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Prefeitura vai desapropriar o Campo da Fé, em Guaratiba

Medida, segundo Eduardo Paes, vai evitar que investimentos da Igreja na área sejam desperdiçados. Local deve se chamar "Campo da Fé do Papa Francisco"

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, tentará agradar a gregos e troianos para descascar o imenso abacaxi em que se transformou o Campus Fidei – o Campo da Fé, na Zona Oeste, onde seria realizada a celebração de encerramento da Jornada Mundial da Juventude. Arrasado pela chuva da última semana, o descampado de 3,5 milhões de metros quadrados recebeu investimentos do Comitê Organizador Local (COL) do evento e, o entorno, consumiu cerca de 6 milhões de reais do município. Surgiram, então, as acusações de desperdício e de que a prefeitura acabou beneficiando os proprietários das duas fazendas “emprestadas” para a Jornada. Paes, na manhã deste domingo, anunciou que vai desapropriar a área para criar um bairro popular e melhorar as condições de vida da população.

Guaratiba, campo da fé, mar da tristeza

Ficarão felizes a Igreja – que vai ser parceira em um empreendimento que ficará para a cidade, batizado de Campo da fé – e certamente os moradores beneficiados. Os donos da área, que a prefeitura ainda não informou quem são, provavelmente serão o lado insatisfeito do negócio. Até porque, segundo Paes, o valor pago na desapropriação será o do terreno antes dos investimentos realizados pela Igreja no local. “Justamente por isso o processo se dará totalmente pela via judicial”, afirma o prefeito.

A multidão concentrada na praia de Copacabana ficou sabendo da medida pela voz do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, minutos antes da missa celebrada pelo Papa Francisco. Na quarta-feira, o presidente do COL, dom Paulo Cezar Costa, havia estimado em cerca de 1/5 a 1/6 do gasto total da Jornada com a preparação de Guaratiba. Como o orçamento total do evento foi de 300 milhões de reais, estima-se que tenham sido deixados ali, entre terraplanagem, drenagem e demais estruturas algo em torno de 60 milhões de reais, em recursos da Joranda. Vale lembrar: prefeitura, governo do estado e União deram, cada um, 26 milhões para a JMJ.

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O prefeito anunciou a desapropriação pelo Twitter, quase simultaneamente ao comunicado da Igreja, em Copacabana. “Conversei com dom Orani e com o Papa Francisco esta noite sobre a ideia de transformarmos o Campo da Fé, em Guaratiba, em um bairro popular”, disse. O prefeito defendeu a ideia em seguida. “O fato é que a Igreja investiu muitos recursos ali e isso não poderia ser desperdiçado. Só os donos da área se beneficiariam”.

A proposta de Paes é fazer com que o bairro se chame “Campo da Fé do Papa Francisco”, e que um concurso coordenado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil escolha o melhor projeto para a área. No Twitter, o prefeito disse ainda que a área, já assistida pelo sistema BRT de ônibus articulados, tem muitas pessoas que vivem em “situação inaceitável”. Mais tarde, em coletiva de imprensa, ele reconheceu que, para tirar a ideia do papel, será necessário um grande investimento em infraestrutura no local. “A Igreja fez uma parte. Nós faremos a outra”, concluiu.

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