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Arquivo de 2 de Fevereiro de 2012

02/02/2012

às 22:11

…E Sérgio Cabral comprou 4 páginas em revista estrangeira; material traz entrevista em que Cabral elogia… Cabral!

Da Agência Estado:
O governo fluminense comprou quatro páginas coloridas de matéria paga na edição de janeiro/fevereiro de 2012 da Foreign Affairs, a mais prestigiada publicação sobre política internacional do mundo, para, segundo afirma, divulgar o Rio de Janeiro no exterior.

Em uma época de crise das economias centrais, onde faltam recursos e a estagnação econômica persiste, o Executivo fluminense foi a Nova York em busca de investimentos para o Estado. Custeou, a preço que não revela, um seminário promovido com a grife da revista no Council on Foreign Relations (o Rio de Janeiro Investiment Conference, em 30 de novembro), e a divulgação da “reportagem” sobre o Rio. O texto incluiu uma entrevista com o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), ilustrada com duas fotos dele, na qual o político elogia fortemente a sua própria administração.

Procurado pelo Estado de S. Paulo, o governo do Rio recusou-se a revelar quanto gastou com a revista. O Palácio Guanabara, sede da administração estadual, informou já ter promovido eventos com publicação de material no exterior em outras ocasiões – uma delas, no diário americano The Washington Post.

O objetivo da publicação na Foreign Affairs, segundo o Executivo, é a divulgação internacional do Estado, dentro de uma estratégia de marketing e publicidade mais ampla. A assessoria de Comunicação Social alegou não saber quanto custou a publicação nem poder levantar esse dado, porque o negócio foi fechado por meio de agência e por não poder revelar o preço da tabela de anúncios de publicações, por uma “questão publicitária de mercado”.

Na entrevista que ocupa, em parte, três páginas da Foreign Affairs, Cabral apresenta os principais outdoors da sua administração, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Fala do saneamento financeiro do Estado e da obtenção, pelo Rio, do grau de investimento, concedido pela agência de classificação de risco Standard & Poor”s. “Outro ponto importante é educação. Depois de décadas de negligência, nosso compromisso é melhorar o desempenho das escolas públicas do Rio de Janeiro no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)”, diz o governador na entrevista. “Nosso objetivo é que até 2013 o Rio esteja entre os cinco melhores Estados (em educação).” Em 2011, o Rio de Janeiro ficou em penúltimo no Ideb entre 27 unidades da Federação, à frente apenas do Piauí.

A “reportagem” da Foreign Affairs também traz um texto falando da fase de crescimento vivida pelo Brasil e uma breve descrição da Rio de Janeiro Investment Conference, organizada em uma parceria da revista com a empresa Thinklink.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 21:40

Maioria do Supremo faz a coisa certa e mantém poderes de investigação do CNJ

Por maioria apertada, o Supremo decidu manter as prerrogativas do CNJ. Na madrugada, falo mais a respeito. Aconteceu o melhor para a sociedade brasileira. Leiam o que vai na Folha Online:
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A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira manter os poderes de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Por 6 votos a 5, a decisão mantém a autonomia do órgão em abrir investigações contra magistrados.

A decisão contraria liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello no fim do ano passado, atendendo pedido feito pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que tentava fazer valer a tese de que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) só poderia investigar magistrados após processo nas corregedorias dos tribunais estaduais.

Iniciado ontem, o julgamento sobre a atuação do CNJ provocou intenso debate no plenário. “Até as pedras sabem que as corregedorias [locais] não funcionam quando se trata de investigar seus próprios pares”, afirmou o ministro Gilmar Mendes, que votou a favor da atuação do CNJ.

“As decisões do conselho passaram a expor situações escabrosas no seio do poder judiciário nacional”, concordou Joaquim Barbosa, também afirmando que, por esse motivo, houve “uma reação corporativa contra o órgão, que vem produzindo resultados importantíssimos no sentido de correção das mazelas”.

A discussão girou em torno de duas teses distintas. A primeira, que prevaleceu, afirmava que o CNJ deve ter amplo poder de investigar e, inclusive, de decidir quando os processos devem correr nos tribunais de origem.

“Uma coisa é declinar da competência, outra é ser privado de sua competência”, argumentou Ayres Britto. Além dele, de Mendes e Joaquim, também votaram assim os colegas Rosa Weber,Cármen Lúcia e José Antonio Dias Toffoli. Já a segunda tese, encabeçada por Marco Aurélio Mello (relator do caso e autor da liminar que suspendeu, no final de dezembro, os poderes originários de investigação da instituição), afirmava que investigações contra magistrados devem ser, prioritariamente, ocorrer nas corregedorias dos Estados. Com ele, votaram Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e o presidente da Corte, Cezar Peluso. O julgamento, porém, continuava por volta das 21h20 para a análise de outros itens da ação da AMB.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 19:21

Enquanto Jaques Wagner adulava ditadores sanguinários em Cuba, a PM baiana entrava em greve; Força Nacional de Segurança é chamada

O governador da Bahia, Jaques Wagner, petista graúdo,  foi reeleito. Assim quis o povo, o que não implica que seu governo seja bom. Isso acontece às vezes? Acontece, sim! A democracia é o melhor dos piores regimes. O povo pode errar. E como conserta? Não cometendo o governante um crime que chegue a causar seu impedimento, só com outra eleição. A Bahia, coitada!, vive um verdadeiro caos na Segurança Pública. Pra vocês terem uma idéia, Wagner chegou ao poder, em 2007, com 23,5 homicídios por 100 mil habitantes no estado; no ano passado, chegaram a 37,7, um crescimento de 60,4%!

Como diria o poeta seiscentista baiano Gregório de Matos, “Triste Bahia! (…) A ti trocou-te a máquina mercante,/ Que em tua larga barra tem entrado (…)”

A Polícia Militar baiana já estava em estado de greve, com parcela dos homens já parada, mas Jaques Wagner não resistiu ao chamado: ele se mandou pra Cuba junto com a Soberana — que, diga-se, fez antes uma escala justamente na Bahia. Foi ali que ela anunciou que governos passados não se interessaram em dar casas aos pobres; só Lula e ela própria teriam pensado nisso. Os 3 milhões de casas que os dois prometeram, no atual ritmo de construção, serão entregues daqui a 22 anos… Mas volto.

