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Arquivo de 8 de Fevereiro de 2012

08/02/2012

às 22:58

Ordem na Bahia tem de ser restaurada; vandalismo de PMs é inaceitável; vandalismo ideológico de autoridades também

Vamos ao primeiro item da pauta nessa história da Bahia: a ordem tem de ser restaurada Ponto final! A greve, em si, como já escrevi umas quinhentas vezes, é inaceitável. Imaginem, então, com atos planejados de vandalismo. Mas não! Eu não vou abrir mão de apontar a escalada de vandalismo ideológico que resultou nesse desastre.

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, como informou Lauro Jardim no “Radar”, procurou as emissoras de televisão para pedir uma cobertura, sei lá como dizer, “serena”. Pelo visto, seus objetivos foram alcançados. Em nenhum momento se informou que Wagner era um notório pregador de porta de quartel.

Já demonstrei aqui, não é?
- Discursou em favor da greve em 1991. Mostrei o discurso. Publiquei a banda sonora.
- Discursou em favor da greve em 2001 e, junto com a bancada do PT, deu suporte à paralisação.

E eu tenho novas notícias sobre a facilidade com que Wagner atuava na porta de quartel. Vejam este filme da campanha de Geddel Vieira Lima, que disputou o governo da Bahia com Wagner em 2006. Ele faz referência à campanha anterior, de 2006. O grande aliado do atual governador na Polícia era justamente Marco Prisco. Vejam. Volto depois:

Voltei
Olhem aqui: eu não vou dizer, nem acho, que Wagner está provando do próprio veneno. Quem está sofrendo as conseqüências da greve, com mais de 130 mortos em nove dias, é o povo baiano. O que quero evidenciar — e a imprensa está sendo, para dizer pouco, benevolente com o governador — é que ele era um notório pregador de porta de quartel.

De resto, como se vê na matéria do G1 sobre as articulações da PM, a origem do imbróglio está na Emenda 300. E quem está na origem da Emenda 300 é Lula.

Um idiota escreveu num comentário:
“Você viu, os seus soldados estavam combinando crimes por telefone”.

MEU SOLDADOS?

NÃO, ERAM OS SOLDADOS DE JAQUES WAGNER,  QUE SE SENTIRAM TRAÍDOS PELO “LÍDER”.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 22:31

Gravação revela que PMs grevistas da BA teriam planejado vandalismo

Do Portal G1. Comento no próximo post.
Conversas gravadas entre os chefes dos PMs grevistas na Bahia mostram acertos para realização de ações de vandalismo na cidade. As gravações mostram também articulações para que a paralisação se estenda ao Rio de Janeiro, a São Paulo e outros estados. Os PMs envolvidos negam participação em ações violentas.

O Jornal Nacional teve acesso a gravações feitas com autorização da Justiça de conversas de líderes dos movimentos grevistas da Bahia e do Rio de Janeiro.

No primeiro trecho, o presidente de uma associação que reúne bombeiros e policiais baianos, Marco Prisco, combina uma ação de vandalismo com um de seus liderados. Prisco nega ter participado de atos de violência.

Leia abaixo um dos trechos de conversa:
- Prisco: Alô, oi. Desce toda a tropa pra cá meu amigo. Caesg e você. Desce todo mundo para Salvador, meu irmão… Tou lhe pedindo pelo Amor de Deus, desce todo mundo para cá…
- David Salomão: Agora?
- Prisco: Agora, agora. Embarque…
-
David Salomão
: Eu vou queimar viatura… Eu vou queimar duas carretas agora na Rio/Bahia que não vai dar tempo…
- Prisco: fecha a BR aí meu irmão. Fecha a BR.

Em outra gravação, quem aparece falando é o cabo bombeiro do Rio de Janeiro, Benevuto Daciolo. Ele já foi candidato a deputado estadual no Rio e foi um dos líderes do movimento grevista da corporação no ano passado.

Daciolo conversa com um homem a quem ele classifica de “importantíssimo” a respeito de uma possível votação da PEC 300, a emenda constitucional que garantiria um piso salarial único para bombeiros e policiais de todo o Brasil. Nesta conversa fica claro que o objetivo é estender a greve de policiais e bombeiros a Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados com o objetivo de prejudicar o carnaval.

Dacilolo: Pergunta ao senhor que é pessoa importantantissima a respeito da nossa PEC…pergunto: qual é a verdadeira possibilidade de nós conseguirmos passarmos em segundo turno na semana que vem? Não sei se o senhor sabe. Eu estou com uma assembleia Geral amanhã no Rio de Janeiro, com a abertura de uma greve geral no Rio também, com probabilidade de não ter carnaval nem na Bahia nem no Rio esse ano. E São Paulo acho que está para dar uma resposta agora e os outros estados também. Nós acreditamos que, se tivesse uma resposta do governo, assinalando numa possibilidade de votação no segundo turno da PEC, acalmaria muito, muito o que está acontecendo na Federação.

Em outro trecho, o cabo Daciolo, que estava em Salvador, ouve de uma mulher uma recomendação para que tente influenciar o movimento dos grevistas baianos a não fechar um acordo com o governo. Segundo esta mulher, isto enfraqueceria uma possível greve no Rio.

Mulher: Daciolo, Daciolo, presta atenção. Está errado fechar a negociação antes da greve do Rio…
Daciolo: Tudo bem, tudo bem… sabe o que vou fazer agora??? Ligue para ele que eu vou embora daqui, não vou ficar mais aqui.
Mulher: Eles não querendo que você avalize um acordo antes da greve do Rio. Depois da greve do Rio, muda tudo. Sabe como você vai ajudar eles? Voltando para o Rio, garantindo aqui. O governo vai fazer uma propostinha rebaixada para vocês, vai melhorar um pouquinho esse negócio que eles colocaram. E acho…se vocês garantirem a greve aqui, a mobilização aqui, vocês vão ajudar eles a liberar o Prisco, a ter uma negociação…

Outro lado
Ouvido pela equipe do Jornal Nacional por telefone, o cabo Daciolo disse não se recordar da conversa gravada e alegou estar participando de um movimento pacífico na Bahia.

Rio de Janeiro
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que as gravações comprovam que o movimento tem como objetivo gerar insegurança na população e provocar distúrbios que ameaçam a lei e a ordem. Para o governador, essas pessoas não representam o sentimento da maioria dos profissionais de segurança do estado.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 22:21

Greve da Bahia – Petistas usam, ora vejam, avião da FAB para fazer política. Alguém aí está surpreso?

Por Eduardo Bresciani, na Agência Estado:
O líder do DEM na Câmara e pré-candidato à prefeitura de Salvador, ACM Neto (BA), reclamou da liberação de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para o deputado Nelson Pellegrino (PT), também pré-candidato, e outros parlamentares aliados participarem de reunião com o governador petista Jaques Wagner. Pellegrino é coordenador da bancada baiana na Câmara e justificou o pedido do avião ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS) dizendo que a reunião era para tratar da greve dos policiais militares. A oposição, porém, reclamou de não ter sido convidada.

“O deputado Nelson Pellegrino faz política com o uso do dinheiro público, já que utilizou um avião da FAB para prestar apoio ao governador. Espero que fatos como esse não se repitam porque o interesse coletivo deve ser colocado em primeiro lugar”, reclamou no plenário da Câmara o deputado ACM Neto. Ele destacou que Jutahy Magalhães (PSDB) e Antonio Imbassahy (PSDB) também não teriam sido chamados.

 

A assessoria do presidente da Câmara afirmou que a liberação do pedido é uma praxe em caso de “atividade parlamentar”. Ressaltou que a missão não tinha caráter oficial e que caberia a Pellegrino chamar os colegas. O deputado petista Amauri Teixeira (PT-BA) disse que deputados de diversos partidos foram chamados e criticou a oposição pela polêmica. “Não foi uma missão do PT, foi uma comissão representativa, constituída, às pressas, na emergência que merece o fato”. Pellegrino está retornando da reunião na Bahia e sua assessoria disse que não poderia comentar o caso.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 22:16

Grupo fura bloqueio do Exército e se junta a grevistas na Bahia

Por Fábio Guibu e Graciliano Rocha, na Folha Online:
O reforço no bloqueio feito nesta quarta-feira pelas forças de segurança federais em torno da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, não surtiu resultado. Por volta das 20h, um grupo de 50 manifestantes, entre grevistas e apoiadores da paralisação da PM baiana, avançou em direção a uma barreira formada por soldados do Exército, numa tentativa de ficar na parte externa do prédio onde estão outros grevistas.

