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MP vai apurar se Petrobras omitiu da Lava Jato irregularidades em obras

Procuradores querem detalhes dos empreendimentos cujo superfaturamento chegaria a R$ 88 bi. Suspeita é de que estatal tenha detectado irregularidades em mais obras do que informou

Por Daniel Haidar, de Curitiba - 29 jan 2015, 06h50

O Ministério Público Federal vai cobrar que a Petrobras detalhe quais são os 31 empreendimentos da estatal com sobrepreço de 88,6 bilhões de reais. A preocupação da força-tarefa da Operação Lava Jato é verificar se a estatal deixou de informar aos investigadores que identificou irregularidades em algum projeto. A estimativa de sobrepreço foi divulgada na apresentação do balanço da petrolífera na madrugada de quarta-feira, mas o conselho de administração da companhia desprezou o cálculo sob a justificativa de que não era possível especificar se houve gasto excessivo porque foram contratos superfaturados em esquemas de corrupção ou se foram originados por má gestão ou mudanças nos preços de produtos, insumos ou custos.

A força-tarefa montada pelo MP na Operação Lava Jato tenta quantificar quais foram os valores desviados e superfaturados em obras e serviços da Petrobras pelas empreiteiras do Clube do Bilhão, como ficou conhecido o cartel de fornecedores da estatal que combinava preços e pagava propina a políticos e funcionários públicos por facilidades em contratos. “Surpreende um sobrepreço de 88 bilhões de reais. É extremamente alto. Vamos ver quais são os projetos envolvidos”, afirmou o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima ao site de VEJA.

Santos Lima diz ser pouco provável que esse sobrepreço bilionário tenha sido causado apenas por “má gestão” ou “falta de planejamento”. Destaca que projetos da Diretoria de Abastecimento eram deliberadamente mal planejados para favorecer as empreiteiras do cartel, como admitiu o ex-diretor da área Paulo Roberto Costa, preso em regime domiciliar por corrupção e um dos principais delatores do esquema.

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No balanço, a Petrobras informou que ainda não chegou a uma metodologia que reflita a real perda de seus ativos por causa de contratos criminosos. Foi testada, por exemplo, a avaliação do valor real de 52 empreendimentos, avaliados em 188,4 bilhões de reais no imobilizado atual. Verificou-se que 31 deles estavam supervalorizados em 88,6 bilhões no total, ou seja, que valem hoje menos do que consta em seu balanço. Porém, a estatal descartou essa metodologia porque acredita que ela pode incorporar ativos que nada têm relação com esquemas de corrupção e não representar a real dimensão das perdas com a corrupção. Dos 52 projetos avaliados, 21 foram construídos ou estão em andamento na Diretoria de Abastecimento.

Investidores reagiram à divulgação atrasada do balanço financeiro da empresa, derrubando o preço das ações da Petrobras. Além disso, provocou espanto o valor estimado. Afinal, segundo estimativas iniciais dos investigadores e do mercado, esse sobrepreço ficaria em torno de 20 bilhões de reais. Somente no pregão da quarta-feira, a estatal perdeu 13,90 bilhões de reais em valor de mercado.

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