Com uma segurança pública já em petição de miséria, Wagner não viu problema em fazer turismo ideológico em Cuba. Agora, foi preciso chamar a Força Nacional de Segurança. Leiam o que informa o G1. Volto para encerrar.
*
O secretário de segurança pública da Bahia, Maurício Barbosa, anunciou em coletiva à imprensa, no início da noite desta quinta-feira (2), que o governo do estado solicitou apoio da Força Nacional de Segurança, por conta da paralisação parcial da Polícia Militar. De acordo com o secretário, 150 policiais chegam à capital baiana ainda nesta noite. Outros 500 devem chegar no prazo de 48 horas. O comandante geral da PM, coronel Alfredo Braga de Castro, também participa da coletiva.

Ainda segundo Maurício Barbosa, dois terços do efetivo da PM está trabalhando em toda a Bahia. A PM anunciou também nesta quinta o reforço no policiamento das cidades de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, e de Ilhéus, no sul da Bahia. Outras unidades da PM foram deslocadas para os dois municípios por conta dos arrastões ocorridos no local e do clima de pânico da população.

Arrastões
Em Salvador, diversos bairros tiveram suas lojas fechadas antes do horário normal nesta quinta-feira (2). A Avenida Sete de Setembro, localizada no centro da capital, onde há o maior número de lojas e centros comerciais da capital, os comerciantes também fecharam as lojas mais cedo. Comerciantes fecharam a porta por medo de possíveis arrastões. O G1 entrou em contato com algumas delegacias que cobrem áreas como o Subúrbio e o Centro da cidade, mas a polícia nega que tenha registrado “arrastões”. A paralisação de parte dos policiais militares da Bahia foi considerada irregular, de acordo com uma liminar expedida na manhã desta quinta-feira pelo juiz Ruy Eduardo Brito, da 6ª Vara da Fazenda Pública.

O juiz determina a imediata retomada das atividades pelos policiais vinculados à Associação de Policiais e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), que decretaram greve. A multa estipulada para os policiais parados que não assumirem seus postos de trabalho é de R$ 80 mil. O presidente da Aspra, Marco Prisco, disse por telefone que não foi informado sobre a liminar e que vai tomar providências legais para evitar a aplicação da multa. Desde a madrugada de quarta-feira (1), sindicalistas filiados à Aspra ocupam a sede da Assembleia Legislativa, situada no CAB, em estado de greve. Na ocasião, Marco Prisco informou que os manifestantes só sairão do local após serem atendidos por algum representante do governo do estado.

Interior do estado
O Comando da Polícia Militar da Bahia informou que devido ao clima de tensão realizados em Feira de Santana, em virtude da paralisação da PM na cidade, reforçou a segurança no município, que fica a cerca de 100 km de Salvador, e em Ilhéus, no sul do estado. Relatos de moradores de Feira de Santana informam que a cidade está sem transporte coletivo e que várias lojas do comércio foram fechadas, como forma de prevenção a saques.

Shoppings
De acordo com informações da Assessoria de Imprensa do Shopping Piedade, localizado no centro de Salvador, apesar dos boatos, não houve arrastão no local. O shopping funciona normalmente até às 21h. Já o Shopping Barra, localizado em bairro nobre de Salvador, os comerciantes foram orientados a fecharem as portas no início da noite desta quinta-feira (2). A assessoria do shopping informou que o funcionamento volta ao normal na manhã desta sexta-feira (3).

Encerro
Eu não apóio greve de gente armada. Nem em governo do PT. Mas também não apóio governantes irresponsáveis, que deixam seus respectivos estados à beira do caos para aprender lições de humanismo com os homicidas compulsivos Fidel e Raúl Castro.

Para arrematar: caso situação semelhante estivesse acontecendo em São Paulo, parlamentares do PT já estariam grudados aos policiais, fazendo proselitismo e investindo no quanto pior melhor, com ampla cobertura dos “companheiros” da grande imprensa. Fizeram isso em São Paulo durante a gestão Serra, quando houve uma greve de um setor minoritário da Polícia Civil.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 18:57

Chega-me às mãos mais um caso de agressão a direitos humanos que foi ignorado por Dilma, Carvalho, Cardozo e Maria do Rosário

Quem não liga para um estudante que ficou cego de um olho no Piauí em confronto com a PM? Em ordem alfabética:
- Dilma Rousseff;
- Gilberto Carvalho;
- José Eduardo Cardozo;
- Maria do Rosário.
Além, é certo, de amplos setores da grande imprensa, especialmente as TVs,  e da totalidade das esquerdas.

Quem não liga para uma cozinheira que ficou cega de um olho em ação da Polícia na Bahia? Em ordem alfabética:
- Dilma Rousseff;
- Gilberto Carvalho;
- José Eduardo Cardozo;
- Maria do Rosário.
Além, é certo, de  amplos setores da grande imprensa, especialmente as TVs, e da totalidade das esquerdas.

Mais um caso
Acaba de me chegar às mãos mais um caso escandaloso de omissão dessas mesmas pessoas e grupos, em mais um episódio ocorrido numa gestão do PT.

Que se tenha claro: o asqueroso não é essa gente protestar contra esse ou aquele aspecto da desocupação do Pinheirinho — que não foi violenta coisa nenhuma! O asqueroso é essa gente não olhar o que acontece em seu próprio quintal.

Escreverei a respeito na madrugada.

Dilma usa, internamente, a questão dos direitos humanos para jogar pedras em adversários políticos.

 COM A CUMPLICIDADE DA QUASE TOTALIDADE DA IMPRENSA.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 17:53

Agnelo elogia delegado que disse que ele deixaria o poder num camburão: “Bom trabalho técnico”

Então… Onofre Moraes, chefe da Polícia Civil do Distrito Federal, deixou o cargo. Ele assumiu o posto em novembro. Em junho, conforme mostra vídeo publicado no YouTube, ainda apenas delegado, ele afirmou que o petista Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, deixaria o poder “num camburão”!!! Há um post que explica o caso em detalhes.

Chamo a atenção mais um vez: em junho, um delegado vê motivos para o governador terminar sua carreira num camburão; em novembro, ele é nomeado para o cargo mais importante da polícia do Distrito Federal.

O Distrito Federal se transformou na “Agnolândia”, uma terra de fantasmagorias, onde tudo é possível. Tendo vindo o vídeo a público, o governador, um homem magnânimo, pediu que Ugo Braga, seu porta-voz, reconhecesse “o bom trabalho técnico” do delegado. Agnelo teria aceitado o pedido de demissão para garantir “a normalidade administrativa”.

