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Assessor do ministro do Turismo é preso em ação sobre laranjas do PSL

Segundo as investigações, objetivo seria acessar fundos eleitorais e utilizar os recursos para pagamento de despesas de outras candidaturas

Por Da Redação - Atualizado em 28 jun 2019, 16h12 - Publicado em 27 jun 2019, 09h36

A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quinta-feira, 27, em Brasília, Mateus Von Rondon, assessor especial do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio (PSL), em operação que investiga um suposto esquema de candidaturas “laranja” pelo partido nas eleições do ano passado em Minas Gerais.

Marcelo Álvaro Antonio era presidente da legenda no estado à época. Em Minas, a Polícia Federal também prendeu Roberto Silva Soares. Robertinho, como é conhecido, foi preso em Ipatinga, no leste de Minas Gerais. Ele atuava como coordenador da campanha eleitoral de Álvaro Antonio a deputado federal.

A operação foi batizada de Sufrágio Ostentação. As candidaturas laranja teriam sido de mulheres. O objetivo, ainda segundo as investigações, seria o de acessar fundos eleitorais e utilizar os recursos para pagamento de despesas de outras candidaturas.

Sob o comando do ministro, o diretório mineiro do PSL é suspeito de destinar verbas milionárias do Fundo Partidário para candidaturas que tiveram votações insignificantes nas últimas eleições, em disputas por cargos legislativos. As investigações começaram após a revelação do jornal Folha de S. Paulo em fevereiro deste ano.

A combinação de baixas votações com repasses volumosos são características típicas de candidaturas chamadas de “laranjas”, aquelas que não tem objetivo real de buscar uma vitória eleitoral, mas apenas para cumprir a cota mínima de mulheres candidatas ou simular doações fraudulentas de partidos políticos.

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Ao blog Radar, a deputada Alê Silva, que acusou Álvaro Antônio de ameaçá-la por denunciar esquema de laranjas em MG se disse “satisfeita” com as prisões. “Não vou dizer que estou feliz numa situação como essa, nem que estou me sentindo vingada também. Não! Inevitavelmente fico satisfeita que a Polícia Federal está trabalhando sem qualquer tipo de influência. Com certeza estou satisfeita com o inquérito. O que se espera é que os responsáveis paguem por seus atos”.

Em nota, o ministério do Turismo afirmou que “não há qualquer relação entre a investigação da Polícia Federal e as funções desempenhadas pelo assessor especial Mateus Von Rondon” na pasta. “O órgão aguarda mais informações para se pronunciar sobre o caso”, completou.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, disse não ter conhecimento da prisão de Mateus Von Rondon, assessor especial do ministro do Turismo. Segundo ele, o presidente, Jair Bolsonaro, também não deve ter recebido informação sobre o assunto até o momento.

“Nem sabia. Foi agora? Bolsonaro nem sabe, garanto que ele não sabe”, disse Heleno, questionado sobre o assunto. O ministro falou com jornalistas por volta das 21h em Osaka, no Japão (9h no horário de Brasília), quando Bolsonaro já havia subido de volta de um jantar para o quarto do hotel onde está hospedado para os compromissos do encontro do G-20.

A defesa de Mateus von Rondon manifestou-se por nota: “Mateus von Rondon tem bons antecedentes, residência e trabalho fixos, sempre esteve à disposição da Justiça e, por isso, o pedido de prisão temporária com a finalidade única e exclusiva dele prestar depoimento causou estranheza. Todos os esclarecimentos já foram dados às autoridades competentes, razão pela qual a defesa entrou com pedido de soltura ontem (quinta-feira, 27.06) e aguarda decisão favorável com a confiança na correção, imparcialidade e competência da Justiça.”

(com Estadão Conteúdo)

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