uma tese que era sobre Direitos Reprodutivos e Direitos Sexuais a partir É a construção da cidadania a partir do conhecimento sobre o próprio corpo.
Joana -  Isso por conta do teu trabalho com as mulheres?
Eleonora – Por conta do meu trabalho com as mulheres em uma favela chamada Favela Beira-Rio.
Joana – Certo.
Eleonora – Lá em João Pessoa.
Joana – Hum.
Eleonora -  Que hoje é um bairro. Então nesta época eu fiquei quatro anos em São Paulo fazendo a tese e voltando a João Pessoa. ( ) E aí fui coordenadora do grupo de Mulher e Política da ANPOCS, do GT.
Joana: Hum.

“EU TINHA ATITUDES MASCULINAS ( ) ERA DECIDIDA, DETERMINADA, FORTE, SABIA ATIRAR”
Neste trecho, ela revela como enxergava — enxergará ainda? — os papéis masculino e feminino. Ah, sim: ela sabia “atirar”. Afinal, não se tenta impor uma ditadura comunista no país só com bons sentimentos, não é?
Joana - Já. E com relação às organizações das quais tu participavas?
Eleonora - Ah, primeiro que as mulheres dificilmente chegavam a um cargo de poder

Joana -
Mas tu eras a chefe?
Eleonora - Eu era. Fui uma das poucas. Por quê? Eu me travesti de masculino
Joana - É? Como era?
Eleonora - Eu tinha atitudes masculinas ( ) Era decidida, determinada, forte, sabia atirar

Joana -
Huuunnnn.
Eleonora – Entendeu?
Joana - Entendi.
Eleonora – Sendo que muitas mulheres sabiam isso tudo.
Joana - Certo.
Eleonora – Transava com vários homens.
Joana - Certo.
Eleonora - Essa questão do desejo e do prazer sempre foi uma coisa muito libertária pra mim, e por isso eu fui muito questionada dentro da esquerda.
Joana - É?
Eleonora - É.
Joana - Dentro do mesmo grupo do qual tu eras a líder?
Eleonora - Sim. Porque o próprio Por questões de segurança, eu só poderia ter relação sexual com os companheiros da minha organização.
Joana - Certo.
Eleonora - Num determinado momento, sim, mas na história do movimento estudantil, também já existia isso.

“EU TIVE MUITAS REFLEXÕES COM MINHAS AMIGAS NA CADEIA; UMA DELAS, A DILMA”
Neste outro trecho, a gente fica sabendo que Dilma Rousseff foi sua companheira também nas reflexões sobre o feminismo.
Eleonora - E, depois, imediatamente eu quis ter outro filho
Joana - Hum.
Eleonora - E muito no sentido de pra provar para os torturadores, mesmo que fosse simbolicamente, que o que eles tinham feito comigo não tinha me tirado a possibilidade de reproduzir e de ter uma escolha sobre meu próprio corpo
Joana - Hum.
Eleonora - Então eu tive mais um filho e logo que ele nasceu também de cesária eu me laqueei.
Joana – Certo.
Eleonora – Então Eu tinha , Eu fui presa com 24 para 25 mais ou menos.
Joana – Nossa Senhora!.
Eleonora -.E sai com 30.
Joana – Certo.
Eleonora - Assim, da história toda e com 30 para 31, tive o meu segundo filho e fiz a laqueadura de trompas
( )
Joana –  E então, tu saíste da cadeia em 74.
Eleonora – Certo.
Joana – Tu tiveste algum contato com o feminismo dentro da cadeia, com leituras feministas.
Eleonora – Não.
Joana – Ou depois?
Eleonora - Não, não. Ao longo da cadeia eu tive Durante a cadeia? Eu tive muitas reflexões com as minhas companheiras de cadeia
Joana – Tá.
Eleonora – Uma delas é a Dilma Roussef.
( )
Joana – Fizeram uma espécie de grupo de consciência?
Eleonora - Grupo de reflexão lá dentro.
Joana – Grupo de reflexão.
( )
Eleonora – Porque eu já saí É.. Eu já saí em 74, eu saí em outubro.
Joana – Certo.
Eleonora – No dia 12, Dia da Criança, eu saí já bem claro que eu era feminista.
Joana – Certo.
Eleonora – E, logo que eu saí da cadeia, eu em Belo Horizonte, fui procurar um grupo de mulheres.
Joana – Esses grupos de consciência?
Eleonora - É, só que era um grupo de lésbicas.
Joana – Certo.
Eleonora – E eu não sabia. Era um grupo de pessoas amigas minhas.
( )
Eleonora – Porque eu voltei a estudar!
Joana - Ah, legal!
Eleonora – Eu parei de estudar em 68.
Joana – Huuummm.
Eleonora – Eu parei no quarto ano de Medicina e no quarto de Ciências Sociais.
Joana - Foste concluir?
Eleonora – Fui, aí eu voltei pra concluir.
Joana – Certo.
Eleonora -  Na UFMG, e optei por acabar Sociologia.