Ah, bom…

Note-se: Agnelo não teria nem como processar o delegado porque a afirmação foi feita numa conversa informal, gravada de forma clandestina. O ponto é outro: num caso assim, precisa elogiar aquele que previu pra ele o destino dos bandidos? O governador, a gente nota, nunca quer confusão com seus detratores. Todos eles foram seus aliados um dia.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 17:36

Lewandowski deixa sessão, mas adianta voto: contra a investigação feita pelo CNJ

O ministro Ricardo Lewandowski teve de se ausentar da sessão do STF que vai definir a competência do Conselho Nacional de Justiça. Adiantou o seu voto: ele acha que a corregedoria do órgão não pode abrir uma investigação se um determinado caso está sendo apurado pela corregedoria local. Para ele, a atuação da corregedoria do CNJ é excepcional e tem de ser precedida de explicação. Sua opinião coincide com a de Marco Aurélio Mello, relator.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 17:31

Ponto positivo – STF define que todos os julgamentos do CNJ devem ser públicos

Por Felipe Seligman, na Folha Online:
Ao retomar nesta quinta-feira o julgamento sobre os limites de atuação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o Supremo Tribunal Federal manteve o entendimento de que todos os julgamentos de magistrados devem acontecer em sessão pública. Os ministros entenderam que é constitucional a parte da resolução do CNJ que estabelece a publicidade de todas as sessões que julgam processos disciplinares. A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), autora da ação contra o conselho, argumentava que, nos processos que pedem a punição de “advertência” e “censura” de juízes, as sessões deveriam ser secretas. Isso porque a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nancional) define que essas duas sanções tem caráter sigiloso.

Apenas os ministro Luiz Fux e o presidente do tribunal, Cezar Peluso, entendiam que tais julgamentos não deveriam ser abertos. Os demais afirmaram que a Constituição Federal define a publicidade de todas as decisões do Judiciário. “A cultura do biombo foi excomungada pela Constituição”, afirmou Carlos Ayres Britto. “Esse tipo de processo era das catacumbas. Isso é próprio de ditadura, não é próprio de democracia”, completou Cármen Lúcia. A frase da ministra incomodou Fux, que respondeu: “No meu caso, não tem nenhuma ideia antidemocrática, nem das catacumbas”. O ponto mais polêmico, sobre os poderes de investigação do CNJ, ainda não começou a ser debatido.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 16:59

Dilma desandou

Fique o registro neste blog. O Estadão publicou nesta quinta um excelente editorial sobre Dilma Rousseff e seu governo. Leiam.
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São improcedentes as críticas à presidente Dilma Rousseff por sua recusa em abordar as violações dos direitos humanos sob a ditadura que vigora em Cuba há meio século. Mas ela merece ser criticada – duramente – pelo palavrório com que tentou justificar em Havana o seu silêncio em face da política repressiva do regime dos irmãos Castro.

 

Dilma foi a Cuba, na sua primeira visita de Estado à ilha, para promover os interesses econômicos brasileiros. Por intermédio do BNDES, o País banca 70% do mais ambicioso empreendimento privado ali em curso – a transformação do Porto de Mariel em um dos maiores da América Latina, ao custo aproximado de US$ 1 bilhão. A obra é tocada pela construtora brasileira Odebrecht. O Brasil, apenas o quarto parceiro comercial de Cuba, só tem a ganhar com a ampliação da sua presença econômica na ilha, a exemplo do que fizeram, sobretudo no setor de turismo, a Espanha e o Canadá. Ganhará tanto mais – e esse deve ser o raciocínio estratégico de Brasília – se e quando se normalizarem as relações entre Havana e Washington. Trata-se de estar desde logo ali onde a concorrência virá com tudo.

Nesse quadro, não se deveria esperar que a presidente usasse a mesma mão com que assinou, metaforicamente, os cheques do novo espaço que o empresariado brasileiro ambiciona ocupar em Cuba para investir de dedo em riste contra os seus anfitriões. Nos últimos dois anos, o ditador Raúl Castro iniciou um programa de abertura econômica que, embora tropeçando na pachanga local, pretende ser uma versão caribenha do modelo chinês: economia de mercado com mordaça política. A propósito, desde que a China se abriu, a nenhum chefe de governo brasileiro ocorreu condenar as suas políticas liberticidas – e a nenhum comentarista ocorreu condená-lo por isso.

É também descabida a evocação da visita ao Brasil, sob a ditadura militar, do então presidente americano Jimmy Carter – que não só fez chegar ao homólogo Ernesto Geisel seu protesto pelo que se passava nos porões do regime, como ainda recebeu um dos maiores defensores dos direitos humanos no País, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns. É verdade que militantes como Dilma Rousseff, que sentiram literalmente na carne o que era se opor aos generais, devem ter se regozijado com a iniciativa de Carter. Logo, ela deveria imitá-lo em Havana. Lembre-se, no entanto, que o que trouxe Carter ao Brasil foi o contencioso desencadeado pelo acordo nuclear do País com a Alemanha, tido em Washington como o atalho aberto pelos militares para chegar à bomba atômica. Sem falar nas pressões das entidades americanas de direitos humanos pela condenação ao Brasil – o que inexiste aqui em relação a Cuba.

Critique-se Dilma não pelo que calou, mas pelo que falou. Exprimir-se, como se sabe, é uma peleja para a presidente – talvez por isso seja tão avara com as palavras em público. (Há quem diga que quem não fala bem não pensa bem, mas esse, quem sabe, é outro assunto.) Perguntada pelos jornalistas que a acompanhavam sobre direitos humanos em Cuba, Dilma desandou. Poderia ter respondido protocolarmente que, dada a sua condição de chefe de Estado visitante, não poderia se manifestar sobre questões internas do país anfitrião, como seria inadmissível que um hóspede oficial do governo brasileiro fizesse algo do gênero em relação ao País – e ponto final. Em vez disso, saiu-se com um bestialógico sobre o “telhado de vidro” sob o qual estaria o mundo inteiro, democracias e ditaduras, nessa matéria.

