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Google suspende negócios com Huawei após decreto de Trump

Retaliação pode impedir que celulares da companhia chinesa acessem atualizações do Android, sistema operacional da gigante de tecnologia americana

O Google suspendeu parte de seus negócios com a Huawei dias depois do presidente estadunidense, Donald Trump, assinar um decreto que atingiu fortemente a multinacional chinesa nos Estados Unidos, proibindo  empresas do país de utilizarem equipamentos de telecomunicações estrangeiros que “coloquem em risco a segurança nacional”.

A decisão do Google deve afetar os serviços que exigem transferência de hardware, software e serviços técnicos à multinacional chinesa.

Os usuários de smartphones da Huawei que utilizam aplicativos do Google, no entanto, continuarão podendo usar e baixar as atualizações fornecidas pela companhia americana, segundo um porta-voz da empresa. “Estamos cumprindo a ordem e analisando as implicações.Para os usuários de nossos serviços, o Google Play e as proteções de segurança do Google Play Protect continuarão funcionando nos dispositivos Huawei existentes”, disse o porta-voz, sem fornecer mais detalhes.

A suspensão pode prejudicar os negócios de smartphones da Huawei fora da China, já que a gigante da tecnologia perderia imediatamente o acesso a atualizações do sistema operacional Android, do Google. Versões futuras dos smartphones Huawei que rodam no Android também perderiam acesso a serviços populares, incluindo o Google Play Store, o Gmail e os aplicativos do YouTube.

Com o secretário de Estado Mike Pompeo na linha de frente, os Estados Unidos realizam há meses uma ofensiva contra a Huawei, que acusam de espionar para Pequim.

Os Estados Unidos excluíram a Huawei dos projetos de tecnologia 5G em seu território e tentam convencer seus aliados ocidentais a fazer o mesmo, advertindo para os muitos riscos de espionagem por meio da quinta geração da Internet móvel.

“Empresas de telecomunicações chinesas como Huawei servem efetivamente como um braço de Inteligência do Partido Comunista chinês”, declarou o senador republicano Tom Cotton. “A administração tem razão ao restringir o uso de seus produtos”.

Para aumentar ainda mais a tensão nos dois países, na noite de domingo, 19, em uma entrevista veiculada pelo canal de televisão Fox News, gravada na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os dois países “tinham um acordo bastante forte, tínhamos um bom acordo, e eles o mudaram. E eu disse ‘está bem, vamos tarifar os produtos deles’”.

Em Pequim o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lu Kang, disse não saber do que Trump estava falando. “Não sabemos que acordo é esse que os EUA estão falando. Talvez os EUA tinham um acordo para o qual havia expectativas extravagantes, mas com certeza não é o chamado acordo com o qual a China concordou”, disse ele.

As duas maiores economias do mundo travam uma disputa comercial que levou nas últimas semanas à adoção de tarifas sobre mercadorias, ampliando temores sobre riscos ao crescimento global.

(Com Reuters e AFP)