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Fórum extremista planejou falsificar autoria de ataque em escola no RS

Participantes do Dogolachan pediram que fosse criado um post com data retroativa ao do ataque, atribuindo ao grupo o planejamento do atentado em Charqueadas

Algumas horas depois que um jovem invadiu na tarde de quarta-feira, 21, uma escola em Charqueadas (RS), ateou fogo numa sala de aula e depois golpeou alunos com uma machadinha, uma publicação no fórum extremista Dogolachan, autointitulado “o maior grupo de extrema direita do Brasil”, frequentado por racistas, pedófilos e misóginos, divulgava notícias sobre o caso e comemorava o ataque.

Conhecidos por criarem conteúdos de ódio contra todo tipo de minoria e idolatrarem atiradores que executam chacinas, os frequentadores anônimos do site publicaram a recomendação de que um post falso fosse criado com data e hora anteriores ao do ataque em Charqueadas.

A intenção seria de reivindicar uma autoria falsa do crime. Outra postagem também atribuía a execução do crime a um ex-frequentador do grupo e que se tornou uma desavença após revelar ser transexual. Contudo, até o momento dessa publicação, a reportagem de Veja não encontrou a publicação embusteira.

A troca de mensagens anônimas no Dogolachan:

“(…) Mude o horário desse fio (coloque para 3 dias antes), delete o link e isso aqui que estou dizendo. Deixe o resto e coloque dizendo que supostamente o dono desse fio vai matar geral em uma escola estadual.”

“Eu, Raziel Von Sophia, conhecida também nos Chans como TECHNOMAGE, sou a mentora intelectual desse acto. Luto pela total liberdade e caos.”

 

O site do Dogolachan fica na dark web, área da internet acessível somente com navegadores como o Tor. Seus frequentadores prezam pelo anonimato, e buscam nesse submundo on-line por conteúdos violentos, venda de drogas e pedofilia. Também celebram o nome de atiradores em massa, seus vídeos e mensagens.

Outras publicações do fórum fazem menções recorrentes a outros dois casos de extrema violência: o atentado em Suzano (que pode ter inspirado o ataque em Charqueadas) ocorrido em 13 de março e que, segundo a Polícia Civil de Suzano, era frequentado pelos assassinos; e no ataque ao colégio em Realengo, no ano de 2011, que matou 12, cujo o atirador autor do crime supostamente era membro ativo do grupo.