Ainda na linha da “primeira pedra”, disparou incongruentemente um torpedo contra os Estados Unidos, pela “base aqui que se chama Guantánamo”. À parte a trôpega retórica, ao se referir à instalação americana em Cuba, onde 171 acusados de terrorismo mofam sem direito a julgamento, a incontinência verbal levou Dilma a virar contra si a “arma de combate político-ideológico” que, segundo ela – neste caso com razão – não deve predominar no debate sobre direitos humanos seja onde for. Resta ver, na hipótese de lhe perguntarem sobre Guantánamo na visita que um dia fizer aos Estados Unidos, em retribuição à do presidente Obama, se ela falará dos presos políticos cubanos.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 16:37

Negromonte cai após cinco meses de agonia

Na VEJA Online, por Gabriel Castro:
O Palácio do Planalto confirmou, na tarde desta quarta-feira, a demissão do ministro das Cidades, Mário Negromonte. A Presidência também confirmou que o substituto será Aguinaldo Ribeiro, o líder da bancada do partido na Câmara. Negromonte não foi uma exceção em um governo com seis ministros demitidos por falhas éticas. Mas ao menos pode dizer que durou mais tempo do que seus colegas malcomportados. Lá se vão mais de cinco meses desde que VEJA revelou como o ministro tentou comprar apoio político oferecendo uma mesada de 30 000 reais a deputados de seu partido, o PP. 

O anúncio oficial da demissão foi feito por volta de 16h15, em uma nota distribuída à imprensa. O texto, de cinco linhas, diz que “A presidente da República agradece os serviços por ele prestados ao país À frente da pasta e lhe deseja boa sorte em seus novos projetos”. Negromonte chegou ao Palácio do Planalto por volta das 15h30, teve um encontro rápido com a presidente Dilma Rousseff e que entregou sua carta de demissão. Mais cedo, ele esteve com Francisco Dornelles, presidente nacional do PP. Os dois conversaram sobre a passagem de Negromonte pelo cargo e trataram da sucessão. 

Corrupção
Negromonte voltou à berlinda por diversas vezes: viu sua pasta envolvida na adulteração de um projeto bilionário, foi flagrado usando verbas do ministério para promoção pessoal (e eleitoral) na Bahia, e participou de uma reunião com lobistas de uma empresa que, posteriormente, assumiria contratos na pasta. Chegou a ser ouvido no Congresso, mas conseguiu se safar graças à colaboração dos governistas e à falta de ousadia da oposição.

Negromonte não gozava de nenhum prestígio especial com a presidente Dilma Rousseff. Dentro do próprio partido, aliás, ele enfrentava forte oposição – mais em decorrência de uma briga por espaço do que por uma possível preocupação do PP com a ética na política. Mas se manteve no cargo graças à inépcia do Executivo, à proximidade de uma reforma ministerial e ao pragmatismo de sua legenda: os integrantes do partido logo notaram que, se chancelassem a demissão de Negromonte, não teriam garantias de que indicariam o substituto dele no ministério.

Manteve-se o cenário insólito: um dos maiores orçamentos da Esplanada, com 22 bilhões de reais reservados para 2012, foi comandado nos últimos meses por alguém sem condições éticas e políticas para exercer a função. Com seis meses de atraso, o conjunto da obra e a conveniência do momento causaram a demissão de Mário Negromonte – a primeira de um ministro em 2012. Antes dele, dois subordinados próximos já haviam sido exonerados: Cássio Peixoto, chefe de gabinete, e João Ubaldo Dantas, chefe da Assessoria Parlamentar.

Demitido, Negromonte volta a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Vai exercer o sexto mandato. No ministério, deve ser substituído por um colega de partido. A troca de comando no ministério eleva a lista de partidos que tiveram ministros demitidos por causa de corrupção: agora são cinco (PP, PT, PMDB, PDT, PCdoB e PR). Só o PSB escapou. E por enquanto. Fernando Bezerra tem feito de tudo para provar que atende às exigências para entrar no clube de ex-ministros de Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 16:15

Supremo retoma julgamento sobre poderes do CNJ. Que tenha juízo!!!

Na VEJA Online, volto em seguida:
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) retomaram às 14h50 desta quinta-feira o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade que questiona os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão encarregado de investigar e punir magistrados. Os ministros analisam ponto a ponto da resolução 135 do CNJ, que define as atribuições do conselho e trata de punições a magistrados. O desmembramento torna a votação mais longa. Na quarta-feira, a corte se posicionou sobre três itens. Em dois temas, a argumentação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que propôs a ação, foi rejeitada. Em outro, a argumentação dos magistrados foi aceita. Nesta quinta-feira, a corte deve analisar os itens mais complexos – inclusive o principal: se o CNJ tem o poder de arrogar para si casos envolvendo magistrados independentemente da posição das corregedorias ou se, em lugar disso, só pode atuar quando a situação não for resolvida por uma investigação da corte em questão.   Dos onze integrantes da corte, cinco devem se posicionar pela redução dos poderes do CNJ: Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, o presidente, Cezar Peluso, Celso de Mello e Luiz Fux. Outros cinco tendem a defender a manutenção do papel atual do colegiado: José Antonio Dias Toffoli, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes. Luiz Fux, mais alinhado com o primeiro grupo, pode fazer um voto intermediário, estabelecendo prazos para que as corregedorias dos tribunais analisem um processo disciplinar antes que o caso passe à alçada do CNJ.   O maior mistério recai sobre o voto da novata Rosa Weber, que participa de sua primeira votação no Supremo.
O que já foi votado
Na quarta-feira, por 9 votos a 2, os ministros mantiveram um item que atribuiu ao colegiado a figura de um tribunal, para os efeitos da resolução. Por unanimidade, os integrantes do Supremo também rejeitaram um questionamento sobre a possibilidade de o CNJ aplicar a aposentadoria compulsória sem o direito de recebimento de vencimentos proporcionais. Eles consideraram desnecessária a menção explícita a esse direito e rejeitaram o questionamento dos magistrados.   Por outro lado, a corte acolheu um item questionado na ADI. Por 9 votos a 2, os integrantes do STF consideraram que o Conselho Nacional de Justiça só pode aplicar punições que estejam previstas na Lei Orgânica da Magistratura, de 1979. Dessa forma, o conselho não poderá mais aplicar a lei 4.898/1965, que trata genericamente dos casos de abuso de autoridade cometidos por servidores públicos.

Comento
Já escrevi um longo texto ontem a respeito. Acho que os eventuais males da transparência têm de ser corrigidos com mais transparência.
Sou favorável a que o CNJ possa ter a iniciativa de apurar denúncias de irregularidades nos tribunais. Isso não fere a lei que criou o Conselho nem interfere na independência dos juízes. Convém não confundir essa independência com soberania.

De resto, reitero: no episódio do Pinheirinho, assistimos a uma investida do Poder Executivo e de outras esferas do Judiciário na Justiça de São Paulo. Notem que um caso como aquele nada teve a ver com CNJ ou com sua corregedoria. Estes não têm poder para discutir mérito de sentença, competência do juiz ou algo parecido. Mas foi o que o Palácio e franjas da Justiça Federal tentaram fazer. Isso, sim, é grave!