Usando o corpo, os soldados tentaram impedir que os manifestantes ultrapassassem o cordão de isolamento, mas uma parte do grupo conseguiu passar. Não houve agressões nem tiros de balas de borracha. Mas foram lançados jatos de gás de pimenta nos manifestantes. Quando os grevistas que estão acampados na porta da Assembleia viram o tumulto, correram em direção ao grupo que tentava ultrapassar a barreira, aos gritos de “Vem, vem”, contra os soldados, que, em seguida, pediram reforço da Polícia do Exército. O tumulto durou cerca de 20 minutos.

Antes do evento, o tenente-coronel Márcio Cunha, assessor de comunicação do Exército, negou os rumores de que o general Gonçalves Dias estivesse sendo retirado do comando da operação militar.  Os rumores aconteceram em razão de o general não ter aparecido durante o dia no local das operações, após ter autorizado, no dia anterior, a entrada de suprimentos e medicamentos aos grevistas que invadiram a Assembleia. Outro motivo foi a comemoração que o militar fez ontem, de seu aniversário, quando recebeu um bolo de manifestantes.

TUMULTO
O clima ficou tenso na manhã desta quarta na área do entorno da Assembleia Legislativa. O Exército mudou a estratégia de atuação e está bloqueando a entrada de mantimentos para os manifestantes que estão acampados no prédio desde a semana passada. O fornecimento de energia também foi cortado. A comida havia sido liberada ontem devido ao avanço nas negociações. Desde a manhã de hoje, porém, as forças federais tentam impedir a entrada de alimentos também para as cerca de 300 pessoas que acampam, em apoio aos grevistas, do lado de fora da assembleia.

As tropas que cercam o terreno estão se movimentando, o que incomoda os manifestantes. O comando da operação também está guinchando carros dos acampados que estão no entorno da Assembleia e reforçou os bloqueios.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 21:36

Senador chama Gilberto Carvalho de “safado” porque ministro anunciou disposição do PT de disputar influência com evangélicos

Por Márcio Falcão, na Folha Online:
Bastante exaltado, o líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), usou a tribuna da Casa nesta quarta-feira para atacar o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). Ele chamou o petista de “safado”, “camaleão” e “mentiroso” e ainda recomendou que ele “lave a boca com álcool”. Malta disse que o estopim foi uma declaração do ministro durante o Fórum Social de a próxima batalha ideológica seria com evangélicos que são conservadores, que têm uma visão de mundo controlada por pastores de televisão.

“Lave a sua boca com álcool seu Gilberto Carvalho. Você precisa aprender a respeitar as pessoas. Vá procurar sua turma. Está brincando com quem?”, questionou o senador, que é evangélico. Segundo ele, a fala foi um agrado de Gilberto aos participantes do fórum que são mais liberais e defendem o aborto. “Temos que reagir a fala irresponsável desse ministro meia-boca. Barriga não dói só uma vez seu cara de pau.”

Malta lembrou que apoiou a eleição da presidente Dilma Rousseff e que foi procurado por Carvalho para ajudar na campanha, especialmente no segundo turno, quando o debate eleitoral foi principalmente em torno da posição dos candidatos sobre o aborto. O senador disse que também ajudou a “dessatanizar” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, quando foi eleito. O ministro foi chefe de gabinete de Lula e é um dos interlocutores do governo com a Igreja Católica, com segmentos religiosos e movimentos sociais.

Sugeriu ainda que a presidente pedisse que a bancada do PT tirasse o senador Walter Pinheiro (BA) da liderança do partido, uma vez que ele é envangélico. Ele disse que todos os evangélicos foram desrespeitados e que o ministro deveria ter consciência da importância desses religiosos para o país e para avanços em políticas públicas. “Quem mais tira drogado da rua nesse país são os evangélicos.”

O senador disse que vai sugerir a líderes religiosos que entrem na Justiça contra o ministro. “É um sujeito que nos bajula, mas não da para ouvir esse cara de pau falar e ficar calado. Mexeu no lugar errado.” A Folha não localizou o ministro para comentar o discurso do senador. A assessoria informou que ele estava em reunião.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 21:23

Joguem nas costas do general; melhor do que nas de Dilma ou Wagner! Ou: No samba-enredo de Carnaval, os PMs em greve são os bandidos, e Wagner, o mocinho

Leiam o que informa o jornal “A Tarde”, da Bahia. Volto em seguida:
“Três fontes ligadas ao governo estadual dão como certa a saída do comandante da 6ª Região Militar, general Gonçalves Dias, que se confraternizou com PMs grevistas no dia de seu aniversário, após receber um bolo de presente. Um congressista baiano disse que a atitude causou constrangimento às Forças Armadas e tirou a autoridade do comandante das tropas que policiam Salvador. Outras duas pessoas ligadas ao governo admitem que ele deixará o posto, mas que ainda não recebeu comunicação oficial. O general perdeu a confiança de seus superiores. O Comando Militar do Nordeste, sediado em Recife, já estaria escolhendo o novo comandante.”

Comento
Escrevi um post sobre aquele episódio nesta manhã. Vale a pena ver.

Gonçalves Dias, mesmo comandando o cerco aos grevistas, tinha sido a nota de descontração e alívio de tensão num enredo absurdo, potencialmente explosivo. Deram-lhe o bolo. Era de bom tom que recebesse. Abraçou o manifestante e chegou a enxugar uma furtiva lágrima. Aí já passou da conta. Planta-se por aí que o Exército não gostou. Huuummm… Conhecendo a índole dos militares, que certamente não se sentem confortáveis ao reprimir outros homens de farda, quase colegas — as PMs são forças auxiliares das Forças Armadas, como reza a Constituição —, o mais provável é que Dilma e Jaques Wagner não tenham gostado. Por quê?

Gente que dá bolo de presente ao general e um abraço emocionado não pode ser assim tão má, né? No jogo dos protagonistas e antagonistas, a Wagner não ficou reservado o do mocinho. O que eu achei? O discurso que o militar fez afirmando que não haveria confronto é parte da guerra, como é a porrada, quando não resta alternativa. O choro e o abraço terno eram dispensáveis.

De todo modo, esses eventos foram irrelevantes para o andamento da coisa. Nada têm a ver com o impasse. A substituição do general, se confirmada, é só uma forma de achar um bode expiatório. A GREVE DA POLÍCIA MILITAR É INACEITÁVEL. Omitir a cadeia de responsabilidades que resultou no imbróglio é igualmente irresponsável. E dela fazem parte Lula, Dilma Rouseff e Jaques Wagner.

Gonçalves Dias era muito apreciado pelos petistas porque comandou, durante oito anos, o esquema pessoal de segurança de Lula em seus deslocamentos Brasil afora. No vídeo abaixo, vocês vão ver a solenidade de posse do general no Comando da 6ª Região Militar. Prestem atenção ao que diz Jaques Wagner.

Eis a grande virtude do general, segundo Wagner: “Quem cuidou do presidente Lula durante tanto tempo vai cuidar da Bahia e de Sergipe”.

Certo!

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 20:17

Os poucos policiais baianos que estão nas ruas estão em “greve branca” e não atendem a ocorrências

Por Diego Zanchetta, no Estadão Online:
Policiais militares que voltaram ao trabalho nas ruas de Salvador relataram ao Estado ameaças de colegas grevistas. Os poucos soldados que não estão mais parados foram colocados nesta quarta-feira, 7, pelo governo estadual perto de pontos turísticos como o Pelourinho e o Mercado Modelo. Eles dizem estar “orientados” pelo comando da paralisação a manter o que chamavam de “greve branca”.

