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Sócio da UTC indica ministro de Dilma como testemunha

Ricardo Pessôa é acusado de participar do propinoduto na Petrobras; empresário pediu depoimento de ex-tesoureiro da campanha de Dilma

Por Daniel Haidar, de Curitiba - 29 jan 2015, 14h20

O presidente e sócio da UTC, Ricardo Pessôa, requisitou à Justiça Federal do Paraná que sejam arroladas como suas testemunhas o ministro da Defesa, Jaques Wagner, e o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo. O juiz federal Sérgio Moro ainda precisa aceitar a convocação. O pedido da convocação de 22 pessoas foi feito na defesa entregue à Justiça no processo em que o empresário é acusado de ter corrompido o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e de ter desviado recursos de contratos da Petrobras.

Pessôa está preso desde 14 de novembro por integrar e comandar um cartel de construtoras que fraudava contratos da Petrobras e pagava propina a políticos e funcionários da estatal. Além desse processo por corrupção, Pessôa também é acusado em outra ação de ter praticado operações de lavagem de dinheiro em parceria com o doleiro Alberto Youssef, um dos pivôs da Operação Lava Jato da Polícia Federal.

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Como revelou VEJA, o sócio-controlador da UTC já tinha escrito um manuscrito de seis folhas na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, em que ameaça políticos. Nas entrelinhas do texto, fica claro que o presidente da UTC se considera bode expiatório da complexa rede de corrupção armada na Petrobras. O empresário chegou a escrever, em tom de desafio: “As empreiteiras juntas doaram para a campanha de Dilma milhões. Já pensou se há vinculações em algumas delas”.

Depois da revelação dessas anotações, a iniciativa da defesa do empresário foi considerado uma nova ameaça. Bernardo, por exemplo, foi citado como beneficiário do esquema pelos delatores da investigação.

Sem explicar em nenhum momento quais perguntas devem ser feitas, Pessôa também pediu para que seja submetido a um interrogatório de José de Filippi Júnior, ex-tesoureiro da campanha de reeleição do ex-presidente Lula e da primeira campanha da presidente Dilma Rousseff.

Também foram requisitadas oitivas na Justiça dos deputados federais Arlindo Chinaglia (PT), Paulinho da Força (SD), Arnaldo Jardim (PPS), Jorge Tadeu Mudalen (DEM) e Jutahy Júnior (PSDB). Líderes empresariais como o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) João Carlos de Luca e o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, também foram arrolados.

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Ao site de VEJA, a advogada Carla Domênico disse que todos os convocados têm informações a falar sobre as acusações de corrupção contra o empresário. “São pessoas que podem de alguma forma falar sobre fatos citados na denúncia. Não definimos as perguntas ainda. Todas testemunhas foram citadas por indicação do Ricardo Pessôa, que entende que elas têm informações pertinentes”, afirmou.

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