Se a independência do Judiciário corre algum risco, ele não vem do CNJ.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 15:43

Famílias são despejadas de prédio no Centro de SP e pensam em ocupar terreno que Kassab quer doar a Instituto Lula. Bem, entre invasor pobre e invasor milionário, a escolha é moral, certo?

Vocês lerão abaixo, numa reportagem do Estadão, que a Prefeitura de São Paulo promoveu a desocupação de um prédio invadido no Centro da cidade, com a devida autorização da Justiça. Os invasores, agora, ameaçam ocupar o terreno que o prefeito Gilberto kassab (PSD) quer doar ao Instituo Lula. Leiam a reportagem. Volto em seguida.
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As cerca de 230 famílias que estão sendo despejadas de um edifício no centro de São Paulo, durante cumprimento de reintegração de posse nesta quinta-feira, 2, estão montando barracas na região, segundo o presidente do movimento Frente de Luta por Moradia, Osmar Borges. “As famílias saíram do prédio e agora entram individualmente com oficial de justiça para fazer o arrolamento dos bens para dar início a retirada”, explica Osmar.

Segundo ele, um outro grupo de moradores começa a montar barracas próximo ao prédio, na Avenida São João, em frente à Galeria Olido. “As famílias vão ficar acampadas ali até a prefeitura apresentar uma solução aos moradores”, afirma Osmar. “Representantes da prefeitura só vieram aqui e fizeram o cadastro”, explica.

A reintegração que estava marcada para o último dia 13 de janeiro foi prorrogada em 20 dias, porque, segundo o movimento, a representante da Secretaria Municipal de Habitação informou que a Prefeitura não faria o atendimento imediato às famílias que seriam desalojadas com o cumprimento da liminar de reintegração de posse.
Lula. De acordo com Osmar, os moradores sem-teto podem invadir a área na Rua dos Protestantes, no coração da cracolândia, que pode ser doada ao Instituto Lula. O movimento Frente de Luta por Moradia, segundo o presidente, já enviou um comunicado ao prefeito Gilberto Kassab protestando contra a oferta de doação do terreno para o Instituto, anunciado nesta quarta-feira, 1.

“O movimento pede para que o prefeito faça a doação para os moradores e não para o Lula. É injusto anunciar essa doação. Tantas famílias estão lutando para ter um teto e na véspera da reintegração de posse ele anuncia que vai doar para o Lula. Este anúncio foi para fazer marketing político”, finaliza. Segundo Osmar, se a doação for realmente oficializada, os sem-teto devem ocupar o terreno.

Kassab enviou na tarde de ontem um projeto de lei à Câmara Municipal prevendo a cessão da área da Prefeitura ao Instituto Lula. O local fica na Rua dos Protestantes e está dentro do perímetro da concessão urbanística da Nova Luz, que prevê a revitalização de 45 quarteirões no centro de São Paulo. A área é composta por dois terrenos separados por uma pequena rua, com área total de 4.432 m². Segundo o texto da proposta, a área seria cedida por 99 anos para a entidade fundada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o término do seu segundo mandato.

Voltei
Não tentem arrancar de mim apoio a invasões. Não apóio! Esse negócio de cada um tomar na marra o que acha que lhe faz falta — ou realmente faz, pouco importa — conduz à barbárie, não à civilização. A minha experiência, inclusive a pessoal, é outra, com outro vetor moral: lutar para conquistar o que lhe é necessário. Mas não vou desviar agora o foco.

Sou contra a invasão de áreas públicas ou particulares por sem-teto ou por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que venha com a chancela de uma doação — especialmente se, na invasão, vai se construir o “Memorial da Democracia”. Petista construindo “Memorial da Democracia”??? O prédio vai abrigar a sede da Associação dos Humoristas Cínicos? Petista fazendo memória da democracia? Falta agora Asmodeus começar a defender as Santas Escrituras!

Sou contra invasões. A vida, no entanto, vai nos impondo escolhas morais. No caso do terreno em questão, entre ser invadido por Lula, o milionário, e por pobres que não têm onde morar, é claro que eu prefiro que seja ocupado pelos pobres. Ao menos não há risco de se erguer lá uma monumento à mentira.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 15:21

Atual diretor da Polícia Civil do DF disse em junho, quando era apenas delegado, que o petista Agnelo deixaria sede do governo num camburão. O camburão para Agnelo ainda não chegou, mas o delegado foi promovido

Na revista desta semana, reportagem de VEJA demonstrou como o PT atuou, de forma meticulosa, para destruir José Roberto Arruda, ex-governador do Distrito Federal. Não que não merecesse o destino que teve, depois de tudo o que se soube. A questão é outra: quem pune os ladrões do PT? Quem os investiga? Sempre soa eloqüente uma citação de Padre Antônio Vieira, no Sermão do Bom Ladrão. Vai de cabeça (se não for rigorosamente com estas palavras, vocês acham o preciso no Google: “De um chamado Seronato, disse com discreta contraposição Sidônio Apolinar: ‘Seronato está sempre ocupado em suas coisas: em castigar furtos e em os fazer’. Não era zelo de justiça senão inveja: [Sidônio] queria acabar com todos os ladrões do mundo para roubar ele só”.

Reproduzo abaixo uma reportagem do site do Correio Braziliense. O texto trata de um vídeo, GRAVADO EM JUNHO, em que o delegado Onofre Moraes conta a interlocutores ter dito a alguém — não fica claro a quem — que o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, ainda deixaria a sede do governo “num camburão”. Disse isso em junho, certo? EM NOVEMBRO, FOI PROMOVIDO A CHEFE DA POLÍCIA CIVIL DO GOVERNO AGNELO.

Leiam o texto do Correio. Ao fim, há o vídeo, longuíssimo, mas inequívoco. A gravação foi feita e divulgada por Edson Sombra, que atua como “jornalista”. Ele teve papel importante na queda de Arruda.
*
Um vídeo divulgado na noite desta quarta-feira (1º) compromete o diretor-geral da Polícia Civil, Onofre de Moraes. O jornalista Edson Sombra publicou em seu blog imagens gravadas, com data de 16 de junho de 2011, nas quais o delegado faz críticas à situação enfrentada na época pelo governador do DF, Agnelo Queiroz (PT). O petista era alvo de denúncias relacionadas a financiamento de campanha e à gestão dele no Ministério do Esporte. Onofre também critica a então diretora da corporação, Mailine Alvarenga, além de outros políticos.