Os PMs ficam o tempo todo parados dentro das viaturas, sem fazer qualquer ronda ou atendimento à população, como no caso das batidas entre automóveis ou tumultos provocados pelos constantes boatos que voltaram a fechar parte do comércio no centro de Salvador, como observou a reportagem. Por volta das 12h20, houve boato entre lojistas de que manifestantes haviam parado a Avenida Luís Viana Filho, a principal da cidade. Logo portas de lojas ficaram meia abertas na Avenida Sete de Setembro. Os quatro PMs que estavam em uma Parati no meio da praça observaram o princípio de tumulto sem sair de dentro do carro.

“Não podemos atender chamado de roubo de carro nem de batida entre automóveis. Quando nós voltamos ficou acertado que nós só ficaríamos dentro das viaturas. Ninguém pode descumprir essa ordem. Quem não cumprir vai ser depois perseguido dentro da corporação. Tem muita gente do comando dentro dessa greve meu amigo”, contou um soldado ao Estado, ao ser questionado pelo motivo de não ter saído do carro após a correria no centro. “Se a gente não ganhar a gratificação agora antes do carnaval depois o governador vai esquecer a gente”, contou outro soldado, que defende a paralisação, mas voltou a trabalhar “a pedido da chefia”.

Acidente
Ao lado do Farol da Barra, dois soldados observaram também sem sair da viatura uma colisão entre uma Meriva e um Corsa na altura do número 200 da Avenida Almirante Marques Leão, por volta das 15h30. Os soldados sequer foram checar se as duas mulheres do Corsa, que permaneceram dentro do veículo, estavam feridas. “Por sorte ninguém se machucou, foi só o prejuízo do carro mesmo”, disse logo após a colisão à reportagem a vendedora Cristiane Rose da Silva, de 27 anos, que dirigia o Corsa. O motorista da Meriva, o bancário Rosinaldo Gallo, de 44 anos, também não teve ferimentos.

Na Praia da Armação, a reportagem também foi conversar com dois cabos que estavam dentro de uma viatura em um posto de gasolina. Eles também argumentaram que receberam aviso do comando da greve “para não sair de dentro da viatura”. “Tenho dois filhos, não quero ser o herói de tentar proteger sozinho a população no meio da greve”, justificou de forma ríspida à reportagem um dos cabos.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 20:06

Eduardo Suplicy, o falso abestado, recita versos de Wando no Senado, faz digressão sobre calcinhas e se solidariza com Rita Lee, que atacou a PM em Sergipe

 Por que falar do senador  Eduardo Suplicy (PT-SP)? Porque, por incrível que pareça, há quem dê bola a este senhor. Ele participa em São Paulo de um enredo sórdido, que tenta colar na Polícia Militar a pecha de uma corporação que abriga estupradores, num enredo prá lá de surrealista. Não obstante, a acusação, fragilíssima, foi parar nos jornais e nas TVs.

Suplicy, já escrevi, tem o ar apalermado, mas palerma não é. Busca os holofotes. Sempre! Conseguiu, assim, eleger-se três vezes senador por São Paulo. Não tentem buscar uma única proposta sua em defesa do Estado. Não há! Ao contrário: neste momento, ele se empenha em satanizar umas das Polícias Militares mais competentes do país.

Ele aprontou mais uma. Resolveu homenagear o cantor Wando, que morreu nesta quarta. Até aí, vá lá — quando Villa-Lobos se foi, por comparação, o Brasil deveria ter praticado suicídio coletivo. Declamou trechos de músicas e fez uma digressão sobre calcinhas, tentando explicar o que o próprio Wando nunca tentou. Vocês podem imaginar o resultado. Suplicy já desfilou com um cueca vermelha no Senado por cima do terno — ao menos isso. Hoje foi a vez das calcinhas.

Poderia ter parado por aí. Mas ele não tem limites. Resolveu também homenagear Rita Lee. É aquela senhora que desferiu há dias, no palco, alguns xingamentos contra policiais militares presentes a seu show em Sergipe. Os PMs estariam importunando alguns maconheiros. Rita pediu que se retirassem, chamou-os de “filhos da puta” e recomendou que fumassem um baseado. Acabou detida e solta logo depois.

A propósito: Rita Lee deveria ter marcado um show em Salvador nos últimos 9 dias. Parte dos PMs está em greve. Mais de 130 pessoas morreram assassinadas. Mas os maconheiros não devem estar sendo importunados por ninguém. Ela poderia subir no palco sem PMs para importuná-la.

Considerem o momento por que passa a Bahia, com o risco de a crise da PM se alastrar por outros estados. Suplicy achou que era um bom momento para exaltar Rita Lee, a que chamou os policias de “filhos da puta”.

Eis um senador da República. É tão responsável quando homenageia as pessoas como é quando as ataca, a exemplo da operação indigna em que está metido contra a polícia de São Paulo. Poderia ser apenas um homem ridículo. Mas já vimos que ele também pode ser perigoso.

Leiam reportagem de Iara Lemos, no Portal G1:
*
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) declamou no plenário do Senado na tarde desta quarta-feira (8) versos de uma canção do cantor e compositor Wando. O músico morreu na manhã desta quarta, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória, no Biocor Instituto, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde estava internado desde 27 de janeiro.

Na homenagem que prestou ao músico, Suplicy lembrou a vida de Wando, desde o apelido que ganhou da avó até o começo na vida musical, em meados dos anos 70. “Então, tantas pessoas cantaram: ‘Eu quero me embolar nos seus cabelos, abraçar seu corpo inteiro e morrer de amor, de amor me perder’”, declamou o senador da tribuna. Suplicy recordou como o cantor começou a ter a fama de “o cara das calcinhas”.

“Ao longo da década de 80, Wando consolidaria a reputação, como ele mesmo dizia, de ‘obsceno, o cara da maçã, o cara das calcinhas’. Por que cara das calcinhas? Porque eram tantas as moças que jogavam calcinhas em direção a ele, durante seus shows, que ele simplesmente resolveu passar a colecionar calcinhas”, afirmou o senador. Na análise do senador, com a morte do cantor, a música romântica fica enfraquecida. “Nosso povo gosta das histórias da vida amorosa de pessoas comuns, em situações reais [...] Com a morte de Wando, a música romântica perde um de seus ícones”, lamentou.

Rita Lee
Suplicy também aproveitou a sessão para prestar homenagem à cantora Rita Lee, que na semana passada se envolveu em um conflito com policiais durante seu show de despedida dos palcos, em Sergipe. O senador recuperou a trajetória musical da cantora, e lembrou a prisão de Rita Lee em 1976, quando estava grávida.

“Em agosto de 1976, aos três meses de gravidez, Rita é presa em sua própria casa, sob a acusação de porte de drogas, num dos fatos de truculência explícita mais revoltantes da ditadura que vinha dominando o Brasil desde 1964″, disse. “Você vai deixar um vazio até que outra mulher, ou eventualmente algum homem, possa criar uma arte para os jovens que no mundo todo estão dando seu sangue por um mundo mais humano”, disse o senador.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 18:53

A imprensa brasileira virou o “Crodoaldo Valério” da Dilma, a “Venturosa do São Francisco”

A imprensa, com as exceções de praxe, beija a mão da "Sapientíssima do Bananão"

É realmente espantoso! Vive-se um momento único de imbecilidade e imbecilização da política. Dilma Rousseff, a presidente da República, foi transformada em ombudsman do próprio governo. A peça de humor da hora diz respeito às obras de transposição do São Francisco, que estão atrasadas — em muitos trechos,  paradas mesmo.

No governo Lula, essa área estava sob o supergerenciamento da supergerente superpoderosa Dilma Rousseff, a “Venturosa do São Francisco”, assim como estavam  os aeroportos. Era a “Pitonisa de Cumbica” que cuidava de tudo. Com os resultados conhecidos. Pois bem.

Conforme vocês podem ler em trecho de uma reportagem do Portal G1, no post anterior, a “Fabulosa de Brasília” foi visitar as obras. E mandou brasa:
“Agora, nós queremos resultado. Nós negociamos, nós resolvemos os problemas técnicos que haviam, e agora queremos resultado e isso será cobrado. Eu cobro do ministro, o ministro cobra dos funcionários do Ministério da Integração, e nós todos vamos cobrar daqueles que estão executando as obras em parceria conosco, que são as empresas privadas e o Exército”.

