Clique e assine a partir de 9,90/mês

Toffoli rebate Bolsonaro sobre fraude: ‘Os que perdem a eleição reclamam’

Sem apresentar nenhum indício, presidenciável levanta suspeita sobre urnas eletrônicas e afirmou haver possibilidade de disputa eleitoral ser fraudada

Por Da Redação - Atualizado em 17 set 2018, 19h26 - Publicado em 17 set 2018, 13h28

O novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, rebateu, nesta segunda-feira, 17, a suspeita lançada pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no final de semana de que há possibilidade de fraude nas eleições deste ano devido à não utilização doe voto impresso.

Embora não tenha apresentado nenhum indício para embasar sua suspeita, o presidenciável disse, em transmissão pelo Facebook neste domingo, que a possibilidade é concreta.

Internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se recupera de um ataque a faca durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno.

Toffoli disse que as urnas eletrônicas brasileiras são “totalmente confiáveis”. “Os sistemas são abertos para auditagem, a todos os partidos políticos”, afirmou. O ministro ainda destacou que Bolsonaro “sempre foi eleito através da urna eletrônica”.

Em junho deste ano, por 8 votos a 2, o STF derrubou a adoção do voto impresso nas próximas eleições. A medida havia sido aprovado pelo Congresso Nacional em 2015, na minirreforma eleitoral.

Ao falar das eleições presidenciais de 2014, Toffoli lembrou que o então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, pediu uma auditoria nas urnas após ser derrotado por uma pequena margem de votos por Dilma Rousseff (PT). “Geralmente os que perdem a eleição reclamam. O então senador Aécio Neves perdeu a eleição porque não teve votos em Minas Gerais. Por que as urnas estariam dando votos pra ele em São Paulo, e não em Minas Gerais, se o sistema era o mesmo? Não tem absolutamente sentido”, comentou Toffoli.

Cadeira

Toffoli comandará o STF até setembro de 2020, sucedendo à ministra Cármen Lúcia, cuja gestão foi marcada por uma série de episódios turbulentos que aprofundaram as divisões internas da Corte. O ministro assumiu uma cadeira no Supremo em 2009, nomeado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atualmente condenado e preso no âmbito da Lava Jato.

O novo presidente reforçou na manhã desta segunda-feira, 17, que buscará diálogo com os futuros presidentes da República, da Câmara e do Senado, “sejam quem forem”. Durante café da manhã com jornalistas, Toffoli destacou a importância de se construir uma agenda comum com os chefes do outros Poderes.

“Eu sempre sigo a máxima do (ex-ministro) Nelson Jobim: ‘interlocutor não se escolhe’. Seja quem for presidente, os Poderes têm o dever constitucional da harmonia e de procurar uma pauta conjunta. Procurarei fazer, sejam quem forem os futuros presidentes dos demais poderes”, comentou Toffoli.

Continua após a publicidade
Publicidade