As cenas foram gravadas por uma câmera oculta na sala da residência do jornalista, na Asa Norte. Também participam da conversa o delegado Mauro Cezar Lima, atual diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), um empresário e uma quinta pessoa. O grupo busca a publicação de reportagem com denúncias contra o governo. No decorrer da conversa, Onofre demonstra buscar suceder Mailine na chefia da Polícia Civil. Para tanto, ele afirma ter conversado com um interlocutor do governo, que ele chama de Cláudio.

Em certo momento, Onofre diz: “Eu liguei para o (incompreensível) hoje e falei: ‘Quando o seu governador estiver saindo de camburão da Polícia Federal’. Aí ele falou: ‘Isso aí eu acho difícil’. Mas eu falei que o Arruda achava impossível e saiu. ‘Quando o seu governador tiver saindo do camburão da Polícia Federal e eu estiver aposentado e vendo, eu só vou falar: pede a diretora para tirar ele (sic)’. Foi o recado que eu mandei. Direto. ‘Não, o que é isso?’ [teria questionado o interlocutor]. ‘Cláudio, eu estou muito velho pra ficar com esse negócio de amanhã, ou depois’”.

O atual diretor-geral também avalia a situação de Agnelo, por conta das denúncias. “Maurinho (Mauro Cézar), você tem de entender o seguinte. Vai um bandido preso lá na DP e diz: ‘Aquele delegado é um corrupto porque me tomou isso e me tomou aquilo’. O juiz, primeiro, não vai acreditar. Aí vem o segundo bandido, o terceiro. Aí o juiz vai dizer: ‘Ele é bandido mesmo’. É o que vai acontecer com o Agnelo. Vem o primeiro processo, Polícia Federal, Ministério Público, pá, um processo, pá, outro, pá, outro. Sabe o fim dele qual é? Renúncia”, afirma Onofre na gravação.

E o diretor-geral prossegue: “Você é um delegado de plantão, mas faz os seus esquemas. Você é pintinho e ninguém vai querer te destruir. Pra quê?. Vira delegado-adjunto, vai fazendo seus negocinhos, ainda é pintinho. Delegado-chefe, já dá uma olhada. Vira diretor. Aí, nego fuça tudo. O problema do Agnelo foi esse. Enquanto ele era um deputado federal e ficava só no periférico, tudo bem. Foi para o Ministério do Esporte, já… Até como ministro ele nem se expôs tanto. Veio esse negócio, e se o Durval morresse, era pior para ele”. O delegado Mauro Cezar completa: “Quando o cara ganha poder fica cego”.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 14:45

Premiê assume responsabilidade política pelos confrontos

Na VEJA Online, com Agência Efe:
O primeiro-ministro egípcio, Kamal Ganzouri, assumiu nesta quinta-feira a responsabilidade política pelos confrontos de quarta-feira à noite em um jogo de futebol em Port Said, onde morreram ao menos 79 pessoas. Ele disse ainda que está disposto a prestar contas se for solicitado. “Vou cumprir qualquer instrução de pedido de explicação sobre o ocorrido, porque sei que sou responsável politicamente”, declarou Ganzouri em discurso no Parlamento, que nesta quinta fez uma reunião de urgência para analisar os incidentes.

Ganzouri admitiu que desde que chegou ao poder, no fim de novembro, “os egípcios não o querem”, apesar de acrescentar que isso não o levou em nenhum momento a abandonar suas responsabilidades.O primeiro-ministro informou à Câmara Baixa do Parlamento que destituiu o chefe dos serviços de Inteligência e de Segurança da cidade de Port Said, onde ocorreram os fatos, e o presidente da Federação de Futebol Egípcia, além de ter aceitado a renúncia do governador de Port Said. Durante a sessão desta quinta, o presidente do Parlamento, o islâmico Saad Katatni, afirmou que a tragédia ocorreu por causa da “deficiência” e “negligência” dos agentes de segurança e alguns deputados pediram a renúncia do ministro do Interior, Mohammed Ibrahim.

Tragédia
Pelo menos 79 pessoas morreram na quarta-feira à noite pelos distúrbios ocorridos após o jogo de futebol em Port Said, onde os torcedores do clube local Al Masry e os do Al-Ahly, do Cairo, iniciaram uma briga. A Junta Militar, que governa o país desde fevereiro do ano passado, declarou nesta quinta-feira três dias de luto nacional e fez uma reunião extraordinária para estudar o caso.

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 7:03

LEIAM ABAIXO

O “Memorial da Democracia” de Lula é um acinte aos homens de memória! Ou: Será que eles podem privatizar a democracia e um pedaço de SP?;
Imito Daniel Filho e lanço a minha própria série “As Brasileiras”. Episódio de hoje: “A Ciumenta do PSOL”. Ou: Vou lançar “As Certinhas do Tio Rei”;
Blogueira cubana se diz “decepcionada” com postura de Dilma;
Avô de cotado para assumir Cidades é acusado de ser matador em dois livros em filme; “A dicotomia direita-esquerda está superada”, responde ministeriável;
Negromonte entregará carta de demissão nesta quinta;
A área doada por Kassab ao Instituto Lula, a privatização do espaço público e a privatização da democracia;
Como se produzem as notícias e as salsichas… Ou melhor: o “frango estragado”;
Supremo interrompe sessão sobre poderes do CNJ;
“PSD já é aliado em diversos Estados”, diz presidente do PT paulista ao defender acordo com Kassab;
Líder do PSDB cobra que Secretaria dos Direitos Humanos explique desocupação de área pública do Distrito Federal executada pelas polícias sob o controle do PT;
Ih, elas não me acham engraçado! Ah…;
As esquerdo-patas e os esquerdo-patos grasnam seu misto de burrice e marxismo de boteco;
A Soberana, agora com som e imagem, em dilmês castiço;
CNJ – Que o Judiciário decida corrigir os males da transparência com mais transparência;
Começa no Supremo julgamento que definirá poderes do CNJ;
Com a ditadura na alma. Ou: Lixo moral!;
CORRUPÇÃO E INCOMPETÊNCIA;
Se pudesse escolher, Dilma soltaria todos os presos de Guantánamo e manteria prisioneiro o povo cubano. Em nome do sonho!;
As verdades e mentiras sobre Pinheirinho num artigo;
“Kit gay” preparado pela gestão de Fernando Haddad na educação foi o primeiro a propor “transgêneras” em banheiro feminino. Esse rapaz sempre dando boas idéias…;
LAERTE NÃO ESTÁ REIVINDICANDO UM DIREITO PARA AS  “TRANSGÊNERAS”. ESTÁ É TENTANDO SOLAPAR UM DIREITO DAS MULHERES;
Para Dilma, ditadura que matou 424 pessoas era composta por bandidos, já a que matou 100 mil é um celeiro de heróis. Seu passado explica tudo!