Ela deve ter dito “haviam” mesmo… Não tenho motivo nenhum para duvidar. Notem que ela transforma o governo num simples cliente que contratou o marceneiro ou o pedreiro, e estes, para não variar, atrasaram a obra. Ela mesma não tem nada com isso. Como também não tem com os sete ministros demitidos sob suspeita de corrupção. Dilma, a “Suprema do Planalto”, é só aquela que demite — nem parece que foi ela quem nomeou…

Compra-se tranqüilamente a versão de que Dilma é uma chefe durona, que põe a máquina pra funcionar. Põe? Só em creches, ela ficou devendo, no ano passado, quase 1.700 das 6 mil prometidas até 2014. Não entregou nenhuma até agora! Mas isso também não é com ela… Sabem como é a máquina, né?

Eu poderia sugerir que alguma reminiscência da escravidão transformou Lula no nosso nhonhô e Dilma na nossa Iaiá, mas acho que seria pura sociologice tomando o lugar da política. Estamos mesmo diante de uma versão carnavalizada, tropical e despotencializada do velho culto à personalidade, típico dos fascismos e do comunismo. Afinal, eles são os “companheiros” que zelam por nós. Se governantes de outros partidos não cumprem o que prometem, são incompetentes ou falastrões, e um monte de ONGs e movimentos sociais petistas vão ficar pegando no seu pé e pautando a imprensa — não é Oded Grajew? Quando isso se dá no governo de um companheiro, a culpa só pode ser de terceiros:  das empresas privadas, do Exército, do FHC, dos “503 anos de colonização” (como sabem, o Brasil só se tornou independente no dia 1º de janeiro de 2003).

Que coisa! O maior ativo político de Dilma são os sete demitidos sob suspeita de corrupção e a máquina emperrada, na qual ela dá pitos. Nada, em suma, prova mais as virtudes da “Magnífica do Jornalismo Adesista” do que a soma,  no governo, da incompetência com a corrupção.

Não é, Crodoaldo Valério?

PS – Há uma diferença entre o Crodoaldo, criado pelo competente Aguinaldo Silva, e esses setores da imprensa a que me refiro. A personagem soma à sua subserviência uma certa inocência infantil. Neste grupo de que falo, inocência não há.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 18:20

Dilma diz que cobrará empresas por atrasos na transposição do São Francisco

Ai, ai. Agora é pra valer. Dilma virou ombudsman no próprio governo. Leiam o que informa Luna Markman e Tai Nalon, no Portal G1 . Volto no próximo post.

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (8) que os atrasos nas obras de transposição das águas do Rio São Francisco já foram solucionados por parte do governo e que agora cobrará resultado da iniciativa privada.

“Agora, nós queremos resultado. Nós negociamos, nós resolvemos os problemas técnicos que haviam, e agora queremos resultado e isso será cobrado. Eu cobro do ministro, o ministro cobra dos funcionários do Ministério da Integração, e nós todos vamos cobrar daqueles que estão executando as obras em parceria conosco, que são as empresas privadas e o Exército”, disse Dilma durante visita às obras do Projeto de Integração da Bacia do São Francisco em Pernambuco.

Dilma visitou em Floresta o lote 13 das obras de transposição do rio, que é parte do Eixo Leste do projeto, que vai do município até Monteiro (PB). Esse canal tem 287 km e a obra, iniciada em agosto de 2007 e com prazo original de término para o final deste ano, está 71% concluída. Com o atraso, a nova previsão é que só fique pronto em dezembo de 2014.

Já o Eixo Norte, também visitado por Dilma nesta quarta, percorrerá 426 km de Cabrobó (PE) ao Ceará e está 46% concluída. A previsão de conclusão é para dezembro de 2015. “Nós não atrasamos os pagamentos, nós sempre pagamos em dia e escutamos os pleitos. E aqueles que nós consideramos tecnicamente justificáveis o ministro aceitou. Ele fez um processo de renegociação que é praticamente uma reengenharia e, a partir de agora, nós queremos, nós vamos cobrar metas, resultados concretos. Eu pretendo sistematicamernte a partir de agora observar os prazos”, disse após citar que fará o acompanhamento das obras online.

“O cronograma está mantido, que foi negociado com a presidente Dilma em agosto do ano passado, e nós vamos, a partir da contratação dos saldos remanescentes que vamos licitar de feveiro a junho, no valor de R$ 1,9 bi, ver se é possível antecipar alguns dos prazos que já foram acertados”, reiterou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que também acompanhou a visita. Mais tarde, em Juazeiro (CE), questionada sobre atrasos devido a revisões contratuais, Dilma disse que que “é óbvio” que houve “uma desmobilização” por conta disso. Segundo ela, o governo vai reunir-se com as partes envolvidas na execução das obras para acompanhar seu andamento.

“É óbvio que teve uma desmobilização em alguns momentos porque era necessário recompor as resoluções contratuais. Isso foi acompanhado pela CGU, pelo TCU, o ministro colocou todo seu empenho e agora estaos dando a partida”, disse. “Vou fazer uma reunião com os empresários que estão tocando [as obras e dizer] ‘Nós fizemos a nossa parte e vocês vão fazer a de vocês’. Isso significa prazo, isso significa ritmo adequado de obras”, completou.

A presidente visitou as obras de transposição  do Rio São Francisco nesta quarta acompanhada pelos governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes, além do ministro da Integração Nacional. A obra de transposição do Rio São Francisco tem investimento previsto de R$ 6,8 bilhões. A previsão é de levará água a doze milhões de pessoas que vivem em regiões de seca em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará.

O projeto foi dividido em 14 lotes e a maior parte ficou com os consórcios das construtoras. Os trechos que ficaram sob a responsabilidade do Exército estão quase prontos. Neles, no ano passado, o avanço foi três vezes maior que o das empreiteiras no Eixo Norte e cinco vezes maior no Eixo Leste. Em Cabrobó (PE), os soldados finalizam a barragem de Tucutu. Quando tudo estiver pronto, os militares vão terminar de retirar as plantas de uma área que tem o tamanho equivalente ao de 480 campos de futebol e será transformada em um imenso reservatório com capacidade para acumular quinze bilhões de litros de água.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 17:37

“Haddad é o candidato do kit gay”

Por Maria Clara Cabral, na Folha Online:
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) colocou, na porta de seu gabinete, em Brasília, um cartaz contra o ex-ministro da Educação e pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.

O cartaz está em uma parede chamada pelo deputado de “mural da vergonha” e diz que Haddad é o candidato do “kit gay”. O cartaz pergunta ainda: “As crianças de seis anos terão aula de homoafetividade nas escolas?”.

Questionado sobre o assunto, Bolsonaro disse que colocou “aquilo para quem tem vergonha na cara não votar no Haddad”.

“O pessoal de São Paulo tem que conhecer melhor o candidato, não só essa palhaçada do Enem”, diz o deputado referindo-se aos problemas na realização das provas do Enem quando Haddad comandava o Ministério da Educação.

Bolsonaro já fez diversos protestos contra o que chama de “kit gay”, material que seria distribuído em escolas para combater o preconceito contra homossexuais.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 17:23

O aborto, os amantes de tartaruga e a luta de classes

Ora, ora, ora…

É claro que eu sabia que a imprensa, na média, faria uma cobertura benevolente — e moralmente invertida — das entrevistas concedidas pela nova ministra das Mulheres,  a senhora Eleonora Menicucci, aquela que está pronta para ser capa da “Edição Vermelha” de “Caras”, já que gosta de tratar de suas intimidades, porém edulcorando-as com brocados ideológicos. É a Val Marchiori da revolução socialista e da revolução de costumes. “Helô-ou”

A abordagem, na média, distorceu o sentido de suas entrevistas. Logo de cara, nos dois primeiros dias, dedicou-se a um frenético proselitismo em favor da legalização do aborto — é próxima de entidades ligadas a esta nobre causa!!! —, mas, claro!, ela o fez “a nível” (como eles diriam) de pessoa “que não foge da briga”, não “a nível” de ministra; nesse caso, diz, seguirá a política do governo. Uau! Que ousadia, hein?!

