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Prefeitura vai desapropriar o Campo da Fé, em Guaratiba

Medida, segundo Eduardo Paes, vai evitar que investimentos da Igreja na área sejam desperdiçados. Local deve se chamar "Campo da Fé do Papa Francisco"

Por Da Redação - 28 jul 2013, 13h38

O prefeito do Rio, Eduardo Paes, tentará agradar a gregos e troianos para descascar o imenso abacaxi em que se transformou o Campus Fidei – o Campo da Fé, na Zona Oeste, onde seria realizada a celebração de encerramento da Jornada Mundial da Juventude. Arrasado pela chuva da última semana, o descampado de 3,5 milhões de metros quadrados recebeu investimentos do Comitê Organizador Local (COL) do evento e, o entorno, consumiu cerca de 6 milhões de reais do município. Surgiram, então, as acusações de desperdício e de que a prefeitura acabou beneficiando os proprietários das duas fazendas “emprestadas” para a Jornada. Paes, na manhã deste domingo, anunciou que vai desapropriar a área para criar um bairro popular e melhorar as condições de vida da população.

Guaratiba, campo da fé, mar da tristeza

Ficarão felizes a Igreja – que vai ser parceira em um empreendimento que ficará para a cidade, batizado de Campo da fé – e certamente os moradores beneficiados. Os donos da área, que a prefeitura ainda não informou quem são, provavelmente serão o lado insatisfeito do negócio. Até porque, segundo Paes, o valor pago na desapropriação será o do terreno antes dos investimentos realizados pela Igreja no local. “Justamente por isso o processo se dará totalmente pela via judicial”, afirma o prefeito.

A multidão concentrada na praia de Copacabana ficou sabendo da medida pela voz do arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, minutos antes da missa celebrada pelo Papa Francisco. Na quarta-feira, o presidente do COL, dom Paulo Cezar Costa, havia estimado em cerca de 1/5 a 1/6 do gasto total da Jornada com a preparação de Guaratiba. Como o orçamento total do evento foi de 300 milhões de reais, estima-se que tenham sido deixados ali, entre terraplanagem, drenagem e demais estruturas algo em torno de 60 milhões de reais, em recursos da Joranda. Vale lembrar: prefeitura, governo do estado e União deram, cada um, 26 milhões para a JMJ.

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O prefeito anunciou a desapropriação pelo Twitter, quase simultaneamente ao comunicado da Igreja, em Copacabana. “Conversei com dom Orani e com o Papa Francisco esta noite sobre a ideia de transformarmos o Campo da Fé, em Guaratiba, em um bairro popular”, disse. O prefeito defendeu a ideia em seguida. “O fato é que a Igreja investiu muitos recursos ali e isso não poderia ser desperdiçado. Só os donos da área se beneficiariam”.

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A proposta de Paes é fazer com que o bairro se chame “Campo da Fé do Papa Francisco”, e que um concurso coordenado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil escolha o melhor projeto para a área. No Twitter, o prefeito disse ainda que a área, já assistida pelo sistema BRT de ônibus articulados, tem muitas pessoas que vivem em “situação inaceitável”. Mais tarde, em coletiva de imprensa, ele reconheceu que, para tirar a ideia do papel, será necessário um grande investimento em infraestrutura no local. “A Igreja fez uma parte. Nós faremos a outra”, concluiu.

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<p>O penúltimo dia de Francisco começa com uma missa com religiosos, seguida do encontro com representantes da sociedade no Theatro Municipal. Ele volta a se encontrar com os jovens à noite, para a vigília em Copacabana.</p>
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