“SOU AVÓ DE UMA CRIANÇA NASCIDA POR INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL NA MÃE LÉSBICA; E TAMBÉM SOU AVÓ DO ABORTO”
Finalmente, destaco outro momento de grande indignidade na fala desta senhora. Ao se dizer avó de um neto gerado por inseminação numa filha lésbica e também “avó do aborto”, não só expõe a sua vida privada e a de seus familiares como, é inescapável constatar, demonstra não saber a exata diferença entre a vida e a morte. Leiam. Volto para encerrar.
Eleonora – E eu digo que a questão feminista é tão dentro de mim, e a questão dos Direitos Reprodutivos também, que eu sou avó de uma criança que foi gerada por inseminação artificial na mãe lésbica.
Joana – Hum, hum.
Eleonora – Então eu digo que sou avó da inseminação artificial.
Joana: (risos)
Eleonora – Alta tecnologia reprodutiva. E aí eu queria colocar a importância dessa discussão que o feminismo coloca no sentido do acesso às tecnologias reprodutivas.
Joana – Certo.
Eleonora – Entendeu? E eu diria: “Eu fiz dois abortos e também digo que sou avó do aborto também porque por mim já passou.
Joana – Sim.
Eleonora – Também já passou nesse sentido. E diria que eu sou uma mulher muito feliz e muito realizada. E eu pauto em duas questões: na minha militância política e no feminismo.

Encerro
É isso aí. Ao nomeá-la ministra, Dilma escolheu sua trajetória, suas idéias, suas práticas. Peço a vocês que comentem com a fleuma necessária. É preciso que se evidencie, com a devida serenidade, que uma aborteira informal e confessa não pode ter lugar na Esplanada dos Ministérios. A sua entrevista como um todo evidencia um pensamento torto. É inconcebível que esta senhora seja considerada uma articuladora de políticas públicas depois da confissão que fez. Até porque, se estivesse no Brasil, não na Colômbia, seu lugar seria a cadeia — em pleno regime democrático, sim, senhores!

É o fundo do poço.

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 4:59

Ministra vai à ONU e já terá debate sobre aborto

Por Jamil Chade, no Estadão:
A nova ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, vai estrear a “posição de governo” sobre o aborto na Organização das Nações Unidas, em Genebra. Ela participa nesta semana de reunião do Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres. Em documento preparatório para o encontro, enviado semana passada pela antecessora, Iriny Lopes, o governo admite ser contra projetos como o Estatuto do Nascituro, que quer proibir o aborto inclusive nas situações atualmente permitidas pela lei.

Empossada na sexta-feira, Eleonora estará à frente de uma delegação formada por senadoras, deputadas e ativistas femininas que irá à Suiça passar por uma espécie de sabatina sobre a situação da mulher no Brasil e as políticas do governo para combater a discriminação de gênero. Na posse, a presidente Dilma Rousseff afirmou que a ministra seguirá as diretrizes de governo – Eleonora é defensora histórica do direito ao aborto.

No documento já enviado à ONU, a Secretaria de Políticas para as Mulheres diz acompanhar com atenção propostas em debate no Congresso que querem restringir o direito ao aborto no País. Além do Estatuto do Nascituro, são citados outros três projetos de lei análogos.

Hoje, a interrupção da gravidez é permitida pela lei em casos de estupro e nos quais a mãe corre risco de morrer. Em casos de anencefalia, é preciso pedir autorização judicial para realizar o aborto de forma legal.

O governo diz à ONU, em resposta a um questionamento feito pelo comitê em setembro, que monitora o trâmite do Estatuto do Nascituro e trabalha para que o projeto não chegue ao plenário da Câmara. “É fundamental que o projeto seja rejeitado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ)”, diz o documento. O projeto também quer barrar pesquisas com células-tronco e, por isso, o governo espera contar com ajuda da comunidade científica no debate.

Eleições
A secretaria afirma no documento que barrar a aprovação do Estatuto do Nascituro é um “desafio”, dada a tendência “mais conservadora” da atual formação do Congresso. O texto cita que o tema do aborto teve “ampla repercussão” nas eleições presidenciais de 2010.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 4:55

Lula quer antecipar aliança oficial com Kassab para março

Por Natuza Nery e Catia Seabra, na Folha:
O ex-presidente Lula quer antecipar para março a aliança eleitoral do PT com o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Pelo calendário oficial, essa decisão sobre quais partidos integrarão a chapa de Fernando Haddad à prefeitura só ocorreria em junho. A Folha apurou que Lula quer desmobilizar ala do PT contrária à dobradinha com o PSD, já que vê em Kassab o passaporte para conquistar votos conservadores.

Há duas formas: antecipando a convenção petista do meio do ano ou autorizando o Diretório Nacional da legenda a formalizar a aliança em caráter extraordinário. O grupo anti-Kassab resiste e pretende atrair até junho o PR e o PSB antes da possível adesão do PSD. Acredita, com isso, ser capaz de reduzir o peso que o partido de Kassab teria na chapa de Haddad, o que tornaria a aliança pouco atrativa para o prefeito.