Eu gostei dessa coisa destemida, corajosa, de “não fugir da briga”. Briga com quem? Com o feto, que não tem como se defender? O que ele pode fazer? Atacar? Sair correndo? Pedir o direito ao contraditório? Mas eu entendo essas almas militantes: o que se pretendia com essa frase, que mereceu destaque na “imprensa companheira”, era fazer soar a corda do passado heróico, de quando Eleonora era membro do POC (Partido Operário Comunista) e praticava assaltos para financiar a luta pelo socialismo. Essa verdade cristalina, insofismável, ganhou uma versão mentirosa nos tempos modernos: seria luta por democracia.

Vá lá. Eleonora corria riscos aos menos. E acabou se dando mal. Consta que foi torturada. E torturadores estão, para mim, no pior dos círculos do inferno, junto com os exterminadores em massa de fetos. Todos, afinal, atacam quem não tem chance de defesa. E aqui faço uma ressalva importante. É claro que mulheres Brasil e mundo afora são colhidas por circunstâncias terríveis, que não são, muitas vezes de sua escolha. Sou sensível a essas particularidades e não quero mandar para o banco dos réus gente que já sofreu o bastante. O meu grande desprezo — e estes são imperdoáveis — é dedicado aos formuladores e propagadores da teoria da morte.

Sua tática consiste, já apontei aqui, em coisificar o feto para que possam defender a solução final sem remorso. A ironia que fiz com o ovo da tartaruga deixou os abortistas irritados por uma única razão: eu também transformei o “ovo” humano numa “coisa” — no caso, uma coisa que eles prezam. Ao fazê-lo, eu os capturei numa armadilha que não tem saída. A que parecia plausível foi aquela empregada pelo ex-leitor (espero!) deste blog no post anterior: “Ah, as tartarugas estão em extinção; por isso, destruir seu ovo deve ser proibido…” Logo, tem-se que o ovo é tartaruga em outro estágio. E o feto — ou, mesmo, se quiserem, o embrião (eu também não fujo da briga) — é o quê? Defender que a eliminação do embrião ou do feto humanos não seja crime tem como corolário que não seja crime destruir ovos de tartaruga, ora essa! Os abortistas ficaram irritados porque a esmagadora maioria deles é defensora incondicional da preservação das tartarugas… Terão percebido a ironia?

Outro argumento vigarista
Outro argumento vigarista dos aborteiros apela — ou eles não seriam eles — à luta de classes. Foi o que fez a nova ministra ao sustentar que mulheres mortas em decorrência do aborto provocado constituiriam um grave problema de saúde pública. Foi então que disparou um raciocínio que vai entrar para a história (inclusive da sintaxe): O aborto, como sanitarista, tenho que dizer, ele é uma questão de saúde pública, não é uma questão ideológica. Como o crack, as drogas, a dengue, o HIV, todas as doenças infecto-contagiosas.”

Bem, eu não tenho modo mais delicado de dizer isto: É MENTIRA! Todos os números, RIGOROSAMENTE TODOS, empregados pelos defensores do aborto são falsos. Como eu sei? Inexiste uma base de dados para sustentar a mortandade em massa de mulheres em decorrência de abortos malfeitos. Os hospitais não estão nem mesmo burocraticamente equipados para distinguir procedimentos pós-aborto provocado de procedimentos pós-aborto espontâneo. Isso é uma fantasia.

A consideração da ministra remete a um  fetiche ideológico: a proibição do aborto puniria apenas as mulheres pobres, já que as ricas podem recorrer ao expediente. Sei. É o feto usado como instrumento da luta de classes. Digamos que assim fosse ou que assim seja, qual é a tese: a incidência de um fator derivado da desigualdade social muda a natureza do problema? Não seria, então, o caso de estreitar a fiscalização para punir as clínicas abortivas dos “ricos” em vez de generalizar a prática também entre os pobres? O estado que falha em garantir educação e saúde decentes será pressuroso em fornecer aos pobres a indústria da morte? É um juízo de matriz delinqüente. O que há? Desistimos de vez das políticas de educação?

Questão religiosa
E convém, finalmente, parar com a patrulha religiosa. Eu não me oponho ao aborto “só porque” sou católico. O correto é dizer “também porque sou católico”. Se fosse ateu ou agnóstico, creio que pensaria a mesma coisa — conheço alguns que também se opõem com veemência.

Não me peçam para tratar a vida humana como “coisa”, sujeita à engenharia social de iluminados e bem-intencionados. Eu sei bem aonde isso vai dar porque sei aonde isso já deu. A minha tese é outra e ficará para um outro post: é a militância anti-religiosa burra que transformou o aborto numa tese “progressista”. Mas eu tenho uma novidade para muitos: a interdição ao aborto numa certa comunidade há coisa de dois mil anos protegeu as mulheres, especialmente as pobres. E a liberação do aborto hoje num pedaço do planeta, vocês verão, se transformou numa política de perseguição às mulheres.

Nada disso!
Eu sou progressista. Defendo incondicionalmente a vida humana.
Reacionária é dona Eleonora Menicucci, aquela que “não foge da briga”… com o feto!

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 16:10

Leiam isto: O rapaz tenta me explicar por que se devem matar fetos e preservar ovos de tartaruga

Um tal Fernando Gamarano envia um comentário nos cascos. Como ataca um político da oposição em termos inaceitáveis, dando curso a uma calúnia, sei bem a origem do bruto. Esse trecho, eu omiti porque ele não vai contar com a minha ajuda para espalhar canalhices.

Fiz uma ironia, e os cascudos não perceberam a ironia (não me digam!), afirmando que os fetos humanos deveriam ser considerados “ovos de tartaruga”, já que eliminá-los ou comê-los é crime. E só é porque, afinal, no ovo, está uma nova tartaruga. Aí o valentão me escreve:

Você é um ignorante.
A tartaruga-marinha é uma espécie em risco de extinção.
O homem não é.
Por isso os ovos de tartaruga são protegidos por lei.

Quanto ao aborto, legalizá-lo somente acabaria com a hipocrisia em que vivemos.
Quem tem grana faz aborto na hora que quer. Quem não tem grana, faz de qualquer jeito e morre por infecção.
Como você e seus congêneres não gostam de pobre, continue defendendo o seu ponto de vista.

Comento
É o pensamento de um esquerdopata típico. Como o homem não está em extinção, então se pode dispor dos fetos à vontade, entenderam? Como o Gamarano não gosta de “hipocrisia”, então ele reivindica que se mate dentro da lei. E ainda empresta à sua teoria homicida um viés social.

É, valentão… Então vamos ao povo. Vamos ver o que ele pensa a respeito. Vamos ver com quem estão os pobres nessa questão. Tratarei em outro post sobre a “questão social”. Não para responder a você — a primeira linha do seu comentário já o desqualifica para o mundo dos humanos (tente o das tartarugas), mas porque a própria ministra resolveu tanger mais essa corda da indignidade.

Vá procurar a sua turma. Suma do meu blog! Eu tenho milhares de leitores! Há quem precise de um ao menos…. Seu lugar não é aqui.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 15:46

PARTIDO DE DUAS CARAS – PT forma grupo de deputados para dar apoio a Wagner; fosse em SP, partido também faria comissão, mas para apoiar grevistas

Sim, meus textos sobre a Bahia começarão sempre assim. Eu sou contra greve de PMs. Quem era a favor era Jaques Wagner. Quem ainda é a favor são os petistas, desde que não seja em governo deles. Anteontem, indagado a respeito, Marco Maia (PT-RS), presidente da Câmara, terceiro homem na hierarquia da República, não hesitou: considera a greve de homens armados um direito. A hipocrisia está demonstrada. Quantos dão bola pra ela? Não sei e não estou nem aí. Lido com fatos. Sempre.