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 6:51

O “Memorial da Democracia” de Lula é um acinte aos homens de memória! Ou: Será que eles podem privatizar a democracia e um pedaço de SP?

No dia em que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) decidiu ceder uma área de quatro mil metros quadrados ao Instituto Lula para que o Apedeuta crie o “Memorial da Democracia” — nada menos —, veio a público a informação de que o site da “Revista de História da Biblioteca Nacional” ataca de maneira grotesca o PSDB e um de seus líderes, o ex-governador José Serra, que disputou a eleição com Dilma Rousseff em 2010. O texto dá curso ao trabalho de caluniadores profissionais. A Biblioteca Nacional é vinculada ao Ministério da Cultura. A revista é patrocinada pelo próprio governo e pela Petrobras e traz no expediente os nomes de Dilma e de Ana de Hollanda, a ministra da Cultura. “O artigo é um posicionamento pessoal do repórter e contraria a linha editorial da revista, que não defende posições político-partidárias”, diz o presidente da Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional, Jean-Louis de Lacerda Soares, que se desculpou. Entendi. Em nome pessoal, tudo pode… E quem autorizou a publicação? É só um exemplo da forma como o PT usa a máquina púbica para atacar seus adversários. Mas Lula, vejam vocês, vai reunir a história do seu governo no “Memorial da Democracia”. Vai privatizar uma área do centro de São Paulo e a democracia!

Lula terá quatro mil metros quadrados de terreno para erguer o seu memorial, que cantará as suas glórias e as de seu partido em defesa da democracia, mas o PT não viu nenhum problema em mobilizar a Secretaria Nacional de Direitos Humanos para tentar sabotar a operação na cracolândia — o que buscava atingir Kassab também, diga-se. Como não foi bem-sucedido, partiu para a demonização da Polícia Militar porque esta cumpriu uma ordem judicial de reintegração de posse. Perfilaram-se para a guerra contra o governo de São Paulo a presidente Dilma Rousseff, o ministro Gilberto Carvalho, o ministro José Eduardo Cardozo e, claro!, Maria do Rosário, aquela que, a exemplo de sua chefe, não vê transgressões aos direitos humanos em Cuba. Mas o Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Um dia antes da cessão do terreno, Dilma Rousseff preferiu atacar os EUA quando indagada sobre transgressões ao direitos humanos na propriedade privada dos Irmãos Castro. E daí? O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Dois dias depois da desocupação do Pinheirinho, a Agência Brasil — oficial — publicou entrevista com um advogado de um movimento de invasores  que denunciou a existência de mortos na operação, uma mentira grotesca. O denunciante não precisou apresentar fatos, indícios, nada! Este blog, como sabem, chegou a entrevistar uma das “mortas”. No dia seguinte, uma segunda reportagem trazia as negativas, dando a entender que a existência ou não de cadáveres é uma questão de opinião, de “lado” e “outro lado”. Tudo bem! O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

No site da Presidência da República, o Conselho Nacional de Juventude, uma entidade independente como um táxi, acusa a existência de “políticas militares” no governo de São Paulo e publica dois manifestos — um sobre o Pinheirinho e outro sobre a cracolândia —recheados de mentiras factuais sobre os dois eventos. Está lá, reitero, no site da Presidência! Que importa? O Instituto Lula terá uma área no Centro da Cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Todos vocês sabem, porque isso já é história, que coube a este blog denunciar, em primeira mão, a mais virulenta tentativa do petismo de controlar a imprensa, com o decreto que trazia o Plano Nacional de Direitos Humanos. Sucessivas conferências patrocinadas pelo Palácio do Planalto esforçaram-se para criar mecanismos para cercear a liberdade de expressão. Lula tentou impor o Conselho Federal de Jornalismo, de caráter policialesco. Nada prosperou porque a sociedade se mobilizou. Mas eles ainda não desistiram. Não tem importância! O Instituto Lula terá uma área no Centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”.

Sites e blogs patrocinados por estatais atacam com impressionante virulência personalidades da oposição e membros do Poder Judiciário de maneira aberta, escandalosa, constituindo-se numa verdadeira rede de calúnia e difamação. É o dinheiro público — que é de todos, de quem vota e de quem não vota no PT — a serviço de um partido e de um projeto de poder, mobilizado para macular a reputação dos “inimigos do regime”. Não há nada parecido em nenhuma democracia do mundo. Mesmo assim, o Instituto Lula terá uma área no centro da cidade para fazer o “Memorial da Democracia”. E a área será doada por todos, inclusive por aqueles que a máquina petista de enlamear biografias quer destruir. Sempre em nome da democracia, todos sabemos!

Em nove anos de poder petista, jamais se viu a máquina federal tão organizada e pronta para eliminar a divergência. Atenção! Como afirmo aqui há anos, os petistas também funcionam como lavanderia de biografias. Assim como eles sujam, eles lavam. Basta que se lhes façam as vontades.

Eles merecem ou não privatizar a democracia e um pedaço da cidade com um “memorial”???

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 6:48

Imito Daniel Filho e lanço a minha própria série “As Brasileiras”. Episódio de hoje: “A Ciumenta do PSOL”. Ou: Vou lançar “As Certinhas do Tio Rei”

Jamais achei que isto pudesse acontecer, mas aconteceu. Tenho uma leitora do PSOL que está com ciúme da minha leitora do PSTU. O que toda essa gente faz aqui, santo Deus? Tudo isso só porque sou cheiroso? Mas cheiro não passa nos textos, né? Passasse, as visitas chegariam a 300 mil por dia, hehe…

O caso é o seguinte. Vocês se lembram da Arielli. O NOME DELA É ARIELLI!!! Escrevi de novo sobre ela ontem. Parece que se apaixonou por mim, sei lá… Pertence àquela turma que confunde grito com qualidade de argumento. Pois bem. “A Ciumenta do PSOL”, como a batizei (ela se identifica como “Rosa” seria Luxemburgo!?), enviou-me um comentário indignado afirmando que dou visibilidade a gente como Arielli porque é fácil — diz ela — “ridicularizar pessoas sem profundidade, que mais atrapalham o movimento (que “movimento”, mulher?) do que colaboram com a luta pelo socialismo com liberdade”. Meeedooo!!! E ela desafia: “Por que você não aceita um debate com quem tem formação teórica?” Ué, a Arielli não tem, não?