UNIDADE
Debaixo de um coro de “ei, Haddad, não queremos o Kassab”, o pré-candidato do PT disse na noite de sábado que a unidade interna do PT é mais importante do que eventual aliança a Kassab. “Eu disse a ele [Kassab] que o patrimônio que tenho pra disputar essa eleição é o PT unido. (…) Temos que ter a clareza de que esse patrimônio precisa ser preservado antes de qualquer outro.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 4:53

Convidado incômodo, Kassab queria até discursar no ato do PT

Por Natuza Nery, na Folha:
Virou piada interna no PT a presença de Gilberto Kassab no aniversário de 32 anos do partido na última sexta. Um petista chegou a descrever, sorrindo: “Sabe aquele chamado protocolar que você faz a um conhecido para ir à sua casa esperando que ele jamais apareça?” Para surpresa geral, o “conhecido” apareceu. Foi vaiado, mas não se intimidou. Ficou na festa e, sem passar recibo, mandou até beijinhos à presidente Dilma Rousseff.

Petistas asseguram: o “convite burocrático”, enviado por uma secretária do Diretório Regional à sede da prefeitura, era mais um gesto lisonjeiro do que uma convocação para valer. Eis que, horas antes de a comemoração começar, um auxiliar do político telefona dando o inesperado “ok”. Quando chegou ao evento, veio o alerta sem jeito de que seria vaiado. “Eu sei”, respondeu o presidente do PSD, com o peculiar sorriso de canto de boca. E subiu ao palco.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 4:51

Haddad transportou família em jato oficial

Por Lúcio Vaz, na Folha:
O pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, usou jatinhos da FAB (Força Aérea Brasileira) para transportar mulher e filha de Brasília para São Paulo enquanto ocupava o cargo de ministro da Educação. Levantamento feito pela Folha revela que foram 129 deslocamentos em aeronaves oficiais, entre janeiro de 2010 e dezembro de 2011 -pelo menos uma viagem de ida e volta por semana.

Em 97 voos, estavam juntos o então ministro, a mulher, Ana Estela, e a filha menor, além de outras autoridades e servidores públicos. Caso optassem por aviões de carreira nas viagens, a mulher e a filha de Haddad teriam gasto cerca de R$ 50 mil em passagens aéreas. Foram 46 voos exclusivos, sem outros ministros, de Haddad para São Paulo. Em 15, estavam só ele, a mulher e a filha. Em 33, assessores também. Em alguns, a mãe e o filho do ministro.

Em fevereiro do ano passado, por exemplo, uma aeronave Embraer de 45 lugares partiu de São Paulo para Brasília, em um domingo, só com Haddad e a filha. Em 26 de dezembro de 2010, o ministro decolou de São Paulo num Learjet de cinco lugares com a mulher, os dois filhos e a mãe. O uso de jatinhos da FAB é regulamentado por decreto federal (4.244/2002). O texto prevê o transporte de ministros, além de outras autoridades, para agendas oficiais ou no deslocamento para casa.

Não há nada no texto sobre a extensão desse benefício a parentes ou conhecidos das autoridades. Para evitar desperdícios, os presidentes Lula e Dilma Rousseff orientaram suas equipes a atenderem as exigências do decreto e a fazerem voos compartilhados, com mais de um ministro. Em dezenas de viagens de fim de semana, porém, o ex-ministro descumpriu a orientação dada. As viagens de Haddad entre Brasília e São Paulo se deram apesar de o petista ter fixado residência na capital federal quando assumiu o ministério, em 2005. Recebia mensalmente auxílio-moradia de R$ 3.800.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

13/02/2012

às 4:49

Capriles vence prévias e enfrentará Chávez

Por Lourival Santanna, no Estadão:
O governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, foi eleito ontem candidato único da oposição para enfrentar o presidente Hugo Chávez, no poder há 13 anos, na eleição presidencial de 7 de outubro. Capriles, de 39 anos, declara inspirar-se na esquerda moderada do PT brasileiro, e fez um discurso de reconciliação, num país profundamente polarizado entre pró e antichavistas. Os resultados da contagem não tinham sido anunciados até 21h45 locais (0h15 de hoje em Brasília) porque ainda havia seções eleitorais abertas para atender às filas de votantes.

Cinco pré-candidatos a presidente disputaram as eleições primárias, nas quais foram escolhidos também 17 candidatos a governador e 250 a prefeito, que se lançarão a eleições estaduais e municipais em novembro. A frente oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD),promete manter-se unida para enfrentar os chavistas. A deputada María Corina Machado, a única mulher dos cinco pré-candidatos, reconheceu a vitória de Capriles logo depois que o Conselho Nacional Eleitoral entregou o resultado da contagem de 95% dos votos à Comissão Eleitoral de Primárias da MUD. Ela prometeu apoia-lo. “A luta amanhã se intensifica”, disse a deputada, a mais votada da Venezuela. “Todos reunidos ao redor de um só comando.” Em segundo lugar nas pesquisas vinha Pablo Pérez, de 42 anos, governador do Estado de Zulia, também definido como de centro-esquerda.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

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