Se o assunto é hipocrisia, ninguém consegue competir com os companheiros. Leiam o que informa Catia Seabra na Folha Online. Volto em seguida.

Reunidos na liderança do governo na Câmara, os deputados de partidos que compõem a base do governador Jaques Wagner (PT) na Bahia divulgaram uma nota contra a greve de policiais no Estado. Segundo o coordenador da bancada, Nelson Pellegrino (PT), as gratificações reivindicadas pelo movimento terão um impacto de R$ 170 milhões anuais, até 2014. “Conclamamos a PM ao retorno ao trabalho”, disse o deputado.Uma comissão de 13 deputados embarca agora num voo da FAB para entregar a nota ao governador.

A greve de policiais militares já dura uma semana na Bahia. Ontem (7), a Polícia Federal prendeu o sargento Elias Alves, um dos líderes da greve. Esse é o segundo dos 12 mandados de prisão expedidos contra comandantes da paralisação no Estado que foi cumprido. A Assembléia Legislativa da Bahia foi invadida pelos grevistas e está cercada por homens do Exército desde a madrugada de segunda-feira. Diversos focos de tumulto já ocorreram no local, e homens do Exército usaram balas de borracha e bombas de efeito moral.

Voltei
Quem lidera o manifesto e a comissão? Nelson Pellegrino? Foi um dos ativos apoiadores da greve de PMs em 2001, no governo Cesar Borges.

Que gente notável!

Na greve de um setor minoritário da Polícia Civil em São Paulo, em 2008, o PT também  fez uma comissão de deputados, SÓ QUE A FAVOR DA GREVE. A CUT, braço sindical do PT, emitiu uma nota de solidariedade a homens que iam armados a assembléias e estimulou uma marcha rumo à sede do governo. Apostava-se no caos.

Eis o PT: quando policiais fazem greve contra governos de adversários, eles apóiam os grevistas; quando é contra governos do partido, eles chamam os mesmos grevistas de “bandidos”.

Ah, sim: o povo baiano está, evidentemente, com medo e com raiva. Pellegrino, que disputará a Prefeitura de Salvador pelo PT, aproveita para antecipar sua campanha eleitoral.

Há práticas que estão mais para o banditismo do que para a política.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 14:56

Exército fecha o cerco a QG dos grevistas na Bahia

Por Cida Alves, na VEJA Online:
Os homens do Exército e da Força Nacional fecharam o cerco aos policiais militares grevistas na Bahia. Um grupo de cerca de 300 pessoas está desde segunda-feira acampada dentro do prédio da Assembleia Legislativa do estado, em Salvador, que se transformou no quartel-general dos grevistas. Se na terça o acesso era livre para familiares jogarem sacos de comida e para manifestantes prestarem apoio aos grevistas em frente ao prédio, nesta quarta tudo mudou e o clima é de tensão.   O Exército, que ontem tinha 1.000 homens nos arredores da assembleia, hoje tem 1.300. A Força Nacional ontem tinha vinte homens na região, hoje tem quarenta. Eles fizeram barreiras para limitar o acesso da imprensa, de familiares e de manifestantes ao complexo em que fica a assembleia. Jornalistas agora só chegam perto do prédio após autorização dos militares e são acompanhados por eles de perto. Nenhum manifestante ou policial entra ou sai da frente da assembleia.    Por volta das 11 horas, o juiz federal José Barroso Filho chegou ao local e entrou no prédio. De acordo com o líder dos grevistas, Marco Prisco, a presença do juiz foi pedida pelo movimento, para ajudar na negociação. O juiz saiu do local depois de cerca de uma hora, mas não quis falar com a imprensa.   Um grupo de manifestantes que seguia para a assembleia foi barrado na entrada do complexo. Revoltados, eles ameaçam fechar a Avenida Paralela, uma das principais vias de Salvador, que liga o centro à orla, e fazer protestos em frente à emissora de televisão local e ao aeroporto da cidade.   A greve por aumento salarial e pela concessão de gratificações já dura nove dias e provocou uma onda de crimes que já causou mais de 100 assassinatos pela falta de segurança. O governo do estado, que fracassou na terça na negociação para dar fim ao movimento, lançou mão de propagandas no rádio para tentar sensibilizar os grevistas e acalmar os baianos e turistas. Nesta quarta-feira começou a ser veiculado um spot em que o governo explica a proposta feita aos grevistas e declara disposição em negociar.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 7:01

LEIAM ABAIXO

O grande acerto e o grande erro do principal partido de oposição;
Vocês já leram. Agora peço que ouçam a voz de Jaques Wagner a defender a greve de PMs em 1992 e a incentivar o comando a se rebelar contra o então governador. Ou: Um homem protegido de si mesmo e o ziriguidum;
Já que os civis fizeram cerda na Bahia, chamem o general! E o general foi lá e deu o seu recado. Afinal, guerra é com os políticos, não é?;
Governo vê riscos de crise da PM se alastrar para 6 Estados;
Maia descarta convocar Mantega para falar de Casa da Moeda;
DIAS IMORAIS – Sem acordo, com mais de 100 mortos, PMs grevistas cantam que “o carnaval acabou”; Jaques Wagner canta que não acabou;
Fitch põe ratings de Triunfo e Invepar em observação negativa;
Vejam como Lula e Dilma estão na origem da radicalização dos movimentos das PMs Brasil afora. Não é uma opinião, é um fato. COM VÍDEO E TUDO;
Não tem jeito! Eles são incuráveis! Aqui, uma diferença moral importante entre um petista e um tucano;
Projeto “TAMAR” em vez do projeto “MATAR”;
Quem armou o gatilho das PMs em todo o Brasil?;
QUE FETOS HUMANOS SEJAM CONSIDERADOS OVOS DE TARTARUGA! QUE SEJAM PROTEGIDOS PELO IBAMA!;
Algumas questões essenciais sobre o aborto. Vamos fazer este debate;
Atenção, governo de SP! Os “companheiros” petistas têm de falar primeiro na Comissão do Senado! Questão de cronologia e gravidade! Eles é que têm de explicar três olhos furados!;
Nova ministra volta a defender legalização do aborto e compara a prática a “crack, drogas, dengue, HIV e doenças infecto-contagiosas”;
Errei! Jaques Wagner não é conterrâneo do Weimar e da Cremilda!;
Comissão do Senado vai ouvir relatos de violações de direitos humanos em estados governados pelos “companheiros”;
Jaques Wagner em 1991-1992: “Solidarizo-me com os nossos conterrâneos da PM”. Jaques Wagner em fevereiro de 2012 – BALAS DE BORRACHA E CADEIA para os “conterrâneos da PM”. Ou: O Haiti é logo ali;
Dilma, a devota de “Nossa Senhora de Forma Geral”, escolhe uma notória defensora da legalização do aborto para a Secretaria das Mulheres; já fez dois, confessou, sem que ninguém a tanto a obrigasse;
O PT que privatiza – Partido chega aonde estavam os tucanos, mas 15 anos depois; Infraero como sócia de consórcios é só uma vela para o atraso;
Alckmin ataca “libertinagem” em aliança partidária e diz que ser oposição é tão patriótico quanto ser governo

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 6:43

O grande acerto e o grande erro do principal partido de oposição

O tema é complexo e não se esgota em um texto. São necessários milhares; a rigor não trato de outra coisa desde 2006. Todos vimos lideranças do PSDB ontem a apontar o óbvio: o discurso e a militância petista contra as privatizações é uma farsa. E é uma farsa  que combina várias frentes, alcançando o submundo do subjornalismo a soldo, que iniciou uma campanha na Internet para tentar provar que o que se fez nos aeroportos não é privatização, mas “concessão”. Lixo! Vamos ao que interessa.

Eu mesmo apontei aqui que os petistas chegaram aonde o PSDB já havia chegado, mas com 15 anos de atraso. O país experimenta sérias deficiências na infraestrutura porque os petistas tinham de fazer a sua mímica antiprivatista, contra o neoliberalismo, aquela bobajada toda… O senador Aécio Neves (PSDB-MG), ungido por FHC como “candidato óbvio” dos tucanos em 2014 desde que mostre serviço (sintetizo o espírito da coisa…), recorreu a uma imagem que o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros já empregava em 2003 — há 9 anos, portanto — e afirmou que Dilma usa um software pirata do PSDB ao optar agora pelas privatizações. Está tentando, em suma, mostrar o tal serviço que FHC cobrou. É razoável que os tucanos apontem essas incoerências do PT? É, sim! Mas está falando exatamente com quem?