A Rosa, “A Ciumenta do PSOL”, diz que faço questão de dar visibilidade a atitudes “inconseqüentes” de “pessoas que se dizem de esquerda” (Caramba! A Arielli não é esquerdista o suficiente?) porque, assim, posso “parecer inteligente” — e ela escreve em caixa alta: “SÓ PARECER PORQUE VOCÊ É UM NADA!” Huuummm… Eu, hein, Rosa!!!

Com argumentos assim, acho que fico com a Arielli mesmo. Ela, ao menos, não quer debater comigo, só quer me xingar, hehe… E sempre será mais inteligente o xingamento de um esquerdista do que o argumento.

Vamos fazer o seguinte, Rosa: mande uma foto. Não precisa ser da laringe. Pode ser de boca fechada mesmo. Aliás, necessariamente de boca fechada — se é que você me entende…

As “Certinhas do Tio Rei”
Quem conhece vai entender; quem não sabe do que se trata tem de pesquisar. O jornalista Sérgio Porto tinha um alter-ego, o Stanislaw Ponte Preta, autor do insuperável “Festival de Besteiras que Assola o País – FEBEAPÁ”. Stanislaw criou a sua lista de mulheres bonitas, “As Certinhas do Lalau”. Penso reunir as minhas leitoras do PSOL e do PSTU no grupo  “As Certinhas do Tio Rei”, que só aceitará  Mafaldinhas rebeladas. Sem Remelento!!! E não vale vir com essas coisas do Laerte: “Ah, eu sou uma Remelenta transgênera e exijo fazer parte do grupo ou vou acionar a Secretaria da Justiça!!!”

Digam-me cá: essa gente, embora em siglas distintas, não é parceira na “revolução”, não? Não me digam que esses partidos disputam pra valer o imenso eleitorado de extrema esquerda do Brasil!?…

Sérgio Porto na redação a TV Rio e a "certinha" Carmen Verônica. Olha que nome lindo pra uma "comuninha": Carmen Verônica!!!

Sérgio Porto na redação a TV Rio e a "certinha" Carmen Verônica. Olhem que nome lindo pra uma "comuninha": Carmen Verônica!!!

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 6:37

Blogueira cubana se diz “decepcionada” com postura de Dilma

Por Gabriel Manzano, no Estadão:
De Havana, onde edita seu blog Generación Y, a dissidente cubana e colunista do Estado Yoani Sánchez disse na quarta-feira, 1º, à rádio Estadão ESPN, que está “decepcionada” com a atitude da presidente Dilma Rousseff de evitar o debate sobre direitos humanos em sua passagem por Cuba. “Foi uma pena, uma oportunidade perdida”, afirmou Yoani, que uma semana antes recebeu da mesma Dilma a autorização para vir ao Brasil. “Teria sido um bom momento para um gesto diplomático e solidário com os cidadãos, não só com o governo”, afirmou a dissidente.

Na entrevista por telefone, Yoani revelou que deve sair na quinta-feira, 2, a resposta do governo de Cuba ao pedido para viajar para o Brasil. Ela é aguardada no dia 10 em Jequié, na Bahia, onde estreará um documentário em que ela aparece como personagem.

Até agora, segundo contou, ela fez 18 tentativas de sair da ilha, todas negadas. “Se a resposta sair, será agradável. Mas é claro que não estou esperando uma resposta para me exilar. Quero conhecer o Brasil e voltar.”

A dissidente lamentou que, no fim das contas, os “mais céticos’ tiveram sua expectativa confirmada: “Eles diziam que eu não deveria alimentar ilusões, que Dilma não tocaria em nenhum tema delicado e difícil”.

Yoani definiu como “absurdo migratório” o ritual vivido por cubanos que querem viajar para o exterior. “É preciso pedir uma autorização para sair e para entrar – Cuba é o único país do Ocidente onde isso ocorre.” E as autoridades ainda exigem “uma carta branca para entrar em um avião, mesmo tendo o passaporte valido e o visto”.

Bom sinal. Para Yoani, foi um “bom sinal” a decisão de Raúl Castro de limitar a dez anos o tempo das autoridades em cargos públicos na ilha. “Mas isso nada muda para sua pessoa, pois ele poderá governar até 2018, quando já estará incapacitado para o poder. As novas regras, em seu caso, só valerão para o sucessor”, avaliou. A blogueira considera mínimo o efeito político dessa medida dentro de Cuba. E, completou, as medidas de flexibilização da economia “vão numa lentidão exasperante e têm pouca profundidade”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/02/2012

às 6:35

Avô de cotado para assumir Cidades é acusado de ser matador em dois livros e em filme; “A dicotomia direita-esquerda está superada”, responde ministeriável

Por Cátia Seabra, na Folha:
Potencial ministro das Cidades, o líder do PP na Câmara, Aguinaldo Veloso Borges Ribeiro (PB), traz o nome de um usineiro acusado -em livros oficiais- de mandar matar líderes camponeses na PB. Avô de Ribeiro, o ex-deputado Aguinaldo Veloso Borges é apontado em dois livros lançados pelo governo federal como mandante do assassinato de João Pedro Teixeira, fundador da Liga Camponesa de Sapé (PB), em 1962.

A trajetória de João Pedro é relatada no documentário “Cabra Marcado para Morrer”, de Eduardo Coutinho. Segundo o livro “Retrato da Repressão Política no Campo”, relançado pelo governo de Dilma, Borges só não foi preso porque obteve imunidade parlamentar ao ocupar cadeira na Câmara.

Outro livro oficial, o “Direito à Memória e à Verdade”, produzido durante o governo Lula, cita a mesma história. O nome do avô do possível ministro também é associado à morte da líder Margarida Maria Alves, em 1985. Segundo a bibliografia oficial, Borges ameaçou a então presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB) “pouco antes” de ela ser baleada por pistoleiros encapuzados.A sindicalista inspirou a “Marcha das Margaridas”, ato que há quatro anos reúne em Brasília trabalhadoras rurais de todo o país. Embora diga que ainda não foi convidado para assumir a pasta, Ribeiro descarta risco de constrangimento com a esquerda do PT. Para ele, “o Brasil e o mundo mudaram”, e a dicotomia “esquerda e direita” está superada.

Por Reinaldo Azevedo

 

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