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Ministro condena uso do termo ‘facção’ por Regina Duarte em entrevista

Luiz Eduardo Ramos reagiu às reclamações da secretária da Cultura sobre as controvérsias que grupos ligados a Olavo de Carvalho criaram no início da gestão

Por Redação - Atualizado em 9 mar 2020, 14h32 - Publicado em 9 mar 2020, 14h22

O ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, rebateu nesta segunda-feira, 09, os termos que a secretária da Cultura, Regina Duarte, empregou numa entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, para reclamar de alas ideológicas que têm dificultado o início de sua gestão na pasta. Sem citar o polemista Olavo de Carvalho, a quem esses grupos estão ligados, a atriz lamentou que exista uma “facção” que tem pressionado o governo por sua demissão.

Pelo Twitter, Ramos declarou que todos os integrantes do governo devem seguir “a orientação político-ideológica” do presidente Jair Bolsonaro. “São seus ministros e secretários que devem se moldar aos princípios publicamente defendidos pelo Presidente da República, não o contrário. O uso do termo “facção” em entrevista, sem nomear seus supostos integrantes, dá a entender que há divisões inexistentes e inaceitáveis em nosso governo”, disse.

O general Ramos foi um dos principais responsáveis por convencer Regina Duarte a rescindir um lucrativo contrato com a Rede Globo para aceitar o emprego no governo. No discurso de posse, a atriz fez um agradecimento nominal ao ministro. “General Ramos me incentivou muito: ‘Vai lá, antes que um aventureiro lance mão’”, disse ela na cerimônia realizada na última quarta-feira, 04.

Regina Duarte havia se tornado alvo de grupos ideológicos desde que decidiu demitir funcionários da Secretaria da Cultura que eram ligados a Olavo de Carvalho. Na entrevista concedida no domingo, 08, ela disse que havia pessoas ocupando cargos na pasta para fazer ativismo e para tentar se eleger nos próximos pleitos.

Tuíte do general Ramos

“Só lamento ter perdido tanto tempo desfazendo intrigas que foram criadas, fake news, acusações não verdadeiras a respeito da proposta da equipe que está comigo”, disse Regina. “Estivemos ocupados com enormes dificuldades de toda uma facção que quer ocupar esse lugar. Quer que eu me demita, que eu me perca.” 

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A secretária também classificou a permanência de Sérgio Camargo na presidência da Fundação Palmares como um “problema”. Ela tinha a intenção de demiti-lo, mas Camargo conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro e de Olavo para continuar no posto. “Eu estou adiando esse problema porque essa é uma situação muito aquecida. Que baixe um pouco a temperatura e logo, logo a gente vai ver. O que tem força vai ser”, disse.

Camargo ficou conhecido por dizer que a escravidão foi “benéfica” para os negros brasileiros. Nesta segunda-feira, também pelo Twitter, ele enviou uma mensagem provocativa a Regina Duarte, mas sem citá-la nominalmente. “Bom dia a todos, exceto a quem chama apoiadores do Bolsonaro de facção e o negro que não se submete aos seus amigos da esquerda de ‘problema que vai resolver'”, afirmou. 

Olavo de Carvalho, que declarou na semana passada ter avalizado a indicação de Regina Duarte para a Secretaria, está em plena campanha no Facebook para que a atriz seja demitida por Bolsonaro. Em uma postagem feita após a entrevista da secretária, o polemista afirmou que ela “não está boa da cabeça e não deve ocupar cargo nenhum”.

“A Regina Duarte age como se o seu emprego no governo lhe pertencesse por direito natural contestado apenas por “uma facção bolsonarista”, quando na verdade foi essa facção, representada pelo presidente da República, quem lhe deu o emprego. A óbvia inversão psicótica da realidade mostra que a véia [sic] não está boa da cabeça e não deve ocupar cargo nenhum”, afirmou.

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