Sim, é verdade, as bandeiras tucanas foram todas roubadas, surrupiadas mesmo!, pelos petistas. Lula, um político muito popular, conseguiu fazer “o mais do mesmo” parecer uma revolução. Boa parte das conquistas de seu governo, sabe-se, derivam dos ajustes — alguns impopulares, como a reestruturação dos bancos privados e estaduais — feitos por seu antecessor, que, não obstante, foi demonizado. Isso para não falar na enorme, na gigantesca tarefa que foi implementar o Plano Real, a raiz profunda da estabilidade experimentada por Lula e agora por Dilma — ainda que, acho eu, sejam muitas as dificuldades que o Brasil está contratando para o futuro. Mas não adianta fazer previsão pessimista em meio à bonança, ou quase isso. Adiantasse, não teria havido 1929 e a atual crise na Europa e nos EUA.

Eu estou entre aqueles que acham, sim, que o PSDB precisa tratar muito melhor a sua história e atuar com mais firmeza e clareza junto aos tais formadores de opinião para retirar o seu próprio passado dos escombros, soterrado pelas muitas mentiras que Lula contou sobre si mesmo e sobre seus adversários. Mas isso é muito pouco — a rigor, é quase nada. Quantos serão sensíveis a esse tipo de apelo? Com que público, afinal de contas, os tucanos estão falando e quais setores da sociedade contam mobilizar com isso? Eu ousaria dizer, infelizmente, que a pregação corre o risco de cair no vazio. Não há hoje, e não estou dizendo que isso seja necessariamente bom, grandes divergências sobre as escolhas “macro”. A privatização, nesse sentido, é um bom exemplo. O fato é que essas questões não chegam exatamente a dividir opiniões. E então chego aonde quero.

As oposições precisam mudar o, vamos dizer, canal de interlocução com a população. Em artigo recente no Estadão, FHC falou de um partido que tem de estar presente “nas universidades, nas organizações populares, nas associações de classe”. Huuummm… Não  sei, não… Será mesmo? Não estará o brilhante FHC sendo traído por suas antigas raízes na esquerda? Não estaria ignorando que ele próprio foi um presidente que fez um bem imenso ao povo brasileiro não porque vocalizasse a pauta desses fóruns dominados por “progressistas”, mas porque soube interpretar uma vontade que ia nas ruas: o fim da inflação? Não que as esquerdas gostassem da inflação. É que sua agenda era de outra natureza. A grande aliança que o tucano conseguiu fazer, vital para a modernização do país, foi mesmo com o PFL. Passou longe das “universidades” ou das “organizações populares”. Ainda bem! Dominadas que estavam e ainda estão pelo petismo, eram estupidamente nacionalistas, socializantes e estatizantes — na exata contramão daquilo que precisava ser feito.

Mas aquele trem passou. Esses setores a que FHC se refere, antes apenas franjas do PT, são hoje braços cooptados e remunerados pelo partido. Lamento! Mas são, vamos dizer, indisputáveis. Vá perguntar nos EUA ou na França se os conservadores tentam disputar influência com os democratas ou com os socialistas nos sindicatos, por exemplo. Sabem que sua praia é outra. E chegamos ao busílis. O PSDB terá a coragem de ser um partido conservador? Refiro-me a uma esfera sempre ausente da política brasileira porque considerada inferior pelos “progressistas” e pelos “donos da opinião”: a dos valores. Não há país democrático no mundo sem um partido conservador forte. O Brasil parece pretender oferecer mais essa jabuticaba.

O que estou querendo dizer é que aquele esforço dos tucanos de demonstrar que Dilma, ao privatizar aeroportos, segue a agenda do PSDB está, em si correto porque é verdade. Mas é de uma brutal ineficiência política. Ok, ok, na próxima campanha eleitoral, talvez não voltem os petistas à ladainha antiprivatista das três últimas campanhas…. Mas isso é muito pouco. O meu ponto: se o PSDB tentar disputar a influência em terrenos já seqüestrados pelo petismo, vai, obviamente, quebrar a cara. Ao contrário: o partido tem de aprender é a falar com o “eleitor Todo Mundo”, aquele que não pertence a aparelhos. Mas, para tanto, terá de dar uma bela sacudida em si mesmo. Ou tende a desaparecer.

Faltam exemplos neste texto, eu sei. E chegou a hora de elencá-los. Onde estava e, de certo modo, onde está o PSDB COMO PARTIDO — não como expressão isolada de um líder ou outro — nessa crise do Pinheirinho? Aécio Neves é agora “o candidato óbvio”, certo? Como reagiu a uma das maiores orquestrações de que se tem notícia do governo federal contra um governo estadual de um aliado seu? Houve uma verdadeira conjuração palaciana contra Geraldo Alckmin e contra São Paulo, de braços dados com mentirosos profissionais, canalhas a soldo pagos com dinheiro público para caluniar, injuriar, difamar… E o que fez Sérgio Guerra nesse tempo? E o CONJUNTO – não um ou outro – dos deputados e senadores? Houve, sim, manifestações esparsas e esporádicas, mas, lamento!, NÃO SE VIU UM PARTIDO.

Por quê? Ora, porque é fato que havia muitos tucanos tentando se afastar do problema, temendo a máquina oficial de propaganda. Alberto Goldman, vice-presidente do PSDB, emitiu uma dura nota a respeito — Guerra estava fora do país. Mas ela não parecia traduzir a indignação da legenda como um todo. Muitos talvez quisessem que isso é “coisa lá de São Paulo”. Sim, senhores! Estamos tratando agora da esfera de valores, esta na qual os tucanos não entram de jeito nenhum! Têm um pavor patológico de parecer “reacionários”. Às vezes, fico com a impressão que muitos deles lutam desesperadamente para ser considerados boas pessoas pelos… petistas!

Vamos avançar um tantinho mais, para deixar alguns tucanos ainda mais escandalizados. Um partido que estivesse, como se diz, “nos cascos” não deixaria passar em branco as declarações da nova ministra da Secretaria das Mulheres, a tal Eleonora Menicucci, que andou a dizer barbaridades ontem sobre o aborto. Qualquer partido decente, ainda que achasse a cureta um verdadeiro poema, repudiaria os termos e, sobretudo, destacaria que a escolha vai na contramão do discurso da candidata Dilma Rousseff. Mas é evidente que o PSDB não o fará porque já li aqui e ali que alguns deles consideram o debate de 2010 um equívoco — como se ele tivesse sido feito pelo partido. Errado! Foi feito por parcelas da sociedade.

Daqui a pouco, a tal lei que criminaliza a homofobia voltará à pauta. Vamos ver em que termos. A chance de que se tente impor, sob o pretexto de garantir a igualdade, uma forma de censura, especialmente religiosa, é imensa. O PSDB terá a coragem de defender a liberdade de crença ou tentará disputar influência com o PT no movimento gay — o que sempre será inútil? Até a greve dos policiais da Bahia fala um tanto do PSDB. Apoiar o movimento seria, obviamente, impensável, e não serei eu, que me oponho à greve de qualquer servidor público, a recomendá-lo. Apontar, no entanto, a irresponsabilidade do viajante Jaques Wagner é um imperativo político e moral.

Sim, tucanos, um dia uma parcela dos historiadores — não todos porque os tarados ideológicos não o farão — vai reconhecer os méritos da gestão de FHC e os truques todos a que recorreu Lula para esconder a obra do antecessor. É importante que vocês digam a verdade, na esperança de que vire um registro. Mas a política mesmo está em outro lugar, está com os valores. Se o PSDB não seguir o exemplo dos grandes partidos de oposição do mundo democrático, que têm a coragem de debatê-los, pode, então, pendurar a chuteira.

Só que há um porém: na média, o povo brasileiro é bem mais conservador do que a esmagadora maioria dos tucanos. Ou eles decifram esse povo ou serão devorados de novo.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 6:39

Vocês já leram. Agora peço que ouçam a voz de Jaques Wagner a defender a greve de PMs em 1992 e a incentivar o comando a se rebelar contra o então governador. Ou: Um homem protegido de si mesmo e o ziriguidum

Eu tenho, vamos dizer assim, moral para criticar greves de policiais. Sou contra! Sempre fui. Quem não tem é o governador Jaques Wagner (PT). Quem não tem é o ex-presidente Lula. Quem não tem é o PT. Publiquei ontem aqui o fac-símile do discurso que o então deputado Wagner fez em 1992 em apoio aos PMs que tinham entrado em greve no ano anterior, durante o governo de Antônio Carlos Magalhães, do PFL. Hoje, trago a voz do homem pronunciando aquelas palavras. Republico a imagem e, logo abaixo, a banda sonora — nada como ouvir aquele tom soturno em apoio à indisciplina e ao caos. Volto em seguida.

jaques-wagner-apoia-greve2

 

Voltei
Mais de 100 pessoas mortas em oito dias só na grande Salvador. Não obstante, do comandante-geral da PM ao governador, passando — o que é espantoso! — pelo próprio jornalismo, todos asseguram que “o Carnaval está garantido”. Nada contra a alegria e tudo a favor. Mas é preciso ser minimamente decoroso. Não fosse por outra razão, os familiares dos mortos nestes oitos dias de desordem merecem um pouco mais de respeito.

Mas isso ainda é pouco. Na Globo — não sei se também nas outras emissoras —, o governo da Bahia está veiculando uma propaganda ligada ao Carnaval que associa o estado à alegria, à folia, à cordialidade, à paz, a tudo aquilo que, nestes dias, está ausente. Ao contrário: qualquer pessoa razoável há de supor um permanente malaise baiano, que só não se manifesta com mais freqüência porque reprimido pela polícia. Sem ela, a carnificina. O índice de homicídios no Estado é escandaloso. Algo de muito errado se passa por lá além da greve.

A Bahia, com todos aqueles militares cercando a Assembléia Legislativa, pode até remeter a um clima de guerra, mas a cobertura das TVs é bastante pacífica. Parece que choque com a polícia só rende boas imagens em São Paulo. Wagner, o incompetente viajante, está sendo tratado como um responsável conciliador — firme, mas muito humano…

Nada daquela cobertura nervosa, até com helicópteros, que se viu na reintegração de posse da USP ou mesmo, pasmem!, na Marcha da Maconha, em que os defensores da ordem, em São Paulo, eram tratados como pessoas suspeitas… Se o padrão de comparação for o Pinheirinho, aí, então, não tem pra ninguém! Os nossos candidatos a Sergei Eisenstein pareciam estar diante da versão terrestre do Encouraçado Potemkin Do lado de fora da Assembléia, há mães, mulheres, filhos e irmãs dos policiais amotinados, aquela gente que Wagner prezava tanto em 1992… Não falam! Ninguém põe o microfone nas suas bocas. Já os comerciantes reclamam abertamente da irresponsabilidade “de baderneiros”.

As TVs, em suma, gostam de Jaques Wagner. O homem dá entrevistas, e ninguém lhe pergunta por que apoiou greve de PMs em 1991 e em 2001, junto com toda a bancada federal do PT — na segunda jornada, isso inclui Nelson Pellegrino, que será candidato do partido à Prefeitura de Salvador.

Encerro
É claro que a forma assumida pelo protesto dos policiais da Bahia é inaceitável. Mas também é inaceitável que Wagner não seja confrontado consigo mesmo em eventos distantes e recentes.

E, em nome do decoro, façam todos o favor de não falar em Carnaval antes que se resolva o imbróglio. Com um pouquinho mais de decência, o governador mandaria tirar do ar a propaganda enganosa. Primeiro restabeleça a ordem em seu estado para vender depois o ziriguidum.

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 6:37

Já que os civis fizeram cerda na Bahia, chamem o general! E o general foi lá e deu o seu recado. Afinal, guerra é com os políticos, não é?

Pois é… Um dia depois de Dilma Rousseff ter nomeado uma nova ministra que parece insistir em reviver, com memória seletiva, um passado que passou, assistimos a um evento realmente extraordinário: um general do Exército com nome de poeta nativista, Gonçalves Dias, protagonizou um momento, vá lá, poético em meio ao caos em que se transformou a Bahia do viajante Jaques Wagner. A reportagem do JN está aqui. O trecho que interessa a este post começa aos 3min27s.

Transcrevo parte da reportagem (os vídeos da Globo estão sem código de incorporação — ou eu não o achei):

O general Gonçalves Dias, que comanda a tropa que cerca o local, conversou com os grevistas.
“Peço aos senhores que se as pautas que estão sendo discutidas pelos políticos e não forem atendidas, vamos voltar a uma negociação e não poderá haver confronto entre os militares. Eu estarei aqui bem no meio dos senhores sem colete. Não vou colocar porque não vai haver combate, não vai haver invasão, não vai ter nada”, anunciou.

Ao fim da conversa, o general, que faz aniversário nesta terça, foi surpreendido pelos manifestantes. Ganhou um bolo e se emocionou com a confraternização.

Encerro
Pois é… Foi preciso chamar o general. No dia 31, enquanto a greve era decretada numa assembléia que estava marcada havia uma semana, Jaques Wagner estava aqui, ó…

Jaques Wagner acompanhou Dilma Rousseff a Cuba quando a segurança pública da Bahia entrava em transe, com uma greve já decretada. Enquanto abraçava um notório assassino em Cuba, Raúl Castro, os assassinos do povo baiano se preparavam para agir. Cuba era o sonho dourado da turma para "combater a ditadura dos gnerais brasileiros"...

Jaques Wagner acompanhou Dilma Rousseff a Cuba quando a segurança pública da Bahia entrava em transe, com uma greve já decretada. Enquanto abraçava um notório assassino em Cuba, Raúl Castro, os assassinos do povo baiano se preparavam para agir. De volta ao Brasil, foi preciso chamar o general...

Por Reinaldo Azevedo

08/02/2012

às 6:35

Governo vê riscos de crise da PM se alastrar para 6 Estados

 Na Folha:
O governo federal vê risco elevado da greve da PM baiana se alastrar para mais seis Estados. O Rio é considerado o mais crítico de todos eles, inclusive pelo temor de haver cenas violentas às vésperas do Carnaval, daqui a dez dias. Além do Rio, onde a polícia decide amanhã se para ou não, o serviço de inteligência do Palácio do Planalto classifica como “Estados explosivos” Pará, Paraná, Alagoas, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. O acompanhamento começou após os conflitos se agravarem em Salvador, onde a greve dos PMs foi decretada na terça da semana passada. O governo federal monitora ainda o Distrito Federal, que ontem registrou protesto de apoio aos PMs da Bahia. “Se não tiver aumento, não terá segurança no Carnaval. Se está ruim em Brasília, imagina em outros Estados?”, disse o sargento Edvaldo Farias, da Associação dos Oficiais Administrativos da PM. O piso brasiliense, de R$ 4.000, é o maior do país. Na Bahia, por exemplo, ele é de R$ 2.173,87.

A presidente Dilma Rousseff foi comunicada na sexta de que o levante baiano fazia parte de uma articulação nacional para pressionar o governo a apoiar, no Congresso, a aprovação da PEC 300. A proposta de emenda constitucional estabelece um piso salarial para bombeiros e PMs. O problema é que, por limitações de verba, nem Estados nem a União estão dispostos a bancar a medida. Ontem, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu adiar para amanhã, mesmo dia em que os policiais do Estado decidirão ou não pela greve, a votação da proposta do governo estadual de reajuste para as polícias. Há representantes de policiais fluminenses em Salvador. A ideia é verificar as ações do governo federal, além de conversar com líderes do movimento e com os policiais que não aderiram a ele.
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Por Reinaldo Azevedo

 

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